segunda-feira, 11 de agosto de 2008

BARRADAS NO BAILE, OU ÓDIO ÀS GORDAS, PARTE 2

Mais comentários cheios de ódio dos ingleses que aprovaram a boate que barrou a entrada de gordas. Leia a primeira parte antes, pra entender melhor.

- Uma mulher reclamou nos comentários que uma atitude dessas da boate poderia traumatizar muitas garotas. Ao que um leitor respondeu: “Você quer que elas continuem gordas e depois se tornem diabéticas ou morram de um ataque cardíaco ou tenham os milhões de outros problemas de saúde que as pessoas gordas têm? Qualquer coisa que encoraje as jovens a permanecer num peso saudável é algo positivo. Não sei como você não consegue compreender que ser gordo não é saudável pra ninguém, e é absolutamente errado fazer garotas jovens acreditarem que tudo bem serem gordas”.

É verdade, garotas gordas devem ser lembradas diariamente de como são inadequadas. E não pela aparência, mas pela saúde! Afinal, a obesidade causa milhões de problemas.

- “Como isso é discriminação? Pessoas acima do peso optam por estar acima do peso. Isso não é comparável à raça, gênero ou mesmo idade. Essas são características que recebemos ao nascer. As pessoas não nascem gordas. Se você não está confortável sendo gorda, perca peso!”.

Faltou o “Pergunte-me como”. Bom, é o mesmo negócio: eu conheço mais racistas que neguem ser racistas que racistas que se assumem racistas. Esses preconceituosos são assumem seu preconceito.

- “O gerente tem todo o direito de recusar a entrada de pessoas baseando-se no peso, assim como pode barrar a entrada de alguém se não gostar da cor da camisa. Obesidade e cor da camisa são parecidas, porque ambas são escolhas. Você pode optar por usar uma camisa azul ou comer até ficar obeso”.

Perder peso é tão fácil quanto trocar de camisa! Puxa, eu devo ter feito alguma coisa errada nos últimos 25 anos pra não conseguir emagrecer! E é aquele negócio: se alguém, qualquer um, não gostar da cor da sua camisa, você deve trocá-la correndo. Porque a outra pessoa tem todo o direito de determinar a cor da camisa que você deve usar, entende?

- “Eu também ficaria preocupado em ter pessoas gordas num espaço confinado pelos seguintes riscos: Risco de incêndio. Risco de ataques cardíacos. Estética geral”.

Adoro esses comentários porque sempre aprendo alguma coisa nova. Por exemplo, pessoas gordas entram em combustão espontânea e explodem! Essa é a única explicação que vejo em associar gordas com incêndios.

- “As pessoas gordas que conheço são gratas por serem aceitas no meio de pessoas normais. As pessoas dessa matéria não são gratas – elas quase acreditam que têm o direito de viver entre todo mundo e tomar uma parte maior das coisas”.

Pois é, essas pesssoas gordas! O que elas pensam que são? Pensam até que têm direito de viver! Onde já se viu?

- “Pessoalmente acho as pessoas gordas repulsivas, ainda mais quando estão abarrotadas suando numa pista de dança. Eu escolho ambientes que tenham pessoas mais magras para evitar essas coisas. Também é um clima melhor em geral, porque garotas gordas choram muito quando a boate fecha”.

Demorei pra entender a última parte: por que garotas gordas chorariam mais? Ah, porque vão pra casa sozinhas. Ninguém as quer. Mas não dá pra vencer, dá? As gordas são hostilizadas por comerem demais e não fazerem ginástica. Quando dançam até suar, isso é repulsivo. Ahn, dançar não é mexer o esqueleto? Elas não deveriam ser encorajadas a fazer isso? Não, acho que elas têm que se esconder e se exercitar em casa. E só saírem quando estiverem apresentáveis. Isso é condizente com outro comentário: “Frequente uma academia, não uma boate!”.

- “Lembre-se que ninguém quer olhar pra essa coisa inútil que você chama de corpo. Perca peso ou se mate. Ou pelo menos não saia em público, é nojento”.

Vejamos: quem seria a pessoa mais nojenta? A gorda, ou a que fala algo assim?

