terça-feira, 20 de maio de 2014

GUEST POST: HORROR SE APRENDE CEDO

Outro dia, vi num dos inúmeros memes feitos pra me caluniar que aqui no blog se fala tanto sobre estupro porque eu gostaria de ser estuprada. Não, estupidões, ninguém quer ser estupradx. Isso não existe. Próxima alternativa.
Ah, então se fala tanto de estupro aqui no blog porque eu já fui estuprada. Também não. Claro que eu, assim como praticamente toda mulher, também tenho minhas histórias de horror pra contar. Mas não é preciso ter sido estuprada pra reconhecer que estupro é uma chaga social (não individual) e lutar contra. Next!
Bom, então o motivo óbvio pra se falar tanto de estupro no blog é que eu quero ensinar as mulheres a temer todos os homens. Ahn, desculpe ser a primeira a te dizer isso, mas muitas mulheres já temem os homens. E isso não tem nada a ver com feminismo -- tem a ver com machismo. Não é o feminismo que faz uma mulher atravessar a rua apavorada ao ver um desconhecido numa rua à noite. Agora pense como seria bom também pros homens viver num mundo sem estupro. Um mundo em que as mulheres tivessem medo apenas de ser assaltadas. 
Também tem gente que acha que todos os guest posts sobre estupro publicados aqui são de minha autoria, obras de ficção. Porque, né, vivemos num mundo em que estupros são tão raros que uma feminista precisa inventá-los! 
A verdade é que relatos de estupro ou de tentativa de estupro são disparado o tipo de de relato que mais recebo. Talvez porque estupros façam parte indelével da nossa sociedade. O que vocês que fingem que estupros não existem estão fazendo para combater este horror? Alguma coisa, além de trollar blog feminista?
Este é o relato muito comovente da N.

