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terça-feira, 12 de agosto de 2014

GUEST POST: CONTINUO VIRGEM, SOU ASSEXUAL, NORMAL

Uma das inúmeras coisas que aprendi com leitorxs é que a assexualidade é uma orientação sexual como qualquer outra, e, como tal, deve ser respeitada. 
Isso posto, perdoem o título meio sensacionalista acima, mas não pude me conter diante de uma provocação da T., a querida autora do texto a seguir:

Uns dois anos atrás escrevi pra você questionando sobre virgindade, em um post que você titulou de forma bem sensacionalista de “Tenho 22 anos e sou virgem, sou normal?” kkkkkkk Uma frase sua me incomodou profundamente, quando você disse: “não desistiria de algo que nunca experimentei”. Não te culpo, já que meu texto provavelmente levava mesmo a essa ideia. A verdade é que eu estava irritada comigo mesma por não funcionar como todo mundo funciona e muito da minha frustração e confusão passou para a escrita.
Resolvi mandar esse novo email devido ao guest post do seu blog “As muitas possibilidades da assexualidade”. Na época que escrevi pra você eu já buscava alguma informação sobre a minha completa indiferença sexual e encontrei a questão. Ao contrário da autora do post, eu não estranhei nem um pouco as definições, e automaticamente me vi em todas elas (embora admita que até hoje eu tenha um pé atrás com minha orientação, simplesmente porque é difícil assumir que você não encaixa no padrão, e não serei hipócrita para dizer o contrário). 
Percebi que muita gente não conseguiu entender o conceito e que mesmo você ficou confusa com alguns pontos, então talvez explicando como funciona comigo eu ajude um pouco.
Tenho hoje 24 anos, beijei duas pessoas durante toda a minha vida, e a única coisa que senti em ambos os casos foi desconforto. Só me lembro de ter sentido atração sexual por alguém uma vez, quando eu tinha quatorze anos e meu objeto de desejo foi minha melhor amiga, com quem tenho uma imensa afinidade. Um dia estávamos conversando e eu olhei para ela e a achei tão linda que quis beijá-la, mas alguns momentos depois a vontade já tinha sumido e nunca mais senti o mesmo, nem por ela nem por ninguém.
Me identifico como assexual arromântica, não me interesso sexualmente nem romanticamente por ninguém. Aliás, sou a campeã do mimimi da friendzone e já me afastei de várias pessoas simplesmente por que elas não entendiam que eu só as queria como amigas. Dou imenso valor à amizade sincera e não consigo entender por que todo mundo a considera um “prêmio de consolação”.
Mas mesmo me identificando como arromântica a coisa não é simples assim. Admito que me sinto sozinha e cabe dizer que durante uma fase tentei me forçar a ter interesse por algumas pessoas por quem tinha certa afinidade. Obviamente a situação foi desastrosa, nunca consegui olhar outra pessoa como parceirx em potencial e assim que percebia que o indivíduo estava querendo algo mais eu ficava desconfortável, me esquivava. 
Pessoas assexuais são tão
variadas romanticamente
quanto as sexuais
(clique para ampliar)
Como a frustração consumia até mesmo a afinidade inicial, desisti e voltei a desencorajar qualquer investida. Uma coisa, aliás, que ouço com frequência de outros assex, mesmo os arromânticos, é essa vontade de se relacionar mais profundamente com alguém. Somos educados para acreditar que o amor romântico (e sexual) é o único que pode completar (argh, odeio essa expressão), então é difícil de acreditar na sinceridade de uma pessoa que só está a fim de ficar perto de você. Para alguém sexual que esteja apaixonado por um assex, esse tipo de relação deve ser difícil de encarar.
