segunda-feira, 25 de março de 2013

CONSELHO DE MEDICINA SE POSICIONA CONTRA A HIPOCRISIA

Semana passada aconteceu um fato inédito e digno de celebração pra qualquer pessoal que seja a favor da liberdade de escolha. O Conselho Federal de Medicina e 27 conselhos regionais, que representam 400 mil médicos no Brasil, se posicionaram sobre a questão do aborto pela primeira vez: dois terços são a favor da vontade da gestante. Apoiam a interrupção da gravidez até a décima-segunda semana de gestação. Ou melhor, como disse o presidente do CFM, “Defendemos o caminho da autonomia da mulher”. 
Em outras palavras: não apoiam o aborto, mas a escolha da mulher em abortar. É exatamente este o ponto. Ninguém é a favor do aborto, um procedimento que deve ser feito em último recurso e que jamais substitui o controle da natalidade. Eu mesma nunca fiz um aborto, e se engravidasse, provavelmente não faria. Mas eu defendo o básico: que cada mulher tenha autonomia sobre seu corpo e, por isso, cabe a cada uma decidir. 
Agora o CFM levará sua posição à comissão especial do Senado que analisa a reforma do Código Penal. Opa, Código Penal? Mas aborto não é uma questão de saúde pública? Não no nosso país, que tem uma das legislações mais atrasadas do mundo em relação ao tema. Aqui, aborto é assunto de polícia. E aí fica aquela pergunta: você é favorável à prisão de uma mulher que aborta? Muita gente é. Tem até quem defenda a pena de morte. Felizmente, um assunto tão sério não fica nas mãos de gente com mentalidade medieval. Não é a maioria que faz ou aprova as leis para minorias, por um motivo óbvio: na maior parte das vezes, os direitos das minorias não interessam à maioria.
Nosso Código Penal tem o mesmo texto desde 1940, e é desnessário dizer que muita coisa mudou de lá pra cá. Por isso ele vem sendo discutido por uma comissão no Senado. Há vários temas polêmicos (o aborto sendo o pincipal), e, portanto, acredita-se que o texto só será levado para aprovação no plenário no ano que vem.
Faz um ano, a comissão de juristas nomeada pelo Senado aprovou um anteprojeto que aumenta as possibilidades de que aborto não seja visto como crime (hoje o aborto é permitido em apenas três casos: se a gravidez for resultado de um estupro, se há risco de vida, se o feto é anencéfalo). Nesse texto está o direito à interrupção da gravidez até doze semanas, desde que um médico ou psicólogo ateste que a gestante não tem condições de arcar com a maternidade. Agora o CFM deu respaldo a esse texto, e sem a necessidade do laudo médico ou psicológico. 
Este bloguinho que vos fala já criticou Conselhos de Medicina várias vezes, seja pela posição de conselhos contra o parto em casa, seja pela falta de punição para médicos que cometem assédio sexual. Mas esta decisão do Conselho Federal de Medicina sobre o aborto é maravilhosa, corajosa, e deve ser aplaudida. 
Os argumentos contra a legalização do aborto são poucos e previsíveis, até porque todos já foram discutidos e rebatidos nos países em que o aborto é legalizado -- nada menos que em 74% do mundo; somos nós que estamos atrasados em algumas décadas. Um argumento constante contra a legalização é que ela forçaria médicos a fazer algo que vai contra seus princípios. Claro que essa argumentação quer fazer crer que toda a classe médica é contra a legalização, o que não é verdade em nenhum lugar. 
Em geral, médicos são pessoas racionais, que sabem que abortos acontecem clandestinamente (mais de um milhão por ano no Brasil). E esta não é uma invenção feminista do século XX. Gravidez não desejada sempre aconteceu, e mulheres sempre encontraram formas de interromper um processo que acontece no seu corpo. O problema é que esses procedimentos clandestinos muitas vezes matam. Vale ressaltar que matam não só o feto, mas também a mulher. Abortos clandestinos são a quarta maior causa de morte materna no Brasil (por exemplo, aborto supera câncer de mama em internações pelo SUS). 
Mas já ouvi e li muita gente dizer "bem feito". Essa gente quer que mulheres morram. Essa gente não tem a menor empatia por mulheres e nem por seus filhos. A empatia é toda por um feto, algo abstrato, sem nome, que eles chamam de criança. Assim que o bebê nasce, já não é mais preocupação deles. Agora se vira, dizem eles para a mãe. Quem mandou fazer filho?
Sei bem que mascus não representam um bom exemplo pra coisa alguma, mas às vezes, ao ver uma caricatura, percebemos as contradições de quem tem um discurso mais sutil. 
Um mascu, como quase todo ser de extrema direita que se preza, é radicalmente contra o aborto -- menos quando o filho é dele. Aí ele tem certeza que a "vadia" engravidou de propósito para tirá-lo de provedor, e pensa no que fazer para impedir essa gravidez. 
Ou seja, como é típico, mascu é contra o aborto dos outros. É o velho desejo de controlar um corpo que não é seu.
Mas vamos acreditar que mascus são contra o aborto de modo geral. Não tem nada no mundo que eles odeiem mais que mãe solteira. Ué, mães solteiras deveriam ser idolatradas por qualquer pró-vida. Deveria erguer monumentos pras mães solteiras. Afinal elas, contra todas as dificuldades, decidiram levar a gravidez adiante e ter o filho, mesmo que isso represente que ela cuidará dele sozinha, sem ajuda. Mas não. Nossa sociedade abomina mães solteiras. 
Mascus as chamam de M$ol, sugerindo que elas estão desesperadas atrás de um provedor. Sinto muito, mas custo acreditar que alguém que chama filho de mãe solteira de EAA (Esporrada Alheia Ambulante) está preocupado com um feto. Quer dizer, se mascu consegue se referir a uma criança, uma vida de verdade, como EAA, qual a empatia que pode ter por um feto, um projeto de vida? Ou por acaso este projeto de vida é mais importante que uma vida concreta, como a da mulher?
Não se engane: quem está na liderança contra a legalização do aborto no Brasil são grupos religiosos (católicos, evangélicos, espíritas) e neonazistas, como os integralistas, amplamente presentes na marcha que foi realizada em Fortaleza em novembro contra o aborto. De que lado você está? Quem é realmente pró-vida?
Em setembro, quando o Uruguai aprovou o aborto, um deputado da oposição (ele votou pela legalização, contra a decisão de seu partido) justificou assim seu voto: "Há dois tipos de sociedades que condenam o aborto: as que têm um poder religioso tão forte a ponto de submeter as liberdades ao dogma, como as muçulmanas, ou as democráticas porém hipócritas, como a nossa". 
Chega de hipocrisia. Foi o que o Conselho de Medicina fez. Mais cedo ou mais tarde, médicos acabam tratando de muitas mulheres que abortam. Muitas vão parar em hospitais -- em 2001, houve 243 mil internações no SUS por curetagens pós-aborto. Várias vezes as mulheres são atendidas tarde demais, quando já não se pode fazer nada. E elas morrem. Só pode ser a favor deste quadro quem acredita que mulheres que abortam merecem a pena de morte.
É hipocrisia sim, não tem outra palavra. A sociedade que condena o aborto é a mesma que finge não ver que uma em cada quatro gestações acaba em aborto espontâneo. Os grupos religiosos fecham os olhos para o fato de que Deus é um grande abortista. Abortos espontâneos, naturais, acontecem no primeiro trimestre de gestação, que é justamente o período que queremos para a realização do aborto induzido. Então, antes de querer condenar a mulher que quis o aborto, ou o médicx que o realizou, pense no seu deus. Pense no seu deus antes de chamar alguém de abortista (como se uma mulher ter direito sobre o corpo dela fosse um crime).
Outra hipocrisia é condenar mulheres (sempre mulheres) que engravidam sem querer. Ora, 80% da reprodução hétero é sem querer. Pergunte pros seus pais se você foi planejado (não confundir não planejado com indesejado; é possível não planejar e vir a desejar depois). A maioria esmagadora de nós não foi planejada. E, no entanto, continuamos criticando pessoas que engravidam sem planejar, e achando que só quem aborta é menina adolescente. Não é. Só 2,5% das mulheres que abortam ficaram grávidas de uma relação eventual. A brasileira média que aborta tem 25 anos, é casada, católica, e já é mãe (pense em quem você está condenando à prisão ou à pena de morte). Mas a brasileira média que morre de aborto clandestino é pobre e negra. Aquela que não pode pagar por uma clínica com as mínimas condições de higiene.
E aí a jornalista do SBT vem falar que a decisão do Conselho de Medicina pode ser uma tentativa de criar um nicho de mercado! É muita hipocrisia. Nicho de mercado existe agora, que o aborto é ilegal. Quando o aborto for legalizado -- e vou me permitir usar o quando, não o se --, as clínicas clandestinas vão fechar. A maior parte das mulheres que quiser abortar o fará pelo SUS.
O fim da hipocrisia tem que passar pelo governo. Em fevereiro do ano passado, peritos da ONU acusaram o governo Dilma de não fazer absolutamente nada para estancar a morte de milhares de brasileiras que realizam aborto clandestino. 
Ou seja, a ONU disse que o executivo é responsável por milhares de mortes por ano (fetos não contam, porque as estatísticas têm essa mania de só considerar vida quem já nasceu). E pediu para que o Brasil superasse duas diferenças de opinião para salvar essas vítimas. A perita suíça perguntou: "O que é que vocês vão fazer com esse problema político enorme que têm?" E a resposta da ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres foi a mesma que Dilma vem dando desde sua campanha: "Isso é assunto do legislativo". 
Mas não é, não. Não é só que o governo, por ter feito alianças com os setores mais retrógrados da sociedade (a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias nas mãos do PSC que o diga), fica em cima do muro. Ele se posiciona contra a legalização sempre que tem que romper seu confortável silêncio. Ao sair a decisão do Conselho de Medicina, o ministro da Saúde Alexandre Padilha se manifestou: “O governo federal, desde o começo, disse que não tomaria nenhuma medida no sentido de mudar a lei atual do aborto no Brasil”. 
Ou seja, o executivo fará tudo que é possível para frear a descriminalização do aborto. Pois é, só estamos falando da descriminalização; mesmo que o Senado apoie um novo Código Penal em que aborto não seja mais crime -- o que já seria um grande avanço --, levaria muito mais tempo até que o aborto fosse legalizado. E por que o governo quer impedir a aprovação de um assunto que é apoiado pelo estatuto do partido do governo, o PT? Pra não desapontar os partidos de sua base aliada. Mas eu não votei no PSC! Se fosse pra ter votado em alguém que é contra a legalização do aborto, eu teria logo votado na Marina (ahn, ok, não teria)!
Portanto, governo, faça como o Conselho de Medicina e posicione-se. Converse com seus aliados sobre este grave problema de saúde pública que temos. Até porque quem é contra o aborto deveria ser a favor da sua legalização. Todos os estudos mostram que mais abortos acontecem em países onde o aborto não é legalizado. Então até quando, Brasil?

150 comentários:

Anônimo disse...

Sou estudante de medicina e muitos dos meus colegas ficam aterrorizados quando eu digo que sou a favor. "Como você pode falar isso, você vai ser médica" e "não esperava isso de você". A questão é, não sou a favor do aborto, provavelmente jamais faria um, mas sou a favor do direito de escolher se quero ter um filho ou não. Se eu engravidasse agora, pode ter certeza que a última coisa que eu quero agora é um filho. Isso significa que eu abortaria? Não sei, mas gostaria de poder ter essa opção.
Muita gente diz que no Brasil, da maneira que as coisas são, provavelmente os métodos anticoncepcionais seriam esquecidos se o aborto fosse legal e confesso que esse também é um medo meu.

vanderson disse...

A melhor coisa do aborto é que reduz a criminalidade.

Como é mostrado no freakonomics.

Junior disse...

Minha decepção com o atual governo federal só tem crescido nesse mandato. Votei entusiasticamente em Dilma porque acreditava que seria o melhor para o Brasil, mas infelizmente apesar de termos uma mulher no cargo maior na república, muito pouco se tem feito em termos progressistas. Pouquíssimo. Sim, acabar com a fome e a pobreza são primordiais, mas não são os únicos assuntos importantes. Sim, lançar um programa para combater a violência contra mulher é importante, mas tem muitos outros assuntos onde o governo federal simplesmente se omite. Se cala. Essa não é a postura que eu esperava de Dilma e o PT nessa legislatura. Infelizmente, me vejo cada vez mais sem desesperançoso de viver num país melhor, onde eu e todas as minorias seremos respeitados e ouvidos.

Marina disse...

Viu isso? Protesto lindo contra o Ronaldo Fraga :)

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2013/03/modelos-desfilam-na-paulista-em-protesto-contra-ronaldo-fraga.html

(não consegui ler o post ainda, tô super ocupada no trabalho, vim só para espelhar isso mesmo)

Caroles disse...

Pra mim o pior são os argumentos religiosos, que eu ouço do meu pai, por exemplo. "Já é uma alma", "o bebê JÁ TE ESCOLHEU como mãe" (ahn?), etc. Por que é tão difícil para as pessoas entenderem que a fé delas não deve interferir nos direitos dos outros? E daí se tento usar o argumento básico e dizer que aborto é uma questão de saúde pública sempre vem um pra dizer que acha injusto o ~contribuinte~ pagar para essas ~irresponsáveis assassinarem seus filhos~ (sim, eu já escutei isso mais de uma vez). Tomara que a legislação mude, tomara que o aborto eventualmente seja legalizado, mas sinto que esse é mais um assunto que para sempre será uma dor de cabeça... Imagina, se até em países onde o aborto é legalizado há décadas, como nos EUA, sempre há a ameaça velada de que esse direito pode ser retirado. Sei lá, Lola. Que saco.

renpmelo disse...

"Os grupos religiosos fecham os olhos para o fato de que Deus é um grande abortista."

Apesar de vc ter cutucado o vespeiro, foi a Melhor frase do texto.

Paula disse...

desculpe a ignorancia, mas qual seria a diferenca entre o aborto descriminalizado e o legalizadi??(duvida legitima)


otimo texto para se ler quando se chega do trampo...

Anônimo disse...

"Os grupos religiosos fecham os olhos para o fato de que Deus é um grande abortista."

Soubesse você o porquê disto... mas você ainda vai descubrir. tudo a seu tempo, minha filha. Tudo a seu tempo.

E mais: não me venha com esse papo de "problema de saúde pública" quando, em seu texto, você claramente usa o tema como âncora política ptista.

Isabela Candeloro Campoi, disse...

Nossa, Lola, eu me pergunto isso sempre: até quando??

Magrelinha disse...

Lola, para vc ver como as liberdades individuais no Brasil andam em marcha lenta. Enquanto isso as mulheres é que pagam o pato. Ou são condenadas à morte por terem de fazê-lo na ilegalidade sem nenhum critério, ou são condenadas a arcarem com as consequências, completamente sozinhas. É isso aí.

aiaiai disse...

Lola,
qd vc fala do governo, acho q está cometendo um erro.

Primeiro vc colocou a fala do ministro da saúde:

“O governo federal, desde o começo, disse que não tomaria nenhuma medida no sentido de mudar a lei atual do aborto no Brasil”.

Depois vc escreveu:

"Ou seja, o executivo fará tudo que é possível para frear a descriminalização do aborto."

Uma coisa é totalmente diferente da outra. O governo federal não vai tomar nenhuma atitude para mudar porque a Dilma prometeu em campanha q não tomaria nenhuma atitude.

Isso não quer dizer que o governo federal "fara tudo o q for possível" p frear...

Acho que vc sabe, mas é sempre bom lembrar que a Dilma, a ministra das mulheres, o padilha e até o Lula são a favor da descriminalização e do tratamento dessa questão no âmbito da saúde pública. Inclusive foi um dos pontos q fez a Marina sair do partido. O PT é um partido que apoia o direito de escolha.

