quinta-feira, 10 de junho de 2010

GUEST POST: “VIM TIRAR ALGUMA COISA BOA DO QUE ME FEZ TÃO MAL”

A Ana me enviou um email que começa assim: “Eu tenho dezoito anos e não sou um trote, nem uma brincadeira de mau gosto de alguém. Não escrevo super bem nem busco comoção das pessoas. Eu só tenho uma história triste que eu sei que acontece com muita gente que não tem coragem de contar, na verdade normalmente nem eu tenho. Mas ler as coisas que você escreve tão abertamente me deu vontade de dizer o que eu vivi, na esperança sincera de que isso possa ajudar alguém. De verdade, Lola, eu só peço que acredite em mim, porque muita gente não o fez quando eu precisei”.
Não vou nem comentar agora, talvez num outro post, apenas que acredito piamente no que a Ana conta. Eu ia cortar algumas frases, como aquelas em que Ana se dirige a mim, mas decidi deixar exatamente como está, sem mudar uma vírgula (e ela diz que não escreve super bem!). Fiquem com seu relato:

Quando eu tinha treze anos, eu conheci um cara. Ele era bonito, charmoso, elegante, sabia conversar, e tinha 21 anos. Eu era boba, ingênua, apaixonada, e logo comecei a namorar com ele ― o que teria sido um namorinho idiota que qualquer garota de treze anos tem e acha que é coisa séria, se ele não fosse quem é. Eu mal o conhecia, e hoje vejo quanta burrice eu cometi... Mas na época, eu não via isso. Meus pais sempre trabalharam o dia inteiro, e eu chegava da escola e ele vinha me buscar, a gente saía por aí... No começo, a gente só passeava de mãos dadas e eu me sentia a maior por ter um namorado. Depois ele começou a me levar em barzinhos, me incentivava a beber. Eu não gostava, mas bebia. Tudo pra agradar meu namorado, certo? E quando eu dizia que não queria fazer alguma coisa que ele queria, ele ficava meio bravo, mas eu acho que não percebia, ou não entendia muito bem. O caso é que eu tinha treze anos, e meninas de treze anos cansam das coisas muito facilmente, principalmente quando começam a achar que sair pra beber numa quarta à tarde com um cara que não conhecem muito bem é errado. E um dia, eu saí com umas amigas, e já estava meio cansada... acabei ficando com um menino. Fiquei morrendo de remorso. Quando eu lembro hoje, é até engraçado o quanto eu me remoí de remorso. Resolvi contar pra ele. Afinal, ele era meu namorado lindo e compreensivo, e ia entender, e a gente terminaria mas pelo menos seríamos amigos, quem sabe? Fiz a besteira de contar. Foi o primeiro dia que ele me bateu, Lola. Foi um tapa na cara no meio da rua, e as pessoas podem achar que foi só um tapa na cara, nada demais. Mas não deixo ninguém encostar na minha cara até hoje, nem de brincadeira, por causa disso. Eu lembro que caí no chão do lado de um poste e uma senhora veio me ajudar a levantar, olhando feio pra ele. E eu odiei essa senhora com todas as minhas forças e chorei de vergonha. Queria que ela sumisse e não me visse nunca mais. Não queria que ninguém me visse. Eu mandei ela embora. Não me lembro muito bem, mas eu acho que ela me olhou com pena. No dia, me parecia nojo.
Não sei bem porquê, não entendo até hoje minhas reações quanto a esse assunto, mas aquele tapa mudou minha cabeça. O jeito que ele me bateu enfiou na minha cabeça que ele tinha total domínio sobre mim e que eu seria a pior pessoa do mundo se não o obedecesse. Por isso, no dia seguinte, ele apareceu pra me buscar e eu saí com ele como se nada tivesse acontecido. Mas tinha acontecido, e ele não me deixou esquecer. A gente foi pra um bar e ― me desculpa, mas não tem outra forma de dizer isso ― ele colocava minha mão sobre o órgão dele o tempo inteiro por debaixo da mesa, e segurava ela lá, e eu me sentia horrorizada mas não fazia nada. E quando a gente saiu de lá, ele me levou pra um beco e me socou na barriga porque "eu estava paquerando o garçom".
Tá, não vou te contar sobre cada dia, Lola, apesar de que me lembro de todos eles. O caso é que eu comecei a beber de verdade e a fumar todo tipo de coisa, com treze anos, porque tinha dia que eu não conseguia levantar da cama de tanta resignação. Acho que o pior era isso, a repressão; eu achava que não havia outra saída, eu só podia me conformar, era a minha sina. Eu comecei a mentir pros meus pais ― um hábito que eu nunca tive ― e a comprar maquiagem pra esconder os hematomas. Eu disse até que fui atropelada uma vez, pra minha mãe, pra explicar porque eu não tava conseguindo andar direito. Eu desejava que ele morresse e me culpava por isso, e cheguei a achar que merecia apanhar por desejar uma coisa tão horrenda. Eu aprendi a apanhar em silêncio porque ele se empolgava se eu começava a chorar... Me acostumei a vomitar todo dia quando chegava em casa. Não sei porquê, mas era uma reação automática. Eu vomitava e isso fazia com que fosse mais fácil fingir que estava tudo bem. Meus pais me enfiaram numa psicóloga ― eu estava emagrecendo, e me isolando, e indo mal na escola, tudo que nunca tinha acontecido ― e eu mentia pra ela também. Eu não tinha ninguém, Lola, porque eu não quis ter. Na verdade, eu acreditava sinceramente que era pra ser assim. Ele me fez acreditar nisso. Ele me tratava como lixo, cuspia em mim, pisava no meu rosto. É incrível, eu vejo hoje como isso mudou a minha vida.
Isso não durou muito tempo, por mais que pareça uma eternidade. Quatro meses se passaram nessa mesma ladainha. Até que um dia ele me deu um chute na bexiga tão forte que ― você não sabe como é difícil dizer isso ― eu urinei em mim mesma. E ele riu. Ele nunca tinha rido de mim, e por mais que eu pudesse ver que ele gostava de me bater, isso nunca tinha ficado tão evidente. Não sei porque especificamente isso me fez cair a ficha ― o caso é que eu percebi, ainda que por um momento, que ele que era o bosta da história, ele que era um lixo. E no dia seguinte ele passou na minha casa e eu não desci. Eu fiquei olhando do meu apartamento enquanto ele sentava na praça que fica na frente da minha casa e cruzava os braços com uma cara de que ia me bater muito por não ter descido, no dia seguinte. Mas no dia seguinte eu também não desci. E no outro também não. Eu estava impressionada por saber que era possível não obedecer a ele, Lola, porque essa tinha se tornado a minha realidade. Eu estava abismada comigo mesma. E o tempo passou, cada dia meu medo dele aumentava, mas minha coragem de me proteger aumentava também.
Queria que minha história acabasse aqui, mas ele não desistiu de mim por muito tempo. Eu acho que ele me seguia sempre que podia ― teve vezes que eu estava andando por algum lugar e ele simplesmente cruzava comigo na rua e me deixava aterrorizada, me dizia que eu estava sendo uma péssima namorada e me dava no mínimo um puxão de cabelo pra lembrar quem manda. E eu não me recuperei totalmente, também. Eu continuei bebendo e fumando, e eu tinha crises de pânico em que parecia que ele ia entrar pela porta a qualquer momento, em que eu passava a noite inteira vomitando como se ele tivesse acabado de me dar um soco. Com o tempo, ele aparecia cada vez menos, mas eu continuava na mesma. Não conseguia ― e, pra falar a verdade, até hoje não consigo ― superar e esquecer e me convencer de que ele não podia mais me machucar. Eu estou resumindo a história, Lola, porque ela dura por mais cinco anos ― até hoje. Eu namorei mais algumas vezes, e todos os namoros acabaram pelo mesmo motivo. Passei esses últimos cinco anos oscilando entre o bem estar e o fundo do poço. O bem estar era quando eu acordava e dizia que ia parar com todos os meus vícios e ia superar tudo e tudo ia dar certo. O fundo do poço vinha quando eu não conseguia e acabava na mesma... Eu acho que não conseguia pensar claramente sobre isso ― guardei tudo num canto da minha cabeça que ignorava na maior parte do tempo ― porque o medo dele aparecer e me machucar não sumia nunca. Eu abria a janela do meu quarto todo dia com medo de ele estar ali, porque tinha vezes ― por mais que demorasse meses às vezes ― que ele estava mesmo lá. Tentei contar pra alguns amigos, uns acreditaram, outros acharam que eu estava inventando histórias. Alguns queriam que eu chamasse a polícia. Isso nunca me pareceu uma opção.
Bom, hoje eu tenho dezoito anos e moro sozinha. Mudei de cidade, larguei dos meus pais. Sinto uma falta imensa deles que me deixa na cama por horas seguidas, às vezes. Mas eu quase não volto, quase não vou visitá-los... porque deixar a minha cidade significou deixar o medo, e a ausência dele me dá um alívio tão imenso que nunca vou conseguir explicar pra ninguém... Estou reconstruindo a minha vida, e até agora tem dado certo. Parei de vomitar esse ano, parei de ter crises. Agora, eu consigo acessar as lembranças, por mais que sejam horríveis, e lidar com elas. Não fujo mais, e isso tem me ajudado, ainda que muito devagar. Há um ano atrás, eu nunca teria sido capaz de contar essa história, ainda que resumida desse jeito, Lola. Mas esses dias eu percebi como tudo teria sido diferente se eu tivesse simplesmente conversado com os meus pais. Meus pais são maravilhosos. Eu não queria machucá-los, porque só de imaginar a dor da minha mãe em descobrir o que eu sofri já me dá arrepios. Mas hoje eu sei que a distância que eu imponho entre nós causa uma dor constante, que supera a primeira. Tudo teria sido melhor se eu tivesse falado com eles, eu tenho certeza.
É, me desculpa ter escrito tudo isso, eu tentei resumir bastante, omiti tudo que eu podia. É que meu recado só faz sentido se eu conseguir mostrar pras pessoas como uma coisa dessas influencia a vida de alguém em todos os sentidos ― família, saúde, vida social, futuro. Não consegui me livrar de muitos vícios ainda, mas estou evoluindo como nunca evoluí. Eu acho que estou no caminho certo ― não vim aqui pedir ajuda, porque talvez só eu possa me ajudar mesmo, do jeito que eu me tornei introspectiva nesses cinco anos. Eu vim aqui tentar ajudar e tirar alguma coisa boa do que me fez tão mal. Vim aqui dizer a todas as mulheres que têm qualquer tipo de homem assim na vida, que não tenham medo de dizer, que não tenham vergonha, que saiam gritando se for preciso, que façam qualquer coisa para que fiquem seguras. Que pensem no futuro, porque o futuro que eu tive não é o que nenhuma delas merece. Por favor, que vão à polícia. Que se protejam, se salvem, se cuidem; conservem sua sanidade. Porque a partir do momento em que se perde a autonomia da própria mente, se perde tudo. É só isso.
Obrigada Lola, pelo que quer que você for fazer com isso. Eu acho que, de todos os blogs que eu li procurando alguém pra mandar isso, você foi o único que me passou a idéia que eu queria ― que você vai fazer alguma coisa de útil com essa informação, e que vai fazer eu me sentir mais tranquila, e que vai ser mais fácil seguir com a minha vida. Obrigada.

