quinta-feira, 19 de junho de 2014

GUEST POST: MINHA FAMÍLIA, MEUS PIORES INIMIGOS

O triste relato da L.:

Você precisa saber o quanto me ajudou e o quanto sou grata por você. Tenho 22 anos e minha até então jornada aqui não foi fácil, não é apenas drama como algumas pessoas me dizem. 
Aos 12 anos eu comecei a sentir as mudanças, tanto em relação a mim quanto às exigências físicas e "morais". 
Sempre tive tendência para ser cheinha (gorda pra mim não é mais ofensa, que mal há nisso!?) e não me privava de comer o que eu queria, eu era feliz, me achava uma criança bonita! Criança gosta de doce, refrigerante... 
Um grupinho da escola sempre dizia que eu estava gorda. Fui eleita a mais feia da sala. Isso me afetou bastante e eu (uma criança! Não tinha nem idade pra me importar com aparência!) emagreci. Não porque queria me ver magra, mas porque queria me ver em paz, sem que as pessoas usassem o meu peso pra me ofender. 
Minha família toda me lembrava sempre como eu era "feia". Aos 14 anos começaram as festinhas, os bailinhos. A mãe de uma amiga falou pra minha avó que me viu com um moço bonito. Não demorou muito pra minha mãe falar "É, dizem que você fica com uns moços bem bonitos mesmo assim, né?". Mesmo assim? Meu Deus. Terrível ouvir isso da minha própria mãe, e pior: sentir que ela acha que você é uma coisa não tão boa. Sentir que nas palavras dela pesa o sentido de que eu mereço o pior, não falo só por isso, mas por muitas coisas. 
Minha família é machista. Cresci ouvindo que menina de família não poderia fazer isso nem aquilo. Cresci com a minha mãe me ofendendo sempre, com a minha vó e minhas tias, todas e todos me cobrando algo, com muita violência verbal. 
Minha mãe engravidou de mim solteira aos 17 anos e ela mesma é usada como um padrão que não se deve seguir. A "proteção" dessas mulheres virou uma coisa exagerada e prejudicou minhas amizades. 
Eu, aos 15 anos conheci pessoas muito boas, estava muito feliz com tudo o que havia me acontecido. Tinha vários amigos! Saía bastante (com muita resistência, muitos gritos e violência física, mas não deixava nada disso me interromper pois eu tinha e tenho sede de viver). E eu tinha um melhor amigo gay. Ou melhor: vários melhores amigos gays. Minha família quando descobriu fez questão de afastá-los de mim... E isso me dói até hoje. 
Não suporto a perda das melhores pessoas que eu tive o prazer de conhecer! Afastaram as pessoas que eu mais amava por preconceito, por machismo de que "eu iria ser mal falada" "você vai virar lésbica". 
Hoje eu sou uma pessoa sozinha. Me pego chorando porque as violências verbais e físicas me tiraram tudo. Dizem que isso não é desculpa pra não progredir, mas quem diz isso não vê o quanto tenho medo de começar algo novo em função de todo esse trauma. Toda vez me lembro que, mesmo com 18 anos, minha mãe me telefonava quando eu estava junto dos meus amigos pra me xingar. 
Meu celular estava num tom alto e então ela gritava VACA. Todos ouviam. Ninguém mais me deu notícia. Ela afastou quase todas as poucas coisas boas que eu tive. Sinto que minha mãe tem ódio de mim. Eu era uma mulher machista por causa dela, cresci com ela dizendo que eu tinha que arrumar um homem para me sustentar. Quando tive um namorado e saímos junto com ela, eu e ele dividimos nossa parte e ela achou aquilo um absurdo. 
No mesmo dia ela começou a fazer algo ainda mais ridículo. Eu estava com ela na sala e, com tom de ironia, ela começou a dizer: "Nossa, que namorado! Feio, magrelo e não paga nem a conta! prefiro o meu namorado..." Cheguei até a pensar que ela quisesse competir comigo. 
Eu nunca morei com ela. As poucas vezes que vou visitá-la ela faz quase a mesma cena, mas ao invés de dizer que eu estou gorda, hoje ela diz o quanto estou magra e como estou feia. Que estou doente. É sempre uma crítica nova. 
Até hoje me dizem o que devo e o que não devo fazer pra não manchar o nome da família. Mas acontece que hoje eu já não tenho mais vontade de sair, me encontro numa depressão e obsessão pela minha magreza e aparência. Tenho medo de experiências novas, tenho medo de ser rejeitada, choro com frequência. 
E isso já faz tempo, sei que preciso criar forças pra quebrar essa jaula em mim. Uma boa parte eu já desmontei, já não sou mais uma das pessoas machistas, embora ainda precise me policiar mais. Preciso esquecer tudo o que minha família me causou, ou não deixar mais que isso me deixe tão mal. Preciso olhar pra frente. Obrigada, Lola. Você me ajuda muito. Você me ajudou muito, começo dizendo isso e termino repetindo. E repito quantas vezes mais for possível.

Meu comentário: Querida L., nem sei o que dizer. Você já sabe o que fazer, que é superar esses traumas. Espero que você consiga voltar a fazer amigos e se afaste um pouco das pessoas que te põem pra baixo, caso da sua mãe. Como você não mora com ela, talvez não seja tão difícil se afastar. Se você tem a opção de deixar essas visitas que faz a ela mais espaçadas, faça isso. 
Você já mudou sua opinião sobre uma série de coisas. Você sabe que o que sua mãe e outras pessoas da família te diziam era errado. Era errado porque era preconceituoso. Era errado porque afetou sua autoestima. Lembra quando você tinha 15 anos e, apesar da resistência da sua família, você saía e tinha amigos, porque você tinha sede de viver? Então. Você mesma escreveu "tinha e tenho muita sede de viver". Ou seja, você sabe que ainda tem toda essa vontade. Não deixe que sua família te impeça. Quebre esta jaula. 

44 comentários:

Anônimo disse...