- “O dono da boate tem razão. Pessoas gordas podem ser um problema. Elas suam muito mais que as magras e tomam mais espaço que o metro quadrado permitido à cada pessoa numa boate. Tenho certeza que não é a primeira vez que essas pessoas são insultadas por seu peso, nem será a última, a menos que elas parem de comer tranqueira ao invés de culpar os outros”.

Note que o problema não é a pessoa que insulta a gorda. É a gorda que come tranqueira. Ela é que precisa ser combatida, não a pessoa preconceituosa.

- “Não vejo por que essa confusão toda. Eu já fui barrado na boate por estar com os sapatos errados. E nenhuma mulher rotunda protestou por mim”.

Oh, o mundo é tão injusto com quem calça sapatos errados!

A parte 3 (final) tá aqui.

26 comentários:

Suzana Elvas disse...

Lola, eu comento depois esse post, porque estou na maior pressa. Passei aqui pra te dizer que você deixou de fora a melhor série de comédia de todos os tempos: "3rd Rock from the Sun", com John Lithgow - descendente puro e direto do nonsense do Monty Python.

Bjs

Ale Picoli disse...

Tem um detalhe que estamos esquecendo... porque estão barrando só mulheres gordas, hein?
Tá, a gente já sabe a resposta, infelizmente.

Ale Picoli disse...

Opa, eu quis dizer... por que não estão barrando também homens gordos?

Lolla Moon disse...

Também reparei que o pessoal do Jersey Evening Post FECHOU os comments desses posts sobre o Havana Club. Foi o tema que mais teve repercussão/discussão desde que leio o site. Um clube rival resolveu pegar o gancho e fazer um comercial de rádio supostamente engraçadinho, onde as duas COXAS de uma gorda ficam indignadas com a história e resolvem levar a dona para "queimar calorias" noutra freguesia (ou seja, no clube deles).

E Ale Picoli, estamos esquecendo não. Algumas meninas comentaram sobre isso no site do This is Jersey e eu fiz uma observação sobre isso no blog.

Rosangela disse...

Olá Lola, feliz por estar em casa novamente? Espero que sim! Em toda essa história absurda de rejeição às pessoas gordas o pior é que a tese de que essas pessoas estão doentes e precisam se tratar urgentemente foi comprada por muitos 'não magros'. Eu tenho uma amiga muito querida - gorda, inteligente, bonita e sensual - que já ficou muito brava comigo porque questionei essa tese. Disse-me ela: "Eu dei o primeiro passo para o meu tratamento: me conscientizei de que estou doente e preciso me tratar. Gordura é doença! Negando que eu estou doente você não está me ajudando, não está sendo minha amiga". Acrecento que ela tem excelente saúde e disposição. Anyway... Seus posts sobre discriminação são impagáveis. Tenho 41 anos e da última vez em que fui a uma boate, em Sampa, notei uns olhares enviezados. Então, estou esperando posts sobre o ódio às mulheres maduras (rsrsrs...). Beijo, Ro.

Anônimo disse...

Eu penso,penso mas não descubro o que eu posso escrever aqui,a única coisa que me passa pela cabeça é uma frase atribuída ao Einstein:"Só duas coisas são infinitas,o universo e a estupidez humana,e eu não estão certo quanto a primeira"

Mica disse...

Não vou comentar sobre as gordas barradas, porque minha indignação é tão grande que fico sem palavras.
E também (admito que é o motivo principal), pq queria dizer a voce que ontem assisti Hellboy, e o único motivo de eu ter assistido o filme foi o fato de ter lido alguns comentários seus que o mencionavam.
Sabe que eu gostei? É claro que não é O FILME, mas é bem legalzinho. Passados os 10 primeiros minutos (que me fizeram parar de assistir da primeira vez que tentei) a coisa engrena e até que fica legal.
Só estou com uma dúvida: a atriz (Selma alguma coisa) estava drogada, tem aquela cara de sono mesmo, ou era a personagem que tinha aquele jeito de quem estava em outra dimensão?

Samara L. disse...

Sou gorda também. E me recusaria a ir a uma boate que restringisse o acesso de pessoas por esse motivo, mesmo que fosse podre de magra.
Eu não entendo motivos tão vazios. Não entendo estilistas que só desenham até o 42. Não entendo e não me importo com essas pessoas.
Meu mundo é feito de pessoas que apreciam conteúdo, como eu mesma.
Como você também, ao que me parece.
Grande abraço.

