terça-feira, 3 de junho de 2014

GUEST POST: QUE FEIA EU ERA

Já faz um tempinho que Letícia Penteado me enviou este relato, que já foi publicado aqui e aqui, no blog dela
O texto é longo demais. Tentei cortá-lo, mas não consegui. É sofrido, comovente (eu chorei), e lindamente escrito. Vale a leitura de cada palavra. 
Letícia, você é linda. E forte. E corajosa. Parabéns pelo relato.

“Mulher tem que ser bonita até fazendo cocô”.
Eu cresci ouvindo isso.
Só que eu não era bonita. Eu não era bonita para o mundo fora da minha casa, porque, salvo alterações cosméticas drásticas, eu jamais seria a loira peituda e magrinha que é o padrão de beleza atual, e eu não era bonita para o mundo de dentro da minha casa, porque minha “beleza” dependia do que eu fazia, do que eu falava, da forma como eu me comportava e pensava, do que eu vestia.
Com cerca de quatro anos, descobri no parquinho da escolinha que eu nunca seria o super-homem. Eu não podia ser o super-homem, porque eu era menina. Não foram os adultos que me disseram isso –- foram as próprias crianças com quem eu brincava, chocadas com a minha falta de noção. Que feia eu era! A menina que queria ser o super-homem.
Pouco mais tarde, embora eu não saiba precisar o quanto, descobri que eu era ainda mais feia do que supunha. Minha mãe, horrorizada, com meu bilhete inocente nas mãos –- “Ai loviu” dizia a cartinha -– corrigiu primeiro o inglês, para depois corrigir a intenção. Não se mandavam bilhetes desse tipo para amiguinhas. Por que não, mamãe? Porque é feio.
Ponto.
Eu era feia.
E, assim, eu tinha que compensar minha feiura. Eu tinha que agradar, da forma como pudesse. E na minha casa era difícil agradar. Adultos irascíveis normalmente não são fáceis de se agradar. O que agrada num dia pode desagradar no outro. O que rende ternura numa hora pode render uma surra na outra.
É que certos homens, que não têm grande apreço pelo gênero feminino como um todo e menos ainda por crianças, podem ser especialmente “exigentes” com suas filhas quando se sentem emasculados fora de casa (o que tende a acontecer com eles com uma certa frequência -– basta uma fechada no trânsito, uma chefe mulher etc). Impõem padrões de beleza absurdos e punem com severidade qualquer feiura.
E muitas vezes as mulheres desses homens também se sentem muito feias. E, por isso, ao invés de defenderem suas filhas, assistem, passivas, ao espetáculo de violência, para depois abraçarem suas crias e pedirem compreensão para o pai que está passando por um momento difícil, pedirem para que ELAS se esforcem para evitar que esse tipo de coisa aconteça.
Por isso, feia, minha existência era pontuada por palavrões, adjetivos, puxões de orelha, tapas na mão, e, claro, surras, normalmente na bunda, desde a clássica palmada até as surras com as mais variadas ferramentas (cintos com arrebites de metal, pedaço de pau, fita métrica).
Minha feiura não terminou junto com a minha infância e logo eu já era grande o bastante para apanhar em saraivadas de tapas e pontapés que pareciam vir de todos os lados de uma só vez.
Aliás, feia, eu tinha que pedir desculpas depois de apanhar, por “me terem feito bater”, por ter precisado apanhar para aplacar minha feiura. 
Aprendi, pelo menos, a não sentir a minha raiva, guardá-la às sete chaves dentro de mim, para não ficar ainda mais feia (coisa feia, sentir raiva de quem te brutaliza pelo seu bem!).
Feia, esses eram os meus momentos de “verdade”. Porque o resto do tempo, quando eu não estava apanhando, era porque eu estava fingindo ser alguém que eu não era. Estava fingindo ser bonita. E sempre com o medo de ser descoberta, da fraudulência da minha suposta beleza ser exposta... o que sempre acabava ocorrendo.
Mas eu continuava tentando. Quem sabe um dia eu mesma acreditaria que era bonita.
Me ensinaram a lutar, cerrar os punhos e bater, bater com força, com vontade, para ‘me defender’. Me ensinaram, na verdade, que essa era a melhor forma de resolver conflitos. Mas se eu era feia, se eu era “uma merda”, por ser criança, por ser filha, por ser adolescente, por ser eu, por ser feia... que direito tinha eu de me defender? Eu merecia o que fizessem comigo.
Eu sabia lutar, mas não me sentia digna de defesa. Tentando suprir minha necessidade de luta, de justiça, buscava alívio em causas alheias, caçava moinhos, sempre chamada com escárnio de “defensora dos fracos e os oprimidos”. Tinha que lutar por alguém, já que não era capaz de lutar por mim mesma.
Eu era feia, não podia desagradar. Se mostravam interesse em mim, eu tinha que corresponder às expectativas. Foda-se que eu não estava a fim. Foda-se que eu não estava pronta. Quem sabe assim eu conseguiria um pouco de atenção, um pouco de notoriedade... e talvez isso passasse por beleza por um segundo.
Eu era uma criança obviamente problemática, eles em geral eram jovens adultos à procura de algo em que meter a pica. Algo, sim, porque mulher é coisa, não é gente. Especialmente meninas feias como a que eu era. E eu, que queria tanto ser bonita, fiquei ainda mais feia. Agora, além de feia, era suja. E a culpa era minha. Da minha feiura, da minha falta de vergonha. Ah, que vergonha eu tinha da minha falta de vergonha! De não conseguir parar. De não merecer ser tratada com respeito. Eu não queria aquilo, não tinha prazer, não tinha por quê... mas não conseguia não fazer. 
E na minha escola, os que ficaram sabendo que a sapata feia já dava queriam que eu desse também para eles. E quando eu me neguei, eles passaram a me atormentar diariamente. Me apalpavam sorrateiramente, me xingavam, tomavam minhas coisas, me humilhavam. Como é que eu ousava não dar para eles? Quem eu pensava que era? Eu, feia desse jeito? E não adiantava chamar para a briga, olha só -– e eu não sabia resolver conflitos de outra forma. Os professores viam, todo mundo via, mas todo mundo achava merecido. Porque eu era feia, afinal. Eu merecia
Até outro dia eles ainda passavam de carro pela minha casa de madrugada, gritando sobre a minha feiura -- "vagabundaaaaa!". Muito tempo depois, quando me deparei com um deles na rua, a reação foi bizarra: a pessoa me encarou ameaçadoramente, como se eu fosse uma criminosa, com toda a raiva e propriedade de quem encara alguém que lhe deve e se safou de pagar. Esse era o tamanho da minha feiura –- ser cobrada por ela, com rancor, com ódio, cobrada a sentir vergonha dela, cobrada mesmo por quem já deveria ter se tocado de que se aproveitou dela e deveria dar graças a deus, aliás, de não ter sido preso por isso. Mas a vergonha, a feiura, é só minha. Afinal, ninguém me amarrou, ninguém pôs uma arma na minha cabeça. Eu fui "porque quis”.