Minha mãe era o oposto, queria que eu fosse viciada em refrigerantes, enquanto eu sempre preferia sucos, ela dizia que eu era anormal porque todo mundo da minha idade só queria saber de refrigerantes, salgadinhos e biscoitos recheados enquanto eu, a anormal na opinião dela, não seguia este padrão da maioria e ate hoje isso ainda continua sendo motivo de perseguição por conta dela e enquanto isso ela continua completamente viciada em refrigerantes enquanto eu raramente tomo refrigerantes. Sem falar que a maioria das pessoas são viciadas em refrigerantes em qualquer idade e ainda acusam que não tem esse vicio de estar fazendo dieta radical, sacrifícios. A maioria das pessoas não querem aceitar que existem pessoas no mundo que simplesmente não tem interesse por este tipo de bebida e não toma esse tipo de bebida por gosto, por opção e não porque estão fazendo sacrifícios. Se sentem incomodados quando alguém foge do padrão da maioria que tem vicio por refrigerantes e acha que todo mundo deveria tomar refrigerante de vez em quando para dar satisfação de que curte a vida, porque na visão da maioria do povo só se curte a vida tomando esse tipo de bebida. Parece que a maioria as usuárias deste blog pelo neste caso são iguais a grande maioria.

Gi Guerreiro disse...

L, que você encontre a paz e a alegria de viver. Lola, muito legal seu blog.
Beijos

Anônimo disse...

Minha história é parecida, mas tinha um homem para me lembrar como eu era feia: meu pai. Tinha uma tia obesa mórbida, e ele e outros membros da família faziam piada de como eu ia ficar como ela. Conseguiam ofender duas pessoas ao mesmo tempo. Já ouvi conversas dele e da minha mãe falando que, com meu "gênio" nunca ia conseguir ninguém. Ouvi minha mãe me chamar de santa do pau oco quando, com 15 anos, fiquei com uma rapaz LINDO durante as férias na praia. Eu não tinha direito a ser feliz. Consegui reverter muita coisa, mas até hoje um dos assuntos "familiares" é meu peso: estou magra? Gorda? mais ou menos? Porque não frequento academia para firmar a musculatura? Mesmo mulher feita, com um ótimo companheiro, sabendo que sou razoalvemente bonita e tenhO MUITOS atributos além de beleza, sou insegura... é bastante complicado. A insegurança acaba indo para vários campos da vida da gente por causa de pessoas que deveriam nos aceitar, mas parecem ter prazer em apontar e julgar.

Michele disse...

Poxa, que triste isso. Isso lembrou uma fase da minha vida também. Eu sempre fui magrinha, a família do meu pai toda é magra, mas minha mãe não era capaz de entender isso. Ela fazia questão de chamar eu de doente, disso, aquilo, já chegou até a falar que eu parecia aidética. Mas eu não deixava me atingir (na frente dela), eu sempre revidava também, tentava fazer ela se sentir uma ridícula por estar me xingando sempre. É muito difícil ouvir essas coisas da própria mãe, fico sempre me perguntando se elas fazem isso porque querem competir conosco.

Anônimo disse...

Lola, só pra falar, quando você não libera comentários anonimos os posts não tem tantos comentários porque é MUITO CHATO criar conta Open ID, e complicado também.

E no gmail, certeza que muita gente estah no trablho vendo seu blog, dai é complicado conectar com a conta do trabalho.
E os trolzinhos, não deixam de comentar quando o anonimato é proibido..

E comenatarista 1, nunca vi gente sofrendo preconceito por não tomar refrigerante, ainda mais com essa moda de culto ao corpo... Eu, hein?

camis

Léty Hyuuga disse...

Nossa, esse é um daqueles relatos que me deixam cheia de raiva. Como uma família, pessoas que deveriam proteger umas às outras, podem ser tão cruéis? Pelo amor de Deus, meus pais e meus tios estão longe de serem feministas e têm até uma pontinha do machismo ainda, mas jamais trataram eu ou os meus primos do jeito que essa garota era/é tratada. Existe respeito, mesmo quando eles não concordam com as minhas ideias.

Concordo com a Lola, L. Se essas visitas à sua mãe ainda te fazem sofrer, torne-as mais espaçadas. Eu sei que, por ser a sua mãe, você provavelmente se nunca vai se afastar totalmente dela, então aprenda a se blindar, e faça com que as besteiras que ela diz entrem por um ouvido e saiam pelo outro. E volte a sair, volte a fazer amigos, restaure essa vontade de viver que você tem. Tô torcendo por você! :)

Larissa Petra disse...

Gente que história triste...
L, saiba que não é só pq vc tem o mesmo sangue da sua mãe que vc é obrigada a conviver com ela e sua família, as vezes os amigos ( a família que escolhemos) são mais compreensíveis e importantes para nós.
A minha impressão é que sua mãe tem inveja de vc, da sua felicidade, como vc mesma falou, vc tinha sede de viver, não se preocupava em manter as aparências , enquanto ela não conseguiu se desprender desses conceitos...
Ah, se ela soubesse que seria mais feliz se não se preocupasse tanto com as aparências, tanto com status e reputação ela seria mais feliz.
Então L, a melhor resposta que vc pode dar a sua mãe, é esquecer ela e ser feliz, se desvincular mesmo, ela tem q ver q vc é feliz e não precisa dela, e quem sabe (olha eu super otimista) que ela n comece a repensar a própria vida, e vcs retomam a relação ?! Sim isso é quase impossível, mas pelo menos ela vai te deixar em paz.

Anônimo disse...

É, quando as pessoas querem botar alguém pra baixo encontram qualquer motivo, por mais idiota que seja, pra desqualificar e humilhar o outro. E quando é a mãe querendo competir com a filha, aí é que a pancada dói mesmo. Passei por algo bem parecido, sofri horrores por ser diferente dos padrões, também já fui eleita a mais feia da classe (felizmente eu era tão lerda na época que quando fiquei magoada já tinha sido tirada daquela escola do inferno e ninguém pôde tripudiar. Poderia ter sido bem pior), inclusive sofri até com agressões verbais de conotação sexual (Oi? Eu não era a mais feia da classe?). Um horror. Mas em todo esse tempo minha mãe esteve ao meu lado, me aceitando, me botando pra cima, dizendo que eu era eu e tinha o direito de ser diferente, que quem estava errado eram eles, não eu. L, fico muito triste que você tenha tido que passar por isso sem o apoio da sua mãe, e te admiro ainda mais por você ter conseguido forças pra lutar contra tudo isso mesmo sem ela-com ela competindo com você, inclusive. Tenho certeza de que você vai conseguir se livrar de tudo e voltar a ser feliz. Você é muito, muito forte.

Camila Gois disse...

