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quarta-feira, 12 de maio de 2010

CRÍTICA: HOMEM DE FERRO 2 / Vem mais ferro por aí?

Por mim, pó pará por aqui, Iron Man.

Enquanto não consigo nada parecido com um passe livre pra entrar nos cinemas (como o que eu tinha em Joinville, chuif, e com direito a acompanhante), estou começando a frequentar um shopping não muito longe de casa, que tem promoção de 7 reais a entrada inteira às segundas-feiras. Assim, tento voltar a minha rotina de cinema pelo menos uma vez por semana. Mas os trailers que tenho visto não me despertam um desejo incontrolável. Vi o trailer de um veículo pra Jennifer Lopez, O Plano B, que eu passo. O Príncipe da Pérsia: Areias do Tempo não me parece nada convidativo. Já Robin Hood eu faria um esforço pra ver, porque gosto da história (tirar dos ricos pra dar aos pobres). Mas o trailer do próximo Crepúsculo (Eclipse, é isso?) é tosco que dói. E os filmes que já estão em cartaz? Fico me perguntando se vale a pena ver Alice, ainda mais dublado. E por que diachos refizeram A Hora do Pesadelo? Vão relançar a franquia inteira do Freddy Krueger? Pra quê? (eu até gosto do original, só não acho tão antigo assim pra merecer um remake). Tudo bem, tenho que frequentar mais o cinema de arte que fica no Dragão do Mar, eu sei, eu sei.
Mas o maridão tava morrendo de vontade de ver Homem de Ferro 2. Eu não fazia muita questão. Achei o primeiro decente, mas nada marcante. Na realidade, fui ver o arrasa-quarteirão de dois anos atrás esperando o pior. Como assim, um bilionário armamentista e playboyzinho pode ser herói de alguma coisa?! Mas o filme tinha um bom ritmo e o Robert Downey Jr. segurava bem a peteca nas cenas sem capacete (porque, convenhamos, a armadura do Ferrudo a gente já tinha visto em Transformers, né?). Passada a novidade, valeria a pena enfrentar uma segunda parte?
Depende. Pra quem é fã dos quadrinhos, é óbvio que sim. E pra quem vê tudo que é adaptação de superherói, idem. Mas, pra mim?! Como andei bem ausente das salas de cinema nos últimos meses, só tinha visto o trailer uma vez. E foi o suficiente pra não me entusiasmar.
Não lembro quase nada do primeiro, e não estou a fim de procurar informações. Não sei nem se quero ler a minha crítica! Mas eu tinha a impressão que Tony Stark, a versão civil do Iron Man, no fim ficava com sua assistente (Pepper Potts, feita por Gwyneth Paltrow. O nome meio que significa Potinhos de Pimenta, o que rivaliza no duplo sentido com o nome mais machista já dado a uma personagem feminina, Pussy Galore ― fartura de calzones, por assim dizer ― em algum 007 da vida). Então fiquei o tempo todo durante o segundo filme pensando: ué, mas eles já não estavam juntos? Por que esse suspense pra ver se eles terminarão felizes para sempre (ou, pelo andar da carruagem, até a terceira parte da saga)?
Gwyneth não tem nada que fazer no filme, tadinha. A única outra mulher com falas (pero no muchas) é a Scarlett Johansson, que faz uma agente secreta ou secretária ou especialista em artes marciais ou top model de lingerie, dependendo do momento. Ela ao menos luta e derrota um batalhão. E sem armadura!
