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quinta-feira, 25 de junho de 2015

GUEST POST: ENTRE ÁSIA E EUROPA, VOLTEI AO VERÃO DE 1415

Mês passado a mestranda em Literatura Rachel esteve na Geórgia, e o que viu não foi bonito:

Acumulei um mês de experiências em um país exótico, de paisagens deslumbrantes, que esteve em todas as manchetes do país na última semana. Quando cheguei, não sabia que a forma como as pessoas se relacionam era tão selvagem como o fato de animais andarem pela rua da capital após uma devastadora enchente
Em um país de maioria ortodoxa, as mulheres têm os lábios selados quando estão em público. Mesmo com diplomas e carreiras promissoras, falar sobre relacionamentos, sexo e liberdade ainda são tabus nesta sociedade. Após uma palestra que ministrei em uma universidade na capital do país sobre os direitos das mulheres no Brasil, um espaço para debate foi aberto com as locais e também com estrangeiras que participaram da conferência. 
Mulheres de uma família em Tbilisi
Os casos eram absurdos, mas tratados com uma naturalidade incrível em um grupo feito apenas por mulheres, já que, na ausência da figura patriarcal, elas se sentiam menos tímidas em contar experiências que passavam, simplesmente pelo fato de serem mulheres em uma ex-república soviética com uma influência religiosa acima de qualquer coisa. 
Turistas inglesas visitam igreja
Kashveti em Tbilisi, capital da Geórgia
Para começar, devemos ter algumas coisas pontuadas: 1) a tradição em casar-se virgem ainda tem força no país; 2) mulheres são ensinadas a não falarem sobre sexo e permanecerem totalmente submissas em seus relacionamentos; 3) o “rapto de noivas” ainda era uma prática muito comum nos últimos vinte anos; 4) após a iniciação sexual, é recomendado que as mulheres permaneçam com seus parceiros durante toda a vida, negligenciando qualquer tipo de relacionamento abusivo ou infeliz. 
"Qual a diferença entre venerar mulheres
por serem 'comíveis' e colocá-las num
pedestal de pureza? Em ambos os casos,
o valor das mulheres é baseado na sua
habilidade em agradar homens e de
formar sua identidade sexual em torno
do que querem os homens"
Com todos estes pontos muito bem explicados pela bancada mista entre locais e estrangeiras, notei uma tendência que afetava especialmente a segunda parte das ouvintes: nós, estrangeiras, éramos tratadas como produtos baratos e alvos de sexo fácil, por virmos de países com uma liberdade sexual muito maior e com tabus quebrados há tempos. Foi nesta conversa que ouvi pela primeira vez o termo “Madonna-whore Complex”, que é algo que acomete grande parte da população masculina local. 
"Se você não fez sexo, você é moralista.
Se já fez, é uma vadia. É uma
armadilha", diz Ally no clássico
Clube dos Cinco, de 1985
Para os menos entendidos, o fenômeno do “Madonna-whore Complex” pode ser explicado pelo desenvolvimento psicológico de homens que veem dois tipos de mulheres: aquelas prometidas, virgens, futuras esposas, em sua maioria locais, são as Madonnas [não a pop star, mas a mãe de Jesus], as quais são podem ser maculadas e muito menos sexualmente desejadas. As prostitutas são as “outras”, estrangeiras que chegam ao país com um “apelo sexual” incontestável e a liberdade de se entregarem por não terem amarras com tradições culturais e/ou religiosas. 
Mar de Tbilisi, grande lago artificial a
20 minutos de carro do centro da
capital do país
Para ser clara, os homens deste país acham completamente comum terem parceiras fixas e se aventurarem com as outras, para satisfação sexual. Localmente falando, os relacionamentos íntimos entre os casais locais são de péssima qualidade; as mulheres não têm muita educação formal e não possuem voz sobre seus desejos e interesses. Enquanto isso, os homens enfrentam problemas sexuais e o número de tratamentos para diversas “dificuldades” na vida a dois está aumentando gradativamente. 
A desculpa geralmente dada pelos homens locais é a de que se encontram em um “relacionamento aberto”, o que é claramente um artifício para atraírem mulheres que, mesmo pertencendo a culturas mais liberais, gostariam de firmar um relacionamento sério. 
Quando nos voltamos às mulheres, a questão levantada é a de que ou elas não sabem sobre esses relacionamentos abertos (elas não podem ter contato com outros homens, já que isso as deixaria maculadas), ou elas vivem um silêncio forçado por saberem o que seus parceiros fazem, mas não podem se expressar por medo de sofrerem violência ou rejeição por parte da comunidade (uma mulher em um casamento -– a qual não é mais virgem -– não pode voltar à sociedade como solteira, pois se tornara impura). 
Moças aproveitam o verão
Com isso, os relacionamentos se tornam cada vez mais abusivos entre os locais, e as estrangeiras sofrem com o estigma de serem “prostitutas” em um país livre. Para mudar a mentalidade de um país com tradições tão severas, são necessárias décadas de educação, que ensinem aos homens que mulheres não são posses ou objetos sexuais. É necessário também que seja dada voz às mulheres, que tentam se modernizar em uma terra que parece ter saído do período medieval, mesmo com os ares da globalização batendo à porta. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

