Hoje fiquei sabendo de uma curiosidade muito interessante.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022
MADONNA E BASQUIAT NAMORARAM ANTES DA FAMA (DELA)
quarta-feira, 12 de janeiro de 2022
MINHA MÃE NÃO ACABOU UM QUADRO. VOU EMOLDURÁ-LO
terça-feira, 5 de janeiro de 2021
DIVA, OU POR QUE UMA VAGINA INCOMODA TANTO?
A artista plástica Juliana Notari construiu uma vagina de 33 metros na Usina Santa Terezinha, zona rural de Pernambuco. Com isso, está provocando a maior raiva da extrema-direita brasileira desde o QueerMuseu, em 2017.
Tipo: alguma moralista de plantão reclamou: "cenário de filme pornô". Porque essa gente detesta filme pornô, né? Tem até incel marcando um "punhetaço" ao redor do "bucetão". "Vá em celibato para melhores efeitos", recomenda o cartaz.
Em entrevista ao Metrópoles, Juliana explicou: “Eu busco tratar da reflexão acerca da desigualdade de gênero e também da destruição do planeta Terra, como entidade e ser vivo. A vulva representa o nascimento, de onde vem a vida, e a obra construída na terra relembra para onde todos vão após a morte, de volta à natureza".
Diva é uma Land Art, uma enorme escavação em formato de vulva/ferida medindo 33 metros de altura, por 16 metros de largura e 6 metros de profundidade, recoberta por concreto armado e resina.
Agradeço a Roberto Gatis pelo profissionalismo, paciência e sensibilidade (que contradiz a fama dos engenheiros) e a todos os homens que trabalharam na obra: Felipe, Ricardo, Bergue, Irmão Elias, Lilo, Nem, Lorinho, Garanhão, Nó, Jau, Fernando, Pó, Renildo, Nando, Pombo, o filho do irmão Telmo e os que agora não lembro o nome.
PS: Diva é fruto da minha residência artística na Usina e de um convênio da Usina de Arte e do Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM).
sexta-feira, 12 de outubro de 2018
COMO EXPLICAR A LEI DA GRAVIDADE PARA QUEM AINDA CRÊ QUE A TERRA É PLANA?
quarta-feira, 18 de abril de 2018
POR QUE OS AUTORITÁRIOS ATACAM AS ARTES
Segundo ele, é "um alerta interessante sobre como as artes são fundamentais para a nossa sobrevivência enquanto sociedade".![]() |
| "Arte degenerada", exposição de arte em Berlim, 1937 |
Em 1937, líderes em ascensão do Terceiro Reich organizaram duas exposições de arte em Munique. Uma, a “Grande Exposição de Arte Alemã”, apresentava a arte que Adolf Hitler considerava aceitável e representativa de uma sociedade ariana ideal: representacional, apresentando pessoas loiras em posições heroicas e paisagens pastorais do interior alemão.
A outra apresentava o que Hitler e seus seguidores chamavam de “arte degenerada”: obras modernas ou abstratas, e arte produzida por pessoas rejeitadas pelos nazistas -- judeus, comunistas ou suspeitos de serem uma coisa ou outra. A “arte degenerada” foi apresentada em caos e desordem, acompanhada por rótulos depreciativos, grafites e fichas catalográficas descrevendo “os cérebros doentes daqueles que manejavam o pincel ou o lápis”. Hitler e aqueles próximos a ele controlavam estritamente como artistas viviam e trabalhavam na Alemanha nazista, porque compreendiam que a arte poderia desempenhar um papel-chave na ascensão ou queda da sua ditadura e a realização de sua visão para o futuro da Alemanha.![]() |
| "Não sei nada de arte mas sei o que odeio" - Trump sobre recursos para o NEA |
Mas como Hitler compreendia, artistas desempenham um papel de destaque no desafio ao autoritarismo. A arte cria caminhos para a subversão, para entendimento político e solidariedade entre criadores de coalizão. A arte nos ensina que outras vidas além das nossas próprias possuem valor. Como um bobo da corte que pode caçoar abertamente do rei em sua própria corte, artistas que ocupam posições sociais marginalizadas podem usar sua arte para desafiar estruturas de poder de maneiras que de outra forma seriam perigosas ou impossíveis.