Não nos iludamos: é um filme de homens pra homens. Portanto, os vilões se saem melhor que as mocinhas. Sam Rockwell tá divertido como o adversário civil do Tony. Eu me perguntava: o que o Gary Oldman tá fazendo aqui, e como ele rejuvenesceu tanto? Mas não é o Gary; é o Sam (que, pra quem não lembra, compõe um vilão inesquecível em À Espera de um Milagre). E o Sam dança, se diverte, e quase rouba o filme. No mínimo, a melhor piada é graças ao seu personagem: ele apresenta sua arma top de linha, um míssil pequeno que ele chama de “ex-mulher” e que devasta absolutamente tudo a sua volta, mas, na hora do vamos ver, o troço falha miseravelmente, o que faz Tony perguntar: “Tecnologia do tal e tal?”. Nesse momento eu ri, e foi só aí (porque o meio do filme é cansativo pacas). Outro que tira grande proveito de suas (poucas) cenas é Mickey Rourke, que não sei se tá lá pra competir com o Robert Downey Jr no filme ou no duelo “astro que mais destruiu sua vida mas deu a volta por cima”. Eu ficava pensando que, no filme, o Mickey faria algo psicopatítico, como, sei lá, usar o palito de dente contra um pássaro. Mas não. Ele pendura dois guardas, só que não o vemos fazendo isso. Vemos apenas as patinhas no ar. Há um certo desperdício de maldade. Mickey está perfeito, ele fala russo e se move como um gato preguiçoso na parte da corrida de carros, mas seu personagem é confuso (ou alguém realmente entende sua motivação pra se vingar do Ferrudo?).
Em compensação, um ator que fica perdidaço é o Don Cheadle, que interpreta um militar amigo do Tony que mais tarde rouba uma de suas armaduras (não pergunte). Não conseguia me concentrar direito nele porque tentava me lembrar se ele estava em Homem de Ferro 1. E não é que não estava?! Seu personagem tava lá, mas não o ator. Substituíram um ator negro (o Terrence Howard; imagino que a troca foi efetuada por questões salariais) por outro, e pensaram que ninguém ia notar?! Quer dizer, eu não notei, mas é porque o personagem é olvidável. Os vilões são bem mais interessantes.
Mas quem precisa de vilão quando se tem um superherói como o Tony/Ferrudo? Ele é um narcisista que se vangloria de ser uma máquina mortífera e, assim, manter a paz. No início da trama, o Senado manda que Tony compartilhe sua tecnologia com o exército americano. Ele se recusa por querer ser o único herói por baixo daquela armadura e por ter medo que esse potencial bélico caia nas mãos erradas (ha ha), mas também por ele ser contra o Estado. Chega uma hora em que ele grita, orgulhoso, “Eu privatizei a paz mundial!”, e todos aplaudem. Bom, nesse caso não vou nem defender o Estado: odeio guerras, odeio máquinas de guerra, e odeio exércitos. Como diz o maridão, “você tem muito ódio nesse seu coraçãozinho”. Mas menos do que filmes como Homem de Ferro têm de cinismo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