Referente à questão da libido, é um sentimento comum em outros assexuais. Eu me refiro à libido como excitação pura e simples, sem o foco em alguém. Particularmente acho sexo uma coisa fascinante e linda, adoro pornô, me masturbo com frequência e, por mais estranho que pareça, isso não é contraditório. Tente pensar da seguinte forma: a heterossexualidade não se define como interesse por sexo; ela é a atração sexual por alguém do sexo oposto. Isso é o que não tenho. Por exemplo, nunca fantasiei com ninguém enquanto me masturbo, já tentei e a excitação foi embora. O que eu gosto é da sensação de prazer, do orgasmo e só.
O argumento do “não achei a pessoa certa” é inútil. Digo com toda sinceridade que se Channing Tatum, Michael Fassbender ou o Idris Elba, que acho uns lindos, ou mesmo o Neil Gaiman com a Amanda Palmer, a quem além de achar lindos admiro muito, se materializassem na minha frente abençoados pelo deus do tesão querendo enlouquecidamente sexo comigo, eu iria oferecer uma água e a gente provavelmente ia acabar o dia falando de nerdice enquanto come bolo.
Ótimo argumento: "Se existe sexo
sem amor, por que as pessoas não
entendem que amor sem sexo
também existe?"
Não é assim com todos os assex, alguns sentem desejo por seus pares em ocasiões específicas ou com o já citado forte envolvimento emocional. A maioria é romântica e sofre em relacionamentos, ou porque transa pra agradar, ou porque o parceiro acha que a falta de desejo também é falta de amor.
Minha indiferença à pegação também não é padrão: muitos gostam de carinhos físicos, beijos, abraços etc. Sei que os incrédulos duvidam, mas faço outra analogia: todo beijo, abraço e carícia que você faz no seu parceiro é de cunho sexual? É uma preliminar? Te deixa excitado? Acho que não.
Outra coisa que ouço muito é sobre qual a importância de se categorizar tanto. Essa é a mais fácil de responder: para que você não se sinta um alien, para que seu/sua parceirx entenda que elx é lindx, e que não é que elx não seja desejável, é só que isso não importa pra você. Para que você não sofra tanto tentando se enquadrar em algo que não é. Só conseguimos lidar com nós mesmos a partir do momento que a gente se conhece e que entende que não é o fim do mundo ser como se é, que sua vida não acabou e que você ainda merece o mesmo que todo mundo.
Em relação à ideia ridícula de associar a assexualidade com o mito da baixa libido feminina: sinto decepcionar os mascus de plantão, mas a comunidade é bem dividida. E, se não me engano, a balança da maioria pende mais para os homens.
Lembrando que ninguém é como eu, não tenho a pretensão de falar verdades universais e para quem quer respostas técnicas recomendo a pesquisa da Elisabete Regina Oliveira, uma das poucas pesquisadoras do tema no Brasil (eu sou pobre de marré e não entendo inglês, então o material nesse idioma não me serviu de nada). Ela deu uma entrevista não tão boa para a Marília Gabriela. A palestra na biblioteca da USP é mais esclarecedora.
Se quiser conhecer existe a comunidade assexual. E algumas páginas no Facebook também.
Acredito que sexo não define nada sobre ninguém, nem quando você faz muito, nem quando você não faz nada. E acho que fazer com que as pessoas lembrem-se disso vale a tentativa.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

