quinta-feira, 22 de maio de 2014

GUEST POST: A ETERNA LUTA CONTRA OS CABELOS CACHEADOS

A Rebecca me enviou este email:

Eu já fiz muita coisa errada
Queria começar dizendo que meu feminismo tem tudo a ver com você e com a descoberta do seu blog. Só tenho a agradecer milhões de vezes. Me envergonho de dizer que já fui machista, já critiquei outras mulheres pela postura sexual, já ri de piada racista e já tive orientações políticas de direita (eca!), fruto de uma má influência familiar.
Mas também sinto orgulho de dizer que superei esse machismo, hoje me considero feminista, o que é uma prática de auto-policiamento e autocrítica diária, porque tudo e todos nos empurram no sentido do senso comum, mas sou MUITO mais feliz e livre assim.
Quando li o guest post que falava sobre a obrigação das mulheres terem cabelos longos, quis compartilhar uma situação que aconteceu comigo há pouco tempo.
Tenho 23 anos e originalmente meu cabelo é cacheado. Originalmente porque eu o aliso desde os sete anos, porque tenho uma foto com essa idade e meu cabelo já está liso nela. E recentemente, graças ao feminismo, comecei a repensar essa coisa do cabelo liso. Desde sempre nós aprendemos que o cabelo liso que é bonito, que cacheado é desarrumado, mal cuidado, é mais difícil de arrumar emprego etc. 
Bom, como todo cabelo alisado, o alisamento precisa ser refeito de tempos em tempos por causa da tão temida e amaldiçoada raiz. Acontece que eu estou cansada desse processo. Eu tenho que ir ao salão, ficar umas 4 ou 5 horas (juro! Tenho um volume de cabelo que dava pra distribuir entre umas cinco pessoas) com pelo menos duas pessoas puxando o meu cabelo, uma de cada lado, além de gastar um dinheiro exorbitante. E o pior: aguentar depois uma dor de cabeça de quase 24h, resultado de tanto estica-e-puxa. Tudo isso de 3 em 3 meses. 
Minha avó morreu recentemente, e eu tive acesso a inúmeras fotografias que eu desconhecia, e entre elas uma da minha bisavó, que não conheci, mas era negra e linda! Infelizmente na foto seus cabelos estavam duramente presos e esticados num coque bem firme. Enfim, daí vem os meus cachos. Juntando o meu cansaço com essa descoberta de parte da minha história, eu tomei uma decisão: parar de alisar os fios. 
Lola, aliso o meu cabelo há tanto tempo que nem me lembro mais de como é ter cachos! Só lembro dos comentários de que meu cabelo era difícil de cuidar, de tratar, de pentear... 
E eu estou a fim de descobrir como é isso de novo. De assumir essa parte de mim, da minha história e da minha origem da qual tanto me orgulho. Pode ser que realmente seja muito trabalhoso, que eu não tenha tempo nem paciência de cuidar e volte pro meu sofrimento trimestral, mas quero fazer essa descoberta depois de adulta. Acho que é uma questão de identidade. 
Enfim, decisão tomada. A primeira pessoa a quem eu contei foi ao meu namorado. O amor da minha vida, que cursou ciências sociais, se formou em ciência política, de esquerda, militante e muitos outros adjetivos. Para minha surpresa, ele reagiu mal. Disse que gosta mais de cabelo liso, achava mais bonito e todo aquele discurso que conhecemos.
Discutimos, claro. Fiquei muito magoada, pois essa foi uma decisão importante, que exigiu reflexão, e eu esperava que ele me apoiasse. É óbvio que a minha decisão está tomada independente dele, mas eu esperava apoio do cara que está do meu lado há quase quatro anos, que me conhece de trás pra frente e ao lado de quem eu pretendo construir a minha vida. Conversamos depois, ele se desculpou e a vida seguiu. Estamos juntos, estamos bem, nos amamos e ele vai se acostumar com a ideia.
A questão é: o cabelo é meu, sempre foi, quem desfila com ele por aí sou eu, quem cuida sou eu e hoje quem paga pra deixa-lo da forma que eu quero sou eu. Então por que essa interferência constante? Da sociedade, do meu namorado, da minha mãe (que também alisa o cabelo), de quem não tem nada a ver com a minha vida e vai me julgar mesmo assim. 
Estou ficando inclusive com um pouco de medo da reação dos meus chefes, porque trabalho numa empresa onde os preconceitos andam soltos, livres e desimpedidos pelos corredores. Não gosto, não compactuo, não participo desse tipo de conversa, mas preciso trabalhar. 
Desculpe o e-mail enorme. Tenho certeza que você é muito ocupada e tem zilhões de coisas a fazer. Se não puder ler ou responder, só peço uma coisa: não pare nunca de escrever! Obrigada por toda a inspiração e por tratar de todos os assuntos que você trata. Falar e ler sobre eles nos ajuda a superar nossos traumas e enfrentar os dias seguintes com mais coragem e alegria. 

Meu comentário: Enfrente, Rebecca querida! Sem dúvida, assumir o cabelo crespo é um ato político. Por isso, você está encontrando (e talvez encontre ainda mais) tanta resistência. Mas não desista. É o seu corpo, seu cabelo, e você tem direito de fazer com ele o que quiser -- mesmo que isso vá contra o padrão de beleza vigente. Um padrão de beleza totalmente racista, diga-se de passagem.

75 comentários:

Ellen Teles disse...

Rebecca,
Fica tranquila, você não é a única a passar por isso. Não é um processo fácil, mas é libertador. O resultado é simplesmente incrível!
Hoje existe o fórum Encaracoladas, lá você encontra o caminho das pedras para largar a química, se inspira nas transformações da mulherada e encontra apoio nos momentos de baixa autoestima.
Beijos

PS.: Endereço do fórum http://encaracoladas.5forum.info/

mebarak ludgero disse...

Para mim ninguém deveria ter cabelo,ele só atrapalha e dá trabalho para arrumar,seja ele como for.
Já alisei umas três vezes e é uma tortura aquele fedor e a mulher quase arrancando o cabelo da raiz enquanto alisa,mas depois quase não dá trabalho,o cabelo fica no lugar e pronto,mal precisa pentear.
E agora que não aliso,o inferno é todo dia ,para tentar deixar arrumado,ele é ondulado e sem forma nenhuma.
E os truques que algumas usam para deixar o cabelo decente não funcionam comigo,que é passar leave in,uma gota só daquilo e meu cabelo fica nojento bem rápido,como se tivesse jogado óleo e depois disso você não pode mais passar a mão no cabelo para não desmanchar,é uma merda.
Estou pensando seriamente em alisar de novo,o sofrimento é uma vez só a cada 3 meses.

Helen Pinho disse...

já trabelhei num lugar horrível, onde me "sugeriram" alisar o cabelo pra "melhorar minha parência". quando tinha vinte e poucos anos fui em vários salões procurando alguém que corta-se meu cabelão cacheado e reto (boring). 4 cabelereiros se recusaram, ia ficar "tipo abajur" a verdade é que eles não SABEM CORTAR CABELOS CACHEADOS/CRESPOS, sim isso num país onde mais de 50% da população tem cacelo cacheado/crespo, claro que ouvi que se queria cortar teria que alisar. não desisti e achei um cabelereiro que aceitou o "desafio". não aconteceu nenhuma tragédia e já tive vários cortes de cabelo desde então. quase ninguém na minha família mantém o cabelo natural e a pressão é super grande para alisar, maseu não dou bola, não quero e não vou investir tempo e dinheiro e ainda sentir dor para simplismente ter o cabelo que elencaram como "bom".

Rebecca super apoio e saiba que o trabalhão tão falado envolve um bom xampu, condicionador e um finalizador, basicamente. Claro que não tenho experiência no processo de transição, que deve ser o mais difícil, mas o meu palpite que após tu te sentirá muito mais livre! se tu fosse de porto alegre te indicava um cabelereiro que e puro amor hehehe ;)

Giovana Damaceno disse...

Coincidência este post justamente no dia em que estou enviando mensagens a todas as amigas cacheadas que conheço: "Procuro cabeleireiro que ENTENDA e GOSTE de tratar cabelos cacheados. Pode me dar uma dica?".
Até cinco anos atrás tinha cabelos lisos, mas sempre sonhei em ter cachos. Depois de ficar careca com a quimioterapia, minhas madeixas nasceram cacheadas, para minha grande felicidade.
O problema é que a ditadura do liso faz com que cabeleireiros torçam o nariz a cada vez que digo "quero tratar meus cachos", "não é pra fazer escova', “pode me dar orientação de produto para manter meus cachos bonitos, hidratados e lindamente enrolados?".
Quando vou a um salão arrumar o cabelo para um evento, por exemplo, automaticamente os profissionais se preparam para uma escova. E então eu digo: "Nada disso, quero penteado com meus cachos. E só vejo caras feias à minha volta". Certa vez tive de esperar uns trinta minutos, porque ninguém sabia onde estava guardado o difusor, porque ele nunca é usado!