Nossa, L. que triste.
Eu tb passei por isso com minha mãe...
Minha mãe semprei foi muito boa, carinhosa e atenciosa comigo na infância. Quando entrei na adolescência, ela mudou radicalmente. Até hoje não entendo o que aconteceu, talvez ela estava passando por uma fase difícil e passou a descontar em mim, sei lá...
Quando tinha 15 anos, minha mãe só me ofendia, dizia que eu era feia, que tinha que engordar, tinha que usar maquiagem, me "cuidar"... e ela me tratava muito mal o tempo todo, nada do que eu fazia a agradava, nada era bom o bastante.
Acho que acreditei nela, passei a achar que para ficar bonita tinha que me arrumar mais, me maquiar, pintar o cabelo... então, quando tinha 16 anos, eu não saia mais de casa sem maquiagem, demora mais de 1 hora todos os dias me arrumando para ir para escola. Mesmo assim, para ela, eu não era bonita. Teve uma vez, que eu tinha uma festa que era super importante para mim, passei meses esperando a tal data chegar. Depois de 3 horas me arrumando, cheguei na sala e perguntei para ela se estava bonita, ela respondeu: "Está normal". Então minhas amigas chegaram, e ficaram dizendo que eu estava muito linda, que estava um arraso, que minha roupa estava linda, meu cabelo perfeito... essas coisas de adolescentes... então minha mãe disse: "Que sorte a sua de ter essas amigas, porque só elas para te achar o máximo".
Qual a necessidade de uma mãe falar isso? Qual a necessidade de uma mãe querer acabar com a auto-estima da filha desse jeito? Eu, como mãe, não faço a menor idéia... nunca nessa vida que faria uma coisa dessa com meu filho...
Com 17 anos procurei um cirurgião, eu me achava muito feia e coloquei na cabeça que precisa de plástica. Acho que dei muita sorte porque encontrei um médico incrível, que se recusou a me operar. Fiquei quase dusas horas no consultório dele conversando, ele me disse que eu não precisava de cirurgia nenhuma. Chorei muito, então ele colocou um espelho na minha frente, e de uma forma muito carinhosa, me convenceu que era tudo coisa da minha cabeça. Quando cheguei em casa, contei para minha mãe tudo o que o médico tinha falado, acho que só nesse momento ela percebeu o mal que estava me fazendo. Depois disso, ela nunca mais disse nada negativo... mas nada positivo tb. Hoje temos uma relação muito boa, mas um pouco distante.
Nossa, escrevi um livro!! L., não é só a sua mãe que faz isso, e a culpa não é sua... você é linda e tenho certeza que vai sair dessa. Desejo tudo de melhor para você!

Nane disse...

Gente, eu detesto a sociedade culpar sempre a mãe por tudo.
Mas eu mesma tive uma experiência péssima com minha mãe. Ela não só não me ajudou como contribuiu muito pra me massacrar emocionalmente nos momentos mais espinhosos. Eu implorei o apoio dela, mas foi inútil.
E porque não pedi apoio do meu pai? Porque o NÃO era certo! Então recorri a ela na esperança da solidariedade por ser mulher.
Mas ela foi tão cruel comigo, que não consigo perdoar. Não consigo sentir amor por ela. Hoje, ela já idosa, precisa de mim. Não nego ajuda, não desejo nenhum sofrimento pra ela, mas não quero nem consigo ter carinho.
L. , contei isso pra vc sentir que não está só. Estamos aqui, muitas com histórias semelhantes. E essas história precisam mesmo ser contadas e contadas de novo. E precisa acabar.

Natalie disse...

~Comentando do trabalho, então é mais rápido não entrar na conta que eu criei ontem~

Nesse relato, só muda O QUÊ minha família odiava em mim. Como uma "Boa" família católica, eles desaprovam o fato de eu ter piercings, do meu cabelo ser roxo [que eu mudava de acordo com minha vontade] e gostar de usar preto. Aí já viu os comentários, né? Na cabeça deles, eu sacrifico animal pro capeta [O que não faz sentido, se sempre que vão contrariados me visitar, meus CINCO gatos e TRÊS cachorros estão vivinhos. E ainda tem o fato de eu ser completamente louca por animais e ajudar umas três ongs], e faço umas orgias satânicas muito loucas, apesar de até acreditar em um deus que não é satanás. E tem as tatuagens que não são "femininas" [A que eu tenho pega meu braço inteiro e isso não é coisa de mulher].

Eu chego a ouvir, de outras mulheres inclusive, que o não sabem por que meu marido tá comigo, sendo que eu sou horrorosa. Eu não penso assim. Eu sou feliz como sou e isso basta. E tinha minha mãe [meu pai era um bêbado e nem ligava pra mim, seja de forma boa ou ruim, arrisco dizer que nem me notava] que implicava comigo também quando eu comecei a mudança. Doía muito ouvir minha própria mãe me chamar de "vadia" quando eu saía com um ficante [e segundo ela, sexo só depois de casar. Engraçado, meu irmão levava uma garota nova todos os dias para casa].

Mas isso depois não era mais xingamento pra mim, visto que vadia é uma mulher que transa com quem ela quiser. Até que eu cansei de ser saco de pancada e fui morar sozinha.

Hoje eu superei isso. E isso eu superei quando ainda era solteira, hein. O que significa que você não precisa desesperadamente de namorado, que só vai superar quando tiver um do seu lado. Você pode fazer isso sozinha ou com ajuda de seus amigos.

Espero que você consiga, L, pois você merece.

Caroles disse...

Que horror esse relato. Eu sempre tive amigas com pais que tratavam elas assim também... Diziam que estavam gordas, feias, que tinham que se cuidar. Pra mim sempre foi o contrário. Meu pai nunca falou muito, mas minha mãe sempre me disse que sou linda, inteligente, maravilhosa etc. O que só faz mais estranho o fato de eu ter milhões de problemas comigo mesma... Minha mãe sempre sofreu por causa do jeito que eu falava de mim. Depois que eu descobri o feminismo eu fui mudando isso, não que hoje em dia me ache bonita, mas tento encarar de outro jeito. Minha mãe sempre fica feliz de me ouvir falando. Coitada, deve ser horrível pra uma mãe ouvir a filha falando que se detesta..

fabi disse...

L. Provavelmente tua mae esteja doente. Pessoas deptessivas tendem a enxergar tudo negativamente por isso ela apenas aponta defeitos em vc. Se avastar dela seria sim saudavel, mas o ideal eh que vcs buscassem ajuda de um psiquiatra. Sorte pra vcs e nao deixe isto te vencer.