57 comentários:

Dona Aninha disse...

Choquei! Me coloquei na pele dela...
Até deu vontade de vomitar.
Cara, treze anos... difícil...
Precisa de ajuda psicológica essa minha xará.
E sinceramente este cara não deveria ficar impune... deve estar fazendo o mesmo com outra menina por aí.

Lord Anderson disse...

"eu só peço que acredite em mim, porque muita gente não o fez quando eu precisei"

De todas as coisas dolorosas que a Ana escreveu, ao meu ver essa é uma das maiores.

Saber que tantas vitimas ainda tem que aguentar a descrença e a culpalização pelo que sofreram...

Parabens a vc Ana e a todas as mulheres que conseguem se rerguer apesar de tantos obstaculos

marmota bobak disse...

chocante, não? será que ELA acha os vídeos dos anões em chamas engraçados?

marmota bobak disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Samantha disse...

Nossa, que história triste. Acho que talvez foi a que mais me impressinou aqui. Essa e a da Jarid.

Sabe, eu sou meio sangue quente. Deu vontade de descobrir quem é esse cara e bater muito nele. Sei que estaria me igualando a ele, mas essa sensação de revolta passa por mim por alguns instantes. Depois vai embora. Acho q na verdade sinto isso porque acho revoltante um ser destes estar livre, não ter sido punido.

Ana, você procurou auxilio médico? pela descrição, ele te agredia violentamente. Tenho medo, principalmente desse chute na bexiga, ter te machucado seriamente. Sei q ja faz 5 anos, mas procura um médico, tem muitos hospitais ligados a universidades, q são gratuitos. Faz um check up.

Eu sei que a maior marca é a que ele deixou em seu interior. Por isso, se você já não procurou, procure auxilio psicologico. Vai te ajudar a vencer isso. Tão novinha, só 18 anos, tem tanto tempo para viver e ser feliz. Mas precisa curar isso. E eu te parabenizo por ter tido coragem de contar essa história. Porque isso mostra que você de algum modo está conseguindo vencer isso, através do desabafo.

Pri Sganzerla disse...