Tereza Jardim disse...

mebarak ludgero, já considerou a dica da Giovana Damaceno?

Muitas vezes, só o que falta é encontrar o corte certo para a estrutura dos seus cabelos e formato do seu rosto. Não é fácil, mas é recompensador encontrar profissionais que sabem lidar com cachos e entendem minimamente de visagismo.

Manter e cuidar dos cabelos naturais sempre é mais vantajoso que mudar a textura ;)

Fernanda disse...

É, eu percebo que essa ditadura realmente começa muito cedo, vejo isso com meus alunos. Tenho uma aluna negra que tem um cabelo lindo, e ela ouve comentário racista o tempo todo com o cabelo dela. Sempre que posso elogio, porque o cabelo dela realmente é bonito, e acaba destoando do resto, já que a maioria das meninas (e uma parte considerável dos meninos) alisam. Essa história de dar trabalho pra mim também é balela. Meu cabelo é lisérrimo, mas dá muitos nós, quebra e é super oleoso (não dá pra ficar um dia sem lavar). Resultado:cortei acima do pescoço e minha vida está muito mais fácil (não sem aguentar algumas pessoas falando pra eu deixá-lo crescer novamente). O pior é que, como a autora do post falou, tem até crianças alisando. Elas já crescem ouvindo que o cabelo delas é ruim.

Carla Bitelli disse...

Nunca comentei no blog, apesar de sempre acompanhá-lo. Mas agora tocaram num assunto que muito mexe comigo, apesar de ninguém ficar me enchendo o saco para alisar (felizmente). Minha avó, aliás, tem pavor que eu mexa no meu cabelo! É engraçado, ela sempre olha pra mim e diz: "filha, me promete que não vai alisar nem pintar seu cabelo? Ele é tão bonito assim". Como se alguma vez eu sequer tivesse considerado, rs.

Para quem me enche o saco, eu replico: "você está dizendo que meu cabelo é feio?". A pessoa costuma ficar tão constrangida que abandona o assunto. Mas eu admito que não é tão difícil para mim: meus cachos são bem definidos, não tenho quase volume e sou branca. Acabo enfrentando menos resistência.

Bom, deixo a dica de dois salões que amigas de cabelos cacheados sugeriram:

http://www.florealsalon.com.br/
http://belezanatural.com.br/

Quem me recomendou gostou muito, mas eu ainda não consegui ir...


Ellen Teles disse...

Carla,
Eu já fui no Floreal, é ótimo!
Lá eles só atendem crespas e cacheadas, é muito legal! Eu indico!

Ellen Teles disse...

Aliás gente, na minha fotinho meu cabelo está levemente ondulado. Já passei pela transição e tá todo cacheado! Não me arrependo!

Bela Campoi disse...

Lola, vou te ver hoje de noite: tô super feliz por isso! Beijos e até mais!

Helen Pinho disse...

eu gosto muito de um creme de pentear o AMO da Yenzah, ele não deixa o cabelo pesado ou grudado, fica bem natural mesmo. não é tão barato como os cremes pra pentear normais que tem no super, mas pra mim dura um monte e acaba sendo muito mais econômico também.
* e ainda não faz teste nos bichinhos <3

Rahyssa Marques disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lucy In the sty disse...

Eita que eu me identifico muito com esse post!
Ate eu completar uns quinze anos, odiava muito muito muuuito meu cabelo. Do tipo de odio que so saia de casa com ele preso, me sentia injusticada pela genetica, cogitzva ate raspar, porque naquele momento, qualquer coisa era melhor que aquela montanha de cabelos quebrados, com pontas quadruplas, volumoso, ressecado e afins. Era muito triste. Lembro de uma vez chorar com os bracos doendo, depois de umas duas horas penteando o cabelo que teimava em nao passar livremente pela escova.
Olhava os cabelos liserrimos das meninas da sala, ate dos meninos, de pessoas comuns na rua e me perguntava porque eu nao tinha tido a mesma sorte. Delirava imaginando como devia ser um dia andar por ai com o cabelo liso.

Esse tormento durou alguns anos ate que, em meados dos 15 anos, resolvi que ou eu cedia a pressao e alisava ou raspava de uma vez na esperanca de que ele nascesse melhor (olha as ideias ne). Mas por um milagre, uma intercessao de Deus, Santo Agostinho, Oxossi, Buda, Iemanja, Krishna (ou so da internet mesmo), descobri umas comunidades sobre cabelos cacheados no finado Orkut.
Antes de me dar qualquer chance de testar qualquer tecnica de cuidado, eu pela primeira vez na vida comecei a achar que meu cabelo cacheado poderia, sim senhor, ser bonito. Antes de qualquer elogio dos outros, eu quis o meu proprio elogio. Antes de agradar qualquer um, meu cabelo agradou a mim mesma.
Corri pro cabeleireiro, cortei em camadas, comprei produtos e aprendi a aplicar a quantidade ideal, segui dicas e so com um pouco de carinho e amor os cachinhos retribuiram em pouco tempo.
Sete anos depois aqui estou eu com meus cabelos cacheados que eu amo tanto. E as pessoas comentam sobre ele, ate mocas desconhecidas ja me pararam na rua pra elogia-lo. Fora do Brasil, perguntaram ate se o cabelo era de verdade, se eu uso modelador, extensao e afins. Ficam de cara quando eu digo que eh tudo natural hehe :3

Gente, vale muito a pena se amar.
Amem seus cachinhos, eles sao um charme! Acho ate estranho tantos conselhos "de beleza" falando em "domar os cachos". Menina, eles nao sao pra ser domados! A cabeleira volumosa eh o que ha! Eu nao domo meus cachos, eu cuido deles. Corto meu proprio cabelo, nao piso num cabeleireiro ha uns 4 anos, mas tenho meu ritualzinho no banho e de manha so acordo e jogo meu cabelo pro lado.

Amo, amo, amo <3 Nao alisaria jamais <3

Rahyssa Marques disse...

Sem dúvida nenhuma a decisão de ir do alisado pro cacheado é um ato político.

Quando decidi minha justificativa era que eu tava enjoada de tá sempre com a mesma cara, o mesmo corte, porque o cabelo alisado não me permitia muitas mudanças. Mas confesso que se fosse só pela estética, eu tinha desistido no meio do caminho.

Foram 2 longos anos de aceitação, autoconhecimento e, principalmente, identificação com a minha negritude. Foi todo um processo de deixar de me ver como "morena" e me identificar como NEGRA. E por causa disso que teimei e agora to mais feliz do que nunca com o meu cabelo cacheadão, do jeito que ele sempre deveria ter sido.

Ana Carolina disse...

Engraçado que o post me tocou num ponto além do assunto óbvio... rs

Quando a autora diz que os cachos são a herança de sua bisavó negra.

A minha sogra diz que os cachos de toda a família (se meu namorado deixar o cabelo crescer, vira um black power de respeito :P) vem de "uma família espanhola EUROPEIA, VIU? que tinha cabelos cacheados. Não tem negro NENHUM na família, viu, nenhum!".

Sendo que pela história familiar dela, é óbvio que tem (no caso, estancieiros da fronteira do RS)

Mas não se pode ter ancestral negro, por mais que olhando para ela, os irmãos dela e seus filhos seja uma coisa óbvia. É melhor ser de um europeu excêntrico.

É foda isso de não poder se permitir ter orgulho, dessa necessidade que algumas pessoas têm de uma "validação europeia" da própria origem.

Magali Marinheiro disse...

Oi Rebecca!

Meu cabelo é ondulado, e desde uns 17 anos (hj tenho 25), uso meus cabelos lisos. Fiz umas 2 ou 3 vezes a escova progressiva, mas nao gostei muito do resultado, então o que eu fazia era toda vez que lavava o cabelo (diariamente ou uma vez a cada 2 dias) secava e passava chapinha. TODAS as vezes.
quando não fazia as pessoas até se surpreendiam: Nossa, o q vc fez no cabelo? Ele é assim? não sabia!
e o pior, até elogiavam, mas eu continuava voltando pra segurança de ter o cabelo liso, padrão, q eu sei q nao vai armar no meio do dia.
qdo eu ia viajar a primeira coisa que pensava em colocar na mala era o secador e a chapinha.
Lendo o blog e refletindo cada vez mais sobre esses padrões de beleza impostos, resolvi assumir meus cachos.
Primeiro passo: achar um corte q favoreça meu tipo de cabelo. Uma dica é procurar alguma artista de cabelos cacheados naturalmente e copiar o corte (fiz o da Isis valverde em amores roubados)
Em seguida, na base da tentiva e erro, vc tem q achar os produtos bons para o seu cabelo. Eu só uso um pouco de creme sem enxague qdo eles ainda estao molhados e deixo secar.
No meu caso, me programo para q eles sequem qdo eu estiver em casa ou no trabalho, na rua com vento não rola.
Não vou mentir, tem dias q ele fica lindo, tem dias q ele seca de um jeito estranho e eu acabo prendendo, e as vezes não resisto a tentaçao e faço uma escova. Mas estou em processo de transição e me sentindo cada vez mais confiante com meu cabelo natural!
Espero q vc tb tenha sucesso!
Boa sorte e um bjo!