Mas, foi feita uma promessa de campanha pq a oposição e os jornais, desesperados pq iam perder, mais uma vez jogaram luz nessa questão. Naquele momento se a Dilma não fizesse essa promessa, hoje teríamos como presidente o Coiso.

portanto, acho incorreto dizer q o governo está fazendo de tudo pra frear. o governo não está fazendo nada para apressar, é verdade. E, tá agindo assim porque prometeu em campanha.

No congresso a briga é outra e há ainda o Supremo. Se o congresso aprovar a descriminalização, o governo federal, tenho certeza, vai investir pesado para colocar em prática um sistema de apoio a quem escolher abortar.

Anônimo disse...

Também estou bastante decepcionada com o caminho reacionário que o país está tomando. Tenho medo do que será de nós, não enquadrados.

Mariana disse...

É tanta falta de empatia no mundo! As pessoas que são contra devem achar que nunca estarão na situação de não ter nenhuma condição de criar uma criança, por que para mim a maioria das mulheres que escolhe fazer um aborto deve estar muito desesperada e sem opção, já que deve ser uma experiência terrível passar por um aborto. Eu me coloco no lugar dessas mulheres e nao entendo como alguém pode culpa-las e dizer que merecem morrer! Um pouco mais de empatia ja faria do mundo um lugar tão melhor do que é hoje...

Anônimo disse...

Lola, fugindo um pouco (mas não toootalmente) do assunto, você viu essa ótima reportagem sobre violência obstétrica?

http://www.apublica.org/2013/03/na-hora-de-fazer-nao-gritou/

Tem um vídeo no fim que parece bem interessante, mas ainda não consegui assistir.

Beijos,
Raquel Torres

Mariana disse...

E ainda tem o absurdo de que em alguns casos quando a mulher é estuprada e engravida, o judiciário demora tanto para dar a permissão para o aborto, que a moça passa de 12 semanas de gestação e é obrigada a ter a criança. Isso é desumano! Se o aborto fosse amplamente legalizado obviamente esse tipo de absurdo não aconteceria!

Cética disse...

Uma coisa que acho "linda" nos pró vida ( leia-se pró morte da mulher pobre) é a visão cor de rosa do que fazer com uma gravidez não desejada,defendem que a mulher leve a gestação até o fim e depois entregue pra adoção (como se toda gravidez ocorresse sempre bem,sem problemas decorrentes pra saúde da mulher,não trouxesse transformações pro corpo dessa mulher que,talvez não queira ou não esteja preparada pra enfrentá-las ,como se o parto não pudesse se transformar num momento de risco pra vida dessa encuba...ops,mulher, como se fosse também muito fácil entregar um recém nascido e ela não pudesse ser processada por abandono de incapaz,como se no Brasil já não houvesse milhões de crianças esperando para serem adotadas,como se essa mãe não fosse ser julgada,pela sociedade/familiares, por ter abandonado um filho,como se ela provavelmente não fosse juntar a uma possível depressão pós parto uma depressão pela situação em que se encontra etc...) háaaa mas, quem se importa? o que conta é que a vadia já foi castigada o suficiente por "abrir as pernas" e o que vai ser dela ( criança) daqui pra frente? não se sabe e não é importante,a defesa da vida dela só vai até enquanto estiver dentro da encub...ops,mulher. É,olhando daqui,da frente do pc e sem estar passando por isso ( principalmente se for homem) é muito fácil mesmo,pq quando é no cu dos outros,ai vira refresco.

Mariana Lira disse...

Apesar de ser contra o aborto eu entendo quase todos os seus argumentos, mas é muita hipocrisia falar que tudo bem abortar porque abortos acontecem espontaneamente. É a mesma lógica de dizer que tudo bem assassinar porque as pessoas já morrem naturalmente!
Existem muitos argumentos válidos a favor da liberação, mas esse é muita forçação de barra!

Anônimo disse...

ótimo texto, mas por favor tire essa referência de 200 mil mortes por ano por conta do aborto, isso é um absurdo, e repetir isso é dar gás pra os anti-legalização que argumentam que os números são intencionalmente inflados.

Mariana Mendes disse...

Muito bom!

Marussia de Andrade Guedes disse...

Estou muito surpresa e feliz com a decisão do CFM. Nos locais onde trabalho, a grande maioria dos médic@s é contra a legalização. Em um dos locais onde eu trabalho, onde chegam muitas mulheres vítimas de estupro querendo abortar, muitos médicos se recusam a fazer o procedimento. Muitos ficam insinuando que é mentira como desculpa para não realizar o procedimento . Mas a lei protege o médico. Se a mulher assina a declaração que diz que ela é vítima de estupro o médico estará protegido. Não há razão para ele não fazer, somente a sua própria crueldade. A sorte é que trabalha um amigo que é feminista e que faz os procedimentos e sente orgulho de ser médico, ginecologista, e, assim, poder ajudar estas mulheres. Muitas mulheres ficam esperando até dois dias , numa cama de hospital, pelo plantão deste colega, pois os outros médicos se recusam a fazer o procedimento. Portanto foi uma boa surpresa a decisão do CFM.
Acho quase impossível que o governo aprove qualquer avanço em relação a este assunto faltando menos de dois anos para as eleições . O problema é que estamos dando, cada vez mais , poder para os grupos religiosos. Estamos permitindo que eles interfiram nas eleições e estabeleçam suas pautas.
Só não concordo com o parto domiciliar. Considero um avanço que todo toda criança , ao nascer, receba assistência de um pediatra . O parto domiciliar é um Retrocesso. Eu vivo de sala de parto e sei que quem disse que barriga de mãe é uma caixa de surpresa estava mais do que certo. Muitas e muitas vezes achamos que tudo vai correr bem e isto não acontece. Mães e bebês estarão muito mais SEGUROS no hospital. Um trabalho de parto bem acompanhado e uma assistência adequada após o nascimento fazem toda a diferença para o cérebro dos bebês. E esta assistência deve ser imediatamente após o nascimento. Segundos fazem a diferença . Nós recebemos, nas UTIs neonatais, muitos bebês com danos cerebrais graves que nasceram sem assistência de pediatras, em locais que não oferecem segurança para as mães e filh@s. Se eu fosse ter um filh@ jamais arriscaria.



Marussia de Andrade Guedes disse...

Só mais uma coisa da minha vivência : todos os dias há casos de abortos, espontâneos ou não, e eu não vejo as pessoas se importarem com os fetos . Somente algumas mães choram suas perdas . Não aparece um padre pra " benzer " o feto . Eles , no discurso, valorizam mais a vida do feto que a da mãe . Na prática, é bem diferente!

Unknown disse...

Post perfeito, Lola!

Tenho 29 anos, sou casada e não planejo engravidar num futuro muito proximo. Se eu engravidase hoje por um "acidente", acho que não abortaria, MAS, fico muito feliz pelo privilégio de morar na França e ter sim essa opção.

Ha alguns anos, tive duas amigas que abortaram mais ou menos na mesma época: uma aqui na França, e outra no Brasil. Alias, as duas ja adultas, formadas e namorando firme. Nossa, que horror ver a diferença dos procedimentos de uma e de outra.

A francesa teve apoio dos pais e do namorado (apoio no sentido de respeitar a decisão de ter ou não o filho, fosse qual fosse) e acompanhamento psicologico no hospital (aqui eles impõem alguns dias de "reflexão" antes do procedimento). Foi feito no hospital, de maneira super profissional e respeitosa, sem complicações. O namorado foi um fofo antes, durante e depois do aborto.

Ja a brasileira... bem, vocês podem imaginar, né? Teve que arranjar uns 4 mil reais em espécie (se bem me lembro), foi acolhida por pessoas totalmente frias e sem nenhuma empatia, em um lugar clandestino. O namorado, em pânico quando soube da gravidez, deu todo o "apoio" pra que ela abortasse, inclusive ajudou com a grana. Foi carinhoso, disse que estaria la pro que desse e viesse... mas uma vez o aborto feito, ele se transformou em um verdadeiro monstro, a acusando por ter "assassinado" o filho dele, com direito a todos as ofensas sexistas que a gente ja conhece e até agressão fisica. Ao contrario da minha amiga francesa, o aborto era um grande segredo, carregado de muita vergonha, e ela não pôde se abrir com os pais ou profissionais da saude para superar esse trauma (trauma não tanto por abortar, mas sim por abortar nessas condições) e para se protejer do (ex)namorado machista e agressor.

Espero que as mulheres brasileiras das proximas gerações tenham o direito de escolha sobre o proprio corpo e a propria vida, a exemplo das francesas.

Sara disse...

Lola seu post esta irretocável, não ha nada a acrescentar, assino embaixo.

Anônimo disse...

Hipocrisia define. Até quando, Brasil? [2]

Excelente texto, Lola!

wagner disse...

aiaiai, discordo totalmente de sua defesa do governo nessa questão. Primeiro que, se na campanha da eleição de Dilma, a oposição escolheu o caminho da religião, caberia ao PT (que tinha a máquina do governo na mão, usada bastante quando interessou) forçar outra agenda, ao invés de embarcar na canoa de Jesus.
Segundo que nem sempre os acordos valem a pena, o preço pode ser muito alto. Talvez seja esse o caso, estamos vendo um aumento absurdo de interferência da religião no país e muito por conta dos acordos feitos por Dilma com a bancada evangélica. Eu tenho minhas dúvidas se essa turma é melhor que o 'coiso'. Não sei se vale mesmo a pena ter um governo refém de crápulas e bandidos (os mais vistosos são Sarney, Renan, Collor, Maluf, mas há dezenas deles nos partidos aliados, ministérios, etc, e você não vai querer argumentar que isso não custa nada ao governo e ao país). Acho que preferia que Dilma perdesse a eleição pois nesse caso teríamos gente como você fazendo oposição, em vez de tentar justificar o injustificável.

paloma disse...

hipocrisia e muita cara de pau é ficar falando que engravidou sem querer,quando nem se deram ao trabalho de usar preservativo ou pilula,isso eu vejo direto.

eu uso pilula e camisinha a anos e até agora não engravidei e pela quantidade de gente que alega ter sido "sem querer", a qualidade dos preservativos deve estar muito ruim e eu estou tendo muita sorte.
ou a realidade,em que pessoas n usam nada mesmo tendo condições pra comprar .

e pode ter diminuido o número de abortos em outros países com a legalização,mas aqui,do jeito que o povo é ,tudo festa,oba oba,tenho receio que aumente ainda mais,as pessoas vão se lixar mais ainda pra usar proteção.

Anônimo disse...

Lola, vou fugir do assunto... Depois volto e comento sobre o post... Mas vim deixar minha indignação e pedir para você comentar sobre o caso que está acontecendo hoje na internet... Não sei bem como começou a história, mas foi no Facebook, com piadas com uma menina que deve ter sei lá seus 12 anos e tem buço e a sobrancelha não está "corrigida"... E agora está nos TOP TRENDS do twitter... A menina chama-se Julia Gabriele...

mandybg disse...

Oi,pessoas. Oi, Lola!
É o seguinte: SEREI DIRETA:

Não gosto de crianças. Tenho repulsa pela ideia de ser mãe. Tenho horror a ideia de uma jaca de 3kg saindo pela minha vagina. Mas mais do que isso: TENHO PAVOR, ANGUSTIA, ODIO, NOJO, MEDO, AGONIA em pensar que NÃO TENHO OPÇÃO, CASO ENGRAVIDE!!!

Então quer dizer que não posso mais dar??? Porque afinal, senhores sábios que apelam aos metodos contraceptivos, essas porras tem sim erros. E QUEM DISSE QUE TODAS AS MULHERES PODEM USAM PILULA? Ora, eu não posso! Leiam todas as contraindicações naquele LIVRETO chamado bula que acompanha o "yaz", senhores.

Quero dar. Não quero crianças. Simples. Foda-se, você que acha uma abominação irresponsável minha atitude ou pensamento. Acho mais digno e menos hipocrita do que qualquer outra decisão!

Tenho o direito de tirar um amontoado de células PRETENCIOSAS sem sistema nervoso e sem percepção (porque biologicamente essa é a definição) que insistem em parasitar meu utero, e possivelmente (reparem, ainda não é) se tornara uma criança.

Vão a merda com esse mimimi. O corpo é meu, a b*ceta é minha, o utero é meu. E eu decido dar, me proteger até onde posso, e TER O DIREITO DE NÃO SER MÃE.
bjs.

Dona Coisa disse...

PALOMA, comparar aborto com "festa, oba oba" foi genial! Impressionante como você tem razão! Toda vez que uma mulher aborta ilegalmente, na sala o médico coloca um funk pra tocar (sabe como o povo é), rola cerveja, cachaça, churrasco. É a maior curtição. E se o povo se entusiasma? Será que feto vira bife?

THE HORROR! THE HORROR!

Anônimo disse...

É claro que eles iriam apoiar o aborto, é mais oportunidade de negócio para eles, um novo nicho a explorar.

Patty Kirsche disse...

Puxa, eu estava conversando sobre isso hoje com minha mãe... Ela me falou sobre quantas mulheres ela conhece que já fizeram vários abortos até o ponto de não conseguir engravidar mais quando quiseram. Isso tudo porque não se pode impedir uma mulher de abortar, é impossível e injusto. Tem sido muito doloroso ver o PT abrindo mão de convicções em nome de conchavos políticos. E como o Vanderson disse, a legalização do aborto nos EUA acarretou uma redução da criminalidade cerca de 20 anos depois. É bem interessante pensar nisso, pois os setores conservadores querem salvar o "bebê" de maneira tão romântica, mas depois que nasce, deixam cheirar cola debaixo do viaduto. É muito absurdo que no Brasil pessoas acusadas de aborto possam ser lavadas a júri popular. É vergonhoso que o Brasil, um país tão importante, prefira ficar no mesmo grupo que Colômbia e Paraguai, em vez de passar para o grupo de Canadá e EUA. Vergonhoso.

Anônimo disse...

"Não é a maioria que faz ou aprova as leis para minorias, por um motivo óbvio: na maior parte das vezes, os direitos das minorias não interessam à maioria."

Mulheres são minoria? Muito interessante, não sabia. Na verdade, sempre me disseram que o número de mulheres é ligeiramente maior que o de homens.

Patty Kirsche disse...

E sabe o que é pior? Ninguém fala no pai do tal feto, né? Vários carinhas com quem fiquei falaram abertamente que, se alguma garota engravidasse deles, eles tentariam coagi-las a abortar. Não estão nem aí que aborto é ilegal e doloroso, que a menina pode ficar estéril ou morrer... Isso me faz lembrar aquele livro "Butterfly"... Tem uma cena muito triste de aborto forçado como violência contra a mulher.

Anônimo disse...

Tem uma pichação num muro da minha cidade que diz:

"SE HOMEM PARISSE, O ABORTO SERIA LEGAL."

isso me vem à mente o tempo todo.

Hugo disse...

Acho que você está sendo muito dura com a Marina. A proposta ambientalista dela é muito importante e não tem paralelo no cenário político brasileiro, não com a mesma projeção. Além disso, independentemente das opiniões dela sobre o aborto, ela está longe de ser conservadora. No final das contas, ela fez declarações como “Eu sou a favor que todos os brasileiros tenham os mesmos direitos. Essa questão não demanda plebiscito” (quando, no Twitter, Jean Wyllys acusou-a de ser a favor de um plebiscito para o povo decidir a união civil gay no Brasil). Mais tarde, o Rede Sustentabilidade (fundado pela Marina) publicou a seguinte nota: “Em nenhum momento Marina defendeu a realização de plebiscito sobre o casamento homoafetivo”. Só o uso do termo "homoafetivo" no lugar de "homossexual" ou "homoerótico" já mostra que ela, se não for a favor da causa gay, provavelmente seria mais simpática as reivindicações LGBT do que a maioria dos políticos brasileiros.