Samara L. disse...
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lola aronovich disse...

Su, obrigada por todas as dicas de video que vc deixou no outro post. Parecem ótimas! O problema é que estou com internet-lesma novamente. É banda-larga da Brasil Telecom, mas é apenas 250 sei lá o que. Triste. Outro dia fui dowload os primeiros 9 minutos de This is Spinal Tap no You Tube e levou (sério mesmo) uma hora e meia! Aí fico sem vontade, ainda mais ao lembrar como era rapidinho nos EUA. Sobre o 3rd Rock, só ouvi falar dessa série, mas não registrei. Sorry. É pra isso que existe o "Outra". Mas eu sou muito fã do John Lithgow!

lola aronovich disse...

Pois é, Ale. Acho que preciso escrever um post sobre isso. Mas é basicamente porque, numa boate, espera-se que o homem consoma, e que a mulher seja a "isca". E também, lógico, porque homem pode ser gordo e não ser nenhum Apolo/Adonis, que ainda vai ter valor por muitos outros motivos além da aparência. O que se espera da mulher é que ela seja bonita, e só. E não dá pra ser bonita se não fizer parte do padrão único de beleza. Isso de mulher como decoração e isca fica claro num comentário gordofóbico, que acha chato barrar mulheres gordas. Não pelo que as gordas podem sentir - quem liga pro que mulher pensa? -, mas porque "tem homem que gosta de gorda". É só o julgamento do homem que valida (ou invalida) a mulher! A gente nem precisaria existir se não fosse pra ser avaliada pelos homens. Obviamente esse tipo de pensamento atinge todas as mulheres, não apenas as gordas...

lola aronovich disse...

Lolla, eles fecharam os comments desses posts? Que estranho! Mas, pelo que eu observo, sempre que sai qualquer matéria em qualquer lugar sobre gordas, aparecem os gordofóbicos. SEMPRE! E sempre há muitos comentários. E sempre podemos ver o pior do ser humano...
Sobre o comercial, como dá pra saber que são as duas coxas de uma gorda, se passa no rádio?!


A Tia, não há dúvida que a gordofobia afeta em cheio as gordas. Se não tivesse efeito, tanta gente não faria qualquer loucura pra emagrecer. É justamente isso que a indústria farmacêutica e da beleza quer - que gordas acreditem que estão doentes, que são feias, que precisam emagrecer a qualquer custo para começar a viver. Assim dá pra vender bastante coisa pra elas, e cobrando caríssimo, claro (afinal, o que a gente não pagaria pra se livrar do maior problema de nossas vidas? A gente vende a alma por isso!). Sobre a sua amiga, não há nada que vc possa fazer. Tem que dar-lhe apoio, só. Espero que ela seja uma das pouquíssimas pessoas que conseguem emagrecer e manter o peso. E, se não, que ela se aceite.
Eu também tenho 41 anos! Sou de junho de 67, e vc? Isso de uma mulher madura não ser bem-vinda a algumas boates (depende da faixa etária do lugar) é óbvio: se nós mulheres só valemos pra atrair os homens, e se os homens são atraídos por apenas um padrão único de beleza (jovem, magro, branco), qualquer mulher fora desse padrão não será bem-vinda. Pra algumas pessoas (homens e mulheres), mulher mais velha não tem mais nenhuma utilidade. Pode morrer ou, no mínimo, recolher-se a sua insignificância. Ir a boate pra quê, né? Seu tempo de curtir a vida já passou! Tsc tsc tsc. Apareça sempre, Tia.

lola aronovich disse...

Princesa, pois é, algumas vezes eu também fico sem palavras pra expressar meu descontentamento com os humanos.


Samara, a gente, ao contrário desses preconceituosos e trolls, sente empatia. Se uma boate barrasse as magras, nós, como gordas, não iríamos em solidariedade (bom, pra mim é fácil. Faz tempo que não vou a boates). E se uma boate barrasse negros? Eu que não iria querer "be caught dead" num lugar desses! No fundo, acho que boates deveriam barrar (ou colocar pra fora) bêbados e arruaceiros, só. Gente que sai pra armar confusão mesmo. Meu mundo também é muito diferente ao mundo dessa gente. Apareça sempre!

lola aronovich disse...