Em primeiro lugar, parabéns pela coragem, Ana! Desejar tirar algo bom do que te aconteceu e ter a preocupação de enfatizar a importância de procurar ajuda quando isso acontece, são percepções muito importantes.

Nada me tira da cabeça que um homem de 21 anos que se mete com uma garota de 13 anos e age dessa forma como esse "namorado" agiu é um canalha pedófilo que merecia ter ido pra prisão.

Ele era bem mais velho, mais forte fisicamente e, na teoria, tinha um amadurecimento e uma percepção diferentes do mundo - coisa que uma menina de 13 anos ainda não teve tempo para desenvolver.

O problema não estava em você, Ana! Mas nele: um doente, com total distorção do que é um relacionamento e, definitivamente, não foi à toa que ele escolheu uma garota novinha e em formação ao invés de se meter com alguém que poderia ter a clareza do ser humano infeliz e de comportamento patológico que ele é.

O que eu teria pra te dizer, Ana, é: procure ajuda. Pense na hipótese de fazer psicoterapia. Você pode ter a chance de rever sua estória, colocar os sentimentos nos devidos lugares, livrar-se desse sentimento de culpa e não deixar que essa estória triste e infeliz condicione seus relacionamentos posteriores.

Você é jovem. Tem direito a ser feliz. Percalços na vida todos mundo tem. Feridas, cicatrizes. E a sua foi causada por uma pessoa doente, perversa - mas você pode sim dar a volta por cima. Porque o que você passou pode ser usado a seu favor pra te tornar mais forte.

Talvez um dia você compartilhe isso com seus pais. Pode ser libertador. E pode fazê-los entender o passado também. O seu silêncio pode ter criado alguns fantasmas na cabeça deles. Mas isso só você vai saber se será necessário ou não. Afinal, a maior vítima foi você, pela idade que tinha.

Apenas não desista do seu direito de compreender o que te aconteceu, livrar-se da culpa e aprender a lidar com as cicatrizes de modo que elas não sangrem a cada relacionamento em potencial que surja.

Você tem direito à felicidade. Deve ter preservado seu direito a ir e vir. Precisa sentir-se segura. Compreender os efeitos psicossomáticos que essas vivências desencadearam no seu corpo. E não se culpar pelo que houve e nem pelo seu silêncio no passado. Você foi o elo mais fraco de uma corrente, pela idade, pela imaturidade natural da fase de vida na qual estava. O doente era ele.

Que você encontre paz e equilíbrio. :-)

Deprimente que ainda haja no mundo esse tipo de homem lixo, desprezível, insalubre e que merece ser punido pela lei por desrespeito a outro ser humano (que ainda por cima é menor de idade). ABSURDO.

Giovanni Gouveia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
aiaiai disse...

Como mãe e como filha, não consigo entender como os pais não perceberam e não tomaram nenhuma atitude.

O cara é um grande bandido, não quero culpar os pais por tudo, mas fico pensando: como é que a pessoa tem uma filha de 13 anos e não sabe nada do que acontece com ela?

Mariana. disse...

Nossa, que história! Chorei o texto todo.

Caras assim existem aos montes. Eu tenho um exemplo próximo: meu primo. Sinto vergonha de dizer que sou parente dele, mas isso a gente não escolhe, né? Ele fez isso com a namorada dele. Quando ele tinha 23, ela tinha 14. Começaram a namorar.

Primeiro ele proibiu ela de frenquentar aulas de dança e luta. Depois a convenceu de que ela não precisava mais estudar. Muito menos trabalhar um dia. Pra ele (e ele não sente vergonha alguma de adimitir isso pra quem quiser ouvir), 'mulher minha não fica andando a toa por aí'. Pra ele, trabalhar e estudar é andar a toa. E mesmo se uma mulher quiser mesmo andar a toa, sair com as amigas, etc., tá igualmente errado.

Depois, ela engravidou. Nada me tira da cabeça que isso foi planejado por eles. Ou melhor, por ele. Ele a convenceu que esse seria a melhor coisa, brincar de casinha e tudo mais... Ela caiu. Dava pra ver que ela é uma menina inocente. Também devia achar o máximo namorar um cara mais velho, só pra falar que tinha namorado.

Os pais dela ficaram arrasados. Não só pela gravidez, claro. Eles notaram o que estava acontecendo e tentaram ajudá-la (ainda que de uma forma tímida demais, na minha opinião), mas pra mim, ela se sentia dependete psicologicamente dele. Se sente ainda.

A neném nasceu. Nenhum dos dois trabalham nem estudam: vivem com a mesada da minha tia. Passam o dia dormindo e a noite no computador. A neném fica no berço direto, praticamente só sai pra comer, dar banho, etc.

Meu primo continua proibindo ela de ir até na casa da mae dela; quando deixa, estipula horarios. Se ela não cumpre: já sabem. Gritos, berros, empurrões. Não sei se ocorre algo mais sério, mas não duvido.

Eu tento me aproximar dela, mas ela resiste. Acha que as coisas são assim e ponto. A família toda, aliás. Agora tá bem mais difícil, porque eu me recuso a falar com ele (o meu primo). Sinto que ele tá acabando com a vida dela: emocionalmente e profissionalmente. Queria ajudá-la, mas como, se ela nem sabe que precisa de ajuda?!

---

Ana, meus parabens pela sua coragem. Eu não te conheço, mas já torço de longe pra voce superar tudo isso. Você vai achar alguém - várias pessoas - que vão se aproximar do seu rosto pra fazer um carinho. =)

Giovanni Gouveia disse...

Tem duas palavas pra adjetivar esse cara:

1- Monstro

2- Covarde

Ana, parabéns pela coragem.

Cabeça pra cima, menina.

Pri Sganzerla disse...

aiaiai,

Escolher ir pelo caminho de "culpar" os pais pode ser bastante perigoso.

Justamente por também ser mãe e filha é que tenho essa opinião. Por causa destes fatores:

1) pais não são infalíveis. São seres humanos com problemas, dificuldades, limitações e mecanismos de defesa como qualquer ser humano. Pelo que a Ana disse, eles chegaram a perceber que havia algo de errado e ofereceram tratamento psicológico à filha. Mas a Ana estava tão absorvida pelas questões dela e pelo tamanho do problema que enfrentava, que acabou omitindo dos pais e da psicóloga a verdadeira origem do problema. Essa é uma situação extremamente complexa para eleger culpados.

2) Pais não são entes oniscientes, onipresentes e onipotentes. Eles possuem limitações intelectuais, emocionais e também lidam com o fato de que cada filho é diferente e tem uma personalidade específica. Se os pais pudessem dar conta de todos os problemas do mundo, seria tão mais simples... Filhos não vêm com manuais de instrução. E as pessoas não se tornam perfeitas, alertas, atentas e infalíveis só porque tiveram a capcidade de gerar outro ser humano e buscam fazer o seu melhor. Nem sempre o nosso melhor é suficiente. E se deixar vira um círculo vicioso de culpa sem fim.