Golimar disse...

Quem é a favor do aborto tabém é a favor da paternidade NÃO ser forçada?

MonaLisa disse...

Sim, sou a favor do direito de escolha do CASAL.

Se a mulher quer a criança, mas o homem não, ele não deve ser obrigado a pagar pensão.

Se o homem quer e a mulher não, eles podem decidir optar por abortar ou não e a mulher entregar o filho pro homem criar sem pagar pensão também.

Sei que vou receber chuva de pedras, apesar de ter muitos homens lixo que não devem ter direito de escolha de nada, tem outros que valem a pena e a vontade deles deve ser respeitada.

Paloma disse...

Mandybg também tenho horror a ter filhos,voce não pode usar pilula mas camisinha pode né?
E se ela falhar tem a pilula do dia seguinte.

Eu sei que tem falhas mas o número de gente que diz que usou e engravidou assim mesmo é grande,então vamos processar os fabricantes de camisinha.
Me irrita a pessoa não querer assumir o que fez.

Meu irmão de 20 anos já é pai ,ele e a namorada alegaram que foi sem querer,perguntei se usaram camisinha,a resposta: NÃO.
Sem querer.... Muita cara de pau.

Anônimo disse...

"A maior parte das mulheres que quiser abortar o fará pelo SUS."

É quase impossível que a maior parte das mulheres consiga abortar pelo SUS, o tempo é curto para realizar o procedimento (no máximo 12 semanas de gravidez, devia ser mais) e a fila de espera provavelmente será longa.

Anônimo disse...

Paloma,
Vc pode não acreditar, mas eu engravidei após tomar pilula do dia seguinte...e aí? Leia a bula: 92% de eficácia.
Contraceptivos falham sim.

Fran.

paloma disse...

dona coisa
aprenda a ler,porque eu disse que o oba oba é na hora de transar,que muitos pouco se importam com a proteção.
e se for legalizado,ai que vão se importar menos,se engravidar é só fazer o aborto de forma segura.

Barbara Barcellos disse...

Então Lola, eu estudo para ser evangélica, sim estudo. Porque como você disse na postagem, pesam algumas coisas de cunho religioso e eu não concordo com as ideologias Evangélicas em várias pontos, por isso estou estudando e questionando as coisas, e um desses questionamentos é esse: legalização do aborto. Vamos lá, para mim, se todos prezam pela decisão, e na religião, Deus dá o livre arbítrio, então se ele dá ele está dando o direito das pessoas decidirem, se querem ou não, até porque são as mulheres que vão responder por isso, né ?(isso na religião). Agora, sem está vinculada a religão, as mulheres têm que ter o poder e a decisão sobre o próprio corpo. Porque, afinal, não é ninguém que vai chegar e dá o apoio, pelo menos geralmente é assim. Não é ninguém que vai oferecer ajudar, é ela que vai ter que se virarpara trabalhar, educar, ensinar, amar, cuidar, é tudo ela. Então, nada mais JUSTO elas decidirem, o pai da criança pode até dá opinião, mas a decisão final é SEMPRE DELA, e tem que ser.

Anônimo disse...

Eu entendo que cada mulher deve ter direito sobre seu corpo e que abortos clandestinos são grande causa de morte entre as mulheres, tudo bem. Mas, pensando no Brasil, no povo brasileiro, qual a mentalidade predominante? Será que todas as mulheres que engravidam sem desejar têm a mesma mentalidade das pessoas, todas essas a favor da descriminalização do aborto? Pessoas cultas e esclarecidas, pessoas informadas e formadoras de opinião, que pensariam duas vezes antes de realizar um procedimento desse tipo? Acho que não. Penso que boa parte desse povo ainda é pobre, talvez não financeiramente ou de recursos, mas de esclarecimento. Pessoas que talvez utilizassem o aborto apenas como mais um dos serviços de saúde do SUS (sem falar que do jeito que a saúde pública funciona é bem possível que a mulher tenha o filho antes do próprio aborto, enquanto espera na fila...), mais um dentre tantos procedimentos para resolver um 'problema'. (É claro que essa é uma generalização grosseira e preconceituosa, mas também não o é quando você diz que quem é anti-aborto é pró-pena de morte?)
Além do mais, hoje em dia é muito difícil engravidar 'sem querer'. Os métodos de anticoncepção são muito eficientes, existem dos mais variados tipos, para homens e mulheres e o próprio governo dá. Por isso acho que um ser humano em potencial (não um bebê, não uma criança) não pode ser privado de existir apenas pelo descuido de seus pais.

mandybg disse...

Oi Paloma.
Seja racional. Pilula = hormonio sintético.
Eu, e a grande maioria das mulheres (essa é a surpresa) não podem usa-los.
Pilula do dia seguinte= HORMONIO x1000.

Eis a questão: Não posso E não quero usar. Não vou agredir meu corpo com hormonios.

Camisinha estoura, tem riscos. Vou usar? Vou. Se estourar, me fodi, é isso mesmo que voce esta dizendo? Tenho que conviver com uma situação IMPOSTA A MIM? (ao menos pelos 9 meses seguintes?)

Estás me sugerindo "processe as marcas de camisinha". Ah... Tá. E aí? Eles vão criar uma maquina do tempo, e me poupar de acabar com meu corpo, minha saúde e minha cabeça levando a diante uma gravidez?

Querida, não há solução. A uma eventual concepção, por problemas de metodo contraceptivo (ou não, vai saber, tu não pode exigir que as pessoas usem, pode?), só aborto.

Que feio!* Não. Não é feio. É um procedimento simples. De retirada de celulas, que se efetuado até o periodo medicamente seguro, e acompanhado com a curetagem correta, é MUITO menos danoso ao corpo da mulher do que 20 anos de carga hormonal extra.

Eis um pequeno adendo: Em uma aula de Patologia, ouvindo a professora falar que "anabolizantes" (por conterem hormonio masculino) atrofiam os testiculos. Sabe como é, o homem toma um hormonio, o testiculo para de produzir esse hormonio e atrofia. Perguntei a ela: Ei, os anticoncepcionais não atrofiam os ovarios com o passar do tempo, não? (por analogia, uai, já que anticoncepcional nada mais é que hormonio feminino sintetico). Ela ficou sem graça e disse: Pois bem, não sei se te responder. Vai ter que perguntar a alguem de farmacologia!

Traduzindo: Acha mesmo que vou me entupir de hormonios sinteticos? Não, muito obrigada. Aborto, se precisar.

Anônimo disse...

Monalisa,
Só tem um problema: nos dois casos a mulher se ferra tendo que sofrer um aborto ou carregando uma gestação por 9 meses.
O ideal seria que homens também tivessem pílula.

Amana disse...

Vou te dizer, Lola, achei surpreendentemente corajosa e esclarecida a posição do CFM. Digo isso porque acho a medicina e os médicos no Brasil muito reacionários em diversas questões - vide o Ato Médico, a patologização e medicalização de uma série de diversidades e diferenças em relação ao padrão "saudável" de indivíduo (que nosso caro Michel Foucault já nos ensinou a pensar como uma produção histórica), enfim, achei muito boa mesmo. Não só a iniciativa, como também a justificativa, como vc ressaltou. Pela autonomia dos sujeitos diretamente envolvidos na decisão - no caso, a mulher e seu médico, com sua avaliação.
Espero que se abra espaço para outros profissionais nessa discussão, como xs psicólogxs, pois um dos critérios a serem analisados são as condições psicológicas da mulher de poder ou não prosseguir com a gravidez. E que isso seja discutido sem, mais uma vez, vitimizar as mulheres, tutelar seus corpos, porque isso nós já temos a rodo. Mas foi animador!
Continuemos brigando. A causa é das mais importantes.

beijão!

Luiza disse...

Só eu acho um tremendo papinho classe média sofre esse de que o povo brasileiro (nunca quem fala; elx é super culto) é pobre, burro, não pensa, adora oba-oba, ouve funk e, logo, não pode ter direito a modernidades do primeiro mundo? (menos elx; elx tem direito a asfalto, moradia, saneamento básico, aborto) Porque, né, vai dar moradia pra essa pobraiada por quê, se eles vão fazer puxadinho e traficar lá dentro. Acesso à cultura por quê, se só querem saber de baile funk? Dar camisinha de graça? Estimula essa gentalha a fazer sexo no carnaval! Aborto? Só funciona na Suécia, porque lá todos têm um cérebro maior e sabem pensar e não vivem feito macacos! Quase nem fazem sexo, são super desenvolvidos!

Só que não. Mania de achar que não pode haver melhorias no Brasil porque o povo (elx não, elx não faz parte do povo!) não sabe usufruir dela.

Mordred Paganini disse...

MonaLisa disse...
Sim, sou a favor do direito de escolha do CASAL.

Se a mulher quer a criança, mas o homem não, ele não deve ser obrigado a pagar pensão.

Se o homem quer e a mulher não, eles podem decidir optar por abortar ou não e a mulher entregar o filho pro homem criar sem pagar pensão também.

Sei que vou receber chuva de pedras, apesar de ter muitos homens lixo que não devem ter direito de escolha de nada, tem outros que valem a pena e a vontade deles deve ser respeitada.

25 de março de 2013 21:53

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Pessoal sacando tudo de biologia hein. Sò que não!

O embrião é uma expectativa de vida e não um ser humano completo. Ele ainda não tem direitos, porque ainda não é um sujeito de direitos, com personalidade juridica.

Quando se trata de um embrião, sua vida é de responsabilidade da pessoa que o está gerando. É decisão dela, podendo consultar a opinião do "futuro" pai.

Até aí, o embrião ou feto não é um sujeito de direitos, ao contrário da mulher que o gera.

Após o nascimento, por outro lado, o bebê passa a ter direitos. Entre eles o de ser provido por seus progenitores, os quais tiveram responsabilidade por gerar esta criança.

A pensão é direito DA CRIANÇA, PORRA!
A lei é desta forma para favorecer o ela mais fraco que é a criança e ainda assim, tá cheio de pai que não dá nem 50 real para que os filhos não morram de fome.

Machistas vindo aqui dizer que as mulheres vivem isso porque pegam cafas em 3, 2, ....

Luiza disse...

""Não é a maioria que faz ou aprova as leis para minorias, por um motivo óbvio: na maior parte das vezes, os direitos das minorias não interessam à maioria."

Mulheres são minoria? Muito interessante, não sabia. Na verdade, sempre me disseram que o número de mulheres é ligeiramente maior que o de homens."

Ò, Senhor, livrai-me de ler mais pulhices feito essa.

Anônimo disse...

Luiza disse...
""Não é a maioria que faz ou aprova as leis para minorias, por um motivo óbvio: na maior parte das vezes, os direitos das minorias não interessam à maioria."

Mulheres são minoria? Muito interessante, não sabia. Na verdade, sempre me disseram que o número de mulheres é ligeiramente maior que o de homens."

Ò, Senhor, livrai-me de ler mais pulhices feito essa.

25 DE MARÇO DE 2013 23:47
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Hahah Não é a primeira vez que eu vejo esse tipo de comentário aqui.. Uma vez que Lola falou de milionários, veio alguém reclamar que eles fazem parte da minoria pois afinal tem poucos milionários no país!

Eu não faria um aborto acho, mas é óbvio que as mulheres precisam enfim decidir o que fazer com segurança e apoio.. E as pessoas se confundem mesmo nessa ideia de que só jovem irresponsável (pontos extras se for pobre) engravida e quer aborto depois. A classe média, que nunca se cansa de falar que aqui nada presta e que lá fora sim as coisas funcionam, pula fora no fato de que "lá fora", o aborto é legalizado..

Luiza disse...

Anônimo das 20:31, vi isso e acompanho pelo Facebook.

Como sempre, não me surpreende que a maioria das pessoas que zombam é do sexo masculino.

Maria Valéria disse...

Adorei o post, Lola.;)) nao esperava esse posicionamento do CFM, nao,Parabens a eles, estão abrindo a cabeça.:)) bjs.

Cora disse...


"Mulheres são minoria? Muito interessante, não sabia. Na verdade, sempre me disseram que o número de mulheres é ligeiramente maior que o de homens."


a essa altura do campeonato ainda esta dúvida?

tratam-se de minorias políticas. às vezes essas minorias políticas são tb minorias numéricas, como os indígenas. outras vezes, são apenas minorias políticas, como as mulheres no brasil.

no mundo, existiam, em 2010, cerca de 57 milhões de homens a mais do q mulheres.

não encontrei dados mais recentes sobre isso. se encontrar, conto pra vcs depois.


.
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qto à manifestação do cfm, só tenho uma coisa a dizer: já não era sem tempo!

como eu sempre digo, mesmo q nenhuma mulher no mundo faça um aborto, mesmo q consigamos, com campanhas, educação e informação, erradicar esta prática do mundo (e nada impede que tentemos mesmo diminuir o número de abortamentos), ainda assim, o direito ao aborto deve estar garantido por lei. é muito simbólico isso. mostra q a mulher tem autonomia para decidir o q ocorre consigo e q a sociedade reconhece essa autonomia. é muito simbólico.

Letícia disse...

Eu considero que o aborto já é uma prática praticamente legalizada no Brasil. Essa lei que criminaliza o procedimento é tão retrógrada quanto a lei que dava direito ao marido de "lavar a honra" com um assassinato. Tenho uma parente que é enfermeira num centro obstétrico de um dos maiores hospitais públicos de Brasília e pela que ela comentou em uma conversa toda semana vão pelo menos dez mulheres fazer a curetagem lá. E pelo que os médicos, enfermeiros e técnicos conversam entre si, ao menos 2 de casa dez não sofreu aborto espontâneo (evidente que essa é uma estatística meramente baseada no que essa pessoa me contou).

O que sempre me deixou surpresa sobre isso é que os médicos não denunciam. Na verdade ninguém as denuncia. E olha que há muitos religiosos trabalhando no C.O., inclusive essa parente minha é uma católica bastante fervorosa. O caso é que o aborto JÁ É uma realidade e isso não vai acabar, nem diminuir.
Conforme, eu espero, a religião diminua sua influência nas decisões governamentais fica mais e mais próximo o dia que o aborto será legalizado e o casamento homoafetivo também. Os reaças, fanáticos e mascus podem espernear o quanto quiserem, mas a mulher tem e sempre terá o direito de decidir sobre seu corpo.

Eu não odeio bebês ou crianças, nem mesmo fetos, como foi dito: eu pessoalmente não abortaria se engravidasse. Mas eu respeito a decisão das mulheres que querem contar com essa possibilidade. E não viajem, o aborto nunca vai virar método contraceptivo. Uma pessoa que não sabe usar uma camisinha ou não conhece a pílula, dificilmente teria acesso ou conhecimento sobre o aborto legalizado. Isso é "intriga da oposição".

James Hiwatari disse...

Só não gostei da fala do político que votou contra o partido - fedeu a islamofobia (existe essa palavra em portugês? Em inglês é islamophobia). Nem todo país muçulmano é dogmático, fechado e intolerante. E, francamente, tem que ser muito hipócrita pra chamar muçulmano de dogmático quando a principal razão do aborto ser ainda crime no Brasil é o radicalismo dogmático de grupos religiosos.

Beatriz disse...

Engraçado q tenha gente comentando q mulher engravida pq quer e pq não se previniu sendo q poucos dias atrás teve um post aqui no blog de uma mulher q engravidou tomando anticoncepcional... Se fosse simples assim, engravida pq quer e ponto final será q teriam tantos filho não planejados e tantos abortos???

Magrelinha disse...

