domingo, 1 de março de 2015

GORDURA NÃO É SENTIMENTO

A antropóloga Daniela Araújo, doutora em Ciências Sociais pela Unicamp, me pediu para participar desta campanha. Então, vamos lá! Segue o post da Dani:

Banheiro feminino, na pia, em frente ao espelho
A - Nossa, olha o tamanho da minha barriga!
B - Afe, eu comi feito uma porca esse fim de semana. Hoje é só salada.
C - Uma vizinha emagreceu horrores com a nova dieta x. Segunda-feira eu começo, preciso perder pelo menos 5 kg.
Eu não sei se isso acontece também nos banheiros masculinos (algum leitor desse blog, por favor, nos esclareça se os homens fazem algo parecido), mas já cansei de testemunhar essa atitude entre mulheres. 
Por algum motivo insondável, criticar a própria aparência, sobretudo no quesito peso, tornou-se uma forma habitual de puxar conversa, até mesmo com estranhas. Tanto que em inglês inventaram até nomes para isso: “fat talk” (“conversa gorda”) e “body shaming” (algo como “depreciar o corpo”).
E nas redes sociais isso também acontece, tanto que o próprio Facebook criou uma opção de status: se sentindo gorda/o, acompanhada de uma carinha sorridente, ruborizada e meio constrangida, de queixo duplo. Acontece que esse tipo de autodepreciação pública não deveria ser normal. A gente não precisa se autoflagelar em público, como quem pede desculpas por não ter um corpo perfeito, por ter o corpo que tem, por ocupar espaço. A gente tem o direito de andar por aí se sentindo bem na própria pele, independentemente do nosso tamanho ou peso. 
E antes que alguém diga que as gordxs devem se sentir mal mesmo, porque ser gordo não é saudável e essas pessoas precisam ser incentivadas a mudar, vale ressaltar que a baixa autoestima, a vergonha e a imagem corporal negativa causam mais problemas de saúde do que solucionam (até porque se criticar gordura emagrecesse, o problema de obesidade no mundo estaria resolvido).
Essa opção de status do facebook reproduz, reforça e multiplica a ideia de que se autodepreciar publicamente e que a gordofobia internalizada são comportamentos normais, socialmente aceitáveis e mesmo desejáveis. E, o que é pior, novas gerações inteiras de crianças e adolescentes estão aprendendo a se socializar dessa forma.
Como sobrevivente de um transtorno alimentar, pesquisadora da área de Medicina Preventiva e feminista, eu acredito que essa opção de status do Facebook seja prejudicial e deva ser removida. Para que isso aconteça, me juntei a um grupo de mulheres de vários lugares do mundo, ao Endangered Bodies, representado no Brasil pelo Grupo Corpo e Cultura e ao change.org para pedir ao Facebook que retire a opção de status se sentindo gorda/o através de uma petição.
Se você quiser, pode ajudar a campanha das seguintes formas: Assine a petição aqui.
Convoque seus amigos por este link.
Poste o link no seu mural, tagueando seus amigos. (Não apenas os marque nos comentários: quando você tagueia aparece também nas páginas dos amigos deles). 
Publique esta mensagem no Twitter:
Facebook: tire o status 'me sentindo gorda' e 'me sentindo feia' @Facebook #gorduranãoésentimento
Compartilhe as hashtags: #gorduranãoésentimento #fatisnotafeeling
E o mais importante: habite seu corpo, leve-o para passear por aí, sem vergonha nenhuma de ocupar o seu espaço.

UPDATE em 10/3: Vitória! FB aceita solicitação! Parabéns pela iniciativa, Dani!

35 comentários:

Anônimo disse...

A Lola não fala mais de politica? O que ouve Lola?

Anônimo disse...

A gente se sente um lixo se ficar um pouco acima do peso... eu me acho horrorosa cheia de estrias celulite e flacidez me sinto desprezível acho que ninguém vai amar uma feia como eu

Thomas disse...