CRÍTICA: A CAÇA / Veja antes de tachar alguém de pedófilo

Antes da acusação

O dinamarquês A Caça, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes e concorre ao Oscar de filme estrangeiro, é um excelente trabalho de Thomas Vinterberg (diretor do celebrado Festa de Família, outro que trata do tema de abuso sexual infantil). É também um filme profundamente incômodo (trailer aqui), ainda mais pra quem está acostumado a ler relatos de abuso. 
Caça começa mostrando a rotina de um professor de jardim de infância, Lucas (o ótimo Mads Mikkelsen, que faz Hannibal numa minissérie que não curti, e o vilão de Cassino Royale). Lucas é adorado pelas crianças, principalmente por Klara, uma menina de 5 anos, filha do seu melhor amigo. 
Klara é bem solitária, e seus pais não lhe dão a devida atenção. Um dia, o irmão adolescente e um amigo, rindo, mostram alguns segundos de uma cena de filme pornô pra ela, e mencionam que o pênis na cena está duro como um bastão. Ela fica abalada ao ver aquilo.
Pouco depois, vemos que ela embrulha um coração de presente pra Lucas, e que, no meio de uma brincadeira com várias crianças, ela se joga sobre ele e lhe dá um beijo na boca. Lucas faz o que qualquer bom educador faria: explica pra ela que beijinho na boca, nessa idade, é só com papai e mamãe, e pergunta se ela não gostaria de dar o presente que fez pra outra pessoa. Ela se sente rejeitada.
Naquela mesma tarde, ao falar amenidades com a diretora da escola, Klara diz que odeia Lucas, porque ele é tonto, feio, e tem um pênis. 
A diretora ri e responde: “Assim como seu pai e seu irmão e todos os homens.” E Klara: “É, mas o dele é levantado como um bastão”. A gente percebe que ela está repetindo as palavras que ouviu do amigo do irmão sobre o vídeo pornô, e vemos também que ela mente ao dizer que Lucas lhe deu um coração. 
O que você faria no lugar da diretora? É necessário acreditar na menina, não é? (se tem um filme em que você deve se imaginar na cabeça de cada personagem, praticar empatia, e perguntar “O que eu faria, no caso?”, é este). 
A diretora conta a Lucas o mínimo possível: não fala pra ele exatamente do que foi acusado nem por quem, o que torna qualquer chance de defesa muito difícil. Ela chama um psicólogo para entrevistar Klara. 
A menina está lacônica, não quer contar nada, como é frequente em casos de abuso. 
O psicólogo se precipita, após o silêncio de Klara, e pergunta, “É verdade que você viu o pipi de Lucas?” Ela balança a cabeça, dizendo que não. Ele insiste, até que ela confirma o que ele quer ouvir. 
O jardim de infância tem que notificar a polícia. A diretora afasta Lucas e pede aos pais que observem qualquer sintoma de abuso sexual nos seus filhos. A partir daí, vira uma Escola Base (um enorme caso de linchamento midiático e pré-julgamento ocorrido em São Paulo; em março o escândalo completa vinte anos). 
É revoltante, destroem a vida de Lucas. Claro que na vida real não é tão fácil. A gente não vê tudo montadinho como em A Caça, em que fica evidente que nada daquilo aconteceu.
Na vida real, casos de denúncias falsas como a do filme são raros (e neste texto falarei apenas de abuso sexual infantil, não de estupros contra pessoas adultas). 
Este site americano diz que as denúncias falsas ficam em no máximo 2%, embora alguns artigos afirmem que elas não são tão incomuns, especialmente em disputas pela custódia dos filhos. Memórias falsas podem ser implantadas sim, e, em ambientes de tensão, qualquer beijo, qualquer banho, pode ser interpretado como abuso.
Como diz Gabel, “O abuso sexual praticado contra a criança é uma das formas de maus-tratos que mais se ocultam: a criança tem medo de falar e, quando o faz, o adulto tem medo de ouvi-la”. 
A palavra da criança sempre deve ter importância, porque na maior parte das vezes, ela é tudo que se tem. Em geral não há indícios físicos nem testemunhas. 
Mas crianças mentem. É muito raro mentirem sobre abusos, mas também pode acontecer. (e compreender isso é totalmente diferente de pensar que toda denúncia é mentirosa).
Sem falar que o que nós entendemos por mentira não é o que a criança entende. Para a psicopedagoga Maluf, a criança de até 6 anos não consegue distinguir a mentira –- um engano intencional -– de seus jogos de faz-de-conta -- a fantasia. A realidade para uma criança é diferente do que é para um adulto.
Por isso, é um trabalho complicado aquele do psicólogx que tem que avaliar um abuso sexual infantil. O profissional tem que acreditar na vítima mesmo quando ela nega ou silencia o abuso. Ao mesmo tempo, ele não pode ter certeza que o abuso ocorreu. E nem conduzir a criança para que ela responda o que ele quer (que é o que ocorre em A Caça). 
Outra coisa complicada é... ser homem. Há poucos privilégios femininos, mas tocar e beijar uma criança sem ser vista como uma pervertida é um deles (se eu, que sou mulher, já fico cheia de dedos em encostar numa criança, imagino como deve ser pros homens).
Como entre 90% e 96% dos casos de abuso sexual infantil são cometidos por homens, quase sempre conhecidos da criança, a sociedade é ligeira em desconfiar de homens que trabalham com crianças. Em denúncias de abusos infantis, costumamos abrir mão muito rápido da presunção de inocência, um princípio básico de direitos humanos. Acreditar numa criança que denuncia abuso também é básico. 
Esses princípios não são irreconciliáveis. É preciso acreditar na vítima para se iniciar uma investigação justa. Mas também é preciso muita, muita cautela antes de tachar alguém de pedófilo. Porque, se você fosse acusadx de cometer esse crime hediondo, como acontece com Lucas no filme, você não iria querer ter o direito de ser julgado (e defendido) antes que todo mundo se voltasse contra você? Eu sei que eu gostaria.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