Só uma opinião. Claro que cada caso é um caso.

Mas segundo o que a Ana falou não houve omissão ou descaso dos pais. Houve um movimento produtivo da parte deles quando eles perceberam que havia algo errado e sugeriram terapia. Se eles deram conta ou não de lidar com as consequências e desdobramentos, aí é querer avaliar de modo ferrenho a "culpa" dos pais numa situação desconhecida pra eles. Complicado, né?

Ginha disse...

Ai Lola, cada vez q leio seu blog sinto a sensação de que ele deveria ser lido por todo mundo, todos os dias, já divulguei de todas as formas possíveis, falo pros amigos, coloco o link no meu twitter! So peço que vc continue com ele.
Se possível, gostaria de pedir um favor. Um outro blog que eu gostava demais era o da Jarid (FromBrazilToIndia), mas ele está aberto exclusivamente a leitores convidados e, acredito eu, q vc seja um desses leitores. Se vc puder pedir à Jarid que me adicione, eu agradeço. ginharn@yahoo.com.br

Carolina Pombo disse...

Tem duas coisas que me chamam a atenção:

1) Como aiaiai disse, é impressionante a ausência dos pais na história. Não que seja culpa deles, mas me faz pensar sobre o tipo de relação que estabelecemos com nossos filhos.

2) A falta de referência nas instituições políticas e sociais que servem justamente para apoiar e proteger vítimas como ela.

Tem uma coisa muito interessante que acontece com mulheres violentadas quando elas resolvem sair do segredo da relação para a denúncia pública, elas sentem-se mais fortes, percebem que não estão sozinhas, e que o bandido não é todo-poderoso. Há um tempo atrás trabalhei, como psicóloga, num caso parecido, que deu origem a um artigo. O artigo se entitula "A dor silenciada: violência de gênero nos dispositivos de saúde", e está no livro "Clínica e Política 2" do Grupo Tortura Nunca Mais. Se alguém tiver interesse, especialmente mulheres que passam por situações assim, é só mandar um e-mail que providencio o texto.

Um beijo Lola e Ana, e parabéns pela iniciativa!

Geovana disse...

Ana, como muitos colegas já disseram acima é importante que vc procure ajuda psicológica. Somente um profissional poderá ajuda-la a rever esse passado que fcou esquecido durante esse tempo e liberta-la desses fantasmas. Mas eu lhe asseguro que o fato de você sentir-se capaz de resistir a essa violência foi um grande marco, e o proximo passo é ajuda de um profissional. Como ele você poderá refletir sobre o que aconteceu e traçar novas perspectivas. Eu passei por uma experiência de bulling, que não se compara ao seu caso, mas me lembro bem, que quando me senti capaz de reagir, de não aceitar a situação, aquilo me libertou. E depois com a ajuda de uma psicológa eu pude renovar as minhas esperanças, a visão que eu tinha da vida. Persista, você já é uma vencedora por ter conseguido colocar um basta nisso!
bjs

Gisela disse...

Nem li; peguei trechos. De tragédia já bastam as coisas que EU vivi. Sorte para a moça. Pelo menos ela encontrou uma "valvulazinha" de escape, mesmo que seja através da autora de um blog. ;-0 O mundo tá cheio de cara assim. Só isso que eu digo a vocês, minhas amigas! Beijinhos

Geovana disse...

Como aiaiai e carolina falaram a ausência de interferências dos pais na história é preocupante, não no sentido de culpa-los, mas também me fez pensar sobre o tipo de relacionamento que pais e filhos mantém. Nesse sentido, quando a Lola publicou há um tempo atrás um post sobre ter ou não filhos, o que me preocupa na decisão de tê-los é o tipo de educação e cuidados que precisamos ter. Explico, a diversidade de situações e fatores que envolvem o crescimento de um individuo é tamanha que cada vez mais uma educaçao empoderadora se faz necessária. Particularmente no caso das meninas, uma educação que enfatize seu poder individual, como seres humanos livres para traçar seu destino, que ser dona de casa ou mãe é uma opção e não uma obrigação, estilo de vida padronizado, e outros padrões derivados do machismo característico de nossa sociedade, como nesse caso uma espécie violenta de dominio do macho.

garotacocacola disse...

Depois de se recuperar completamente do trauma, o melhor é voltar para procurar esse cara.
Porque ele pode estar fazendo o mesmo ou pior com outra menina.

A gente não tem culpa das atrocidades que monstros como ele fazem para gente, mas adquirimos o compromisso de impedir que eles continuem acabando com a vida de outras pessoas.

Clara Gurgel disse...

Apesar de tudo que essa menina sofreu,e não foi pouco,ela ainda tem chances de se recuperar. E,com ajuda,ainda que o processo seja lento e complexo,ela conseguirá.Pelo que me parece, o primeiro passo,que é metade do caminho,ela já conseguiu dar.Pode-se dizer também que,analisando o perfil desse "infeliz",ela poderia até ter sido morta por ele,como tantas outras mulheres que passaram por essa situação."Seja bem vinda de volta à VIDA Ana!!!"

André Jede. disse...

Eventualmente acompanho seus escritos, Lola, e este da menina Ana me chocou. O principal problema é que as mulheres muitas vezes se conformam ou sentem medo e acabam não denunciando esses bandidos. E pior do que as agressões físicas, esse cara tentou assassinar a mente desta guria... Sorte que ela percebeu isso, que ele sentia prazer em a maltratar e não o procurou mais. Tomara que agora ela consiga recuperar sua autoestima, embora as cicatrizes da alma nunca mais irão se apagar.

Adriana Karnal disse...

Lola,
que papel importante q o seu blog teve aqui...a menina precisa de ajuda mesmo, espero que consiga.

Ághata disse...

Gente, vamos ter mais sensibilidade nos comentários...

Carla Mazaro disse...

Eu fico estarrecida com historias dessas... ou o caso do lavrador que manteve a filha em carcere privado por 15 anos....
Como podem existir seres humanos assim? e como alguem pode achar que a coisa mais importante que temos a fazer no mundo é continuar a especie?!
Relatos como esse me revoltam e me fazem ver como eu tive sorte por toda a minha vida....
Ana, espero que você continue lendo o blog e que saiba que aqui você encontrara apoio e solidariedade...
Apesar de que a maior ajuda tem que vir de você mesmo, é bom saber que se pode contar com outras pessoas e devemos admitir que nem sempre temos forças para enfrentar nossos problemas sozinhos...

Boa sorte com toda a vida e futuro que você tem... e espero que um dia você tenha forças suficientes para tentar punir o imbecil que fez isso com você

Carol disse...