Gente, pensem numa coisa. Para quem é "a favor da vida" (acho que todos nós somos, mas é assim que eles se intitulam) deveria perceber que, enquanto o aborto não é legalizado, ele continuará sendo feito de forma indiscriminada e antiética não só com a mulher, mas com o PRÓPRIO FETO. Se o aborto fosse legalizado no país, até a 12ª semana em que não é feto ainda, e sim um embrião, com sistema nervoso ainda não formado, haveria critérios para se realizar esses procedimentos. Mas uma vez que está na criminalidade, qualquer pessoa que chegar numa clínica clandestina e pagar, os médicos farão o aborto, não importando se está na 12ª semana ou se está no 6º mês de gestação. Outra coisa, a prática sendo fiscalizada pelo estado impediria, inclusive, que o aborto fosse feito como método contraceptivo. Haveria mais controle das próprias mulheres que realizaram/irão realizar o procedimento. Não será a abortion's party como gostam de pintar.

Então se a questão é ética com o feto, pensem nisso também.

Beatriz G. disse...

Sou pró-escolha e sempre que surge este assunto eu me coloco à disposição para explicar sobre o aborto.

As pessoas tendem a olhar tudo apenas com os olhos da religião, não pensam nos outros (mulheres). Se dizem defensores da vida, do bebe lindo e fofo que está por vir, mas pela mulher adulta eles não sentem nada, somente ódio por ela ser uma bortista.

Isso é total ignorância das pessoas, com tantos avanços científicos o que falta mesmo é vontade de sair da caixinha e aprender sobre.

Me irrita ver pessoas argumentando como criancinhas, sem conhecer nada sobre o que estão falando. A hipocrisia é enorme e me deixa muito brava.
Espero que a ONU faça mais pressão no Brasil sobre este assunto, assim como o conselho de medicina continue se manifestando.

Aguardo ansiosamente pelo dia em que a vida de muitas mulheres serão poupadas, porque já não basta morrer por violência doméstica, tem que morrer por escolher o que fazer com o seu corpo.

Mirella disse...

Anon das 18:27, no texto estão quantas mulheres foram internadas para fazer curetagem pós-aborto. Não tem nada a ver com o falso número de 200 mil mortes.

--

E acho tão fofo a não-obrigação da paternidade. Sérião. Entende tudo de direitos.

Vamos explicar bem didaticamente.

Mulher aborta = não há criança. Logo, não há ninguém com direitos (ou sem direitos, porque não há ninguém).
Homem abre mão da partenidade = criança nasce e tem seu direito à filiação parental negada.

Deu pra entender? Quando um homem "abre mão da paternidade", a criança continua existindo. É a mesma coisa se, depois do nascimento da criança, a mãe abrir mão da maternidade. A criança existe e fica sem seu direito.

Aborto = direito da mulher
Maternidade/paternidade = direito da CRIANÇA
Não são vocês que são tão pró-vida? Então cuidem do filho que nascer. Direito à ascendência parental é algo tão essencial que existe possibilidade de quebrar anonimato de doador de gametas. Pense se vão dar o direito do homem abandonar um ser que existe.
Aborto = não tem criança
Abandono = tem criança abandonada.

Entendeu? Entendeu?

Lígia disse...

Mariana Lira,

Acho que não foi bem esse o argumento da Lola... ela não quis justificar uma coisa pela outra...

Ela só quis dizer que, de certa maneira, "Deus" é o maior abortista de todos, já que um quarto das gestações incorre em aborto espontâneo durante o primeiro trimestre.

Mandybg... eu tenho 28 anos e tomo pílula há mais de 10... (por algum tempo tomava só para regular meu ciclo, que era muito irregular, e para combater a oleosidade da pele e dos cabelos, além de outros problemas. atualmente, todo também como método contraceptivo). No meu último ultrassom, foi constatado que um dos meus ovários está com um tamanho beeem reduzido em relação a um ovário normal, o que o médico disse ser "normal" quando se toma pílula (mas que volta ao normal se parar de tomar). Você está certa... a pílula é uma bomba de hormônios mesmo.

Ainda assim, prefiro continuar tomando a pílula. Tenho muuuuuito medo de engravidar e ter que decidir por assumir a responsabilidade de ter um filho (coisa que eu não sei se quero nem no futuro, muito menos agora) ou ter que passar por um aborto (eu sou a favor da escolha da mulher, mas sinceramente não sei se eu faria).

Anônimo disse...

"tratam-se de minorias políticas. às vezes essas minorias políticas são tb minorias numéricas, como os indígenas. outras vezes, são apenas minorias políticas, como as mulheres no brasil."

Mas se, por exemplo, fizessem um plebiscito para decidir se o aborto deve ser legal ou não (coisa que a maioria dos abortistas não querem), esse argumento é inútil, já que todas as mulheres poderiam votar.

Anônimo disse...

"no mundo, existiam, em 2010, cerca de 57 milhões de homens a mais do q mulheres."

Eu estava falando do Brasil. Aqui, a situação é inversa.

C. disse...

Quando eu tinha doze anos, numa aula de biologia, a professora passou um vídeo sobre menstruação, gravidez, parto... Quando o vídeo terminou, naquele momento, tive um sentimento tão forte dentro de mim, uma certeza tão profunda e absoluta, de que eu não queria passar por aquilo, de que eu não queria ser mãe. Nunca.

Desde aquele dia quando falo sobre isso as pessoas dizem que vou mudar de ideia, que ainda vou querer, que meu desejo materno vai aflorar... Mas não, não vai, e desde aquele dia eu soube disso. Dez anos se passaram desde então e minha certeza continua a mesma. Além disso, comecei a sentir um medo, uma angústia horrível quando penso a respeito. Só de me imaginar grávida eu me sinto sufocada, aflita, minha garganta dá um nó, sinto vontade de chorar, morrer.

Sério, eu sofro e choro internamente só em imaginar como seria se eu engravidasse. Eu sinto um pavor enorme porque eu sei que pode acontecer mesmo me prevenindo, e eu não quero sentir, eu não quero ver isso acontecer no meu corpo, eu não quero dar à luz, eu não quero ser obrigada a levar isso até o fim caso aconteça. Os únicos caminhos que eu vejo pra mim caso engravide são: morte por um aborto mal sucedido, cadeia se eu for bem sucedida e denunciada, ou suicídio se eu não conseguir interromper a gravidez. E é por tudo isso que eu, com 22 anos, continuo sendo virgem, e talvez morra assim. Não posso arriscar. Porque eu sei que no dia em que eu engravidar, a minha vida acabou.

Mordred Paganini disse...

Mulheres que precisam abortar não são todas as mulheres.

Muitas mulheres gostam de pensar que jamais aconteceria com elas...

Anônimo disse...

O governo não precisa legalizar o crack pra tratar a questão como saude pública.

A situação das mulheres nos EUA, que o aborto é legalizado, não é nada linda. Basta pesquisar um pouquinho.

O aborto é sim um nicho de mercado. Basta ficar 5 segundo no site do "Planned Parenthood".

Basta também dar um "google" na localização destas mesmas clínicas, para ver que elas se localizam majoritariamente nos bairros de pobres e negros nos EUA.

Devíamos lutar pela prevenção da gravidez indesejada. Com informação, doação de camisinha e contraceptivo e etc, que não gera dano físico e psicológico nenhum pra mulher. Ao contrário do aborto.

Se hoje nós já temos homens coagindo as mulheres a provocar o aborto, imagina se isso for legalizado. Pq nós feministas não criamos centros de informação às mulheres sexualmente ativas e de apoio as grávidas em dificuldade???

Idealista Chata disse...

uma duvida..por que somos proibidas de fazer laqueadura?

tenho 23 anos e NÃO quero ter filhos..se for pra ter quero adotar..
acho que querer ser mãe eh egoismo...colocar um pessoa no mundo so pra satisfazer seu desejo eh inadimissivel pra mim...

sou filha adotiva..sei o que eh ser filho de pessoas não preparadas..
se eu tivesse tido opção?

fala serio.esse mundo eh uma bosta...não existir não dói..o que dói eh ser criado por alguem que não te quer..que não te ama..

e eu não quero ter filhos por isso..e por muitos outros motivos..maaaaaaaaaaas..o Estado não me deixa fazer laqueaduraaaa..pq ele me Obriga a ter filhos...!!

pq ELE sabe oque eh melhor pra MIM...!!!


Lola...pq isso não eh questianado pelas feministas...por que a Laqueadura não eh pauta?

André disse...

MonaLisa,

Concordo com você, se o aborto for liberado integralmente, como opção de desistência da gravidez, deve valer para o homem e para a mulher.

Roxy Carmichael disse...

ANÔNIMO das 23h02
"É claro que essa é uma generalização grosseira e preconceituosa"
ainda bem que você reconhece. ufa!

Julia disse...

Que lindo isso. Sempre que o assunto é aborto eu vejo um monte de homem comentando, a maioria absolutamente contra, como se o assunto dissesse respeito a eles..

No máximo vcs podem ser contra o aborto de filhos de vcs, mas ainda assim a decisão não é de vcs.

Aliás, essa decisão é pessoal, não cabe a mim decidir o que fulana faz com o amontoado de células dentro do útero dela.

Mas quando a criança já nasceu, já existe, aí querem ter direito a renegar a paternidade. Não percebem o absurdo disso?

André, lê o comentário da Mirella às 9:05. Obrigada.

Cora disse...

"Se hoje nós já temos homens coagindo as mulheres a provocar o aborto, imagina se isso for legalizado. Pq nós feministas não criamos centros de informação às mulheres sexualmente ativas e de apoio as grávidas em dificuldade???"


o fato de seres humanos fazerem coisas condenáveis não pode impedir determinados direitos de existirem.

sempre poderemos atuar de forma a prevenir e diminuir o número de gestações não planejadas e de abortamentos.

no entanto, em relação a este assunto, acredito q este direito deve ser um direito legítimo da mulher.

não impede q critiquemos a mercantilização, o abortamento seletivo ou qq outro aspecto relacionado à sordidez humana.

Luiza disse...

"O que sempre me deixou surpresa sobre isso é que os médicos não denunciam. Na verdade ninguém as denuncia. E olha que há muitos religiosos trabalhando no C.O., inclusive essa parente minha é uma católica bastante fervorosa. O caso é que o aborto JÁ É uma realidade e isso não vai acabar, nem diminuir."

A grande maioria das mulheres não é e nem nunca vai ser denunciada, moça, verdade.
Boa parte das que abortam já têm filhos, imagina botar essa mulherada toda na cadeia, essas crianças morreriam de fome.

Cora disse...


andré,

a gravidez, planejada ou não, e o aborto são questões do casal, se o casal existe.

o diálogo deve sempre fazer parte de qq decisão humana.

no entanto, acredito q obrigar uma mulher a levar adiante uma gravidez q ela não queira ou obrigá-la a um abortamento q ela não queira são formas de violência.

as questões físicas e psicológicas envolvidas são imensas. é uma questão difícil de ser discutida por não envolvidos.

uma gestação sempre pode acontecer em outra situação, com outra pessoa ou em outro momento com a mesma pessoa. não creio q seja legítimo obrigar uma mulher a seguir adiante com algo q ela não queira.

e a pessoa pode abrir mão da paternidade ou da maternidade. acho q isto já é feito hj. é mais comum (e aceito socialmente) q o homem abra mão da paternidade, mas sei q ocorre com mulheres tb. o q mais tem é mulher criando filho sem auxílio do pai.

no entanto, conhecer seus genitores é direito da pessoa.

Julia disse...

Anon 10:36,
que se crie esses centros, que se dê apoio às grávidas em dificuldade. Que se ensine educação sexual nas escolas e aumente a distribuição de anticoncepcionais e camisinhas, que se pesquise métodos anticoncepcionais mais eficientes ainda e que agridam menos o corpo da mulher, que se crie um anticoncepcional masculino que possa ser vendido/distribuído.

Mas mesmo com tudo isso as mulheres ainda tem que ter direito a sua autonomia. Temos que ter direito a um aborto seguro. Isso é muito simbólico, como disse a Cora.

André disse...

Júlia,

O homem deveria ter o mesmo prazo que a mulher, 12 semanas, para desistir da paternidade, até essa data o amontoado de células não tem direito algum.

Anônimo disse...

Eu sempre pensei e defendi o direito ao aborto , principalmente por pensar em casos como esses que algumas pessoas comentaram, de um verdadeiro apavoramento na ideia de ter um filho. Até um tempo atrás eu tbm sentia isso, mas no relacionamento em que estou há um ano e pouco, já pensamos em ter , e esse medo tem passado (não que eu ache que todas, algum dia, vão querer tbm). Mas sempre pensei na vivência de uma gravidez não desejada como uma VIOLÊNCIA contra a mulher. NINGUÈM pode ser obrigada a ser mãe. Imaginem como já é difícil se encontrar grávida quando se deseja, e quando não se deseja entao?! Sem conseguir criar um vínculo com esse feto, sem consegui desejá-lo, sem conseguir amá-lo. Ter um ser que você rejeita, crescendo dentro do próprio corpo, deve ser apavorante. Isso só pode ser desastroso, pra mulher e pra criança, obviamente. Aí vem alguém dizer que conhece alguém que tbm não queria, e acabou aceitando. Tá, legal, mas vamos mesmo duvidar que em muitíssimos casos a mulher continua não aceitando, continua nao querendo, até muito depois da criança ter nascido? Como se pode obrigar alguém a ter um filho? Como se pode fazer alguém vir ao mundo sem ser desejado, com todas as implicações que isso carrega? Acho muito mais nocivo vir ao mundo com uma mãe que num extremo pode te odiar, do que ser eliminado quando nem se tinha consciência da própria existência, nem dor, nem nada . Aborto legal e seguro já!

Golimar disse...

"Após o nascimento, por outro lado, o bebê passa a ter direitos. Entre eles o de ser provido por seus progenitores, os quais tiveram responsabilidade por gerar esta criança."

A única reponsável por gerar a criança é a mulher, pois é ela quem engravida. O homem não tem nenhum poder de decisão sobre o andamento da gravidez logo ele não pode ser obrigado a sustentar um filho que não deseja.



"A pensão é direito DA CRIANÇA, PORRA!
A lei é desta forma para favorecer o ela mais fraco que é a criança e ainda assim, tá cheio de pai que não dá nem 50 real para que os filhos não morram de fome"

Se toda a criança tem direito a ser sustentada então porque só os pais biológicos tem que pagar? Não faria mais sentido se TODOS os parentes foessem obrigados a contribuir com o "bem estar da criança"? Melhor ainda, não seria melhor o ESTADO bancar a criança?
De qualquer forma, em uma sociedade com amplo acesso ao aborto, não há desculpa alguma pra uma mulher gerar crianças que não têm condições de sustentar. Então, se ela quiser ter um filho sem o consentimento do pai, tudo bem, mas assuma toda a responsabilidade e deixe os homens fora disso.

Anônimo disse...

"Mulheres que precisam abortar não são todas as mulheres."

Mas praticamente todas as mulheres (com exceção de uma pequena porcentagem de estéreis, muitas das quais não sabem disso) podem engravidar. E por isso elas são capazes, imagino, de compreender os motivos que levam algumas mulheres a abortar. Isso não invalidaria um plebiscito.

Bruno Lucio Oliveira disse...

Eu acredito ser impossível discutir aborto sem que se considere a perspectiva do nacituro. O corpo é da mãe, mas também existe o corpo e a vida do nacituro. Além disso, não interromper a gestação não implica em ter um filho, existem outras possibilidades, como a adoção.
Então, tente considerar as razões da gestante para não ficar grávida e as implicações ao nacituro de se interromper a gravidez (morte).

R.B. disse...

