terça-feira, 19 de agosto de 2008

PRECONCEITO É TUDO TÃO PARECIDO

A Suzana levantou a lebre: um assalto em Portugal vem causando uma nova onda de xenofobia. Dois brasileiros, imigrantes ilegais, assaltaram um banco em Lisboa, fizeram reféns, a polícia agiu, um dos criminosos foi morto, e o outro está no hospital. Isso trouxe à tona velhos preconceitos, como estes que catei em alguns comentários na internet:

As forças de segurança não têm culpa, quem tem culpa são os nossos governantes que deixaram entrar toda a m**** em Portugal. Os negros e brasileiros são tipicamente causadores de problemas, causam criminalidade violenta e devem é ser repatriados sem apelo nem agravo”.

Tenho tido algum contacto com pessoas brasileiras e penso que são burros, ignorantes e trafulhas, além de não gostarem de trabalhar. Felicito [à polícia]. Só é pena não terem morrido os dois. Fica para a próxima! Uma mensagem a todos os brasileiros: por favor voltem para o vosso país, porque nós não precisamos de gente assim!”

Mantenham as fronteiras abertas a mais brasileiros e passamos a ter mais cenas destas”.

Sabes porque é que vem para cá, porque o vosso pais é só m**** e está cheio dela...Um criminoso português é um santo comparando com um consócio brasileiro”.

Se tivessem mais cuidado com quem entra em Portugal e começassem a repatriar todos os que cometem crimes, se calhar, a tal 'xenofobia' diminuía...” [o mesmo de sempre: o preconceito não é o problema, o problema é quem causa o preconceito].

Emigrantes têm de sair de Portugal porque justamente os ordenados são uma vergonha porque existem os imigrantes vindos de África e Brasil a trabalharem como escravos por ordenados baixíssimos e a viverem 10 ou 15 em aptos para 2 pessoas”.

Quanto aos criminosos, tiveram o fim que mereçem, pois na terra deles é uma bandalheira”.

Claro que no meio da insanidade sempre se encontra gente sensata:

Existem pessoas boas e más de todas as nacionalidades.. Devemos repudiar os criminosos e não o seu país de origem”.

Gosto de ganhar ao Brasil mas em futebol, e não ao tiro. Não considero que o sequestro tenha sido mais grave pelo facto dos sequestradores serem brasileiros. Fossem azuis, verdes ou vermelhos, negros, brancos, índios ou orientais, aquilo foi um crime, cometido por criminosos. Apenas isso. E não vale a pena acusarmos os brasileiros no seu todo, vem de facto alguma escumalha do Brasil para cá, mas também chegam pessoas honradas e trabalhadoras. E nem todos os portugueses no Brasil nos honraram. Também já exportamos lixo para o outro lado do Atlântico”.

Bom, eu já tinha ficado chocada quando, ao ler um post antigo da Lolla Moon, ela indicou um site com dezenas de comentários de portugueses revoltados com algo que o Milton Neves falou sobre Portugal na Copa do Mundo. Nem lembro o que era, e nem interessa. O terrível era o teor das mensagens: brasileiro é tudo ladrão, brasileira é tudo prostituta, o Brasil é uma porcaria (e não seria se eles tivessem continuado nos colonizando!), e agora estamos estragando o país deles. Perdão pela ingenuidade, mas não sabia que esse preconceito todo existia. Afinal, falamos a mesma língua, ou uma língua bem parecida. Tá cheio de portugueses aqui no Brasil há séculos. Pensei que éramos amigos. Ainda acho que somos, porque sei que a ignorância não deve ser geral.

Mas sei também que tal preconceito não é privilégio dos portugueses. Quando vivia em São Paulo, sempre ouvia coisas parecidas sobre os nordestinos. Aqui em Joinville, SC, que é a cidade fora do Paraná com maior número de paranaenses no Brasil, é paranaense que é desonesto, marginal, e não gosta de trabalhar. Em todo lugar do mundo, infelizmente, quem vem de fora é tachado (ao menos inicialmente) de usurpador de empregos, de ignorante, de inferior, de sem caráter, de preguiçoso, de criminoso. No caso das mulheres, o preconceito vai logo ao ponto: são todas p*tas (porque mulher só serve pra isso mesmo). Essa discriminação é comum. Não é nada bonita e deve ser combatida, mas é normal.

E certamente não é preciso ir até Portugal pra encontrar quem odeia brasileiros. Considero ainda pior quando essas generalizações vêm dos próprios brasileiros, como de um leitor meu, que acha que, de todas as personalidades e artistas no Brasil, no meio de todos os brasileiros vivos e mortos, há apenas dois (2) dos quais possamos nos orgulhar. Que brasileiros, como por exemplo meus leitores(as) que pensam diferente desse leitor em particular, são todos incompetentes, idiotas, e não sabem votar (nem em enquetes nem na eleição de seus políticos), e que nossos atletas olímpicos são uns perdedores que só sabem passear com o dinheiro público. Nosso amigo tem “nojo” dos brasileiros. Uma das palavras-chave dos preconceituosos é sempre essa, nojo. Um pensamento desses não difere muito do que os xenofóbicos portugueses acham de nós. Afinal, preconceito é parecido, só muda o alvo. E nem sempre.

52 comentários:

Giovanni Gouveia disse...

Conheço um português que é xenofóbico contra brasileiros, mesmo vivendo aqui há quase 50 anos, e tendo feito fortuna por essas bandas...
Mas xenofobia é o medo do adverso, o que se expressa coo "nojo", na verdade é o medo da comparação. A alteridade assusta os ignorantes.
Não nutro nenhum tipo de idéia pré concebida contra nenhuma etnia, caráter não está relacionado com o país de origem ou o tipo físico. Branco, amarelo, vermelho, negro, azul, verde ou lilás, gordo, magro ou atlético, baixo alto ou mediano, rico, pobre ou classe média... há pessoas boas e "más" em qualquer categorização.
A cultura xenofóbica, essa sim, é um NOJO!

Giovanni Gouveia disse...

