sábado, 5 de outubro de 2013

GUEST POST: ASSÉDIO MORAL, BULLYING PARA ADULTOS

Creio que o blog nunca tratou deste tema importante, o assédio moral no trabalho.
Segundo um site especializado, o assédio moral "é a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do emprego".
O site lembra que um só ato isolado de humilhação não constitui assédio moral. Ele precisa ser repetitivo e intencional (para fazer a vítima largar o emprego, por exemplo). Geralmente uma pessoa do grupo é escolhida como bode expiatório. Quase 70% das vítimas de assédio moral responderam que as humilhações ocorrem várias vezes na semana. É tão grave, e tão frequente, que não raro leva ao suicídio. 
Aqui há algumas perguntas e respostas sobre assédio moral e sexual. Aqui, algumas dicas de como combatê-lo. Aqui, toda uma cartilha explicando o que é e o que fazer.
A M. me enviou um relato sobre o assédio moral que sofreu. É aterrorizante!

Comecei a trabalhar aos 13 anos de idade como office girl, muito cedo, em 1985, pois minha mãe havia enviuvado jovem e com três filhos pequenos para cuidar. Eu era a mais velha de todos, e desde então trabalhei para ajudar minha família, e estudei para ter um bom futuro. 
Estudei numa escola técnica em Administração e comecei um estágio na área administrativa de uma editora. Quando terminei o curso seria o fim, mas o gerente resolveu me contratar como auxiliar dele. Fiquei muito aliviada, pois assim poderia iniciar uma faculdade, mas aí começaram os meus problemas. 
Muito cedo soube que as relações de trabalho devem ser separadas do vínculo familiar, e meu comportamento sempre foi reservado e sério. Quando contratada como funcionária pela editora, ao deixar de ser uma estagiáriam tudo começou a piorar entre os colegas. Se antes o contato profissional era cordial, algo mudou. No começo foram piadinhas com a forma que eu caminhava, depois minhas roupas, meu cabelo. Eu ignorava tudo isso, pois estava lá a trabalho e não para vida social, mas aí as coisas se complicaram. 
Quando eu ia abrir uma gaveta havia uma cusparada, meus documentos rasgados e, consequentemente, muito trabalho para ser refeito, fora bilhetes ofensivos. Eu continuava ignorando, limpava a sujeira e refazia o trabalho, pois era um grupo e eu não saberia quem realmente estava fazendo isso, se uma ou mais pessoas. Isso foi no ano 2000, e não havia todo este aparato tecnológico disponível hoje para pegar vilão ou vilã. 
Pra piorar, os bilhetes começaram a aparecer com surpresas: insetos, restos de fezes. Mesmo que eu tentasse ignorar, isso passou a prejudicar minha saúde, já que não podia deixar água numa mesa, por exemplo. Um dia deixaram uma caixa lacrada em minha mesa com meus dados e o endereço da empresa; quando eu a abri, havia um rato morto dentro. Coloquei um basta e fui conversar com o chefe de edição da editora. Foi convocada uma reunião com todos os funcionários, mas ninguém se manifestou ou esboçou reação. 
Então o editor-chefe resolveu demitir meu gerente e contratar um outro amigo da família para gerenciar o departamento. Mudanças? Não exatamente, pois o tal gerente começou a atribuir a mim várias funções. Eu não só fiquei com a parte administrativa, mas também precisei cuidar da recepção e da parte da circulação da revista; não tinha horário de almoço. 
O que alegavam para essa sobrecarga? Falta de funcionários. O estopim veio quando o novo gerente veio tratar comigo sobre um envio de exemplar de revista atrasado. Estávamos no arquivo, e ele me deu um croque na minha cabeça e eu me defendi. 
No mesmo dia entrei em contato com uma jornalista que tinha uma editora, contei a situação e ela me ofereceu emprego. Embora o salário fosse bem menor, aceitei e pedi demissão. 
Como eu estava trabalhando e fazendo faculdade, resolvi prestar concurso público e passei em uma instituição de saúde estadual. Comecei a trabalhar como escriturária, e durante um ano foi tudo tranquilo. O problema foi quando abriram para cargo de comissão que nada mais é do que cabide de emprego para pessoas oportunistas que conhecem políticos e assim conseguem emprego sem terem nenhuma capacidade.
Veio uma mulher "trabalhar" no hospital como chefe de unidade hospitalar, sem conhecimento nenhum na área da saúde, mas com costas quentes e marido que era assessor de um deputado. Eu naquela época cursava Farmácia e pretendia prestar concurso interno na área, pois trabalhava num hospital e queria fazer um curso vinculado ao meu trabalho. Essa mulher começou a tirar as minhas funções, e fiquei sem acesso a telefone e a documentos que eram necessários para o meu trabalho. 
Ela solicitou minha transferência para a recepção do hospital. Como coisas misteriosas aconteciam, como o sumiço de chaves e fichas de atendimento, comprei um broche espião e um gravador. Numa das minhas “conversas” com ela, gravei tudo em fita e vídeo pelo broche espião, coloquei data, horário, fui a uma delegacia, e fiz um boletim de ocorrência. Ainda assim, o delegado alegou falta de provas, e disse que a gravação havia sido feita sem consentimento. 
Consultei uma advogada e ela falou para eu pedir transferência para outro hospital estadual, fiz outra consulta com outro advogado, a mesma resposta e o mesmo que o delegado falou: imagens sem consentimento. Um terceiro advogado disse que poderíamos fazer algo, mas o risco era meu, pois a tal senhora tinha bons contatos e eu poderia terminar mal. 
Acabei pedindo uma licença de dois anos sem remuneração deste hospital e prestei outro concurso público em outro estado. Passei e atualmente trabalho e moro em uma cidade do interior do sul do Brasil. Tenho uma vida simples, mas tranquila e com paz, se bem que essas memórias ainda me afligem. 
O assédio moral atinge tanto mulheres quanto homens e pode ser prejudicial tanto no sentido profissional como no de saúde. Como trabalhei na área da saúde, vi casos de muitos pacientes com este quadro em laudo pericial. Infelizmente eu não pude provar o assédio moral que sofri nas duas empresas, mas espero que este post ajude quem passa por este sério problema. Existem coisas que você pode e deve fazer
Eu vejo o assédio moral como um bullying de adultos. Ninguém deve se submeter a esta humilhação.