Anônimo disse...

Sugiro a autora e a quem passar por isso que leia no livro Mulheres que Correm com os Lobos o conto Patinho Feio. Vocês precisam se afastar dessas mães perversas e descobrir sua própria turma.

X disse...

Oi L., também passei por coisas parecidas e o que me ajudou muito foi ter procurado um(a) psicanalista. Te recomendo. Outra coisa, evite ao máximo encontrar com sua mãe, e se isso não for possível, responda à altura às críticas dela.

Eli disse...

Eu tento pensar que essas mães tão tentando fazer o bem. Eu senti que ela não quer que você passe pelo que ela passou e infelizmente ela acabou colocando expectativas demais em você.

Minha mãe é assim tbm. Quando eu to engordando ela fala que eu tenho q emagrecer, qndo eu emagreço ela fala que eu to muito magra. Tem sempre algo pra reclamar.

Engraçado que qndo eu falei pra psicóloga q eu queria me mudar (eu moro com os meus pais) e me distanciar um pouco da minha mãe (eu sofri abuso físico/emocional minha infância inteira) ela me disse que fazer isso era jogar os problemas pra debaixo do tapete, eles continuariam ali.

Carla disse...

Provavelmente tua mae esteja doente. Pessoas deptessivas tendem a enxergar tudo negativamente por isso ela apenas aponta defeitos em vc.

É irritante como tentam negar o machismo das mulheres,se fosse o pai dela,seria machista e pronto.
Já tive depressão e nem por isso ficava humilhando os outros.

normalidaderealidade disse...

L., vai ficar tudo bem. Você não vai precisar deles pra sempre. Um dia você vai ter seu espaço, seu amor, seu espelho, e nada vai poder te atingir, juro. Você consegue.


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Minha mãe tinha uma preocupação louca pra que eu fosse "normal". Quando comecei a usar óculos, começou a chateação sobre eu usar lentes de contato - quando eu falei que elas machucavam ela decidiu que eu podia ir aos lugares sem nada, ela dizia "mas você não precisa enxergar!" (detalhe: ela SABIA que minha miopia era super forte). Quando eu reclamava de alguma coisa em mim, ao invés de me botar pra cima ela dizia "ok, daqui a alguns anos procure uma plástica", ou me ajudava a procurar tratamentos estéticos que nunca funcionavam, porque eu não precisava - mas eu não entendia aquilo, e ficava destruída. Quando eu comecei a me achar gorda, ela me proibia de comer (!) só pra não me ouvir reclamar no fim do dia. O mais ridículo foi uma uma vez que ela viu uma carta que uma amiga minha me escreveu, e a menina tinha uma letra super miudinha, e minha mãe achou que a letra era minha, e ela devia me proibir de escrever até eu escrever com uma letra maior (!!!). Acredite, foi um bate boca acalorado por uma besteira dessa! Quando eu fiquei cheia de feridas por causa de um tratamento estético caseiro, ela nem procurou saber meus motivos, e me deu a maior bronca da minha vida, sendo que aquilo foi uma mistura de bullying com essa postura do "ok, não gosta, mude, custe o que custar" dela. Aliás, os bullies sempre estavam certos e eu precisava me adaptar ou descobrir "o que eu tinha feito errado". E várias outras miudezas estúpidas, tipo "você anda errado", "não mexa as mãos assim", "você não precisa dormir", "mude o seu sotaque" (a família TODA é daquele lugar, eu nasci lá, eu cresci lá, ela queria que eu não tivesse o sotaque da cidade?), "mas você não precisa tomar sua medicação todos os dias".
Mas agora é mais simples porque eu moro longe. Agora ela me acha legal.

Anônimo disse...

é, eu levei seis votos pra mais feio da sala e lembro que isso foi um golpe muito forte no meu amor próprio. diferente de você, L, que tinha nos amigos um lugar pra se escorar de tanta negatividade, eu por muito tempo tive "amigos" que sempre davam um jeito de me desqualificar fosse pelo meu peso, fosse pelas minhas atitudes. foi só depois, quando eu consegui conhecer outros círculos, que entendi perfeitamente o sentido daquela frase: "antes de ser diagnosticado com depressão, certifique-se de que não está apenas rodeado de gente escrota". fico feliz que você também entenda que, no mais das vezes, o problema de alguém com você não é necessariamente seu problema.

Anônimo disse...

L.,
Eu também cresci assim, sendo humilhada pela aparência pelo meus pais, mas porque era muito magrela. Anos depois conversei com o psicólogo e ele disse que pode ser o fato da minha mãe ser muito insegura e carente ou pelo fato deles não terem conseguido gerar a filha perfeita como queriam (ok, ignoro essa opção).

Sua mãe engravidou muito cedo e a proximidade da idade pode gerar um grau de competição por parte dela. E ela provavelmente deve ser muito insegura e tenta fazer você como um reflexo dela.

Vc era uma adolescente que atraia garotos e seus parentes podem ter feito comentários negativos justamente para você ficar insegura e se afastar dos meninos. Nâo queriam que você engravidasse cedo como sua mãe e ficavam inventando que você era feia.

Kika

Anônimo disse...

Quando vc disse que sua mãe ficou grávida aos 17 eu não pude deixar de pensar que talvez essa agressividade que ela dirige a vc venha da frustração de ter sido mãe tão jovem. Não me entendam mal,não quero dizer que a maternidade é algo ruim,apenas acho que se ela vem cedo demais e sem planejamento pode ser algo difícilimo. Já parou para pensar que sua mãe pode te usar para descontar as mágoas dela? esse preocupação excessiva que sua família tem com a reputação das mulheres com certeza também pesou muito sobre ela, do mesmo jeito que pesa hj sobre vc. Não quero dizer que vc deva aceitar passivamente as agressões que ela faz, mas acho que tentar compreender os reais motivos que a levam a agir assim pode ser benéfico para vc. Tente ver o quanto as ofensas dela dizem muito mais sobre quem ela é do que sobre quem vc é. Seu relato me tocou pois parece que vc é uma moça genuinamente boa, divertida e gentil. Tenho certeza que vc é capaz de refazer seu círculo de amizades ou então criar novos. Está se sentindo sozinha? Faça um curso de inglês, caminhe no parque ou faça a uma aula de teatro... engaje em alguma atividade, não se isole em casa, conheça pessoas. Estou torcendo por você. Grande abraço! Talita

Ana Carolina disse...