CRÍTICA: AZUL É A COR MAIS QUENTE / A liberdade é azul

Não posso falar de um Azul que a galera já me pede pra falar de outro. Não, minto, já haviam pedido antes pra escrever sobre Azul é a Cor Mais Quente (veja o trailer legendado). 
Fui ver sem saber nada, só que era um filme francês sobre um caso de amor lésbico. Não sabia que durava três longas horas. Longas não necessariamente por serem chatas, mas porque o diretor franco-tunisiano Abdellatif Kechiche não quer saber de cortar. Qualquer diálogo besta, qualquer interação, é esticada a proporções épicas. Só eu que achei que dava pra contar a mesma história em duas horas, sem perder nada?
A história acompanha alguns anos da vida de Adèle, uma linda jovem de 15 anos. Vemos parte das suas aulas, um protesto estudantil de que ela participa, suas fofocas com as amigas. Ela namora rapidamente um rapaz da sua escola, um pouquinho mais velho, mas não está satisfeita -- quer algo a mais, sem saber o que é. 
Um dia, ela vê na rua uma moça de cabelo azul, Emma, e é amor à primeira vista. Elas se reencontram num bar lésbico e começam um relacionamento, que dura alguns anos. Vemos Adèle completar 18 anos, tornar-se professora. Vemos a carreira artística de Emma deslanchar. 
Vemos só um pouquinho de homofobia. Os pais de Adèle pensam que Emma a está ajudando com Filosofia, nunca que elas são amantes. O pior é quando as amigas de Adèle, ainda no ensino médio, veem Emma e suspeitam que Adèle é lésbica. E ela não se identifica como lésbica, não quer rótulos, está no início de suas descobertas. 
As amigas não aceitam essas respostas inconclusivas e decretam que, já que Adèle é lésbica, ela obviamente estará a fim de todas elas, um perigo. Espero que os homofóbicos, vendo essa cena, percebam como são ridículos (ainda mais depois que uma parte surpreendentemente enorme da população francesa saiu às ruas para lutar contra os direitos homossexuais!).