35 comentários:

Pili disse...

eu vejo bullying como assédio moral de crianças.
...a gente ensina elas a fazer isso.
e elas aprendem direitinho. fazem tanto na infância quanto na idade adulta.

Maria Valéria disse...

Eu sofri assédio moral da faculdade,de preceptores., alias , de UM preceptor em particular,, que sempre fazia questão de acabar comigo
Na época, nao sabia que isso se chamava assédio moral nem que poderia ter denunciado a ouvidoria da faculdade.
Se bem que se eu reclamasse talvez tivessem feito vista grossa.
Terminei minha especialização porque ja tinha começado e quis ir ate o fim, mas peguei o diploma de especialista e tranquei na gaveta ate hoje, fiz pos graduação em outra area e garanto que nao tomei essas decisões a toa, parece que nao quero mais exercer nenhuma atividade que lembre daquele meu passado de estagiária.
Todo mundo diz que tem medico desumano, que deveria gostar de gente pra exercer a profissão,senao melhor escolher outra coisa..A mesma coisa eu digo com relação a preceptor ou professor universitário,se vc nao tem paciencia pra lidar com gente, com aluno,se tranca no laboratório fazendo pesquisa sozinho e nao enche o saco do aluno pra traumatiza- lo ou descontar nele suas frustrações pessoais,


jacmila disse...

Capitalismo Selvagem=meritocracia=coisificação humana=pessoas descartáveis=competição=inveja=projeções=frustrações=assédio moral

jacmila disse...

3 anos de estágio probatório, 3 anos de assédio moral = síndrome do pânico

ma1w disse...

Eu vivi situações parecidas com um orientador que tinha prazer especial de torturar psicologicamente os alunos com um sarcasmo corrosivo. Ele também gostava de fazer jogos e voltar os alunos uns contra os outros com o pretexto de que a competição aumenta a produtividade. No fundo, era puro sadismo. Quando confrontado, apenas se limitava a dizer que era só uma brincadeirinha. Eu tenho histórico de bullying na adolescência, e isso me tornava irritadiço. Eu estourava com qualquer provocação. Nem preciso dizer que virei presa fácil nas mãos dele. Aquilo me machucou demais e tive que recorrer a muita terapia.

Depois de um tempo arranjei um emprego e me deparei com uma situação ainda pior. No meu primeiro ano houve uma mudança de chefia e assumiu uma chefe com duas habilidades especiais: mentir olhando nos olhos e se fazer de coitada doente perante os outros. Logo de cara ela empregou vários parentes. Eles eram bem incompetentes e cometiam erros primários. Ela sempre dava um jeito de acobertar os erros deles jogando a culpa nos outros. Foi uma época bem mais difícil, mas dessa vez, meu histórico de já ter sido escaldado ajudou bastante. Engoli muitos sapos, mas passei meses recolhendo provas e testemunhos das pessoas que ela havia prejudicado. Quando percebi que os superiores já estavam insatisfeitos com ela, fui na sala do diretor e abri o jogo. Foi o suficiente para mandar meia dúzia pra rua e eu assumi o lugar dela. Acabou que fiquei com a fama de ambicioso maquiavélico para algumas pessoas que não haviam acompanhado a história toda e ainda fui processado por calúnia e difamação numa tentativa de intimidação que não deu em nada. Agora que já passou algum tempo, percebo que se tivesse reagido logo na primeira oportunidade, dificilmente teriam me levado a sério e provavelmente a acusação ia se voltar contra mim.