Mica, vc foi ver Hellboy por minha causa?! Não acredito! Eu mal falei do filme. Olha, eu ainda não vi Hellboy, nem 1 nem 2. E não tenho muita vontade. No dia em que fui ver Mamma Mia, em julho, lá em Detroit, resolvi liberar o maridão pra ver o que quisesse. Ele já estava num multiplex e entrou (sem pagar) no Hellboy 2. E ODIOU! Ficou apenas uma meia hora antes de sair. Mas, não sei. Ele também detestou Cavaleiro Negro...
Ah, a Selma Blair! No sábado vi um filme com ela, "Mais do que vc imagina" (minha crítica sai amanhã ou quarta, no máximo). Ela não está pior que o resto do elenco. Mas vc é a primeira que ouço falando mal da Selma em Hellboy. Opa, na verdade vc é a primeira que ouço falando da Selma em Hellboy, ponto. Bem ou mal.

Masegui disse...

"No fundo, acho que boates deveriam barrar (ou colocar pra fora) bêbados e arruaceiros, só."

Discordo totalmente. Se você tirar o "e" eu concordo, se não tirar eu discordo. Saporquê? "eventualmente" estou bêbado e nunca sou arruaceiro... aproveito para filosofar: "estar" bêbado é buscar a felicidade, "ser" bêbado "é" a felicidade... :))

lola aronovich disse...

Tem razão, Mario Sergio. Acho que me expressei mal. Nem todo bêbado é arruaceiro. E tem arruaceiro que nem bebe muito. Sério, conheço muito bêbado que fica relax, outros que ficam engraçados... Acho ótimo - desde que não cheguem perto de um volante. (quer dizer, ótimo, ótimo mesmo, talvez não. Se for todo dia não tem nada de ótimo. Só tô me explicando antes que venha outro comentarista dizer: "Concordo com tudo, menos com a última parte"). Abração!

Lolla Moon disse...

É que as coxas falam. E "reclamam" por estarem se esfregando muito uma na outra, dizem que "precisam emagrecer" mas, ao mesmo tempo, que vão levar a dona ao clube novo "porque lá o restaurante é ENORME", esse tipo de coisa. Se a idéia deles era atrair as gordas barradas, well, FAILED. Bom, pelo menos eu achei de mau gosto.

lola aronovich disse...

Ah tá, Lolla, as coxas falam... É, failed totalmente. Se fosse pra mim, eu não iria à boate do comercial engraçadinho.
Lolla, vc que tem um blog bem procurado, me diga uma coisa: durante as Olimpíadas as visitas despencam? Porque é o que eu tô sentindo desde domingo. Todos os "google searches" praticamente sumiram! Quem procura aqueles absurdos no google pára de usar a internet nas Olimpíadas? É a sensação que tenho.

Lolla Moon disse...

Ih Lola, faz teeempo que não checo meus stats. Mas quando checava, as olimpíadas não alteravam muito (vai ver meus leitores não curtem esporte? eu, por exemplo, ainda não vi NADA desses jogos, nem a abertura). Os picos de visita sempre eram na segunda/terça. No weekend, em geral, o povo vai pra rua e não fica online. Acho estranho seus google searches terem sumido. Se você não pôs nenhum script pra evitar o google de te indexar, então não sei o que acontece. :(

Giovanni Gouveia disse...

Engraçado é a idéia, pré concebida, (na verdade uma desculpa, pra mascarar o pre conceito)que gord@s têm problemas com as taxas, vai levar à diabetes, têm colesterol alto, e etc.
Não sou gordo (embora não seja do tipo 'doente' atlético, nem anoréxico), mas minhas taxas são bem mais elevadas que de minha esposa, que é deliciosamente gordinha...

Anônimo disse...

Gente, realmente, não sei o que dizer.
Mas achei o, er, "cunho científico" muito interessante, digno de um episódio de X-Files ou Fringe: "Mulheres gordas sofrem de auto-combustão!" Olha só se não daria um ótimo episódio???
Fala sério....
Beijos

Lila disse...

E o preconceito começa mto cedo. Vcs viram isso?

http://esportes.terra.com.br/pequim2008/interna/0,,OI3081253-EI10378,00-China+usou+cantora+falsa+em+festa+de+abertura.html

lola aronovich disse...