Também foi essa a atitude do tiozinho X me que flagrou com alguns rapazes e quis me chantagear para que trepasse também com ele. Tiozinho, tipo, cinquentão por baixo. Surpreendendo a mim mesma, me defendi, calma e lucidamente, explicando que ele poderia contar para quem ele quisesse, porque eu contaria para todo mundo que ele tinha tentado me chantagear. Ele me deixou em paz. Mas, anos mais tarde, quando me encontrou na rua, parou onde estava e ficou me fitando com ódio. Quem eu pensava que era, eu, menina sem-vergonha, menina feia, para enfrentá-lo assim? 
Essa era a medida da minha feiura. Um estuprador se sentia no direito de me achacar.
Mas não foi só ele! Teve outra ocasião em que, ainda adolescente, eu estava de novo fazendo coisas feias na tentativa de deixar de ser feia (toda a minha vida era devotada a isso) e fui flagrada com um amigo adolescente por um adulto de uns trinta anos... que também quis tirar sua casquinha. O resultado, afortunadamente, foi o mesmo -– consegui repelir o ataque com uma calma que assombrou até a mim.
Somente muitos anos mais tarde entendi que, em ambos os casos, havia me defendido com sucesso de tentativas de estupro. Eram homens adultos tentando se aproveitar da feiura de adolescentes. Fico me perguntando quantos adolescentes e crianças feios não acabam cedendo a esse tipo de pressão. Fico me perguntando o que foi, dentro de mim, que me impeliu a lutar por mim a despeito da minha feiura, onde eu antes, tantas vezes, havia aceitado passivamente o que quer que me fizessem. 
Seria o fato de eu perceber uma gravidade incontestável na conduta daqueles homens? O fato de eu ver que eles eram ainda mais feios do que eu? Seria o blefe, o pagar para ver? Seria eu querendo ser brava, querendo dizer para mim que era corajosa, para assim ficar menos feia? Me convencer de que, assim, todo o resto do que eu fazia era porque eu de fato queria? De que eu era feia, mas não tão feia assim, de que era feia, mas não era vítima?
Quando o homem com quem eu morava, meu então ‘cônjuge’, meu dito companheiro, avançou para cima de mim a murros e pontapés, só o que me vinha à mente, enquanto minha cabeça girava de um lado para o outro a cada golpe que eu recebia, paralisada, em choque, sem conseguir reagir, foi o primeiro homem que fez aquilo comigo, o primeiro homem que me mostrou o quanto eu era feia. E eu sentia que aquilo tudo, no fundo era culpa minha. Porque eu era feia. Eu tinha que ter provocado aquilo, era a única explicação.
Passando a mão no meu rosto feio, vi meu sangue de menina feia e pensei que nem mesmo papai havia me tirado sangue assim... senti os dedos dele apertando a minha garganta, caí no chão e vi, como se em câmera lenta, o pé dele vindo para me acertar no rosto, já caída, já rendida, rendida pela minha própria feiura, pela minha incapacidade de me defender. Naquele átimo de segundo, a fera dentro de mim resolveu que não iria morrer ali. Não sei direito o que ela fez, mas eu escapei. Tenho certeza de que devo minha vida a ela.
Arrastei pelo que pareciam milhares de quilômetros uma mala de mais de cinquenta quilos, humilhada, batida, machucada, feia, as pessoas desviando de mim, até que um taxista parou e, sem falar uma palavra, pegou a minha mala, colocou no carro, abriu a porta para eu entrar e me disse que eu entrasse, porque ele me levaria até onde eu quisesse ir. Eu fiquei com medo, confesso. Disse que era feia, mesmo sem usar essas palavras. Disse que não tinha como pagar. Ele me disse que ele tinha uma filha e que nunca iria querer pensar que alguém passou assim por ela nesse estado sem parar para ajudar. Os olhos dele eram límpidos, sinceros.
E aquilo me doeu... mais do que a surra que eu havia tomado. Aquele era um pai, um pai que não me julgou, que não me bateu, que estava mais preocupado comigo que com a minha feiura. Ele me ajudou a despeito dela. Era quase como se eu não fosse feia de verdade, como se fosse tudo coisa da minha cabeça. E de repente cada tapa, cada surra, cada dor minha de tantos anos me veio de uma só vez. Eu tinha que ser feia. Eu tinha. Senão... eu não teria merecido nada daquilo. E o horror de ser tratada daquela forma sem merecer era demais para mim. Pelo menos naquele momento.
E mais tarde me descobri grávida do homem que me bateu. E abortei aquele filho. Não porque fosse dele. Mas porque era meu. Porque eu era feia e qualquer coisa que saísse de mim seria feia também. E eu conhecia a dor de ser feia. Não queria isso para mais ninguém.
Muitos anos se passaram e um belo dia eu, que quase nunca havia sequer pegado uma criança no colo, comecei a ter uma vontade estranha de ter filhos. Essa vontade não era só minha, não era só para mim. Eu agora conhecia e amava uma pessoa muito, muito especial, e a ideia de fazer uma criança de nós dois era linda. Linda. Tão linda que eu até me esqueci do quanto eu era feia.
Comecei a ver as crianças ao meu redor e a forma como elas eram tratadas, comecei a lembrar de mim e de como eu me sentia ao ser tratada daquela forma, de como era ser uma criança feia. Percebi que havia uma distância imensa entre o que os pais achavam que estavam fazendo com seus filhos e a percepção dos filhos em relação ao que seus pais estavam fazendo com eles. E que isso era algo muito, muito estranho, já que todos os pais um dia com certeza já haviam sido filhos, ainda que sem pais.
E decidi fazer diferente. E comecei a ler e me informar e aprender. E no curso desse estudo, revisitei a menina feia dentro de mim. E voltei para aquele momento, dentro daquele táxi, em que meu mundo, todo apoiado no pilar da minha feiura, quase ruiu. Naquela ocasião, eu não tinha condições de chutar aquela merda e ver aquilo tudo vir abaixo, foda-se o resultado. Mas agora eu tinha. Eu tinha apoio, eu tinha amor, mas acima de tudo eu tinha uma criança que merecia e merece esse esforço.
E foi daí que eu abri a porta para a “menininha batida e pisada que não sai da cozinha” que estava dentro de mim. E nós choramos juntas e abraçadas por muito tempo, como ainda continuamos a chorar, livremente, essa nossa história feia de como nos descobrimos belas. E contamos uma para outra de cada tapa, cada puxão de orelha, cada cintada, cada xingo, cada dor. Cada suspiro preso no peito, cada raiva guardada, cada rancor. E assim vamos nos curando, no sal das nossas lágrimas, no calor do nosso amor.
Enquanto saímos para brincar com nossa filha. Que nunca, jamais, será feia. Não para mim. E, espero, não para ela mesma.