5 anos. Minha mãe e eu na sala de espera de um consultório médico. Eu de saia cor de rosa, camiseta branca, fivelinha no cabelo. Eu estava despreocupada, como qualquer criança. Minha mãe bate no meu joelho e diz, meio brava, “Fique de pernas fechadas, filha, junta joelho com joelho, senão os homens podem olhar sua calcinha.” Lembro que fiquei um pouco impressionada com a ideia de homens tentando olhar minha calcinha, não entendia o sentido da recomendação, mas senti medo.
7 anos. Pesadelos recorrentes com um homem que me perseguia na escada da escola, queria me pegar e me matar, eu corria e ele chegava cada vez mais perto, e no sonho, eu sempre estava de saia. Depois disso, passei a usar muito calça e shorts, ou saia com calça, sempre associava saia com algum perigo estranho.
9 anos. Eu assistia novela das 8 da noite. Passou uma cena qualquer em que uma moça dizia que queria comprar uma calcinha vermelha, por ser mais sexy. Não sabia o que era sexy, mas achei engraçada a palavra e no dia seguinte disse a minha mãe que queria calcinhas vermelhas para ficar sexy. Ela ficou enlouquecida, me perguntou para que eu queria ficar sexy com 9 anos, para quem, que eu não iria ter uma calcinha vermelha de jeito nenhum, que calcinha vermelha é coisa de mulher vagabunda. Não entendi absolutamente nada.
12 anos. Estudava em um colégio de freiras. Uma amiga tinha dado um beijo na boca de um menino em uma festinha da escola, a escola inteira ficou sabendo, e umas semanas depois, em outra festinha, na casa de uma menina, havia dançado e beijado outro menino. Aula de educação física, com as duas classes do sexto ano, e só se falava que a L. era uma galinha. Foi a primeira vez que escutei a associação entre galinha e mulher. Na arquibancada da quadra de esportes, todos berravam: inha inha inha a L. é galinha! L. saiu correndo, chorando. 12 anos, de novo: 12 anos.
14 anos. Aula de ciências. Tema: a mulher tem ou não que se casar virgem? Só a mulher era a pergunta. Nessa época, eu tinha começado a fazer aulas de teatro, tinha conhecido umas pessoas mais velhas e bem mais abertas, tinha lido um bocado de coisa legal e estava me sentindo já um ET na cidade. Eu defendia que não, não era necessário. Eu era virgem na época, mas não achava que a mulher precisava casar virgem. A partir daquele dia, para o colégio inteiro, eu era rodada e transava com todo mundo, com certeza.
14 ainda. Missa de domingo. Sermão do padre para os jovens. O padre estava explicando sobre a necessidade da menina guardar sua castidade para o casamento, para o marido. E então, para não deixar dúvidas, pegou um caqui bem maduro e disse, “Vejam o que acontece se a mulher passa de mão em mão", e mandou que os meninos fossem passando e apertando o caqui. Depois de umas dez mãos, o caqui estava despedaçado. O padre pegou o caqui de volta, mostrou a todos o resultado final, e disse triunfante: “Então a mulher ficará assim, desvalorizada assim, e como vai conseguir entrar no matrimônio inteira?”
Lembro que fiquei muito nervosa, tinha certeza que eu não era um caqui, que nenhuma mulher era um caqui. Depois da missa fui atrás dele e disse que achava que não fazia sentido comparar a mulher com um caqui, que a mulher não seria menos importante se não se casasse virgem. Ele fez uma cara de compaixão, colocou as mãos na minha testa e começou a rezar em mim, pedindo para Nossa Senhora tirar as ideias malignas de minha mente. Fiquei mais nervosa ainda e saí da igreja tremendo e sem ar. Passei anos sem entrar em uma igreja depois disso.
15 anos. Meu tio, irmão de meu pai, que eu nunca confiei muito, eu achava que ele me olhava esquisito nas festas de família. Num almoço de família, ele chegou, me olhou de um jeito estranhíssimo, dos pés a cabeça, e falou: "Você ficou um mulherão, hein menina?" E colocou as mãos na minha cintura de um jeito muito invasivo. Eu disse “Obrigada”, baixinho, e passei a evitar ficar sozinha em qualquer situação em que ele estivesse no ambiente.
18 anos. Saí de casa, fui morar sozinha em São Paulo, trabalhava durante o dia, estudava Teatro à noite, minha vida mudou, minha cabeça mais ainda. Um dia, andando na rua, ao atravessar a rua, estava de salto, saia até o joelho, estava atravessando a rua para ir almoçar e um morador de rua, bêbado, chegou por trás de mim, bateu com o saco que ele carregava nas minhas costas e gritou: VAGABUNDA! SAI DA MINHA FRENTE. 
Eu caí no chão, tremendo e nervosa, em pânico, taquicardia, fui para um orelhão ligar para meu namorado que morava e trabalhava em outra cidade. Crise de pânico, andava na rua desesperada.
23 anos. Mudei de cidade duas vezes. Passei a fazer só teatro durante todo o tempo. Rio de janeiro. Faculdade. Cabeça, coração, vida e alma mil anos luz de distância da pequena cidadezinha católica. Frequentava  grupos de amigos privilegiados, pessoas muito abertas, artistas, um ambiente universitário também privilegiado. Parecia que machismo, homofobia e ignorâncias faziam parte de outra vida.
Até que um dia, um amigo meu, gay, viu um menino gay ser espancado na rua, na frente de um bar. Neste dia pensei muito sobre compaixão, deslocamento, capacidade de se colocar na pele do outro, o esforço de se comover com a dor do outro. Independentemente de quem seja esse outro.
25. Na praia com meu marido. Chegamos em um pedaço de praia quase deserto, entre pedras grandes, e como estava vazio, só eu e meu marido, decidi tirar a parte de cima do biquíni para tomar um pouco de sol nos seios. Já havia tentado fazer topless em outras praias um pouco mais cheias, mas a quantidade de cantadas, grosserias, olhares invasivos, é tanta e tão desconcertante, que desisti.
Como estávamos só os dois, achei que tudo bem. Estava tomando sol quando me senti subitamente estranha. Sentei, olhei para os lados, não tinha ninguém, olhei para trás, e atrás de mim, escondido no meio do mato, tinha um cara de sunga abaixada se masturbando. Dei um berro monstruoso. Ancestral. Acho que nunca dei um berro daqueles. Meu marido deu um pulo da canga. O cara saiu correndo. 
Eu me levantei, já com lágrimas e soluços, coloquei a roupa e saí correndo de lá, meu marido comigo. Quando chegamos em um lugar com mais gente, corri para o mar. Nadei por uma hora, chorando, me sentia suja, invadida, agredida. Foi a última vez que consegui acampar.
29. Saí do país. Fui morar fora. Morei em várias capitais da América Latina. Passei por muitas cidades do mundo, na Europa, nos EUA, agora estou na África e tenho 32 anos.
Em todas as capitais latinas que morei, e também na África, passei pelos mesmos problemas que todas as mulheres passam no dia a dia, grosserias variadas na rua, xingamentos, olhares invasivos e eterna preocupação em relação à roupa, transporte público, medo, medo, um estado de alerta permanente. Sem paz. Em algumas capitais da Europa sim, me senti segura em caminhar sozinha independente da hora e da roupa, mas isso só depois de um tempo.
Uma tristeza enorme tudo isso. E sei que minhas histórias são água com açúcar perto de tantas outras de horror.
Conheci seu blog há coisa de três anos atrás, e realmente me ensinou muito, me mostrou muito, me emocionou muito, e através dele pude compreender tanta coisa, pude me libertar de tantas outras, pude pensar melhor, ver e ouvir melhor. Obrigada Lola, esse email é para te dizer obrigada.
Hoje me considero feminista assumidíssima, digo com orgulho, presenteio amigas com livros feministas, sou casada com um homem assumidamente feminista e maravilhoso. Estou agora dando início a um  Mestrado em Literatura e entrando com um processo de adoção por aqui, porque tenho dificuldades em ter filhos.
Ler o que você escreve é libertador. Às vezes dolorido também, triste, enfurecedor, difícil, mas sempre libertador. Se cuide, porque você é muito importante para muitas mulheres.

57 comentários:

Anônimo disse...

Historia agua com açucar não! Achei seu relato maravilhoso! Porque é de "grão em grão que a galinha enche o papo". Passar por tudo isso, de maneira corriqueria é dose sim!!!! Fora os outros machismos do cotidiano.

Adorei seu relato. E fico feliz por você não ser um caqui! :-) E que padre estupido é esse? E que mulheres são essas que se deixam comparar com um caqui? E se o caqui fosse um homem (reparem no ridiculo desssa frase!) ele não seria estragado se passasse de mão em mão?

Como diria o sabio: tem hora que tem que rir para não chorar....

Beijo N, espero que você continue tendo coragem e doutrinando as pessoas as sua volta. #naosomoscaquis

Lia

Anônimo disse...

Mimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimimi.

Anônimo disse...

