sábado, 7 de junho de 2014

A RUA É MINHA TAMBÉM, DÁ LICENÇA?

Uma notícia bastante comentada esta semana foi a de uma estudante universitária, Yasmin, que, ao passar por um prédio entre a sua casa em Copacabana e a universidade onde estuda, cansou-se de ouvir grosserias diariamente, e decidiu reagir. 
Respondeu, dizendo que não merecia aquilo, que não tinha que andar de cabeça baixa, que o homem (um porteiro) que lhe dizia essas besteiras deveria ter ética, porque ele está em seu local de trabalho. Pelo jeito, enquanto Yasmin falava, passou uma repórter do Globo, que filmou seu "dia de fúria", o que gerou uma matéria
Assim que me enviaram a matéria no Twitter, eu aplaudi a reação da aluna. Acho que, dentro do possível, tem que reagir sim. Claro que às vezes é perigoso. Muitas vezes esses caras ficam agressivos (inclusive fisicamente) quando são confrontados. É muito comum que o "ô lá em casa, gostosa" vire "quequié, sua mocreia? Vc não tá com essa bola toda não!" ao primeiro "Palhaço!" que a moça disser. E levante a mão quem não conhece histórias do sujeito que partiu pra cima depois de uma resposta atravessada.
Já escrevi um montão sobre "cantadas" na rua, que eu prefiro chamar de grosserias e assédio. Pessoalmente, eu vejo diferença entre "Que lindos olhos!" e "Quero mamar nesses peitos", e acho que só o segundo caso deveria receber um palavrão em troca. Mas entendo as mulheres que simplesmente não querem ser interpeladas por um estranho na rua. Até porque é cumulativo. De repente o "Que lindos olhos!" veio depois de cinco "Quero mamar nesses peitos" nos últimos dez minutos, e a pessoa já não aguenta mais. 
Ou a pessoa já ouve essas grosserias desde que era criança. A própria Yasmin lembrou pra reportagem que, quando tinha doze anos, um cara numa bicicleta apertou seus seios -- quer dizer, os seios que uma menina púbere tem. Não é nada raro que a grosseria verbal venha acompanhada de abuso físico, num ato que podemos chamar de terrorismo sexual
Por que os caras fazem isso? Depende. Se estão em grupo, é pra competir (ver quem diz a grosseria mais abjeta), ao mesmo tempo que se entrosam com a turma e "provam" que são másculos. A masculinidade deve ser mesmo um conceito muito frágil, já que homens héteros têm que provar que são "homens com H" o tempo todo. 
Os homens héteros que desistiram de provar sua masculinidade podem atestar como essa eterna performance é exaustiva. É um dos pedágios, dos impostos, que os homens têm que pagar pelos seus privilégios
Se o cara está sozinho, evidentemente que ele não "canta" a mulher com a intenção de levá-la pra cama. Ele sabe que são ínfimas as chances de uma moça aceitar um convite sexual depois de um "te chupo todinha" (e não é só porque as mulheres sabem que vivem numa sociedade machista que as condenará por sexo casual, mas também porque, tipo, pode ser perigoso pra uma mulher sair com um total desconhecido?). 
Ele fala com a mulher na rua porque ele está numa posição de poder, e quer mostrar quem é quem manda ali, naquele espaço público que pra ele é tão dele que é dele. Ao mesmo tempo, ele vê um espaço privado -- o corpo de uma mulher -- como se fosse público. Se a mulher estivesse acompanhada, ele não falaria nada. Mas, se ela tá sem um homem do lado, não é de ninguém. É do macho que chegar primeiro.
O jeito desse cara mostrar que está numa situação de poder é iniciando uma interação, e avaliando. O porteiro que "cantava" Yasmin todo dia certamente dizia grosserias pra várias outras mulheres que passavam em frente do "seu" prédio. Não é pessoal. O "tesão" não era dirigido apenas a Yasmin, mas a todas as mulheres. E significava muito menos um "quero transar com você" do que um "tenho poder pra te julgar" (assim como estupro tem muito a mais a ver com poder que com sexo). 
Vale lembrar que esse rapaz talvez não fizesse apenas avaliações "elogiosas" às mulheres que passavam. No seu poder avaliativo, ele provavelmente gritava "Sai pra lá, baranga!" ou "Sua bunda tá caída" pra quem não lhe apetecesse. Todas as mulheres que passavam diante de "seu" prédio passavam também pelo seu crivo. Querendo ou não. Pode apostar que a maioria não quer.
Mas toda vez que escrevo sobre isso, aparecem uns machistinhas pra jurar que quem tem o poder, neste caso, são as mulheres. Elas têm o único poder que as mulheres podem ter -- o de seduzi-los, encantá-los, viver em função dele, enfeitar o espaço público. Não ocupar esse espaço, só decorá-lo de leve. 
Outra coisa que os machistas falam é que as mulheres só se ofendem (ué, nos ofendemos? Pensei que a gente adorava isso, que servia pra inflar nosso ego! Decidam-se, seus contraditórios ambulantes: a gente gosta ou não gosta? Se ofende ou saímos plainando pelo ar diante da aprovação masculina?) porque quem as canta é um pedreiro, um porteiro, porque se fosse um executivo pilotando uma Mercedes, aí... (preencha com a fantasia erótica implantada pela indústria pornô na sua cabeça). 
Esse tipo de indignação revela uma enorme dose de rancor com o fato de que mulheres -- como ousam? -- podem escolher. Assim como os homens, ué. Ninguém é obrigadx a se interessar por quem não quiser.
Mas por que Yasmin respondeu logo ao porteiro, e não ao ricaço que é a cara do Brad Pitt e que fica lá estacionado na sua Ferrari na esquina da Rua Raul Pompeia, no Cobacabana, só esperando Yasmin passar pra poder cantá-la?
Ahn, porque esse ricaço que é a cara do Brad Pitt não existe? Porque quem assedia Yasmin, e tantas outras mulheres (99,6% das brasileiras responderam que já foram assediadas na rua -- é muito mais fácil encontrar alguma que não tenha sido), é quem está na rua, muitas vezes trabalhando. Pedreiros são hors concours
É preciso ser muito machista pra pensar que uma mulher assediada por um grupo de homens em coro fica chateada e nervosa porque a classe sócio-econômica de quem a está assediando não lhe agrada. Ela fica nervosa com o assédio em si, venha de quem vier. Você realmente acha que se o cara que apertou os seios de Yasmin aos doze anos tivesse descido de um carrão, e não de uma bicicleta, o nojo e susto dela seria menor?
Vale lembrar também que quem é assediada é a mulher que está na rua. Ou seja, se Yasmin fosse de carro pra faculdade, em vez de andar, suas chances de ouvir "quero tomar sua menstruação de colherzinha" e "delícia" cairiam consideravelmente. Quem sofre mais assédio na rua é quem está na rua -- empregadas domésticas, babás, meninas de dez anos que vão à padaria comprar pão, alunas de escolas e universidades, mulheres em geral que dependem do transporte coletivo pra se locomover. Por isso que cada "tesão" é um lembrete masculino de que a rua é dele, não dela, e que ela deveria estar em casa, onde é o seu lugar, ou no mínimo acompanhada de um macho que a proteja (marido, pai, irmão). 
E cada reação feminina a esse "elogio" é um "a rua é minha também, otário", um "chegamos ao século 21, você não reparou?". Por isso é importante reagir. Não foram as feministas que inventaram essa dinâmica social. Não foram nem as feministas que inventaram a reação. Mas a reação veio. Pra ficar.

P.S.: Eu li o artigo muito equivocado da Juliana, que fez da reação de Yasmin uma luta de classes, uma luta racial. Juliana infelizmente faz coro aos machistas que afirmam que, se o sujeito não fosse um porteiro negro, Yasmin -- e tantas outras mulheres -- adorariam o assédio. Juliana, branca e de classe média, na sua vontade de criticar o "feminismo branco de classe média", vê cantadas de rua como algo que homens negros e pobres fazem a mulheres brancas e ricas. 
Mas é óbvio que homens negros e pobres também assediam mulheres negras pobres e ricas, e que homens brancos, pobres e ricos, assediam mulheres (cis e trans) de todas as cores e classes sociais. Quer dizer, não é porque o assédio venha de alguém oprimido que ele se torna menos condenável. 
Yasmin fez bem em ameaçar chamar a síndica. O porteiro já estaria errado em cantar mulheres na rua quando não estivesse trabalhando. Quando está trabalhando, então, é inadmissível, porque ele está associado ao edifício para o qual trabalha. 
Uns anos atrás, um leitor (hoje professor e engenheiro, mas que foi pedreiro durante boa parte da vida) recomendou que as mulheres parassem nas obras de construção que as assediam quando passam e exigissem falar com o encarregado, e prestassem queixa. Que, se essa obra tiver responsabilidade social, ela vai proporcionar a todos seus empregados um curso de questões de gênero, para que eles aprendam por que esse comportamento não é mais aceitável.
Isso vale também pra mulher que passe por um escritório envidraçado que seja filial da Bolsa de Valores de Wall Street e os vários playboys engravatados lá dentro começarem a gritar grosserias pra ela.

107 comentários:

Anônimo disse...

Aff, de novo essa de que, se o assediador for negro ou de outra minoria qualquer, o assédio não é tão grave? Não basta o tanto de besteiras que falaram sobre aquela confusão na marcha das vadias?

Valéria Fernandes disse...

Excelente texto, Lola. Eu li o artigo escusando o assédio do porteiro ancorando-se na luta de classes e no racismo e fiquei enojada (*não há outro termo, desculpem*). Bom ler sua opinião a respeito.

Julia disse...

Também não concordei nem um pouco com o texto da Juliana. Pra mim a Yasmin reforçou tanto o fato de ele ser porteiro e ter ameaçado chamar a síndica porque era o emprego dele que estaria em jogo. Sabemos que nesses casos apelos a respeito e educação não costumam surtir muito efeito.

Julia disse...

A Juliana já escrevia textos meio polêmicos desde a época da faculdade, aliás. Uma vez deu um problema.. já fiquei chocada lendo textos anteriores dela.

lola aronovich disse...