57 comentários:

Love Gótic- disse...

Esse post falou tudo de mim que nunca tive coragem de falar. Eu a Love Gótic que me acho tão feia que nem meu nome escrevo. A sapata estuprada na infância, surrada pela mãe que dizia ser feio brigar na rua porque os meninos queriam ser o He Man e eu não podia ser forte. A menina feia que brigava na escola, que tinha nojo dos adultos que me apalpavam na adolescência e a mulher feia que mora sozinha . Mas um dia serei bonita para alguém que me aceite feia do jeito que sou. Lola chorei com a história porque é muito eu. Linda, linda a autora e eu também espero ficar linda e superar tudo isso. A rebeldia é minha marca, mulher tem que ser delicada e gostar de flores e eu gosto de skate. Aplausos de pé para você querida que me proporcionou um espelho da vida e quem sabe meu futuro bonito e livre da feiura que foi imposta a mim.

Anônimo disse...

Letícia, sinta-se abraçada por alguém que também foi feia. Minha família sempre me amou, mas o resto do mundo me achou feia e fez questão de manifestar seu desagrado com isso. Fui feia por causa da minha idade, da minha personalidade, de todas as coisas que me faziam diferente daqueles pseudo-adolescentes moderninhos que não conseguiam se conformar que eu fosse tão diferente deles e feliz assim. O triste é que, quando criança, a gente nem percebe que as pessoas que nos chamam de feias e nos punem por isso são tão ou mais feias que nós... até perceber isso demora, e a gente sofre muito. Eu demorei muito até ver a feiura deles e mostrar que não tinham moral nenhuma pra me maltratar. Você é linda e tenho certeza de que sua filha será também. Toda a felicidade do mundo pra essa família de beldades!

Laiane disse...

Lola, você tem muita razão. Não merece ser cortada nenhuma parte deste relato. Letícia você é linda, forte e corajosa. Que sua coragem seja abençoada, permanente e transmitida para sua filha.

Verô! disse...

Um dos textos mais contundentes sobre os males do sexismo, misoginia e machismo que já li. A autora conseguiu expressar perfeitamente bem o impacto que isso provoca nas vidas das mulheres, gostei muito do uso por vezes metafórico do adjetivo "feia". É assim que muitas de nós nos sentimos, nos incutem um verdadeiro terror de sermos "feias" e para evitar esse título anulamos nosso próprio ser. Belíssimo, Letícia!

Ana Torres disse...

Gostei do texto. Não chorei (ele foi editado?) mas achei muito bonito. É uma história de superação né! Depois de passar por um pai abusivo, um marido abusivo.. a vida ainda pode ser boa! É pra gente nunca desistir diante das adversidades.

Ana Carolina disse...

Estou lendo do meu trabalho e quero me acabar de chorar!

Pela dor, pela beleza que se tira da dor... E pela lembrança. Da minha dose de "menina feia". Da mãe que, quando eu me comportava de acordo com os padrões dela, falava "agora você está sendo bonitinha". Já que uma criança que não age como o adequado e ensinado é inatamente feia. Como sempre vivi com o estigma da feiura - física, moral. O início do texto poderia ter sido escrito por mim, mas o meio mudaria - seria a menina feia que se aproxima perigosamente de um pedófilo porque ele é a única pessoa no mundo que afirma que ela é bonita. Mas, por sorte, já começo a achar beleza dentro da minha própria dor, da minha própria feiura. Bem como a autora.

Gle disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gle disse...

Chorei. LINDX! Tanto ela quanto o texto.
Sem palavras!!!!!!!!!!!!!!
Que esse amor maravilhoso que existe dentro deste ser continue assim, com muita LUZ.

P.s.: eu sempre fui feia também. Por não gostar de saia, de vestido e por amar futebol e os mais variados esportes. Eu sempre encarei muito friamente tudo isso e dei a volta por cima. Nunca aceitei ser humilhada! Mas aceitei até certo ponto ir com o que condiz a sociedade. Cansei! Desisti de fazer o que queriam e passei a fazer o que EU QUERIA. Tenho a mais de 2 anos uma relação homo! A amo e ponto. Falem o que quiser!

Anônimo disse...

Eu também sou feia. Eu fico feliz pela moça do guest post ter encontrado a beleza dela, ter amado profundamente e ter algo pra cuidar e olhar crescer. Obrigada pelo texto. Me deu esperança. Porque eu também sou feia.

Eu era problemática da família, meu pai me dizia que não via a hora da minha irmã mais nova crescer porque ela ia ser mil vezes melhor que eu, porque eu dei errado, eu falhei na hora de crescer.

A feia que nunca teve voz, nunca foi capaz de dizer não, nunca teve coragem de rejeitar uma situação. A feia que quando foi molestada por um desconhecido num ônibus lotado não teve coragem de fazer nada porque sabia que ninguém acreditaria nela.

A feia que tá sempre pedindo licença pra existir, sempre procurando maneiras novas de ocupar menos espaço, falar menos, se expressar menos, pra não incomodar. A feia que quando abre a boca passa o resto da semana querendo se matar por ter trazido essa vergonha pra si.

A feia que só ficou linda quando ficou doente, passou fome - eu fiquei tão pequena, todo mundo elogiava o quanto eu sofria.

A feia que também é burra, que tem problemas de cognição e ah! que patética, continua tentando. Quieta no fundo de salas de aula lotadas, querendo sumir.

Eduardo Nobre disse...

Você é linda, sempre foi, e sua história te fez ficar ainda mais linda. A verdadeira beleza comove os corações sinceros, como você fez conosco, como só uma bela paisagem pode fazer.

Feios são os "monstros" que passaram por sua vida. O que eles chamam de "beleza" é uma pintura que vai se desfazer na "Chuva da Vida".

A sua Beleza é uma pérola que infelizmente foi lançada aos porcos, mas que felizmente agora encontrou alguém sabe apreciá-la.

Anônimo disse...

Apesar de ser um homem e não ter passado por tentativas de estupro como a autora, me identifiquei no texto.

Sei muito bem que pais abusivos minam a autoestima dos filhos. Meu pai me batia quase diariamente. Qualquer motivo era bom o suficiente para que eu "entrasse na vara de marmelo". Isso enquanto minha mãe brindava com seu silêncio e sua distância. "Feio" é exatamente a palavra que descrevia como eu me sentia.

É claro que eu sofria bullying. É claro que nenhuma garota ousava querer ficar comigo: era muita humilhação para ela. E sendo fraco, franzino, nunca consegui realmente me defender dos bullies, que tinham a bênção dos professores para fazer o que bem entendessem. Apanhava na escola. E, ao saber disso, apanhava de novo em casa.

Minha primeira namorada foi só aos 25 anos, depois de formado e já trabalhando. Foi com ela que eu tive meu primeiro beijo e a minha primeira vez. Mas ainda não sei como nem porque ela quis estar comigo. Tanto que ela já está com outro cara. Mas até conhecê-la, eu era, além de feio, fracassado. Não que isso tenha mudado...

Mas eu fico feliz pela superação da autora do texto. Espero que ela e a filha possam ser felizes daqui em diante.

natalia disse...

Achei muito triste a narrativa. Mas, também, me parece que, em nenhum momento, a autora se tocou que mesmo que ela fosse feia, de forma alguma mereceu ser tratada com violência. Aparência não justifica maus tratos. Sei que muitos homens pensam dessa maneira. Eu já ouvi coisas do tipo: só barangas são mal tratadas. É óbvio que não concordo. Barangas e barangos merecem todo o respeito que teríamos por lindos e lindas.

D Stoffel disse...

Eu era a feia quando criança na escola, me xingavam e eu nem sabia pq, só pq eu era eu, e nem meus pais sabem disso até hoje,
Hoje me sinto feia ainda, mas aprendi a responder as caras feias com a minha cara feia, hoje sou mais forte que antes, hoje não me importo tanto, esse momento na infância me fez aprender como o mundo é cruel, e isso vai ser uma lição pra minha vida toda.

D Stoffel disse...

Vamos beber amor próprio faz bem, eu recomendo. Hoje eu me sinto forte nem que seja só pra lutar, não podemos deixar que os idiotas estraguem nossos dias.
Força a todas as garotas que como ela e eu sofreu com isso e ainda sofre.
Graças a Deus não sofri estupro mas já sofri brincadeiras de mau gosto de colegas homens, não sei se é assédio, sei que ele se esfregava em mim e em outras garotas e eu não gostava disso.
Graças a Deus nunca mais aconteceu isso comigo nunca mais vou deixar, e ser fraca de novo.

Anônimo disse...