Essa deve a petição mais inútil que já vi na minha vida. E espero que o facebook não tire essa opção. Se vocês querem que o mundo mude, deveriam trabalhar em educar para que as próprias pessoas decidam parar com certos comportamentos, e não tentar proibir o povo de se expressar de uma determinada maneira.

Anônimo disse...

Thomas... Pq não te calas?
É um post necessário, pungente e acima de tudo, político. Ou será que política é apenas aquilo que te engloba diretamente?!

Anônimo disse...

É que ta tudo certo no pais, a economia vai bem, todos estoa satisfeitos, entao as pessoas tem tempo livre para estas campanhas extremamente importantes.

lola aronovich disse...

E qual é a SUA campanha extremamente importante, anon das 13:11? Trollar feministas?


Thomas Toddy, nunca falha... Sua opinião é muito importante pra nós. Se eu pensasse como vc, também não teria coragem de assinar com meu nome.

Anônimo disse...

fazer mais um post xingando a Dilma, aí sim é relevante.

Anônimo disse...

Estou passada com as pessoas comentando que isso não é importante. Gente, morrer de transtornos alimentares não é importante? A ligação entre a petição e morrer disso não é direta, mas existe. São várias coisas que se dizem, seus conteúdos e suas formas, que vão moldando ideias que conduzem à bulimia, à anorexia, a uma relação doentia com o corpo. Então a petição é importante, sim! Como outras tantas sobre tantos assuntos. Um assunto importante não exclui outros. Eles se somam e às vezes se cruzam. Parabéns, Daniela, pela iniciativa. Parabéns, Lola, por apoiá-la.
Juliana

Anônimo disse...

Engraçado que em época de campanha eleitoral tinha gente que não calava a matraca pedindo a volta dos temas mais comuns do blog.
Será difícil assim entender que isso é um blog pessoal de uma pessoa só individual, que já repetiu trocentas vezes que não é uma coluna com temas definidos e que ela quem escolhe o que postar?
(Sem contar que o assunto do post é relevantíssimo, mas claro que a polícia do blog alheio vai chiar).

Anônimo disse...

Essa discussão é importante, sim. As mulheres precisam perceber que se autodepreciar não faz o menor sentido. Esse costume é tão comum, que toda mulher, não importa o corpo que tenha, faz isso, se autodeprecia sistematicamente. Querer mudar o corpo, ficando maior ou menor, não é o problema. O problema é acreditar que PRECISA fazer isso. Que TENHA que fazer isso. Que PRECISA se autoflagelar, se auto-humilhar o tempo inteiro. Esse comportamento feminina só tem uma consequência: tornar as mulheres reféns da humilhação masculina. Essa mania incompreensível das mulheres se odiarem, dá munição poderosa para o homem ofender e humilhar, controlando e maltratando mulheres pela vida. E esse ciclo de violência psicológica e social precisa, urgentemente, ser interrompido. Gordura e magreza não são sentimentos. E esse recado é para as mulheres, não para os homens, por isso os homens que aqui comentam podem ficar tranquilos: isso NÃO DIZ RESPEITO À VOCÊS.

Anônimo disse...

Pelo que eu entendi, o "sentir-se gordo(a)" é algo normal, mesmo uma pessoa magra ao comer demais pode sentir-se estufado, por assim dizer.

Anônimo disse...

Estufada, apenas corrigindo.

Anônimo disse...

Com toda essa crise no Brasil. Lola, não se fala mais de política?
Vai continuar defendendo o PT?
Está contente com o aumento na conta de luz? Da gasolina? Não podemos protestar, senão estaremos sendo coxinhas?

Shaytan disse...