Eu vejo que a principal diferença entre o bullying entre crianças e o assédio no trabalho é a agressão física. No mundo dos adultos elas são bem mais raras. Os ataques acontecem através de jogos psicológicos. Acho que o essencial é reconhecer quando alguém quer começar aquele jogo de humilhação e culpa e se recusar a entrar nessa. É difícil e requer muita paciência e uma boa dose de sorte. Não é à toa quando dizem que o capitalismo estimula comportamentos psicopáticos. Pois o jogo predatório do psicopata é exatamente este.

GHOULS IAMHOME disse...

existe muito bullying na vida adulta, de todos os tipos. por isso virei misantropo e comecei a odiar o ser humano, hoje em dia nÃo tenho mais amigos e não me socializo mais. eu tenho outra fonte de renda, mas se eu tivesse que trabalhar eu faria merda no trabalho com certeza, poderia ate matar alguém que tivesse zombando de mim

Koppe disse...

A diferença é que bullying em escola geralmente não envolve autoridade, é aluno contra aluno. Assédio moral muitas vezes se perpetua porque envolve hierarquia. Um texto interessante sobre isso:

http://www.desfavor.com/blog/2013/02/desfavor-bonus-defenda-se-empregadores-toscos/

"Não tem que brigar, não tem que dar a cara a tapa. A pessoa está em condição de superioridade hierárquica, é burrice dar soco para cima. Porém, é inteligentíssimo fazer coisas nos bastidores, preservando o anonimato, que aos poucos minem a credibilidade e, porque não, a saúde mental de gente assim. Veja o lado bom: se apresenta um comportamento escroto, é sinal que muito equilibrado e seguro ele não é. Muitas vezes basta um totozinho e a coisa despenca rápido. Tenha calma, sabedoria e paciência de se preparar para isso.

É necessário que você ESTUDE seu chefe. Estude mesmo. Invista tempo conhecendo-o, mas não falando diretamente com ele. Use outras armas: redes sociais, internet, prestar atenção em conversas telefônicas, trocar informações e impressões com colegas... vale tudo, desde que você não deixe claro que está estudando seu chefe. Seja discreto. (...)

Depois de muito tempo de estudo, identifique os pontos fortes e os pontos fracos do chefe em questão. Não tem jeito, a convivência diária acaba fazendo com que as pessoas revelem coisas pessoais. Vai pescando, vai armazenando. Não precisa fingir de amigo, porque aí é demais, as pessoas percebem a falsidade em algum momento. Ideal é passar em branco, de preferência como uma pessoa neutra, "na dela" ou quem sabe até como babaca. Não chame atenção para você nem para o que está fazendo. Atitudes como sair dizendo "Se tirar onda com a minha cara vai se dar mal" e ameaças assim são proibidas. Você é uma sombra, uma sombra que trabalha o dia todo em silêncio.

Quando já tiver informações consistentes (e isso pode demorar meses, mas quem se importa, você estaria lá de qualquer forma!) identifique o calcanhar de Aquiles: a insegurança maior, a pisada de bola maior, o ponto fraco que desestrutura. Pode ser o fato dele roubar da empresa, pode ser o fato de ser um descontrolado de merda que excede o limite do tolerável, pode ser o fato dele trair a esposa. Qualquer coisa que cause um estrago grande na vida da pessoa basta. Foco nisso e comece a plantar sementinhas. De forma anônima, claro.

Não tem que ter pressa, isso demora mesmo. Mas quando a recompensa vem, ela vem que vem! Comece a usar o ponto fraco para minar a confiança e a paz de espírito do chefe aos poucos. Seja criativo, você vai ter oito horas por dia, cinco dias na semana (no mínimo) para esperar aquela oportunidade ideal surgir: trocar um objeto de lugar, sumir com algo importante, mandar recado implícito anônimo, começar a jogar no ventilador provas que incriminem, fazer algum tipo de terrorismo sutil que possa parecer loucura da pessoa... um passinho por vez, sempre sendo muito cuidadoso para não ser descoberto.

Não bata de frente nunca, não importa o quanto você seja provocado. Lembre-se, VOCÊ é o lado inteligente da briga. Sangue frio e bola para frente. (...)

Se você fizer as coisas bem feitinhas e tiver sabedoria de executar sua meta aos poucos, com cuidado e sutileza, uma hora a pessoa cai ou pede para sair. Gente abusiva não se trata com racionalidade, ou nos afastamos, ou se não for possível, tentamos afastar a pessoa. É justamente isso que estou propondo: afaste um chefe abusivo de você. Alguém vai se foder, que seja ele. Não tem como escapar de armadilhas de alguém que convive com você oito horas por dia, uma hora a pessoa abaixa a guarda e aí ela leva. E não, seu chefe não é tão inteligente e fodão, se fosse não se portava assim, como um panaca. Pode bater que ele cai.
"

mihaelo disse...