Não sei se eu já tinha lido alguma coisa da Juliana no blog dela, Eu Já Matei por Menos. Aliás, não tenho nem certeza se conhecia o blog dela. Mas o nome me soou familiar e aí eu vi que ela me entrevistou pra uma matéria da Folha de S. Paulo sobre 50 Tons de Cinza. Nem tudo que ela disse no post está errado -- assédio é realmente uma manifestação do poder --, mas a análise é muito simplista. E, enfim, que eu saiba, ela não é feminista. Ainda não vi opinião de feminista negra, vcs já viram?
(Pra falar a verdade, no vídeo, eu nem reparei que o porteiro era negro. Tem um cara lá que aparece bem pouco, mas nem dá pra saber se é o porteiro ou alguma outra pessoa no meio da confusão).

Anônimo disse...

Até que enfim a professora Lola está ensinando suas alunas do blog a reagir às investidas da homarada. Hallelujah...

lola aronovich disse...

É mesmo, né? Só tem uns 6 anos e meio que faço isso.

Dani disse...

Eu fiquei um pouco chocada com a maneira simplista que a Juliana tratou o assunto, principalmente pq já li várias coisas escritas por ela e na maioria das vezes me pareciam bem sensatas...não sei dizer se ela se considera feminista, mas alguns de seus textos (até então) me levavam a crer que ela tinha conhecimento de causa. Acho que ela quis abordar um assunto, mas não soube sustentá-lo com argumentos e escolheu o exemplo errado... achei que ela foi muito pouco empática com a estudante, a fazendo parecer uma patricinha mimada que deu um "chilique" contra um pobre trabalhador. E aí não dá, né. Pq isso não difere em nada do que os machistinhas de plantão vivem rosnando por aí. Acho que ela se atrapalhou mesmo e feio.

Ana Carolina disse...

Excelente texto, Lola.

E sim, luta de classes ocorre, opressão ocorre, mas assédio não faz diferença entre a patricinha da zona sul ou a mãe de família da favela. No caso, neste caso, foi o porteiro versus a universitária, mas poderia ser o playboy da Ferrari que seria tão desagradável quanto. Já recebi cantada de tudo quanto é tipo de homem de tudo que é classe social e o asco foi exatamente o mesmo.

Patty Kirsche disse...

Uma vez eu estava passando perto dum estacionamento (Flypark, na Rua Padre Celestino no centro de Guarulhos), e saiu dele um sujeito rico e branco num carro conversível creme. O desgraçado fez questão de parar o carro um pouco atrás de mim pra que eu percebesse que ele olhava pra minha bunda. E riu para o funcionário do estacionamento, um negro provavelmente pobre que riu em sinal de cumplicidade. Em se tratando de violência de gênero, homens pobres e ricos podem agir de forma muito parecida, às vezes até em conjunto. A gente precisa ter em mente que homens de todos os grupos realmente acreditam ter o direito de avaliar a gente pela aparência. Tanto que quando querem nos agredir, eles nos chamam de "feia" e "gorda". Eles realmente acham que a opinião deles sobre nossa aparência é relevante.

Anônimo disse...

Sawl

Lola querida.
Parabéns por seu aniversário(desculpe pela demora na resposta). Tudo de bom sempre na sua vida e casamento! :)
Desculpe por tê-la importunado tanto sobre a moça do Rio mas eu queria muito saber sobre sua opinião tanto sobre a corajosa reação dela quanto sobre os comentários misóginos, ofensivos e covardes contra ela na seção Gente Boa do site do O Globo!
Obrigada pelo post sobre a garota do Rio que reagiu à cantada grosseira do porteiro e lembrando que muitos dos machistinhas de merda que tanto a criticaram por reagir à cantada de um "porteiro" NÃO falaram sobre a candidata da prova pra juiz que denunciou o desembargador que a cantou durante a prova! Além de machistas, os comentaristas reaças ainda eram covardes.


Sawl - Always the rebel

Anônimo disse...

Ser a favor de reagir fazendo passeata ou vir chorar pitanga aqui é uma coisa. De reagir na hora do abuso e levantar a cabeça e partir pro confronto é outra e eu nunca vi a senhora aconselhar neste sentido.

Só não gostei do 'eu não mereço' da Yasmin. Mas chegaremos lá.

Anônimo disse...

Essa de chegar perguntando quem é o síndico do prédio e qual é o nome dele (o porteiro) é ótima. Já se instalaria um clima de formalidade e o cara já ia começar a pensar nas consequências das cantadas. É por aí mesmo.

Anônimo disse...

O machismo pode nos vencer?

Não, a abordagem é que tem que mudar.

lola aronovich disse...

Foi mal, gente! Tinha vários posts não acabados com a data de hoje, e esqueci deles. Aí alguns foram publicados. Mas vcs notaram que eles não estavam prontos. Já coloquei nos rascunhos de novo...


Anon das 22:21, veja qualquer post meu sobre grosserias, por exemplo (tem vários linkados no post). Note que eu SEMPRE digo isso. Tem um guest post de 2,5 anos atrás que se chama "Meu dia de Lola". Será que ele é sobre reagir ou sobre, sei lá, pintar as unhas?

Anônimo disse...

Somente babacas ficam elogiando, cantando paquerando mulher, seja la em que ambiente for.
Elas ignoram homens que não espertem seu fetiche, devemos responder na mesma moeda.

Anônimo disse...

Descontem meninas, quando passar um rapaz por vcs, podem assediar sem dó.
Mas um rapaz comum, anonimo, não vela fazer o que já fazem, quando tentam agarrar e rasgar as roupas de artistas.

Anônimo disse...

"Um homem sem uma mulher, e como um pássaro sem um submarino"
Glorio Stenio.

lola aronovich disse...

Um mascutroll apareceu pra chorar suas pitangas. Deixou os últimos 3 comentários. Na verdade eram 4, mas deletei um.
Suas palavras realmente movem muita gente neste blog, mascu. Aliás, neste blog e no mundo. Continue lutando, guerreiro de um real.

Anônimo disse...

Por falar em Brad Pitt Professora, eu soube que ele deixou a barba grande e malcuidada, para protestar contra a misandria e os padrões de beleza barbofobicos matriarcais.
Ta aqui a foto
http://www.sitedemulher.net/wp-content/uploads/2012/01/e46c1h37cb68tqfe31ntqtd06w1yx.jpg

lola aronovich disse...

Ai meu zeus, é o Fabio do Mingau deixando todos esses comentários idiotas nos embalos de sábado à noite. Só ele me chama de professora. Certo que eu também tô aqui (por enquanto!), mas eu sou uma velhinha monogâmica casada há quase 24 anos. What's your excuse?

Natasha disse...

Praticamente quem concorda com aquele texto rídiculo daquela juliana cunha são homens. Coincidência? Acho que nao.

Anônimo disse...

Sábado a noite e uma criação do matriarcado, para nos oprimir em noitadas extorsivas em boates onde o bundalêlê come solto.
ME RECUSO ( meu carro quebrou :/)

notyourmari disse...

(Eu não sei se contei essa história aqui, acho que não contei)

Meu pai é machistérrimo. Meu pai é machistérrimo e acontece de também ser pedreiro.

Ele dia desses tava contando que era comum ele interagir com algumas pessoas que passavam pelas obras nas quais ele estava trabalhando. No episódio que vou contar, duas personagens são importantes na história: Uma prostituta conhecida como "Trintão", mulher pobre (o nome sugere o preço do programa e não à idade dela); e uma moça que ele não disse o nome e passava sempre em frente à construção no caminho do trabalho.

Lembrando: meu pai é machistão e eu já passei maus bocados na mão dele por causa de assuntos como obediência, disciplina, comportamento e sexualidade

Enfim. Um dia meu pai contratou um rapaz mais novo (supostamente de cabeça mais moderna, certo?) pra ser ajudante dele. O trabalho vai indo e aí a moça que tá lá todo dia indo pro trabalho passa pela obra. O ajudante do meu pai resolve mexer com a moça.

Meu pai fica puto, e começa um discurso enorme (desses de pai) pro rapaz. Ele comenta que nenhuma mulher que tá lá passando de boa indo pro trabalho merece ouvir aquilo.

Claro, meu pai tinha mencionado a "Trintão" e quando ele toca no apelido dela nessa situação eu fico imaginando que ele teria dito pro rapaz que mexer com a prostituta pode, que com a "mulher direita" não pode e, na verdade... Meu pai diz pro rapaz que ele é obrigado a respeitar todo mundo, todas as mulheres, e a "Trintão" era um exemplo de mulher que aparecia com frequência e sempre recebia um ótimo tratamento. E aliás, como meu pai tinha mais intimidade com ela, ele comenta que eles até poderiam ser mais informais com ela e fazer uma ou outra brincadeira, contanto que nunca se faltasse com respeito.

Aí eu ouvi a história e fiquei surpresa! Meu pai, endireitando um folgado! Fiquei feliz. Espero que conte como um babaca a menos.

Anônimo disse...

22:54, estou pensando em fazer isso mesmo. Outro dia já disse assim bem alto (não sei se deu pra escutarem): que horror! olhando pra uns rapazes. Bom, se a gente for entrar nessa, os dendens vão ouvir só lamentações, porque homem bonito é uma raridade raríssima. :))

Caio Borrillo disse...

Somente mascuzinho retardado pra achar que um assédio deixa de ser assédio e abuso contra mulheres porque o cara tá de Ferrari.

Privilégio é uma coisa que cega tanto que deixa esses homens totalmente incapazes de ver que as mulheres não vivem suas vidas em função das merdas que falam e que não precisam delas nem um pouco.

E o pior de tudo é ver essa blogueira Juliana tentar amenizar o que a Yasmin fez, novamente apelando para a classe social e cor do indivíduo. Não interessa, gente! Grosseria de rua é uma invasão, um atentado à dignidade feminina, não interessa de quem veio.

Anônimo disse...

lógico que mulher n vai admitir que se a cantada fosse de um cara cheio da grana,ela ficaria muito feliz em ouvir as grosserias e de passar o telefone para ele.

tem um video de uns caras que fizeram um teste,um homem num carro normal cantando as mulheres foi completamente ignorado.
outro com um carrão do ano,as mulheres só faltavam babar em cima.
mas mulher n é interesseira,claro q n.

lola aronovich disse...