Nadia disse...

Rebecca, apesar de todo o preconceito, hoje é muito mais fácil assumir e tratar cabelos cacheados/crespos. Mas o primeiro passo é você que tem que dar: gostar o seu cabelo! Pode parecer só coisa de discurso bonito mas que não funciona na prática. Mas não, trata-se da mais pura verdade! Se ame, ame seu cabelo e, em vez de gastar com alisantes gaste em bons produtos e acessórios. No Facebook existem vários grupos que considero de mútua ajuda, onde há troca de informações, produtos, tratamentos, etc.
Compreendendo as necessidades do seus fios, adotando uma rotina de cuidados (já ouviu falar do Cronograma Capilar?) e usando e abusando de acessórios você pode se preparar para viver um caso de amor com seus cabelos!

"Just go ahead, let your hair down!"

Alguns grupos:
Tratamentos, produtos, cortes, penteados:
https://www.facebook.com/groups/476610059042666/672659149437755/?ref=notif&notif_t=group_comment_reply
https://www.facebook.com/groups/476610059042666/672659149437755/?ref=notif&notif_t=group_comment_reply
https://www.facebook.com/groups/cronogramacapilar2/ (neste vc vai encontrar muita gente que alisa, faz progressiva, etc. Mas esquece isso e aproveite as dicas de tratamentos e produtos)

Penteados: https://www.facebook.com/groups/878327668860467/

Raven~ disse...

Puxa Helen. Super me identifiquei. Passei bem uns dez anos sem contar o cabelo pqos cabelereiros morrem de preguiça.

Rebecca, recomendo os posts sobre transição do blog Uma Garota Brasileira. São excelentes.

E não sei com as outra cacheadas, mas eu uso só shampoo pra lavar. Só. Lá de vez em muito raro, uso um creme hidratante desses vendidos em casa de cosméticos. Mas não uso condicionador. Deixa meu cabelo armado, muito leve e oleoso que dá pra fritar um ovo.


Mas existem uns penteados lindimais. *-* Amo meu cabelo. E não minto. Dá um trampo do cacete. Mas vale a pena olhar no espelho e saber que aquela sou eu.

Raven~ disse...

E concordo com a moça do leavein ali encima. Não gosto. Sabe gordura de porco quando esfria? Acho igualzinho. Huahuashua

Raven~ disse...

Aff aqui vai mais um. Haha

Gostei do comment da Rahyssa. Como dá pra ver tenho uma testona, fruto obviamente da negritude da família. E nossa, foi é tempo pra assumir isso e aprender, que sim, eu sou mulata, testuda e é nóis.

Fernanda Somenauer disse...

Eu sempre vejo postagens em blogs sobre aceitação dos cachos, da ascendência negra e tudo o mais... Não consigo me identificar, pra mim, ter os cabelos lisos é me identificar dentro da minha família que tem todas as etnias, mas são todos lisos, ou pela influência européia, ou pela indígena... Meus cabelos eram ondulados, sem nunca fazer cachos, na minha infância. Uma vez minha mãe cortou meus cabelos um pouco mais curtos que chanel e fiquei parecendo uma filipina, de tão liso que ficou. Eu amava meus cabelos lisos ou cacheados, minha mãe me ensinou a ter auto estima. Quando eu tinha quase 8 anos ela morreu e meu mundo ruiu. Minha avó cortou meu cabelo beeeem curto, estilo joãozinho. Meu cabelo passou a crescer sem forma. Ela não me permitia deixar o cabelo crescer, dizia que eu não sabia cuidar. Passei a adolescência escondendo meus cabelos, que não cresciam, mas eram sem forma, sem as ondas lindas que eu tinha na infância, só volume quando eu escovava, que viravam dreadlocks se eu não escovasse. Com 23 anos descobri a chapinha, com 25 as progressivas, mas achava tudo muito cansativo. Tingi e descolori os cabelos várias vezes, acho que isso é brincar com quem eu sou e posso ser. Com 28 anos descobri o henê, aquele bem baratinho que todo mundo tem preconceito. Com 29 anos, finalmente eu pude olhar no espelho, depois de meses de uso do henê, e ver quem eu via quando era criança, pude me identificar com a minha família de novo e ver um pouco da minha mãe em mim. Foi ao contrário, foi libertador ter os cabelos lisos, longos e negros e finalmente olhar no espelho e ver de novo a criança confiante que eu era quando minha mãe era viva. Meus cabelos, mesmo alisados, não são comportados, são tão selvagens quanto a minha personalidade inquieta. Desculpe ter deixado tão longo, mas acho que a questão do cabelo "natural" é mais que enfrentar o preconceito e o machismo. Abraços, Lola.

Julia disse...

Queria que o meu cabelo ficasse igual ao da moça da imagem sempre. De vez em quando eu consigo.

Julia disse...

Ah, eu também passei pela transição, alisava meu cabelo desde os 12 anos, eu acho. Não chegava a ser de 3 em 3 meses, acho que alisava 3 vezes por ano, mas mesmo assim não me sentia a vontade pra andar com ele solto, fazia um rabo de cavalo.

Há mais ou menos um ano e meio resolvi deixar natural depois de ler alguns blogs e ver vlogs sobre o assunto. Fui deixando crescer, mandei cortar as pontas e agora ando com ele solto e livre.
Arrumo com uma bandana ou faixa, comprei várias bem coloridas.

Fica lindo.

Cecília disse...

Giovana, vc é de onde? Se for de bh ou de sp eu posso te recomendar cabeleireiros.

Cecília disse...

Olha a lindeza que é este blog: http://www.cachosefatos.com.br

Lili Beth disse...

Vamos lá, opinião de alguém que tem cabelos cacheados e quase 70% precocemente brancos (por favor, não me digam para assumir os cabelos brancos agora. Pretendo fazer isso daqui a alguns anos, por volta dos 50, provavelmente adotando soluções graduais, como mechas brancas na frente e pintando o resto, ou luzes invertidas, etc. Mas hoje, aos 42 anos, ainda prefiro pintá-los). Pois bem. No meu caso, nunca cheguei a alisar os cabelos completamente, eles estiveram naturais a maior parte do tempo. O problema é que a tintura tira os cachos, por isso fiquei muitos anos com um cabelo meio-termo, que não era nem liso, nem cacheado. Já estava cansada dessa situação. Resolvi, então, cortá-los mais curtos e repicados, numa tentativa de fazer os cachos voltarem. Funcionou, em parte, porque os cachos não voltaram naturalmente, precisavam de uma ajudinha extra para se manterem durante o dia. Aí começou a batalha diária dos cremes, um inferno. Eu acordava e ia direto para o chuveiro, para molhar os cabelos e depois colocar leave in. Isso se tornou obrigatório, pois os cabelos acordavam lá em cima. E com eles tão curtos e tão repicados, eu nem podia prendê-los, se precisasse sair apressada de casa. E tome-lhe a castigar os cabelos com molhagens diárias e a gastar dinheiro com tanto creme. Passei bem uns cinco anos nessa batalha, até que cansei e resolvi amansá-los, há dois meses. Sinceramente, foi a melhor coisa que fiz. Optei por uma solução moderada, uma escova para soltar os cachos, apenas para baixar o volume. Comigo, a mudança de corte ajudou, mas não solucionou. O problema é que esses cortes repicados e desbastados por dentro também acabam se tornando uma espécie de escravidão. Muitas vezes, depois de um mês o cabelo já começa a perder a forma. Quando a parte interna vai crescendo, o cabelo vai inchando e precisando de mais e mais creme. Daí que tem que cortar sempre. E às vezes esse período é tão curto que não dá para trabalhar legal o novo corte. O ideal é aguentar uns 3 ou 4 meses sem cortar, mas fica difícil. Durante esse período a escravidão capilar vai aumentando, e o processo diário de manutenção dos cachos se torna realmente chato. Tenho algumas amigas que aderiram ao cacheado totalmente natural e depois voltaram atrás, recorrendo novamente à química para baixar o volume. Eu não me gosto de cabelos muito lisos, sempre preferi meus cabelos mais cheios, emoldurando o rosto. Além do mais, cabelos lisos não são vantajosos para quem pinta sistematicamente, como eu. Os cabelos cacheados disfarçam a raiz por muito mais tempo. Mudei a tinta, aderi aos tonalizantes. E pretendo manter o corte repicado. Com tudo isso, agora já não fico tão dependente de cremes e leave-in, e também posso deixar os cabelos mais compridos, se eu quiser. Para mim, até agora essa tem sido a solução ideal. Espero que você encontre a sua.