O "bullying" de escola também é dirigido às professoras(es) e no Brasil é muitíssimo intenso, gerando a Síndrome de Burn Out. Está cada vez mais impossível lecionar nas escolas públicas brasileiras devido à bagunça, à gritaria, o entra e sai de alunos das salas de aula e brigas até mesmo com armas brancas ou de fogo. E os colegas que estão fora da sala de aula, exercendo a direção, nada podem fazer, visto que em nosso país é proibido suspender alunos. Apenas nos Colégios Militares é permitido impor sanções aos estudantes(detenção aos sábados para ficar estudando no colégio).Não é de admirar que o Brasil tenha tirado o penúltimo lugar na avaliação internacional de ensino ficando atrás apenas da Indonésia.

Maria Valéria disse...

Koppe

Interessante o texto que vc coloca, mas eu nao teria estrutura e sangue- frio pra fazer isso.Se acontecer comigo, prefiro trocar de emprego.Mas pra mim falar isso e fácil, na minha area ( medicina) ninguem fica desempregado, nem todos tem essa sorte,
Outra opção seria denunciar ou relatar o problema com o seu chefe pro superior hierárquico dele( se houver!!)e torcer para nao haver vista grossa,

Dona Coisa disse...

Tremi nas bases quando vi esse post.
Fico muito triste pela autora e não acho que eu teria ficado na minha se encontrasse fezes na minha mesa. Acho que matava um.

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Há mais ou menos 10 anos eu estava terminando a faculdade e me ofereceram um trabalho dos sonhos em uma grande empresa brasileira. Não vou falar qual, pois tenho medo.

De qualquer forma, eu, ainda em processo de me formar na faculdade, fui chamada para abastecer o conteúdo do site da ouvidoria da empresa ganhando o que, pra mim, era uma fortuna. O motivo: QI. A amiga da minha prima de terceiro grau me indicou, sei la porque, pois nem a conhecia. Estou falando isso pq depois entrou no jogo.

Entrei na empresa. Minha chefe era uma mulher que eu admirava: lutou contra a ditadura, foi parceira de pessoas que consideramos heróis - havia lutado pelo nosso país e pelo meu futuro. No trabalho estudei primeiramente sobre a empresa e seu funcionamento, sobre o que era a ouvidoria e sobre o trabalho interno da empresa de prevenção de doenças do trabalho, causas salariais, conflitos entre funcionários da casa e terceirizados e, principalmente, sobre assédio moral.

Ganhei uma cartilha sobre o tema e me interessei imediatamente por ele. O motivo: notei que minha colega que trabalhava em frente a mim estava sendo assediada exatamente pela chefe - a mesma que me estava ensinando o que era assédio moral, a mesma que defendia os trabalhadores contra ele. A mulher que, historicamente, eu admirava tanto.

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continua

Dona Coisa disse...

Era óbvio para mim que minha colega tinha mais carga de trabalho que os outros, notei como seu pedido de férias foi posto como um pedido de regalias, percebi que ela estava ficando doente e que era tratada como fresca por todos, inclusive pelos colegas de muito tempo - que defendiam seus postos de trabalho e a chefe com unhas e dentes.

Finalmente a colega conseguiu as tais férias. No dia seguinte à sua viagem foi convocada uma reunião geral. A ouvidora começou a reunião dizendo que era óbvio para todo mundo que minha colega estava fazendo cu doce, que inventava doenças e que queria receber sem trabalhar. Que ela tinha usado influências internas na empresa para conseguir as férias naquele momento. Prosseguiu dizendo sabia que não existia "fofoca de salário" na firma, mas que nós acabávamos "trocando informação" e que ela iria aumentar os salários de outros funcionários de mesmo nível para que ela, quando descobrisse, ficasse tão chateada que se demitisse.

Achei impressionante que apenas eu tenha ficado abismada com a reunião. Decidi seguir a cartilha da própria ouvidoria e me unir com minha colega, pois uma das piores coisas para quem sofre assédio moral é ficar sozinho, sem ninguém com quem contar.

Quando ela voltou de férias, trocamos mensagens pelo email pessoal e combinamos de nos encontrar escondidas, em outro andar e outro bloco do prédio. No maior estilo espionagem eu saí primeiro da sala, alegando uma reunião. Ela saiu depois, para almoçar. Nos encontramos. Na varanda havia câmeras de segurança, nos escondemos delas como pudemos e eu contei o que tinha acontecido.

Minha colega ficou abismada e acabou conseguindo uma transferência interna (o que pra minha chefe não foi o suficiente e ela perseguiu essa colega por vários setores da empresa). Ficou claro que alguém havia contado a ela sobre a tal reunião e que esse alguém era eu (a única a dar bom dia a ela no dia em que voltou de férias).

continua de novo

Dona Coisa disse...


Obviamente o assédio caiu em cima de mim. Nos meses seguintes nada que eu fazia era bom o suficiente. Minhas atribuições cresceram. Eu era a primeira a chegar e a última a sair da sala e ainda assim era tratada como vagabunda. Tudo que eu pedia para poder realizar minhas funções me foi negado. E comecei a receber telefonemas dia sim dia não da chefe para me dizer quanto incompetente eu era. E para completar, ainda era obrigada a posar sorridente em fotos internas da empresa ao lado dela.