Comovente e triste relato ao mesmo tempo. Me identifiquei muito com a história dessa moça, tivemos trajetórias de vida parecidas, eu tb cresci em uma cidade pequena, atuo atualmente na área artística, vivi e passei por muitas cidades do mundo, inclusive África, onde moro atualmente. Fico pensando que esse tipo de trajetória de vida é muito comum, já que o envolvimento com o meio artístico nos ajuda muito a mudar os parâmetros de compreensão do mundo e consequentemente, nossos destinos. A tristeza é constatar mais uma vez que aprendemos a ter medo desde muito cedo, e nem todas as pessoas conseguem se livrar deste medo, as vezes isso nem é possível...

Anônimo disse...

Tristes histórias, mas são as histórias de todas as mulheres.
Desde meninas somos ensinadas a ter medo dos homens, a evitá-los, a vê-los como ameaças ou inimigos porque eles agem assim. E sabe o que eu não entendo? Por que esses mimzentos machistas agem como inimigos das mulheres e depois reclamam de serem vistos e tratados como tal? Por que eles assediam, ofendem, constrangem, abusam, estupram, ameaçam e matam as mulheres e depois ficam mimimi ofendidinhos por que as mulheres não os amam incondicionalmente mesmo que eles as tratem como lixo? Alô, isso dava pra ser até sinal de insanidade, né? Que tipo de idiota ou doido acha que mal se paga com bem? Quem disse a esses imbecis que ódio atrai amor? Merecem morrer sozinhos e desprezados por todas as mulheres.

Quanto a esse padre, por que não passou uma banana ao redor e mandou as meninas esmagarem pra mostrar como os meninos ficam se rodarem demais? Ah, claro, pq pra essa gente pênis não gasta. Bom, mas é padre, né? Não tem como ele saber de que jeito vaginas funcionam já que não tem acesso a elas. E a ignorância é a mãe de muitos males. Quando vejo esses hipócritas que comparam mulher a objeto ou coisa, nem discuto mais, só digo pra ir tomar no rabo mesmo. Não quero ter filhos, mas se algum dia tiver sobrinhxs, farei das tripas coração pra que essa gente não possa colocar tal conteúdo de fossa na cabeça delxs.

Anônimo disse...

Caramba!

Estamos lendo o post entre 3 amigas e conhecemos histórias muito parecidas que aconteceram dentro de igrejas! Como é possível assombrar as meninas desde cedo com essas histórias??

Anônimo disse...

Tenho uma história de vida muito parecida em alguns aspectos com a da autora do texto e lendo histórias de horror que se repetem sempre tão semelhantes entre tantas mulheres, dá um cansaço e um desânimo e fica uma pergunta: como transformar isso tudo? As vezes parece que não tem solução.

Ana Rafaelle disse...

Todas temos histórias para contar. Algumas terríveis e outras que na época nem notamos mas todas são graves. Quando eu tinha uns oito anos, um namorado de uma amiga da minha mãe veio falar comigo quando eu estava no meu quarto sozinha. Como era uma criança simpática sempre dava beijo e abraço em todo mundo. Lembro que ele veio segurou meu queijo e tentou beijar minha boca e beijou mas eu desviei o máximo que pude. Eu disse: olha meu pai já me ensinou, criança não namora com adulto, se você fizer de novo eu conto pro meu pai e ele chama a policia. Ele ainda disse: é brincadeira de amiguinhos. Naquele momento senti nojo da cara dele, do bafo de wisky mas me senti forte pois espantei um homem grande. Aquilo não ficou na minha cabeça, nem me traumatizou por minha sorte mas olhando pra trás vi varias outras "brincadeiras" feitas não só comigo mas com colegas, primas (os) que a gente não via maldade as vezes nem nossos pais. Ninguém quer divulgar estupro, pelo contrario o bjetivo é prevenir as vezes eles agem de formas que ninguém imagina, se eu não fosse espertinha e orientada será que ele não teria feito mais?

Jéssica disse...

O problema das feministas é que vocês acham que podem falar por todas as mulheres do mundo,no máximo falam por si mesmas.
Eu não saio na rua aterrorizada, achando que vão me estuprar a cada momento.
E é essa história de que todo homem é estuprador em potencial é puro terrorismo e não tem como levar à sério.

C. Santi disse...

Inspirador agradecimento. Venho aqui há um tempo também e sinto as mesmas coisas. Posso não ter passado por coisas tão ruins como outras mulheres, que precisaram de muito mais força, de muito mais coragem pra enfrentar essa luta. Mas, acho que todas acabam sentindo um pouco da compaixão que nos toma ao ler os relatos e os debates. Sim, aprendemos mais e desenvolvemos força quando nos sentimos parte da mesma realidade que nos subjuga dessa maneira. As situações são diferentes, mas, os sentimentos, os mesmos. Com certeza Lola nos trás relatos e textos que podem nos deixar tristes, com raiva, confusas e até mesmo frágeis, mas ao mesmo tempo nos deixa corajosas, confiantes, mais mulheres e inspiradas a lutar sempre por isso tudo, não importando o quão desgastantes seja. Sinceramente, obrigada Lola.

Marcia Baratto disse...

Me emocionei com o relato, profundo e verdadeiro.

Cara Jéssica, este post não foi assinado por todas 'as feministas' (para reclamar de generalização, é bom não fazer o mesmo), é o relato de uma mulher. Não te emociona? Problema seu que é incapaz de sentir empatia.

E me diz onde no texto está escrito que se deve temer todos os homens?

Anônimo disse...

Lola, seu blog é o melhor. Adoro!

Anônimo disse...