Só mais um exemplo:
Uma prima está fazendo doutorado em São Paulo, primeira vítima de preconceito foi o fiho, chamado imediatamente de "paraíba" (nada contra, mas ele é pernambucano, são 9 estados aqui no Nordeste), mas o moleque se garantia no futebol e começou a ser respeitado. Depois alguém chegou pra ela e se disse espantado por saber que ela era nordestina, pois não havia conhecido nehuma nordestina "bonita e culta"...

Anônimo disse...

Preconceito é tudo parecido e tudo igualmente triste e feio. Eu gostaria muito na minha visão ingênua e romântica do mundo que todo mundo se tocasse o quanto é feio e cafona ser preconceituoso. E quanto é atrasado e besta. Beijos

Ale Picoli disse...

Eu não tenho sangue negro, não tenho sangue nordestino. Tenho sangue de italianos pobres, alemães xenófobos e uma misturinha de brasileiros conservadores talvez de origem portuguesa. Mesmo assim, sinto um soco no estômago e uma dorzinha no coração toda vez que ouço o pessoal aqui do Rio falando "paraíba". Pelo menos no meu círculo de contatos, acho o tom muito mais odioso do que o "baiano" que falam em São Paulo. E olha que, entre estes que usam o tom super pejorativo, temos filhos e netos de nordestinos. Dá pra entender? Isso me deixa enjoada. (bem, pode ser também o tal rotavírus que tá fazendo um estrago enorme aqui no trabalho hehe)

Anônimo disse...

Talvez tenhamos que ir para outros paises como Portugal, porque no nosso não há oportunidades suficientes. Já que lá no passado fomos roubados por quem nos chama de ladrão hoje.
Os Portugueses se dizem tão civilizados e honestos, poderiam então nos devolver as riquezas que foram tiradas por eles há séculos.

Anônimo disse...

Ah Lola, o pior é que esses países onde a imigração é forte precisam de imigrantes para certo tipos de trabalho que os originais não se dispõem a fazer. Portugal não seria construído sem a ajuda dos Africanos por exemplo(ou pensa você que algum portugês aqui trabalha na cosntrução civil? Isso é trabalho de preto, eles dizem.)

Aqui tem muito Italiano, Alemão e Inglês também, e eles são todos admirados porque claro, são europeus e vem de países "melhores" que portugal. Special guest. Mas tenho certeza que isso acontece radicalmente apenas em Lisboa. Nas outras partes de portugal as pessoas são mais simpáticas com os brasileiros.

Agora, não sei como dizer isso sem passar a impressão errada. Eu faço parte da minoria de brasileiros aqui, essa xenofobia conheço melhor que ninguém. Tem muita coisa mais por trás disso. Eu fico decepcionado quando são meus conterraneos que se envolvem na criminalidade, porque ainda tem muita gente aqui que dá oportunidade para brasilerios, portugueses que sabem como o Brasil é uma terra boa. No cyber onde venho todos os dias para ver o seu blog tem um portugues que esteve a pouco tempo de férias no Brasil, adorou tudo, e quando voltou ficou sabendo do caso, e ficou triste. Acabamos por conversar sobre isso e ele disse que os rótulos contra os brasileiros são muito fortes porque tem muita mais menina brasileira se prostituindo do que trabalhando seriamente. E as pessoas estão rodeadas de gente brasileira que só dá mau exemplo, e isso acaba se fixando na cabeça das pessoas.
E acaba mesmo, na época em que eu procurava trabalho teve pessoas que me disseram: Tenho vaga mais é só para portugueses.
Depois tem também o choque cultural, dificilimo de ultrapassar. O jeito de ser daqui e o do Brasil causa xenofobia também, alguns brasileiros não gostam de se adaptar, querem manter o seu estilo de vida, fazendo um pagode numa esplanada, ou um batuque, que muitas vezes acaba em samba ou na dança da garrafa. Já vi situações assim terminaram com a policia.
No restaurante onde trabalho já tive imensas decepções com conterrâneos que contratei, muitos deles tive que demitir. E olha que nós somos uma mãe comparados com alguns patrões portugueses.
Claro, nada disso justifica de maneira alguma a discriminação e o preconceito, mas meu patrão, que é Italiano, já me confessou que prentende parar de contratar os brasileiros que aparecem. Só contrata pessoas que nós conhecemos, ou que trazemos nós do Brasil.
Seria legal ver os brasileiros se esforçando um pouco mais para acabar com isso também.
Eu não me calo quando algum português passa dos limites e vem achando que brasileiro é tudo igual. Tem brasileiro fazendo coisa errada sim, mas também tem os outros que não precisam pagar por isso. Duas pessoas que assaltaram um banco não podem condenar toda uma população.

Kenia Mello disse...

É, Lola, mal sabem eles (ou fingem) que se não tivesse vindo para cá a mais fina flor da escória colonizadora portuguesa, a coisa talvez fosse diferente. Não sei se para melhor ou pior...

Como nordestina, também sofri preconceito por parte de pessoas do S e SE brasileiros, mas nada que me afligisse, pois partiu de pessoas que não chegam aos pés dos amigos que fiz por lá.

Enfim, a vida é assim mesmo. Experimente ser o diferente...

Beijo.

Anônimo disse...

Dei uma pausa no jogo e vim olhar este post tambem.
NOJO é o que precisamos sentir de quem cultiva o preconceito.
Fatima/Laguna

Kenia Mello disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Kenia Mello disse...

Lola, em cima do comentário de Gio - Pernambuco bebendo..., quando morei em Sampa, uma criatura, espantadíssima, certa vez me disse: Como é que uma pessoa branca como você é do Pernambuco? Só rindo, né? Se tivesse estudado história, saberia que português e holandês deram com o pau por essas bandas (nos dois sentidos).

Gisela Lacerda disse...

Déjà-vu... Assim como quando eles falam das prostitutas, mas aviões são fretados para fazer a festa deles mas só se for "in Brazil". Na terra deles eles fingem ser "os casadinhos para as suas esposinhas". uff.. Oscar, meus sais! Tenho nojo desse repeteco, isso sim. Como já tô de saco estourado, tanto de "estrangeiro gentil de Ong" como esses aí, ando meio sem paciência. ;-0 Bjs

Gisela Lacerda disse...