Sawl

Oi Lola. Td bem?
Vou postar o link sobre uma garota aqui do Rio de Janeiro que reagiu contra um porteiro que vivia dando cantada escrota nela quando ela vai pra faculdade.
Ela se cansou, deu uns foras merecidos no safado e postou sua insatisfação no Youtube.
Resultado? Um monte de machista babaca ficou falando merda da menina!
Tipo "se fosse jogador de futebol ela taria dando mole", "ela quer aparecer", "ela quer ser capa da Playboy" entre outras merdas misóginas do pior tipo mostrando uma realidade: tem muitos brasileiros que culpam a VÍTIMA não o CRIMINOSO!
Aqui tá o link pra elogiar a atitude da garota e ver o quanto são ridículos certos carinhas misóginos e com cérebro de merda!


http://oglobo.globo.com/blogs/blog_gente_boa/posts/2014/06/03/assedio-revolta-estudante-em-copacabana-538073.asp?msg=2#comments


Sawl - Always the rebel

B. disse...

Lola e guest poster:

em algumas partes do texto,me identifiquei. Me identifiquei com esta "feiúra". Porém falo da feiúra física...Quando eu era adolescente , tipo uns 14. 15 anos eu usava óculos de grau com armação escura, tinha a pele cheia de espinhas e usava aparelho. Eu era igualzinha à Ugly Betty, do seriado americano. Preciso descrever o que sofri nessa época da vida?

É muito humilhante ser uma mulher/menina feia em nossa sociedade. As coisas que ouvimos doem até hoje, os caras debocham, as meninas debocham, não tem pra onde correr. Nunca ENCOSTEI em nenhum menino em toda minha adolescência, nada nem beijo, nada nada. O motivo? Eu era feia, considerada nojenta, aberração.
Uma vez no colégio tinha que dar aos mãos pros colegas, fazer um círculo (?), era uma apresentação, o colega que deu a mão pra mim, depois de soltá-la, ficou esfregando a mão, como que para se livrar do "nojo".
Os meninos do colégio gritavam ao me ver, como se tivessem levado um susto. Na rua, eu sofri assédio ao contrário, os homens na rua gritavam "baranga" e coisas assim.

Uma coisa eu afirmo com CERTEZA: é uma MERDA ser feia. Ainda bem que melhorei neste aspecto.

Fernanda disse...

Até essa denominação de "barangx" devia desaparecer.

Sim, fomos todos treinados a apreciar tal e tal tipo de traço estético. Mas treinamento também se desaprende, se cancela. E começa com a atenção a esses pequenos deslizes.

Estou falando inclusive -- ou sobretudo -- pra mim. Eu tenho um olhar muito voltado para o belo e o elogio; sem querer deixo milhões de pessoas sem-graça na rua porque vi alguma coisa muito bonita nelas e não consigo me segurar, tenho que falar, sempre. Homem, mulher, criança, cachorro, velhinho, planta; se fez brilhar meus olhos, eu falo. Porém, tenho me pegado muitas vezes nesse jogo de defeitos, e, honestamente, me traz muita satisfação quando me vejo fazendo essa classificação sem sentido e desmonto o pensamento na hora, do tipo "qualé, Fernanda, vai ficar apontando feiúra nos outros?". É um processo interessante, apesar de difícil, e juro que há uma mudança inerente a essa quebra de conceitos.

Lindo o relato, linda a moça, lindxs todxs nós.

PERSEU disse...

comentario de um dos anonimos:

''Sei muito bem que pais abusivos minam a autoestima dos filhos. Meu pai me batia quase diariamente. Qualquer motivo era bom o suficiente para que eu "entrasse na vara de marmelo". Isso enquanto minha mãe brindava com seu silêncio e sua distância. "Feio" é exatamente a palavra que descrevia como eu me sentia.

É claro que eu sofria bullying. É claro que nenhuma garota ousava querer ficar comigo: era muita humilhação para ela. E sendo fraco, franzino, nunca consegui realmente me defender dos bullies, que tinham a bênção dos professores para fazer o que bem entendessem. Apanhava na escola. E, ao saber disso, apanhava de novo em casa.

Minha primeira namorada foi só aos 25 anos, depois de formado e já trabalhando. Foi com ela que eu tive meu primeiro beijo e a minha primeira vez. Mas ainda não sei como nem porque ela quis estar comigo. Tanto que ela já está com outro cara. Mas até conhecê-la, eu era, além de feio, fracassado. Não que isso tenha mudado...''

voce só é fracassado porque voce se ve como fracassado. pare de se ver como fracassado, rejeite a hierarquia entre os homens. o ideal do macho zeta que tanto divulgo aqui é uma adaptação aos tempos modernos, ao feminismo. quando dizem pro zeta ''sejam homem de verdade'', ele responde ''não, obrigado''. o zeta rejeita os conceitos de vencedor e perdedor na vida. ele pode ser considerado ''fracassado'' pelas pessoas em alguns aspectos, mas ele é forte em outros aspectos, como auto-suficiencia na solidão, foco em si, e viver do jeito que realmente quer viver. pesquisa sobre o ideal ''man going their own way, the zeta males'' do masculinismo norte americano. se aquele atirador elliot rodger conhecesse o ideal zeta, ele nõa teria feito a merda que fez, por isso mesmo eu discordo que ele fazia parte do masculinismo, pois algo que foi sempre falado no masculinismo norte americano foi o ideal do macho zeta.

eu vou te dar um exemplo. eu vivo como gosto sem me importar com aprovação feminina e social. eu vejo que a felicidade está na minha solidão. me visto como eu quero(diferente do padrão), ouço as musicas que quero(musicas odiadas pela população). eu curto heavy metal, ao longo dos anos, vi várias pessoas que na adolescencia e começo da fase adulta curtiam heavy metal mas largaram completamente o estilo e entraram na igreja virando evangelicos. porque eles fizeram isso? porque eles não souberam ser zeta. a necessidade de ser aprovado socialmente e sexualmente falou mais alto pra eles, por isso abandonaram o estilo. ja eu não, eu continuo me vestindo como gosto, e curtindo o que eu gosto, mesmo aos 27 anos, pois eu não preciso de aprovação social e sexual pra viver. só dei um exemplo. macho zeta pode ser várias coisas diferentes, pode curtir diferentes coisas, não precisa ser do mesmo estilo que eu. se o zeta só ve hostilidade na vida social, ele pode tentar o budismo, a meditação ascetica, é melhor isso do que se socializar. o zeta sabe que ele é sozinho no mundo e não precisa de aprovação de ninguem pra viver.

não se veja como fracassado. procure no google sobre os zetas, textos em ingles, do masculinismo norte americano, e alguns textos no canal do bufalo tambem. pro macho zeta, naõ existe vencedores e perdedores. o zeta pode ser visto como uma forma moderna de cristianismo, por isso é um ideal odiado por pessoas adeptas do darwinismo social e do fascismo, não é a toa que eu sou odiado por esse tipo de gente, ja ate fui ameaçado por gente do tipo.

Paola disse...

Eu chorei tb lendo....

Anônimo disse...

Lola, eu conheço vários homens que não são dominadores assim como você sempre fala. Na verdade, conheço vários homens que são até bem passivos. Por isso que o feminismo não faz sentido para mim. Eu entendo se você se revoltar contra uma ou outra pessoa, mas não contra o gênero inteiro.

vivian disse...

Nossa, me identifiquei demais com o relato dela de infância. Eu demorei muito a entender que eu era uma criança e não tinha culpa pelo que meus pais fizeram. Demorei a perdoar a criança que eu fui.