Será que não seria caso de conscientização pré-gravidez?? porque pra mim parece que legalizar o aborto é ir na linha de pensamento do que eu chamo de feminismo radical: a mulher pode fazer o que quiser com o corpo, dar pra quem quiser, sem proteção se quiser e aí, numa dessas engravida e simplesmente se desfaz de um projeto de vida, uma coisa sem nome, como foi dito? Eu já fui uma coisa sem nome e isso me doeu profundamente... claro que o feto não é um ser humano completo ainda, mas já tem vida. E já que a maioria esmagadora de nós não foi planejado, vamos legalizar o aborto para que, toda vez que uma mulher engravide, estando casada ou não, ela vá até uma clínica e se livre de um "fardo" só porque não foi planejado?? Não sei, mas isso tudo me doeu muito; ou eu sou profundamente ignorante e não entendi bulhufas ou sou extremamente emotiva, porque cada palavra dessa me doeu muito, ... minha irmã "atrapalhou" a vida da minha mãe. Fico pensando se o aborto naquela época já fosse legalizado, minha ma~e indo até lá, e depois dizendo, aliviado, ufa, me livrei de um problema! nossa... A legalização ainda respeitaria aqueles três critérios (estupro, anencefalia e risco de morte)ou seria mais "democrática"? desculpe, não consigo entender, não consigo ser a favor, não xinguei ninguém aqui e, por favor, também não gostaria de ser xingada, obrigada.

Gabriela Luzia disse...

Li todos os comentários e NINGUÉM AQUI lembrou do fato de que tem gente que tem ALERGIA A LÁTEX, parede interna da vagina sensível, ou hipersensibilidade na glânde. (Googlem, senhores)

Ou seja:::: não é todo mundo que pode usar sua amada, idolatrada, canonizada e que vocês consideram infalível camisinha. E, como disse a Mandybg, anticoncepcional não é pra todos!!!!! E aí?!

E se me vier com "goza fora", volte pras aulas de educação sexual. Obrigada.

Esse discurso de "ACEITE AS CONSEQUÊNCIAS DOS SEUS ATOS" é absurdo. Vocês realmente acham mais justo que um bebê INDESEJADO seja criado por alguém para quem ele foi uma punição do que extirpar uma MÓRULA por curetagem?! É muita falta de noção. É não saber o que é ser criado pora alguém que te detesta, é não saber o inferno de burocracia que se interpõe entre quem quer adotar e bebês disponíveis. É nunca ter visitado um abrigo infantil do governo!

Se vocês acham que aquele amontoado de células é vida e, mesmo não sendo um indivíduo merece direitos porque deus quis, ÓTIMO. Tem "alma"? ÓTIMO. Não abortem. Simples, NÃO ABORTEM. Mas o estado ainda é laico, criaturas, e vocês não possuem argumento racional nem direito sobre o útero alheio.

R.B.: E se sua mãe não tivesse transado, ou seja, sua irmã nunca tivesse sido produzida? E se sua mãe tivesse sofrido um aborto espontâneo? Sua irmã nunca teria existido. Simples. Seria um universo paralelo onde ela não existiria, sem dor, sem humilhação. Aparentemente sua mãe quis mantê-la por algum motivo, mas te proponho refletir: e se sua mãe a detestasse, pois não a queria e tivesse dado a ela uma vida de violência, negligência e dor?! Te doeria menos?

Toda a vez que sentimos dor ao pensar que alguém quis nos abotar, temos que considerar o fato de que NÃO ÉRAMOS UM INDIVÍDUO. Não queriam nos matar, nos jogar fora, não éramos NÓS, era um amontoado de células que poderia vir a se tornar nós ou o Osama Bin Laden.

E parabéns ao Conselho!

Anônimo disse...

Algumas mulheres aqui (duas, na verdade) relataram uma aversão exagerada a gravidez, ao parto. Me pareceu fobia pelos relatos.

Se isso atrapalha a sua vida precisa ser tratado. Deve ter um jeito de resolver isso sem que se torne um empecilho as suas relações tanto amorosas quanto sexuais.

Mirella disse...

André, qual a dificuldade de entender que, quando o pai "desiste" da paternidade, a criança continua existindo?
Quando a mulher interrompe a gravidez, ela INTERROMPE. As células param de se desenvolver, são expulsas do corpo e a vida segue quase como dantes.

É uma falsa simetria, comparar a interrupção de um desenvolvimento
A simetria é: depois do nascimento, pai ou mãe que abandone são igualmente responsabilizados.

--

Informar, discutir prevenção e métodos contraceptivos é mais do que necessário. Tem de ser obrigação. Mas isto é MUITO difícil de se conseguir num país onde tudo que é relacionado a sexo é tabu. A educação sexual tem de ser vista como uma questão de saúde. Mas estamos MUITO longe de poder contar com uma educação sexual de qualidade quando o presidente da CDHM diz que AIDS é o "câncer gay". Quando se acha que hétero não contrai AIDS. Ou que se acredita que a vagina se alarga com o uso. Quando pais tem vergonha de orientar seus filhos sobre sexo. Quando os libertários de plantão ficam de mimimi sobre o "incentivo à promiscuidade com distribuição de pílulas e camisinhas". Quando existe projeto de lei para que seja necessária receita médica para anticoncepcional.
Vamos assumir que exista um super programa de educação sexual, ok? Que virá a dar resultado daqui alguns anos - meu professor de economia sempre dizia: se vc vai iniciar hoje um projeto para uma geração, é para a próxima. A de agora vc descarta.
Muito que bem. E o que fazemos com as mulheres AGORA? Tem, neste exato momento em que você reclama da educação sexual, uma mulher que está grávida sem desejar. Você vai olhar na cara dela e dizer: azar o seu, mais sorte da próxima vez? Te vira aí com esse cabide? Na hora de fazer não reclamou?
Sério, pessoas. Sérião.

Mirella disse...

R.B.
(Parte I)
Sobre "simplesmente se livrar lá de algo sem nome, um projeto": creio que vc esteja analisando isto sobre a perspectiva de que realizar um aborto, para feministas, é algo corriqueiro e agradável, só ir lá e pronto. Não é. Você já leu um relato de como é feito um aborto (em consultório, com médica ou médico)? Eu já e, apesar de nunca querer ter filhos, desejo ardentemente que nunca precise passar por um procedimento daqueles. É extremamente invasivo, dói. Não é um passeio no parque. Ninguém é "a favor do aborto", simplesmente porque não é algo divertido. Pode-se ser a favor do direito ao aborto.
Quando se menciona que uma em cada quatro gestações acaba por sofrer um aborto espontâneo, é apenas para se mostrar que, no início da gravidez, é algo comum. É um acontecimento que pode ser de grande tristeza para a mãe, para o casal, sem dúvida, mas é algo comum na própria natureza. E tem parte de relação com o que se considera "vida". Não há consenso científico, religioso ou moral. Logo, é algo que varia para cada um, de acordo com seu entendimento pessoal. Aí imagino que você pode pensar "por que não considerar então o aborto até o 8º mês? por que não descriminaliza o homicídio?" Aí entramos num outro consenso:
- a "vida", do ponto de vista da medicina, está relacionada à atividade cerebral. Podemos ter um exemplo disto na doação de órgãos e a morte cerebral. Vejamos, uma pessoa ainda possui o coração batendo, o sangue ainda circula, os pulmões ainda respiram. Porém, quando é detectada a falta de atividade cerebral, esta pessoa não é mais considerada vida. Entende? Sem cérebro, o corpo funciona como uma máquina, e só. É neste momento que a doação de órgãos é permitida. O corpo da pessoa é "violado" e repartido para permitir a vida de outras. Tudo funciona direitinho, porém (e em razão disso) é "retirado" e doado. Não seria algo horrível retalhar alguém e distribuir pedaços? Bom, (quase) ninguém pensa assim quanto à doação. Porque há entendimento de que aquela pessoa não está mais viva. E olha que aquela pessoa teve um papel social, uma família, amou, se relacionou. E, mesmo assim, decidem colocar um fim àquela não-existência. Por que estou falando isso?
Até a décima segunda semana de gestação, o feto não tem atividade cerebral. Não tem sistema nervoso desenvolvido. Não tem atividade cerebral porque nem tem cérebro. Este é o limite legal que a maioria dos países com legislação para a IVG (interrupção voluntária da gravidez).
(continua)

Mirella disse...

R.B.
(Parte II e final)
Então, em relação à "vida": você pode ter a crença que quiser e pode viver sua vida completamente de acordo com ela. Caso engravide, uma legislação que permita IVG não irá obrigar você a abortar (sei que parece meio ridículo falar isso, mas é bom frisar). Se você chama o ser crescente dentro de você de vida, a partir do tempo que for, então será vida. Isto é respeito por você e pela sua crença, qualquer que seja. Acho justo você retribuir o respeito para uma mulher que, no primeiro trimestre da gravidez, não sente o mesmo. E acho justo respeitar a decisão dela do que acontece no corpo dela. Afinal, diferente do embrião, ela tem um cérebro, é uma forma de vida e pode decidir por si. O embrião é, para todos os efeitos, parte dela. Tente remover um embrião e ver se ele se desenvolve fora da mulher.
Agora, um outro tópico: se você soubesse que sua mãe sofreu muito por não querer a gravidez dela, você a obrigaria a seguir mesmo assim? Colocaria o bem estar físico e psicológico da sua mãe atrás do seu direito de vir a ser uma pessoa? Condenaria a sua mãe à morte, esterilidade ou à gravidez? Se uma vida é algo tão importante para você, o que você acha da gravidez (e o futuro bebê) ser vista como punição para a mulher? Uma punição por não se prevenir ou por transar, por exemplo. "Para ver se aprender". Não é algo muito ruim (punir) com algo, em tese, tão bom (vida)?
E, por fim: métodos anticoncepcionais falham. Camisinhas falham, pílulas falham, pílulas do dia seguinte falham, DIU falha. A pessoa pode já ter uma educação sexual ótima, porém nada é 100% eficaz. E aí, essa pessoa merece ser punida com um filho?

André disse...

Mirella,

Até 12 semanas não existe criança, bebê, etc. Existe um amontoado de células. Ou a mulher aborta e nesse caso nunca haverá criança, ou não aborta e, quando houver criança, quem não optou por desistir da gravidez (a mãe e/ou o pai) se tornam responsáveis pela criança. Simetria perfeita nunca haverá, por razões biológicas. O homem não pode obrigar a mulher a continuar uma gravidez que ele quer e ela não. E, a menos que haja alguma contra-indicação médica, não vejo porque a mulher poderia impor uma gravidez indesejada ao homem se houver a possibilidade de fazer um aborto legal.

André disse...

Golimar,

A obrigação de cuidar da criança, na ausência dos pais ou quando estes forem incapazes, recai sobre os parentes mais próximos ou se torna obrigação do estado.

Carolina Lucas Paiva disse...

Eu acho lindo que TODA VEZ que se fala em aborto, vem um jeca tatu fazer mimimi sobre os "homens não serem obrigados a arcar com a paternidade".
Sério isso, gente? Bora entender uma coisinha: gravidez NÃO equivale a maternidade, ok? Logo, aborto NÃO equivale a abandono.

Na hora de dizer que homens são superiores fisicamente, pois tem mais força física, mais velocidade, etc., aí tudo bem dizer que homens e mulheres não são fisicamente iguais, não é mesmo?
Agora, na hora de admitir que SÓ a mulher engravida e, portanto, só ela tem a palavra final em questão de aborto, aí vocês chiam e teimam. Aí vocês querem que haja uma equiparação (coisa que vocês chamariam de vitimismo se fosse com a gente).
Aceitem isso: homens e mulheres não são iguais fisicamente, logo não tem como equiparar essa situação; do mesmo modo que nós, mulheres, temos menor força física e não há como equiparar isso.
Maternidade e paternidade é um direito da CRIANÇA, essa mesma criança que vocês dizem defender quando a questão é aborto.
Acontece que embrião ainda não é criança, não é bebê, é uma vida em potencial, e não uma vida concreta.

E vocês estão reclamando de boca cheia ainda por cima: se o homem é responsabilizado por abandonar os filhos, a mulher também é, e com mais rigor ainda, especialmente as pobres que não tem como sustentar seus filhos.
Enfim, parem de se vitimizar e vejam a realidade das coisas. Vocês que adoram falar de deveres e honra, acham uma injustiça um homem pagar pensão a um filho seu, ao mesmo tempo em que querem que mulheres sejam castigadas por uma gravidez, como se filho fosse punição. Um pouco mais de coerência não faria mal a vocês.

Carolina Lucas Paiva disse...

"Se toda a criança tem direito a ser sustentada então porque só os pais biológicos tem que pagar? Não faria mais sentido se TODOS os parentes foessem obrigados a contribuir com o "bem estar da criança"? Melhor ainda, não seria melhor o ESTADO bancar a criança?"

Quando uma mulher pobre cria sozinha os filhos, geral vem reclamar se ela por ventura receber auxílio do governo, pois "quem mandou abrir as pernas", não é mesmo? Agora DEUSOLIVRE o homem ser responsabilizado pelos filhos, né? Aí sim o Estado deve intervir.

Marina disse...

Anônimo das 13:33, "Algumas mulheres aqui (duas, na verdade) relataram uma aversão exagerada a gravidez, ao parto. Me pareceu fobia pelos relatos.
Se isso atrapalha a sua vida precisa ser tratado. Deve ter um jeito de resolver isso sem que se torne um empecilho as suas relações tanto amorosas quanto sexuais."

Fico pensando, qual o grau aceitável de não-desejo por uma gestação/filho? Em que momento isso se torna "fobia"? E se for fobia, precisa ser combatida? Se for fobia então é porque "no fundo" elas querem sim ser mães? Mulheres não podem ter clareza sobre seu desejo de viverem sem filhos? Ah, já sei, é parte da "essência feminina". Eu me sentiria "fóbica" dessa mesma forma, se não quisesse filhos , tivesse consciência de que métodos anticoncepcionais falham e que vivemos num país onde aborto é o próprio capeta.

André disse...

Carolina Lucas Paiva,

"Aceitem isso: homens e mulheres não são iguais fisicamente, logo não tem como equiparar essa situação; do mesmo modo que nós, mulheres, temos menor força física e não há como equiparar isso."

É claro que dá para equiparar. Ou você acha que tem que abolir a Lei Maria da Penha, ou os critérios diferentes em provas de aptidão nos concursos, etc.?

R.B. disse...

Sinceramente, continuo sem entender. Filho=punição? A gravidez, ou mero "processo" como muitAs estão dizendo por aqui, é uma das consequências do ato sexual. Minha mãe certamente não planejou a minha irmã, mesmo porque o pai sumiu, mas por ter uma consciência cristã ou religiosa ou ignorante, como queiram, assumiu-a. Ficou mal falada, mal visa, teve dificuldades em conseguir emprego, enfim, sofreu as consequências por ter DECIDIDO assumir. Aí se ela tivesse parado pra pensar em tudo isso, se fosse atéia, sinônimo de esclarecida, ao que parece, teria optado então pelo aborto? ter um filho somente para satisfazer uma vontade pessoal é egoísmo, como alguém aí disse, mas não tê-lo pelo simples fato de que ele vai me "atrapalhar" a vida de alguma forma, para mim, é egoísmo ao cubo.
repito, ainda não consigo entender, sorry.

Elen disse...

Eu também tenho horror a ter filho e não é fobia,porque não me atrapalha em nada.
E quanto as mulheres que não podem ter filhos e sofrem muito com isso,também não pode ser considerado um distúrbio,já que ela devia aceitar que não consegue e deixar para lá?

Só porque sou mulher esse deveria ser o sonho da minha vida? também me irrita muito quando vem uma mulher e me diz que também não queria filho mas agora tem.
Quer dizer,não temos escolha,querendo ou não vamos ser mães.

Como isso é mais um padrão de comportamento para as mulheres,muitas tem filho por ter,porque é mulher e uma hora ela não vai escapar disso,blá blá bla´ instinto materno,já é difícil cuidar de mim mesma,que dirá de outra pessoa.