Diz a lenda que o diretor Kechiche ficou tão obcecado com sua jovem estrela que trocou o título do filme, baseado numa história em quadrinhos de Julie Maroh, Azul é uma Cor Quente, para A Vida de Adèle
Adèle Exarchopoulos é o nome da atriz. E aí se iniciam as polêmicas: tanto ela como Léa Seydoux (que faz Emma, e que já tem uma carreira mais consolidada), quanto boa parte da equipe técnica, se rebelaram contra o diretor. Adèle contou que ele a filmava até indo ao banheiro, e disse que não pretende trabalhar com ele novamente. Depois que Azul ganhou a Palma de Ouro em Cannes, as coisas parecem ter se ajeitado.
Então passemos ao que faz o filme ser tão falado: uma longa cena de sexo (uns sete minutos) bastante explícita entre duas mulheres, o que não é nada comum no cinema mainstream. De modo geral, eu acho cenas de sexo desnecessárias quando elas interrompem a narrativa. Mas não é o caso aqui. 
Afinal, se vemos toda a paquera que Adèle e Emma têm no bar, se vemos Adèle e seus pais comerem um prato inteiro de macarrão, se vemos toda a conversa sem graça entre Adèle e o namoradinho no ônibus, é óbvio ululante que veremos a transa inteira. Não tá interrompendo nada mesmo! 
E aí, o que eu achei dessa longa cena? Muitas coisas.
No final do ano, não sei se você lembra, a atriz Evan Rachel Wood reclamou da censura do sistema classificatório americano, que exigiu que uma cena de sexo oral numa mulher fosse cortada. Wood disse, e eu concordo, que o cinema não lida bem com o prazer feminino. Isso num filme com homem até no título (Charlie Countryman), em que Wood é uma mera coadjuvante. Daí, quando o cinema mostra sete minutos de prazer feminino, como no caso de Azul, a gente também reclama?! (a propósito, Azul recebeu a classificação mais proibitiva nos EUA, NC-17). 
Existe também toda uma questão acerca da orientação sexual das atrizes. Quase sempre, quem interpreta gays e lésbicas no cinema são astros héteros (Heath Ledger, Michael Douglas, Matt Damon, Annette Bening, boa parte do elenco de The L Word). 
Assim como, na questão da identidade de gênero, nos raríssimos momentos em que pessoas trans são focadas no cinema, quem as interpreta são atrizes cis (e fazem um belo trabalho: Hilary Swank em Garotos Não Choram, Felicity Huffman em Transamérica). É por isso que Laverne Cox vem chamando tanto a atenção na série Orange is the New Black -- por ser a primeira trans a interpretar uma trans! 
Pode parecer irrelevante, mas não é. Não é porque, pra começo de conversa, há pouquíssimos papéis para homossexuais e trans, e quando há, esses vão para atores e atrizes héteros e cis. A gente pode pensar em Shakespeare. Quantos protagonistas negros o grande Shake colocou nas quase quarenta peças que escreveu? Um: Otelo. Durante séculos, o papel foi feito por atores brancos com maquiagem que lhes escurecesse a pele. Um dos maiores Otelos de todos os tempos é Laurence Olivier. Hoje em dia, aliás, nos últimos cinquenta anos, não é mais aceitável que atores brancos façam Otelo. Por quê? Porque há um monte de grandes atores negros que podem muito bem fazer esse papel. E porque é considerado racista o uso de blackface hoje em dia (exceto pro pessoal de Zorra Total). 