Sawl

Anônimo mimizento e ridículo das 11:39

Faça um favor a si mesmo seu machista babaca enfia os "mimimimimimimimimimimimimimimimimimimi" no TEU RABO!!!!

Sawl - Always the rebel

Anônimo disse...

Sawl

CORREÇÃO:
Para Anônimo mimizento das 11:39
Enfia os teus "mimimimimimi" no teu rabo seu machista escroto!


Sawl

Anônimo disse...

A analogia social do estupro é a seguinte: a maior parte dos criminosos é negro, mas eu sempre devo partir do principio que todo mundo é inocente até que se prove o contrário, logo eu não posso discriminar ou acusar (ou mesmo me afastar, pois seria racismo) de um negro pelo simples fato dele ser negro. (caso alguns achem que eu estou sendo irônico e simplesmente invertendo lógicas, não, eu não acho correto se afastar de pessoas sem saber quais são suas intenções)
O mesmo ocorre com o estupro, uma minoria (sim, MINORIA) de homens estupra e comete abusos sexuais contra mulheres e crianças, por isso esse pânico coletivo e difusão da associação de homens com estupro é exagerada, injusta e abre caminho pra tal da misandria "justificada" (?). (mas claro, misandria não existe, porque afinal de contas, como poderia em um mundo onde o feminismo não tem poder nenhum - só deve ser o maior movimento social do mundo - e mulheres nunca são ouvidas?)

Anônimo disse...

Off topic.
Exploração do corpo da mulher.
http://www.naoconto.com/2014/05/explorando-o-corpo-da-mulher.html

D Stoffel disse...

Olha o que ocorreu numa faculdade essa semana "Jogos universitários: ilustração com apologia ao estupro, divulgada em página, revolta estudantes do Rio" (Fizeram apologia ao estupro colocando uma foto de um coiote com um canivete a mão forçando uma garota a fazer oral nele.)
Só isso e depois quando reclamamos somos vitimista a tá, olha a mentalidade do pessoal de uma faculdade.

http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/jogos-universitarios-ilustracao-com-apologia-ao-estupro-revolta-alunos-12532583

D Stoffel disse...

Nossa até nos Eua tu foi tratada assim! , conheço uma pessoa e ela me diz que lá não é assim eles só olham mas não falam nada de vulgar, e canada e suecia tbm.

Raven~ disse...

Huashua 'todo estuprador é negro'. Avisa isso pro cara que me estuprou pra ele parar de circular branquelo por aí.

Carlos Eduardo disse...

Nunca pensei em nenhum desses relatos como falsos, mas alguns me surpreenderam negativamente pelo furor literário. Fica parecendo que para algumas o estupro virou um fetiche ou uma fantasia heróica.

Isso não é uma crítica às autoras, mas uma constatação sobre esse estranho efeito na cabeça das vítimas.

Anônimo disse...

Uma vez um "amigo" meu tentou me agarrar, ele era bem mais forte que eu, então a minha melhor chance foi acertar uma joelhada no saco escrotal dele e correr.
Depois o cara ainda teve a cara de pau de me processar!!!!
Pelo menos o maldito colocou as fotos do médico que ele foi no julgamento e as bolas dele pareciam duas laranjas.

Anônimo disse...

Essa analogia da fruta deve ser usada em várias igrejas, lembro que a líder do grupo jovem da minha antiga fez a mesma coisa só que com uma laranja.

Na época eu ainda não tinha o discernimento que tenho hoje e infelizmente não questionei.

E quanto ao relato em si, feliz é a mulher que pode dizer que nunca passou por nenhum tipo de assédio na vida, todas que eu tenho e/ou tive intimidade de conversar já passaram por algo.

E ainda acham que nossa luta é vã

Marcia Baratto disse...

Anonimo das 15:50. Da onde que você tirou esse absurdo que a maioria dos estupradores é negro?

Qual estudo sustenta isso? Por que a sobreposição de dados das taxas de estupro com as taxas de identificação racial não confirma essa afirmação (estados com maiores taxas de estupro não são estados com maiores taxas de população negra).

Não conheço nenhuma pesquisa sobre os estupradores no Brasil, penso que você está sendo preconceituoso ou, no mínimo, essencializando o fato de que é mais provável que a mídia condene um negro por estupro do que um branco (país racista é isso aí). O que sabemos com precisão, é da subnotificação do crime (e aí como saber qual é a 'cor' do acusado, se sequer sabemos do crime?).

Anônimo disse...

Tenho 18 anos, e sim ja sofri um estrupo, tinha 11 anos... Sofro mto quando falo desse assunto, pois este acontecimento me fez mudar desde de o jeito de eu me vestir (passei a me vestir igual a homem) ate a forma de eu agir... E para nao falar que a procura de uma dor maior do q a que eu estava sentido começei a corta e furar meu corpo... Nunca tive coragem de contar par minha familia e sinto muita culpa por nao ter falado nada... Mas isso ja passou e acho que ja estou conseguindo vencer essa briga contra meus pensamentos... Pois depois disto ja tentei suidio trea vezes mas graças a Deus nao consegui... E hj estou aqui para te agradecer Lola pois depois que uma amiga me mostrou seu blog vi que isso é mais comum q eu imagina.... Obrigada por me ajudar a trabalhar a ideia q eu nao devo me fechar para o mundo por causa deste acontecimento...

Julia disse...