Antes eu era contra aborto para mim,se outras fizessem eu não teria nada com isso,mas lendo o seu blog,não tenho mais certeza,acho que antes ficava aquela idéia de que se engravidou, que se lasque e ainda a questão da religião,embora eu não tenha uma,acredito em deus,que temos alma e eu estaria impedindo alguém de nascer.
Só sei que se engravidar entro em depressão.

Como disseram ai,acho um absurdo a gente não poder fazer laqueadura até os 25 anos ,a não ser que você já tenho filho,porque o estado diz que a gente pode se arrepender!

Se eu me arrepender o problema não vai ser meu? adoção não existe né? eles devem ser videntes para saber o que a gente vai sentir.
Eu nunca quis filho e até agora com 26 não quero e provavelmente não vão querer.

RenataK disse...

Sou a favor da descriminalização por uma questão prática: a criminalização não parece reduzir o número de abortos realizados e ainda aumenta o número de mortes maternas por conta da precariedade com que ele é realizado. Na prática não há lei que assegure que uma mulher irá carregar uma gravidez contra a sua vontade. Esse é o fato. Se a descriminalização diminuir o número de mortes e ainda aumentar a educação sexual acho ótimo.

Mas não acho que abortar seja um direito absoluto da mulher. Eu acho que estamos muito mimados e com pouco senso de responsabilidade. Eu sou casada e tenho 3 filhos. Não quero mais. Faço o possível para não engravidar, mas mesmo assim sei que estou correndo um risco e assumiria uma gravidez caso ela acontecesse.

Não consigo concordar que um feto seja apenas "um emaranhado de célula sem valor algum". Não consigo concordar com a autora do livro "Como ser mulher" que disse ter mais dúvida sobre o piso do banheiro do que sobre o seu aborto. Não sou nada religiosa, mas acho que falta seriedade.

Temos que ter mais responsabilidade sobre nossos atos. Nenhum método anticconcepcional é 100% seguro, verdade. Mas se 80% das gestações não são planejadas e a falha dos métodos é (bem) inferior a 5% há uma discrepância grande ai, não acham?

Eu concordo que considerar o aborto um crime é igual a querer pena de morte pra mulher pobre que engravida. Por isso sou a favor da mudança da lei. Mas acho que um direito inalienável é o direito a educação sexual, ao planejamento familiar, ao acesso a métodos anticoncepcionais. O aborto não é um direito, é uma triste redução de danos.

rafaela disse...

Como médica, como mulher, sou a favor sim da descriminalização. Nisso meu pensamento realmente deve ter mudado ao longo dos anos, após ter presenciado mortes decorrentes de abortos feitos em condições precárias. Continuo achando que devem-se buscar alternativas ao aborto. Mas, se a mulher vai fazer, que seja com segurança. Não acho que há contradição nisso.

Mirella disse...

R.B.,

Quando respondi você, citei seu nome e usei toda educação que pude, apenas debatendo. Aí você vem com as ironias:

"mas por ter uma consciência cristã ou religiosa ou ignorante, como queiram"
"se fosse atéia, sinônimo de esclarecida, ao que parece,"

E termina dizendo "para mim, é egoísmo ao cubo".

Não precisa se sentir "sorry", para mim o debate acabou e você mostrou muito bem que não quer debater, quer ofender.
Sugiro apenas que, da próxima vez, se você quiser ser tratada com educação, trate com educação também.

Mirella disse...

"É claro que dá para equiparar. Ou você acha que tem que abolir a Lei Maria da Penha, ou os critérios diferentes em provas de aptidão nos concursos, etc.?"

André, o fato de tratar coisas diferentes sob aspectos diferentes já acaba com o seu argumento. Se é para equiparar, me explique então como que a desistência de paternidade interrompe o desenvolvimento? Não interrompe. Logo, não é equiparável.
Vamos ver de novo:

situações simétricas: mãe ou pai abandonam uma criança existente.

Situações assimétricas: mãe aborta, pai não pode fazer nada, porque não tem como ele abortar.

Você está comparando coisas diferentes: aborto com abandono. Aborto interrompe, abandono não.

Os exemplos não segue a sua linha de raciocínio. Homem abandonar a criança = mesmos requerimentos para homem e mulher em provas de aptidão física.

Golimar disse...

Quem é a favor da paternidade forçada é porque quer dar o golpe da barriga.

Felipe disse...

R.B., não acho que seja egoísmo. Acho que optar por não ter filhos é um direito, assim como o de constituir uma família. Não suporto crianças, mesmo. Não quero ser pai, nem ter vizinhos com crianças (por isso procuro lugares sem elas) e muito menos gastar 90% do meu tempo e dinheiro com elas. É meu direito, isso deve ser respeitado. Acho um saco essa mania que as pessoas tem de considerar os pais como seres heróicos e superiores e condenarem as pessoas sem filhos, taxando-as de infelizes e egoístas. Recomendo a leitura do livro "Sem filhos: 40 razões para não tê-los", escrito por uma mãe.

André disse...

Mirella,

Abandono de um emaranhado de células, não abandono de uma criança. A mulher que faça o que achar melhor com o emaranhado de células.

André disse...

Golimar,

Não se for a favor da maternidade forçada também, e se for a favor de programas sociais que ajudem a mãe ou pai que decidirem criar o filho sozinho.

Anônimo disse...

Fiz um aborto há duas semanas, mais ou menos.
Exceto por não ser religiosa, me encaixo perfeitamente no perfil da mulher de classe média: casada, mãe, usuária de contraceptivo(como dois terços das mulheres que abortam), 25 anos.
Pois é, métodos falham. Todos, engravidei usando camisinha, mas conheço filho de DIU, de pílula, de tabelinha, de diafragma, de todos os métodos possíveis e imagináveis.

Gastei 3 mil reais nesse processo, por uma coisa que deve custar de verdade uns 300 reais, no máximo.

Tudo por que? Porque com certeza tem que rolar uma propina para a polícia não bater lá, tem que rolar uma grana a mais que compense, e toda a discrição de ter feito em um consultório luxuoso.

Depois eu quis muito ajuda profissional psicológica, mas não tinha como recorrer a essa ajuda, simplesmente porque é proibido. Quis porque os primeiros dias são de um luto e uma queda hormonal brusca, que me fez chorar bastante.

Mas eu sei bem que não me arrependo. Fiz e faria de novo. Não quero ser mãe agora, seria mãe pela metade...Meu filho acaba de fazer 3 anos, minha vida profissional está voltando agora, me dediquei intensamente a ele no inicio, não tenho pique para isso de novo.

Ser mãe para criar de qualquer jeito?
Me nego a ser mãe pela metade!

Não cometi um crime, fiz o melhor para essa criança e para mim.

Anônimo disse...

Tenho 31 anos. Tenho um bom emprego, sou pós-graduada, moro com meu namorado, amo minha família, quero ser mãe. Fiz dois abortos com citotec. Não me arrependo. Não sinto culpa.

Ambos foram bem sucedidos, não precisei passar por curetagem. Me informei muito bem antes, e agi rápido. Não queria de forma alguma ter filhos. Eu precisava cuidar de mim. Quero uma família planejada, um bebê desejado.

Foi um imenso alívio. As dores são as piores do mundo. Mas valeu a pena. Ser fecundada é um processo biológico muito simples. Não tem nada de religioso, nem espiritual. Somos espirituais quando somos investidos de desejo e narrativa.

É isso. Abortei duas vezes, me descuidei, me arrependi do descuido, mas sou muito satisfeita com minhas escolhas.


Patty Kirsche disse...

@Anônimo das 21h00

Na verdade, nascem mais bebês do sexo masculino. Acontece que homens são mais frágeis biologicamente e tendem a se expor mais a riscos, por isso morrem mais. Mas mesmo assim, pelo menos em São Paulo, a taxa de homens jovens estava maior, na última vez em que chequei. Essa história de que existem mais mulheres é uma lenda de senso comum.

Anônimo disse...


"Não cometi um crime, fiz o melhor para essa criança e para mim"
___

Criança ????

Fábio disse...

Pergunta sincera, se o aborto for institucionalizado, e um medico obstetra se recusar a faze-lo, por questões morais pessoais, ele poderá perder sua CRM ?

Carolina Lucas Paiva disse...

André

Assim como mulheres não tem a mesma força física do que homens, homens não podem engravidar. Não há como mudar isso. Simples assim.

Maternidade e paternidade são direitos da criança, que já nasceu, obviamente. É óbvio que, se a criança nasceu, é porque não é mais um emaranhado de células sem consciência, e portanto tem direito a ser sustentada pelos pais. É por isso que essa ideia de "ah, deixem o pai desistir da paternidade enquanto é embrião" não funciona, pois se a gravidez continuar, deixará de ser embrião, nascerá e aí sim será uma vida concreta, com direitos.
O pai só pode desistir da paternidade se a mulher abortar. Se ela não abortar, por consequência ela será mãe, e o homem será pai. É simples.

Felipe disse...

Fabio, segundo o Código de Ética Médica, Princípios Fundamentais, parágrafo 4º: "O médico exercerá sua profissão com autonomia, não sendo obrigado a prestar serviços que contrariem os ditames de sua consciência ou a quem não deseje, excetuadas as situações de ausência de outro médico, em caso de urgência ou emergência, ou quando sua recusa pode trazer danos à saúde do paciente."

R.B. disse...

Felipe: eu disse egoísmo só no sentido de abortar quando já se está grávida. Totalmente válido alguém escolher não ter filhos e se prevenir pra isso.

Mirella: então tá :)

André disse...

Carolina Lucas Paiva,

"Assim como mulheres não tem a mesma força física do que homens, homens não podem engravidar. Não há como mudar isso. Simples assim."

Mas esse argumento é exatamente o mesmo que aquilo que vocês chamam de mascus usam. A história da humanidade pode ser resumida a uma tentativa de escapar do determinismo biológico, vide as vacinas, máquinas, etc. É evidente que algumas características físicas não mudarão a curto prazo, mas não é por isso que a sociedade não pode buscar uma forma de equalizar os direitos dos desiguais.

"Maternidade e paternidade são direitos da criança, que já nasceu, obviamente. É óbvio que, se a criança nasceu, é porque não é mais um emaranhado de células sem consciência, e portanto tem direito a ser sustentada pelos pais."

No cenário atual, a gravidez é um dever do homem e da mulher. Num cenário onde o aborto fosse legalizado, o homem jamais teria direito à gravidez porque isso implicaria em uma ingerência no corpo da mulher, mesmo que temporária. Mas no caso inverso, a decisão da mulher afeta o homem, impondo a ele um dever que ele não escolheu. É simples: os dois querem ou os dois não querem, beleza. Ele quer e ela não, azar o dele, procure outra ou adote. Ela quer e ele não, azar o dela, aborte ou crie sozinha. Isso é o mais próximo que podemos chegar de igualdade, dadas as restrições biológicas.

André disse...

R.B.

Seu raciocínio parte da suposição de que no passado você teria informações que você não poderia ter. Hoje você pode olhar para sua irmã e ficar triste se ela tivesse sido "morta". Esse sentimento não existia no momento em que a decisão sobre o aborto poderia ser tomada.

Anônimo disse...

Marina, fobia é uma aversão exagerada a algo e requer tratamento quando isso atrapalha a sua vida. Ou todas as mulheres que não querem ter filho tem esse discurso de "chorar de se imaginar grávida, dizer que talvez morra virgem e se engravidar a vida acabou"?

Ela falou até em suicídio.

césar disse...

me desculpe mas engravida quem quer,não lembro o nome agora mas uma mulher aqui disse que não toma pilula do dia seguinte pq faz mal.
quantas coisas não tomamos que faz mal?
se vc fica doente,tem que tomar remédio que provavelmente tem vários efeitos colaterais,alguém deixa de tomar por isso?prefere ficar doente?

do jeito que ela falou parece que toda vez que transar a camisinha vai furar e ela vai ter que tomar a pilula direto.
e se tendo essa opção ela n usa,n vai poder falar que foi sem querer.

será que ninguém sabe que os metodos n são 100% seguro? então tem que usar tudo que der e se assim mesmo vc engravidar,vc n teve culpa e foi um puta azar.

eu sou homem ,sempre uso camisinha,minha namorada toma pilula e se já tivesse a masculina eu tomaria tb.

e certas pessoas são bem alienadas,pensam que todo mundo se previne,o que n falta é otário transando sem camisinha.

e o emaranhado de celulas que vcs dizem ,tb tem vida,senão nem existiria.
eu sou contra o aborto mas se for legalizado n posso fazer nada.


"Temos que ter mais responsabilidade sobre nossos atos. Nenhum método anticconcepcional é 100% seguro, verdade. Mas se 80% das gestações não são planejadas e a falha dos métodos é (bem) inferior a 5% há uma discrepância grande ai, não acham?"

perfeito!

Elisa Grec disse...

de onde vem esse dado de que 80% da reproducao hétero é sem querer? eu entendi bem a diferenca de nao planejado e indesejado. desculpe, mas, só se for entre o seu grupo que isso acontece. no meu convívio, todas as minhas amigas, amigos e familiares foram planejados, bem como os filhos que estes estão tendo. as minhas duas filhas foram bem planejadas, demoraram até mais do que eu quis para virem. assim também acontece com pessoas do meu meio. muitos, inclusive, querem filhos há tempos e ainda nao vieram. sempre que você souber de alguma mulher, inclusive, que planeja abortar, pode me apresentar. eu garanto que essa crianca não ficará sem família.

Lillian Cardoso disse...

Lola, eu confesso que fiquei super feliz com essa notícia. Em meio a essa onda de reacionarismo que assola o Brasil, onde pastores racistas, misóginos e homofóbicos são escolhidos para cuidar de Direitos Humanos, essa posição do CFM me pareceu uma verdadeira luz no fim do túnel.

Achei muito interessante a sua 'pesquisa' em relação aos argumentos dos mascus, e em toda a discussão sobre o aborto, eu percebo que há cargas fortes de machismo. As pessoas frequentemente usam termos como "uma vida inocente não tem nada a ver com isso", como se a vida da mãe não fosse inocente, como se ela fosse uma vagabunda descuidada cuja vida vale menos do que a de um punhado de células em formação. Também tem sempre o clássico "a mulher deve pagar pelo que fez", como se valesse de tudo para punir a mulher que faz sexo, até mesmo usar uma outra vida para isso (e essa gente se denomina 'pró-vida', hein?). Como dizem por aí, "se homem engravidasse, o aborto seria legalizado". E eu não consigo deixar de ver uma carga forte de sexismo em alguns que são contrários ao aborto. Para estes, é inadmissível que a mulher tenha vida sexual ativa, e a descriminação do aborto viria para confirmar nossa liberdade em relação ao sexo e ao nosso corpo.

No mais, falando sobre métodos anticoncepcionais: nem tudo é tão certeiro assim. Eu sou uma das que não podem tomar pílulas, por recomendação do meu angiologista. Tenho amigas que são alérgicas a látex, tenho amigas que engravidaram porque tomaram um outro remédio que anulou os efeitos da pílula, tenho conhecidas em que que o DIU não atuou como deveria, ou que a camisinha furou, que a pílula do dia seguinte não funcionou. Infelizmente, métodos anticoncepcionais falham. E quando não há intenção alguma de prosseguir com a gravidez, é aí que deveria entrar o aborto. Lógico que o processo de aborto é bastante traumático e creio que nenhuma mulher vai utilizá-lo como substituto dos contraceptivos. Mas ele deve, sim, ser uma opção. Opção, que fique bem claro. A mulher deve ter autonomia total sobre seu corpo.

Elisa Grec disse...


alguns comentarios/respostas

Idealista Chata disse...

uma duvida..por que somos proibidas de fazer laqueadura?
26 de março de 2013 10:53

Nós nao somos proibidas de fazer laqueadura. Eslcarecendo essa falácia de que "oh! que absurdo! a mulher nao tem poder sobre o corpo, precisa pedir autorizacão pro marido..."