CRÍTICA: 2012 / Nem vulcões e tsunamis salvam o fim do mundo

Na minha rua isso não acontece.

Fui ver 2012 sozinha, chuif, porque o maridão está disputando os Jogos Abertos de SC e não tive tempo de convocar algum amigo. O cinema estava lotado, e, ao sair, vi que os ingressos pra sessão seguinte haviam se esgotado. Talvez eu esteja exagerando, mas tinha uma fila que eu não via desde Titanic (bom, pra ser justa, poucas vezes vi o shopping tão cheio. Os comerciantes não vão poder reclamar deste natal). Mas o maridão queria ver o arrasa-quarteirão da vez, e me fez prometer que eu reveria o filme com ele quando ele voltasse. Portanto, durante a exibição, eu fiquei pensando: “Ah, zuzo bem, posso ver o troço de novo. Tô até gostando, olha só aqueles cinco prédios se chocando, deve ser ótimo rever isso. Uau, que efeitos especiais massa! Terremoto, tsunami e vulcão juntos! Sem problema, vou quebrar esse galho pro maridão”. Isso até chegar ao terço final. Aí minha atitude mudou, meu bumbum começou a ficar quadrado no assento, e eu pensei cá com os meus botões: “O quê?! Não, isso tá chato demais! Não vou aguentar um repeteco!”. Na saída, minha conclusão era que o maridão teria que me tratar muuuuito bem durante no mínimo três meses ininterruptos pra que eu aturasse um “vale a pena ver de novo”.
Gente, o que é aquilo?! O que aconteceu? As críticas que li até agora não mencionam isso que ficou claríssimo pra mim: a verba do filme acaba no terço final! É sério. Ok, pode soar estranho um orçamento de 260 milhões de dólares não ir até o fim da produção, mas eu juro. As imagens mudam de definição. Não sei se é digital ou o quê, mas sabe imagem de TV? De filme chinfrim feito pra TV? É assim que ficam as imagens no terço final, intercaladas com um ou outro efeito especial do tempo em que eles tinham dinheiro. Não tô brincando não. Quer uma prova definitiva? Durante um dos clímax do filme, no final, a câmera não mostra o que acontece. Focaliza o rosto de um carinha que apareceu três vezes até então. As expressões faciais dele substituem as imagens da catástrofe. Eu não sou boba e já vi um monte de superprodução e sei que não mostrariam as reações de um coadjuvante (praticamente um figurante) se tivessem alguma imagem melhorzinha pra mostrar. Não sei se a verba acabou de fato ou se as plateias-teste reprovaram e eles tiveram que refilmar um monte de coisa, mas que na fase-destino-do-poseidon do filme entra água, isso entra.
Não que uma tecnologia de ponta do começo ao fim salvaria o roteiro no terço final, porque não tem salvação. É só clichê, e qualquer um que já tenha ido ao cinema umas quatro vezes na vida pode prever tudinho que vai acontecer, quem vai viver, quem vai morrer. A única surpresa é a última cena, que não posso descrever aqui, mas que tem um viés político forte. Isso porque o diretor Roland Emmerich (dos péssimos Independence Day e Godzilla) deve gostar de política. Seu filme anterior, O Dia Depois de Amanhã, é quase panfletário (e sou grande fã de Dia).