Parabéns para a Ana por ter conseguido se abrir, por ter conseguido, sozinha, se livrar do monstro que se intitulava namorado.

Pelo relato dela, que diz que seus pais são bons pais, acho que ela deveria falar da história com eles. Talvez não tudo, mas explicar a situação. Eles vão poder ajudá-la e apoiá-la.

Também tentaria entrar em contato com alguma autoridade, como a polícia, a delegacia da mulher, enfim... Tentar fazer com que alguém prenda um monstro desses.

Sobre a questão dos pais, bom, adolescentes são complicados. Quantas de nós não escondemos coisas dos pais quando éramos adolescentes? É normal e é possível que nossos filhos façam o mesmo.

Talvez o único erro dos pais tenha sido não intervir no namoro dela no começo. Para mim, homem de 21 com menina de 13 é errado e pronto. Aliás, eu tenho quase certeza que é crime, estupro presumido, visto que ele é muito mais maduro.

Na verdade, eu me lembrei do caso da Eloá. Que bom que a Ana conseguiu sair dessa antes que uma tragédia como a daquela moça acontecesse.

Desejo a ela muita coragem. E desejo que ela busque ajuda, de pais, amigos, de pessoas que tiveram experiências similares e conseguiram superar. Que ela procure uma psicóloga, monte seu próprio blog, pratique esportes ou atividades artísticas, que ela seja feliz no trabalho, enfim, que consiga ter um objetivo na vida para superar seu trauma.

De coração, desejo que essa menina seja feliz. Ainda dá tempo.

Umrae disse...

"Talvez o único erro dos pais tenha sido não intervir no namoro dela no começo."

Mas... pelo que deu a entender, os pais não sabiam do namoro, não é isso? Ou eu que entendi errado?
Eles viam que tinha algo errado, mas não tinham noção da causa do problema.
Deve ser muito difícil criar um filho... Todo mundo espera que você o defenda de situações pelas quais você nem imagina que ele passa, porque ele pode esconder de você. Espera-se que os pais sejam algum tipo de super-herói.

Bom, eu realmente espero que ela se recupere e consiga viver feliz.

Mulher Asterísco disse...

Queria publicar no meu blog este post. Vc acha que ela autorizaria?

aiaiai disse...

Bom, eu não falei que a culpa era dos pais, o que eu levantei foi a questão dos pais não terem nem ideia de que estava acontecendo algo tão grave com a filha.

Eu não preciso ser super heroi para tomar alguma atitude mais drástica se vir o meu filho chegar em casa com hematomas...

Acho que é muito difícil criar um filho, até por isso muita gente não consegue enxergar coisas que estão na cara, como hematomas.

No caso da eloá, os pais sabiam do namoro e deixavam porque o rapaz parecia ser "bom partido"...

no caso da ana, ela escondia, mas os pais não faziam muita questão de descobrir, né? Não que eles não gostassem dela ou que fossem omissos, acho que incoscientemente queriam fingir que não estava acontecendo.


Mal comparando, essa situação me remete à atitude da minha mãe que fingia não perceber que eu fumava. Eu achava, na época, que eu era muito esperta e conseguia enganar ela e meu pai. Mas, hoje sei que na verdade ela preferia não ter que enfrentar a coisa, pois é obvio que quando eu saia do banheiro logo apos fumar, estava impregnada de cheiro de cigarro.

De novo, repito, não estou culpando os pais, mas levantando a questão de como nós (pais) precisamos estar atentos e fortes para ajudar nossos filhos.

Julia disse...

Mano. Sem mais.

Como alguém que sofre de síndrome do pânico com agorafobia, além do trauma que causou os problemas dela, ela ainda teve mais esse.

Foda. Não tenho o que dizer.

Mari Biddle disse...

Eu catei as frases aqui e ali porque nao to mesmo conseguindo ler mais sobre historias de horror. Eu tenho a minha e tenho umas outras 3 ou 4 que aconteceram ou estao acontecendo com gente que conheco ou eh da familia. Eu sinto uma aflicao enorme ao ver que o poder que este tipo de monstro tem sobre uma menina ou mulher e tambem de como pouca gente nota o que ta acontecendo e quase ninguem tem coragem de denunciar (vide caso da mulher encarcerada por 16 e estrupada todo este tempo pelo proprio pai). E eu percebo em todas as historias tem um componente da violencia simbolico. Mesmo quando como a Ana consegue fugir do abusador, fica toda esse trauma e esse medo de que outro homem pode vir a machucar tal qual o antecessor fez. Que somos uma mercadoria morta de medo diante desses caras, isso eh certo. Eles acabam com tudo da gente e as marcas ficam para sempre.

Eu sou filha e mae e acho muito delicado por a culpa nos pais. Faz mais sentido encontrar a resposta no comportamento desse tipo de monstro. Quem deixou a porta do inferno aberta para esses seres horrorosos sairem?

Lola, vou linkar o texto da Ana para o meu blog. Pode? bjks

mari + poesia disse...

Lola se você quiser posso postar no meu blog para outras mulheres não se calarem diante de um pesadelo como este.
Esse indivíduo não deveria ficar solto por ai,fazendo mal para sabe lá quantas mulheres.
Ela é muito corajosa de expor esse drama e muito cheia de garra,poxa,ela venceu o medo dele,ainda que exista algum vestígio.

Beijos

Carolina Pombo disse...

Eu também sou mãe, mas estou longe de passar por este tipo de "provação" porque minha filha é pequenina. Mas, quando era adolescente, exatos 13 anos, me envolvi com um cara 5 anos mais velho e isso foi suficiente para minha mãe fechar o cerco e até mudar de emprego, para ficar mais em casa. Não evitou que eu sofresse, mas me fez sentir sua presença, e entre brigas e desabafos ela ficou sabendo de tudo que eu estava vivendo e sabia muito bem como impedir maiores desgraças. Lembro bem de uma ocasião em que ameaçou o "moço" de denunciá-lo na delegacia! Eu a odiei na época, mas hoje agradeço profundamente! rsrsrs

É díficil criar adolescentes, mas acho que é ainda pior ser um... ainda mais do sexo feminino, ainda mais com tantos problemas como a Ana...

Masegui disse...

Não importa se o caso é verdadeiro ou não, eu conheço alguns parecidos e acredito que possa ser...

Alguém citou a "ausência" dos pais nessa história e bateu na tecla principal, um verdadeiro absurdo!

Os pais têm culpa, sim, claro! Uma garota de 13 anos ainda não tem maturidade pra ficar "jogada nesse mundo de meu Deus", faça-me o favor! Absurdo!

Bru Holmes disse...

chocante, não? será que ELA acha os vídeos dos anões em chamas engraçados?[2]

foi o que pensei na hora.

ana_nm disse...