Poderia chamar esse post de sincronicidade, porque acabei de ter mais uma bronca infrutífera da minha mãe.

Já escrevi sobre minha relação com ela umas três vezes como guest post, apaguei as três, não tive coragem de mandar.

Mas é complicado...

Anônimo disse...

"Gente, eu detesto a sociedade culpar sempre a mãe por tudo".

Concordo com a Nane. Porém existe uma diferença colossal em culpar a mãe pelos problemas físicos e emocionais dos filhos por não ter sido aquela figura materna mítica - ter parido do jeito x e não y, por não ter amamentado ou por ter amamentado "demais", por ter voltado ao trabalho, por ter tido outros interesses e aspirações além da maternidade...enfim - e reconhecer que algumas mães tiram prazer sádico de humilhar os filhos.

Pequenos detalhes nas histórias contadas aqui mudam. Minha história com minha mãe é semelhante as demais. A questão central permanece - nós fomos esmagadas por alguém que deveria nos ajudar (ou pelo menos tentar) a crescer e encarar a vida. Essa é uma mágoa que todxs nxs vamos carregar até o fim dos nossos dias.


Jane Doe

Anônimo disse...

L, você é linda e forte. Seja mais forte e espace as visitas a senhora sua mãe. Não entendo como uma mãe (ou pai) possam ser tão cruéis...sinceramente, se aborto fosse permitido com certeza evitaria muito sofrimento pra todo mundo!

E fico muito feliz de saber que você conseguiu ter um pensamento critico mesmo tendo essa familia desequilibrada. A prova que tudo é possivel.

Um beijo pra você, e pode parecer simplista de dizer, mas pare de er sua mãe. E a tal piada, o paciente chega e diz: sr quando eu faço tal coisa, dói. E o medico respode: pare de fazer essa tal coisa.

Beijo

Lia 38

Gharcia disse...

Oi, não sei a autora vai ler isto: eu acompanho de perto uma pessoa que foi literalmente atormentada como você foi. Eu acho que faz pouco tempo que você conseguiu se libertar da jaula, mas você cresceu em meio a tormenta, e na tormenta, ninguem nunca viu suas lágrimas.
Agora, chore tudo. Eu sei que vc nunca chorou como hoje em dia e acredite: isto é bom. Não tenha vergonha das suas lágrimas.
E nem dos seus medos. Depois desta tormenta, qlq chuvisco ou torneira aberta vai te lembrar das noites mais frias.
Espero que vc não esteja sozinha, mas se estiver, acredite:
Quem já viveu nas sombras e na tormenta demora muito... muito tempo... mas vai se acostumar ao calor do sol. Mesmo que queime.
Não precisa expor pra todos. Mas, qdo se sentir bem, com alguém ou sozinha, escreva, grave, eternize sua história.
Bonita ou não, ela é sua. E ninguém NUNCA vai poder dizer que vc não deva se orgulhar dela.
E sua história não vai pautar vc e nem suas atitudes daqui pra frente.

Um grande abraço. De alguém que ama mais do que tudo uma musa entre dois mundos, que já viveu esta tormenta tb.

vivian disse...

L.,

Embora o senso comum considere a família um oasis intocável de ternura e apoio, quem vive em uma família problemática sabe que o senso comum não passa de estereótipo. Infelizmente, este estereótipo nos assombra e nos persegue.

Você já saiu de casa, este passo é MUITO importante. Parabéns por ter conseguido, muita gente não consegue, infelizmente.

Pratique colocar a sua saúde emocional em primeiro lugar. Provavelmente você deve carregar culpas que te fazem pensar muito na família e mesmo visitá-la... mas pense, se você continuar assim, o que vai ser da tua cabeça? Não é incomum que pessoas com um histórico familiar conturbado acabem com depressão, então, leve a sério cuidar de si.

Você não vai fazer mal a ninguém, você não deve nada a ninguém. Coloque seu emocional em primeiro lugar, SEMPRE. Você pode ficar realmente depressiva. Dê um tempo para a família, faça terapia ou leituras de psicologia (recomendo MUITO um livro chamado pais Tóxicos,de Susan Forwards, minha bíblia emocional, procure na internet que deve ter o pdf).
As vezes o melhor é se afastar para enxergar a situação de uma perspectiva externa, quando estamos dentro do problema é mais difícil conseguir sair.

Você tem um belo caminho de auto desenvolvimento pela frente, há luz no fim deste túnel.

Boa sorte, querida.

Anônimo disse...

gente eu sou obeso e escuto reprimendas de parentes por isso ,mas via de regra não me incomodo.então coitadinho de mim o mundo é gordofobico ? Não! Obesidade não é motivo de orgulho é uma doença curável na maioria dos casos . Essa de dizer que sou gordelicia,plus size...horror do mesmo jeito que aquelas gurias com anorexia se acham saudaveis.

Brenda C. disse...

Me encontrei no post de hj e nos comentários justamente porque não tenho hoje ninguém que eu possa considerar mesmo uma família, apesar de ser cheia de parentes.

É incrível como eu não tive sorte, e isso é dos dois lados, da família materna e paterna: são famílias egoístas, individualistas, onde você vale o que você produz e cada um que se vire com seus problemas. Já soube de história de parente doente que foi praticamente no hospital porque ninguém queria cuidar. Já queriam que ele morresse logo. Eu era criança quando isso aconteceu.

E sempre foi assim. Mas na infância e na adolescência eu não senti tanto isso. Acho que era porque eu não tinha a maturidade que alcancei dos 27 aos 31 anos. Estava meio que ignorante.

Meu pai, por exemplo, sempre foi ausente. E só tinha palavras de destruição para me dizer. Nada do que eu fazia prestava. Não me apoiava em quase nada. Dava uma pensão mínima, que o juiz determinou. Nem minha educação ele ajudou a pagar, pois fui bolsista a vida toda nos colégios onde estudei. Ele sempre teve boa vida, mas pra gastar, viajar com outras mulheres. Ele era separado da minha mãe, nunca ligou pra mim. E a família do lado dele, como minha vó e tios nunca falaram nada pra ele sobre isso, nunca disseram que estava errado.