Abraços!

Carol disse...

Cecília, obrigada pela indicação do site Cachos e Fatos. Sério. Muito amor! <3

Lili Beth disse...

Apenas complementando: o corte ajudou, realmente. Depois que cortei, fiquei muito mais aliviada. A manutenção dos cachos dava um certo trabalho, mas pelo menos os cabelos "tomavam jeito". Antes, quando eu os tinha ainda compridos, o processo para ajeitá-los era bem mais penoso. Resultado: eu acabava ficando com os cabelos presos a maior parte do tempo. Se eu não tivesse essa opção, teria me estressado muito mais. Acho que vale a pena cortar. Depois que experimentei, desapeguei-me totalmente dos cabelos longos. Hoje posso deixá-los crescer, para depois passar a tesoura, sem dó. Dá um alívio danado. Mas, como disse anteriormente, a minha solução foi aliar um corte favorável com uma química não tão radical. No meu caso, a cabeleireira falou que eu deveria fazer uma nova aplicação em dois meses, e a partir daí, espaçar o intervalo para 4 ou 5 meses. Como a minha raiz não é muito crespa, o intervalo pode ser mais elástico.

Henrique Freitas disse...

Acho que nenhum homem comentou ainda, mas muitos homens gostam de cabelos cacheados. Eu mesmo acho que chama a atenção e é muito sexy.

Ao contrário do namorado da garota, eu queria que minha namorada tivesse o cabelo cacheado, mas é claro que eu não falo isso pra ela, o cabelo é dela e ela é linda de todo jeito.

Acreditem meninas, homens tem gostos diferentes, tem homens que gosta de mulher gordinha, outros gostam de mulher de cabelo curto, alta, baixa, não tem padrão.

Esse padrão de beleza imposto pela mídia deve ser quebrado, assumam sua própria beleza e podem ter certeza que vocês serão lindas.

Nane disse...

Tenho cabelos super lisos, mas sempre achei lindo e charmoso cabelos cacheados. Quando criança pedia a minha mãe pra fazer cachinhos, e quando os soltava ficava na frente do espelho balançando. E o mais lindo de todos é aquele bem farto e alto.Lindoooo!

Ruama Carneiro disse...

Acho curioso ver tantas mulheres comentarem que os próprios cabelos crespos dão muito trabalho, porque o meu não dá trabalho nenhum! Nunca alisei para fazer a comparação, mas posso garantir.

Eu nunca penteio nem uso produtos para modelar os cachos ou reduzir o volume (e o meu cabelo é volumoso), apenas passo um óleo capilar a cada lavagem pra tirar o aspecto seco.

Lavo dia-sim/dia-não, mas lavava todos os dias quando eu passava muito tempo na rua e ficava muito exposta à poluição. Isso nunca foi trabalho pra mim, mas sim alívio. Também é uma questão estética, já que os cachos ficam menos definidos e mais bagunçados com o tempo. Inclusive, essa rotina de lavagem é bastante recomendada por dermatologistas e cabeleireiros.

Também nunca vou ao cabeleireiro (sei que recomendam aquele tipo de lavagem, porque já vi em revistas, sites e na TV), nem para cortar. Eu mesma faço todo tipo de corte no meu cabelo - longo, médio, curto, mais ou menos repicado, com ou sem franja, etc.

Às vezes, faço aquelas hidratações de 3 minutos, sabe? Mas nada além disso.

Rebecca, vejo que você está bastante determinada e pronta pra enfrentar qualquer adversidade, mas fiz toda essa descrição da minha relação com o meu cabelo pra que você veja como as coisas podem até ser mais fáceis do que você imagina.

Provavelmente, o início será a pior parte, pois o cabelo estará crespo na raiz e liso nas pontas, fora a sua adaptação psicológica. Mas tenho certeza que a tendência será sempre melhorar! :D

Abraços, Ruama.

Haline S. disse...

Que post lindo, Rebecca! Eu, assim como muitas mulheres que têm cabelos cacheados, alisei os coitados durante vários anos. Comecei por pressão da minha família, que insistia em comparar meu cabelo volumoso e cacheado com as madeixas lisíssimas da minha irmã, sempre dando a entender que cabelo bom era que nem o dela. Quando eu tinha uns 11 anos de idade, minha mãe veio conversar sério comigo e disse que assim não dava mais, que meu cabelo tava um terror e que a solução para esse "problema" era o alisamento. Na época eu era meio boba e, como não aguentava mais aquela encheção de saco, me prestei a fazer os tais alisamentos. Pouco depois de completar 17 anos, comecei a perceber que aquele cabelo liso não tinha nada a ver com a minha personalidade e decidi parar de alisar. Melhor decisão da minha vida! Meu cabelo cacheado é parte de mim, o volume e o movimento dos cachos são empoderadores. Então, realmente acredito que assumir os cachos é um ato político, de libertação e aceitação do nosso corpo. Cabelo bom é o que a gente tem :)

Kittsu disse...

Eu estou na Europa. Cara, o povo aqui pira no cabelo enroladinho. Encontrei com pessoas de várias nacionalidades, até americanos, e eles ficaram todos maravilhados, mesmo quando eu estava com o cabelo já meio desgrenhadinho e tal. Achei isso engraçado e legal.

Raven~ disse...

Henrique, acredito que tua intenção foi boa. Mas assim, o cabelo é nosso. A gente não vai pintar, cortar, deixar assim, assado por homem nenhum. Então, na boa. Não importa muito o que vcs gostam ou não.

Raven~ disse...

Ruama, óleo capilar é só amor.

Raven~ disse...

Então, estive aqui pensando - adoro falar de cabelo gente! - e bem, trabalho por trabalho cabelo alisado tb dá. Tenho umas amigas que optaram pela progressiva e elas tem tanto trabalho fazendo chapinha (nunca vi alisamento perfeito que não precise de nem uma escovinha) quanto tinham quando o cabelo era cacheado. Então melhor deixar cacheado mesmo que pelo menos economiza a grana do cabeleireiro.

Maria Fernanda Lamim disse...

Noooosssa....sobre isso eu tenho e historia....
Sou branca e com cara de portuguesa (culpa do meu avo), mas do outro lado tinha uma avo negra,entao tenho peito pequeno, canela fina e cabelo bem crespo.
Foi toda uma odisseia para aprender a ama-lo. Qd eu era crianca, minga avo (nao a avo negra, a outra) vivia querendo alisar meu cabelo. Minha mae, militante feminista e de esquerda nao deixava. Dai minha avo dizia que assim eu parecia "suja e desleixada" (racismo mandou beojos). Dizia que eu tinha puxado o "cabelo ruim" da familia do meu pai...
Adolescencia. Perdi a conta das vezes em que cheguei em casa chorando por causa de bullying com os cabelos cacheados. Puxavam meu cabelo, me chamavam de bombril, de miojo...apos tanta pressao, resolvi alisar.
Passei 2 anos da minha vida gastando uma grana que eu nao tinha e aguentando todas as "torturas" relatadas aqui: puxoes, produtos quimicos com cheiro ruim, dores de cabeca...pra nao citar os cabeleireiros humilhando, "cabelinho duro, hein minha filha?"
Durante muito tempo minha auto estima foi afetada por isso. Ate que, aos 15 anos, entrei pro movimento estudantil e ao me informar sobre racismo, decidi assumir meus cachos. Portanto, foi mesmo um ato politico.
Amigos: que polemica!!! A UNICA pessoa que me apoiou foi minha mae. Minha avo disse que eu fiz isso "pra agrontar" ela, meu namorado na epoca disse que eu fiquei memos bonita, minhas amigas me perguntavam pq eu estava "descabelada"...fui conhecer a familia do meu namorado (que era austriaco) e ouvi do pai dele a seguinte perola: "engracdo....vc e branca como nos, mas seu cabelo e bem DE NEGRINHA, nao e? Por que?"
Enfim...hj tenho 32 anos e NAO ABRO MAO dos meus cachos! Eles foram meu primeiro ato de empoderamento! :)
Ainda passo por coisas otimas. Tipo as colegas do trabalho me perguntarem "pq vc AINDA tem o cabelo crespo com tanta tecnica nova por ai?" ou "mas vc vai a uma festa sem fazer uma escova? Nao vai parecer arrumada!" entre outras. Mas tb ouvi uma otima de um colega de trabalho frances. Ele me perguntou se meu cabelo era "natural", e disse que na Franca muitas mulheres cacheiam artificialmente e nao fica "bonito assim"... :) isso e muitas alunas que elogiam, pesdoas dedconhecidas tb!
Enfim...defendo que todas as cacheadas se assumam. Curly is beautiful! E esse papo de"da trabalho" e a maior balela. Cabelo liso tb da trabalho!

