terça-feira, 14 de junho de 2016

EUZINHA, MULHER INFLUENTE

Gente, estou sem post pra hoje, e já está tarde. Então deixarei apenas um link. (mas vocês podem falar nos comentários da cassação de Eduardo Cunha no Conselho de Ética, se preferirem).
É pra um site que não gosto muito, porque este site, embora de esquerda, já se expressou de forma machista diversas vezes. Um texto recente (publicado bem na época em que uma menina foi estuprada por 33 caras) tinha como título "Como a garota do Rio, Dilma foi também vítima de estupro coletivo". Putz. Gente, que tal usar as palavras estupro e estuprar apenas quando estivermos falando de estupro, e não como metáfora? Temos mil e um termos pra escolher em vez de "estupraram a democracia" ou "fui estuprado ao pagar impostos". Estupro é um crime sério e rotineiro demais para ser banalizado.
Muito antes, o site pisou na bola em várias ocasiões, e eu e outras feministas o criticamos, e fomos bloqueadas no Twitter. Sinceramente, não me importo em ser bloqueada. Eu bloqueio uma lista imensa de reaças. E bloqueio também uma ou outra feminista que me detesta. Não vejo problema algum em bloquear gente com a qual você não quer conviver e que, aparentemente, não quer conviver com você.
Cito isso apenas para dizer que as críticas feministas ao DCM são frequentes. Após as decepções, parei de abrir o site. Mas sei que o DCM publica (bons) textos feministas, quase sempre assinados por Nathalí Macedo. E hoje ela escreveu uma lista das doze mulheres mais influentes da internet, e me incluiu, no que me sinto muito honrada, ainda mais ao lado de mulheres que admiro.
Não preciso nem dizer que essa é uma lista bem particular, só com nomes feministas e de esquerda (a exceção seria Tati Bernardi? Já li vários textos totalmente equivocados dela, mas confesso que não acompanho). Se fosse uma lista de "mulheres influentes" escrita por algum reaça, os nomes seriam outros. Se fosse uma lista de "mulheres influentes no mundo da moda", eu certamente não estaria lá. 
Agradeço a lembrança e torço para que Nathalí consiga remover qualquer resquício de machismo do site onde colabora. Porque machismo não combina com esquerda. 

17 comentários:

titia disse...

Você merece, Lola. Muitas mulheres e até alguns homens tiveram a vida mudada pra melhor pelo que você escreve, pelo espaço para a voz delas, pelo acolhimento no seu blog. Obrigada por estar aqui na internet trazendo conhecimentos que mudam vidas.

Anônimo disse...

Os editores do DCM e muitos dos seus leitores e comentaristas são machistas. O que acontece é que pensam que não são. Eles criticam o machismo mais óbvio de adversários mas não conseguem perceber o próprio machismo. Os editores não se cansam de alfinetar feministas e desqualificar o feminismo enquanto propagam os velhos esterótipos de sempre. Esse comportamento não é exclusivo deles. Muitos portais que se dizem progressistas bebem na fonte do machismo sem qualquer drama de consciência.

Ingrid disse...

Parabéns Lola! Reconheço sua influência e todos os dias me sinto grata por seu trabalho com esse bloguinho amor!

Já que o post está em tema livre, gostaria de saber Lola se você ficou sabendo do evento da marcha das vadias sobre prostituição e turismo sexual. Não sei se você vai se manifestar sobre o assunto, mas o tema causou um tremendo reboliço entre feministas. Eu mesma particularmente repudio esse evento de apologia a essas práticas patriarcais, mas doeu ver mais uma vez no feminismo feminista ficando contra feminista. AiAi...

Anônimo disse...

https://www.youtube.com/watch?v=KyvevkwqdQM
Nossa, essa sara só fala merda.
Acho que ela nunca foi feminista, não sabe nem o que é isso...
o.O fico indignada

Anônimo disse...

Lola, não tenho dúvidas do quanto vc é influente. Parabéns

Entrei no tal DCM e no meio de uma mar de posts de politica li dois que falavam sobre relações humanas... quanto machismo! Parei, não volto mais não.

Aline disse...

Pois eu vou lá e brigo mesmo Kkkkkkk. Às vezes é melhor pregar pra não convertidos. Pelo menos existe alguma abertura. Difícil é mudar posicionamento de reaça.

Anônimo disse...

Discordo. Machismo e esquerda combinam muitíssimo. O que a teoria diz eu não sei mas o que a prática faz, aí já conheço um bocado.

