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sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

VAMOS AOS CHUTES

Aqui vão alguns dos meus palpites pro Oscar. Pra melhor filme, a Academia deve ir mesmo de “Brokeback Mountain”. Pode ser polêmico e tal, mas não consigo imaginar outro (talvez “Crash”?). Aliás, pras quatro primeiras categorias o favoritismo é grande. Ang Lee pra diretor, Philip Seymour Hoffman pra ator, Reese Witherspoon pra atriz. O Oscar tem ido pra atrizes bem jovens nos últimos anos. Duvido que a Felicity Huffman tenha alguma chance. Qualquer outro vencedor nessas quatro categorias será zebra pra mim.

Pra ator coadjuvante as coisas complicam. Talvez o Paul Giamatti seja o favorito. Seria uma espécie de compensação por ele ter sido esquecido por “Sideways” no ano passado, e ele é um ator respeitado. Mas, pelo que entendi, ele faz um treinador de boxe, e o Morgan Freeman acabou de fazer o mesmo papel em “Menina de Ouro”. Então eu vou de George Clooney, já que o prêmio de coadjuvante pode ser a única estatueta que leve na noite. Fora isso, ele não engordou não sei quantos quilos pro papel? O páreo vai ser duro aqui.

Pra atriz coadjuvante a Rachel Weisz é favoritíssima. É onde “O Jardineiro Fiel” tem mais chances.

Roteiro original: todo mundo tá apostando em “Crash”, inclusive eu. “Boa Noite e Boa Sorte” é a segunda opção, pois seria uma forma de premiar o George Clooney. “Syriana” é muito confuso; a Academia não gostou do último Woody Allen, “Ponto Final”, e que diabos é “A Lula e a Baleia”?

Roteiro adaptado: em geral, melhor filme leva melhor roteiro, daí “Brokeback Mountain”. Mas eu não descartaria totalmente “O Jardineiro Fiel”. O livro que gerou esse filme é o mais conceituado entre os cinco indicados. E “Capote” é amado pelos críticos americanos.

Fotografia: ish, não sei. Por mim eu escolheria o “Batman”, mas acho que “Memórias de uma Gueixa” e “Brokeback” estão um pouco na frente. “Gueixa” porque é o tipo de filme em que pouca coisa presta além da fotografia, “Brokeback” porque vai ganhar melhor filme. Mas depende de quantas estatuetas serão dadas pro drama do Ang Lee. “Boa Noite” é em branco e preto, todo mundo fuma no filme, e quando o pessoal fuma a fumacinha faz um belo contraste. “A Lista de Schindler” não ganhou?

Direção de Arte: se houver justiça vai pra “King Kong”. Afinal, eles recriam a Nova York nos anos 30 e uma baita selva. “Memórias de uma Gueixa” só recria uma vila japonesa, e quem sabe o outro filme de época, “Orgulho e Preconceito”, divida os votos com “Gueixa”. “Boa Noite” é todo dentro de um estúdio e tem montes de close-ups, nem prestei atenção na direção de arte.

Figurino: tem todos aqueles quimonos de seda em “Memórias de uma Gueixa”. Acho que leva. “A Fantástica Fábrica de Chocolate” é o mais moderninho entre os cinco indicados, mas só me lembro da roupa do Johnny Depp (aliás, como não indicaram o filme pra maquiagem? Ele tá a cara do Michael Jackson).

Edição: olha o nome do filme, “Crash”. Ainda não vi, mas com esse título parece favorito pra montagem. Se “Munique” não sair com as mãos abanando, leva esse.

Maquiagem: ué, o leão de “Crônicas de Nárnia” não foi gerado por computador? O mérito de “Nárnia” foi ter deixado a Tilda Swinton com cara de bruxa, mas convenhamos que não deve ter sido difícil. Eu apostei em “Nárnia”, mas com muitas reservas. A maquiagem de “Star Wars” deve ser melhor. E a de “A Luta pela Esperança” deve ser a mais realista, então não sei.

Som: nessa categoria costuma ganhar o filme mais barulhento, por isso “King Kong”. Só não sei se “Guerra dos Mundos” tira votos dele. “Johnny e June” é um musical, logo a mixagem de som é ótima (“Chicago” recebeu a estatueta nesse quesito em 2003; “Ray” em 2004). Mas “Kong” se destaca.

Edição de Som: não entendi o que “Memórias de uma Gueixa” tá fazendo aqui. Vou de “King Kong” mesmo.