Notyourmari, seus comentários são ótimos! Não deixe de comentar, por favor.


Pois é, Caio, eu tava pensando nisso enquanto escrevia aquele trecho sobre um escrotossauro de bicicleta ter apertado os seios da Yasmin quando ela tinha 12 anos. Se o cara estivesse de carro (qualquer carro, carrão, carro popular, dane-se) ia dar mais medo ainda, porque aí a gente pensa que pode ser arrastada até o carro (bicicleta é mais difícil). Tem que ser muito idiota pra pensar que uma mulher nessa hora vai olhar o carro e pensar "Opa, é uma Ferrari, então pode apalpar meus seios à vontade, desconhecido!"
Não é assim que as coisas funcionam...

tacky niver disse...

lola e suas fãs me xingaram em coro de "arrogante" por usar as palavras "pedreiro" e "exuberante" num guest post...Coerência manda lembranças.

Anônimo disse...

Ao invés de 'eu não mereço', que tal 'eu não sou obrigada a' ou 'não estou afim de'?

Anônimo disse...

Lola como foi que você conheceu o maridão? quem cantou/paquerou quem, você ou ele?

Anônimo disse...

Nos iluminem então meninas, como devemos proceder em uma paquera? (Não estou falando de grosseria, e sim de interação normal, de um homem interessado em uma mulher)
Eu sei que a gigantesca maioria de vcs aqui, mantem distância quilométrica de homem a vida toda, mas as poucas que tem ou tiveram namorado, quem tomo a iniciativa, e como foi?

tacky niver disse...

complementando meu coment anterior q possivelmente será censurado:

vc lola me conhece pessoalmente pra vaticinar minha suposta arrogância e dando a entender q fiz por merecer as violências q relatei no guest post? não.

Também não a conheço pessoalmente - e nem quero - pois de gente prepotente quero muita distância

Anônimo disse...

00:07, paquerar de olhar é normal. No meio da rua ou em lugar público não dedicado à interação, não deve passar disso. Se for numa festa, balada, casamento, etc, pede alguém pra apresentá-lo/a à pessoa ou tente uma aproximação gradativa se ela/ele sustentar o olhar. Se virar a cara, esquece. Minha opinião.

lola aronovich disse...

Nossa, como tem trollzinho chato por aqui... Tacky, ninguém sabe quem vc é, ninguém liga, então vai passear, tá bom? Junta aí com o anon das 00:07 que acha que as mulheres daqui mantem "distância quilométrica de homem a vida toda".


Anon das 00:03, minha vida é um livro aberto. Já contei como conheci o maridão. Aqui e aqui (com fotos!). Deleite-se. Claro que a Tacky ou sei lá quem vai dizer que estou jactando-me por ter um maridão, mas fazer o quê? Ele faz parte integral da minha vida há muitos anos, eu o amo e sou correspondida. Não vou esconder isso no meu blog pessoal, né?

tacky niver disse...


Trecho do - este sim! - excelente texto da Marília Coutinho:

"O mesmo que ouvi na minha adolescência por parte de “companheiros” stalinistas: “a mulher burguesa que se veste com mini-saia merece o estupro do homem trabalhador porque expõe a ele o que, por barreira de classe, ele não pode ter”. Não é chocante? “O que ele não pode ter”, ou seja: minha bunda é um objeto caro, que chato, coitado do pobre que não pode comprar este objeto. Tudo bem então se ele roubar ou tomar a força esse objeto. Afinal, é uma situação injusta em que ele, pobre, é excluído da possibilidade de comprar ou obter este objeto"

Anônimo disse...

Por favor, fala agora do Desembargador tarado senão a sawl vai ter outro treco.

Natalie disse...

Eu acho algo muito engraçado nesses mascus que soltam cocô pela boca na rua. Sabe, eu sou muito criticada porque tenho piercings, cabelo colorido e tatuagens e segundo os mascus, é coisa de puta e de macho e não vale a pena mexer com mulher assim. No entanto, perdi a conta de quantos "gostosa" e grosserias nojentas eu ouvi na rua. Eu sempre respondo à altura.

E é claro, depois vem "ô sua vadia" e eu mostro o dedo médio. Se o cara vem atrás, aí eu corro pra longe. Despistei vários. É isso, eu NÃO consigo ficar calada. E é como a Lola disse: Responder sempre... Que der.

Meu marido nunca precisou falar grosserias para me conquistar. Se ele falasse, nem conseguiria.

ô anon 00:07... ZOMG, você não sabe como chegar numa mulher sem soltar grosseria? Pela sua pergunta, foi o que pareceu. E também para sua ignorância, muitas aqui são casadas, tem namorado ou ficante, sabe? Essa "pérola mascu" que feminista quer distância de homem já deu.

Anônimo disse...

Natalie, muitos homens não sabem mesmo chegar numa mulher. Eles têm medo. Contaram pra vc não?

Anônimo disse...

"Meu marido nunca precisou falar grosserias para me conquistar. Se ele falasse, nem conseguiria"
-
E como foi que VOCÊ o conquistou?
Pela sua resposta nota-se que você e muito exigente em relação ao comportamento do homem em relação a você, e se ele não se adequar s suas exigências, ele "nem consegue"
Justo!
Mas e quanto as expectativas e tal homem em relação a você, você acha que são validas,para que ele tenha sua benevolente e superior atenção? Ou e muito machista que tal homem que se relaciona com você tenha identidade própria em vez de ser um boneco de massa a ser moldado pelo seu feminismo?

MonaLisa disse...

Tudo errado.

Não tinha que ameaçar falar com a síndica. Tinha que ter falado logo, feito BO, processado logo.

Até quando será esse pacifismo feminista. Eles não pensam duas vezes em fazer as mulheres serem despedidas por ter vídeo de sexo caído na net ou ter sair com um cara casado do serviço ou qualquer outro 'crime' feminino.

Mas as mulheres ainda vão ameaçar. tsc

Se o cara segue seus "instintos", não consegue se controlar ao ver uma mulher tem que mexer com ela, que seja mandado embora do serviço e vá viver na rua ou morar no meio do mato.

Fosse um gay que mexesse com eles, eles partiriam pra porrada e iriam até o inferno pra não passar por isso. Mas as feministas ainda querem educar o meliante. tsc

Como naquele link que postaram aqui que um ex presidiario foi contratado como porteiro de um prédio, estuprou uma funcionária, ela contou pro chefe e mandaram ela embora. Uns dias depois ele estuprou e matou uma moradora do prédio.

Julia disse...

Outra coisa que me chocou também foi a insinuação de que ela falou porteiro como ofensa. Desde quando isso é ofensa?
Não sei.. tem uns lugares que tem uns xingamentos exóticos.

Vai ver que no Rio "porteiro" é xingamento. Como se não bastasse usarem o gentílico do estado alheio pra tentar ofender ou outros..

Mas talvez isso tudo sirva pra algo bom. Talvez a Juliana se interesse em aprender mais sobre feminismo pra não falar mais besteira.

Julia disse...

ô anon 00:07, porque esta perguntando sobre paquera se o assunto do post é assédio, grosseria e violência? Como você fez essa associação?

Roxy Carmichael disse...

Simples: tomei a iniciativa. Anonimo das 00:07. Como ja havia feito várias vezes antes. Ja o havia registrado em classe. Um dia por coincidencia sentei ao lado dele e conversamos. A conversa prosseguiu nos outros dias. E num belo dia escrevi um email pra ele. As conversas prosseguiram por email e em classe. X anos depois, cá estamos nós dois com as escovas de dentes juntinhas. Ele sempre reprimiu amigos que mexem com desconhecidas na rua, nao alardeia suas conquistas aos quatro ventos, tem excelente senso de humor, inteligencia destacavel, mas acima de tudo é um cara muito correto, ético e solidário. Entao foi umas das melhores decisões que tomei na vida mandar aquele email.

Roxy Carmichael disse...

Sobre o texto de ju foi interessante como ela registrou o conflito de duas minorias impondo seus privilegios. Gostei tb quando ela atentou pras limitações do feminismo branco. Concordei com a critica a uma obsessão asseptica. Vi isso varias vezes, mulheres brancas dizendo que feminismo nao deve se cruzar com raça ou ainda um patrulhamento bem autoritário, como por exemplo no post sobre nelson rodrigues. E como carla rodrigues comentou no texto de ju existe uma agenda moralizadora no feminismo. E isso é bem preocupante. Esse texto de marilia coutinho mesmo é assustador. E numa cruzada anti porno; feministas ja se associaram com o pior de uma direita religiosa lá nos anos 70, 80. Dito isso, acho que ju pesou a mão pro lado da garota na medida em que foi demagogicamente condescendente com o cara. Pra isso generalizou e definiu a situação preto cantando rica branca como tipico e definiu como sintomatico o nao mencionar a policia e sim a patroa como imposição de privilegio de classe. Pra mim isso é mais sintomatico de como se desconfia da policia quando o componente gênero é central no delito. Achei que ela meio que encerrou a argumentação de yasmin (visivelmente alterada e visivelmente pouco conhecedora dum feminismo academico, ao contrário de ju) a um discurso classista sendo que inúmeras variaveis realocam a argumentação para o carater nao transitório do encontro deles: vc trabalha e eu moro aqui. Mas achei que se levantou um debate interessante pelo menos.

Anônimo disse...

Uma vez um cara de terno e gravata, loiro, alto e até bonito (se não fosse babaca) ficou me encarando com aquele olhar de "eu quero te comer". Ele não disse nada, não se aproximou de mim mas foi o suficiente para me deixar assustada, com medo, nojo e raiva.

Saí do campo de visão dele o mais rápido possível...

Coação, seja sutil ou indireta, é extremamente assustadora. Não interessa se o cara carrega uma valise executiva ou um saco de cimento.


Jane Doe

Anônimo disse...

OFF-

Ih, olha só...
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/06/06/a-misandria-de-malevola/

Male tears da vez:
'a trama não se centra em um pinto, vou reclamar"
Ou
"como assim o homem não salva a mulher? que absurdo! Mulher não pode ser salva por outra mulher"

É só fazerem um filme que a mulher é salva por outra mulher, ou se salva sozinha sem precisar de macho que é "misandria".