"A FACULDADE É ASSUSTADORA PARA FÓBICOS SOCIAIS?"

A C. me enviou esta dúvida:

Olá Lola, imagino que já esteja acostumada às merecidas congratulações pelo seu espaço, mas estendo-as a você de qualquer forma.
Bom, gostaria de descrever minha situação e pedir um insight, tanto seu, se possível, já que você está há muito inserida no ambiente acadêmico que é o assunto último da questão, quanto de qualquer um(a) com experiência diferente, se você quiser publicar.
Eu tenho 25 anos e desde os 8 sofro de ansiedade e intermitente depressão, de forma que hoje se encontra em quadro crônico. Como conhecedores bem sabem, esses dois distúrbios costumam ser acompanhados por outros relacionados, em menor ou equivalente escala; no meu caso seria um leve TOC e uma significante fobia social. Juntando-se isso à minha introversão e timidez (são coisas diferentes, mas costumam coexistir), e à assexualidade que apenas recentemente comecei a aceitar, dá pra imaginar que eu não seja exatamente a alma de nenhuma festa.
Mas ok, não tenho intenção ou ambição de ser. Fora a melancolia quase perene, e as dificuldades de rotina que a depressão e ansiedade me causam, eu realmente não tenho nenhum problema inerente com as outras características. Não, pelo menos, até que elas contrastem diretamente com algum ambiente em que sejam, hmm, não lá muito coerentes com o habitat. Tipo o acadêmico. Eu realmente não sou fã. Sem entrar em extensivos detalhes, vamos dizer apenas que não houve uma instância sequer, desde o jardim de infância ao fim do colegial, em que eu não tenha passado um bocado bíblico de bullying.
Foram “brincadeirinhas” com mijadas, agressões físicas diversas, o mais pacífico e bem vindo ostracismo, as mais comuns e por algum motivo mais dolorosas humilhações de apontar e rir (por que será que ter um monte de gente rindo de você parece tão pior que levar uma bola de basquete na nuca?) das quais não raramente os professores também participavam, e é claro, as insinuações sexuais das séries mais tardias (e a eventual experiência nojenta, mas isso é outra história). 
É dizer pouco que fiquei besta de feliz ao concluir esse trâmite social. Mas daí veio aquele outro detalhe do processo humano moderno, que é o de que a gente precisa de dinheiro, e dinheiro ocorre com trabalho, e trabalho, segundo a lenda vigente, é o castelo além do dragão da faculdade. Poxa, e agora?
Veja que pela minha idade eu consegui evitar a questão por tempo. Trabalhei com telemarketing por um ano, e depois em uma livraria. Estou, no entanto, há 6 meses desempregada, e minha experiência parca, e completa ausência de qualificações (fora meu impecável, ainda que autodidata, inglês) não facilitam muito (acho que meu carisma nas entrevistas também não). 
Pois bem, pensando exatamente nessa qualidade, minha facilidade com o inglês e (se posso incorrer em ligeira bajulação própria) português, estive considerando tradução como uma opção relativamente certeira, ainda mais considerando a solidão e prospecto de trabalho domiciliar associados. 
Gostaria portanto de saber, por meio de alguém da área, o quão hostil, ou não, seria o ambiente universitário, a alguém com essas condições. O que vejo de relatos me faz presumir que sim, mas pensando que o que leva ao relato público é indignação e injúria mais que satisfação, penso que pode ser uma visão muito parcial das coisas.
Gostaria muito do esclarecimento. É possível uma vida universitária enquanto introvertido, basicamente antissocial?
Se for o caso de me recomendar terapia, devo informar que já estou sob tratamento, mas que bem, não é tão simples quanto o popular “vai se tratar” inspira. Não existe terapia mágica que desconstrua facilmente o condicionamento psicológico de uma vida toda, e nem todos tem a sorte fisiológica de responder positivamente a psicotrópicos. 
Eu não sei quando, ou se, estarei jamais desobstruída desses fatores. Então é a partir dessa condição, e sob seu prospecto, que pergunto.
Agradeceria muito o retorno, mesmo que venha a ser desanimador.