É pena que 2012 vai piorando, piorando, até deixar um gosto muito ruim. Porque a premissa é boa, e poderia render umas discussões acaloradas. O mundo vai acabar em dezembro de 2012, como já previam os maias. A crosta terrestre esquentará demais devido ao alinhamento dos planetas, e caput, adeus Terra (não confie no meu rigor científico). O governo americano sabe disso uns três anos antes, e o que faz? Nada muito útil: constrói, em parceria com a iniciativa privada e outros governos ricos (nenhum país da América Latina), uma misteriosa nave para tentar salvar uma parcela da humanidade. E vende passagens. Entendeu? Não é que seleciona os melhores da espécie nem nada. Infelizmente, o filme peca pela falta de humor, porque uma das cenas de venda tinha tudo pra ser engraçada. Um negociante de vagas na nave discute o preço com um sheik do petróleo: um bilhão. E o sheik tenta negociar, diz que tem uma família grande, e que um bilhão de dólares por pessoa é um tanto quanto salgado. E o negociante corrige: que mané dólares? Um bilhão de euros! E não sei quanto a você, mas pra mim fica estranho que alguns poucos personagens do filme façam discursos comoventes sobre como devemos salvar o máximo de gente possível... e os escolhidos são todos bilionários! Lembrei daquela fala do John quando os Beatles fizeram um concerto prum público rico (“Queria pedir um favor para a nossa última música: as pessoas nos assentos mais baratos, batam palmas. E o restante de vocês, se vocês pudessem apenas chacoalhar suas jóias..."). Parafraseando, eu pensei em: “Quem quiser entrar na nave, por favor, chacoalhe suas jóias”. E não estou revoltada só porque eu seria extinta! (se o critério de seleção fosse os melhores da espécie, eu ainda teria alguma chance... not!).
Um tema legal seria discutir se o governo deveria avisar a população mundial com antecedência. Avisar pra quê, se o mundo vai acabar? Pra Lolinha poder se empaturrar de chocolate sem culpa? Não, o filme sugere que é pra que as pessoas possam se despedir de suas famílias. Daria um outro filme, né? O que aconteceria se todo mundo soubesse que o planeta tem prazo de validade pra terminar? Seria o caos, suponho. Ou seja: não daria pra anunciar. Ignorance is bliss, é isso?
Como este texto tá longo demais, pra variar, continuo depois. Mas, pra terminar, você quer ouvir as más ou as boas notícias primeiro? Ok, as más: não sobra um só brasileiro pra contar a história. Nem o Antonio Ermírio. As boas? Os argentinos sumirão da face da Terra. Essa eu já devo ter contado umas 2012 vezes. O fim está próximo, irmãos.Divulgação de 2012 em estação de metrô no Rio. Melhor que o filme.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

CRÍTICA: TRANSFORMERS 2, A VINGANÇA DOS DERROTADOS / Meu ódio será tua vingança

Não consigo nem legendar essa foto. Tem um carro cuspindo no Shia?