Pessoal, obrigada pelo apoio e pelos conselhos. Significa muito.
Eu disse à Lola que entraria aqui pra comentar, mas meu computador simplesmente não funcionou o dia inteiro, e eu tive aula.. então me desculpem o atraso.

Quanto a ele ficar impune, também acho que não devia, até porque ele estar solto por aí é o que mais me atormenta hoje. Mas não, não voltaria pra procurá-lo. Não quero nunca mais saber dele na minha vida, e entrar numa busca, mesmo que com ajuda da polícia, pela sua localização, seria a coisa mais difícil de se fazer. Posso estar sendo covarde, mas estar longe dele de todas as formas é algo do qual não abro mão.

Lord Anderson, você compreendeu perfeitamente. Criar a coragem pra contar isso pra alguém é um processo. Demora muito, e é muito difícil. Contar e ver que a pessoa acha que você está fantasiando, buscando pena ou algo do tipo... É péssimo.

Samantha, procurei auxílio médico esse ano. Como eu disse, estou tentando ajustar a minha vida. Não vou entrar em detalhes, mas tive uma sequela ou outra, nada demais, já estou me cuidando. E, finalmente, me livrei da suspeita de DST.

Aiaiai, olhe, não vou dizer que meus pais são perfeitos, nenhum é. Mas eles sempre estiveram presentes na minha vida, e eu sempre estive acostumada com amor e atenção em tempo integral, de verdade. O caso é que eles trabalham o dia inteiro desde que eu tenho quatro meses de idade. Por mais que minha mãe tivesse, sim, uma tendência superprotetora, eu desenvolvi uma certa independência. E, como até ele aparecer eu não tinha nenhum motivo pra mentir pra eles, a gente desenvolveu uma grande confiança um no outro, também. Então, no começo, eles não tinham motivo nenhum pra desconfiar. E quando eu comecei a dar sinais de que algo estava errado, eu posso não ter detalhado isso no texto, mas antes mesmo de me mandar para uma psicóloga eles tentaram me atingir por muito tempo. Meus pais perguntavam-me todos os dias o que havia comigo, chegaram até a tentar me proibir de sair até que eu contasse o que estava acontecendo, mas nunca deu muito certo. Por mais que eles fizessem de tudo, eu não ajudei. Eu me fechei, e quando eu escolho alguma coisa, coloco toda a minha determinação em cumpri-la. Eles não tiveram nenhuma chance, isso eu posso te garantir. Por mais que eu tenha sofrido, eu acho que essa é a pior parte do que ele fez comigo. Eu sinto falta da relação transparente que tinha com eles. Mas eu sei que no dia que eu estiver pronta - e, Pri Sganzerla, Carol, entre outros, eu realmente que acho que um dia vou contar - eles estarão ali pra me receber como se eu ainda tivesse treze anos.

ana_nm disse...

Mariana, tente uma abordagem o menos direta possível com a mulher do seu primo. Seja amiga dela como se não ligasse para o que acontece com ela primeiro. Você só vai conseguir fazê-la se abrir depois de uma relação de confiança enorme ser constituída. E, mesmo se conseguir isso, acho difícil ela se rebelar de alguma forma. Ela pode se abrir com você, mas antes vai pedir pra você prometer que não fará nada. Eu fazia isso.

Carolina Pombo, como você disse, é difícil de pensar nas relações de pais e filhos... Eu quero muito ter filhos um dia, mas só o farei se tiver estabilidade emocional para tanto. E, se tiver, nossa, o medo que vou sentir de uma história semelhante... Não sei como seria.

Quanto a ajuda psicológica, é outro plano para o futuro. O que estou tentando fazer sozinha por enquanto é aprender a falar sobre isso. Falar no blog é uma coisa. Expor isso olhando nos olhos de uma pessoa é outra. Principalmente uma pessoa que eu não conheço. Acho que estou indo bem por enquanto, mas se começar a dar errado, se eu tiver recaídas, não sei.. Vou procurar ajuda. Não vou deixar isso me dominar de novo - se aprendi alguma coisa, é a manter o foco.

Sim, eu permito que postem em outros blogs, até porque, é pra isso mesmo que eu vim aqui... Na verdade, eu até agradeço a quem fizer isso.

De novo, obrigada a todo mundo pelo apoio, pelos conselhos, pelos "parabéns", pelas palavras de força. Estar falando sobre isso abertamente é uma coisa nova, e, como disse a Geovana, saber que eu não estou sozinha é gratificante. Eu agradeço do fundo do meu coração, a todos vocês e, de novo, à Lola.

Joice disse...

E é incrível o que tem de meninas que aceitam que os namorados as tratem de um jeito bem diferente do que são tratadas pelos pais, que ao meu ver são a maior autoridade, ainda mais com 13 anos. Eu eu vejo muito isso no comportamento da minha irmã e das amigas dela.A maioria delas são criadas com todo o carinho e respeito pelos pais, no entanto permitem ser tratadas de forma abusiva pelos seus pares.
Não estou dizendo que a culpa é delas, mas fico me perguntando o que faz alguém se desvalorizar tanto??? O que esperar das mulheres quando mesmo atualmente permitem ser tratadas da mesma forma desumana de sempre ??

lola aronovich disse...

Muita coisa interessante nesses comentários, gente! Vou escrever um post só pra lidar com alguns desses pontos. Agradeço MUITO a Ana pela coragem e por nos proporcionar toda essa discussão. Volte sempre, querida!

(E, como ela disse, quem quiser pode reproduzir o post no seu blog. Talvez seja interessante colocar o link pra cá porque, afinal, os comentários estão ótimos).

Marmota e Bru, não sei o que a Ana pensa dos vídeos dos Anões em Chamas. Como eu disse nos dois posts sobre o assunto, muito provavelmente uma vítima de violência doméstica não os considerará engraçados, e talvez nem veja a ironia. Isso porque humor, e reações ao humor, são coisas muito individuais, influenciadas por uma grande variedade de fatores. Não existe cartilha nem de como uma pessoa deve reagir ao humor, nem como uma feminista deve agir.

Adwilhans disse...