É natural tanto para homens, quanto para mulheres, sentirem mais tração por pessoas do sexo oposto, com o corpo mais atlético, esta nos nossos genes.
-
O que é errado, é sair por ai desrespeitando o outro(a) pelo corpo ou colocar um corpo bonito acima da saúde.
-
E não, não é só com mulher. Ta cheio de homem usando anabolizantes, por exemplo. A diferença é que com mulher é pior. Se for linda, é assediada, se é feia, é criticada e insultada. Eu no máximo tive que ouvir três cantadas ridículas no meio da rua e duas delas vieram de homossexuais(nada contra, desde que mantenham o respeito assim como os héteros), se fosse mulher, provavelmente seria bem pior...

André disse...

Pode até existir algum gordinho que, de tanto sofrer bullying, fique na frente do espelho se martirizando. Mas se o cara não estiver realmente muito, mas muito acima do peso ele nem vai se importar com isso. Quando um homem olha no espelho ele avalia mais o braço (e o custo benefício de uma academia) que a barriga.

Raven Deschain disse...

Tá no nosso dna é? Sou oq então? Marciana? Pq eu gosto de gordos e gordas e só fico com eles.

Barriga cheia de quadradinhos? Braço duro? Homem que acha mais lindo o próprio reflexo do que uma mulher pelada na frente dele? Eca.

Kittsu disse...

O Thomas quer que lola vire vegan e corte gorduras pois "se preocupa muito com a saúde da lolinha"... rs.

Quanto ao Facebook, será que esses sentimentos não podem ser catalogados lá quando tem muita gente escrevendo a mesma coisa? Se for esse o caso, talvez revele não um viés do fb, mas sim um pensamento generalizado dos usuários.

Anônimo disse...

"Homem que acha mais lindo o próprio reflexo do que uma mulher pelada na frente dele? Eca."

Achar "gordofobia" numa opção do facebook? Ok, super ativismo.

Ver homofobia no comentário acima? Nossa, aí já é exagerar.

Anônimo disse...

Nossa, vocês tão exagerando! Quase todo mundo já se sentiu gorda(o) em algum momento da vida.

Anônimo disse...

Anon das 19:39, pelo contexto da discussão é bem claro que a Raven tá fazendo referência a um cara narcisista, não a um homossexual.

Anônimo disse...

Não acho q a genética influencie nos sentimos mais atraidos por pessoas magras. É cultural. Aliás, se a genética fosse a única influencia sobre por quem um homem se sente atraído, as mulheres com quadris largos fariam mais sucesso e não as mais magras. A exigencia por m,ulheres magras é um comportamento q surgiu no sec XX. Antes, as mulheres atraentes eram mais gordinhas, voluptuosas, com curvas.

O mesmo ocorre com o tom de pele. Hj nos bronzeamos pra nos tornarmos mais atraentes. Até o início do sec passado mulheres usavam chapéus enormes e sombrinhas pq o bronzeado era considerado coisa de camponês, era feio, e nada bonito.

Td depende da época em q vivemos, e não da genética.

Anônimo disse...

"Eu não sei se isso acontece também nos banheiros masculinos..."

Homens mal se falam no banheiro, Lola. A maioria não é tão sociável como as mulheres costumam ser.

Anônimo disse...

Se compararmos os corpos das mulheres q eram consideradas bonitas a alguns anos atrás com os corpos das modelos e atrizes q temos hj( padrões de belezas atuais) , as beldades do passado, como Marylin Monroe e Vera Fisher, por ex, seriam consideradas obesas. É td uma questão de padrão imposto pela sociedade

Atualmente está havendo uma nova transformação no padrão feminino. A mídia tem nos bombardeado com imagens de mulheres extremamente fortes e musculosas, como as Panicats, a Graciane e mais trocentas outras musas do abdomen tricado. Quem não tiver musculos, daqui a dez, mesmo magra, vai ser considerada obesa e desleixada.

Anônimo disse...

A industria da moda é o grande vilão nisso td. É fácil fazer roupa pra uma mulher cabide. Por isso só escolhem as masi magras pra desfilarem suas roupas e isso acaba influenciando um monte de meninas a desejarem um corpo q as vezes é impossível de ser alcançado. Assim temos uma geração inteira de meninas odiando a si mesmas inutilmente

Anônimo disse...