Minha resposta: Querida C., vamos ver as experiências de leitoras e leitores. Eu só posso falar da minha. Passei muitos anos em ambientes universitários como aluna, e hoje continuo nesse ambiente, mas como professora. Imagino que dê pra ser não sociável sendo professor (embora não ajude de jeito nenhum). Como alunx é mais complicado.
Minha primeira faculdade foi a de Publicidade e Propaganda, na FAAP, em SP, no final dos anos 80. Tive muito pouco tempo de interagir com meus colegas, pois eu ia direto do meu trabalho, numa agência de propaganda onde era redatora, pra faculdade, à noite, e sempre chegava super atrasada. Lembro de pouca coisa: de brigar com um professor porque eu achava Roland Barthes um modismo, de fazer amizade com uma menina deslocada, de emprestar um livro que eu amava, Teenage Romance, pra um colega que queria traduzi-lo -- e nunca mais ver o livro, lógico. 
Ah, teve algo muito gostoso! Uns alunos adaptaram um poema meu e encenaram uma peça teatral. Foi bem emocionante.
Larguei a faculdade no meio por uma série de motivos (o principal é que eu não passava na primeira matéria, pois sempre chegava atrasada). E me arrependi. Eu devia ter continuado. É muito, muito mais fácil fazer faculdade com 20 anos que com 30.
Mas foi com 30 que voltei a uma faculdade, desta vez para uma especialização em inglês, na Univille, em Joinville. Eu era a única aluna sem graduação numa turma de 25 alunas (acho que só tinha um homem), quase todas professoras (como eu era), algumas secretárias. Eu realmente não sei porquê, mas me dei bem com toda a turma. Acho que me destaquei rapidamente e assumi uma postura de "Posso ajudar?". Que é muito melhor que ser arrogante, certo? 
Eu era bacana com toda a turma, professorxs inclusas, e a turma retribuía sendo carinhosa comigo. Tanto que no dia do meu aniversário levaram um bolo e interromperam a aula pra cantar parabéns e tal. Nunca vou esquecer, porque foi tão inusitado. Fiz grandes amizades nessa turma e também ótimos contatos profissionais, incluindo aí meu futuro orientador no doutorado na UFSC (ele foi professor de uma das disciplinas na especialização). Mais tarde dei aula de inglês e treinamento de professores para várias colegas. Ou seja, compensou muito ser sociável e prestativa. 
Essa excelente experiência não se repetiu quando voltei à graduação, desta vez em Pedagogia. Comecei na Univille, e pude utilizar vários dos créditos que tinha da faculdade de propaganda. Portanto, não cursava muitas aulas com minhas colegas, e não me entrosei. Mas havia outra coisa: eu estava lá pelo diploma. Precisava do diploma pra poder fazer o que eu realmente queria (e já me sentia capacitada a fazê-lo), que era o mestrado em Literatura em Língua Inglesa na UFSC. Essa não é uma boa postura. 
Depois de um ano, me transferi para uma outra faculdade particular (curso público e gratuito em Joinville na época -- final dos anos 90 --, só os de Exatas), a Associação Catarinense de Ensino (ACE). Fiz isso pra economizar um ano de curso e R$ 4 mil no total (que na época era uma fortuna pra mim: um quinto do que eu ganhava por ano). 
Foi um tempo difícil, porque eu estudava de manhã, das 7:30 às 11:30, e trabalhava como professora de inglês e coordenadora acadêmica numa escola de idiomas, das 14 às 22. E já estava escrevendo pro jornal! Não sobrava tempo pra nada (tipo hoje). Quando chegou a hora de fazer estágio, teve que ser no horário de almoço mesmo...
Como só cheguei na ACE no segundo ano, todos os grupos que apresentam trabalhos juntos, todas as panelinhas, já estavam formados. Eu me juntei a três outras alunas que também estavam chegando atrasadas. Não foi a melhor atmosfera. Eu não era antissociável, mas meus interesses eram completamente diferentes aos do resto da turma. Eu tinha tão pouco tempo livre que preferia aproveitar intervalos (e aulas que eu considerava que não estavam me acrescentando nada) para discretamente pegar um livro e ler. 
O episódio em que eu quase fui linchada na faculdade por uma crônica que escrevi pro jornal também não ajudou. Imagine se eu tivesse o blog! 
Entrar pro mestrado foi uma maravilha. Mas, de novo, olha a diferença de postura: eu fazia faculdade pelo diploma, como uma obrigação, um fardo; eu ia fazer mestrado pelo prazer de estudar. E eu amei o mestrado. Sei que sou ingênua, mas nunca percebi nenhum clima de competição entre os colegas. Era cooperação, colaboração, não competição.
O doutorado foi bem mais solitário, mas também foi ótimo. Não posso reclamar de nada.
Depois eu ainda enfrentei uns poucos meses de graduação a distância. Olha, ainda bem que foram poucos.
Ok, não respondi em nada sua pergunta, né? Bom, sinceramente, eu diria: fuja dos trotes. A maior parte é uma estupidez preconceituosa. Dizem que eles integram, mas creio que há outras formas de integração. E, se você já não é muito festeira, não precisará disso.
Acho que ser simpáticx e sorridente são qualidades que fazem o mundo melhor, então faça um esforço. Cara fechada afasta, e você não quer afastar toda a galera na faculdade. Você vai precisar de grupos pra fazer trabalhos, não tem muito como fugir disso. Então tente se envolver com colegas com quem você tenha afinidades. E não só dentro da classe. Não se restrinja a sua turma. Se puder, entre num coletivo feminista. Tente aproveitar a faculdade também para conhecer gente boa. Tem muita gente boa no mesmo barco!
Desculpe não poder te ajudar muito. Sei que estou passando por cima dos vários problemas que você mencionou (fobia social, ansiedade, depressão, TOC etc). Tudo isso, óbvio, faz com que sua situação seja bem mas difícil que ser meramente antissociável. Mas espero que você consiga ter uma boa experiência universitária.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

GUEST POST: AS MUITAS POSSIBILIDADES DA ASSEXUALIDADE

A Eli me enviou este post pra comemorar a Semana da Visibilidade Assexual, que aconteceu no final de outubro. 
Mas eu esqueci (desculpe, gente!). Ainda assim, considero que a assexualidade seja um assunto relevante, e que sempre é deixado de lado quando se fala de orientação sexual. 