Lindo relato, e também muito bem escrito. Emocionante. Chorei ao ler, chorei por já sofrer tanto, choro por outras crianças que vão sofrer.

Com certeza nossos pais foram também crianças feias, que sem saber que o mundo não precisava ser feio, nos educaram nos mesmos moldes. Mas também fico feliz por nós termos mudado. Nós seremos pessoas diferentes. Esse ciclo acabou aqui. Graças a nosso esforço.

Fique bem, linda.

@dddrocha disse...

Pôxa Letícia, que você jamais passe por essas coisas novamente, que a sua filha e sua família escolhida sejam sempre o que você merece e o que eles merecem: amor.

Anônimo disse...

Nossa, que triste... Acho que todas já se sentiram feias dessa forma. Não que a gente saiba, mas algumas pessoas nos contam isso. Sim, quando chamam alguém de gorda horrível e essa pessoa é mais magra do que vc; quando não é como as meninas "pop" da escola e te isolam; quando faz algo fora do padrão. Nunca sofri nenhuma violência física, mas ainda sou feia. Apesar de bem sucedida a carreira, alguém sempre quer me lembrar como sou feia. E me deixam de lado por ser "diferente"...

Bárbara disse...

Texto fantástico! Um dos melhores guest posts que eu já li aqui. Queria muito saber me expressar como você, Letícia!

Natalie disse...

Apesar de relativamente estar dentro do "corpo ideal" para o patriarcado, eu sou considerada "maluca" por muita gente porque... Eu resolvi pintar o MEU cabelo de azul escuro. Eu quis colocar três piercings no MEU rosto. E eu quis fazer uma enorme tatuagem de dragão nas MINHAS costas. E você sabe, isso é coisa de homem e não de mulher. Ah, e as roupas pretas e a maquiagem escura que eu uso. É coisa do demônio. Eu era católica e deixei de ser quando o padre pediu para eu me retirar, porque eu era uma blasfêmia.

"Nenhenehe, você nunca vai conseguir um homem assim! Olha como você está horrível!". Tive que ouvir muito isso. A maioria dos caras me viam como objeto descartável, porque eu não era mulher de "respeito". Eu acabei encontrando alguém, mas caso não tivesse encontrado, teria preferido ficar sozinha ao mudar o jeito que sou. Ninguém morre por ficar sozinho, rodeado de amigos e sem um namorado. É meu corpo, cacete. Eu decido o que faço com ele.

Quer dizer... Apesar de haver caras góticos, ninguém presta atenção neles, só em mim. E o que eu mais me identifiquei é o fato de que eu também não sou "feminina".

Sabe como é, gostar de cor de rosa, usar roupas fofas e ser delicada. Eu nunca fui assim e além de me sentir "feia" na aparência [a família inteira diz que eu me estraguei fazendo todas essas mudanças porque EU quis] também me sentia na personalidade. É, para todos era bem estranho eu gostar de subir em árvore, lutar judô, andar de skate e não ser lésbica!

Enfim, me comoveu. Eu também me identifiquei com seu relato, Letícia. É muito lindo.

Eva disse...

A menina feio de mim chorou junto comigo, contigo e com a sua menina. Que sua filha possa encontrar um mundo menos feio do que aquele em que nossas meninas feias viveram.

Raven~ disse...

Leticia, obrigada.

Nane disse...

Chorei...porque um dia, também estava sendo muito feia, fazendo coisas feias com um namoradinho. E aí, do nada (?) apareceu um amigo dele, que exigiu que eu fizesse com ele as mesmas coisas feias. Me agrediu e ameaçou. E eu não consegui lutar.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

História linda de superação. Você nunca foi feia. Feia é a violência, o preconceito, o machismo.

Anônimo disse...

Emocionante.
Chorei com essa parte: "Ele me disse que ele tinha uma filha e que nunca iria querer pensar que alguém passou assim por ela nesse estado sem parar para ajudar. Os olhos dele eram límpidos, sinceros."

Love Gótic- disse...

Natalie somo duas feias por sermos diferentes da aparência feminina que impõem. Sou feia por ser gótica e me vestir de preto, gostar de tatuagem, rock e guitarra. E para esses estúpidos rock é para homem. E eu mando é danar a vida é minha já apanhei muito, me lasquei muito em meu silencio agora é do jeito que a minha felicidade exigir. Ainda sou feia por muitos motivos e tem dias que nem me olho no espelho, mas vou superar não sou pior que os outros.

Anônimo disse...

Autora,

Minha Senhora, não compreendo. Procurei tuas fotos internet adentro e não te achei feia. O que ocorre? Só muito o teu corte de cabelo não faz meu estilo, mas.... 8/10, aceite este joinha à la MSN: (y)


Love Gótic

Não entendo porque serias feia por ser gótica e nem "machorra". Acho impossível, ao menos sempre tive quedinha pelos dois tipos. ^____^

Priesterin disse...

Necromayhem/Fábio:

Querido, de verdade, porque tu não larga logo esse negócio de macho zeta, se cuida e vai conquistar o coraçãozinho de umas rockeirinhas? Sério, faz umas hidratações no cabelo, tinge de ruivo, faz umas limpezas de pele, compra umas roupas de couro bem estilosas, faz exercícios físicos e pronto, uai. Aposto que seu psiquiatra - se não for público - até apoiaria e diminuiria teus neurolépticos e passaria outras coisas.

Kittsu disse...

Ah, mas ele não combina com ruivo :3

Anônimo disse...

Sawl

Por favor Lola, comente dois casos de assédio sexual que chamaram atenção ontem e foram praticados por homens de diferentes classes sociais: um porteiro e um desembargador.
E se puder também comente sobre a reação da moça cantada de forma podre pelo porteiro e também sobre os comentários ofensivos contra ela vindo de comentaristas machistas.

Aqui tá o link que fala de ambos os casos e com uma rápida entrevista com a moça que foi assediada pelo porteiro:

http://oglobo.globo.com/sociedade/o-desrespeito-foi-aumentando-nao-consegui-ficar-calada-diz-estudante-assediada-12713884

Sawl - Always the rebel

Raven~ disse...

Credo Natalie e Love Gotic. Eu sempre andei com a galera do ROQUE aqui de Cwb e não consigo entender como hoje em dia ainda dizem que piercing e tattoo é feio. Credo. Credo, pra esse povo o tempo não passa não?!

Hoje tou em condições de comentar. Obrigada, Leticia, por esse post que conseguiu exprimir pelo menos um pouco do que eu passei.


Quase morri de chorar. Huahuas

Natália Neves disse...

Nossa eu chorei tanto lendo esse texto, e me identifiquei tanto com tantas partes, que minha vontade agora é somente de te abraçar e aprender a ter sua coragem de não me enxergar feia.

Julia disse...

O anon das 12:19 apareceu aqui pra dar nota pra aparência da autora, é isso mesmo?

Letícia disse...

Xará, eu não passei por metade do que vc passou, mas sei o que é ser a menina feia da escola (apesar de que a minha família sempre me tratou bem) e hoje morro de tristeza quando vejo minhas fotos de infância e adolescência e noto o quanto eu era bonita (ainda sou - hoje me sinto bonita pq finalmente me aceitei, mas talvez eu fosse ainda mais bonita antes)... eu era feia por causa da minha personalidade, pq era tímida, pq vivia com a cara enfiada em livros e não ligava pras modinhas das crianças, não ligava pra meninos; era chamada de sapatão com frequência, mesmo sem ser (eu nem sabia o que eu era). Que coisa, não? Um menino nerd é só um menino nerd, uma menina nerd tb é feia e isso é um pecado imperdoável! Cresci me sentindo um lixo, passei por situações e relacionamentos abusivos graças à minha autoestima baixa... só depois do feminismo, lá pros 21, 22 anos, que eu finalmente vi as coisas como eram e me dei conta de que eu sempre fui bonita. Ainda me sinto muito mal qdo penso no tempo perdido com sofrimento, mas é assim, antes tarde do que nunca, né?
Xará, tenho certeza de que vc é linda e sua filha tb. Vcs vão trocar muito amor entre vcs e ser muito felizes! :)

Anônimo disse...