Flávia disse...

Gente, tem produtos que vão tirando o alisamento. Não precisa sofrer com as pontas lisas e a raiz enrolada!

Helen Pinho disse...

nossa não é de se apavorar tantas pessoas relatando a dificuldade de encontrar profissionais que tratem naturalmente o cabelo crespo?! bizarro! mas eu já desconfiava que não era um problema meu ou da minha cidade.

vi vários comentários sobre cortar curto o cabelo quando criança e ele voltar crespo. olha na minha opinião não é pelo corte, é que o teu gene demorou um pouco para ser predominante, meu cabelo era liso quando pequena, foi mais ou menos com 12 anos que ele cacheou.

e sobre "copiar" o cabelo de algum artista famoso, realmente não recomendo, pois a chance de frustração é muito grande, em um processo de transição imaginar que teu cabelo ficará igual de outra pessoa me parece um pouco arriscado.

Raquel disse...

Independente do cabelo que VC ESCOLHER ter, a decisão deve ser sua e acho que a questão aqui êh a interferência do namorado ou qualquer outra pessoa na decisão. Embora seja usual, não acho que seu companheiro deva interferir no jeito q vc usa o cabelo, no jeito vc vc se veste etc. Certas escolhas tem que ser baseadas no seu conforto e bem estar e não na opinião dos outros.

André disse...

Raquel,

Acho que a interferência do companheiro é o de menos. Penso que seria até vantajoso ter um método rápido para descobrir se o companheiro é um babaca. Pior é a pressão das amigas, parentes e da mídia (revistas de fofoca e femininas principalmente).

Aninha disse...

Concordo com a Helen, meu cabelo também demorou para cachear. Quando era criança, ele era liso que nada parava nele, impossível prender.

Aí cresci e ele foi encaracolando, hoje em dia, se eu o penteio fico igualzinha a um leão rsrs. Mas adoro!

Quanto aos cabelos cacheados em si, tenho uma experiência interessante para compartilhar. Duas semanas atrás, levei minha sobrinha para assistir ao show do One Direction (é, a vida é difícil). Achei que seria fácil localizá-la na hora da saída, o cabelo mega crespo no meio dos lisinhos. Que nada! Nunca imaginei que tinha tanta menina de cabelo cacheado no mundo. Fiquei feliz :-)

notyourmari disse...

Quando eu era pequena eu pedia pra minha mãe cachear meu cabelo com aqueles papillotes! A gente fazia com jornal velho, e era super divertido, e eu ia toda prosa pra escola no dia seguinte, com o cabelo todo enroladinho e armado. Eu tinha um cabelo super liso, parecia uma indiazinha, e eu achava super chato, cacheado é que era divertido e fofinho.

Depois, mais velha, eu tinha um cabelo retão, compridérrimo e com uma franja dessas de anime. Eu era super paranóica, não enxaguava o condicionador direito, não esfregava o shampoo como deveria só por medo dele ondular. Fiz relaxamento nos fios, ficava com ele fedendo por dias. Não sei o que aconteceu comigo pra eu pensar assim, mas ok.

Depois eu só usava ele bem curtinho pra esconder as ondas. Até que eu fui morar sozinha, não conhecia nenhum cabeleireiro, e deixei ele crescer.

Hoje ele é onduladão, bem volumoso, com vários cachos jogados. Eu adoro ele assim, e não me arrependo de ter assumido. Quando eu me desenho eu me faço com o cabelo todo despenteado e com cada mecha apontando pra um lado diferente, mas eu gosto de me imaginar assim. Visual todo rebelde e foda-se, como deveria ser. Eu até que cuido bem mal dele e acho que um pente de vez em quando não seria de todo ruim, mas meu divertimento é amassar e desarrumar ele todo de manhã, pra depois ele ficar parecendo uma juba majestosa, hahaha

Juliana Leite disse...

A verdade é que cabelo dá trabalho e ponto! Sendo liso, ondulado, enrolado ou crespo!
Eu nasci de cabelos lisos e nos períodos de picos hormonais (menarca, adolescência e gestação) eles foram enrolando... sempre brinco que, se gestar mais uma vez, ganho um cabelo afro, rsrs.
Independente do formato, meu cabelo sempre foi armado. Quando era mais liso parecia que era pior... não sei se era porque não sabia arrumar ou porque, pela falta de forma, não sei...
Ainda assim, por um bom tempo fiquei chapando o cabelo... mais por costume mesmo, sempre achei o cacheado bonito... minha mãe e irmãs possuem cachos lindos e bem formadinhos. O meu hoje não é como o delas... ainda é absurdamente liso por um palmo da raiz e começa um ondulado/cacheado que, pra definir, necessita de um bom corte.
Como já disseram, no Brasil não há muita divulgação de cuidados com cabelos cacheados, graças a Deus existe a internet e seus guetos, rs. Se for permitido, gostaria de compartilhar com as cacheadas esse site onde encontrei dicas maravilhosas sobre cuidados com cabelos:

http://www.produtosdebeleza.com/

Juliana!

Natalia Alencar disse...

(Excluí o comentário pra consertar o nome do Grupo do FB, dsclp)

Eu também estou no processo de abandonar o cabelo alisado e pretendo voltar aos cachos. Nem sei se volta a cachear da mesma forma que quando eu era criança, mas vamos tentar né?

Gastei muito dinheiro com produtos e tratamentos (isso pq minha cabelereira é dessas "de bairro", que me conhece desde criança e cobra super barato), e nenhum alisamento permanente funcionou por muito tempo. Pra durar um pouco mais tenho que fazer além das progressivas, relaxamentos que detonam o fio - e geralmente finalizar com a chapinha. Esse sacrifício todo era pra ~domar~ o cabelo por uns dois meses - aí tinha que fazer tudo de novo.

Essa fase de transição tá sendo bem chatinha, mas eu tenho fé que vai compensar. \o/

Além do Fórum Encaracoladas, eu tenho frequentado os grupos do Facebook "Cronograma Capilar" e o "No/Low Poo Iniciantes". Achei a rotina interessante, ela elimina os shampoos da rotina de lavagem e restringe os condicionadores e cremes de trametamento que contém substâncias que não são facilmente elimanadas na lavagem. Recomendo pesquisar sobre, pode servir de inspiração pra quem também está cansada da vida de escova+chapinha-chuva, haha!

Juba disse...

Eu, que não gosto de ter trabalho, uso mega curtinho. E o incrível é que em muitos salões conseguem destruir o corte, mesmo sendo simples. Cabelo ondulado e curto, joãozinho. Só fica bom quando corto no Lunablu, onde cortam a seco e sem firulas. Pra quem tem ondulado/cacheado/crespo, é uma das melhores opções.

Amelie disse...

Para quem tem interesse, tem uma menina desses blogs que falam sobre beleza e maquiagem que se chama Maraísa, e ela está passando pelo processo de transição capilar, deixando de usar qualquer química. O cabelo dela é beeeeeem crespo, e está ficando super bonito:

www.blzinterior.com.br

Ana Torres disse...

Eu não tenho cabelo crespo, então sou meio suspeita pra falar. Eu acho super lindo os cachos! E trancinhas afro tb são bonitas! Meu irmão tem um cabelão crespo assumido e trabalha num banco! É perfeitamente aceitável! Torço pra que vc consiga ter o seu cabelo natural e manter emprego e namorado ..que é o que acho que vai acontecer!

Helen Pinho disse...

essa é uma boa "dica" para ver se o cabeleireiro tá ligado em corte de cabelos crespos: cortar com o cabelo SECO.
a primeiro cabeleireiro que topou cortar meu cabelo o/ lavava pra cortar e o resultado era bom, mas o atual que corta com o cabelo seco consegue resultados muito mais interessantes.
como nosso cabelo normalmente "encolhe" cortando seco se tem muito mais controle, o processo todo é diferente, normalmente cabelo crespo não se dá muito bom com corte reto que é normal nos cabelos lisos.

Quel disse...