E meus avós são portugueses, meu namorado nascido lá e de pais portuga... ;-))

Lolla Moon disse...

Acho que você já viu isso aqui, não é?

http://uk.youtube.com/watch?v=ri6-d7Lz1i0

Muito bom.

E acho que, em certos casos, a xenofobia portuguesa vem de uma sensação de inferioridade. Portugal, até o advento da Comunidade Européia, era um país relativamente pobre. Deve ser complicado ser o "underdog" de um continente rico, principalmente com um passado glorioso como o português. E alguns ressentem os brasileiros porque, afinal, éramos apenas uma colônia e agora a nossa cultura é exportada mais facilmente que a deles.

Percebo essa pequena falha em vários portugueses que conheço, e conheço muitos (família). Uma certa necessidade de depreciar imigrantes e minorias em geral; ouço coisas cabeludíssimas de negros, homossexuais e mulheres, também. Claro que não são todos. Em geral, os mais jovens e com nível educacional maior têm uma mente mais aberta, mas isso não surpreende.

Lúcia Soares disse...

Lola, como mineira, me posiciono: o mais triste dessa notícia, além da morte inútil de um dos homens, é que eles não são bandidos. Os jornais de Belo Horizonte mostraram fotos deles e das famílias, com todos estarrecidos pois os 2 eram bons homens, ninguém entende o que os levou a isso. E tão primários que deu no que deu...A ambição desmedida, talvez os tenha levado. Um deles, muito novo, vinte e poucos anos, iria se casar ainda este ano, tinha ido pra Portugal exatamente pra arrumar $$$ para o casamento... Sonham com um Eldorado que não existe. Absolutamente não os defendo, mas sinto compaixão por eles.

Lolla Moon disse...

Ah, essa versão aqui está com qualidade de imagem e áudio melhor:

http://uk.youtube.com/watch?v=Vj0QH-GfRZg

De quebra, os deliciosos comentários.

Anônimo disse...

Concordo com a Lolla mon, o ego ficou enorme depois de a UE mandar dinheiro para cá e levantar esse país. Há o sentimento de espezinhar as minorias, desprezar os pobres. Arrogância. PORQUÊ! Para quem pensa que primeiro mundo é perfeito, tem coisa que acontece aqui que eu pensava existir no século passado apenas. Já perdi a capacidade de ficar chocado, mas muitas vezes as ofensas são tão descaradas que até parece piada. Mas só parece. E por mais que falem de nós, conseguimos a nossa identidade que é complentamente diferente da de portugal, acho que a ligação que temos é apenas histórica e mais nada. É passado.

lola aronovich disse...

É triste alguém que mora num lugar há meio século e continua xenofóbico, Gio. Concordo que xenofobia seja o medo do adverso, mas não é exatamente MEDO de comparação, a meu ver. É importante pra grupos de pessoas distinguirem e construírem um “Outro”, pra poder discriminá-lo e aumentar a união do grupo. O grupo cria uma identidade através da comparação com o Outro. Todo mundo faz isso, desde criancinha. Mas chega uma hora em que as pessoas deveriam ver que só estão repetindo um padrão de preconceito, e que o alvo do seu preconceito (o Outro, qualquer outro) é o que menos importa. Temos que crescer!
Não suporto quando chamam qualquer nordestino de Paraíba, Baiano etc. É preconceito sim. E é diferente de chamar loiro de Alemão, ou oriental de Japonês. Que também é preconceituoso, a meu ver, mas não tem um peso tão pejorativo.
Mas, pra mim, o preconceito sempre diz muito mais a respeito do preconceituoso que do alvo do preconceito. Impressionante como uma pessoa que se revela preconceituosa cai no meu conceito imediatamente!

lola aronovich disse...

Nalu, bom, pra muita gente é feio e cafona ser preconceituoso. Mas ainda somos minoria nisso. Temos que batalhar. E, nós mesmas, combatermos alguns preconceitos que devemos ter (eu fico com o pé atrás quando alguém se declara crente, por exemplo, ou eleitor de certos partidos políticos).


Ale, nesse sentido um filme bem ilustrativo (embora não muito bom) seja Gangues de NY, do Scorsese. Cada imigrante que chega a NY é discriminado. Mas, assim que se instala, passa a discriminar a próxima leva de imigrantes, e assim por diante. Eu também não consigo entender como quem foi/é vítima de preconceito consegue ser preconceituoso.

lola aronovich disse...

Anônimo, isso de oportunidades suficientes eu não engulo muito. Acho que há muitas oportunidades no Brasil, mas depende de uma série de fatores, entre elas escolaridade e o tamanho da ambição. Não acho que dê pra ficar rico em qualquer lugar do mundo sendo professora, engenheiro/a etc. Mas dá pra levar uma boa vida e ter tudo que a gente precisa sendo classe média.


É verdade, Cavaca. O pessoal discrimina os imigrantes (ou os migrantes, como no caso de SP com os nordestinos), mas no fundo esses imigrantes fazem um trabalho que os “nativos” não querem fazer. Ou seja, é ridículo supor que um imigrante tira o emprego de alguém. E concordo que haja bons motivos pra se decepcionar com alguns brasileiros (e com muita gente de outras nacionalidades também). Isso de ouvir pagode (ou qualquer música) no volume máximo é de doer. Li os vizinhos portugueses dos assaltantes dando declarações de que eles pareciam boa gente – o único problema era a música alta. Pra mim esse é um problema seríssimo, suficiente pra desqualificar uma pessoa. Indica falta de cidadania, de não saber que é preciso sempre respeitar os outros. É egoísmo.
Mas isso de “tenho vagas só pra portugueses” é comum! Aqui em Joinville, terra de colonização alemã, até uns 10, 20 anos atrás tinha fábrica que só contratava gente descendentes de alemães. A mudança é muito recente. E olha que hoje a cidade, com mais de 500 mil habitantes, tem muito mais “estrangeiros” (gente de outras cidades/estados) que nativos de Joinville.

lola aronovich disse...