Tivemos uma reunião geral de emergência atrás da outra para que ficasse claro que "o delator" seria descoberto e para que soubesse que iria pagar caro. Que os computadores que usávamos seriam alvo de investigação pela TI da empresa. Que eles achariam provas.

Obviamente eu estava em pânico. Esse foi meu primeiro emprego depois da faculdade e o primeiro que me pagava bem e, alem de tudo, tinha status. Eu queria aquele emprego, eu queria aquele dinheiro, eu queria aquele status. A parte da minha familia que me tratava como "sem futuro"estava me respeitando. Eu tinha dinheiro para levar namoradas para jantar, para convidar amigos duros para eventos. Eu podia jogar na cara desse e daquela ex que eu, finalmente, era alguém.

Quanta besteira, né?

Enfim, comecei a adoecer. Tinha cólicas horríveis, ficava doente o tempo todo, desenvolvi uma alergia nojenta na pele - erupções por toda parte.

A cada vez que eu ficava doente recebia um telefonema da chefe perguntando: você está de sacanagem com a minha cara? Uma vez, eu fiquei um dia no hospital, soro na veia ela ligou gritando que era pra que eu parasse de fingir. A enfermeira do meu lado, trocando soro, tirando sangue.

Havia as festas pessoais dos funcionarios que todos iam, menos eu. Havia os funcionarios fazendo festinhas e ouvindo pagode às alturas e fumando dentro da sala. Eu botava o fone de ouvido, eu pedia para apagar o cigarro. E tudo era jogado na minha cara, em reuniões tete a tete com a chefe, na sala dela, sem testemunhas. Nessas reuniões eu fui chamada de ser humano ruim, de desprezar meus colegas, de ser individualista por usar fone.

Numa reunião ela disse que eu estava ali única e exclusivamente por causa do meu pai, a quem ela estava fazendo um favor. Mas você nem sabe o nome do meu pai! retruquei - ela nem sabia qual tinha sido o QI que tinha me posto ali.

No fim da historia eu fui demitida. Passei 6 meses de cama, deprimida.

Dois anos mais tarde o rapaz que me substituiu me ligou dizendo que ia entrar com uma ação por assédio moral contra ela e que estava me chamando. Havia outras pessoas que também haviam sofrido. Um dos meus antigos colegas (um senhor cheio de experiência, gestor, executivo) ficou tão mal que só conseguiu emprego um ano depois da demissão como gerente do mac donalds - ele tinha perdido a confiança em si mesmo.

Tomei coragem e entrei com a ação - que perdi. Nas palavras do juíz: como eu tinha coragem de acusar aquela mulher incrível, que lutou pelo nosso país e posteriormente lutava exatamente pelos direitos dos trabalhadores?

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Posso dizer que, ainda hoje, sinto as sequelas desse assédio. Por muitos anos eu tremia de medo de cometer qualquer erro no trabalho - ainda estou trabalhando nisso. Ainda tenho pesadelos de que sou incompetente, tenho medo de cara feia de chefe. De vez em quando fico com mania de perseguição no trabalho. Está melhor hoje em dia. E quando percebo que um ambiente não é bom pra mim, simplesmente caio fora - o que é bem mais fácil quando se é freelancer e sem filhos.

Mas meu conselho para quem vive isso é: consiga provas, anote tudo o que acontece e tenha aliados. Mas, principalmente, se a coisa ficar feia e não tiver jeito vá embora. É melhor sobreviver e continuar forte do que ficar cheio de marcas e com medo do mundo. Sinceramente.

jacmila disse...

Os coments focam no assédio vertical (chefia-subalternos) mas o A.M ganha mais perversidade qdo é horizontal, ou seja, entre colegas. Exemplos de como acontece:

- o "colega" faz comentários depreciativos sistemáticos, pode ser a roupa, o jeito diferente, q não se encaixa no rebanho: "a festa vai ser onde?", "não é só vc q acha ela esquisita";

- para se colocarem como "funcionário modelo" relatam p/ chefias supostos erros do colega, inclusive valendo-se do "departamento interno de mediação", q de mediação não tem nada, pois age como uma delegacia;

- manipula os demais colegas com jeitinho sedutor, para q fiquem do seu lado, ou ao menos calados diante de suas tramóias;

- este assediador tem estratégia do mal pois joga com os nervos da pessoa assediada, se ela reage ele vai usar em seu favor, relatando p/ seus superiores: "vc saiu chutando carteira";

- ele sabe q a simples presença dele causa mal estar intenso na pessoa assediada, aí q ele se diverte, fazendo questão de ficar na cola;

Este tipo de criatura é covarde pois escolhe quem ele considera mais vulnerável e aí entra o genero: são homens assediando mulheres. Os exemplos acima são reais pq estou passando por eles por conta dum colega genero mascuzinho. Já disse na cara dele q ele precisa se tratar, ir em psicólogos e afins. O sindicato lava as mãos alegando q não pode interceder qdo os dois são sindicalizados. Teve um seminário sobre AM recentemente aqui, perguntei sobre esta postura do sindicato e a resposta: isto é indecente, este sindicato está mais pensando na contribuição mensal do q em ética.

jacmila disse...