Já minha mãe me apoiou em termos de estrutura financeira, me ajudou com meus estudos, me ajudou a me manter. Eu sou muito agradecida a ela por isso. Mas teve um preço muito alto: ela quis que eu fizesse todas as vontades dela. Que fizesse a faculdade que ela queria; que tivesse os amigos que ela gostasse; que namorasse quem ela aprovasse; que usasse as roupas que ela achava mais bonita; e por aí vai.

É claro que não deu certo, ela nunca compreendeu que sou um ser humano independente, que era normal querer ter as minhas escolhas. Brigamos durante muitos anos e eu fiz o que eu queria, mas minha vida foi um tormento. Escutei de tudo: que eu era uma filha horrível, uma ingrata, que eu não prestava, que eu era idiota, que ela tinha se sacrificado tanto por mim, sempre me jogava na cara. Até que resolvi não mais brigar. Mas não adiantou muito porque ela sempre fica me provocando, me diminuindo, se compara comigo querendo parecer superior. Ela ainda diz pras amigas que ela é uma boa mãe, eu é que não presto mesmo. (Continua)

Brenda C. disse...

(Continuação) Meu namorado é uma pessoa maravilhosa, mas ela implica muito com ele. Eu juro que ele nunca fez nada com ela. Ele sabe de tudo isso que acontece, mas nunca disse nada. Sempre tratou ela na cordialidade. Mas ela já disse que pra ela ele não presta.

Na última briga que tivemos (esse ano) ela me disse que nunca seria minha amiga, que comigo não tinha conversa. Acho que finalmente me toquei e resolvi tomar uma pequena atitude: como ainda não tive condições de sair de casa, construí um quarto com banheiro, anexos à minha casa. Não me livrei totalmente dela, mas na hora que eu percebo que vão começar as provocações (que são todo o dia) eu vou pra lá e me fecho, pois ela não entra. Só saio pra comer na cozinha. Enfim, é horrível essa situação.

Pra piorar, eu tenho um irmão 2 anos mais novo que eu que é a paixão da vida dela. Detalhe: ele não está nem aí pro bem estar dela. Mora em casa, não trabalha, é sustentado por ela, que dá vida de hotel pra ele. Quando ela passa mal ele não levanta um dedo pra ajudar. Eu é que vou no hospital com ela, pago plano de saúde pra ela, ajudo com as despesas da casa. Muito surreal minha situação.

Ainda sofro muito com isso. Choro muito, porque é difícil aceitar que a sua família não está nem aí pra você. É difícil aceitar que as pessoas que deviam te acolher, te repelem, cometem injustiças contra você. Estou em processo de cura, mas não é fácil. Não tenho dinheiro pra fazer terapia, mas a religião me ajuda muito e a internet, com os grupos de apoio. Também vou procurar os livros que sugeriram nos comentários.

O que mais me dá raiva é que futuramente, quando meus pais estiverem velhos e caquéticos, vão querer lembrar que têm uma filha. Aí eu vou servir né? Mas dificilmente conseguirei ser carinhosa, pois tenho muita raiva, revolta e tristeza de todas estas injustiças.

Tô juntando uma grana pra ter meu canto. Gostaria de poder sumir do mapa, ter dinheiro suficiente pra mandar uma mesada pra minha mãe todo o mês a distância (já que ela me ajudou no passado), e cortar contato completo com meu pai. Mas não posso. Conheci um rapaz que foi tratado pior do que eu pela família(os pais colocaram o rapaz pra fora de casa porque era homossexual), se mandou e não teve mais contato com seus pais, cresceu na vida e prosperou, e quando os pais ficaram velhos, entraram na justiça e o juiz obrigou o rapaz a ajudá-los financeiramente e pessoalmente, ou caracterizaria abandono de incapaz, pode?

A família pode ser uma grande benção, mas também pode ser uma grande maldição.

Anônimo disse...

Para todos os gordinhos e gordinhas que estiverem lendo: vocês sabiam que vcs têm um ponto a favor, comparado com os/as magrelos/as? :-) E que, sem dúvida, podem fazer um bem danado para a sociedade? :-) Olhem só, que legal:

Se vocês são saudáveis, vocês podem ser doadores de sangue, e, dependendo do caso, até de plaquetas!! Já pensaram nisso? ;-) (Ao contrário de muita gente magrela que gostaria de fazer isto e não pode... vocês podem!!!) Para doar sangue, o mínimo é de 50 kg (para homens) e 55kg para mulheres (embora ainda haja alguns hemocentros que aceitem mulheres com no mínimo 50 kg...) Para doar plaquetas, o mínimo exigido é de 60 kg.

Sendo assim, não deem bola aos comentários maldosos que a sociedade faz... pelo contrário: já que a natureza/genética quis que vocês tivessem um peso um pouco maior do que o padrão social estabelece como "belo"... usem esse "peso a mais" a favor, para ajudar outras pessoas! E, aí, sim, a tristeza de ouvir comentários maldosos sobre o peso irá se transformar na alegria de poder fazer o bem e fazer um gesto de amor, tão nobre, que é o de doar sangue/plaquetas e salvar vidas.

(Afinal, quantos magrinhos/as gostariam de poder doar sangue, mas não atingem infelizmente o peso mínimo para isto, né? hehehe). Em outras palavras: peguem "o limão" (o peso a mais) e pensem na possibilidade de fazer uma saborosa "limonada" (virar doador de sangue, se puder!)

Sendo assim, "bola para frente", e... vamos levantar a auto-estima, galera! :-D Um abraço a todos(as)!!!

Nanda disse...