Tenho cabelo crespo e já fiz relaxamento por influência da cabeleleira. Quem diz que cabelo crespo dá muito trabalho ou não sabe cuidar ou nunca teve cabelo crespo. Eu tinha muito mais trabalho com o cabelo com relaxamento, que ressecava mais, quando a raiz crescia ficava esquisito e o cabelo ia ficando cada vez mais liso, mais murcho, mais blé. Ai eu precisava secar antes de sair de casa, pra amassar as pontas e formar cachos, senão acabava com as pontas mais lisas (e sem volume nenhum) e raiz volumosa e cacheando. Além do preço de fazer quimica, da demora.
Nessa época eu via meninas com cabelos naturais e ficava repensando minha escolha, pois cabelo crespo, muito crespo, cacheado, ondulado, todo tipo de cabelo é lindo quando bem cuidado, e meu cabelo sendo muito fininho, não aguentava bonito por muito tempo com quimica.
Deixar de fazer quimica vai ser horrivel, mas se você aprender a cuidar do seu cabelo, vai gostar do resultado. Eu aguentei um tempo, um dia sai do banho e cortei toda a parte com quimica, me arrependi, claro, afinal foi uma decisão não pensada. Pra ganhar comprimento relaxei mais uma vez, mas dessa vez só abriu um pouco os cachos. Ai nunca mais relaxei.
Hoje eu gasto muito com produtos bons pra hidratar. Ainda assim, é bem menos do que deixava no salão. Eu mesma cuido, eu aprendi a hidratar usando os produtos que usam nos salões caros, eu corto, só vou a salão quando é pra festa. Em salão eles querem que você seja lisa e loira, e não tenho paciência pra lidar com isso.
Descubra como cuidar do seu cabelo, peça conselhos pras meninas com cabelos parecidos com o seu e bonitos. Nem sempre vai dar certo, mas uma hora você descobre como cuidar e ai você vai adorar ser cacheada.

Larissa disse...

Eu acredito que as pessoas devem buscar o ótimo entre o que desejam e o que dá trabalho. Cabelo é um negócio que a gente não consegue deixar em casa quando acorda ruim, tem que ser uma rotina simples. Eu tenho o cabelo bem liso e sou louca por cachos. Faço para festas, até para sair de vez em quando, quando quero ficar linda. Dá trabalho, então não é visual de todo dia. Fui pintar outro dia com uma pessoa nova e ela era negra com cachos definidissimos, brilhantes, no ombro, cheios. Elogiei o cabelo dela e perguntei o que tinha feito pro cabelo ficar tão bonito. Ela me disse: NADA! Penteei com leave in definidor e amassei... E sim, fiquei com invejinha.

Pra mim cachos são os cabelos mais lindos que tem, dos mais relaxados aos mais afro, são maravilhosos. Amem seu volume! Acho uma sorte poder ter cacho todo dia sem ter trabalho...

Quel disse...

Uma coisa maravilhosa de ser cacheada: você pode fazer qualquer coisa no seu cabelo! Pode fazer escova e ter cabelo compridão (cabelo crespo esconde comprimento), pode modelar fazendo seus cachos mais abertos ou mais miudos, o cabelo pega melhor quando é modelado. A ex mulher do meu primo que um dia que me viu de escova me disse isso, pois ela tinha cabelo lisinho e fininho e por isso o cabelo dela sempre ficava igual, pois nada pegava direito.
A única coisa que acho realmente ruim é que como ele esconde comprimento, depois de adulta nunca mais consegui ter cabelo comprido, pois demora pra crescer e eu corto antes. Já cabelo liso mostra que cresceu super rápido.

Aurea Bèart disse...

Sou mãe de uma caheada que aos 6 anos teve a cabeleira alisada à revelia(????) pq o cabelereiro cismou que deveria usar um produto para reduzir o volume!!! Ela foi com a avó, e é claro que quando eu vi o resultado desta bosta, fui lá tirar satisfação. e o cabelereiro achando q ia receber elogios pela surpresa...
depois disso passei a levar no Beleza natural, q tem em várias cidades do Brasil. Dá uma olhadinha no site. eles tem uma linha de produtos a preço de shampoo normal de farmácia, e tão boa que até eu, com meus cabelos ondulados uso.
Por ser um salão especializado em cachos, os preços não são iguais aos salões de bairro. Devem ser ums 15% a mais. mas vale a pena. vc sai sempre linda e respeitada na sua individualidade de cacheada. o difusor tá sempre a mão (rsrsrs) e a escova só rola se vc quiser. BJs, seja feliz!!!!

Jane C. disse...

Cresci sendo chamada de "nega do cabelo duro que não gosta de pentear", e até 2007,só andava de cabelos presos. Meu cabelo é cacheado e volumoso,e para mim,era impossível soltá-los. Até que um dia conheci um salão (não vou falar o nome pra não fazer propaganda,embora ele mereça!)onde pude fazer um tratamento apenas para reduzir o volume e dar forma mais definida aos cachos. Demorei muito para ter coragem de andar de cabelo solto,pois o estigma me perseguia,assim como o medo de ser "zoada" (mesmo já sendo adulta). Hoje em dia, tenho cabelos compridos e cacheados que eu amo e são super elogiados.Aprendi que não preciso seguir a moda (ou melhor,ditadura) pra ser bonita.De vez em quando,alguém pergunta se já quis alisar (uma vez entrei num salão apenas acompanhando uma pessoa, e ouvi: "vamos dar um jeito nesse cabelo!", sem falar que quando entro para fazer a unha,costuma sempre vir alguém me informar que o salão faz escova X, Y ou Z),mas geralmente o que ouço é que faço bem em manter meus lindos cachinhos.Temos que nos amar e fazer o que quisermos, e não o que nos é imposto.Boa sorte,Rebecca!Você vai encontrar muita gente tosca te criticando,mas vai encontrar muitas cacheadas para mostrar que somos sim lindas respeitando nossa natureza. =)

Arícia Salvi disse...

tem um documentario feito pelo chris rock sobre cabelo afro e a cultura do alisamento e modificação enraizada na sociedade. É bem interessante além de ser super engraçado.
http://www.youtube.com/watch?v=1m-4qxz08So
Recomendo demais.

Natalia Alencar disse...

Sobre cabelereiros:

Eu nunca fui lá, mas tem um salão em SP que se chama Garagem dos Cachos... As meninas dos fóruns e desses grupos do FB costumam postar as fotos dos cortes que fazem lá!

Segue link de alguns "antes e depois"

http://www.cachosefatos.com.br/p/garagem-dos-cachos.html

Laís Feitosa disse...

Sei o que é isso. Alisei meus cachos por MUITO tempo. Pelo menos dos 12 aos 22 anos. Não q eu quisesse alisar, mas minha família, principalmente minha mãe, sempre me influenciou a alisar. Sempre o msm discurso de q cabelo cacheado é feio, bagunçado, de podre e blábláblá. Um belo dia, por volta dos 22 anos, resolvi parar com os alisamentos. Foi uma época bem difícil. A transição é complicada e não tive o apoio de ninguém. Minha mãe me criticava o tempo todo por eu ser, na cabeça dela, desleixada, por parecer uma revolucionária(como se isso fosse ruim), por parecer uma pobre mesmo tendo dinheiro p pagar alisamento... Tive q ouvir tanta asneira... Mas segui em frente com a minha decisão. E quando meu cabelo cresceu o suficiente para cortar a parte lisa, foi libertador. Pela primeira vez em tempos eu estava vendo o meu cabelo de verdade. E ele é lindo. Recebi muitos elogios. Críticas tb. Da minha mãe, de alguns imbecis preconceituosos. Mas hj já nem ligo tanto pra elas. A sensação de liberdade é tão boa q as críticas ficam pequenas diante dela. E o melhor foi eu ter influenciado uma amiga minha a parar de alisar. Há poucos dias ela veio me dizer q vai assumir os seus cachos e q eu a ajudei a tomar essa decisão. Fiquei tão feliz por ela. No fim das contas minha mãe estava certa.Fui um pouco revolucionária ao quebrar as barreiras desse preconceito estúpido contra cachos. E como todo revolucionário, acabei influenciando alguém. E espero q essa minha amiga influencie outras mulheres e assim por diante.
Para ajudar as mulheres q pretendem assumir seus cachos, recomendo os seguintes blogs/vlogs: Rayza Nicácio, Cinthya Rachel, Meninas Black Power, entre tantos outros. Essas mulheres ensinam como cuidar dos cachos, dão dicas para o período de transição e, o mais importante, nos ajudam a aceitar e a amar nosso cabelo como é de verdade.
Abraço!

Mônica C. disse...

Meu cabelo é liso e volumoso, então sempre foi aquele inferno de cremes, fivelas, elásticos, etc... Agora abri mão da cabeleira, corto cada vez mais curtinho e, olha, tem sido um alívio e tanto. Economizo tempo e dinheiro, me poupo do stress: uma maravilha.

Tamires disse...

Uma coisa que sempre sofro é:
Cabelo cacheado É DIFERENTE de cabelo crespo.

Meu cabelo não tem nada de crespo e tem vários cachinhos, assim como tem cabelos crespos e cacheados.