@Perseu
Obrigado pela preocupação.

Mas esse negócio de macho zeta me pareceu mais uma forma de fugir do problema do que realmente resolvê-lo. E mesmo assim seria à toa. Preciso socializar para ter emprego e sobreviver no mundo capitalista. Preciso socializar até mesmo para comprar minhas coisas. Aliás, para ser budista e entrar em aulas de meditação, como você sugeriu, é preciso socializar.

Somos membros de uma espécie animal que vive, convive e sobrevive em sociedade. Não tem como fugir disso, por mais que as outras pessoas sejam cruéis. Acredite, eu tentei fazer isso durante anos. Não adiantou.

Mas você está certo em um ponto: "voce só é fracassado porque voce se ve como fracassado".

Anônimo disse...

@Letícia
Um menino nerd é só um menino nerd


Desculpe discordar de uma parte do seu relato, mas os meninos nerds também tem a sua carga de preconceito para lidar.

O menino nerd é também o saco de porradas dos maiores, o esquisitão que "merece" ser sacaneado, o veado que não se interessa por mulher, entre várias outras coisas. Feio? Com certeza!

Letícia Penteado disse...

Muito obrigada, Lola, por publicar meu relato!
Obrigada por lerem e por comentarem! Faz tempo que estou tentando voltar aqui para agradecer e responder, mas estou na maior correria.
Me sinto muito acolhida. E fico muito feliz de o meu texto servir para acolher também, embora fique muito triste de sermos tão numerosos.
Uma amiga minha me disse, com muita propriedade, quando conversamos a respeito: somos feias criadas por feias que foram criadas por feias. Me consola muito o fato de que nós podemos nos apoiar mutuamente e não dar continuidade a esse ciclo de feiura com as pessoas ao nosso redor.
Se quiserem conversar, desabafar, estou à disposição. Nem sempre consigo responder rapidamente, porque tenho duas crianças pequenas, mas respondo assim que posso.

Letícia Penteado disse...

Love Gótic, estou muito torcendo por você! Mais do que encontrar alguém para quem você será bonita, espero que um dia você seja bonita para si mesma. Porque de todas as pessoas do mundo é você mesma quem mais vale a pena você conquistar.
Anônimo das 11:54, sinta meu abraço de volta. Que bom que você conseguiu se impor no final!
Laiane, tomara! Muito obrigada!
Verô!, obrigada! Só depois de escrever o texto é que eu vi como ficava clara a ligação entre o adultismo e o machismo, a opressão na infância e a opressão da mulher. Porque, como dizem, o sonho do oprimido é se tornar opressor. Eu li uma vez uma passagem da Bell Hooks muito legal sobre essa ligação, da criação violenta com o machismo, mas não estou encontrando agora. Muitas vezes transferimos para quem não pode se defender da gente a opressão que sofremos. Creio que uma criação mais empática das crianças geraria mais empatia nas pessoas, geraria adultes mais dispostos a enxergar e desconstruir seus privilégios.
Ana Torres, obrigada!
Ana Carolina, que bom que você está conseguindo se libertar! É uma desconstrução diária, né? Obrigada pelas palavras.
Gle, Linda você também! Parabéns pelo relacionamento e seu amor libertador!
Anônimo das 14:17, fico realizada de ter conseguido te dar esperanças. Porque você não é feia. Nenhume de nós é. Eu queria poder te dar um abraço e te olhar nos olhos para te dizer isso, porque sei que você provavelmente precisa disso neste momento. É muito difícil vencer esse sentimento de inadequação, de rejeição. Sabe o que ajuda? Pensar mais sobre o quê você exige de si mesma e por que e menos sobre o quanto você não cumpre o que espera de si mesma. Um beijo para você e um reforço do convite: se quiser conversar, estou à disposição. Por favor, não se feche. Falar ajuda muito. Para mim, escrever esse texto foi muito cicatrizador.
Eduardo Nobre, lindas palavras, muito obrigada mesmo!
Anônimo das 14:50, o adultismo é a primeira opressão que muites de nós conhecemos. Fico triste de você ainda se sentir inadequado e rejeitado. Repito a você o que já disse à Love Gótic: você é a pessoa que vale mais a pena conquistar. Você ainda parece ter muita raiva de si mesmo; aparentemente não fez como tantos outros e transferiu essa raiva para fora, para as mulheres, ou para as crianças, ou para os negros, ou homossexuais ou trans*, etc., o que me indica (junto com a resposta que você deu ao Perseu) que você é um cara sensível e empático, um ser humano decente. Mas continua não gostando de quem é. Talvez ajude examinar as expectativas que te frustram, não as frustrações em si. E falar muito a respeito do que você sente. Muita força para você. Espero que consiga se sentir melhor em breve. Obrigada pelo apoio.

Letícia Penteado disse...

Natalia, não é uma questão de beleza física. É uma questão de adequação, aprovação, etc.

D Stoffel, é horrível a sensação de que temos que nos desculpar por ser quem somos, digo, que o nosso erro é ser quem a gente é. Isso que você relatou me parece assédio sim e pode ser inclusive estupro, de acordo com a legislação vigente. Que bom que você encontrou a sua voz, que encontrou forças para impedir que aconteça de novo. Mas não se recrimine. Nós somos educadas para nunca dizer não. E depois o nosso silêncio é usado contra nós, como prova da nossa culpa no que foi feito conosco, como justificativa para os atos de outrem. Vencer isso é mérito, sucumbir a isso não é demérito. Afinal, o abuso não acontece porque você deixa. Acontece, antes, porque tem um abusador. Se não fosse você, teria sido outra. Força para todas nós!

B., também era assim para mim, em relação à beleza física, quando estava crescendo. Quer dizer, não na rua, mas na escola sempre me trataram com nojo. É muito ruim mesmo essa sensação de que somos repugnantes, a gente internaliza muito isso. Mas a minha experiência de patinho feio para “cisne” foi diferente da sua. Uma época, eu fiz tudo certinho e fiquei bem “bonita”. E sabe o que aconteceu? Nada. Quer dizer, as pessoas me falavam que eu estava bonita, etc., mas a minha vida continuou a mesma, meus problemas de verdade continuaram os mesmos. Sabe? Todas essas promessas de “emagreça, se cuide e sua vida será melhor”? Nhé. Daí fui forçada a encarar o fato de que a minha feiura não estava exatamente na minha aparência. O que eu tinha de “errado” eu não tinha como mudar com tratamentos de beleza. O texto que escrevi foi no contexto do parafuso que isso gerou(eu acho que nunca vou sair dele, acho até que acabei gostando).
O feminismo me ajudou muito nesse caminho, a me aceitar, a gostar de mim como sou. A parar de me machucar para me enquadrar num padrão de beleza impossível para mim. Hoje, ao invés de olhar uma foto de alguma atriz e pensar “queria ser como ela” eu me pergunto se por quê não há mais mulheres que parecem pessoas comuns em fotos nas revistas e jornais. Eu me pergunto se aquela é ela mesma ou se é uma imagem toda alterada para sustentar um ideal cada vez mais inatingível. Eu me pergunto quantas meninas feias estão olhando para aquilo naquele momento e se odiando profundamente e o impacto que isso terá em suas vidas.
Um grande abraço para você. Fico feliz de você ter conseguido superar a sua feiura.