Há pouquíssimos astros e estrelas hollywoodianas que saíram do armário. O motivo pra isso é a homofobia: considera-se que assumir-se homossexual limita a carreira. É aquele negócio: um cara pode interpretar um canibal serial killer que vem do espaço, mas, depois de se assumir gay, muita gente não vai conseguir acreditar no cara beijando uma mulher! 
Mas então, as duas atrizes de Azul são héteros. E, pelo que elas contam, as filmagens para aqueles 7 minutos de sexo caliente que aparece na tela levaram dez dias pra filmar. Dez dias em que as pobres atrizes tiveram que ficar nuas diante de uma equipe (e filmar sexo definitivamente não é tão prazeroso quanto fazer sexo. Como disse Michael Douglas ironicamente, na ocasião de Instinto Selvagem: "é um trabalho duro, mas alguém tem que fazê-lo"). Todos os relatos de Azul indicam que houve muita improvisação, em todas as cenas. Daí você coloca um diretor homem e hétero filmando duas atrizes hétero nuas numa cama e grita "Ação!" Humm... digamos que seria mais realista se pelo menos a atriz que faz Emma fosse lésbica?
Certo, eu não entendo absolutamente nada de sexo lésbico. Portanto, achei bacana a sequência do sexo. Pelo menos os caras homofóbicos que vivem repetindo que "sem pênis, não há sexo" terão dor de cabeça pra explicar o que Adèle e Emma fazem durante aqueles 7 minutos ofegantes. Manicure? Pilates? Sei lá, parece sexo pra mim. Achei bom que uma plateia não entendida possa assistir sexo lésbico (embora algumas pessoas tenham relatado risadas desconfortáveis e silêncios sepulcrais do público). 
Aí foram perguntar pra quem sabe: lésbicas. Pediram que elas comentassem a cena de sexo de Azul. Elas pareceram não gostar muito (favor abstrair a lésbica que é extremamente desrespeitosa com seu gato). Uma delas disse que ficou óbvio que se trata de duas atrizes hétero tentando fazer sexo para a câmera ("É, nunca vimos isso antes"). 
Outra protestou contra a mudança de posição sexual a cada dez segundos: "Pareceu um comercial para um produto de cozinha, mostrando todas as coisas que o produto pode fazer". É, se a gente considerar que é a primeira relação lésbica de Adèle, esse conhecimento todo que ela demonstra em cena soa um pouco exagerado. 
Vamos torcer para que diretoras lésbicas recebam dinheiro para fazer filmes pro cinema mainstream (e diretoras héteros também: dos 19 filmes em competição em Cannes 2013, só um havia sido dirigido por uma mulher). E que, quando diretoras lésbicas finalmente consigam realizar filmes com bom orçamento, elas façam obras mais ousadas que, por exemplo, Minhas Mães e Meu Pai.

Li posts melhores do que este sobre o filme. Este, da Lettícia, fala sobre as polêmicas. Gostei muito deste também. E deste da Jussara. E este é o máximo.