Ao ler este post, uma questão ficou martelando a minha cabeça: o papel dos pais. Ok, a questão já foi debatida, a própria Ana já se manifestou, mas, na condição de pai - embora minha filhinha ainda tenha dois anos -, esse talvez seja o principal motivo da minha consternação durante a leitura.
Creio ser irrelevante procurar culpados, mesmo porque as tragédias humanas são compostas por um sem número de fatores predisponentes; porém, histórias com essa podem e devem ajudar na construção de uma nova geração de pais que, vivendo em um país um pouco melhor (está melhorando, está melhorando!), possam dedicar-se um pouco menos à subsistência e tenham mais tempo para as relações pessoais e, principalmente, familiares. Acredito sinceramente que um pai, mesmo que trabalhe exaustivamente, deva ter tempo para seus filhos, para ouvi-los, para fazer programas com eles, enfim, para construir uma relação de confiança que pode, em última análise, dificultar o surgimento de um problema de tal magnitude na vida dos filhos ou, ao menos, ajudar a resolvê-lo o mais pronto possível.
Por mais que, como já foi dito, os pais não tenham super-poderes nem sejam infalíveis, a proximidade no trato com os filhos é fundamental para identificar suas reais condições e para oferecer ajuda - não em tese, mas de forma real, efetiva e integral - e para que o filho saiba que a oferta é válida, confiável e isenta de cobranças e ameaças de punição.
Fui criado num ambiente em que o papel dos pais (mais precisamente, da mãe, pois meu pai foi absolutamente ausente, inclusive no sentido físico após a separação de ambos, quando ele se "separou" dos filhos também) era apenas o de punir; ok, minha mãe sofreu horrores, com vários filhos para criar e pouca escolaridade, mas o que estou querendo dizer é que desejo algo muito diferente para a minha filha. Estar presente, ser presente, não delegar sua educação e formação apenas às escolas que frequentar, viver os estágios iniciais de sua vida intensamente, até que ela possa, com segurança, tomar conta do próprio nariz, e mesmo assim, continuar a ser um porto seguro sempre que ela precisar. Não pensasse assim e, de coração, teria optado por não ter filhos.
Parabéns à Ana pela reconstrução de sua vida!

Bárbara Dayrell disse...

Ana,
Parabéns pela coragem para falar sobre este assunto. Sei que nao é fácil, mas é o primeiro passo para superar de vez o trauma!
Vou divulgar o seu desabafo no meu blog (na verdade em dois) para que o máximo de pessoas possível possam lê-lo, e, quem sabe, conseguimos ajudar alguém em condicoes parecidas com a sua!?
Forca menina! Que você venca todos os obstáculos e seja feliz!!!

aiaiai disse...

Eu acho que realmente a história da Ana deve ajudar a muitos pais a terem mais coragem de enfrentar o que ocorre com os filhos. Não acho que seja uma questão de tempo, como diz o Adwilhans, acho mais que é questão de coragem. Conheço mães e pais que tem muito tempo, mães que inclusive não trabalham e estão pouco ligadas na vida dos filhos...mães como a minha que preferiam proibir e não conversar. Conheço também mães que sozinhas, trabalhando o dia todo, inclusive nos finais de semana, souberam ser mães em tempo integral e acompanhar cada passo de seus filhos.

Ana,

entendo que seus pais se esforçaram e mesmo assim não conseguiram te ajudar. Acho que isso reforça ainda mais o que estou dizendo: pais e mães tem que ter muita coragem, determinação e amor para superar, inclusive, a determinação dos filhos de sabotarem a própria vida.

Fico muito feliz por ver que vc é uma pessoa muito bem articulada, que hoje compreende o que aconteceu e como, e está pronta para uma vida nova e melhor.

Meu conselho: escreva bastante sobre tudo o que aconteceu e coloque tudo no passado, porque pertence ao passado. Agora e daqui para frente você pode construir uma história completamente diferente, cheia de alegria e amor.

Samantha disse...

Ana, fiquei MUITO feliz ao ler que você procurou ajuda médica. Você precisa estar bem fisicamente e emocionalmente para escrever um novo capítulo da sua história, q certamente será MUITO, MUITO feliz. Continue os tratamentos, siga o que os médicos e os psicólogos te recomendarem. Estou torcendo muito por você.

E você é super bem articulada! Escreve um blog! Vai te fazer bem, vai te ajudar. Se não quiser ou não puder se expor, crie um pseudônimo, não dê informações pessoais.

Um abraço!

Samantha disse...

E com relação aos pais, eu entendo perfeitamente o que acontece (e o que aconteceu no caso da Ana). Não é que os pais foram omissos: os pais não sabiam.

Vou falar do caso dos meus pais, q provavelmente são bem parecidos com os da Ana. Meus pais são carinhosos, deram tudo o que precisei para ter algum sucesso no mercado de trabalho (cursos, estudos, viagens, etc), entretando falta uma amizade mais profunda, uma cumplicidade maior. Falar de certos assuntos, como namoro ou sexo é mexer em um barril de ´pólvora. Eu não me sentia "livre" para falar com eles sobre qualquer assunto, quando era adolescente.

Uma vez meu pai me disse que era meu pai e não um amigo. Isso me marcou. Eu acredito que é possível existir uma relação de respeito e certa "autoridade", somada com amizade. Porém ele não via assim.

Lembro que no ensino fundamental arrumei um namoradinho, coisa bem inconsequente e infantil (mãozinha dada, ele carregava meu material, etc). Era coleguinha de escola. Meus pais me trataram mal, fizeram um drama, uma tempestade em um copo d'água. Porém não falaram sobre sexo ou prevenção comigo. Não lidaram naturalmente com minha vida. Eu me sentia culpada, me fez muito mal. Na época eu tinha uns 12-14 anos e ja sabia sobre isso (aprendi nas aulas de ciências). Mas teria sido muito bom se meus pais tivessem conversado comigo. Eles não souberam lidar com minha adolescência e até hoje não sabem lidar com minha vida adulta. È triste, mas é super comum em outras famílias também, infelizmente. Certos assuntos são vistos como tabus, e os próprios filhos sentem-se desencorajados de conversar com os pais sobre sexo.

Não dá para culpar os pais e ser cruel assim. O importante é entender porque essas coisas acontecem e evitar que esses erros se repitam nas próximas gerações.

Débora Lima disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Débora Lima disse...

Ana! Estava falando com uma amiga sua história e ela notou que estamos esquecendo aqui de dizer que nos orgulhamos da sua força, de ter conseguido se afastar dele tão nova e sozinha. Esse foi realmente um grande feito. Muitas mulheres acabam seguindo a vida com esses monstros repugnantes, mas mesmo sozinha, você conseguiu dar um basta.
Espero que continue crescendo e melhorando, mesmo com recaídas, fazem parte do processo. Tudo de bom! E dê notícias! =]

Aqu@llee disse...

Olha, minha breve opinião sobre tudo isso:

Sobre ir atrás do cara, é muito cedo pra pensar em algo assim. É um peso desnecessário pra quem quer reconstruir a própria vida. Cada passo por vez.

Essa questão dos pais: não dá pra julgar. O maior problema ao meu ver pode ser a culpa de não ter aceitado a ajuda e o afastamento que aconteceu por conta do que aconteceu. Contar pra eles provavelmente será doloroso, mas libertador. Mas tudo ao seu tempo.

Sobre ajuda psicológica: menina, vá! Não espera a coisa ficar fora de controle pra ir. A relação com o psicólogo é uma relação de confiança, e que se constrói com o tempo. Não precisa contar tudo na primeira sessão. No momento certo vc vai soltando o que tem a dizer: vc precisa disso.