"Por que eles assediam, ofendem, constrangem, abusam, estupram, ameaçam e matam as mulheres e depois ficam mimimi ofendidinhos por que as mulheres não os amam incondicionalmente mesmo que eles as tratem como lixo? "

Porque eles acham que mulheres são idiotas. São machistas, subestimam mulheres.

Mas qualquer pessoa com um mínimo de racionalidade (coisas que nos acusam de não ter) perceberia que essa conta não fecha.

Anônimo disse...

Jessica,

E de vez em quando, você tem medo de ser estuprada? O que acho engraçado é que foi mal, se você não for na verdade um mascu palerma, e de fato for mulher, você está simplesmente mentindo!!!! Ou então vive na tralalândia. Ou então não sai sozinha na rua.

Haja falta de noção e empatia.

Anônimo disse...

Anônimo das 15:30,

Alguém aqui está pregando o afastamento preventivo de homens?????? Acho incrível a quantidade de pessoas com problemas graves de interpretação de texto que aparecem aqui.

Você pode ter notado que a autora do post NÃO foi estuprada. Talvez uma minoria de homens estupre (nos EUA 1/4 das mulheres são estupradas ao longo da vida -- é, se minoria for menor que 50%, está valendo) mas uma maioria esmagadora de homens se sente à vontade para abusar verbal e fisicamente de mulheres: xingar ops elogiar na rua, passar a mão, "interpretar" bebedeira como consentimento, julgar as roupas que uma mulher usa (algum homem sem camisa na praia já foi chamado em voz alta de barrigudo escroto do caralho? Vamos imaginar mulheres humanas, não photoshopadas, caminhando com seios à mostra na beira da praia). Fora as mais diversas relações abusivas em casa: homem que não lava um copo em casa, homem que não aceita que a mulher ganhe mais que ele (conheço um que obriga a mulher a dizer para a família que ganha menos da metade do que ela ganha (o que é ridículo porque ela é funcionária pública e todos sabem que o salário de entrada no cargo dela é bem mais alto do que o que ela diz que ganha), mas não se recusa a gastar o dinheiro dela em viagens.

Esses homens são minoria, 15:30? Eu peguei bem leve aqui.

Anônimo disse...

Sawl

Para menina das 18:35

Eu já passei por agressões e humilhações mas nunca por um estupro então não posso te julgar além do fato que isso aconteceu quando vc era só uma criança(o que pra mim é ainda mais revoltante!).
Já denunciou o CANALHA?!
Se vc se veste de forma masculina NÃO porque vc quer, mas, pq uma violência hedionda de um traste covarde fez vc ter este tipo de vestimenta, então NÃO está tudo bem!
Se não contou pra ninguém da sua família(nem pra sua própria mãe!) então NÃO está td bem!
Se vc se corta, se mutila, então NÃO está td bem!
Não estou aqui pra te julgar querida, estou aqui pra tentar, mesmo sendo uma mera desconhecida, te SALVAR!
Vc precisa contar pra alguém da sua família, vc precisa de um psicólogo(a) e principalmente o crime NÃO PRESCREVEU e vc pode colocar este LIXO PEDÓFILO atrás das grades pra que não faça mais vítimas inocentes!
Não estou aqui pra te julgar, estou aqui pra te dizer que você NÃO teve culpa da violência que sofreu, que vc pode superar e principalmente fazer este verme pagar pelo que fez contra você!

Ps: amiga não é quem diz que está "td bem", amiga é quem te evita cair do abismo!


Bjo e força garota!!!

Sawl - Always the rebel

Anônimo disse...

Gente, a afirmação preconceituosa que o 15:30 fez foi que a maioria dos criminosos são negros, e não que a maioria dos estupradores eram negros. A analogia imbecil que ele fez foi: se a maioria dos criminosos é negra, e no entanto é preconceito assumir que um negro é criminoso, então assumir que todo homem é estuprador em potencial também é preconceito.

E aí depois ele diz que os homens estupradores são minoria, ainda por cima.

Anônimo disse...

Anônimo 15:30 não, 15:50 é o preconceituoso.

Anônimo disse...

Sawl

Para Raven

Raven, vc sofreu violência sexual?! Vc postou o seguinte: "Avisa isso pro cara que me estuprou pra ele parar de circular branquelo por aí." ou foi uma analogia? Se vc postou uma coisa que te aconteceu, eu espero que vc tenha denunciado o canalha.

Para Anônimo das 15:50
Caro, NÃO existe estatística que a maioria dos criminosos seja negro. Isso é uma afirmação ridícula, racista e hedionda!
O sr é uma pessoa podre e digna de pena! Não tenho respeito nem consideração por racistas, tenho NOJO! O dia que estiver doente precisando de um médico pra salvar tua vida, quero ver se vai preferir morrer à ser atendido por um ótimo médico negro, seu LIXO!!


Sawl - Always the rebel

Jéssica disse...

Marcia
As feministas sempre dizem que lutam por todas as mulheres,nunca vi nenhuma dizendo o contrário.
E como é que alguém pode pensar diferente quando vê essa frase "todo homem é um estuprador em potencial",logo,é para ter medo de qualquer homem que passe na nossa frente.

Anônimo disse...

Como eu enviou um texto/relato para Lola?

Anônimo disse...

Anônima 17:14, muito bem feito pro canalha! Mas me diz aí, ele perdeu o processo? Porque pelamor, né, um tarado processar a vítima porque ela se recusou a ser estuprada e se defendeu é a prova definitiva que esse indivíduo não pode conviver em sociedade. Cadeia já.