Kenia, de fato, é muita ignorância portuguesa fingir que não temos história. E que na história deles conosco eles não ficam bem na foto de jeito nenhum.
Em algum momento da vida, imagino, todos nós vamos ser o diferente. Até o típico homem branco hétero, “modelo” de normalidade.
Ah é, Kenia, quando estive no Recife vi montes de morenos de olhos claros. Todos lindíssimos. A gente critica americano por achar que o Brasil é uma selva amazônica com macaquinhos andando nas ruas de SP, mas o fato é que o próprio brasileiro é muito ignorante a respeito da história de outras regiões brasileiras.


Fátima, só nojo não basta. Acho que é preciso conversar com os preconceituosos também. Ver se dá pra mudar alguma coisa. Porque tem muito preconceito baseado em sentimentos irracionais, mas também tem preconeito que vem de ignorância, de não conhecer a realidade. Esse segundo tipo pode ser mudado (espero!).

lola aronovich disse...

Gi, excelente ponto! Criticam as prostitutas brasileiras em Portugal, mas tá cheio de português (e outras nacionalidades ricas) que vem fazer turismo sexual aqui no Brasil. É muita hipocrisia mesmo.


Lolla, sim, sem dúvida, imagino que os portugueses tenham alguns complexos, não só por terem sido os “primos pobres” da Europa, mas também por já terem sido um império colonial. Deve doer não ser mais. Imagina se os americanos deixassem de ser o império que são. Eles iriam se tornar bem insuportáveis. No caso de Portugal, é um país pequeno. Sua influência no mundo é minúscula. E o Brasil é um gigante, um gigante pobre que espero que esteja acordando, mas só o tamanho da nossa terra e da nossa população já nos coloca mais em evidência que um país pequeno. Mas todos os portugueses que conheci na vida são gente boa e educada. Só que, infelizmente, também já ouvi amigos relatarem muitos preconceitos que saem da boca de alguns portugueses, e são cabeludos mesmo!
Obrigada pelo comercial. Interessante! Mas os comentários são de doer... Mais preconceito, dessa vez de brasileiros contra portugueses. Vão passear!

lola aronovich disse...

Lúcia, eu não tenho grande compaixão porque, mesmo que eles não eram bandidos em BH, viraram bandidos em Portugal, por um motivo ou outro. Claro, sou contra a pena de morte, e não concordo com a truculência da polícia portuguesa (até porque abrir fogo entre reféns é extremamente perigoso). Isso de ter ambição desenfreada e querer conseguir dinheiro fácil é um erro que afeta muitos jovens (de muitas nacionalidades). É um erro, mas se vc põe uma arma na cabeça de alguém, merece ir pra cadeia.


Cavaca, também acho que nossa identidade hoje em dia não tem muito a ver com Portugal, nem a identidade deles tem a ver com a nossa. Mas, por termos a mesma língua, deveríamos ser amigos. Deveria ser algo que nos une. Enfim, a Espanha “enfrenta” a mesma coisa em relação aos imigrantes de suas ex-colônias (argentinos, uruguaios, paraguaios, bolivianos etc). Tadinhos dos países ricos. Se a única coisa que precisam “combater” são imigrantes de países pobres (ex-colônias!) que vão lá fazer trabalho pesado, eu não tenho muita pena não.

Unknown disse...

Realmente os tipos de Brasileiros que vão para Portugal são, em boa parte, o que há de pior no Brasil mesmo. São os menos privilegiados no sentido cultural e intelectual.
Os bons Brasileiros que não querem viver no Brasil certamente vão para lugares mais interessantes como Inglaterra, frança, Espanha, Alemanha...
Portugal é o buraco destruído da Europa. É o pior lugar para se viver. Europeus de baixo nível que se equivalem ao nível do brasileiro que por lá vivem. Os bons portugueses, sem querer generalizar, sempre há exceções, já não moram naquele Portugal bizarro. Estão na Inglaterra, Estados Unidos, Espanha ...
Português é igual Brasileiro, fica esperando que o governo resolva seus problemas. Mas pelo menos brasileiro tem alguns bons básicos hábitos de higiene, que é o que mais falta por lá.

António de Almeida disse...

Gosto de ganhar ao Brasil mas em futebol, e não ao tiro. Não considero que o sequestro tenha sido mais grave pelo facto dos sequestradores serem brasileiros. Fossem azuis, verdes ou vermelhos, negros, brancos, índios ou orientais, aquilo foi um crime, cometido por criminosos. Apenas isso. E não vale a pena acusarmos os brasileiros no seu todo, vem de facto alguma escumalha do Brasil para cá, mas também chegam pessoas honradas e trabalhadoras. E nem todos os portugueses no Brasil nos honraram. Também já exportamos lixo para o outro lado do Atlântico”.

-O autor destas linhas é o mesmo autor do texto original, que não aceita de forma alguma que o considerem uma pessoa xenófoba. Tenho mesmo é um baixo grau de tolerância para com criminosos, penso mesmo que só é bandido quem quer, e as escolhas que fazemos na vida trazem consequências. Defendo a prisão perpétua, mas não a pena de morte, não obviamente para estes casos, sou contra a imigração ilegal, mas defendo a existência da imigração, com regras integrando quem chega, e não o salve-se quem puder, ás ordens de redes mafiosas, mais uma vez a criminalidade. Neste momento em Portugal a discussão já não é sobre este caso, mas outro em que a GNR atirou durante o assalto, tendo atingido mortalmente uma criança de 13 anos, que o pai levou para um assalto. Como são de étnia cigana, a questão racial surgiu, embora aí não possam mandar os ciganos para a terra deles, esta é a terra deles, e já cá estão há 500 anos. Este fim de semana foi um gang de negros que entrou numa casa, para assassinar um membro dum gang rival. Para melhor compreenderem, o que despoletou todo este ambiente em Portugal, tudo começou com um incidente entre negros e ciganos num bairro social, daí passou ao Rendimento Social de Inserção, chegou-se ao racismo e á xenofobia. Entretanto estes episódios que aqui relatei, mais o relatado no post vieram agravar tudo.
Links:
http://br.youtube.com/watch?v=LZiqe9h4KgU

http://br.youtube.com/watch?v=pKYitn6rNFw

http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=969930&opiniao=M%E1rio%20Crespo

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1338594&idCanal=62

Anônimo disse...