Lolla, eu não sei se meus leitores são chegados a Olimpíadas (preciso escrever mais sobre isso; sei que tenho um post pra sábado, mas, com o horário dessas Olimpíadas, não tenho visto tanta coisa quanto gostaria). Acho que meus leitores continuam vindo. Mas os leitores que vêm do google search sumiram! Tá, sumiram, sumiram não digo, mas esse fluxo deve ter caído uns 90%. Muito estranho. Segunda-feira retrasada tive 481 visitas (mas já tive 580 - segunda é geralmente o dia mais visitado por aqui); ontem, foram míseras 317! Minha hipótese é que o pessoal se afasta da internet nesse período? Não tenho resposta!


Pernambuco, isso acontece bastante. Meus índices de colesterol, glicemia no sangue etc etc (montes de coisas cujo nomes me escapam), são parecidos com os do maridão. E olha que ele é magro (bom, peso totalmente dentro do padrão) e se alimenta melhor do que eu. Pelo menos come mais frutas. Eu, se tiver uma fruta e um chocolate na parada, nem olho pra fruta. Meus índices são saudáveis. Aliás, fui comentá-los com uma amiga, que é magra e vegetariana, e ela ficou revoltada: "Como que vc tem colesterol mais baixo que o meu?!". Porque é meio ridículo mesmo que, hum, 40 anos de chocolate não tenham deixado meu nível de açúcar no sangue muito alto. Abraços a sua mulher deliciosamente gordinha!

lola aronovich disse...

Viu só, Chris? Tem cunho científico e tudo pra discriminar! Mas vc é da época de Saramandaia, como eu? Lá tinha a Wilza Carla, que fazia a Dona Redonda, e ela explodia no final da novela (muito antes de qualquer neura com "epidemia da obesidade" e tal). Claro que na trama tinha lobisomem, um carinha com asas, outro que saía formiga pelo nariz... O realismo mágico era a tônica dessa grande novela mesmo. E a música-tema era "Pavão misterioso / Pássaro formoso". Hoje estou tão nostálgica!


Lila, puxa, o maridão me mostrou essa matéria agora a pouco, e eu tava pensando em escrever sobre esse absurdo. Fogo o que é a discriminação, né? Abração, e apareça sempre!

:-P disse...

Lola, eu voltei a fazer exercício físico, depois de 16 anos longe do ballet - fui da escola estadual de dança, etc.

Só que meu exercício físico é caminhada e levantamento de peso pros braços, pq vou tirar porte de arma de novo. Aí vem o povo todo felizinho: Ah, você tá malhando pra emagrecer, que legal! Saúde, é isso aí.

Eu espero a pessoa acabar de falar e digo: Não, tou malhando braço porque a pistola é pesada e precisa de punho forte. E tou caminhando porque gosto. E não tou doente, faço exame de sangue de seis em seis meses e aposto dez contos que tou melhor que vc.

*cri*cri*cri*
Barulho de grilos ao fundo...

lola aronovich disse...

Malena, se tem uma coisa que a maioria dos estudos médicos comprova é que exercício físico (com moderação, sem exageros) é bom pras pessoas. Sedentarismo é ruim. Mas o que a sociedade determinou? Que todos os gordos são sedentários, por isso são gordos, e que exercício físico só é bom pra eles. Quer dizer, não dá pra olhar prum magro e "julgar" a sua saúde. Em geral não dá pra notar se alguém faz ou não exercício físico, só de olhar. Mas todo mundo olha prum gordo e julga no ato: ele não faz, não é saudável. E ai da gorda que faça exercício não pra emagrecer (porque viu, durante sua vida toda, que não consegue emagrecer, apesar do exercício), mas porque gosta, ou porque se sente melhor, ou porque precisa pra outras coisas (como é o seu caso), ou porque quer ser saudável! Essa gorda vai ser lembrada por todo mundo que a vê fazendo exercício que é gorda, mas que está indo bem, continua assim que vc consegue emagrecer etc. Por exemplo, uma conhecida minha que mora em Floripa e é gordinha sempre faz caminhadas na Beira-Mar. Ela conta que o pessoal a pára o tempo todo pra dar dicas de dieta, recomendar cirurgia de redução de estômago...
Mas, Malena, porte de arma?! Que coisa horrível! Sou totalmente contra as armas.