A primeira vez que eu entrei em contato com o termo “assexual” foi no blog da Lola através de um guest post. Mas ao mesmo tempo que aquilo parecia ser eu, também não parecia. Eu havia pensado na possibilidade de eu ser demissexual [quem sente atração sexual por alguém apenas quando sente atração romântica], mas como não havia conseguido entender direito coloquei esse pensamento no fundo da minha mente e esqueci.
Há alguns meses eu me deparei com o termo novamente e decidi pesquisar com a certeza de que eu não era aquilo e iria comprovar isso. Horas depois eu ainda possuía um grande sinal de interrogação na cabeça, mas uma quase certeza de que eu era realmente demissexual.
A certeza e o conforto vieram de ativistas e de pessoas assexuais comuns que discutem suas experiências. Com o tempo eu fui entendendo esse mundo melhor e entendendo onde eu me encaixo em tudo isso. O contato com a comunidade me faz refletir e aprender uma coisa nova todo dia. Porém eu sou privilegiada por ter conhecimento em inglês. A falta de material, de informação e de uma comunidade brasileira, além da invisibilidade e do apagamento de assexuais, impedem muitas pessoas de se identificarem ou de nos compreenderem, e é pra essas pessoas que eu escrevo.
Eu não conseguiria explicar a assexualidade sem explicar as diversas formas de atração. A primeira delas é a atração física/estética, que é simplesmente achar alguém bonito, atraente; a atração romântica é se apaixonar e desejar entrar em um relacionamento amoroso com determinada pessoa; a atração sensual é o desejo de praticar atos sensuais (mas não sexuais) com outra pessoa, como beijar, abraçar, tocar; a última é a atração sexual que nada mais é que o sentimento que faz com que as pessoas desejem fazer sexo com outra pessoa.
É esse último tipo, a atração sexual, que a pessoa assexual não possui. Logo, uma pessoa assexual é alguém que não sente atração sexual. Isso não é uma escolha, assim como homossexualidade também não é -- trata-se de uma orientação sexual, que já foi constatada até mesmo em outros animais. 
Como cada indivíduo é único e possui desejos e sentimentos diferentes, existe também uma variedade de indivíduos assexuais. Existem assexuais que se apaixonam, que desejam relacionamentos, que não desejam relacionamentos, que tem a libido alta, que se masturbam, que querem fazer sexo, que fazem sexo, que gostam de fazer sexo, que não fazem sexo... E o que une todas essa pessoas diferentes é simplesmente o fato de não sentirem atração sexual. [Nota da Lolinha: Eli, isso tá confuso! Como assim, têm a libido alta e não sentem atração sexual?!]
Entretanto, nada no mundo é apenas preto e branco. Quando falamos em (a)ssexualidade devemos compreender que existe um espectro que parte de uma pessoa totalmente sexual até uma pessoa totalmente assexual. Mais próximo da assexualidade existe um grupo de pessoas denominadas Gray-A(ssexuais). Essas pessoas podem se identificar desse modo por várias razões diferentes, como, por exemplo, sentirem atração sexual raramente, muito baixa ou somente sob determinadas circunstâncias.
Dentro da Gray-Assexualidade existe uma categoria chamada de demissexualidade. Pessoas demissexuais entrariam na categoria de Gray-As que sentem atração sexual sob determinadas circunstâncias. A circunstância de demissexuais é a de que haja uma conexão intelectual e/ou emocional com outra pessoa. A princípio parece puritanismo, mas não é. Novamente não é uma escolha: do mesmo modo que uma pessoa sexual não escolhe por quem ter uma atração sexual, uma pessoa demissexual também não. 
Essa conexão normalmente demora meses ou anos para se formar até que chegue ao ponto do indivíduo sentir a atração sexual, e obviamente nós não vamos sentir atração sexual por todas as pessoas com quem tivermos um tipo de conexão, senão eu sentiria isso até pelo meu pai. 
O fato de Gray-As e demis se inserirem na comunidade assexual se dá justamente por esses compartilharem experiências parecidas com assexuais e por se identificarem mais com assexuais do que com sexuais, afinal essas pessoas normalmente passam por longos períodos em que se identificariam como assexuais, conseguindo até mesmo contar o número de vezes que sentiram atração sexual.
A comunidade não é excludente. Tanto pessoas trans* como homossexuais, bissexuais, e panssexuais podem se identificar como assexuais. É comum encontrar pessoas que se identificam como assexuais, mas que romanticamente sentem atração pelo sexo oposto (assexual homorromântico) e afins.
Eu sei que se compreender e se aceitar é uma longa jornada, mas lembre-se que existem muitas outras pessoas lá fora que se sentem como você. Você não é quebradx, não é anormal, não é um robô. É uma pessoa como outra qualquer, com sentimentos e necessidades.

Para quem quiser saber mais, eu aconselho a AVEN (Rede de Visibilidade e Educação Assexual), em inglês, o fórum sobre assexualidade em português, e eu estou começando um tumblr sobre assexualidade, em que responderei dúvidas, ouvirei desabafos e discutirei assuntos relacionados à assexualidade. Mas também responderei dúvidas neste post.