Eu acho isso bem engraçado, porque parece aquela história de você fazer com os outros o que fazem com você. Eu migrei para a Espanha na época que tinha acabado de entrar na União Européia, junto com Portugal, só que a Espanha floresceu enquanto Portugal ficou para trás junto com a Grécia. E era bem comum portugueses irem para a Espanha da mesma forma que os brasileiros vão para Portugal, com a diferença da distância e da legalidade (não que todos brasileiros sejam ilegais). Me lembro do caso dos dentistas brasileiros em Portugal, eles tinham a equivalência de diploma e muitos foram para lá, e passaram a competir com os dentistas portugueses, só que o curso de odontologia de Portugal, se não me engano, era uma especialização o que fazia com que os brasileiros fossem considerados melhores o que criou uma desavença, Portugal ameaçou deportar todos dentistas brasileiros, o que só não fez com a ameaça do Brasil de deportar todos portugueses, o que criaria problema no território pequeno, já que aí no Brasil há muitos portugueses. Acabou que Portugal mudou a equivalência dos diplomas para tentar conter os dentistas portugueses. Infelizmente eu vejo a Europa cada vez mais xenófoba, toda vez que eu volto eu levo um susto, não acho que a situação irá mudar, pelo contrário, grupos considerados "não-europeus" vão ser cada vez mais perseguidos, seja pela xenofobia da população, seja por mudanças de lei. É engraçado que vivendo aqui nos EUA, um país que sempre foi considerado xenófobo com os latinos (vide o muro!) certas atitudes que ocorrem na Europa não seriam aceitas por aqui. Eu, sendo uma eterna estrangeira, só posso ficar triste que isso ocorra, na medida que tenho um sentimento de agradecimento pelos países que acolheram a mim e à minha família.
Abraços, Alê

Nita disse...

Sabe Lola, para mim, preconceito, seja ele de quem para quem for, é tudo a mesma estupidez. Como se as pessoas desenvolvessem suas personalidades e seus princípios através do país de onde vieram, ou da taxa de gordura corporal ou da orientação sexual, pelo amor de Deus né gente?
E quanto a isso que comentaram de que os atletas brasileiros só sabem ir passear com o dinheiro público, eu não sei quem disse, mas aqui vai a minha opinião:
Eles já conseguiram muito de conseguir ir até os Jogos Olímpicos sem um mínimo de incentivo necessário do governo, porque aqui, só se tem incentivo do governo o futebol, e o masculino (que por sinal perdeu hoje e eu sinceramente sinto ter acordado para assistir). Eu admiro e muito todos eles.
Desculpa, eu me empolguei. =x

lola aronovich disse...

Joana, não fala assim! O Cavaca é um ótimo brasileiro e vive em Portugal há anos. Acho que há bons brasileiros que acabam indo pra Portugal por causa da língua. E talvez do clima? Portugal não é tão frio quanto outros países ricos. Não conheço Portugal, mas tenho certeza que não é tão ruim assim como vc diz. Todo mundo que conheço que conheceu o país gostou. E sobre os hábitos de higiene, certamente os portugueses não devem ser piores que os franceses...


António, obrigada pela contribuição. É como eu falei no texto, sua resposta foi sensata. Eu não posso condenar totalmente a imigração ilegal, já que conheço muitos brasileiros que foram viver ilegalmente em outros países, e são todas pessoas de bem. Imigrante ilegal não pode ser tratado como criminoso. Aliás, prostituta tampouco! Puxa, que horror isso da polícia matar uma criança de 13 anos! Mas como que um pai leva a criança ao assalto? E brigas entre gangues são comuns em todo o mundo. Gangues em geral já são fora da lei. O que não se pode é confundir as coisas: todos os ciganos/negros/brasileiros são criminosos, preguiçosos, sem caráter etc.

lola aronovich disse...

Alê, lembro do caso dos dentistas brasileiros em Portugal! Foi uma choradeira mesmo. É, portugueses emigram para montes de países, e em muitos países ricos há mais colônias portuguesas que brasileiras. E eles não podem culpar os imigrantes ilegais em Portugal (como alguns comentaristas fizeram) por terem que emigrar. As pessoas emigram por várias razões, e acho que deveriam poder emigrar. Eu gostaria de viver mais num mundo sem fronteiras, mas claro que nós, pobres latino-americanos, vamos sempre dizer isso. Sim, concordo que a xenofobia esteja aumentando na Europa, mas acho que aumenta nos EUA também. Ainda mais com crise... Há diferenças em que como vc, e eu, que parecemos bem “ocidentais”, somos tratadas em outros países. Primeiro que não somos imigrantes ilegais. O tratamento já muda aí. Mas também não ser reconhecida como estrangeira na aparência faz com que não sejamos as vítimas usuais da xenofobia.


Nita, na realidade tudo que somos, nossas origens, de onde viemos, afeta o que nos tornamos. Mas isso não quer dizer que seja ruim. As pessoas são diferentes, e viva a diferença! Seria um tédio viver num mundo cheio de clones. Eu me senti um pouco assim em Moscou: todo mundo era loiro de olhos azuis. Alguns ocidentais reclamam que não conseguem reconhecer orientais e negros (“são todos iguais”), mas sabe, num grupo imenso de loiros de olhos azuis fica bem difícil de distinguir um do outro. Parece ataque dos clones mesmo!

Anônimo disse...

É verdade Lola, o nojo que um preconceituoso desperta na gente,
é bem próximo do ódio, o que não muda as coisas para melhor.
Fatima.

Anônimo disse...