Ambos lindos, mas temos que diferenciar! Nem a a indústria química sabe disso e é uma droga para mantê-los assim.

Cláudia disse...

Engraçado, eu já li tantos e tantos posts aqui, já senti vontade de comentar mas acabei deixando para lá...rs. No fim, estou aqui, comentando um assunto tão "banal" rs.

Brincadeiras a parte, para mim não é banal falar de cabelo. Sofri muito durante anos para aceitar o meu cabelo como ele é, pressão das pessoas ao meu redor para deixá-lo mais ajeitado, etc e tal.

Venho de uma família miscigenada, meio branca, meio negra. Eu tenho a pele morena e os cabelos são bem escuros, mas a forma deles é bem difícil de definir. Não são crespos, mas também não lisos. São bem volumosos e durante muito tempo eu acreditei que era impossível cacheá-los.

Durante a minha adolescência, no começo dos anos 90 simplesmente não existiam produtos no mercado para cuidar de cabelos como o meu. Muito menos profissionais capacitados para cortá-los. E menos dinheiro ainda para ir num bom salão fora da cidade para consultar um profissional decente. Conclusão, passei anos da minha vida com eles presos. Comecei a fazer relaxamento aos 15 anos, e resolveu o problema do volume, mas o cabelo ficava fraco, opaco...

Aí, entre o fim da adolescência até pouco antes dos 30, foi uma montanha russa - tinha horas que eu amava meu cabelo, tinha horas que o odiava. Ah, sim e sempre longo, reto e sem movimento.

Passava longe da progressiva porque os bons tratamentos custavam muito caro. E eu fugia dos baratos, com medo de ficar careca. Até que finalmente cedi e fiz a bendita. Os cabelos ficaram lindos, lisos, perfeitos. Nem parecia que tinha química.

Fiz progressiva durante uns dois anos, mais ou menos. Até que me deu um clique e achei que merecia dar uma chance pra descobrir qual era a do meu cabelo. Essa fase coincidiu com a descoberta de uma cabeleireira ótima, de um salão de bairro mesmo, mas super competente. Ela sempre elogiou o meu cabelo, e quando eu disse que não faria mais a progressiva, ela me deu dicas de cortes diferentes. E fui mudando aos poucos...

Até que um dia, quando fui dar a entrada no meu FGTS na Caixa, vi uma foto da Camila Pitanga em um dos folders, linda e poderosa com um cabelo curto e cacheado. E meio que me vi nela. Liguei para o salão no mesmo dia, e dias depois passei a tesoura, a foto servindo de inspiração. E meus cachos, até então inexistentes, finalmente apareceram.

Foi um longo processo, mas hoje estou satisfeita. Tem dois anos que uso os cabelos curtos e cacheados. Dá mais trabalho, ele insiste em "alisar", tenho que amassar com leave in, ativador de cachos e todos esses produtos. Mas deixei de gastar uma fortuna com química, hoje só gasto mesmo com o corte, a cada 3 meses e os produtos diários.

Atualmente não tenho problemas no trabalho por assumir o cabelo cacheado, mas já ouvi mt desaforo de colegas de trabalho e os conselhos mais absurdos, mesmo sem pedir.

Hoje eu gosto de ser "diferente". Eu vejo tanta menina, novinha ainda e já estragando os cabelos com química, e fico com tanta dó. Por isso acho extremamente importante um post como esse, para ajudar a levantar a nossa auto estima e assumir nossos cabelos como eles são, seja lisos, cacheados, crespos, afros, etc.

Anônimo disse...

Engraçado que por aqui onde moro não vejo isso (ou talvez eu seja um E.T sem desconfiômetro, como já comentei muitas vezes com meu esposo). As pessoas que conheço acham lindo cabelo cacheado, procuram dicas de como deixar os cachos mais definidos. Eu mesma nunca tive problemas com o meu - não chega a ser crespo, mas sim encaracolado. Adoro! Posso fazer qualquer penteado e até mesmo prender sem nenhum elástico ou presilha que sei que vai ficar. Tirando a rebeldia ao acordar de manhã, que resolvo umedecendo um pouco antes de ir trabalhar e o frizz (oras,todo cabelo tem frizz no final das contas, a gente não mora em salões de beleza nem fica lá o dia todo), eu amo meu cabelo! Já os tive lisos e durante a adolescência foram encaracolando,não tive grandes problemas em assumir, embora a transição tenha sido meio chata porque o cabelo não se definia e eu vivia prendendo.
Enfim, desejo que a autora do post seja feliz assumindo seu cabelo e que as pessoas à sua volta entendam que "cabelo ruim" é falácia!
A Helen tem razão, difícil é achar cabeleireiro que entenda de cachos e saiba fazer algo mais que simplesmente cortar as pontas. Olha que é um saco, faz anos que só corto as pontas mesmo porque moro em uma cidade pequena e as cabeleireiras simplesmente não sabem como fazer algo diferente sem que "fique volumoso demais". Ele não é volumoso, só fica assim se eu passar escova - óbvio, porque desmancha os cachinhos, oras.

Anônimo disse...

Eu sou negro. Minha mãe assumiu os cabelos crespos depois de adulta, pois na infância sofreu muito fazendo alisamento com pente quente e essas coisas. Minha irmã mais velha manteve os crespos até os 18 anos e sinceramente eu achava que os cabelos crespos combinavam mais com sua personalidade. Aliás ela era a única das amigas que não alisava. Lembro que ela tinha um cabelao crespo e volumoso e quando às vezes ela me acompanhava no cabelereiro, eles já vinham doidos pra alisar. Quando minha irmã apareceu em casa com os cabelos alisados minha mãe ficou um pouco desapontada. Confesso que eu também. Mas como foi por vontade dela, nós respeitamos.

Sarah disse...

Sou lisa, mas me lembro de olhar outras pessoas da família com cabelos enrolados e até outras crianças e achar aquele cabelo lindo enquanto o meu agora não parava uma presilha. Achava estranho que ao crescer minhas amigas (especialmente negras) alisavam os cabelos cada vez mais, até eu não conhecer mais nenhuma cacheada, depois entendi a pressão social pra que isso ocorresse. Triste. Eu era uma criança criada a salvo (na medida do possível) de racismo e essas outras questões e achava cachos lindos, maior prova de que sem a influência externa essa preferência por lisos não existe.Recomendo essas tirinhas incríveis "a kindumba da Ana" que falam sobre uma garota que decide deixar os cabelos naturais e descobre sua beleza mesmo quando a sociedade a pressiona. É um amor.

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.396303223781254.94668.396040817140828&type=3

Anônimo disse...

Oi moço, acho que você não entendeu bem.. Ninguém aqui está preocupada com o que uzómi gostam ou deixam de gostar.

Anônimo disse...

Oi Lola. Eu entendo que a mídia tem um padrão de beleza racista, que gosta de impor vários padrões, não apenas o do cabelo. Porém tenho umas dúvidas: E se uma mulher ciente disso preferir seus cabelos alisados por se sentir bem assim? Está sendo alienada? Está sendo racista? Eu não consigo criticar quem alisa ( embora tenha amigas militantes que criticam muito) pois como feminista, levo muito em consideração o direito que a mulher tem decidir sobre seu próprio corpo, inclusive o cabelo. Beijos Lolinha <3

Anônimo disse...

Olha só, cada cabelo se comporta de uma maneira diferente. Tenho uma amiga que aos 45 anos tem os cabelos iguais como eram na fase da adolescência. Mesmo pintando sistematicamente, a cada 20 dias, os cabelos dela nunca deixaram de ser brilhantes e sedosos. Ela não precisa fazer massagens e nenhuma espécie de tratamento para recuperar os fios tingidos. Já outras amigas que tingem, nunca mais tiveram os cabelos de outrora, mesmo fazendo hidratações com profissionais e usando bons produtos em casa. Conheço gente que usa produtos de qualidade e não consegue recuperar devidamente os fios, enquanto outras conseguem resultados bem mais satisfatórios com produtos populares, muito mais baratos. Existem determinados produtos que funcionam bem num cabelo e mal em outro. Portanto, não existe uma fórmula infalível. Cachos podem ser fáceis de tratar para algumas pessoas, difíceis de tratar para outras. Existem fatores genéticos, fatores hormonais, FATORES AMBIENTAIS, estresse, doenças, enfim, uma série de coisas que influenciam na saúde e no aspecto dos cabelos. Cada caso é um caso!

Anônimo disse...

Meu cabelo era legal. Pena que eu não sabia.

Nunca foi crespo creeeeeeeeespo, tava mais pra liso em cima e ondulado do meio pra baixo. Uma boa hidratação deixava ele bonito e tudo mais. MAS NÃO!!!!! Vamos alisar, alisar é tudo, cabelo liso que é bom! E lá fui eu me meter a fazer escova progressiva.