Meu nível de tolerância pra certas coisas anda caindo muito. Pra filmes, por exemplo. Estou começando a ter dúvidas sobre meu velho mantra - “tenho que ir ao cinema toda semana, tenho que ir ao cinema toda semana, tenho que ir ao cinema toda semana”. É verdade que tive que fazer isso durante dez ou onze anos, período em que mantive uma coluna de crítica de cinema (que eu sempre preferi chamar de crônicas de cinema) num jornal de SC. Como o jornal não gostava de publicar textos sobre filmes que não estivessem em cartaz, eu via (e escrevia) sobre qualquer migalha que passasse. Calculo, talvez, que meu fundo do poço tenha sido prestigiar a sessão de Garfield 2 (dublado, ainda por cima!). Quem mora em cidades grandes não entende. Joinville deve ser a cidade média com menor número de salas por habitantes. Só há cinco salas aqui. (Emergência: tive que interromper este post porque entrou um beija-flor no quarto. Beija-flor preso num quarto relativamente pequeno faz tanto barulho quanto helicóptero em filme de ação. O primeiro passo foi ir até o outro quarto fechar a porta para impedir que o gato viesse perseguir o beija-flor. Obviamente o gato é muito mais rápido que eu e ele já não estava mais lá. De volta ao Quarto Um, necas de beija-flor também. Agora tento encontrar gato e beija-flor. Gato encontrado, lá fora, no jardim. Felizmente, sem penas no canto da boca. Essas caseiras operações de guerra são bem mais interessantes que o último blockbuster). Cof cof. Vamulá, concentre-se no texto. Ok, já houve sete salas de cinema em Joinville, mas agora só há cinco. Se abrirem um novo shopping na cidade, no ano que vem, Joinville terá mais seis. Por enquanto, o que passa aqui é péssimo. Os filmes chegam antes a Blumenau e Balneário Camboriú, cidades muito menores (Floripa estava nessa escassez também, mas tudo mudou, e hoje a cidade tem um dos maiores índices de cinemas per capita do país). E nem sei se dá pra reclamar tanto, já que apenas 8% dos municípios brasileiros tem cinemas. Obviamente, ter muitas salas não é garantia de qualidade ou sequer de variedade (vide Estados Unidos. Pra quem mora em Nova York, Chicago, Los Angeles e um ou outro grande centro, belê. Chega até filme não-falado em inglês! Nas outras cidades, há poucas opções. A gente pode escolher se quer ver o espetáculo-fórmula de adrenalina, pra meninos, ou o espetáculo-fórmula de comédia romântica, pra meninas. A profecia pra lá de otimista do George Lucas, de que mais salas traria mais variedade e abriria espaço pros independentes, não se concretizou nos multiplexes).
Mas eu me perdi. Recentemente, uma leitora querida, a Tina, perguntou, escandalizada: “Por que você vai ver essas drogas?”. Nem lembro a que filme ela tava se referindo (Uma Noite no Museu 2? Presságio? Sim Senhor?). Na ocasião, recitei meu mantra pra ela. Mas sábado tive uma experiência metafísica: assisti Transformers 2. E aí me dei conta que joguei duas horas e meia da minha vida fora. E, se não tenho mais coluna de cinema no jornal, pra que esse sacrifício extremo de ver toda e qualquer bomba?
O que acontece é que não deve existir na face da Terra um filme menos feito pra Lolinhas do que Transformers 2. Tá, tinha o Transformers 1, mas naquela época eu mal sabia que o título se referia a um brinquedo dos anos 80. Agora eu sei, mais ou menos. Era um brinquedo pra garotos, né? (porque as brincadeiras de crianças são divididas por gênero, hoje talvez mais do que nunca. No ótimo romance Little Children, Pecados Íntimos, do Tom Perrotta, o narrador explica como funciona uma diversão com carrinhos entre duas crianças de três anos: “As crianças estavam concentradas num jogo de Car Doctor [Médico de Carros?]. Depois que Aaron realizava uma de suas batidas, Lucy examinava os veículos machucados, ouvindo-os com um estetoscópio e beijando-os para que se sentissem melhor. Nesse ponto eles estavam disponíveis para participar em outra colisão”). Transformers, o filme, é bem isso: um monte de ferro velho brigando com outro monte de ferro velho. E aí colocam umas vozes masculinas em cada lataria, mas as vozes parecem vir do céu, porque não tem nada a ver com os personagens. E são duas horas e meia disso. Depois de quinze minutos eu já tava cutucando o maridão e pedindo pra ir embora (a gente não deixou Speed Racer no meio?). Nada ali é pra mim. Um carro jogando líquidos na cara de uma mocinha? Não é pra mim. Um tentáculo sair do bumbum da mesma modelo? Não é pra mim. Uma tomada por trás da Megan Fox em cima de uma moto? Não é pra mim. Propaganda do poder bélico americano? Bom, você entendeu. (Eu acho que gostei do John Turturro dizendo “Isto é segredo de estado. Não conte pra minha mãe”. Mas tá no trailer. E por falar em mãe, teve uma hora que tanta coisa era tacada de um lado pro outro que tive vontade de gritar “Joga a mãe!”. Só que é o tipo de filme que joga a mãe mesmo. Literalmente).
Nada disso foi feito pensando em mim, e, inclusive, nem em você, a menos que você seja um menino de 12 anos. Que Transformers 2 seja um super sucesso da temporada, não importa. Que Shia LaBeouf seja o maior astro atual (hã? É sério isso? Quem é Shia? Ele tem algum carisma? Sabe atuar?), não me interessa. Eu não verei o 3 nem que seja a única atração passando nos cinemas. Antes de entrar na sessão, eu pensei que haveria pelo menos um ponto de identificação entre eu e o filme - o título. Sabe como é, Lolinha estudando pra concursos também pode ser vista como uma Transformer, uma que se transformou, e a nota que tirou na defesa de doutorado lhe vale o apelido de derrotada. A palavra vingança que não tem muito a ver. Mas enfim, nem essa identificação rolou.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