Eu acho todo este pré-conceito muito triste, muito antiquado, mas, muito real, infelizemente.

Sou filha de alemão com italiana, casada com um Cearense, tenho um irmão nascido em Cuiabá, um tio de Carangola (MG) e fico estarrecida ao ouvir pessoas se referindo às estas origens de maneiras pejorativas.

Acho que o mais triste é que o preconceito está tão arraigado às culturas (não só a nossa), que não vejo uma solução a curto prazo...

Too sad, too bad.

Beijos

Liris Tribuzzi disse...

É triste ler coisas como essas, não tenho nem o que comentar.



(Sobre a enquete, poderia escolher mais de um, né?! Amo ver vôlei, nado sincronizado, saltos ornamentais, atletismo, handboll...)

Mica disse...

Difícil não ser ignorante em relação ao próprio país, quando uma passagenzinha de nada para o centro ou norte do Brasil custa ida e volta o que muita gente ganha em mais de meio ano de trabalho. E viajar de ônibus fica quase impossível, pq o tempo gasto dentro do transporte é tamanho, que ou você pega férias de verdade pra viajar, ou não vai, pq nem feriado prolongado permite.
E somos tão diferentes de região para região. Chega a ser quase um país diferente a cada espaço do Brasil.

Anônimo disse...

Quando esses trastes vem para o nosso país, pobres, famélicos, refugiados de guerra e o escambau são recebidos como 'irmãos'. Já o contrário não acontece por lá.
Acredite, esses comentários 'lúcidos' que você postou são exceções. E eu SEI o que estou falando. Tenho ascendência portuguesa e o lado de minha família, que mora lá, são tão preconceituosos quanto esses bostinhas que postaram no tal site.
Português em geral (e espanhóis em particular) tem inveja (e rancor) de brasileiros e sul-americanos em geral. Precisam diminuir pessoas originárias de suas ex-colonias para se sentirem superiores a nós.
Pudera, né? Na União européia, Espanha e Portugal são considerados café-com-leite pelos outros europeus...
Daí eles precisam humilhar e vilanizar africanos e brasileiros (originários de suas ex-colonias) para se sentirem melhores que a gente.
Que pena que a Holanda (ou a França) não tomou conta disso aqui. Se hoje talvez o Brasil não fosse outra coisa em matéria de cultura e desenvolvimento econômico, pelo menos a gente teria a opção de imigrar para um país europeu melhor qualificado.
_______
Ollie McGee

Anônimo disse...

Xenofobia ===> Mais uma para a lista de "coisas que me dão nojo!"

Andie disse...

Eh, como voce diz no titulo, preconceito eh tudo parecido mesmo, sempre ideias mal formadas que transformam uma generalizacao em odio. Foda.

Mas aqui, como voce pediu a noticia sobre o Wii Fit (um joguinho do Wii onde voce sobe numa plataforma e faz exercicios pre-programados), to te mandando um dos muitos links que eu encontrei. Se quizer procurar uma versao maior ou mais completa, basta buscar "wii fit + 10 year old + fat". Com certeza vai achar muita coisa! :)

ps. parte da minha saudade do Brasil eh completamente gastronomic a, e eu ja comi sim muito pao de queijo, chocolate e carne vermelha, entre outros. O James nao comeu muita coisa diferente, mas dou credito que ele experimentou!

S. disse...

Na minha experiencia (sou filha de uma portuguesa), o povo portugues e' assim ate' contra os proprios portugueses que sairam da terrinha pra ir para outro lugar tentar a sorte. Ate' a parte da minha familia que foi para a Franca (assim como metade de Portugal foi) sente o preconceito quando volta pra casa pra visitar ou quando se aposenta e volta a morar la'. Simplesmente nao sao bem vindos.

Estive em Portugal em 2003, visitei por varias cidades mas passei a maior parte do tempo na Serra da Estrela na casa da minha avo'. Fui muito bem tratada enquanto turista, nao escutei insinuacao alguma entao nao tenho nem porque ter queixas... mas sei que esse preconceito atinge muitos brasileiros que vao pra la'. Gostei muito do pais, mas essa parte da cultura portuguesa poderia ser melhorada e muito, chega a ser ingratidao. Eles ja' lucraram muito com o Brasil...

Antes que fique parecendo que eu so' estou reclamando dos portugueses, tambem temos que dar o credito a uma parcela dos imigrantes que sai do pais achando que a vida na Europa vai ser facil. Nao e', especialmente em Portugal se estivermos tentando comparar salarios. Voce vai ganhar em qualidade de vida, mas tem que trabalhar duro como em qualquer lugar! Temos que fazer por merecer o respeito dos outros tambem, via dupla.

Giovanni Gouveia disse...

"Que pena que a Holanda (ou a França) não tomou conta disso aqui. Se hoje talvez o Brasil não fosse outra coisa em matéria de cultura e desenvolvimento econômico, pelo menos a gente teria a opção de imigrar para um país europeu melhor qualificado."

A Indonésia é uma maravilha, Camarões idem, Haiti nem se fala...

Ora, o sentido da colonização foi o mesmo, adotado porqualquer país europeu, salvaram-se aqueles potentados em que não havia muito a dar, como produtos tropicais, pedras e metais preciosos, esses (a exemplo dos EUA, Australia e Canadá) foram habitados por quem queria formar um lar, e ninguém avilta o próprio lar...
(o caso da Austrália é mais engraçado, pq era uma colônia penal, e os "criminosos" transformaram uma terra no fim do mundo numa ilha de prosperidade, o que desmente que aquela história da carochinha de que o Brasil é assim por que foi colonizado pelos degredados lusitanos...)