Líderes autoritários ao longo da história intuíram esse fato e agiram de acordo. O governo stalinista da década de 1930 exigia que a arte seguisse rígidos critérios de estilo e conteúdo para assegurar que ela servisse exclusivamente aos propósitos da liderança estatal. Em suas memórias, o compositor e pianista Dmitri Shostakovich conta que o governo stalinista sistematicamente executou todos os poetas populares da Ucrânia soviética. Quando Augusto Pinochet tomou o poder no Chile em 1973, muralistas foram presos, torturados e exiliados. Logo após o golpe de Estado, o cantor e artista de teatro Víctor Jara foi morto, seu corpo crivado de balas e exibido publicamente como um aviso aos outros.
No seu livro Brazilian Art Under Dictatorship [nota: já disponível em português, como o título Arte Brasileira na Ditadura Militar], Claudia Calirman conta que a diretora de museu Niomar Moniz Sodré Bittencourt precisou esconder obras de arte e aconselhar artistas a deixar o Brasil após autoridades entrarem em seu museu, bloquearem a exposição e ordenarem que as obras fossem desmontadas porque continham imagens perigosas, como a fotografia de um militar caindo de uma moto, o que era visto como algo embaraçoso para a polícia. Tal intervenção extrema pode parecer distante dos EUA de hoje, até nós levarmos em conta episódios como a condenação pública do presidente ao elenco de Hamilton, após o grupo ter feito um comentário razoavelmente inofensivo direcionado ao vice-presidente Mike Pence.
Em sua última rodada de doações, o NEA doou 10 mil dólares a um festival de música no Oregon para financiar uma performance de dança feita por pessoas em cadeiras de rodas e aulas de danças para pessoas que utilizam aparelhos de locomoção. Um centro cultural na Califórnia recebeu 10 mil dólares para sediar workshops organizados por artistas muçulmanos, incluindo um artista de hip-hop, um comediante e cineastas.
Um coro em Minnesota recebeu 10 mil dólares para criar um concerto destacando as experiências da juventude LGBTQ, para ser apresentado em escolas públicas de St. Paul. Cada uma dessas doações apoia as vozes das mesmas pessoas que o atual governo tem zombado, descartado e prejudicado. Pessoas jovens, pessoas queer, imigrantes e minorias há tempos utilizam a arte como meio de desmantelar as instituições que nos silenciariam primeiro e nos matariam depois, e o NEA é uma das poucas instituições de grande alcance que apoiam esse trabalho.
Analistas americanos balançaram a cabeça em sinal de desaprovação quando o artista performático Danilo Maldonado foi detido e preso por criticar o regime de Castro, e quando o escultor e fotógrafo chinês Ai Weiwei foi posto em prisão domiciliar e seu estúdio demolido pelo governo. Mas mais perto de casa, é imperativo que entendamos do que se trata de fato o ataque de Trump às artes.
Não se trata de fazer da América um lugar monótono e infeliz, nem se trata de uma crença na austeridade e em negar recursos às comunidades carentes. Assim como o desaparecimento de informações de sites do governo e a exclusão de repórteres críticos de reuniões na Casa Branca, essa ação sinaliza algo mais amplo e mais ameaçador do que a inabilidade de um grupo de pessoas em fazer seu trabalho. Se trata de controle. Se trata de criar uma sociedade em que a propaganda reina e a divergência é silenciada.
Nós precisamos das artes porque elas fazem de nós seres humanos completos. Mas nós também precisamos das artes como um fator de proteção contra o autoritarismo. Ao salvar as artes, nós nos salvamos de uma sociedade em que a produção criativa só é permitida na medida em que serve como um instrumento de poder. Quando o canário na mina de carvão faz silêncio, nós devemos ter muito medo –- não apenas porque seu canto era tão lindo, mas também porque era o único sinal de que nós ainda tínhamos uma chance de ver a luz do dia novamente.
