Mas quando a gente tenta tirar homem do feminismo simplesmente porque eles não sabem calar a boca CINCO SEGUNDOS e não roubarem protagonismo por CINCO MILISSEGUNDOS, aí não, que horror, coisa de radfem, não pode ser assim, vamos acolher os acolhidos, ouvir os que têm voz, acomodar quem já tem espaço, dar protagonismo a quem protagoniza, acomodar necessidades de quem já é acomodado em todas as necessidades, olha que macho bacana, ele não estupra, ele lava a louça, toma aqui sua medalhinha de bom ser humano.

Mais fácil driblar a lei da gravidade que a socialização que uma mulher recebe.

Opa, falar de socialização é transfobia, também não pode, calem-se fêmeas, vão lavar seu buraco frontal imundo, nós sofremos mais que vocês suas vaginistas privilegiadas do cistema.

Como disse antes, a teoria não sei como é. Mas a prática é daí pra pior.

Rafael Cherem disse...

Primeiramente, parabéns, acompanho seu blog há anos,é minha leitura diária.

Com relação ao DCM já fui impedido de comentar lá porque critiquei o dono por sua obseção com a Globo/Veja.

Anônimo disse...

SÓ SE FOR INFLUENTE POR SER UMA PORCA JUDIA

Anônimo disse...

Machismo pode até não combinar com a esquerda, mas o homem de esquerda é extremamente machista e de uma forma que considero ainda pior que o homem de direita. Este não tenta negar o seu machismo, ele é transparente. O homem de esquerda nega que seja machista enquanto exerce o machismo full time. Questione um homem de esquerda e ele responderá despejando todo o machismo que ele finge não ter sobre você. Esta é uma excelente maneira de verificar até onde vai o discurso progressista dele. Recomendo fortemente. Não tem erro. Até hoje, não encontrei um único homem de esquerda que não fosse absolutamente machista. Se ele se autodenomina petista então... aí não tem salvação. Ele ACHA que é de esquerda, ACHA que é progressista mas...

natalia disse...

Lola, eu já tinha visto a lista no DCM. Mas a lista só me chamou a atenção, porque eu queria saber se o seu nome estava lá. Você realmente é uma mulher influente. Quando conheci o seu blog já tinha uns 44 anos, hoje tenho 51.Penso que não sou das piores pessoas, mas a leitura do seu blog me melhorou bastante, para mim e para os outros.
Parabéns e continue firme no seu trabalho.

Anônimo disse...

(Viviane)
O machismo da turma do DCM é fichinha perto disso aqui:
http://jornalggn.com.br/noticia/a-noticia-continua-sendo-estuprada-para-nao-atrapalhar-as-manchetes

Apesar disso, leio com frequência ambos os sites (concordo com a Aline, rsrs) e faço um adendo: os posts assinados pela Nathali Macedo são frequentemente criticados pelas posições feministas, principalmente por parte dos "esquerdomachos" frequentadores daquele site.

Anônimo disse...

A diferença do machista de direita pro machista de esquerda é que o de direita já fala logo qual é, o de esquerda finge que é feminista até relar de leve em algum privilégio dele.

Marcia disse...

Parabéns lola!!! Realmente, você é muito influente.

Marix disse...

Lola, parabéns pelo destaque. Gosto muito do seu blog e aprendo imensamente com ele!!!

Acompanho o DCM praticamente desde o primeiro ano do site. No início eles eram muito mais machista, a ponto de ser frequente, na coluna "Essencial" notícias ilustradas com bundas ou peitos (geralmente de mulheres jovens), dentre outros textos e manchetes equivocadas e machistas. Nos últimos tempos os editores tem se tornado mais sensíveis e mais plurais, possui 4 mulheres que escrevem textos para o site com regularidade e duas pessoas negras, que sempre fazem textos falando sobre racismo e preconceito. Percebo nos editores um interesse e uma tentativa de lutar contra machismo, racismo, homofobia e xenofobia, e às vezes tenho a impressão de que essas pautas se tornaram importantes para eles - assim como para boa parte dos brasileiros - apenas nos últimos anos. De todo modo, vejo um interesse genuíno em melhorar essas posturas e defender uma sociedade mais justa e igualitária.

Anônimo disse...

Parabéns Lola! Sempre que converso com minhas amigas e conhecidas, faço questão de dizer o quanto aprendi aqui.

Dan

Rafael disse...

Da mesma forma que o conceito de estupro, do ponto de vista legal, foi expandido há poucos anos, não me parece tão metafórico assim dizer que Dilma sofreu violência decorrente do fato de ser mulher.

A forma como é criticada, hostilizada, ofendida e ridicularizada difere do ato consumado em si apenas pela falta da penetração.

De resto, o ódio, a maldade, o apequenamento e despersonificação da vítima são os mesmos.