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

Sou portuguesa e assino por baixo não só o extraordinário post da Lola como tudo o que o comentador António de Almeida disse. Há várias coisas que gostaria de acrescentar:
- O português ainda é por natureza conservador, logo preconceituoso. Daí até ao racismo é muitas vezes um pequeno passo.
- Também é possível encontrar entre os membros das minorias, em Portugal (ciganos, negros, brasileiros, etc.) pessoas racistas.
- Embora tenha de concordar que a acção do rei D. João VI, tanto em Portugal, como no Brasil, foi vergonhosa, custa-me a ler certos comentários aqui deixados por brasileiros. Dá a ideia que respondem ao racismo feio dos portugueses com mais racismo feio.
- De facto a colonização europeia foi toda um desastre. Não interessa que país. Concordo por isso com quem afirma:

"Ora, o sentido da colonização foi o mesmo, adotado porqualquer país europeu, salvaram-se aqueles potentados em que não havia muito a dar, como produtos tropicais, pedras e metais preciosos, esses (a exemplo dos EUA, Australia e Canadá) foram habitados por quem queria formar um lar, e ninguém avilta o próprio lar...
(o caso da Austrália é mais engraçado, pq era uma colônia penal, e os "criminosos" transformaram uma terra no fim do mundo numa ilha de prosperidade, o que desmente que aquela história da carochinha de que o Brasil é assim por que foi colonizado pelos degredados lusitanos...)"
- Paradoxalmente, foi essa colonização que trouxe a futura independência às colonias, portanto nem tudo foi mau. Nem tudo pode ser deitado ao lixo.
- A Europa vive neste momento tempos de crise económica e muitos empresários, à procura de mão de obra barata e facilmente domável contratam pessoas de qualquer país, menos portugueses.
- Vivemos num tempo em que as ideias xenófobas e racistas da pior espaço têm caminho aberto. Infelizmente!

Assino,
SABINE

lola aronovich disse...

É chato sentir ódio, né, Fátima? Mesmo que seja de uma pessoa absolutamente detestável como de um preconceituoso...


Chris, não sei se tem solução mesmo! Gostaria que houvesse...

lola aronovich disse...

Sorry, Liris, só um. Além do mais, desde quando vc encontra tempo pra ver mais de uma modalidade esportiva?


É verdade, Mica, as passagens aéreas são caras, e nem é pra todo lugar que se pode ir de ônibus/carro. Só que tem bastante gente que tem condições financeiras de conhecer outras regiões mas prefere só viajar pro exterior. Além disso, dá pra se informar sobre outras regiões lendo, falando com as pessoas pela internet... Conhecer o Brasil inteiro é meio impossível. Ô país grande!

lola aronovich disse...

Ollie, acho que sim, tem um pouco de complexo de não ser mais um império colonizador aí nesses países que vc citou. Mas discordo que estaríamos em situação melhor se tivéssemos sido colonizados por outro país. Além do mais, emigrar pra um país rico tá bem difícil. Ninguém quer pobre!


Bobby, xenofobia até parece palavrão, né? Dá vontade de dizer “Saúde”.

lola aronovich disse...

Andie, obrigada pelo link! Vou dar uma olhada assim que tiver tempo (?). Ah, não há dúvida que comida é muito importante nas nossas vidas. E, por isso, o amor que sentimos por certos lugares é também gastronômico. E não dá pra reclamar da comida mineira, dá? Por favor, diga que o James não ficou sei lá quantos dias aí só comendo macarrão.


Concordo, Cereja. Tem gente que não faz nada, ou faz tudo errado, e exige respeito. Quer dizer, todo mundo merece respeito, mas também tem gente que faz de tudo pra não ser respeitada. Tô confusa, eu sei. Mas sim, pelo que vc e outros dizem, essa xenofobia portuguesa deveria ser mais discutida pelos portugueses. E realmente, quem vai pra outro país pensando que vai melhorar de vida sem fazer esforço algum vai quebrar a cara. Muitas vezes a pessoa vai trabalhar mais (e num serviço mais duro fisicamente) do que trabalhava no Brasil...

lola aronovich disse...

Concordo plenamente, Gio. Nunca me esqueço de um professor de história no cursinho que disse que, se o Brasil tivesse sido colonizado por um país mais rico só teríamos sido ainda mais explorados. Realmente é ingenuidade achar que um país mais rico seria mais bonzinho com a gente.


Oi, Sabine, obrigada pelo comentário. Vc toca num ponto importante que esqueci de comentar: os portugueses que deixaram comentários xenofóbicos representam apenas um tipo de português, muito mais conservador, retrógrado até. É o pessoal de direita, que defende a pena de morte e a truculência da polícia. Esses pensamentos não vêm sozinhos, vêm acompanhados de outros pensamentos – porque, se a gente defende que um criminoso deve pagar com a morte, precisa também desumanizá-lo. É um pacote só. Essas pessoas existem em todos os países do mundo. Sério, é só ver como eleitor malufista (de direita) fala dos nordestinos em SP. Não tem diferença! Acho que os pensamentos de direita (e de esquerda) muitas vezes unem as pessoas, mesmo as de outras nacionalidades. E sim, o pior é que muitos dos eleitores malufistas que defendem a pena de morte contra criminosos nordestinos tb vieram do Nordeste... Concordo que a colonização européia foi um desastre, e acho que os países ricos deveriam indenizar os países pobres, principalmente a África, que foi muito mais afetada. Mas, assim como os portugueses e demais nacionalidades ex-colonizadoras não deveriam odiar os países pobres por não serem mais suas colônias, nós, das ex-colônias, não deveríamos odiar nossos ex-colonizadores. Temos que ser amigos. A língua nos une.

Anônimo disse...

Lei seu comentario e acho muito interessante. O seu artigo deve ir mas alem da discussao sobre xenofobia e entrar na interseccao de discriminacao racial, clase e genero em nosso proprio pais e otros. Em Portugal o brasileiro em geral eh visto como o “otro” o “negro” e o marginal. A brasileira eh sempre visto como a “otra”, a sensual, a negra de bum bum grande e a exotica prostituta. Em certos partes do Brasil o mesmo pode ser dito dos migrantes nordestinos, e Afrodescendentes de todos os tonos de pele entre parda e negra.