Estou lendo vários relatos e relembrando um pouco da minha história. Comecei a tentar analisar alguns pontos em comum nessas situações. Entre eles, o fato de serem mães que têm a responsabilidade sozinhas da educação das suas filhas (ou por elas serem divorciadas, ou maridos alcoólatras, ausentes, opressores, ou no meu caso, por serem viúvas - entendam que não é uma crítica às mães solteiras, tanto que muitas são casadas); o fato de serem mulheres machistas; a cobrança excessiva pelo enquadramento em um padrão de comportamento, beleza, companheiros; a eterna insatisfação com suas filhas (filhos homens também podem sofrer, mas menos); a necessidade de mostrar constantemente o que fez para a criação da filha; o moralismo excessivo. O primeiro ponto em si não deveria ser determinante para uma criação opressora, porém, o que eu vejo no caso de mulheres machistas, é uma insegurança referente à liderança da família, que na visão delas deveria ser papel do homem (o que contempla o segundo ponto). É o mesmo machismo que faz essas mães exigirem um padrão de beleza impossível e ao mesmo tempo se resguardar dos homens (fico pensando se isso não reflete também a necessidade delas mostrarem que criaram bem seus filhos para o mundo). Mostrar tudo o que se dedicou aos filhos é uma forma de em troca seus filhos fazerem suas vontades (e aí aquela história de amor desinteressado vai pro ralo). A minha relação com a minha mãe sempre foi tumultuada, e eu sempre bati de frente com ela, até que eu consegui uma bolsa na faculdade e saí de casa. Mas é o que uma comentarista disse acima, sair na verdade é varrer o problema para debaixo do tapete. Infelizmente ele nos acompanha. Vejo isso porque, após 10 anos fora de casa, ainda temos brigas quando ficamos muito tempo juntas. A última foi porque eu talvez (TALVEZ) tivesse perdido um óculos de sol que eu comprei com o MEU dinheiro, em um dia que estava na correria por causa de um concurso super concorrido, e ela fez um escarcéu dizendo que eu era um desgosto, que eu nunca teria nada da vida, etc e tal. Detalhe, eu achei o óculos, quando me acalmei e já estava longe dela gritando na minha orelha enquanto eu tentava achá-lo. MAS, apesar de toda essa educação opressora, não posso me abster de comentar que em alguns pontos realmente eu era problemática, no sentido de não ter o senso de coletividade, de não ajudá-la em muitas coisas que eram possíveis (como tarefas domésticas). Não sei se era uma reação à violência psicológica, mas sempre fui uma filha distante, nunca gostei de contar nada,nunca confiei nela. Hoje em dia, gosto dela, sinto falta da presença dela, mas nossa convivência é conflituosa e nunca ultrapassa alguns dias.

Anônimo disse...

Gente, só queria dizer que também tive conflitos com a minha mãe (nada tão grave) e isso me marcou da seguinte forma: sempre quis ter filhos homens, pois uma filha mulher, além de mulher ser mais complexo, iria me desafiar mais, iria exigir muito de mim psicologicamente por ter tido uma relação difícil com a mãe (com o feminino). Pois bem, Deus é sábio e me mandou dois meninos, não quero ter um terceiro. Investiguem a relação das suas mães com as mães delas, muita coisa pode vir daí, e por fim, resolvam isso dentro de vcs pra não repetirem esse padrão perverso.

Raven~ disse...

Bom, engravidar aos 17 não é mesmo um padrão a ser seguido.

Comigo tb já aconteceu de ser eleita a mais feia. Era tão importante na época é é tão bobo agora. Huashua ainda bem que a gente cresce.

Anônimo disse...

L., você percebeu que não é a única. Ainda assim, se você já não o faz, é importantíssimo procurar um psicólogo. Se possível, um que trabalhem com transtornos alimentares, porque eles entendem melhor as questões de autoimagem, peso etc.

Anônimo disse...

normalidaderealidade, você descreveu minha mãe. Achei que fosse a única que recebesse a culpa pelo bullying que os outros faziam comigo. Minha mãe também sempre criticou absolutamente tudo: meu corpo, a roupa que escolhi usar no dia (mesmo que ela tenha me ajudado a escolher quando comprei), meus gostos, os óculos, o jeito de mexer as mãos, de mexer os pés, de falar, de respirar, de rir, de espirrar...

Anônimo disse...

Espero não estar sendo otária, mas é serio isso do comentarista 1 sobre refrigerantes? me senti culpada por rir hahahahaha

Gle disse...

Família e suas regras! Sei bem pelo o que essa moça passou, afinal, sempre fui a "estranha", a "diferente", a "ovelha negra da família"... e sou até hoje. Sabe a fase em que a criança pergunta o "por que?" de tudo? Pois é... acredito que essa fase seja permanente em mim! Minha mãe nunca dava muita bola pro que os outros diziam quanto ao meu jeito seco, calado... minhas roupas pretas, etc. Segundo ela, ela não se importava com o que os outros diziam. Mas tudo mudou na minha adolescência, quando eu queria sair pras festinhas com amigos e ela não deixava. Eu perguntava o porque e respeitava, me trancava no quarto e lá ficava. E muitas vezes o motivo era banal, do tipo "ah não, essa sua amiga mora aonde tem pessoas que usam drogas". Enfim. Aí eu tinha que ir à igreja pelo menos uma vez por mês, mesmo que eu não gostasse. Pq senão as pessoas iam falar!!! Eu tinha que ir nas festas de família mesmo quando não queria (que era a maioria das vezes, por não gostar de interagir muito com os familiares).Quando eu fiz 18 anos pensei: agora sim, posso fazer o que EU QUISER! Mas não foi bem assim, pq estava morando debaixo das asas da minha mãe, e enquanto morasse lá, iria ter que respeitá-la. Nem preciso dizer que não demorou muito para que eu conquistasse uma estabilidade financeira e quisesse morar sozinha. Toda vez que conversei com minha mãe sobre isso, ela ficava transtornada pedindo desculpas e me dava um pouco mais de liberdade. Acontece que aos 21 anos conheci uma pessoa maravilhosa e quis morar com ela. Isso já fazem 2 anos. Minha mãe entrou em depressão, não por eu ter saído de casa, mas pela minha opção sexual. Meu pai, MACHISTA, criado em uma família completamente machista, ria dela. Dizendo que não entendia o porque de tamanha tristeza se EU estava feliz. A resposta dela? "O que os outros vão dizer???". Meu pai dizia: Não importa, se ela está feliz, está tudo bem. Hoje, minha mãe aceita tudo numa boa, e a exatamente uma semana meu pai partiu deste mundo, aos 54 anos, devido a um infarto fulminante. Sabe qual foi a preocupação da minha mãe, desde que teve a notícia (junto com a dor, claro)? "Não vamos fazer escândalo no velório para OS OUTROS não ficarem falando." "Não vamos ficar saindo agora pq vão dizer que estamos comemorando a morte dele". Sabe, eu tô cansada de ver minha mãe desse jeito, deixando de viver a vida por ficar só pensando no que "os outros vão dizer". Eu sou ESPÍRITA, minha mãe, CATÓLICA. Eu TIVE que colocar numa rede social um apelo pra minha família não me encher o saco e obrigar a fazer aqueles rituais todos pós-morte do catolicismo. Aí eu pergunto, até onde vale nos sacrificar pelas futilidades dos outros? ...
Descrevi isso tudo apenas para mostrar que você pode sim ir contra o que sua mãe acredita, não batendo de frente com ela, mas conversando. Mande uma rosa à ela. Mande cartas se for preciso. Mostre o seu coração pra ela que de alguma forma, com certeza ela vai te compreender! Dessa vida não se leva nada, e perdoar, ter compaixão é tão lindo e gratificante... Ela te ama, mesmo não sabendo demonstrar. E talvez ela precise de ajuda, e você será a porta que ela precisa para seguir! Pense nisso ;)
Desculpe a extensão do texto, Lola! É que às vezes o nosso desabafo é o conforto do outro.