Fernanda, sim! Podemos desconstruir esses conceitos em nós. Até para não reproduzirmos com outras pessoas essa estigmatização. O próprio uso da “feiura” como medida de adequação e inadequação dos comportamentos de uma criança mostra o quanto a nossa preocupação com as aparências é maior do que com as motivações. E esse uso é também algo que ajuda a perpetuar subliminarmente essa noção.

Letícia Penteado disse...

PERSEU, zeta? Masculinismo? Homens “going their own way”?
Eu acho ótimo (ótimo!) que você não se sinta mais escravizado pela busca de aprovação social, que use as roupas que gosta e faça o que gosta. Mas essa motivação de saber ser sozinho no mundo me parece... sei lá. Eu (eu) melhorei muito nessa questão de busca de aprovação (que é uma desconstrução constante para mim) não quando falei “foda-se”. Isso eu já tinha feito, mas contrafobicamente, sabe? Quando a gente tem tanto medo que vira o medo do avesso? E fala “já que não gostam de mim, então eu não gosto de ninguém” e passa a agir de forma antissocial mesmo. Tipo, para evitar a rejeição, eu rejeitava antes as pessoas, ou já agia de forma a saber que seria rejeitada, porque pelo menos daí já teria essa certeza, não teria que lidar com o não saber, não criaria expectativas, não me frustraria, etc.
Eu sinto que eu fui melhorar de verdade quando olhei PARA MIM e senti que eu era digna de respeito, amor, carinho, tudo isso só por ser quem eu sou, do jeito que eu sou. Quando passei a gostar de mim. E isso aconteceu quando EU me aprovei, me aceitei como eu sou. Com todas as minhas virtudes e defeitos. Sem me negar a ver qualquer cantinho escuro meu. Quando EU consegui me perdoar e entender que a culpa não era minha, etc. etc. etc.
E daí, se eu acabasse sozinha, não seria “por escolha própria” (sei lá, meu caminho não é o da monja), mas também não me faria sentir desprezível ou fracassada. Porque eu teria a serenidade que a gente conquista quando gosta da gente. Eu me bastaria de verdade. Ainda que de vez em quando sentisse falta de contato.
Boa sorte para você. Que bom que você não se tornou uma pessoa violenta. É uma tendência, infelizmente, especialmente entre homens (mulheres são rejeitadas e ficam com raiva de si mesmas; homens são rejeitados e ficam com raiva do mundo fora deles). Parabéns à você por sua self-awareness.

Letícia Penteado disse...

Vivian, muito obrigada! É, a gente se liberta, mas fica triste pelas outras crianças, pelas outras mulheres. Me ajudou a ter empatia, sabe? Eu muitas vezes consigo me lembrar, mesmo quando eu não entendo a pessoa, mesmo quando eu não concordo com o que ela faz ou fez ou disse, mesmo quando ela é muito diferente de mim, que talvez essa seja mais uma menina feia, um menino feio, apanhando do mundo e tentando lidar com isso como pode.
Sim, esse ciclo acaba aqui! Fique bem, você também.

@dddrocha, amém! Obrigada pelas palavras! Tudo de bom para você!

Anônimo das 20:16, é, a gente está sempre “devendo”, né? E sempre vai ter um para cobrar. A gente só resolve isso quando muda a sensação de dever, não a cobrança. A cobrança quem sabe um dia, com o feminismo, nós consigamos mudar. Mas a sensação de dever é mais tangível, porque está dentro da gente. Muita força para você.

Bárbara, muito, muito obrigada! =)

Natalie, obrigada! Você já leu a “A garota com a tatuagem de dragão”? Achei a sua cara. Lisbeth Salander é muito <3, uma das minhas heroínas favoritas.

Eva, choremos juntas. É para isso que eu trabalho todos os dias. Para que a minha filha e tantas outras crianças cresçam num mundo menos feio do que aquele em que nós crescemos.

Raven~, obrigada a você, por me ler e comentar com tanto carinho! <3

Nane... como eu queria te abraçar! Nós somos criadas aprendendo a nunca dizer não e daí o nosso silêncio é usado contra nós, como justificativa para o que outras pessoas fazem com a gente. Eu escapei, mas sei que muitas, como você, não escaparam. Um beijo em você. Força aí.

Laurinha (Mulher modernex), obrigada!

Anônimo das 12:19, eu compreendo e agradeço a sua intenção, mas meu texto não trata apenas da aparência física, mas da sensação de inadequação e rejeição causadas pela criação tradicional e adultista e a dificuldade da nossa sociedade em lidar com a diversidade, além da valorização, na nossa cultura, da aprovação e aceitação alheia como motivação para os nossos atos.
Sem contar que... e se eu fosse 1/10 na sua escala? Entende? Justificaria alguma coisa? O problema não está na feiura, está na beleza como medida de valor de um ser humano e das mulheres em especial.

Letícia, xará, obrigada! Eu sempre fico impressionadíssima de ver as pessoas que já se encontram tão jovens – 21 anos? Nossa! Que cabeça! Também tenho essa sensação olhando as minhas fotos antigas. E eu me achava tão gorda, tão feia, tão errada, tão inaceitável. Como a gente se machuca. Um beijão para você.

Gle disse...

Estamos juntas nessa! Por um mundo mais harmonioso, menos preconceituoso e mais feliz.
Adorei o retorno, Letícia. Acho que todos os Guest Posts poderiam ser respondidos pelas autoras!

Anônimo disse...

Perseu macho zeta, você é que devia estar fazendo um intensivo de aprender a viver socialmente. Primeiramente, parando de se enquadrar em algum padrão. Essa merda de macho alfa beta zeta gama e o caralho a quatro é a coisa mais ridícula que existe no mundo.
Músicas odiadas pela população, ah por favor, meu círculo de amigos inteiro ouve heavy metal, meu atual namorado, meu ex namorado que com certeza deixaria você no chinelo no nível de solidão e esquisitice, e nunca precisei procurar por alguém, eles pareciam cair do céu.
Eu sei que você só quer ajudar o moço anônimo, mas acho que primeiramente você devia perceber que você está arrastando ele pra um modo de vida torto. Você pode ser quem você quiser e deixar de ser o que quiser e de fato não precisa de sociedade alguma dizendo o que você deve ou não fazer. Mas ser assim não significa que você tem que "aprender a ser assim" e ser assim pra sempre. Assim como você não deveria julgar quem deixou de curtir o bom e velho heavy metal e foi pra igreja. B)
Abraço
Lígia

Anônimo disse...

Anônimo cujo Perseu está se comunicando, se tem uma coisa que todo mundo sabe é que se você age com confiança (por favor não confunda confiança com babaquice), gentileza e primeiramente se ama, para de perceber defeitos em si mesmo e ver diferenças valiosas, as pessoas começam a te ver e a te tratar diferente. Principalmente as que são como você. Porque é incrível como há pessoas parecidas conosco sem que nós saibamos. :/
Abç
Lígia

Anônimo disse...

Salvo graves deformidades corporais, alguém dificilmente é feio de verdade. A beleza é um conjunto, não uma coisa una.