Concordo

bucaneira disse...

uma única ressalva é que os usuários podem adicionar esses "sentimentos", então não sei se adianta muito o fb tirar porque depois pode ser acrescentado de novo =/

Verônica disse...

Não vejo o "se sentindo gorda" como autodepreciação. Independente do peso corporal, o termo "se sentindo gorda" é utilizado para se referir ao ato de ter comido demais. Se sentindo cheio, estufado, roliço são outras opções que, assim como "gorda", não acho ofensivo pra quem diz.
No mais, de nada adianta tentar eliminar status de sensação do Facebook, pois lá dentro somos livres para criar nosso próprio status de sentimento e muitos deles nem são reconhecidos pelo Facebook e nem pela língua portuguesa, mas são transformados em sensações pelos próprios usuários. Lá tem gente que se sente "coisada", se sente "vesga de fome", se sente um robô. Enfim, qual a sua sugestão de substituição para o termo "se sentindo gorda", Lola?

Anônimo disse...

Homens não se falam em banheiros, nem comentam sobre questões estéticas do próprio corpo. Mas ficar na frente do espelho se avaliando e desejando ter esse ou aquele atributo diferente é muito comum.
Não só na gordura, mas na altura, estrutura corporal, pinto, etc. Mas nenhum fala disso, é socialmente proibido.
E claro, tem os caras "narcisistas" que por estarem satisfeitos com o próprio corpo divulgam isso aos quatro ventos.

Bruxinha disse...

Acho interessante que tem uma turma que idolatra as musculosas/anabolizadas enquanto outra adora as magras estilo passarela. São dois "padrões" antagônicos em vigor...pode ser qualquer um deles, só não pode ter corpo normal, né? aí é massacrado

Anônimo disse...

Nós homens passamos pelo mesmo problema, só que no nosso caso entra a questão de ter um corpo "sarado" musculoso, definido etc.

Anônimo disse...

Mas tb é um exagero exigir musculos em excesso dos homens. E o mesmo q ocorre com as mulheres: foram impostos padrões inalcançáveis pela maioria, mas q faz com q muita gente se mate e gaste os tubos pra alcançá-lo.

Se olharmos pra trás, foi a partir da decada de 80 q houve o bum dos homens fortes, a la Stallone, Van Dame e tc

Os homens considerados atraentes eram estilo John Travolta ou Alain Delon, ambos magros

Mas a midia botou na cabeça de todos nós q precisamos de musculos atrofiados ao extremo. E pra isso gasta-se fortunas com academias e whey protein

Anônimo disse...

Eu acho a coisa mais normal do mundo dizer que está se sentindo "gorda", quem nunca gente? Especialmente qdo a menstruação está pra descer. Fora que o "sentindo-se _____________" não diz respeito somente a sentimentos negativos, então pra quem é body positive de verdade, sentir-se gorda não é nada demais.

Anônimo disse...

"Enfim, qual a sua sugestão de substituição para o termo "se sentindo gorda", Lola?"

Sentindo-se pessoa cujo peso corporal não é o esperado pela sociedade sem que isso signifique depreciação de seu valor como indivíduo, tá bom assim ou será que as trans e outras minorias querem inclusão no tema também?

Anônimo disse...

Fora que o "sentindo-se _____________" não diz respeito somente a sentimentos negativos

Desculpa, qualquer pessoa pode ser feliz sendo gorda, mas não do ponto de vista da sociedade. Não existe um "acordei feliz porque engordei 10 quilos", a palavra "gordo" tem um significado ofensivo faz tempo. Esse emoticon não está lá pra celebrar nada.

Anônimo disse...

"Sentindo-se pessoa cujo peso corporal não é o esperado pela sociedade sem que isso signifique depreciação de seu valor como indivíduo, tá bom assim ou será que as trans e outras minorias querem inclusão no tema também?"

Quem sabe:

Sentindo-se "com pau pequeno, minúsculo"?

tá bom assim?