Inveja do Ghouls Iamhome, não precisar trabalhar!

Sou misantropa e preciso trabalhar, aguentar o espírito de horda, o espírito de rebanho da maioria.

É deveras deprimente.

Os relatos aqui são deprimentes mas são de pessoas q conseguem pensar com a própria cabeça, conseguem ver o absurdo da situação.

Ângela disse...

Por muito incrível que pareça... sofri muito mais assédio nos trabalhos concursados que na iniciativa privada. Nos meus trabalhos concursados sempre fui humilhada, perseguida e finalmente dispensada. Na iniciativa privada fui e sou muito mais respeitada. Meu recado: nunca se prenda a lugares doentios por "segurança". A única segurança aí é enlouquecer.

Patty Kirsche disse...

Olha, eu sofri assédio moral quando tive um cargo público. Se na época eu já soubesse o que estava acontecendo, teria movido um processo contra as minhas agressoras: a minha chefe e a diretora do setor. Eu só percebia que era discriminação por gênero, porque era muito na cara a diferença para o tratamento que meus colegas homens recebiam. Era meu primeiro emprego, então a falta de experiência me deixou sem saber o que fazer. Hoje eu acho que a gente precisa sempre fazer alguma coisa. As pessoas não têm o direito de jogar os preconceitos delas em cima da gente.

Patrick disse...

A questão do bullying no trabalho forma um dos principais eixos do terceiro volume da Trilogia Millenium. Infelizmente a história foi completamente ignorada na adaptação para o cinema.

y disse...

Por que o último post foi apagado? Não entendi se era uma reclamação sobre seu marido ou se ele havia escrito ou falado as coisas do post. Mas ficou meio esquisito.

@dddrocha disse...

Por que o mundo é podre desse jeito? A minha impressão é de que as pessoas são piores que animais violentos e esperam a melhor oportunidade de atacar e sair ileso.

Espero que não passe por isso mais, querida.

lola aronovich disse...

É que não tava pronto! Na verdade, eu escrevi aquele post há uns 3 anos, depois de uma briga com o maridão. E fui deixando na "caixa de posts agendados", sempre re-agendando. Só que esqueci de re-agendá-lo da última vez. E, como fiquei quase dois dias em BH, longe da internet (por total falta de tempo), só vi que o post havia sido publicado hoje, quando voltei a Fortaleza.

y disse...

Rs, bem que parecia estar faltando alguma coisa! Anyway, parabéns pelo blog, acompanho a algum tempo e tem me ajudado bastante em um momento difícil. Beijos!

Fernanda disse...

Uma coisa acho importante: não colocar aquele trabalho como O ÚNICO trabalho que existe. Isso ja alivia muito, ainda que seja um bom salario e uma atividade que lhe dê prazer, saiba que existem outros como esse. Quando a gente compreende e aceita isso de forma consciente, quando se tem a nitida certeza que a vida é um jogo, e que aquele trabalho é so um trabalho, fica mais facil de lidar com qualquer problema ali dentro.

E ai creio sim que o mais indicado seja sair fora. Se possivel, denunciando o ocorrido e responsabilizando os algozes. Como foi dito ai em cima, eu concordo que é preciso denunciar e expor as pessoas que assediam. Acho que isso ajuda muito a prevenir novos predadores.

Ana disse...

KD o post de domingo?

Gabriela disse...

Passei por uma situação parecida numa grande empresa multinacional há um ano atrás. Minha chefe era um ser humano absurdamente nervoso, irritadiço e explodia muito facilmente. Por mais que eu fizesse o trabalho direito, no prazo e com grande qualidade, ela arrumava um jeito de implicar comigo ou com meu colega de trabalho. A situação piorou quando ela percebeu o quanto aqueles barracos me afetavam, algo meio sádico eu diria. A partir de então, ela passou a me humilhar constantemente na frente de outros funcionários, gritando que eu estava fazendo alguma coisa errada, ou que não estava me doando suficientemente para empresa (como eu odeio hoje em dia esse discurso). Eu chegava nas reuniões como medo, tinha palpitações e falta de ar. Desenvolvi uma depressão depois de um ano, uma experiência que eu nunca tinha tido antes na minha vida. Pensamentos sobre suicídio se tornaram recorrentes, e eu acabei descontando isso no meu próprio corpo, deixando de comer. Eu obviamente fiquei doente, me ausentei por quatro dias do emprego e, como era de se esperar, fui criticada por minha chefe por isso. Depois de estar quase um ano e meio nesta situação, eu resolvi sair da empresa. Se tivesse optado por continuar, tenho certeza que não teria aguentado viver naquele ambiente opressor. Resolvi mudar de ares e seguir uma carreira acadêmica, que apesar de seus incontáveis problemas, me pareceu e ainda parece uma boa alternativa pessoal.
O único conselho que eu posso dar para quem está nessa situação (um conselho que eu gostaria de ter recebido) é que saia dela o mais rápido possível. Ainda hoje eu sinto que não consegui me recuperar totalmente da depressão, da ansiedade, da baixa estima e afastar todos estes fantasmas do assédio moral. Talvez estivesse melhor se tivesse optado por "saltar" desta situação o quanto antes.
Sua felicidade não pode ser barbarizada por estes sujeitos que se comportam como verdadeiros psicopatas. Psicopatas estes que, dado os rumos deste capitalismo doentio, são encontrados em cada biombo de escritório. As pessoas são descartáveis para as empresas, mas acho que é preciso inverter um pouco esta relação. Se você sofre assédio moral, ou se você começou a ser maltratado por colegas ou chefes não pense duas vezes antes de mudar de emprego.
Um último comentário: Estou achando um absurdo o posicionamento da nossa "justiça" perante aos casos que foram efetivamente denunciados. Eu mesma optei por não levar meu caso para os tribunais, com medo de sofrer ainda mais e prorrogar esta má situação. Na época, também, eu estava estilhaçada emocionalmente, sem qualquer chance de lutar sozinha contra algo que eu nem sabia ao certo o que era.
Lola e M., adorei o post, me fez refletir, repensar e desabafar sobre algumas dores do meu passado.