Raven~ disse...

Sou da turma da Natalie. Faço cara de nojo, xingo, respondo, mostro o dedo médio. Isso quando ouço neh? Pq passo metade da vida de fone de ouvido. Mas ATÉ parece que vou deixar folgado falar o que quiser.

Agora, gente, essa Juliana é um et? A pessoa é tão auto centrada no próprio rabo que desconhece 10% da realidade. Falando em desconhecer, quer dizer então que aquele cara de BMW que tentou me arrastar pra dentro do carro dele quando eu tinha 11 anos, deveria ter conseguido? Eu deveria ter consentido, afinal ele tinha um "carrão"? Serio, muita, mas muita babaquice pensar assim.

Anônimo disse...

A gente sabe que cantada não é elogio, que qualquer coisa que deixa uma mulher com medo de ser estuprada não pode ser considerada como elogio e que somos ensinadas desde criança a aceitar todas as merdas que o patriarcado enfia nossas goelas e ainda temos que ser muitíssimo gratas por tudo.

- Gostosa, sua puta, vou enfiar meu pau no seu cu e te arrombar todinha!

- Obrigada pelo elogio, Senhor Machista, muito delicado da sua parte, gostei muito pode continuar!

Mas e aí, o que efetivamente podemos fazer para contra-atacar esse assédio nas ruas, nos espaços, em todos os lugares?

Digo efetivo mesmo, em vez de ficar só reclamando por aí e sendo tida como exagerada, louca, histérica?

Eu gostaria de soluções.

Thata disse...

Lola,
Você é simplesmente fantástica!
Obrigada pelo ótimo post, no qual articula - "direto e reto" - os pontos centrais da questão.
O que posso dizer: "É isso. É exatamente isso. Ponto".
(uau!)

Sara disse...

Ontem fui a um Ato em repudio a revogação da portaria 415.aqui em São Paulo, sobre a questão do aborto.
A cidade ta enfrentando uma greve dos metroviários, e por isso não foram todas as mulheres q gostariam de ter ido, mas mesmo assim apareceu bastante gente, eu e a filhota demos uma jeito de ir.
Pois acredite ou não estávamos lá reunidas, e um cara visivelmente bêbado começou a importunar as mulheres, eu procurei me afastar do peça, mas não teve jeito ele veio me cutucar pelas costas, não tive duvidas me virei pra ele e o encarei nos olhos e disse q não gostava de ser tocada e q ele não fizesse mais isso, e q eu estava sendo educada com ele, queria ser tratada da mesma forma.
Pensei q ele iria fazer alguma arruaça, mas parece q foi o suficiente e ele não me importunou mais.
Mas não adianta Lola vc espanta uma dessas moscas machistas vem mais 100 pra atazanar.
Eu tive q voltar sozinha pra casa, e quando saia veio um infeliz atras enchendo as paciências, mas como estava no centrão de São Paulo, um lugar q esta cheio violência, resolvi é apertar o passo e sair logo dali.
Mas tb acho q quando for possível devemos mesmo reagir, e mostrar q a rua é publica e nos pertence tb.

Thata disse...

Notícia saiu no Portal Geledés sem ranço de (in?)consciência pesada de classe média (ref. ao vergonhoso e nojento post de Juliana Cunha), que J.Cunha retirou de si e projetou em todo o feminismo : http://www.geledes.org.br / o-dia-em-que-uma-estudante-cansou-de-ser-assediada /

Luh disse...

Taxou, vc conhece alguém que começou um relacionamento após o cara ter dito pra ela "gostosa" enquanto ela passava na rua?

Rose disse...

Para quem diz que é só uma cantada ou que é uma de elogio, eu pergunto: por que nunca, com nenhum tipo de cantada (elogiosa ou constrangedora), mesmo depois de eu deixar bem claro que não gostei ou que me senti invadida e constrangida, nenhum homem que me cantou pediu desculpas? Por que sempre que a mulher demonstra que não gostou da suposta cantada, eles respondem com mais grosseria? E por que sempre que a mulher reage à agressão, pouquíssimas pessoas a apoiam?
Creio que se nós mulheres começarmos a reagir em grupo a essas cantadas, eles não se sentirão assim tão fodões. Por que não dá pra ficar esperando que os caras simplesmente parem de assediar, é preciso reagir não só quando a vítima é você, mas especialmente quando não é com você.

Anônimo disse...

Foi certo o que ela fez, se eles acham que isso não é nada, que é zoeira, tem que mostrar o que é.

Se alguém faz besteira no trabalho ganha um esporro ou é demitido. E ele fez o que não devia no trabalho. Ele pisou na bola sim, tem que ser punido. Se ofendesse o cara que trabalha com ele também teria alguma reação.

Caroles disse...

Esse texto da Juliana foi péssimo. Ela ignora totalmente que gênero TAMBÉM É CLASSE. E que por mais rica que uma mulher seja, e mais pobre que o homem seja, ELE CONTINUA SENDO OPRESSOR. Qualquer homem se sente ~rei~ na presença de qualquer mulher. Sente que tem poder. Isso é fato.

Eu não sofro com assédio na rua, não sei pq. Sei que esse é um mal que toda mulher sofre, estando no padrão ou não, mas comigo nunca rola - ainda bem. Mas eu acho que tem que responder mesmo. É um jeito de mostrar que a gente tem poder sim, tem opinião sim, e que merecemos ser deixadas em paz.

notyourmari disse...

Caro 00:07,

Que tal esquecer esse negócio de "paquera", "pegação" como se tivesse regras próprias, e encarar como uma interação normal entre dois humanos adultos?

Da última vez que me "paqueraram", excluindo situações onde eu tomei a iniciativa e excluindo escrotossauros, e já faz alguns anos, eu estava num café-bar - lugar onde eu me sinto segura, não era um beco escuro nem uma rua vazia - e um rapaz puxou assunto sobre um qualquer coisa engraçado do cardápio. Ele em outra mesa, sem invadir meu espaço pessoal. Rimos juntos, e aí ele soltou um "posso me sentar com você?"

Eu estava lendo naquele momento, então eu podia realmente não querer falar com ele - e ele me deu espaço pra recusar caso eu não quisesse. Eu achei aquilo o máximo.

A gente ficou conversando até o estabelecimento fechar. Ele não forçou a barra em nenhum momento, não ficou tentando me tocar (nem meu rosto, nem minha mão, NADA), e conversou comigo de igual pra igual. Foi a abordagem mais bacana que eu recebi até hoje. "Mas Mari, como que você iria saber que ele tava a fim de você se ele não ficou tentando meter a mão em você?" - eu não sou burra, padawan, era só olhar pra ele. "Mas Mari, pedir permissão não é brochante?" - permissão é sempre necessário, só não precisa ser verbal. É só prestar atenção. Até um cachorro sabe quando um ser humano tá desconfortável ou com medo. É só tirar a cabeça do próprio rabo. Easy. (Mas claro, na dúvida pergunte.)

Olha que eu só dou bola pra alguém levando em consideração duas variáveis: conhecer a pessoa a ANOS, e tomando eu mesma a iniciativa. Geralmente eu fujo de homem desconhecido como o diabo foge da cruz - sou desconfiada, acho todos potencialmente ameaçadores e acho que as abordagens deles me desumanizam. Eu NUNCA, NUNCA dei espaço pra nenhum homem (nem pra nenhuma mulher, mas é porque elas não me querem -- *cof* ~hey, ladies...~). É possível dizer que me abordar e se aproximar de mim é dificuldade nightmare mode. Nem bom dia de desconhecido eu respondo.


Ao mesmo tempo, um cara uma vez já tentou "me cantar" numa rua escura, à noite, tentando bloquear meu caminho pra casa. (Apontei o spray de pimenta na cara dele - não atirei - e saí correndo.) Outra situação foram três caras (!) seguindo a mim e uma amiga numa rua deserta numa das partes mais perigosas da cidade, falando que éramos "gatinhas" e "ei, para aí, a gente não vai assaltar vocês não, vem conversar"

E eu tenho uns amigos que fazem campeonato de "piores cantadas". Eles abordam meninas na balada (NOTA: na balada, não é na rua!), fazem uma cantada ridícula, embora não chula ("oi gata se você fosse um lanche você seria um x-princesa"), e aí tem dois resultados possíveis: ou a menina manda o cara pastar (e eles de fato não insistem e partem pra outra), ou a menina ri e dá espaço pra eles conversarem. Funciona, ué.

Anônimo disse...

eu sempre passo pelo que a yasmin e outras milhares de mulheres passam na rua.

mas acho que a yasmin errou em duas coisas: nao denunciar pra sindica. tem que denunciar sim, por que nao denunciou? quando eu sou assediada por algum empregado de alguma empresa que eu possa identificar, sempre me dirijo à empresa pra prestar queixa. nao pode deixar passar.

a segunda questao é no final do video, quando ela fala algo do tipo "ele tem que respeitar o local de trabalho". (nao lembro se foi exatamente assim, ja faz uns dias que vi o video).

a frase dela deveria ser "ele tem que respeitar as mulheres, esteja onde estiver". e ponto final.

marluce.

Rebecca Souza disse...