Oi Julia, sou a anônima das 11:41 e concordo plenamente com você. Essa pergunta que eu coloquei aí já devia ser retórica, né? E o pior é que pra nós ela é retórica, nós sabemos a resposta, mas os imbecis que insistem com essa postura mimada e ridícula não. É incrível como uma pessoa supostamente inteligente e adulta não consegue entender que se maltratar ou agredir alguém não vai ganhar o afeto da vítima em troca. Pô, é tão difícil assim de entender que se você tratar mal uma pessoa ela não vai te amar, mas sim fugir de você e te detestar? Esses machistas precisam começar a usar o cérebro urgentemente.

Anna Milani disse...

Tenho duas teorias: Ou essa Jéssica é um mascu ou uma "Dona de casa-sou mulher certinha e quem não é, é vagabunda".

Não posso pensar em nada melhor do que isso pra ela:
Quando foi que você leu neste blog, me aponte um só post, de alguma feminista falando que todo homem é estuprador em potencial.

Gente machista tem tanto argumento convincente que nem pesquisa pra falar, e fala bosta.

Se tem alguém que fala que todo homem é estuprador em potencial, são os próprios machistas, que impedem a mulher de usar saia e decote por porque ela estaria provocando os homens na rua, os mascus que dizem com orgulho que mulher merece ser estuprada e algumas mulheres 'feministas' que não conhecem porra nenhuma do movimento verdadeiro e querem a supremacia da mulher.

Então, minha cara "amiga", cuidado com o que você escreve. Sua afirmação sem fundamento é digna de pena.

Anna Milani disse...

Ops, esqueci uma coisa: Todo negro é estuprador?
Hehehehehehehe, sabe de nada, inocente! Fizeram uma pesquisa? Não? Então esse negócio que a maioria dos negros é estuprador non ecziste.

Hugo disse...

Lola, não que eu não "aprecie" (entre aspas porque geralmente os relatos são horrorosos) os seus típicos guest posts, mas as eleições vão vindo, os ânimos vão se acirrando e acho que você poderia escrever algo. Sei que ainda é meio cedo, mas sinto falta do clima que o blog tinha na época das últimas eleições. Cadê a Lola apaixonada por política? Acho que seria bom para aumentar a variedade nos posts.

Anônimo disse...

Nossa, vocês estão com um problema serio de interpretação de texto, eu nunca associei negros e estupro e baseei a afirmação de que negros cometem mais crimes no Brasil no fato de 65% da população carcerária do país é composta de negros. Óbvio de negros são alvo de racismo da própria polícia e que crimes de "gente branca" comumente passam impune, mas essa estatística serve bem pra situação de rua que eu tentei descrever. E o que eu tentei dizer, aparentemente de maneira confusa, é que o fato de que negros estarem estatisticamente mais envolvidos em crimes de violência urbana não justifica qualquer tipo de mudança de atitude em relação a qualquer pessoa baseada somente em raça.
Isso me levou a dizer que homens, enquanto gênero, não devem ser responsabilizados pelos crimes que um grupo de minoria pratica.
Não, anônimo das 19:03, eu não acho razoável que homens não dividam as tarefas domésticas ou que ofendam mulheres por usarem roupas curtas, tampouco vou dizer que isso é incomum, mas o tema é ESTUPRO e ABUSO SEXUAL. Por mais que professem por todo lado essa história de cultura de estupro, esse sempre foi considerado pela sociedade em geral um dos crimes mais hediondos, que merece punição dupla com assassinato ou estupro pelos colegas de cela do criminoso. A própria RAINN se declarou contra essa transferência da responsabilidade do estuprador pra sociedade (ou pros homens, que tem o poder de mandar e desmandar nas estruturas sociais, obviamente).
Não é razoável dizer que "todo homem é um estuprador em potencial" simplesmente porque é mentira.

Anônimo disse...

Isso de um entre cada quatro mulheres terem sido estupradas está incorreto.

Jéssica disse...

Para Anonimo das 21:43:

Negros e brancos cometem crimes em proporções semelhantes (principalmente quando se compara pessoas da mesma classe social). Negros apenas são mais punidos que brancos.

Mulheres e homens não estupram em proporções semelhantes. Menos de 1% das estupradoras são mulheres.
Sim, no mundo 1 a cada 4 mulheres já foi estuprada pelo menos 1 vez na vida. e 2 a cada 3, ou 4 a cada 5 (depende da fonte) sofreu ou soferá algum tipo de assédio ou abuso sexual. Se você acha que este dado está incorreto então você está mal informado, toda mulher tem uma história de horror para contar, geralmente uma mulher tem algumas dezenas de histórias, na verdade. O ponto em comum destas histórias? Mais de 99% das vezes o abusador/assediador/estuprador é homem. Em pesquisas variadas, é comum aparecer dados de até 40% dos homens não ver problema em forçar sexo ou transar com uma mulher bêbada, i.e. estupro. As vezes é até mais de 40%. Também estima-se que menos de 1% dos estupradores são presos (além de raramente serem condenados, raramente são denunciados). Esses homens não se consideram monstros, a maioria nunca vai sentir culpa, eles acham que estão em pleno direito deles.

Os dados que você está tentando comparar simplesmente não são comparáveis.

Jéssica disse...

(Ah, só para lembrar que eu não sou a Jéssica-mascu lá de cima =P)

Jéssica disse...

Tenho duas teorias: Ou essa Jéssica é um mascu ou uma "Dona de casa-sou mulher certinha e quem não é, é vagabunda".