Anônimo disse...

Eu já tive a infelicidade de passar por uma situação de bullying. Foi por um período curtíssimo e não chegou a 1% da gravidade do bullying sofrido pela M ou pelos outros comentarias. Mesmo assim eu pude sentir como isso nos desestabiliza e enfraquece. O sujeito não sabia pedir nada sem gritar, ter dúvidas era atestado de burrice e incompetência, fazia piadas depreciativas na frente de outras pessoas e chegou a sugerir que eu largasse meus estudos pois eu era estúpida e incapaz.
Eu estava fazendo um estágio não obrigatório e como não fiquei até o fim, não recebi nada. Mas penso que tive uma sorte imensa de poder virar as costas e ir embora.
Eu imagino o quanto desesperador deve ser pra quem não tem como sair do emprego ou como se desvencilhar do bullier.

Jane Doe

Anônimo disse...

Lola, muito, muito, muito obrigada por este post.

Anônimo disse...

Uma coisa importante é deixar claro do motivo pelo qual está saindo da empresa, mesmo que não haja processo. Há um tempo atrás uma grande empresa aqui de Minas, demitiu o chefe de um setor por perseguir um funcionário. Inclusive o chefe do chefe foi demitido pq a empresa entendeu que ele não fez nada para acabar com a situação.

Anônimo disse...

Sofri AM no trabalho uma única vez, mas foi pra. Única mais esquecer.
Em 2007 um colega de trabalho encabeçou um abaixo assinado para retirar o chefe, alegando problema de acusações que eu nunca havia presenciado.Nunca tinha visto o chefe fazer aquilo do que o acusavam, entao nao assinei, mas 90% das pessoas ali assinaram e ainda me acusaram de ser egoísta e de nao pensar " no coletivo"
Dai, o chefe saiu, e adivinha quem se tornou chefe?o colega que encabeçou o movimento contra o outro.
Dai ele começou a me perseguir se uma maneira muito sutil, por isso demorei a perceber,como por ex me retirar funções alegando incompetência técnica mas alegando que me daria chance de " melhorar " e recuperar a função.
Segui o conselho de um amigo e me fiz de sonsa, embora magoada fingi que nao me afetou,
Dai ele foi conseguindo outros modos me me atingir,porque viu que esse nao dava certo,
Duas pessoas , colegas de trabalho, mas nao de cargo,que eram minhas " amigas " viraram as costas pra mim na época , uma delas começou a me destratar, alegando que eu nao fazia nada do que ela " esperava de mim" E o chefe foi tirando mais e mais funções e ainda me colocou pra trabalhar o triplo do tempo num setor onde ninguém queria e gostava,alegando que teu tinha pouco serviço e ficava muito " ociosa" ( meus clientes moravam mais longe que os outros, dependiam de 2 linhas de ônibus e por isso faltavam muito, mas se eu ficava algum tempo sem tarefas por causa disso nao era culpa minha) , e ainda ele conseguiu convencer todos os outros colegas que me sobrecarregar era necessário, porque todos trabalhavam muito e so eu " ficava ociosa"
Por causa dessa tarefa que tive que fazer o triplo , comecei a ter dor na mão,no punho,nos braços, porque eu passava 3 períodos da semana escrevendo 4 hs sem parar.Reclamei disso e ele alegou que por muito tempo fez o mesmo que eu, nesse setor por 3 turnos,, entao eu tinha que me submeter a mesma coisa,
Fui aguentando e como nada disso parecia me atingir muito,ele deu um jeito de dar o golpe final: me chamar numa sala com as duas " amigas " e dizer que meu serviço era péssimo, que todo mundo reclamava, mas nao soube citar nem nome, nem data de quem reclamou,disse que precisava me mudar de função. E que pra isso precisava de um laudo medico alegando que eu tinha um problema mental que me incapacitava pra exceder o trabalho pro qual fui contratada, respondi que nunca aceitaria fazer isso,ao que ele respondeu que a única alternativa que me restava seria a demissão,
Dai de lá chorando, fiz um BO e consultei um advogado do meu sindicato, o qual disse que eu nao poderia fazer nada porque as duas " amigas" presentes na conversa dificilmente testemunhariam a meu favor,
Disse na cara de uma delas que ela nao era minha amiga e que nunca mais olhasse na minha cara,pra outra nao pude, porque pertencia a mesma equipe e tive medo que algum de nossos clientes fosse prejudicado nessa estória,
Pra encurtar a estória,consegui ser demitida,porque tive ajuda de terceiros, de superiores bem acima do meu chefe, Eu nao queria mesmo pisar naquele lugar nunca mais,e ele estava forçando a barra pra eu pedir a demissão,
Arrumei outro emprego num lugar ótimo, com pessoas bacanas, depois mudei de cidade e estou feliz onde estou.
Moral da estória :'saia do emprego o quanto antes,nao fique engolindo desaforo, achando que voçe aguenta,que uma hora eles dão um jeito de de atingir,
Esse meu ex - chefe saiu do serviço naquele ano e deu o cargo de chefe a " amiga" que esteve presente na conversa que teve comigo para me pedir laudo atestando incapacidade mental,( por que será ??)
Hoje nao tenho contato, mas pelos poucos amigos que tenho desse serviço antigo sei que esse cara vive sendo homenageado como uma pessoa ética, humana,que fez muito pela nossa área...
E quanto a tudo o que aconteceu, faz mais de quatro anos,e tem horas que acho que sonhei, que aquilo nao aconteceu, que nao foi real...