NÃO é assim. acontece que, do ponto de vista legal, se a mulher é casada, precisa sim da autorizacão do marido para laqueadura. porque a concepcão é uma decisão conjunta. infertilidade dá até anulacão de casamento (civil). o que ninguém explica é que O HOMEM TAMBÉM PRECISA DE AUTORIZACÃO DA ESPOSA pra fazer vasectomia.

Caso vc seja solteira, tenha menos de 24 ou apenas um filho, ela geralmente nao é indicada, mas náo é proibida.

Elisa Grec disse...

Comentando 2...

Anônimo disse...

Também estou bastante decepcionada com o caminho reacionário que o país está tomando. Tenho medo do que será de nós, não enquadrados.

25 de março de 2013 17:53

E eu, chamada por pessoas como voce de "reacionária", ainda com sentido pejoraivo, tenho medo de do que será de nós quando não formos os "enquadrados".

Ou voce acha que o ser humano está preparado para o poder?

Quando as suas opiniões forem maiorias, voce acha que as opiniões de quem não esta enquadrado serão respeitadas? Já não são atualmente, quando ainda são o senso comum, imagine o dia que não forem...

Elisa Grec disse...

1. Entregar um filho para adocão é fácil sim, e não é abandono.

2. Nao existem milhoes de criancas para serem adotadas no brasil, em 2011 esse numero nao chegava a 5 mil, beeeem menor do que o numero de pessoas esperando para adotar: mais de 27 mil. mas as pessoas querem bebes, e estes nao estao facilmente disponivel. esteja certa, se vc abandonar um bebe, ele sera adotado bem rapidamente.

3. porque vc acha que ela sera julgada se abandonar a crianca mas nao se fizer o aborto? e porque vc acha que ela entrara em depressao se entregar a crianca, mas nao se fizer o aborto?

Cetica das 10:07

Julia Tocchetto disse...

Há um mito na nossa sociedade de que umx "filhx" possa nos salvar de todos os males. Que umx filhx por si só vá fazer de alguém (em especial a mãe - mulher) uma pessoa melhor e plena em sua felicidade.Embora eu acredite que uma criança possa sim levar alguém aser um ser humano melhor isso não é e nem deve ser regra. Algumas vezes umx filhx pode sim ser uma punição.E as vezes é.
Sobre alguns comentários que li tenho três relatos que exemplificam meus posicionamentos.

- Relato I: Tenho uma amiga que engravidou tomando anticoncepcional.Ela abortou e isso dói até hoje. Mas ela fez o que achou certo e adequado. Estava no último ano d afaculdade, morando com os pais, sem trabalho e o cara em questão não lhe daria nenhum apóio em hipotése alguma. Seria um imenso fardo a carregar por toda uma vida. Eu a apoio incondicionalmente.
(Continua)

- x

Dona do Sexo -Bonobo rules,Jaçanã forever disse...

homem precisa de autorizaçao de esposa pra vasectomia?
pelo q parece thor batista fez e ele nao tem esposa ne

Anônimo disse...

Elisa Grec

"1. Entregar um filho para adocão é fácil sim, e não é abandono."

Se a mulher entregar a criança para alguém sem procurar os meios legais poderá ser processada por abandono de incapaz. Se procurar os meios legais terá a vida revirada e exposta; Primeiro, os assistentes sociais farão de TUDO para que a mulher desista. Depois eles procurarão TODOS os parentes, na tentativa de manter a criança na família dos genitores.

"2. Nao existem milhoes de criancas para serem adotadas no brasil, em 2011 esse numero nao chegava a 5 mil, beeeem menor do que o numero de pessoas esperando para adotar: mais de 27 mil. mas as pessoas querem bebes, e estes nao estao facilmente disponivel."

A questão principal não são as crianças que estão disponíveis para adoção e sim todas as crianças que estão em situação de vulnerabilidade social: nas ruas, nos becos, passando fome, passando frio, sendo abusadas, sendo vendidas, traficadas, sofrendo espancamentos e todo tipo de horror que você puder imaginar.

" esteja certa, se vc abandonar um bebe, ele sera adotado bem rapidamente."

Não, se a mulher abandonar um bebê provavelmente aparecerá em um noticiário sento taxada de monstro sem escrúpulos e responderá a um processo criminal.

"3. porque vc acha que ela sera julgada se abandonar a crianca mas nao se fizer o aborto?"

Porque abandono de incapaz é crime.

"e porque vc acha que ela entrara em depressao se entregar a crianca, mas nao se fizer o aborto?"

Pesquisas comprovam que a gestação forçada causa mais danos do que o aborto.
http://arttemiarktos.wordpress.com/2012/11/28/o-que-acontece-com-a-vida-das-mulheres-que-tiveram-um-aborto-negado-legalizaroaborto/

Airton 8 disse...

Não vejo qual a diferença entre abortar até as doze semanas e impedir a fecundação do óvulo. Se qualquer um dos casos tivesse acontecido conosco não estariamos aqui. Ou seja, estamos impedindo a vinda de um ser humano ao mundo tanto no aborto quanto (homens e mulheres) decidem não pertirem a ão união de suas células reprodutivas. Por isso o CFM age de modo sensato ao levar em conta condições necessárias para o bebê viver fora do corpo da mãe. Como órgãos desenvolvidos e a interação entre eles. Além de um sistema nervoso desenvolvido. Pois, se falarmos em vida humana, até mesmo quando um padre opta pelo celibato comete assassinato. Afinal, imagine quantos seres humanos deixou de colocar no mundo. Não adianta alegar que só passamo a existir a partir da fecundação. Existimos antes. Por exemplo, se o óvulo Machado não fosse fecundado pelo espematozoide Assis não teriamos Machado de Assis. Se um deles fosse trocado seria outro ser humano. Em meu blog falei mais sobre isso. Como o fato de acharem que as células reprodutivas humanas não vivem.

Anônimo disse...

Realmente existem mulheres que acreditam qu o homem não deve ter direito sobre um filho que também é dele apenas pelo fato de que elas é que o carregam na barriga. Eu sou casado, minha esposa já passou dos trinta e sempre manifestou a vontade de ser mãe. Ela vinha tomando injeção anticoncpcional. Sempre em conversas com amigas, mesmo comigo presente quando se falava sobre engravidar, algumas das amigas dela diziam "quem decide quando engravidar é a mulher", sempre levei isso como uma brincadeira. Ha duas semanas fui falar com minha esposa sobre o assunto, iria sugerir que ela parasse de tomar anticoncepcional e nos preparassemos pra ter uma filho. Pra minha surpresa ela me disse sorrindo que já tinha deixado de tomar ha três meses. Foi como receber uma facada, ela tinha tomado essa decisão sozinha, estou me sentindo um lixo, desrespeitado como ser humano, por não ter o direito de decidir sobre algo que mudará a minha vida. Quando se fala em direito ao aborto, vejo as feministas defendendo que a decisão seja sempre da mulher. A impressão que tenho é que nessa mentalidade homem não é considerado ser humano, seu desejo de ser pai ou não, suas crenças não fazem a menor diferença. As feministas reclamam tanto da objetificação das mulheres e de seus corpos, mas não percebem que querem fazer exatamente a mesma coisa, dizendo como um homem deve se comportar pra não ser um estuprador, que devemos reprimir nossa sexualidade para elas poderem manifestar livremente a delas, que não temos nenhum direito sobre as crianças que elas estão gerando, reduzinho a importância da figura paterna...
Sim isso foi um desabafo e sobre o meu casamento... agora ele é um imenso ponto de interrogação.

Elisa Grec disse...

Dona do Sexo -Bonobo rules,Jaçanã forever disse...

homem precisa de autorizaçao de esposa pra vasectomia?
pelo q parece thor batista fez e ele nao tem esposa ne

27 de março de 2013 10:26

Precisa se for casado. solteiro nao. assim como a mukher solteira nao precisa tbm. so a casada.

lola aronovich disse...

Anônimo, tente não generalizar o que sua mulher fez para todas as mulheres (sabe, 51% da população mundial) nem para todas as feministas (31% das brasileiras se assumem feministas). Pessoalmente, eu jamais tomaria qualquer decisão reprodutiva sem conversar com meu marido. Nem de ter filho, nem de tirar filho, nem de nada. Tudo é conversado e discutido por aqui, e eu ficaria muito brava se meu marido tomasse qualquer decisão importante sem falar comigo. Mas a gente tem um casamento longo e feliz. Não posso falar por todas as mulheres. Tem muita mulher em relacionamento abusivo. Imagina uma mulher que está pensando em deixar o marido abusivo e ela engravida. Aí complica, né? E nem pensar d'ela falar pro marido que fará um aborto, porque o cara pode matá-la. Num caso desses não tem que compartilhar decisão nenhuma, não acha? Só deixar aquele relacionamento abusivo o quanto antes. Não estou falando que foi o seu caso... Mas o corpo é da mulher, e a decisão final de ter ou não o filho deve ser da mulher, sempre -- conversando com o marido, claro. Fale com a sua mulher, veja por que ela tomou essa decisão sem te comunicar.

Luíza disse...

Aos que dizem que métodos anticoncepcionais são 100% eficientes, tenho dois casos:

1. Não errava um dia da minha pílula. Tomava religiosamente no horário certo. Dava a pausa que a bula sugeria. Quase um robo. Um dia, comecei a ter uma mestruação leve, do tipo escape. Ela durou quase um mês, até que fui à médica e descobrir que ops, meu corpo não estava metabolizando a pílula. Sorte a minha, estava solteira e sem pegar ninguém na época. Agora, vem me falar que pílula é 100% eficaz??

2. Minha amiga usava camisinha todas as vezes. A camisinha estourou e ela engravidou.

Conclusão: não tem como ser 100% seguro. Então, parem de usar isso como argumento

Cora disse...


eu não consigo entender essas pessoas que acham q abandonar um bebê, entregá-lo aos cuidados(?) do estado enqto aguarda adoção, q pode simplesmente não acontecer, seja mais adequado do q impedir q uma pessoa se forme qdo a mãe ou os pais não podem ter o filho naquele momento. eu não consigo entender. abandonar um bebê é mais adequado do q impedir seu desenvolvimento até a 12ª semana! como q pode isso, gente?

um bebê q precisa de cuidados, de afeto para crescer saudável, q precisa de acolhimento e de atenção. como pode ser mais adequado o abandono?

eu respeito demais a vida pra achar q basta nascer e td bem. não, não basta. é preciso ser acolhido.

a responsabilidade de dar vida a um novo ser humano deveria ser tratada com mais cuidado. as pessoas não pedem pra nascer da mesma forma q não pedem para não nascer. ocorre q não nascer não traz consequências para esta suposta pessoa, enqto q nascer pode transformar-se numa aventura tanto dolorosa qto deliciosa. ser esperado e desejado, mesmo q as condições materiais não sejam as melhores nunca foi um problema. mas não ser desejado e mesmo assim ter q nascer? isso tb é uma forma de violência, não? pra q?

eu sempre acho q devemos ter muito cuidado e saber se somos mesmo capazes de colocar mais uma pessoa no mundo. dar a vida a alguém não é uma brincadeira.

eu sempre vou considerar q interromper o desenvolvimento de uma pessoa nos estágios iniciais de gestação é mais adequado do q simplesmente dar à luz sem vontade ou sem desejo.

respeito demais uma pessoa pra achar q deixá-la sem cuidados qdo ela é tão frágil e dependente é melhor do q impedir seu desenvolvimento.

admiro os homens q vêm aqui se posicionar de forma tão ativa na criação de um filho, pq o q eu mais vejo são homens q não estão nem aí pros filhos q têm. deixam aos cuidados da mãe, da avó, da escola, da rua, qdo separados reclamam dos custos de uma criança e desmarcam sistematicamente as visitas dos filhos com as mais variadas desculpas. é bom saber q tantos homens estão considerando a paternidade algo além da fecundação do óvulo. no mundo real, isso não é comum como a caixa de comentários de textos sobre aborto faz parecer.

outra coisa q sempre me surpreende nos relatos: como as pessoas, os casais têm dificuldade para o diálogo!! ter filhos jamais deveria ser uma decisão unilateral, ou melhor, até isso deveria ser assumido claramente e conversado. se o ser humano não consegue nem mesmo falar sobre contracepção num relacionamento, casual ou não, como se pretende ter filhos? como partilhar os cuidados de um ser humano se nem mesmo a conversa sobre a possibilidade ou não de ter filhos é possível? galera sempre vê a questão como uma disputa de quem pode mais, de quem dará a resposta final. os homens vem aqui dizendo q, se não puderem dar a palavra final, não concordam com a legalização do aborto. se não puderem abandonar o bebê nascido, não concordam com a legalização do aborto. decidir tal coisa é com o casal! o direito a algo não pode ser condicionado dessa forma. pessoas não agirão de forma correta? não, muitas não. mas não é por isso q um direito será negado a todas as demais pessoas.

é tanto absurdo!

Má disse...

Anônima das 20:34, como assim "mas não tinha como recorrer a essa ajuda, simplesmente porque é proibido". Suporte psicológico é proibido pq? beijo!

Lilian disse...

Anônimo das 11:08, sou feminista, casada e nunca faria o que sua mulher fez. Na boa, sua mulher vacilou sim, na minha opinião, e entendo seu incômodo.

André disse...

Cora,

Tem gente que acredita em Deus, em alma, etc. Do ponto de vista deles, entregar para adoção (que, em geral, não equivale a abandonar) é muito melhor que "matar".
Quanto à participação de homens na discussão, somos bem poucos. Além disso, pais relapsos são minoria, os pais responsáveis são invisíveis, já que não causam problemas.

Anônimo disse...

"pais relapsos são minoria"


HAAHAHAHAHAHAHHAH
Era pra rir, não era?

Mirella disse...

André, as crenças pessoais de alguém não podem (e não devem) interferir na legislação de um Estado laico, que irão interferir na vida de pessoas que não seguem aquela crença. Da mesma forma que são absolutamente livres para viverem de acordo com as suas crenças, devem permitir que outras vivam apesar destas mesmas crenças.
E abandonar um "monte de células" não impede o desenvolvimento das mesmas. É isso que você, inexplicavelmente, não consegue entender. Taí a principal diferença entre aborto e abandono.
Na verdade, não tem como abandonar ou não um monte de células, porque células não tem direitos. Só se pode abandonar uma pessoa quando há uma, e isto só acontece após o nascimento. E aí é abandono, independente de quem o faz. É direito da criança, não da mulher, ter uma filiação - apesar de ter pessoas com extrema dificuldade de entender um conceito tão simples. A criança continua tendo seus direitos se, por exemplo, a mãe morrer. Porque não é algo vinculado à mãe.
Não dá para fazer um abandono progressivo (no sentido de antônimo de retroativo) de alguém que não nasceu ainda. Simplesmente porque a mãe não abandona o feto, ela o interrompe. Não tem como a mulher falar "ah não vou ser mãe" e, a partir daquele momento, as células saem voando de seu útero em busca de quem quiser (se bem que seria legal se isso acontecesse). E aí reside toda a diferença, porque interrompendo o desenvolvimento não haverá ninguém sem direitos.

*Renata disse...

Vi comentários aqui falando que em hospitais, médicos não denunciam mulheres que abortaram e tal... e achei super estranho. Aqui na minha cidade a realidade é outra.

Numa pesquisa que estava fazendo na faculdade, conheci 3 mulheres que abortaram e foram humilhadas e até mesmo agredidas pela equipe médica que as atendeu e depois foram denunciadas.
Outras 8 foram somente denunciadas (que eu saiba somente 2 ainda estão presas).

Não é possível que seja só por aqui que isso acontece.

André disse...