Onde foi que eu falei qualquer coisa parecida? E você vem falar em falta de argumentos,você tem tantos,que teve que inventar coisas que eu não disse.

luca disse...

Jessica, essa pesquisa de 1 em 4 foi feita por Mary Koss e existe uma grande controvérsia sobre ela, todo mundo usa essa estatística sem questiona-la e quem questiona é chamado de machista.
A própria autora admitiu que tinha uma questão ambígua que se fosse desconsiderada, já diminuiria a porcentagem para 1/8.
Isso sem contar o fato de que 73 por cento das entrevistada apontadas como vítimas de estupro, não se diziam vítimas de estupro, mas a Mary Koss interpretou que que elas foram estupradas mas não chamavam de estupro, e bem, não creio ser muito feminista desconsiderar a própria opinião da vítima.


Pulp

luca disse...

Jéssica, na verdade é mais plausível eu julgar que os negros cometem mais crimes por existirem mais negros que brancos na prisão do que considerar esta estatística. Pelo menos a primeira estatística é mais confiável, não faz sentido desconsiderar ela e considerar a segunda, óbvio que eu não estou sendo racista, estou na verdade ilustrando como o argumento é falho nesse ponto.

Também ficou óbvio a má vontade em compreender as opiniões discordantes, parece que o pessoal aqui nem ao menos tenta interpretar o texto, chamaram o cara de racista quando ele escreveu justamente o contrário.




Vanessa disse...

Anônima 20:20, o processo ainda corre, mais o complicado é provar que ele me atacou, já que ele pôde provar os ferimentos enquanto eu não fiz BO. :(

Izabela F. disse...

Foi mal aê, mas eu concordo com a Jéssica que vocês estão chamando de "mascu" ou dona de casa recalcada (aliás, quem se referiu a ela como uma "dona de casa" no sentido pejorativo, está lendo muito pouco o blog da Lola). Eu nunca saí de casa aterrorizada com a possibilidade de sofrer um estupro. Tenho muito mais medo de ser assaltada ou me deparar com um viciado em crack que quando está na fissura, pode até matar para roubar sem nem se dar conta. Eu sou mulher e nunca sofri uma "história de horror", acho esse termo muito exagerado e acho que alguns guest posts forçam muito a barra sim! Algumas vezes, parece que para o feminismo toda mulher tem que ser ou ter sido uma vítima, ter uma história horrível pra contar e acho que, por causa disso, muitas meninas carregam no drama para forçar uma empatia com as outras meninas, com os leitores da Lola, com o movimento em geral. Eu acho que o feminismo é necessário e sua luta é legítima por isso eu me considero feminista mas, especificamente eu, não tenho nenhuma história horrível para contar e nunca me senti vítima de nada e não acho que isso me torna menos feminista que ninguém.

Julia disse...

Vanessa, mas que cara de pau esse cara tem. Cultura do estupro é isso, o estuprador se sente no direito de te processar porque você se defendeu dele.

Izabela, eu não tenho nenhuma historia de horror pra contar porque nunca de fato me aconteceu nada, mas um dia eu já tive muito medo de ser estuprada sim. Na verdade, era pavor mesmo. E eu sai correndo e me estabaquei no chão. Foi só isso.

Acho ótimo que você e a Jéssica não tenham medo. Nenhuma mulher deveria ter. Mas não entendo qual o ponto de vocês. Vocês querem 'parabéns'?

Acho que quando uma situação nunca aconteceu conosco não nos cabe ficar julgando as pessoas, dizendo que elas estão exagerando.

Eu não saio de casa com medo, foi uma situação especifica que contribuiu para o meu medo.

Anônimo disse...

Com 5 anos ela se lembra até do detalhe da fita de cabelo que usava e que sentia medo. (Baita memória que consegue descrever toda a situação e ainda se lembrar do medo!). Com 7 anos, de novo, num sonho tão vívido que ela se lembra que era um HOMEM que a perseguia (gostaria muito de saber a ideia de gênero da autora nesse momento de sua vida e mais sobre a clareza de outros sonhos que ela tinha nessa época, de novo baita memória). Com 9 anos, “calcinha vermelha é coisa de mulher vagabunda” (que péssimo ambiente que você deve ter tido com sua mãe e a história é bastante nítida). Com 12 anos, a história da L (gostaria de saber o vínculo da autora com a L porque lembrar com empatia de alguém sem algum vínculo é ser muito perspicaz – lembra-se, pelo que parece, até do nome, pois deu uma inicial). Com 15 anos, que padre faria uma estupidez dessas com uma analogia tão idiota? Na faculdade, bêbado carregando um saco e com coordenação motora suficiente pra derrubá-la, putz!!! Como alguém que passou por situações tão vívidas, recorrentes e ruins em lugares públicos em sua vida consegue ter a coragem de tirar o biquíni na praia? Alguém que teve momentos tão traumáticos como esses não apagaria da memória uma parte desses eventos para não sofrer?

Anônimo disse...

Puxa, Vanessa, que chato! Olha, te desejo toda a sorte do mundo pra que esse caso se resolva logo e a seu favor.