Anônimo disse...

Tem hora que dá uma desânimo do ser humano.Tanta coisa a ser repensada, inclusive o valor exarcebado dado ao trabalho.

Fernanda disse...

Nossa, eu também às vezes desanimo demais de estar nesse planeta. Insisto: não consigo compreender MESMO, não sou capaz de ter empatia por esses que sentem prazer massacrando os outros.

jacmila disse...

O AM no ambiente de trabalho se visto pelos ditames do feminismo pode dar a entender que sororidade e empoderamento da mulher mtas x não se misturam.

Minha área de atuação é predominantemente feminina e pude testemunhar verdadeiras aberrações em termos de ética, muita inveja e frustração. E td isso pra lidar com crianças, adolescentes. Lógico q o bullyng corre solto

E são essas criaturas q culpabilizam o assediado e ainda dizem q "psiquiatra é coisa de maluco". Santa Estultície

Anônimo disse...

Primeiro: o q vc não pode é gravar conversa de terceiros. Gravar conversas SUAS com ALGUÉM é aceito. Ou essa pessoa está mentindo ou consultou advogados muito ruins.

Em segundo lugar, sempre desconfio de quem sofre bullying em todo lugar. É aquela coisa: se todo mundo, em todos os lugares, implicam com vc, talvez o problema não seja os outros, mas vc!

Anônimo disse...

http://www.conjur.com.br/2011-fev-16/gravacao-conversa-usada-prova-direito-trabalhista

http://www.conjur.com.br/2009-fev-04/gravacao-propria-conversa-telefonica-usada-prova

desse último, ressalto o seguinte trecho: ''No caso de conversa gravada por quem dela participou, a situação é diferente. Com a ressalva dos casos de sigilo profissional ou da intimidade, Cezar Peluso entende que “quem revela conversa da qual foi partícipe, como emissor ou receptor, não intercepta, apenas dispõe do que também é seu e, portanto, não subtrai, como se fora terceiro, o sigilo à comunicação.”

O ministro ainda sublinhou que não parece sensato impedir o uso de gravação que se traduza na prova cabal da veracidade do que a parte afirmou em depoimento à Justiça.''

Anônimo disse...

Também fui vítima de assédio moral. Apenas hoje vejo assim. Antes eu achava que era incompetente mesmo e meu chefe tinha razão de ser daquele jeito.Até hoje não sei como aguentei 01 ano com ele me detonando de todas as formas possíveis e imagináveis. O cara era tão maluco que se agendava reunião pra 19 hr tinha q ser 19 h e não 19:01 ou 18:59...Além disso nada, NADA mesmo, podia ser por telefone, tudo tinha q ser combinado por email.Ele parecia querer arrumar provas da nossa suposta incompetencia. O nível de exigência era muito alto, e nunca satisfazia. Passei a sofrer de gastrite, me dava nauseas só de ver que havia email dele pra ser lido. Depois de um ano, passei em outra seleção e minha chefe era ótima.Mas demorou pra eu superar o trauma e eu tinha medo cada vez q abria o email...

A Wild Garden disse...

Apenas quando a lei cobrar multa pesada, prender sem fiança a coisa pode suavisar, mas acabar no Brasil, infelizmente nunca. É um traço cultural a covardia, especialmente contra mulheres.