Mirella,

Você misturou as coisas, eu não acho que as crenças religiosas de uns devam interferir nos direitos de outros. Mas a Cora disse não entender como algumas pessoas podem preferir a adoção ao aborto. Eu disse apenas que é simples de entender, pois para essas pessoas a adoção não é abandono desde que os pais adotivos sejam bons pais, e o aborto equivale (para eles) a assassinato.

Anônimo disse...

Este tema e muito polemico,mas temos que levar em consideracao algumas variaveis:
1. Os debates sobre a legalização do aborto não devem se restringir à discussões teológicas, morais ou éticas mas ao exame dos aspectos políticos que envolvem.

2. As propostas de legalização do aborto fazem parte de um plano internacional de controle de população imposto pelos países ricos e por grupos interessados na “melhoria da raça humana” e não atendem aos reais interesses das mulheres, nem do País.

3. A divulgação de informações é de importância fundamental para que a comunidade tome consciência de seu papel e não aceite interferência externa em sua política populacional.

4. O exercício da cidadania passa pelo voto. Os eleitores devem ser informados do trabalho de seus representantes no Congresso Nacional para melhor escolherem os futuros parlamentares.

5. A legalização do aborto não interessa ao Brasil. É uma arma dos imperialistas antinatalistas. Nenhum país é forte sem povo educado e sadio. A ocupação de nossos espaços vazios é uma condição para garantir a integridade de nosso território.

6. Os vultosos recursos destinados ao controle de população por grupos e países ricos não significam melhorias para a comunidade, pelo contrário, servem aos interesses dos países do norte.

7. Se a redução da população significasse prosperidade para o país, o Brasil seria um dos países com a população mais rica do mundo uma vez que reduziu sua fertilidade em 50%, nos últimos 20 anos. Proeza que nenhum outro país conseguiu nesse curto espaço de tempo.

8. A pretensa defesa dos direitos da mulher, alegada pelos partidários da legalização do aborto, é uma falácia. Em verdade trata-se de usar as mulheres em benefício dos interesses imperialistas e racistas.

9. Não existe no mundo maior amor do que o de uma mãe para com seu filho, mas a propaganda abortista levou muitas mães a odiarem seus filhos a ponto de assassiná-los de maneira covarde e sem nenhuma defesa ainda no inicio de suas existências.

10. Explosão demográfica é uma falácia para justificar a intervenção nos assuntos internos dos países e criar-se um Estado Mundial, onde a globalização é apenas uma etapa do processo de domínio do mundo.



Anônimo disse...

Elisa Grec

O programa da Fátima Bernardes hoje teve um caso (ficcional) de uma mãe que queria dar o filho pra adoção. E o público opinava se ela deveria ou não. O que teve de gente falando (na internet) que ela era irresponsável, cruel, que ela pariu agora tinha que cuidar, não foi brincadeira.. Não pode abortar e não pode colocar na adoção. Não te parece que o objetivo é fazer essas mulheres tomarem o filho guela abaixo como punição?

A criança seria adotada por uma família que a quer muito e que vai cuidar dela, mas as pessoas ainda não estão felizes. Pra mim está muito claro do que se trata tudo isso..

Anônimo disse...

Airton 8, o que foi que vc tomou? Eu também quero.

Anônimo disse...

Anon 18:42 também quero do que você tomou. Um do seu e um do Airton.

Fábio disse...

"“Defendemos o caminho da autonomia da mulher”. "

Eis aqui alguns exemplos da "autonomia da mulher":

1. http://bit.ly/15N7h6l

2. http://bit.ly/109hAi6

---
E, por favor, vejam esses links antes de me responderem. Acho que 99% de vocês não faxz ideia nenhuma do que é um aborto.

Fábio disse...

Perguntas?

Os homens não podem opinar sobre o aborto( apesar de ser uma questão de interece de toda a humanidade), mas a mulher pode matar o corpo que se encontra temporariamente se desenvolvendo, por motivos biologicos, não de "construção social" no seu útero?

Um ser humano,é um humano desde o momento da concepção ?(fecundação).
Ou um "amontoado de celulas humanas, e o mesmo que um amontoado de celulas de uma samambaia?

Uma das prerrogativas de defensores do aborto ( pró morte) e que e melhor abortar do que gerar uma criança sem condições financeiras.Com o aborto, vocês não negam à criança a possibilidade de vencer na vida ? uma vez que vocês determinam que, se nasceu pobre, vai invariavelmente morrer pobre ?
Isto não e higienista?

um bebê prematuro, e pequeno e não tem autonomia, depende de outrem para tudo,não sabe falar, nem formular pensamentos complexos, está se desenvolvendo,ele e menos humano que eu e vcs?

ele nasceu adiantado, de sete meses este abusado, se ele estivesse no útero ainda com sete meses não e considerado vivo ? não tem direitos este emaranhado de células sem historia pessoal, que ousa se comparar com um ser humano adulto desenvolvido e com RG ?

Então o slogan "Meu corpo minhas regras" já não se aplica aos 7 meses de gravidez?

A autonomia da mulher gestante, só dura até a 12° semana de gravidez ?

Alguém sabe a diferença entre tirar um ser humano em gestação, impedindo seu direito de se desenvolver, e tirar uma espinha ?

Sandro disse...

Isso é um desrespeito contra a vida humana e a legitimaçao do assassinato. Quem tem pensamento medieval são vocês. Vejam bem: a discussão sobre o momento da origem da vida humana foi resolvida com a descrição feita em 1827 por Karl Ernst Von Baer. Devido ao aumento da sensibilidade do microscópio permitindo visualizar o óvulo e o espermatozóide, constatou-se que a nossa origem está na concepção. Nas suas obras "Ueber Entwicklungsgeschiechteb der Tiere" e "Beabachtung and Reflexion" descreveu os estágios correspondentes do desenvolvimento do embrião. Por isto é chamado de “Pai da Embriologia Moderna”.
Em 1839, Schleiden e Schwan, ao formularem a Teoria Celular, foram responsáveis por grandes avanços da Embriologia. Conforme tal conceito, o corpo é composto por células, o que leva à compreensão de que o embrião se forma a partir de uma ÚNICA célula, o zigoto, que por muitas divisões celulares forma os tecidos e órgãos de todo ser vivo, em particular o humano.

Com base nestas evidências experimentais e, o Papa Pio IX aceitou a concepção como a origem do ser humano, em 1869.

Em meados do século XIX, os médicos estavam já completamente convencidos da existência desse processo e iniciaram então uma campanha para criminalizar o aborto. A frase que todos pensam ter sido inventada pelo Vaticano "a vida humana começa no momento da concepção", data, de facto, dessa campanha iniciada pelos cientistas no século XIX.

Então, não se trata, portanto, de um "dogma religioso", mas da aceitação de um FATO CIENTIFICAMENTE COMPROVADO. Para não dizer que se trata de conceitos ultrapassados, pode-se verificar que TODOS os textos de Embriologia Humana consultados, nas suas últimas edições, afirmam que o desenvolvimento humano se inicia quando o ovócito é fertilizado pelo espermatozóide.

Tenta-se atualmente, através de uma retórica ideológica, justificar o assassinato de embriões e fetos indefesos com argumentos despidos de fundamentos científicos, tais como: "Não sabemos quando começa a vida do ser humano". Como se vê, desde o século XIX, a discussão já foi resolvida.

educamb disse...

Achei interessante sua resposta a um anônimo Lola dizendo para não generalizar as mulheres por conta da atitude da esposa dele, mas será que tirar de todos os homens o direito de decidir sobre ter ou não um filho, por conta de alguns
maridos violentos não é generalizar, será que os homens (49% da população mundial) são violentos e abusivos.
Sera que vcs nao percebem que estao querendo fazer com os homens aquilo que vcs mais condenam, a objetificação de seus corpos. Eu vejo isso quando leio a fala de algumas de vcs aqui, que dizem que se tiverem uma relação apenas casual com um cara e engravidar querem ter o direito de decidir se leva ou não a gravidez adiante.
Pensem um pouco nesse cara hipotético da relação casual, ele é um ser humano, um ser humano é feito dentre outras coisas de princípios e crenças. Imagine se esse cara acredita que um embrião mesmo de um dia ja tem alma e que mata-lo os condenara ao inferno. A mulher pode dizer essa é uma crença idiota e que não vai ter esse filho, pois nao acredita nisso, afinal de contas ela so queria transar e nao constituir uma familia, não quer esse "parasita" no seu corpo.

Será que esse homem não foi objetificado? Virou coisa? Virou um penis? Suas crenças, seus principios nao importam, ele
cumpriu seu papel de satifaze-la sexualmente. Mas esse cara é a pior pessoa do mundo, ela diz, é egoista, machista,
desprezivel, mas, ainda é uma pessoa e nao apenas um penis, deve ser tratado como uma pessoa. O que quero dizer é que
sexo, mesmo casual deve ser feito com responsabilidade, e responsabilidade não é apenas usar camisinha ou tomar
pílula, responsabilidade é saber que esta sempre se relacionando com uma pessoa por inteiro, com defeitos, qualidades,
principios, e crenças, e não apenas com um corpo. Sexo nao é apenas a introduçãoo do penis numa vagina, mas a
introdução de uma pessoa por inteiro na vida da outra mesmo que seja por pouquissimo tempo, se nao for assim é objetificação. Nao quero condenar o sexo casual, mas apenas estou dizendo que trazer uma pessoa pra sua vida é sempre
um risco ou uma responsabilidade, se alguma coisa der errado, vc tera que lidar com essa pessoa, por pior que ela seja, porque a decisão de traze-la pra sua vida foi sua. Quem permitiu que ele penetrasse sua vagina e sua vida foi vc, "seu corpo, suas regras" não é assim? Jamais se esqueçam que liberdade traz sempre responsabilidade. Isso é ser
adulto.
Essa conversa de ouvir o homem, mas a ultima palavra ser da mulher, soa muito estranho. Imaginem que eu diga pra vcs
que na minha opiniao, de um modo geral o homem deve sempre ouvir a mulher, mas a palavra final sempre cabe a ele, do que vcs vão me acusar? Machismo. Numa relação igualitária a decisão deve ser tomada por ambos. Direitos reprodutivos são direitos que devem assistir a todos os seres humanos e não apenas aos seres humanos possuidores de útero. Alias qual a diferenca de dizer que seres humanos possuidores de útero tem o poder de decisão e de dizer que seres humanos possuidores de penis tem o poder de decisão? Das duas formas nao criamos um ser humano de primeira classe com mais direitos e um outro de segunda classe com menos direitos?

Mirella disse...

André,

Não se pode limitar a crença de alguém apenas ao seu plano individual enquanto tempos um partido que se denomina cristão e que repete o mote ridículo de que aborto é assassinato. A pessoa vota naquele que a representa, apesar de que esta representação se dá por meio religioso num Estado Laico.

Carolina Lucas Paiva disse...

Educamb

A questão é que somos contra a mulher ser forçada a seguir com uma gravidez que não quer, entendeu? Neste caso sim a decisão final cabe à mulher, pois é dentro dela que o embrião está. Negar essa escolha como se fosse nada é sim objetificar o corpo das mulheres, transformar seus corpos em encubadoras, pois é contra sua vontade.

Carolina Lucas Paiva disse...

André: mas se a criança nasceu, ela tem direito a receber pensão, e sim, esse direito da criança se sobrepoe ao direito do pai de não querer pagar a pensão, porque a criança já nasceu, já tem direitos, já tem uma vida concreta. Esta é a diferença. E dizer que mulheres engravidam e o homens não é não ser determinista, é repetir um fato inegável. E não, nós não negamos que homens sejam mais fortes do que mulheres; o que nós somos contra é o discurso de superioridade masculina COM BASE nessas diferenças biológicas.
A mulher não é superior ao homem por engravidar. O que acontece é que, mesmo que o homem queira que a gravidez siga, ele não pode obrigar a mulher a permanecer grávida, se ela não quiser permanecer grávida. Se ela decidir continuar a gravidez e depois entregar a criança para ele, ela ainda poderia ser obrigada a pagar a pensão, pois é direito da criança, entendeu? Pensão não é vingança contra pais e mães que não querem filhos, mas sim um direito da criança.

André disse...

Carolina Lucas Paiva,

Mas estamos falando de um futuro hipotético onde o aborto é liberado até por motivo de conveniência. E em momento algum eu falei sobre superioridade ou vingança, apenas em tentar equalizar direitos e responsabilidades num caso com restrições biológicas. Complementando o meu ponto:
A mulher e o homem querem ou não querem, então que dividam a responsabilidade quando o feto se tornar uma criança ou ela aborta.
A mulher não quer a criança, mas aceita encarar a gravidez, e o homem quer a criança: então ele que assuma sozinho a responsabilidade pela criança.
A mulher não quer a criança nem encarar a gravidez, e o homem quer a criança: então nada pode ser feito, ele que arrume outra mulher ou adote uma criança.
A mulher quer a criança, e o homem não quer: então ela que assuma sozinha a responsabilidade pela criança.
Nascendo a criança, ela teria direito ao nome dos pais na certidão de nascimento e só. Quem desistiu previamente do filho não poderia ser responsabilizado afetivamente ou financeiramente pela escolha do outro. Naturalmente, minha concepção de estado é o do bem-estar social, de modo que financeiramente a criança não ficaria desassistida. Eu não vejo outra forma de equalizar direitos e deveres.

André disse...

Carolina Lucas Paiva,

"Neste caso sim a decisão final cabe à mulher, pois é dentro dela que o embrião está."

Mas não é apenas isso, senão o aborto deveria ser permitido até 9 meses.

Sara disse...

Fabio vc é um grande demagogo, tive tres abortos expontâneos próximos ao quarto mes de gestação, que jamais tiveram explicação médica, deveria ter pedido para ver os fetos q abortei???

Cora disse...


andre,

numa situação perfeitamente equânime acredito q é isso mesmo. td pode ser conversado e acordado entre o casal. essas decisões são de âmbito do casal.

sobre questões financeiras, acredito q não haja problema de um dos pais abrir mão da paternidade/maternidade. no entanto, afetivamente, não sei bem como seria. durante a infância, ok. mãe ou pai criaria o filho como produção independente. mas, qdo maior de idade (talvez até antes, legalmente nem sei se existe algo), o filho pode querer conhecer a mãe ou pai.

isso existe entre filhos de inseminação artificial, inclusive.

claro q não há, acredito, obrigações desta pessoa com o filho, mas o filho pode desejar conhecê-lo.

hj, qdo o pai não assiste a criança e foi um abandono comum, o ministério público solicita da mãe informações para a localização do pai. isso, inclusive, muitas vezes cria problemas para a mulher, q está saindo de um relacionamento abusivo e pode voltar a ter q conviver, pelo menos parcialmente, como o pai da criança.

qdo a gente vai pro mundo real as situações ficam muito mais complicadas.

mas acho q vc resumiu bem o q seria a melhor legislação para a questão de reprodução. td mundo esclarecido e autônomo, fazendo escolhas conscientes, e sem forçar uma mulher a levar adiante ou interromper uma gestação.

Dani disse...

A origem da vida de um cidadão, do ponto de vista do Estado laico, começa quando esse bebê ganha uma certidão de nascimento e pode ter seus direitos garantidos. Enquanto ele está no ventre da mulher, é ela quem decide por ele. Ele não tem vida se ela não tiver também. Sou totalmente a favor dessa colocação do CRM, uma colocação lúcida em defesa dos direitos da vida e das escolhas da mulher, que já é uma cidadã. Ninguém quer fazer um aborto, mas é melhor ter acesso a ele caso algo indesejado aconteça com você - leia-se violência sexual, feto anencéfalo, problemas de saúde durante a gestação. Aborto não é questão religiosa, é saúde pública. E se os homens engravidassem o aborto já estaria garantido a muito tempo, com certeza.

Anônimo disse...

Um ser em simbiose com outro não é continuação do corpo. Sou contra o aborto.