Anônimo disse...

Minha família também sempre me rejeitou, sempre falaram e falam mau de mim, parece que todo mundo presta menos eu, eu tive filho aos 22 anos, mas não sou uma mãe ruim, eles inventam coisas a meu respeito inclusive para meu filho, meus poucos amigos dizem que eu sou uma ótima pessoa que eu ajudo as pessoas, que nunca fui filha ruim, dizem inclusive que eles mereciam um filho ruim para me dar valor, nunca conseguir entender o porque disso, meu pai traiu minha mãe da pior forma, deu casa, moto, sentava em bares públicos em todos na cidade viam, minha irmã vivia bebada, eu nunca perdi o ano ou fiz recuperação, nunca fui de noitadas nem bebedeira, sempre namorei sério e respeitei meus namorados, minha mãe sempre viveu em outra realidade só fazia assiassistir tv, nunca teve uma conversa comigo, quando menstruei ela me trouxe um panfleto, até hoje sofro porque eles vivem falando mau de mim para as pessoas, tenho vergonha de sair na rua, percebo as pessoas me olhando diferente, Deus sabe o que eles andaram falando, me sinto um lixo, não sei oq fazer para sair dessa, a vida perdeu a graça, vivo triste, nervosa, ansiosa, chorando, já fiz tratamento para depressão mas não adiantou, oro muito mas as coisas continuam iguais.

Lara disse...

Olá, me encontro na fase de estar me afastando da minha família, que só deterioravam minha saúde emocional.É difícil aceitar que a família seja o maior problema, que nos faça mal, que nossa mãe, não é perfeita. Eu coloca a culpa em mim, acreditava ser tudo o que elas diziam, agora há algumas semanas completamente longe delas, minha saúde é outra,parei até de usar sertralina. Elas dizem que sou louca, mas percebi que minha loucura atrai as pessoas, e a delas afasta.

Anônimo disse...

nao sei c ainda vale comentar, mas vou mesmo assim. Ja é de um tempo que estou percebendo o quanto meus pais prefeririam um filho diferente de mim, e hoje meu pai disse q nao sou um bom filho, alem de ja ter me chamado de merda com o objetivo de me ver mal varias vezes. me encontro numa depressao forte e(nao sei suas ideologias) porem a cannabis me fez ver um mundo diferente, nao estou dizendo para vc se sustentar nas "drogas"(nao considero maconha como uma droga), mas creio que ela poderia te ajudar como antidepressivo, criaria insiparacao para voce viver, estimularia sua conectividade com o mundo, e te faria perceber como viver eh bom. gostaria q, se vc leu , me respondesse por facebook mesmo, estou me vendo numa situacao em que só sirvo para o bem dos outros... pena que os outros nao vem o como eu tambem preciso de ajuda. espero ter ajudado, seria legal se vc me mandasse uma msg pelo face ( andre graciotti eu de costas na fto de perfil) para eu saber se vc leu ou nao, ja que eh antigo sua publicaçao. te desejo o melhor

Adriana Cruz Drih disse...

Lola.. por gentileza poderia informar a quem acompanha a estória se a L. está bem? Sei que ja faz bastante tempo, mas com toda a sinceridade que posso ter neste momento eu posso dizer que gostaria realmente de notícias dela..
Agradeço desde já.
Adriana

Adriana Cruz Drih disse...

E peço isso baseado no fato de que a minha estória é parecida com a dela.
Mudando apenas o fato de que fui criada como homem e por isso sofri bulliyng de todos sem excessão, e tenho dificuldades de confiar nas pessoas até hoje. Contudo, posso afirmar que o segredo esta na aceitação do que se é realmente. Hoje tenho um filho e estou gravida pela segunda vez.
No passado ja havia passado muito tempo cojitando a realização de suicídio. Hoje não sofro mais com isso..
Então para que fique claro..
1. L, existem pessoas boas neste mundo e que te amam de verdade.
2. É importante a boa relação com a familia de sangue, mas existem vários tipos de familia. E eu considero meus amigos como a minha familia mais preciosa, pois é mais forte que um laço de sangue: é minha familia por escolha propria deles e minha.
3. Faça as pazes com você(o mais difícil), assuma quem você realmente é, e isso te fará um bem enoorrmee. Não tenha dúvidas.
Eu gostaria muito de um dia poder trocar ideia com você, de coração mesmo. Porque tenho a absoluta certeza que é superavel esse sofrimento todo, mas não quando se está sozinho (a).
Fiquei com Deus, um abraço.

Adriana Cruz Drih disse...

Fique**

Ariadne Soares Santana disse...

Às vezes é necessário perdoar os outros e perdoar à nos mesmos... Fazer psicanálise me ajudou muito! Sempre tive uma relação turbulenta com minha mãe e irmã, em setembro de 2015 decidi me afastar definitivamente delas, pois são pessoas altamente tóxicas, que libertação!! Não sinto falta delas, nem um pouco! Agora meu drama é me afastar de minha avó, uma pessoa mesquinha, egoísta que adora se fazer de vítima, muito apagada à matéria, se ela ela me der 500 gramas de café, é capaz de me cobrar!!! É uma infeliz, tem colegas, bons vizinhos, mas não tem amigos, além disso é muito interesseira... Terei que me afastar dela, irremediavelmente, ela tem me feito muito mal!! Recentemente ela me escondeu que uma empresa ligou para uma entrevista de emprego, mas eu descobri porque a moça do RH me deixou recado na secretária eletrônica, perguntei à minha avó, ela negou veementemente que ninguém ligou, quando ela viu que eu sabia, disse que não ia me pedir desculpas, que ela estava certa, desde então minha confiança nela acabou.