Detesto esse tipo de assedio na rua,eu mando mesmo pra longe,chamo palavrão,e lógico sempre vem aquelas resposta``Sua gorda,devia agradecer por querer te comer´´,uma vez lembro que estava esperando o onibus perto de uma obra,e os caras não satisfeito em mexer,teve um que se encostou na grade pra passar a mãos no meu cabelo,reagi,puxando a mão dele pela grade e começando a torcer,só que lógico isso é facil,já que pratico artes marciais faz 10 anos,imagino se fosse uma menina mais fragil,ele iriam ficar assediando até onde quisesse.
Existe um uro imenso entre o que é um elogio,e um assedio,já ouvi elogios ,sim,que falavam do meu corpo,mas,eram delicados e eu estava receptiva,pq ,sim,pode ter momentos de sua vida que até um ´´que belos olhos´´se torne algo agressivo.
Essa historia que se fosse o cara branco bonitão,semana passada estava em São Paulo,e com alguns amigos e amigas,fomos ao bar,bem ao nosso lado estavam sentados dois caras,bem, padrão de beleza,um com carro da moda,que ele ia toda hora buscar seus briquedinhos eletronicos .
Sentados,falando de mulher,que eles amostravam no face ,e usando termos como ´´corpo de panicat´´,´´perguntei pro meu personal qual era a hora que tinha mais gostosa malhando(sério,rolou isso!),de repente,um que ,sim,poderia ser uma versão generica do Brad Pitt,começa a se direcionar pro nosso grupo e o ouço comentar com o amigo ``Coisa(sim,foi este o termo) que nunca fiquei foi com meninas,igual a essas,sabe,menina negras,ou com este estilo de roupa(estavamos de turbante ,com roupas bem alternativas)
Na hora ,sinto nojo deles,e do nada,ele me olha e diz:Nossa,adorei sua roupa,vc não é daqui,não é?
Nem respondo e já movimento meu grupo para ir embora ,quando passamos por trás deles,ele fala baixinho:esse bando de sapatão e viado,se acha mesmo!
Eramos coisas que ele nunca tinha ficado e agora nos achavamos...
Ps;sobre o texto do André Foresti,a melhor coisa,são os outros homens zuando horrores com a cara dele nos comentarios,e tipo sério que ele queria um beijo lésbico da angelina Jolie,em um filme da Disney???

Carol T disse...

Sou uma das mulheres que se sente ofendida com "Que lindos olhos!".
Já fui abusada. Já ouvi tantas "cantadas" grosseiras. Já ouvi "cantadas inocentes" como "Que lindos olhos!" evoluírem para "Te chupava todinha!".
Por isso cada vez que escuto uma "cantada inocente" já entro em pânico. Já temo pelo que vira em seguida.
Não pedi pela opinião de ninguém sobre meu peito, minha bunda , nem meus olhos. Não me sinto bem quando um completo estranho que nunca nem falou comigo já chega me avaliando.
Tenho medo de reagir e muitas vezes não faço. Mas algumas vezes já reagi e depois troquei minha rota.
É triste ter que trocar de roupa pra sair de casa e (obviamente) isso não adiantar. É triste ter que passar por outro lugar. Isso tem que acabar!

Anônimo disse...

3:32, pois é, os homens contam com nossa fuga, nosso silêncio, nossa passividade e por isso eles usam e abusam de nós, seja verbal ou fisicamente. Afinal, eles podem ser perigosos, agressivos, que nem as bestas feras do zoológico, né, Lola? Melhor se afastar. Mas eles são nada menos que nossa própria espécie, soltos na rua. O zoológico é aqui!

@Mona Lisa: concordo 100% c/seu comentário.

Jane Doe, se você fosse outro homem,

Anônimo disse...

Lola, quando postei essa reportagem no meu facebook, apareceu um idiota dizendo: "ah, a moça só quer aparecer. Daqui a pouco entra na Playboy". Eu fiquei: "heim? quer dizer que respeito é querer ter fama? Pois se for assim, meu amigo, quero ser putamente famosa. Mas é fácil você julgar a moça sendo homem. Não precisa escutar desconhecido falar sobre seus peitos e sua bunda". Cada vez que leio um estúpido defecando palavras, tenho vontade de enfiar a mão na cara do sujeito.
Ótimo artigo, Lola!

nadiaschenker disse...

Quando vi o caso da Yasmin, por indicação da Sawl, nem pensei em "erro" por parte dela, ou em "ela não é feminista acadêmica". É o seguinte. Reagir é tão, mas tão difícil!!! E ela reagiu, estava visivelmente tensa, enfrentando uma situação nova e totalmente desfavorável para ela. Mas fez o que pode, se controlou. Eu sinto como se as mulheres estivessem, agora, dando os primeiros passos para afastar o assédio. Quando eu tinha uns 13 anos e minha irmã uns 11, um homem se esfregou na gente em um ônibus que estava quase vazio! Estávamos em pé no corredor. Eu reagi e nem foi por mim, mas por minha irmã. Ele veio pra cima de mim nervoso e eu pedi desculpas!!! Sim, eu me odeio porque "eu pedi desculpas" por tê-lo importunado com minha tímida indignação de menina de 13 anos. Enfim, o que importa é que a mulher está tomando consciência de seus direitos e de seu espaço. A Yasmin, enfrentando o medo e a vergonha, fez a sociedade engolir uma verdade que é afastada a todo custo: a de que ela é um ser humano dotado de direitos e de dignidade. E vai passar a lutar por esse reconhecimento, gostem ou não, Srs. Porteiros ou Srs. Empresários. E, claro, vcs não esperam que os privilegiados "morram quietinhos", né gente...

Anônimo disse...

Lola quero que você responda com toda sua coerência feminista.
Se não é verdade que todas as mulheres são interesseiras, então porque que todos os casais que nos vemos na rua o homem sempre tem mas dinheiro que a mulher?

lola aronovich disse...

Não dá pra responder pergunta tão estúpida, anon das 13:01, que já parte de premissas completamente erradas. Por exemplo, "se não é verdade que todas as mulheres são interesseiras". Pô, claro que não é verdade. "TODAS" as mulheres, assim como "todos" os homens, é gente pra chuchu, não acha? Como vc pode generalizar desse jeito, falando uma coisa totalmente descabida e colocando um "SE" no começo? E quem são o "nos" dos "todos os casais que nos vemos na rua"? É vc e quem mais? Que ruas? Como vc sabe que o homem daquele casal "sempre tem mais dinheiro que a mulher"? Eles vem com o saldo bancário na testa? Tipo, eu tenho mais dinheiro que meu marido. A gente sai na rua. Eu conheço vários outros casais em que a mulher ganha mais do que o homem, mas sabe, são casais. Não há uma competição entre eles pra ver quem ganha mais. O que se ganha é do casal, da família. Mas, em geral, apesar das mulheres já serem quase 50% da força de trabalho no Brasil, e apesar de 37% das casas já serem "chefiadas" por uma mulher, as mulheres ainda ganham quase 30% a menos que os homens no Brasil. Se uma mulher que ganha menos (até na mesma área!) se junta a um homem que ganha mais, ela está sendo interesseira? Se o homem fizer o mesmo, ele está sendo interesseiro? Pra vc todo tipo de relacionamento é por interesse financeiro, é isso? Seu mundo deve ser muito triste.

Anônimo disse...

13:01, é o seguinte: O dinheiro está quase todo, senão todo, com raras exceções, nas mãos dos homens. Aí acontecem duas coisas: Ou a mulher ganha dinheiro trabalhando para os homens (OS HOMENS FAZEM A MESMÍSSIMA COISA, OU SEJA, GANHAM DINHEIRO DE OUTROS HOMENS AO TRABALHAREM PARA ELES),quase sempre ganhando MENOS seja por desempenhar trabalhos menos remunerados, ou por serem preteridas em favor dos homens nas promoções ou por ser mulher mesmo, ou ela ganha dinheiro via comunicação entre familiares, seja pai, avô, marido, filho, O QUE ACONTECE COM OS HOMENS DE IGUAL MODO, VISTO QUE FILHOS HOMENS TAMBÉM SÃO SUSTENTADOS POR SEUS PAIS E FILHOS E RECEBEM HERANÇA IGUALMENTE. Você deve saber que o direito de herança transmitia apenas aos filhos homens até bem pouco tempo.

Pois é, homens ganham dinheiro de homens. Mulheres ganham dinheiro de homens. Mulheres ganham dinheiro de mulheres. Homens ganham dinheiro de mulheres. (HÁ MUITO MAS MUITO HOMEM MESMO VIVENDO ÀS CUSTAS DE MULHER, PRA SEU GOVERNO).

Satisfeito?

Anônimo disse...

Num casal de gays homens, quem ganha mais? Se um deles ficar em casa, vai ser sustentado pelo outro. Então teremos homem tendo menos dinheiro que outro homem numa relação homoafetiva.

Se ambos forem profissionais competentes, provavelmente terão rendas equivalentes, porque os homens, mesmo os gays, ganham melhor que as mulheres muitíssimas vezes. Se ambos ganham bem e não são interesseiros, porque estariam juntos, hein?


Anônimo disse...

Falando na mulher ganhar menos, essa semana eu li uma matéria um pouco antiga. Eu não pensava que o descompasso chegasse a esse ponto.

Olha o título: 'Primeira CEO mulher da GM ganha metade de antecessor'.

Sobre as 'cantadas', já tem muitos anos que eu reajo. Em geral eu mostro o dedo do meio. Normalmente não da tempo de ter outra reação porque os caras mexem qnd estão dentro do carro, bicicleta, ou quando você já passou...

Uma vez li um relato de uma menina que foi conversar com os homens de uma lanchonete que mexiam com ela todo dia. Explicou que era ofensivo, que incomodava, que ela passava lá todo dia e etc. Depois disso pararam de mexer com ela e até reprimiam algum outro 'engraçadinho'. Acho que foi positivo...

Anônimo disse...

Ótimo post...
Infelizmente nem sempre a defesa é algo viável, os assédios começam muito cedo, com 10,12 anos, fico pensando como uma criança pode se defender de um assédio, mesmo que verbalmente, de um cara que tem 20, 30 anos,por exemplo?
Acho que qualquer mulher,ao ouvir uma simples buzina ou um 'fiu-fiu', sente-se como uma criatura que não consegue impor o mínimo de respeito. Impossível alguém que sofre com isso ver a situação toda como um elogio, mas a mídia divulga "remédio de baixa autoestima p/ mulher é passar na frente de uma obra" (como se apenas homens de classe média fossem os agressores). Isso tem um impacto muito grande na vida das mulheres, como o medo de sair de casa e até uma espécie de sociofobia, de reclusão.
Ainda por cima, temos que lidar com o pensamento coletivo de que "mulher é interesseira", é a mesma coisa que dizer, "tenho um pau, logo, tenho bom caráter".

Passa um grupo de homens na rua e você tem poucas alternativas: olhar pro chão e torcer para que não mecham com você, atravessar a rua ou trocar de caminho.

Anônimo disse...

Os homens são interesseiros no último. Ser interesseiro é sobreviver. Toda a economia está baseada no interesse pelas finanças dos outros e no patrimônio que o planeta possui. Sai dessa, 13:01.