Há muito de auto-ilusão nessa pessoas que se acham inadequadas por serem feias. A`s vezes nem são, hoje em dia, ter beleza normal já torna a pessoa sem sal.

Agora: Apanhar muito por ser feia? desconheço sobre isso (é verdade que não conheço muita gente "feia") Ser "cercada" de indiferença e ser motivo de piada é uma coisa. Mas e que a autora do texto relata parece um pouco estranho, inclusive a parte relativa a "avanços sexuais".

Letícia Penteado disse...

Anônimo das 22:31, a feiura de que trato no meu texto não é simplesmente física.
Na nossa cultura, temos o costume de chamar de "feio" qualquer comportamento ou indivíduo que não se enquadre, que não se adeque, que não se encaixe. Quando dizem para uma criança que ela é uma "menina feia", ela pode ser fisicamente a pessoa mais dentro do padrão de beleza possível, mas ainda assim ela se sentirá "feia" - inadequada, rejeitada, desaprovada, envergonhada. E este é só um exemplo, uma raiz.
Esse costume nosso reflete não só a nossa supervalorização da beleza física quanto a nossa ênfase nas aparências, na motivação extrínseca para os nossos atos.
Deformidades físicas fazem de alguém "feio" porque elas fazem com que a pessoa fuja completamente do nosso padrão. E isso pode ser relativizado, desconstruído, etc., porque as pessoas são mais do que sua aparência física e quando entramos em contato com outros aspectos delas, elas podem se tornar muito atraentes a despeito de inicialmente não terem parecido interessantes por conta de algum aspecto físico. O que é uma deformidade física? O nanismo é uma deformidade física? Pense em Peter Dinklage.
Agora, claro, como a beleza física é muito mais enfatizada na mulher do que no homem, esse tipo de desconstrução é muito mais fácil de ocorrer quando se examina um homem que quando se examina uma mulher. Parece que para a mulher é imperdoável e intransponível ela não se encaixar irremediavelmente no padrão de beleza. Mesmo nos filmes adolescentes, o patinho feio tem que se transformar em cisne para provar seu valor.
E como da mulher é esperada a beleza, a feiura nela é tratada como uma ofensa, como uma transgressão. Veja o tratamento que recebem as celebridades gordas que são mulheres e as celebridades gordas que são homens. Os homens são motivo de piada? Sem dúvida. Mas as mulheres são muito frequentemente alvo de ÓDIO. É por isso que a gordofobia é pior para as mulheres que para os homens.
Numa sociedade em que mulheres são vistas como objetos, não sujeitos, mulheres "feias", ou seja, mulheres que não se enquadram no padrão de beleza, são objetos "quebrados", inúteis, sem valor. E são tratados com o cuidado normalmente dispensado a objetos assim.
Outra coisa, você falou que estranhou a parte dos "avanços sexuais". Não entendi a sua estranheza.
Nossos meninos muitas vezes crescem aprendendo que, novamente, mulheres são objetos. Elas servem para satisfação sexual e para ostentação do próprio poder diante de outros homens, além de, é claro, para procriar e cuidar da casa e das crias.
Trepada de graça? Quem passa? Assim que uma menina pega a fama de "estar dando", não importa a aparência física dela, aparecem meninos - e HOMENS! - interessados.
Você assistiu a Dogville? Tem uma cena em que o narrador fala que todos os homens da cidade "faziam sexo com" (estupravam) Grace, mas que era como aliviar-se com uma das vacas no pasto. Pois é.

Anônimo disse...

Leticia, quando eu tinha 10 anos, o meu pai me chamou de feia. Talvez ele estivesse bebado, mas chamou. Depois, quando eu fiz 17, ele disse que eu era bonita. O seu ultimo Natal com saude, em 1984, me lembro bem, ele elogiou a minha beleza...Mas já era tarde demais!!

Letícia Penteado disse...

Anônimo das 15:24... =(
Essa imagem me fez chorar. Me deu uma sensação meio... que nem quando o telefone toca, toca, toca e quando a gente finalmente consegue atender a pessoa ligando já desligou. Sabe?Como as pessoas muitas vezes não se dão conta do impacto que têm sobre ses filhes!
Um abraço apertado em você.

Trícia disse...

Letícia, obrigada, viu? Obrigada mesmo! Sou uma feia de 45 anos que sofre de transtorno dismórfico, e que teve como primeiro modelo feminino (mãe) alguém que sempre deixou claro que eu não era digna de amor (nem do dela e nem do de outrem) por causa da minha feiúra.
Você já leu "Feia" da Constance Briscoe? Se não, olha, é leitura obrigatória, viu? Maus tratos EXTREMOS por parte da mãe, se a autora não fosse quem é (ela se tornou juíza depois de adulta) a gente até duvidava da veracidade, mas, não, é verdade, uma verdade doída demais ...
Aqui o link para as fotos da capa do livro e da própria Constance que, como você pode verificar, é LINDA!
Beijo e obrigada mais uma vez!
Copie e cole:
https://www.google.com.br/search?q=o+livro+Feia+de+Constance+Briscoe&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=sleUU8TCBKnnsATLoILwBA&ved=0CCQQsAQ&biw=1366&bih=606
P.S.: Sugiro o livro p Lola também!

Letícia Penteado disse...

Linda Tricia, muito obrigada a você, pelas palavras e pelas indicações de leitura!
Eu fui olhar o link e dei mais uma pesquisada. Você sabia que a mãe da Constance teve a cara de pau de a processar, alegando que nada daquilo era verdade? Nossa, passei mal quando eu vi. Fiquei imaginando a retraumatização. Espero que ela tenha tido apoio quando aconteceu. Ainda bem que ela ganhou.
Um abraço apertado!

Trícia disse...

Oi, Letícia! Que gostoso: troca de figurinhas culturais :) !
Sim, porque vc mencionou Dogville em um dos comentários aí em cima e eu fui correndo ver! E superou, muito!, as minhas expectativas! Obrigada again :) É o segundo filme do Lars Von Trier que eu assisto (eu já tinha visto Melancholia)e agora vou procurar mais filmes do diretor! Super valeu a dica!
Então, menina!!!! O "Feia" da Constance! Por favor, rsrsrs, leia, bem, é sério!, eu recomendo enfaticamente! Cara de pau e CRUDELÍSSIMA a mãe da moça, nossa!, ela consegue superar a mãe da Preciosa (Precious (filme)), com a "vantagem" (desvantagem para a Constance criança) de não ser personagem fictício! E sempre nos lembra quão horrendo é um ser humano agredindo outro e, mais ainda, bizarro uma mulher oprimindo/massacrando OUTRA MULHER! Nós deveríamos nos aliar, afinal,não é mesmo!
Outro abraço apertado prá vc e seus amores (incluindo a sua menina!)

Anônimo disse...

Ser mulher tá difícil! Quando criança, era feia. Sonhava ser linda. Era inteligente, me defendi com isso. Funcionou. Sempre fui líder e admirada. Me tornei uma mulher bonita e atraente. Mas para me defender do assédio no trabalho, além de ser um cão bravo e causar medo nas pessoas, uso novamente minha inteligência. Tento ser a melhor, para ver se esquecem da aparência. Não tiro os óculos por nada. Os meus me deixam feia. Engordei 17 kg, não de propósito, mas não me esforço para emagrecer. Meu marido gostou dos quilos a mais. Está se sentindo mais seguro. Estou me sentindo feia, porém, segura. Mas quero meu corpo no peso certo. Quero saúde. Fazer exercícios. Então o cão bravo vai ter que virar um leão.