Na Suica sao os Portugueses que fazem o trabalho domestico, sendo jardineiro e faixineiro. E sao reconhecido como ladrao, inuteis etc. Eh tudo relativo e tudo nogento! Em toda essa historia ainda existe o racismo de comparar o ser discriminado a um negro. Que eh que o Negro tem feito para merecer este tratamento de suspeito? Presupondo que o negro e malandro, criminoso, prostituta, marginal - SEMPRE! Eh feio minha amiga.

Encontrei uma Carioca em Miami e a gente comecou a conversar sobre a experiencia nos EUA. Ela me commentou, ” ODIEI a experiencia em Miami - Ai eles me tratarao como Latina!!!!” Interesante que ela quando esta em Brasil trata os demais da mesma forma so que ela pode ser a dona de casa, a gerente do projeto e mandar a negrada e os pobres ao inferno. Tratando-lhes como os negros que sao…. triste.

Eh engracado como os proprios “Latinos discriminados” na EUA podem ser de paises latinas onde sao da clase opressor. Cuspindo nos povos indigenas e negros e respirando tudo o aire livre disponivel para que o pobre coitado em seu pais nao tenha a oportunidade de cheiar seus pulmoes.

Sou mulher negra com saco cheio do racismo.

lola aronovich disse...

Zah, eu também estou de saco cheio do racismo. Realmente, tenho certeza que um brasileiro branco é menos discriminado em Portugal que um brasileiro negro. No Brasil nosso racismo pode ser um pouquinho mais cordial, mas ainda assim é fortíssimo. Só que é esquisito, porque as pessoas não se reconhecem como racistas! Acho que a maioria concorda que sim, brasileiro é racista (só a Globo e a Veja acham que não), mas é sempre o outro que é racista, nunca eu própria.
Seria ótimo se essa brasileira que se sentiu discriminada em Miami, tratada como “latina”, aprendesse a lição e, quando voltasse ao Brasil, não tratasse seus subalternos como foi tratada. Infelizmente, não é sempre isso que acontece.
Tenho escrito vários outros posts sobre racismo, mas sempre sob a minha ótica. Não sofro isso na pele, pois sou mais ou menos branca (eu me considero amarela, uma cor bem desbotada). Se vc digitar “racismo” ou “racista” na busca do blog, esses posts aparecem.

Anônimo disse...

Nossa... Eu tinha mais sorte com esse tipo de coisa quando eu era pequeno!
Um dia eu vi, no big mesmo, um livrinho sobre pokemon etiquetado a 5,00! Eu demorei um mês juntando os cincão e fui comprar...Era 51,00! Peguei o livro, mostrei a etiqueta e ó paguei 5! Igual a um caderno também... na mesma epoca! era 18,00 e eu paguei 8,00!
Agora eu só estou indignado de ver você reclamar por ter esperado o vendedor por 20 min! Depois dá uma passada no meu blog e vê oq é esperar por uma fila no playcenter por umas 50 horas consecutivas com um locutor FDP zoando a sua cara!

^^

Beijos!

Anônimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Liris Tribuzzi disse...

Lola, eu não tenho tempo nem de ver uma! Mas, felizmente, a enquete é sobre a que a gente mais gosta de ver, né!

Anônimo disse...

"A Indonésia é uma maravilha, Camarões idem, Haiti nem se fala..."

Afê...Você não entendeu o 'espírito' do meu comentário.☺
Na internet a gente tem que escrever certas coisas entre as tags "ironia" ou humor negro, senão acaba criando mal entendidos.☺

Seguinte: Eu só falo isso sobre as invasões holandesa e francesa para irritá-los. É tipo uma resposta padrão àquela velha provocação lusitana de que "se não fossem os portugueses os brasileiros estariam todos pelados e com penas de aves enfiadas no cu". (Sim, eles escrevem assim, são finos).

Os brasileiros não devem nada, na-da, aos portugueses. Pagamos um preço muito caro pela colonização (e creio que nisso, pelo menos, todo mundo aqui concorda)

bjos,

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Ollie McGee

Gisela Lacerda disse...

Eu acho um verdadeiro absurdo quem condena imigrante ilegal. O que penso ser irresponsabilidade do imigrante ilegal é não ter a consciência exata do perigo. Apenas isso. Mas acho tremendamente forte quando alguém diz "condeno". Parece até Deus. Que é isso? As pessoas são nômades, vão e vêm e o ser humano é assim desde que o mundo é mundo e que esta bendita Terra se fez. proibir o "ir e vir" é antieconômico e burro, estúpido até para a própria nação que recebe esses "tais imigrantes'. Conheço isso de perto e digo mais: acho ridículo ficar esperando séculos papéis de consulado quando se pode muito bem chegar num país só com visto de turista, ficar um pouco mais, aprender a língua e voltar. Foi o que disse e repito: continuar muito tempo é perigoso mas se a pessoa escolheu isso não pode ser condenada. Aliás, a polícia desses países brada demais e não fazem muita coisa, senão não teria uma porrada de gente nessa situação. E mais ingênuo ainda é achar que só a classe baixa faz isso. pois sim. hehe houhou ;-00

Guardião disse...

Vivo em Massachusetts há cerca de 6 anos. Aqui tem de tudo, e de toda parte.
Temos gente boa e gente ruim, tanto imigrantes quanto "nativos".

É uma mistura curiosa e interessante, não sinto tanto a xenofobia, mas o preconceito sim, as vezes entre os proprios brasileiros. Esse preconceito entre o "nosso" pessoal não é voltado a origem dentro do Brasil, os estados do norte ou do sul... Mas em relação a papeis aqui, se é legalizado ou não.

Para voltarmos ao ponto português x brasileiros. Dois pesos:

1- o dono da casa onde moro é português, um sujeito muito bom;

2- trabalho em um fast food, tenho um cliente português, na última vez que falou comigo ele saiu com essa: "eu conheço um sujeito em Boston, se deu muito bem, ele é inteligente, apesar de ser brasileiro...".
E, apesar de eu ser brasileiro e ele português, estamos os dois na mesma condição de quem "ainda não se deu bem".

Gente sem tato existe em todo lugar e em todas as posições sociais.

C'est la vie.