Efeitos Visuais: “King Kong”, né? Pobre Spielberg. Nenhuma estatueta pra enfeitar a ladeira desta vez, e olha que dois filmes dele concorrem.

Trilha Sonora: pode ser que “Memórias de uma Gueixa” esteja um pouquinho na frente. Mas a trilha é do John Williams, que já foi indicado 45 vezes (todo santo ano sem falta) e ganhou cinco. E a de “Munique” também é dele. Os votantes devem ficar divididos. E também, gente, como que um filminho tão meia-boca como “Gueixa” pode levar tantos prêmios? A trilha de “Brokeback” parece ter uns três acordes e é assinada por um argentino. De repente o favoritismo do filme conte pro argentino ganhar essa.

Canção Original: não conheço nenhuma. Votei na de “Ritmo de um Sonho” porque tem gigolô no título. Deve ser a mais bonitinha. De qualquer modo, graças a Deus que só foram indicadas três este ano. Só três números musicais pra aturar!

Animação: tanto “A Noiva-Cadáver” quanto “Wallace e Gromit” usam a mesma técnica de fotografar massinha de modelar. Ambos receberam excelentes críticas. Qualquer um dos dois pode levar. Eu chutei o “Wallace” mas torço pra “Noiva”.

Filme Estrangeiro: parece que tá entre os dois concorrentes do Terceiro Mundo, “Paradise Now” da Palestina e “Tsotsi” da África do Sul. “Paradise” é mais elogiado, mas também é bem mais polêmico, e os votantes judeus podem não querer premiar palestinos falando de homens-bomba. Se “Tsotsi” tiver criança na história, ganha.

Seja o que Alá quiser...

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

OSCAR PULVERIZADO

Foi um Oscar chato, pra variar. Mas pelo menos foi mais curto e só houve três números musicais (um pior que o outro). Quem só viu pela TV aberta foi brindado com a arrogância da Globo, que achou melhor transmitir Big Brother do que uma festa assistida por um bilhão de pessoas que ocorre apenas uma vez por ano. Assim, perdemos as seis primeiras premiações e todas as piadas da abertura.

Foi também um Oscar bastante previsível e, principalmente, pulverizado, como há muito não se via. Quatro filmes ganharam três estatuetas cada: “Crash – No Limite”, “O Segredo de Brokeback Mountain”, “Memórias de uma Gueixa” e “King Kong”. Esses dois últimos receberam estatuetas técnicas, mas importantes. “Munique” e “Boa Noite, e Boa Sorte” não levaram nadinha. Os Oscars para Philip Seymour Hoffman, por “Capote”, e para Reese Witherspoon, por “Johnny e June”, eram esperadíssimos. Não houve surpresa, nem pra Reese, que agradeceu toda a sua árvore genealógica. O Philip ao menos ficou emocionado e nervoso. Pra atriz coadjuvante deu a lógica, a Rachel Weisz, por “O Jardineiro Fiel”, a única unanimidade do meu bolão. A escolha do George Clooney como ator coadjuvante por “Syriana” já deve ter sido bem mais difícil, já que o Paul Giamatti dividia os votos. Mas foi uma forma de premiar o bonitão mais político da noite.

Eu senti que “Paradise Now” não levaria melhor filme estrangeiro quando o José Wilker, comentarista da Globo, disse que “lógico que iria ganhar”. Não acho que foi propriamente uma surpresa a vitória do sul-africano “Tsotsi”. Pense bem: um drama com uma criança contra um drama sobre homem-bomba, feito na Palestina. O tema de “Paradise” acabou sendo polêmico demais pros velhinhos judeus da Academia.

Surpresa mesmo só na última categoria da noite, a de melhor filme. Todo mundo esperando a consagração de “Brokeback Mountain”, e o Jack Nicholson abre o envelope e dá “Crash”. Mas não diria que foi uma zebra. O que provavelmente aconteceu é que “Mountain” foi pintado como favorito há meses, e o pessoal não agüentava mais ouvir falar. Fora as piadinhas e sátiras de que foi alvo. E também, os votantes certamente adoraram “Crash”, ou senão não o teriam indicado pra seis categorias. Lembre-se que o filme foi ignorado pelo Globo de Ouro. No final, no Oscar, não houve a aguardada celebração gay. Pelo contrário, os três Oscars dados a um melodrama tão anos 40 como “Gueixa” mostram como o conservadorismo segue reinando forte na Academia.