Eles ouvem coisas desse nível e piores, acredite em mim, e tem força pra ouvir sem se envolver e muito menos julgar.

O problema maior, eu sei, é dizer coisas que sempre ficaram reservadas na mente em alto e bom som, é como soltar as bestas pra fora.
O terapeuta nessas horas trabalha como um espelho, nos ajuda a nos encararmos e isso é libertador.

A introspecção é muito útil no início do processo, mas como vc mesma disse, ajuda psicológica é o próximo passo. Não fuja dele.

Vc é forte, mas continuar carregando esse peso sozinha não é uma boa idéia. É desnecessário.
Mesmo que vc tivesse agora o apoio da sua mãe, há coisas que vc nunca vai poder dizer ou desabafar com ela.

Como disse antes, tudo ao seu tempo. Mas pelo o que li, acho que esse próximo passo está próximo.

(PS: uma idéia. pq vc de início não entrega impresso o texto que vc escreveu ao invés de falar? Aí fica mais fácil ir falando do assunto...Inclusive o profissional pode te ajudar no processo de contar para os seu pais.)

Espero ter sido concisa.
Beijos.

marmota bobak disse...

Lolinha querida (não é ironia!)

Acho que você está certa quanto ao fato de que não existe cartilha para feministas no que diz respeito ao humor (e outras tantas coisas mais).
Mas acho que ver o vídeo em questão como desrespeitoso não é fruto de seguir uma cartilha, e sim de desenvolver uma sensibilidade. Acho que, se você se sensibiliza com a questão, mesmo não sendo uma vítima direta (porque indireta eu acredito que somos todas), então simplesmente não dá pra rir. Não dá pra rir assim como eu não rio se tiver um cartoon 'superengraçado' em que um branco bate num negro.

E é por isso que não desisti da questão. Porque acho que não está em questão "liberdade de imprensa versus censura ou cartilha"- mas sensibilidade para estas coisas que, como feminista, acho que sempre estamos dispostas a desenvolver mais.

Celia Daniele disse...

Força, Ana!! Um passo de cada vez, você está fazendo muito bem, parabéns! Começar a falar, a tirar esse peso de dentro de vc é uma etapa decisiva para que esse "fantasma" não seja mais determinante na sua vida, só uma lembrança ruim.
Espero de coração que logo logo você encontre uma paz que te preencha e te faça largar os vícios, ter uma vida boa e feliz. Saiba, de verdade, que estou torcendo por vc. Beijos!

Koppe disse...

Parabéns Ana, tu fez aquilo que pessoas corajosas fazem: se levantou, ou tentou e tá conseguindo, depois de cair. Muita gente não consegue fazer isso. Pode ter certeza, tu merece uma vida muito melhor que aquela. E vai conseguir.

olhodopombo disse...

Acabei de ler "As Nuvens " de Aristofanes, escrito mais ou mneos 450 anos ac.
Nesse texto para Teatro ele diz com todas as letras:
Mulher gosta de Violencia....fiquei irritada,
mas ao ler este seu blog, admiti as palavras do Aristofanes....

lola aronovich disse...

Ô, Fátima Olho do Pombo, a gente ADORA violência! Foi isso que vc conseguiu interpretar do post da Ana e dos comentários aqui? Mesmo?
E não entendi por que vc ficou irritada com o texto do Aristofanes. Vc já tinha comentado num outro post a célebre frase do Nelson Rodrigues sobre mulher gostar de apanhar. E vc não a citou como crítica, mas como verdade absoluta.

ana_nm disse...

Só queria entender qual parte de tudo que eu disse fez você achar que eu estava gostando daquilo. Foi a parte do vômito, dos vícios, de mudar de cidade pra fugir ou de não conseguir andar e urinar em mim mesma? Sinceramente, um comentário como esse só me causa mais desgosto pra esse mundo...

Gabriela disse...

Desculpa a grosseria do comentário, mas não é de hoje que a olhodepombo só fala merda. Quando eu vejo a carinha dele nos comentários, já sei que tem uma bomba a caminho.

Gabriela disse...

Outra: eu li alguns comentários sugerindo à menina que procure o cara.

Mas procurar ele pra quê exatamente? Pra se materializar na frente dele e dizer "ó, tô aqui inteira e apesar de tudo ainda tô resistindo?". Pra arriscar a ser agredida de novo ou coisa pior?

Juli disse...

Lola, sou leitora do seu blog a um tempão. Tem até um trecho dele no meu orkut, com créditos lógico.
Acho que ele exerce um papel importante na vida dos leitor@s. Senão a Ana e as outras pessoas que já escreveram para vc não a teriam escolhido como confidente. Parabéns

Juliana

Winry-Senpai-Sensei-Sama disse...

Ana, autora do texto! Você é uma mulher extraordinária!! Parabéns por sair dessa, parabéns por ter escrito esse texto, e parabéns pela sua força de lutar todos os dias pra ter uma vida melhor e mais digna!! Você merece, e todas as mulheres merecem!! Esse texto sóme convece que rpecisamos de um movimento intensivo contra o machismo nesse Brasil!! Isso tem que acabar JÁ!

Anônimo disse...

Fiquei chocada com sua história, mas emocionada pela sua coragem em postá-la na condição de ajudar a outras pessoas. E tenha fé, ore, converse com Deus porque sei que a cada dia você vai superar, talvez não esquecer por completo, mas lembrará um dia apenas como algo que não permitirá que você passe por isso, e isso fará com que se ame a cada dia. Serás feliz acredite!!! E não abandone seus pais, vá visitá-los ou os chame para perto para visitá-la, os meus se foram e a dor de não te-los aqui para abraça-los, olhar pra eles, e de me sentir menos só dói demais. Torço pela sua vida melhor acredite embora não a conheça. A vida é curta e linda, há coisas boas por aí, pessoas boas embora pareça impossível, mas li uma vez e passo a você: O mundo não é totalmente mal, está apenas mal frequentado!!! Fique com Deus. Bjs Bia Juiz de Fora MG

Anônimo disse...

Incrível que há um ano de leitura assídua desse blog eu só vim ver esse post agora e porque foi linkado em outro post,admito que chorei litros, foi triste de verdade isso, mas essa Ana é uma guerreira eu aconselharia ela a procurar ajuda mas ela é de uma força tão impressionante que é de admirar ela conseguiu sobreviver sozinha a tudo e ainda sofre com os resquícios psicológicos e com o afastamento da família. Se fosse comigo nem sei o que faria exatamente por termos a mesma idade, não sei se seria forte a tal ponto ! Parabéns pela sua coragem e sua extrema força...

Regina Santos disse...

Ana, parabéns pela coragem de contar sua história de vida!!

Um abraço,