Anônimo disse...



sabe que o homem daquele casal "sempre tem mais dinheiro que a mulher"?

RESPOSTA: É fácil percebe quando uma pessoa tem mas dinheiro que a outra,não se faça de burra.


apesar das mulheres já serem quase 50% da força de trabalho no Brasil, e apesar de 37% das casas já serem "chefiadas" por uma mulher, as mulheres ainda ganham quase 30% a menos que os homens no Brasil. Se uma mulher que ganha menos (até na mesma área!) se junta a um homem que ganha mais, ela está sendo interesseira?

RESPOSTA: claro que elas vão estar sendo interesseiras.
Outra coisa esses dados que você citou são tendenciosos, pois eu não acredito que uma mulher ganhe menos que o homem pra fazer o mesmo serviço,eu nunca vi um classificados de emprego dizendo que mulheres poderão ganhar x e homens y,para fazer o mesmo serviço, você já viu? se já poderia me mostrar o link de onde você viu isso?

todo tipo de relacionamento é por interesse financeiro, é isso? Seu mundo deve ser muito triste

RESPOSTA: É verdade.Eu não digo que as mulheres sejam interesseiras só no aspecto financeiro, mas no geral, a realidade é que as mulheres são hipergamicas. E a sociedade sempre manipulou os homens, para benefícios das mulheres e não ao contrário.




















As mulheres criaram o feminismo pois sempre querem levar vantagem em tudo.

Anônimo disse...

Essa história de q mulher não gosta de """elogio""" só pq é de pedreiro realmente não cola. Se isso fosse verdade, nós não sentiríamos tão humilhadas qdo somos assediadas no trabalho, por chefes ou superiores, ricos e engravatados. A gente ficaria eternamente agradecida, com a auto estima elevada, pq é só transar c/ todo mundo no escritório p/ conseguir promoção. É assim q mulheres se tornam CEOs. Affff

Anônimo disse...

Essa história de q mulher não gosta de """elogio""" só pq é de pedreiro realmente não cola. Se isso fosse verdade, nós não sentiríamos tão humilhadas qdo somos assediadas no trabalho, por chefes ou superiores, ricos e engravatados. A gente ficaria eternamente agradecida, com a auto estima elevada, pq é só transar c/ todo mundo no escritório p/ conseguir promoção. É assim q mulheres se tornam CEOs. Affff

Anônimo disse...

Quiiiii, acorda, 14:39, o mundo é dos homens. Para o bem e para o mal. Ponto final.

14:14, olhar pro chão NUNCA. Olhe pra cara de cada um deles. Olhar pro chão ou pro outro lado não faz vc desaparecer, só deixa o terreno livre pros outros se sentirem à vontade. Se tiverem cara de assaltante pp em dupla, olhe bem pra cara deles e dê distância razoável. Mas preste atenção na rua, nos carros. Numa fuga mal feita você pode se dar muito mal.

Anônimo disse...

15:13, assediada no trabalho é fácil de contornar. Torne público o assédio. Os homens fazem isso porque nossa reação é zero. Eles folgam com quem eles podem, entende? Fale grosso. Faça cara de poucos amigos. Mulher não tem que ser essa docilidade, essa fêmea infantilizada. Mande à merda. Sacou?

Anônimo disse...

Não li o texto inteiro do Foresti porque 1) é imbecil e 2) cheio de spoiler. Parabéns a Angelina Jolie, a mulher mais bem paga de Hollywood, cujo cachê chegou a 33 milhões de dólares. Só que ela não entra nem na lista dos 5 mais bem pagos de Hollywood. Sabe o vencedor? Robert Downey Jr com 75 milhões. A segunda mulher mais bem paga não entra na lista dos 10 mais se não me engano. Então desculpe se não acho Hollywood (ainda mais a Disney) misandrica.

Y ♥ disse...

Eu vi o vídeo há um tempinho, Lola, e ele me lembrou as minhas próprias histórias. É difícil pra mulher reagir, seja qual for a classe do cara, e a gente ainda escuta essas opiniões absurdas de outras mulheres. É complicado ver o quanto o machismo está internalizado nessa sociedade.
Eu cheguei a ouvir de uma amiga que um dia eu ia "levar uma voadora pra deixar de ser metida a valente", como se por constranger um agressor eu cometesse um grande crime.
Ainda assim eu não me calo, e aplaudo a Yasmin. Não temos que aceitar uma agressão verbal, venha ela de onde vier.

Anônimo disse...

16:00, precisa ver quem paga esses atores top da lista. São mulheres? não, são homens. Esprit de corps, oops, esprit de genre, né?

Marilia disse...

Eu vi o vídeo da Yasmin e não vi nada de classismo nele. Vi apenas alguém externalizando uma indignação que deve ter se acumulado durante muito tempo! Pra mim fica bem claro que isso não se dá pelo fato de o assediador ser negro/porteiro e sim pelo incômodo de ter de passar todo dia pelo assédio!

Estão fazendo com a Yasmin o mesmo que fizeram com aquela moça que fez o documentário do fiu-fiu em Bruxelas. Como ela filmou as """cantadas"""que recebia num bairro de imigrantes, acusaram-na de xenofobia. É incrível como a questão de gênero vai sendo empurrada lá pro fim da """hierarquia de opressões""": classe, origem, etc, tudo parece vir primeiro. Claro que o feminismo deve abordar questões de classe, raciais e etc, mas assédio é assédio vindo de onde vier e, portanto, não é perdoável e deve ser combatido.
Também achei equivocadíssimo, por esses motivos, o texto da Juliana Cunha. Uma pena, pois sempre gostei dos textos dela.

Também não concordo com os comentários aqui de que a reação da Yasmin foi "errada" ou que ela pecou por não ter denunciado. Se já é difícil pra muitas levantar a cabeça e responder, que dirá denunciar? Não é nada produtivo criticar as reações, cada uma vai ter uma reação à sua maneira, e o que devemos fazer é um trabalho de empoderamento pra que cada vez mais mulheres sintam-se aptas a reagir. Mas também devemos respeitar quem tem medo ou não se sente confortável para fazê-lo.

Anônimo disse...

O texto da Juliana Cunha é problemático mesmo, pois simplifica demasiado algumas questões, além de colocar a Yasmin como culpada por ter reagido, mas não acho que dá pra jogar todo o conteúdo fora, sabe. Achei ridículo ela ter chamado as cantadas de rua de "piadinha". Chamar mecanismo de opressão de piadinha é dose. Ela citou, mas não desenvolveu a contento, um ponto importante, considero sim uma questão também de classe, mas vinda do porteiro: a de se colocar na condição de avaliador da moça, porque, pode não ser da mesma classe, mas ainda é homem. Considero que isto é algo que une homens brancos, negros, ricos ou pobres: o privilégio masculino de se utilizar da rua como um espaço exclusivo dos homens, e de poder avaliar o corpo feminino como se este fosse público, por estar na rua.

Anônimo disse...

Que coisa, quando eu tinha 13 ou 14 anos e voltava na escola a mesma coisa aconteceu cmg. Um cara (q devia ter uns 50 ou 60 anos) de bicicleta apertou meu peito. Me lembro que parei de andar por aquela rua e passei a fazer outro caminho.. Nunca contei pra ngm isso e é estranho pensar q mesmo na época nem passou pela minha cabeça contar porque sei q meus pais acreditariam em mim e tomariam uma atitude

Anônimo disse...

Não sabia desse caso ou do post da juliana mas assim que li que era porteiro sabia que alguém não iria perder tempo em fazer um texto reclamando do feminismo branco. Não há dúvidas que há problemas de racismo e classismo no feminismo mas tem feminista que agora quer desviar o assunto sempre pra esse lado e enquanto isso os homens seguem em paz. Que mundo é esse em que só mulher rica e branca anda na rua? A gente vive num país em que menininhas passam por isso

Raven~ disse...

X princesa. Huashuahsu x princesa. Que ótimo.

Estragadinha disse...

Passando na TV agora: caso vai na justiça e o porteiro reclamando que sofreu agressão física e que o episódio lhe rendeu problemas familiares. Ah, na hora de cantar moças grosseiramente não pensou nisso, dá licença!

Luiza Original disse...

Anônimo que acha que toda mulher é interesseira: continua chorando, tá engraçado!

Edson disse...

Sou homem. Negro. Porteiro.
Mas jamais assediarei uma mulher. Nem na hora do meu serviço e nem fora dele.

Anônimo disse...

Valeu, Edson. Eu também não conheço porteiro abusado que nem esse que a Yasmin peitou.

Diogo disse...

Lola, gosto muito do seu blog, leio com frequência já há algum tempo, mas nunca havia postado nada aqui nos comentários. Vou escrever dessa vez porque não concordo inteiramente com a interpretação que esse texto da Juliana Cunha tem recebido e pensei que talvez seja possível levantar uma outra leitura.



Do modo como eu vi, o ponto central não é a discussão sobre por que naquele caso concreto teria o homem praticado aqueles atos horríveis com a mulher quando ela passava por aquele local, mas é sobre como é frágil o discurso crítico que não leva em consideração a forma com que se articulam as múltiplas formas de opressão. A discussão é totalmente abstrata e alguns aspectos do triste episódio que se passou com a Yasmin Ferreira funcionam meramente como instrumentos do qual a articulista se vale para ilustrar alguns argumentos. É, portanto, não uma defesa do opressor, não uma crítica à oprimida, mas um ataque a uma concepção ingênua que às vezes alguns tem da opressão de gênero.