Preciso dizer que eu destruí meu cabelo com essas químicas do inferno?

Isso serviu para que eu reparasse uma coisa importante. Um dos argumentos para alisar é que seria mais fácil de cuidar e manter. No meu caso, isso foi a mentira do século, explico:

1. Meu cabelo é muito fino. Ao natural, tinha volume. Alisado, virou uma coisa rala horrorosa que embaraçava só de olhar pra ele. Eu, que nunca temia chuva ou tempo úmido de repente me vi escrava do cabelo simplesmente porque qualquer vento fazia ele virar um ninho de rato.

2. O melhor tratamento que existe para o meu tipo capilar é a velha tesoura mesmo. Pode usar o shampoo que for, o condicionador que for, se não comer direito e não cortar de vez em quando qualquer "tratamento" é puramente estético. Vitamina em cremes é a coisa mais enganosa do planeta (depois do masculinismo, da heterossexualidade do Feliciano e do Herbalife, nessa ordem), quer vitaminar a juba que está crescendo? COMA DIREITO.

Em cabelo com progressiva isso é mais enganoso ainda porque o produto "sela" o cabelo. Usando um termo técnico, vitrifica. Cria uma capa no fio, que não entra nada e que quando sai, leva o que ele tem de bom embora.

Alguém falou que os """"profissionais"""" de salão é que não sabem cuidar de cabelo cacheado/crespo, concordo totalmente. Precisa de estudo, técnica, profissionalização e instrumentos corretos. Não é um cursinho vagabundo do Instituto Universal Brasileiro que vai formar um profissional apto pra lidar com essa estrutura capilar mas né, povo quer é ganhar dinheiro com escova, com química e o caramba. Estudar, que é bom, aí dá muito trabalho... pena que as clientes aceitam qualquer merda também, seja por preconceito, falta de informação ou "branquificação" do mundo.

Agora quero fazer um adendo: mais alguém aqui fica indignada quando colocam que tudo bem ter cabelo crespo, mas que os cachos precisam ser definidos um a um manualmente e não pode ter uma nesguinha de frizz sequer? Eu acho que é trocar uma opressão pela outra. Foda-se essa merda.

Anônimo disse...

Mas que celeuma...

Se for para defender a naturalidade total dos cabelos e combater qualquer tipo de """"opressão"""", então eu recomendaria a troca da foto que acompanha a postagem. O cabelo da modelo é cacheado, mas certamente tem muita produção por trás dele. Melhor seria colocar um exemplo mais natural, para ilustrar a realidade da maioria.








Raíssa disse...

Vai em frente Rebecca, compensa muito, eu também vou voltar com os meus cachos! Gente para dizer que você é mais bonita/mais feia de um jeito x ou y vai existir sempre, seja você cacheada, alisada, loira, morena, magrinha, "gostosa", gordinha... Pense primeiro em você, depois em você de novo, e por último em você de novo também!

Existem vários vídeos de cacheadas no YouTube com dicas de cuidados, cortes e incentivos... Um pequeno detalhe: a maioria dessas meninas não ganha nada com esses vídeos, mas ajuda muitas de nós. Depois ainda insistem em dizer que nós, mulheres, não somos unidas.

Vai em frente, o cabelo é seu, use como você achar melhor. =)

Gabriella disse...

Não se deixe abater!

Passei pelo mesmo processo que você Rebecca. No inicio do ano passado resolvi que não iria alisar meus cabelos, havia cansado. A grande surpresa é perceber o grau de importância que as pessoas dão pra essa decisão (que é extremamente pessoal)

Um monte de gente falou que era uma fase estranha que eu estava passando, culpa da minha idade (tinha 17 na época)e ninguém parecia entender que era uma questão de autoconhecimento, de redescoberta.

Há dois meses, antes de começar a faculdade, decidi me livrar de toda insegurança e ponta lisa. FOI A MELHOR DECISÃO QUE TOMEI.

Me sinto livre, poderosa, linda com meu cabelo crespo apontando pra todas as direções e mostrando pra sociedade que eu não me importo com padrões racistas e que pra mim se trata de uma escolha.

Rebecca disse...

Gente, que coisa LINDA!
Passei os últimos dias fora e qual não foi a minha surpresa ao entrar aqui e ver meu e-mail publicado como Guest Post e essa chuva de comentários positivos, e dicas, e troca de experiências... Vocês são todxs lindxs!
Li um por um e anotei os sites e grupos que vocês falaram! Vou consultar e testar formas de lidar melhor com essa transformação.
Já tinha um tempinho que eu tinha mandado esse e-mail pra Lola, então posso dizer pra vocês que eu não desisti, to firme e forte na trilha de resgatar os meus cachos e muito feliz com a minha decisão! rs
Hoje a opinião alheia já não me incomoda e eu adoro ostentar o meu volume por aí ;)
Não acho que quem alise o cabelo seja menos feminista, tudo é uma questão de escolha. Eu parei pra repensar o meu alisamento porque essa escolha não partiu de mim. Me foi sugerida, eu acatei (afinal, queri ter o cabelo liso e "bonito" que nem de todas as meninas) e mantive alisando porque era um terreno mais fácil e seguro. É tudo uma questão de escolha e consciência. Continuo achando cabelo liso bonito, mas não mais bonito que o cacheado. Agora quero valorizar o que é meu.
Mais uma vez, muito obrigada a todxs vocês!
E mil vezes obrigada a você, Lola! Por ter publicado o meu e-mail despretensioso e ter me dado a oportunidade de ler tantas coisas lindas e positivas de tanta gente bacana!
Muitos beijos!

Anônimo disse...

Meu cabelo é crespo. Sou branca. Nasci ruiva. Com o passar dos anos, hoje aos 32 anos ele tá castanho médio. Por pressão do marido que acha que pq meus pêlos são ruivos eu tenho que tingir meu cabelo de ruivo. Alfaparf 834 ou igora777. Com isso ele tá danificando. Ficando feio.
Meu marido disse q vou ficar feia se parar de tingir.
Que merda.
Tô com um tonalizante castanho comprado faz um mês mas n posso usar. Sei q ele vai brigar.
Se eu pintar vai igualar tudo e me livrarei da tortura de tingir o cabelo. Mas daí meu marido briga cmg.
odeio minha vida.

Josiane Weber disse...

No meu caso sofria preconceito com o cabelo crespo "duro", sofro preconceito com o cabelo alisado. Segundo os críticos de plantão trata-se de eu não me aceitar. Mas ouço isso de gente oxigenada, gente que também faz progressiva (e que não acha errado por não ser negra), gente que usa lentes, adora pegar um bronzeado...
Eu penso que cada um faz o que quiser com seu corpo e seu cabelo, sempre vão ter aquele que vão julgar.
Já usei cabelo vermelho, preto, castanho, black power, alongamento, tranças e hoje faço alisamento e vou mudar sempre que eu quiser independente da opinião dos outros.

Anônimo disse...

Minha história é o contrário de todo mundo. Cresci com cabelo cacheado preso, por pressão familiar, porque cabelo bom era cabelo liso. Detalhe: família de negros! Aos 14 anos, mudou-se para minha rua um carinha que tinha um cabelo cacheado lindo, que todas as amigas adoravam (ele e o cabelo). Um dia, experimentei sair com meu cabelo solto. Gente! Foi um tão de perguntar onde fiz a permanente, se usei bobs, e eu a dizer que era natural e ninguém a acreditar. Tive que pentear, molhar e deixar secar na frente das pessoas para elas acreditarem. Depois foi só amor. Minha marca registrada. Hoje, aos 40, a única química no cabelo é tintura, pois tem 1 ano que pinto de ruivo, que acho lindo. Ocasionalmente, faço reconstrução e dou uma escovada, mas nunca aguento mais que 2 dias e já fico agoniada para voltar para meus cachos. Se rola uma pressão social, sim rola, mas muito pouca. Aqueles comentários tipo "você devia escovar seu cabelo mais vezes" ou "você fica melhor assim". Escuto e não esquento. Morei nos EUA um tempo e cansei de ter o cabelo puxado em fila de banheiro de boate porque as mulheres queriam saber se era cabelo de verdade, já que muitas americanas usam aplique, extensão e etc, ou crianças loirinha de cabelo super escorrido ficarem apontando pro meu cabelo e dizerem que queriam que fosse igual, além dos marmanjos, que sempre enrolavam o dedo nos cachos pra puxar conversa. Os brasileiros é que tem fixação maior com cabelo liso. Aqui, recebo mais olhadas com o cabelo liso que cacheado, não dá pra negar, mas adoro meus cachos e não pretendo abrir mão deles.

Gabi disse...

Eu precisava de uma indicação de porto alegre! Espero que tu veja isso algum dia!