Carinha das 13:44, eu me lembro que aos 5 anos eu tinha pavor de ratos porque me disseram que a mordida deles matava. Com oito ou nove anos eu sonhei que tinha sido mordida por um rato e meu pai (que na época só chegava perto dos filhos pra dar bronca) me disse na maior indiferença que eu ia morrer por causa disso. Com 12, a minha cachorrinha morreu por culpa de um rato(ela pegou lepitospirose ou raiva). Com 22, um rato invadiu o banheiro da casa do meu pai às 11 da noite; eu tive que subir na pia e abrir a porta pra ele sair pq não podia acordar ninguém. Ou seja, se algum fato da sua vida for marcante você lembra SIM dele mesmo que o tempo passe. Eu lembro de todos os incidentes que já passei com ratos pq eles eram um risco e haviam muitos na minha casa de infância, então pra me manter a salvo meus pais me ensinaram a ter medo deles desde cedo. No caso da autora, foram os homens que a mãe ensinou-a a temer. Só isso. E não, antes que você reclame, não estou comparando homens a ratos. Apenas que o "treinamento" a que eu e a autora fomos submetidas foi o mesmo: aquilo pode machucar a criança? Os pais ensinam a ter medo pra que ela não se arrisque. No meu caso foram os ratos. No caso dela foram os homens que poderiam abusar dela e agredi-la. E não, eu não precisei apagar nada da memória pra não sofrer, mas se eu vir um rato hoje em dia subo no canto mais alto e não há quem me tire de lá até eu ver o bicho sair ou veja seu cadáver; e convenhamos, se a autora tivesse ficado traumatizada e evitasse relacionamentos com homens vc ia reclamar do mesmo jeito. P.S. A história do padre? Haha, mas isso é o que mais tem hoje em dia, meu filho. Entre em um site religioso e você vai ver analogias ainda mais estúpidas e humilhantes que essa. Quanto ao bêbado, coordenação motora é o de menos, bastava o saco ser pesado o suficiente e acertar em cheio na vítima. Olha, vocês realmente precisam achar argumentos melhores pra tentar desqualificar as experiências dos outros, viu.

Jéssica disse...

Não quero parabéns e o ponto é óbvio,vocês forçam a barra,ao contrário do que vocês dizem,não são todas as mulheres que saem aterrorizadas na rua.
A Izabela explicou muito bem.

Anônimo disse...

Me senti representada com as experiências da moça

Ana Carolina disse...

Pessoalmente, nunca tive mais medo de estupro do que assalto ou outras violências na rua. E nunca pensei muito no assunto ao sair de casa.

MAS nunca fui para a balada sozinha (mentira, fui uma vez pq queria ver muito o show e foi uma droga pq entrei numa postura tão defensiva que não curti nada), nunca fui pra casa de desconhecidos (gente da faculdade, amigos de gente da faculdade) sozinha, peguei carona com desconhecidos sozinha, etc, etc. Ou seja, o medo existe, em algum ponto ele tá lá.

luca disse...

Bem, eu sou homem e nunca peguei carona com desconhecidos sozinho.
Ok, n tenho que ficar cuidando para n ser estuprado,isso é verdade, no máximo tomo cuidados com desconhecidas para evitar uma boa noite cinderela

Melissa Ramos disse...

Eu ia chamar o anon das 15:50 de falacioso, mas vejo que muita gente já fez isso, embora o teimosão continue justificando seus "argumentos" baseado em alguns dados e ignorando outros dados extremamente relevantes, enfim... sabe que está
Falando besteira e insiste na desonestidade intelectual para justificar o racismo.

Já o anon das 13:44 forçou tanto, mas tanto a barra pra dizer que é tudo mentira, que parece até zueira... amiguinho, eu me lembro de coisas que me aconteceram aos 4 anos e meio, como o dia em que eu decidi parar de mamar no peito! E a filha da minha vizinha me reconheceu e chamou pelo nome 10 anos depois de eu ter saído da cidade, detalhe: ela tinha menos de 3 anos quando eu saí, e quando retornei não existia facebook nem orkut, nem fotos minhas elas tinham... como será que ela lembrou?
Ah, mas vc vai dizer que é mentira. Só porque você é
desmemoriado, todo mundo é também!

PS: também achei o relato da autora meio exagerado para os MEUS parâmetross, mas eu sou capaz de sentir uma coisa chamada empatia, que permite que eu entenda que existe gente mais sensível que eu, gente que ficou profundamente marcada por situações com as quais EU lidaria mais fácil, e isso não me dá o direito- nem a ninguém- de desqualificar a experiência dela. Mais amor, por favor....

LOVE GÓTIC disse...

Esse teu mimimi é de me come? Procure um circo porque o assunto aqui é sério. Se não gosta do que tem aqui não leia você não dar ibope, você é um lixo.

Anônimo disse...

Luca,
A Mary Koss seguiu parâmetros bastante objetivos. Aplicou a definição mais elementar possível de estupro, sem utilizar o termo. Não é questão de "desconsiderar" a vítima, mas sim, a partir da constatação da cultura do estupro (é difícil para as mulheres estupradas - vem se tornando cada vez menos, pelas lutas feministas - assumirem, inclusive para si mesmas, o nível de violência ocorrido. Não coincidentemente, havia sentimento de culpa e silêncio absoluto sobre a violência sexual), entabular uma pesquisa científica.
Thata.

@dddrocha disse...

Também me identifico muito com esse post, assim como minhas amigas e muitas mulheres que conheço.
É incrível, mas sempre que comento sobre situações de abuso, todas me dão um retorno imediato de que já passaram pelo mesmo tipo de situação, seja na infância, adolescência ou fase adulta.
É desesperador.

gabi ga disse...

Tenho 7 ano de casada e nao levo o sobrenome do meu marido .sera que o cartório aruma sera que eu tenho direito das coisas .so casada comunhão parcial de bens.