Não achei, nesse sentido, que o artigo de modo algum busca justificar ou relativizar a conduta do ofensor com base em sua condição étnica e social, sustentar que homens negros e pobres não assediam igualmente mulheres negras e pobres, e, muito menos, dizer que mulheres brancas e ricas não se sentem tão indignadas quando são molestadas por homens brancos e ricos do que quando são importunadas por homens negros e pobres. Ele não quer culpabilizar a estudante, transformando oprimida em opressora, e não quer defender o porteiro. Quer apenas apontar os limites do que a autora chama de "feminismo branco e de classe média", um conceito que tem sido (muito mal) interpretado como a reação daquelas que a articulista pensa não terem direito a indignação, mas diz respeito tão somente a um discurso crítico incompleto



Olha, eu moro bem perto de onde a história se passou. Atravesso na frente daquele prédio todos os dias e, por causa do calor dos infernos que faz aqui no Rio, normalmente vestido com roupas leves, como bermudas e camisetas. Nunca sofri nenhum tipo de violência naquele local ou em qualquer outro aqui por perto (na verdade, tenho ciência que, por ser ainda por cima branco e hétero, sou cheio de privilégios e dificilmente haveria algum lugar no qual eu pudesse experienciar opressão contra mim). Não é o que ocorreu com a Yasmin. Unicamente por ser mulher, todos os dias ela está sujeita a passar por situações inadmissíveis como a que levou ela a reagir naquele dia, conforme capturado no vídeo. Se ela, exatamente como eu, se vestir de forma compatível com as temperaturas que fazem aqui, acredito que é possível que receba também olhares de censura, novamente pela única razão de ser mulher. Isso só pra dar um exemplo bobo de dois tipos de agressão a que sei que as mulheres estão expostas diariamente.


Diogo disse...

Quero dizer com este exemplo que é ridiculamente mais simples pra Yasmin do que pra mim perceber que essas violências não são coincidências, mas uma expressão de uma situação de subjugação social. Se é talvez um pouco difícil pra membros da classe média branca compreenderem o classismo e o racismo, há uma forma de opressão que muitos destes membros podem perceber facilmente, já que são vítimas dela: é a opressão de gênero. Todas as mulheres sofrem com ela, sejam elas ricas ou pobres, sejam moradoras da Francisco Sá ou do Pavão-Pavãozinho. Vocês mulheres não apenas são capazes de compreender o machismo num nível que que nós homens não somos, como notaram a existência dele muito antes. O mesmo acontece com as minorias étnicas em relação ao racismo, com os gays e com as lésbicas em relação à homofobia, com xs transexuais em relação à transfobia etc. Não é por acaso, aliás, que outras duas formas de opressão que acredito serem tão reais quanto as mais discutidas racismo e sexismo não sejam tão recordadas: a violência exercida pelos seres humanos contra demais espécies (especismo) e a violência exercida por adultos contra adolescentes e, sobretudo, crianças (idadismo).



Foi um tanto irônico que a Marília Coutinho, ao criticar o texto da Juliana Cunha, tenha mencionado os episódios de violência praticados pelos "'companheiros' stalinistas" (http://www.mariliacoutinho.com/feminismo-revanchista-feminismo-escatologico-feminismo-autoritario-onde-ficamos-nos-nao-queremos-isso/). Achei que o artigo da Marília, nessa parte em que ela conta das violências que sofreu na adolescência, trabalha com um tema que é justamente o cerne do artigo da Juliana: a fragilidade dos discursos críticos que não levam em conta o modo com que se articulam as múltiplas formas de opressão. Penso que quando a Juliana fala do "feminismo branco de classe média", ela está tratando de um problema parecido com aquele que a Marília experimentou, que foi um, digamos, "socialismo de homens". Só que no exemplo da Marília há uma pura e simples situação de opressão de gênero, ao passo que, no exemplo que a Juliana escolheu pra falar do tema, houve uma provocadora escolha de um caso complexo, no qual as circunstâncias de uma opressão de classe se davam no contexto maior de um caso de opressão de gênero.



Diogo disse...

Enfim... O que me pareceu, em suma, que o texto diz não é que "a estudante só se ofendeu porque o homem era negro e pobre; a história teria sido outra se este fosse branco e rico" ou "moças brancas de classe média entendam a situação de opressão vivenciada pelos pobres e negros e não se insurjam", como que quase todo mundo entendeu. Na verdade, o que eu pensei que o artigo quer dizer é algo como "há um tipo de feminismo professado por algumas moças brancas de classe média que é um feminismo desarticulado de lutas contra outras formas de opressão (o que é muito natural, dada a posição desfavorável desse grupo para percepção destas). Seria conveniente que ele fosse substituído por um feminismo mais completo, que não deixasse de perceber que a luta de outros grupos marginalizados, como o dos pobres e o dos negros, é a análoga à das mulheres, é uma luta de gente que também sofre de uma injustificável violência sistêmica e sistemática".



Penso que o artigo, por fim, no mínimo traz uma discussão interessante e tem vários insigths muito bons sobre a relação entre machismo, classismo e racismo (a minha favorita está na dolorosamente verdadeira noção de que o "corpo da mulher branca é uma das propriedades mais valiosas à ordem social brasileira" e é manipulado pra que seja um objeto de homens brancos). Não acha que essa interpretação merece uma chance, Lola? O "Um pinto contra Francisco Sá", afinal, foi escrito por uma mulher, que, eu tenho certeza, já foi assediada tanto por homens negros e pobres quanto por homens brancos e ricos - e sabe muito bem que não há nada de agradável em nenhuma das duas situações. Não é um texto que quer fazer coro com machistas (espero não estar sendo um!), não obstante muitos destes tenham feito uma interpretação errônea do artigo e gostado dele.

Diogo disse...

Lola, espero que não tenha ficado confuso o meu comentário, não sei se cortei ele direito, o postador tem um limite de caracteres... Um abraço.

Gle disse...

Eu ví a reportagem desta garota e concordei com cada palavra dela SIM! Não tem que se calar mesmo.
Porém, depois dela ter ganho meu 10 com estrelinhas, ela disse "meu namorado foi tirar satisfações com ele e ele simplesmente o ignorou." Aí eu pensei: QUE BOM QUE ELE IGNOROU! Imagina, hoje o negócio tá tão grotesco que a falta de ética de alguém ir lá "puxar briga" porque o cara "mexeu com a mulher dele" já é motivo pra pegar uma arma e colocar um ponto final na história!
Meninas, mulheres, jovens, adolescentes... MUITA CALMA NESSA HORA! Nada de violência. Vamos sim manter nossos direitos, mas vamos fazer isso com ética, sem agressão corporal! De ignorantes o Brasil já está cheio... Não sejamos mais uma!

Dani disse...

Diogo,
eu acredito que a discussão que a Juliana quis levantar tem sim sua relevância, no entanto me pareceu extremamente equivocado o exemplo escolhido. Na afobação de trazer um tema à tona, a Juliana reinterpretou uma situação à sua maneira, para caber no discurso que ela queria abordar. Eu realmente achei o texto de uma falta de empatia enorme com a Yasmim, no modo como ela é citada pela autora... não consigo ver em momento algum do vídeo o que a autora viu, pra mim naquele momento não houve classismo. Veja bem, não estou entrando na questão de existir ou não um feminismo branco e elitista(ps: eu realmente acho q exista)mas na situação discutida realmente não consigo compactuar com as colocações da Juliana.
Ela criou todo um contexto onde a estudante estaria desdenhando da posição do homem em questão (homem este que a estava assediando!) ao chamá-lo de porteiro (o que ele é, é xingamento?) e dizer que este estava em seu local de trabalho (estava mesmo) e deveria manter a ética (e não deveria?).É um pouco demais com estas frases fazer todo um discurso, onde supostamente a garota estaria sendo elitista. E como muitos já apontaram ao citar onde ela mora e onde estuda, ela estava apenas dizendo que aquela é a rotina dela, aquelas ruas tb são dela, ela realmente tem q passar por ali (não é absurdo ter que justificar isso??)
E, infelizmente, na situação apresentada teria mais efeito ela clamar pela falta de ética de um funcionário do que pelo direito de não ter seu corpo avaliado ao andar na rua, pq isso nós sabemos que que vai ser recebido como frescura da nossa parte.
Quanto às interpretações do texto da Juliana, vi sim que despertou alguns comentários e até a admiração de muitos machistinhas de plantão... não acho que a Juliana Cunha compactue com estas pessoas, nem que tenha sido esta a intenção dela, mas é o risco que se corre quando se interpreta algo a sua maneira, não é mesmo? A juliana deve bem saber disso.

Ta-chan disse...

Eu ia comentar sobre o texto da Juliana, mas o Diogo já falou tudo o que eu queria, de maneira muito mais completa.

Só uma coisa, alguém ai em cima disse que porteiro não é xingamento, não deveria ser mas é.Porteiro/pedreiro são forma masculina de domestica, que também não deveria ser xingamento e é usado como tal.

Concordo com tudo o que a Yasmin fez, mas a maneira como ela usa as palavras "porteiro" e "eu moro aqui" foi classista sim.Mas tenho certeza que se ela fosse rotineiramente importunada por um cara da classe dela ela reagiria da mesma maneira.

Diogo disse...

Dani,


Entendo sua opinião.


Realmente a articulista não poderia ter escolhido um caso mais delicado, né? A Yasmin Ferreira não sofreu aquela violência uma, duas ou três vezes. Era assédio todos os dias naquele lugar e já há algum tempo. Merece, antes de mais nada, no mínimo todo apoio por ter se revoltado.


Mesmo assim, eu não qualificaria como um exemplo equivocado. Certamente foi um exemplo perigoso (como comprova o fato de muitos machistas terem gostado do artigo) e provocador (se você é a mesma Dani do comentário do dia 7 de junho, que conhece outros textos da Juliana Cunha, sabe que ela escreve assim e parece não se importar em eventualmente assumir o papel de polemista). Mas, sem olvidar que está bastante claro que a Yasmin foi uma vítima, o exemplo me pareceu um pouco oportuno, porque o caso se deu numa situação em que a discursante estava muito nervosa e são nessas hipóteses que nossos preconceitos transparecem contra nossa vontade (eu, homem cis branco heterossexual de classe média, aliás, por ser cheio de privilégios, acredito que sou um forte candidato a disparar bobagens típicas de quem tem privilégios se observado numa situação de descontrole; tenho vergonha disso e espero que não seja verdade, mas creio que provavelmente devo ainda ser cheio de preconceitos que não percebo). Eu não conheço a Yasmin Ferreira, mas se tivesse que apostar, apostaria que ela é alguém simpática e trata bem todas as pessoas (pelo menos as pessoas que tratam ela de forma respeitável também), incluindo os porteiros com quem ela convive. Assim como também fazem muitas outras garotas brancas de classe média como ela. Mas o preconceito étnico e de classe existe entre a classe média branca existe é forte. E às vezes ele só pode flagrado com alguma clareza em hipóteses de descontrole.