CRÍTICA: X-MEN ORIGENS WOLVERINE / Facas Ginzu com costeletas

A primeira faz tchun, a segunda faz tchan, e tchan tchan tchan tchan...

Preguiça de falar de X-Men Origens: Wolverine. Não porque seja a aventura mais detestável do mundo, porque não é. É só que ela está se esvaindo da minha mente a passos rápidos. E a preguiça do filme me contagia. Bom, pra começar, eu gosto de saber das origens dos super-heróis. Adoro quando o Peter Parker descobre que é uma aranha, como ele equilibra as bandejas na cantina. Seria legal ter mais disso em Wolverine. O problema é que o Wolve não tem super poderes espetaculares, lamento. Na infância, ele passa boa parte do tempo doente. Quando descobre seu dom, é só pra matar alguém que não merecia ser assassinado. Ele e seu irmão psicopata têm super poderes de destruição e de imunidade apenas. Podem destruir à vontade sem serem destruídos. E tudo bem, o Wolve talvez possa fatiar uma picanha melhor do que ninguém. Mas as facas Ginzu também fazem isso, e sem o pêlo facial que vem junto. Desculpe se estou reduzindo o Wolve, mas pra mim ele é pouco mais que uma faca Ginzu com costeletas.
Quer dizer, tudo bem que ele habita o corpo do Hugh Jackman, e isso vale pontos. Mas o Hugh tá meio bombado demais pro meu gosto. Peitoril imenso, bem maior que das mulheres com quem contracena. Um pouco Victor Mature (tá, essa ninguém vai lembrar). Talvez quem se saia um tiquinho melhor seja quem faz o irmão dele, o Liev Schreiber. Ele é feio mas fala bem as one-liners. Sabe, as frases curtinhas dedicadas ao vilão piadista? Algumas são o mais próximo que se pode ter de memorável num filme que não tem nada que me fará lembrar dele daqui a uma semana. Por exemplo, “Faz cócegas” e “Você é previsível”. Mais pra frente o cara se transformará no Dente de Sabre. Só pra tumultuar a vida de quem nunca sabe se é Sagre ou Sabre. Inferno. Adorei também o que uma mulher fala pra um dos vilões no final. Não posso dizer quem fala pra quem, mas posso dizer o que é: “Ande até seus pés sangrarem. E aí continue andando”. Puxa, isso é bem melhor do que “Vá ver se estou na esquina”. Vou adotar de agora em diante. Cadê meus trololós? Mas minha frase favorita mesmo é quando o Danny Huston diz pro Wolve “Seu país precisa de você”, e o lobudo responde: “Sou canadense” (sabem quem é o Danny, né? Irmão da Anjelica, filho do grande John. O cara tá em todas ultimamente. E eu gosto).
E ainda por cima a única moça do filme tem um super-poder que eu adoraria ter. Não posso falar muito pra não entregar toda a trama. Mas gente, esse poder dela é o sonho de consumo de toda esposa de um marido teimoso. Outro poder que eu fiquei urubuzando é o olhar fulminante do Scott, que mais tarde virará o Cíclope. Eu queria poder lançar um olhar pro pernilongo posando na parede. Eu dirijo meu olhar pro pernilongo e shhshh... Cheiro de pernilongo frito caindo no chão. Mas eu queria poupar a parede, de preferência. Os outros super poderes, sei não. Na realidade, acho que um monte deles imitam gatos. Garras retráteis? Presente. Pular alto? Presente. Desaparecer e se materializar num outro lugar, num piscar de olhos? É tudo que um gato faz nas raras horas em que está acordado. E não venham me dizer que Wolverine vem de lobo. Chama-se Wolve como podia se chamar qualquer outra coisa. Se a namorada tivesse falado pra ele sobre uma velha lenda indígena em que Chuchupaku era, sei lá, Ursinho Carinhoso em inglês, a gente veria o Hugh com um nome que combina mais com ele.
Achei os efeitos especiais cheesy, nada convincentes. Sério que isso custou 150 milhões de dólares? Ô coisa mal-feita! Principalmente quando o Wolve ainda tem garras feitas de osso. Quando ele evolui pra aço inox melhora bastante. Mas se o Wolve for até a sua casa e pedir pra usar o banheiro, não deixe! É estrago na certa. (Aliás, sei que seria difícil recusar um Hugh Jackman nu no seu celeiro, mas vai por mim: não vale a pena. Ele pode até ser um bom lobinho, mas tem inimigos malvados).
Um dos malvados, se é que eu entendi direito, é um boxeador que se chama Blob. Colocaram aquela cena do gordo só pra poder fazer piada de gordo, pra remeter o pessoal aos bons tempos de escola, onde o passatempo favorito era encontrar novos apelidos ofensivos pra atazanar o gordinho da turma. Como recordar é viver, põem o Wolve pra zoar do gordo. O pior é que não tem nada a ver com o personagem dele até então. Wolve é um cara sério, que não faz muita piadinha. Mas o gordo desperta o melhor em todos nós, não é mesmo?
Tem também um super que é um gênio. Senão, vejamos: o carinha odeia mutantes maldosos que o levaram pra uma ilha pra realizarem experiências com ele. Wolve está a uma garrinha de degolar um desses vilões. Aí surge o gênio pra lutar contra o Wolve, não contra o malvado. Ahn, vai que o gênio não tenha ido com a cara barbuda do Wolve. Não dava pra esperar que ele acabasse com o vilão pra depois disputar território com o lobo bom?
E lembram como eu falava que um bilionário mulherengo que cria armas de guerra não pode ser nunca um herói no meu livro? Então. Um cara que vive de derrubar árvores com serra elétrica tá no mesmo barco pra mim. No entanto, é como ouvi uma moça argumentar a favor de Wolverine: “Dois homens sem camisa se arranhando? Um ingresso, por favor”. Enfim. O filme pode ser legal se você queria ver transposto pro cinema como Wolve conseguiu sua jaqueta. Agora, se você, como eu, nem sabia que ele usava jaqueta, deve ter algo melhor passando no cinema. Putz, pior é que não tem!