Diogo disse...

Eu tendo a concordar com a Juliana quanto à presença de alguns marcadores de classe, embora não de todos que ela elencou. Se o opressor tivesse sido um homem branco e rico, consigo imaginar a Yasmin igualmente indignada, furiosa e dizendo da mesma forma coisas como estar cansada daquilo, ser aquilo nojento e uma coisa que não se faz. Consigo imaginar também ela ameaçando tomar providências com o empregador caso a situação se repetisse (neste ponto acho que a Juliana deu uma forçada; a Yasmin só estava optando por um meio à disposição dela pra fazer com que o cara lhe tratasse com um mínimo de respeito; fosse o ofensor um médico ou um engenheiro, penso que ela teria dito igualmente que iria se queixar à direção do hospital ou à presidência da firma). Mas, não sei, Dani, não é tão claro na minha cabeça ela falar na profissão do ofensor do modo como ela falou nessa versão do vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=5FtxzH3_Ldk) aos 0:29 se o opressor ocupasse uma posição de prestígio social.


Quanto ao fato de citar o local onde estuda e mora, sim, faz todo sentido elencá-lo. Só que, não sei se estou forçando, achei essa menção ao "Posto 6", ao invés do simples apontamento das ruas e do bairro, um pouquinho estranha também. Não sei se você mora aqui no Rio, mas o Posto 6 é a região de Copacabana que está colada em Ipanema e no Arpoador e é tida como uma área levemente mais nobre do bairro. Não entendi o sentido em chamar atenção pra isso. De fato, talvez seja forçar enxergar algum classismo aqui, mas em algumas das vezes em que ela diz "porteiro", pra mim, esse classismo está um pouco menos obscuro.

Diogo disse...

Enfim... talvez tivesse sido melhor se a autora tivesse dado mais ênfase ao fato de que a Yasmin indiscutivelmente sofreu uma violência, pra não dar margens a mal entendidos. Por uma opção estilística dela, isso não foi tão escancarado. No entanto, claro me parece que está lá no texto. Pra articulista, está fora de discussão que a estudante nesse caso concreto foi vítima do porteiro e teve razão ao reagir.


Confesso que também gostei da sua perspectiva de que ela só clamou pela falta de ética do funcionário ao invés de invocar o direito de não ter seu corpo avaliado ao andar na rua porque sabia que dizer diretamente a verdade pra um machista poderia não ter o efeito desejado. É um contraponto interessante também... Mas, enfim, acho que há discussão a ser feita e que talvez o artigo da Juliana Cunha não devesse ser tampado no lixo com tanta rapidez.

natalia disse...

Bom, penso que sou privilegiada. Não sou linda, sou, no máximo, bonitinha e este ano faço 50 anos. E, 99% das vezes que homens mexeram comigo, foi com elegância. Admito que gosto da elegância. Não vivo para isso, mas se alguém (que nunca vi antes nem vou ver depois) me faz um elogio, não vejo razão para me ofender.

Anônimo disse...

O problema do texto da Juliana é o mesmo da nossa sociedade, mesmo que considere que a mulher está certa, ainda tem que achar um ponto para culpabilizá-la em alguma coisa, ou na causa ou no efeito. Ficam peneirando as palavras da Yasmim pra descobrir se ela foi racista e classicista. Racista seria ter feito algum comentário pejorativo sobre a cor ou profissão do porteiro e isso não houve.
A intenção da Juliana pode ter sido boa, mas se tivesse sido ruim, dava na mesma. Ela não lançou nenhuma luz na luta contra o racismo, simplesmente desconstruiu o discurso de uma mulher que, sim é branca, sim é da classe média, mas se defendeu de algo que ocorre com brancas, negras, ricas, pobres e que é vindo de homens pobres, ricos, negros, brancos.
Juliana só deu mais munição pros machistas. Só isso.

Maria Valéria disse...

Não gostou da cantada porque veio de um negro/ porteiro ?

Ahh ta me engana que eu gosto,

No ano 2002, eu passeava pelo shopping d Pedro em Campinas, usando um vestido novo , bem bonito,.
Vi um rapaz bem bonito que devia ter minha idade : branco,engomadinho,cara de quem deveria ter nível universitário, e trocamos olhares.
Ele veio falar comigo , nos apresentamos , e ele elogiou , " você fica muito bem nesse vestido " ate ai, eu estava gostando ...." Fica tão bem no vestido que da vontade de TIRAR....vamos no meu carro agora ?"
Pronto , acabou a paquera, acabou a vontade , dispensei o cara e fui embora.
Um cara branco , engomadinho , nível universitário, que me abordou de uma forma bem grosseira, achando que porque dei uma piscadinha pra ele, eu tava a fim de transar no estacionamento do shopping d Pedro naquela hora.
Ta bom....

Anônimo disse...

Olá, Lola!

Chega de feminismo! Feminismo é artimanha do capitalismo, para aumentar a mão de obra, para o dono do capital, e derrubar o salário do proletariado. Além disso, é um movimento encabeçado por burguesas que tem nojo do povão.

https://www.facebook.com/APolemica/photos/a.322267881193957.76443.322155924538486/635639263190149/

Fala-se muito em mulher oprimida, mas um homem pobre na sociedade não é nada.
No post que enviei há claramente um viés elitista, classista e racista sendo desmascarado.
Um homem que provavelmente vive no prédio sem muito lazer e muito menos dinheiro para curtir a vida, sendo marginalizado por chamar uma mulher de “gostosa”? Ok, é uma palavra “chula”? A nossa sociedade não é cheia de palavras “chulas”? As músicas populares não são “chulas”? Playboys não vivem dizendo por ai palavras “chulas”? Por que os “juízes da moral e do bom costume” só condenam o pobre?
Sem contar que o homem é sempre obrigado a trabalhar para não ser visto como vagabundo ou parasita dos pais, o que acaba atrapalhando os seus estudos. Essa cobrança social é praticamente inexistente no caso de mulheres. Não é à toa que elas têm uma maior escolaridade. A sociedade machista não cobra da mulher ser “provedora”. Já o homem que não é “provedor” é marginalizado na sociedade.
Isso acaba motivando os garotos a entrarem pro tráfico, por exemplo.

Anônimo disse...

Anônimo das 12:03
Interessante que vc começa o seu texto bradando "chega de feminismo!" e no final, ainda que sem querer, acaba afirmando (o óbvio) que é o machismo que é responsável por muitos dos padrões de comportamento masculino que vc tanto lamenta. OU SEJA, NÉ. Dá uma pensadinha aí ;)

Anônimo disse...

Se for pra dar desconto em abuso ou assédio pelo fato do homem ser pobre ou negro, então vamos desistir do feminismo de vez, já que a maioria da população é negra ou parda e ganha baixos salários. 90% da população masculina já vai ter a desculpa pronta então.
O negócio é lutar por melhores condições de vida pra todo mundo e não ficar passando a mão na cabeça de homem opressor porque ele também é oprimido.

Thata disse...

Queridxs Lola & comentaristas,

O "Blog do IMS", ("blog", "ponto com"... http://www.blogdoims.com.br/)
APAGOU TODOS OS COMENTÁRIOS do obtuso artigo escrito por Juliana Cunha. Havia provavelmente acima de 100 comentários. A maioria deles contendo argumentos válidos e fortes, colocando em questão a posição da autora - e muito mais interessantes e críticos que tal posição.
Oops, mantiveram UM comentário:
"Excelente texto... está de parabéns Thiago"

O IMS não só demonstra (1) aversão ao debate democrático - os comentários publicados e, depois, apagados, já haviam passado por moderação prévia - mas também (2) cegueira deliberada à violência de gênero, além de (3) utilizar uma fachada de "consciência de classe" puramente como "marketing social" (classe sem gênero não existe, a não ser em discursos obsoletos).

Beatriz Wagner da Rocha disse...

Passo por situação semelhante a da Yasmin, pelo menos duas vezes por semana - ao levar o meu irmão para as suas aulas de reforço.
É relativamente próximo a minha casa, 10 minutos andando em linha reta. Mas essa linha reta tem um porém: tenho que passar pelo depósito de uma loja de móveis da região. Neste depósito trabalham muitos homens, que ficam sentados na frente, certamente esperando algum trabalho. TODAS as vezes que passo por lá, tanto com meu irmão quanto sozinha, recebo um "gentil" bom dia, seguido de risinhos.
Meu irmão sempre me questiona o por que de eu não aceitar esse "bom dia", porque, na visão dele - uma criança de 10 anos - é só um bom dia. Como explicar isso pra ele?

@dddrocha disse...

Lola, é nojento sair na rua. A pé, de ônibus ou de carro, somos assediadas. O tempo todo, todos os dias.
Ultimamente tem sido com mais frequência, não sei se pela reação das mulheres, nessa coisa do homem reafirmar seu território, ou se pelo lugar que moro, que está trazendo mais e mais homens para trabalhar na mineração, só sei que é um inferno.
E o mais supreendente é que os assédios tem acontecido quando estou acompanhada do meu marido também, é um terror.

Eu tenho reagido na medida do possível, geralmente observo se tem muita gente na rua ou se tem alguma loja pra onde eu possa correr caso haja perseguição...enfim, não é nada fácil. Se estou isolada, evito responder e saio do local o mais rápido possível.

Agora, sobre o texto da tal Juliana, sem comentários.

Bia Rosa disse...

Não importa a cor ou classe social, se o homem falou ou agiu de forma grosseira com a gente, nós não iremos gostar.
Um dia no shopping tinha alguns caras bem vestidos de terno que aparentavam ter uma boa condição financeira e ao eu passar perto deles,quase me engoliram com os olhos e ainda teve um que disse "delicia".
Os mascus devem estar achando que eu gostei mas pelo contrario fiquei muito envergonhada e brava, na hora me deu vontade de se cobrir (e olha que eu estava de regata e skinny ) e mesmo com meu irmão mais velho junto comigo, não adiantou nada.
Sinceramente não sei de onde eles tiraram essa ideia que são juízes para agirem desse jeito.Se reagirmos vamos de gostosas á barangas em poucos segundos.