quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

GUEST POST: O FEMININO, A INDUMENTÁRIA E O FEMINISMO

Não sou nada chegada à moda, não me importo com roupas (pra mim, elas devem ser confortáveis em primeiro lugar), e penso que há imposições demais dessa indústria elitista. 
Mas ultimamente tenho visto várias feministas falando que, pra mudar a indústria da moda, ajuda estar dentro dela. E até que a moda pode ser uma aliada do feminismo. Ainda não pensei muito nisso pra ter uma opinião formada.
Bom, o Rhavel começou o curso de Design de Moda na UFRJ, mas não o terminou. Como sei que tem muita gente estudando e escrevendo sobre moda e feminismo, vai aqui uma pequena contribuição do Rhavel (quem quiser escrever mais sobre o assunto, me envie um email).

O nascimento da moda ocorre durante o Renascimento. Com o advento dos burgos emergindo financeiramente, os burgueses passam a imitar as roupas da nobreza, e este é o primeiro sistema de moda existente: o da distinção e pretensão. A roupa então tinha um papel definido objetivo, o de demonstrar a que classe social pertence. 
Todavia, a roupa em si não diz absolutamente nada, objetivamente é um pedaço de tecido, cortado e costurado, moldado conforme a vontade do seu criador. O que dialoga é a consciência que se tem sobre ela. Ocorre então a primeira dialética da roupa: a distinção acerca do gênero do indivíduo -- a saia sendo uma peça típica do guarda roupa feminino, a calça do masculino. 
A roupa enfatiza e omite zonas do corpo, e essa ideia nos remete ao que é considerado o maior símbolo feminino: o ventre. O espartilho servia então para moldar o abdome de modo a exibir e evidenciá-lo, ao mesmo tempo que o condicionava a uma prisão do ponto de vista ergonômico. A cintura fina então era um padrão de beleza e estética que é perpetuado até os dias atuais. 
Jean-Jacques Rousseau foi o primeiro pensador a se pronunciar sobre os espartilhos apertados; ele indagava sobre a possibilidade do desenvolvimento da gestação em vestes tão apertadas. Consequentemente foi inventado na época um tipo de espartilho que possuía uma espécie de "câmara” para “acoplar” a barriga da gestante, e uma parte da nobreza até os desapertou. Maria Antonieta ao chegar à corte de Versalhes se recusou a usá-lo, como também posteriormente utilizou calças para montaria, sendo, então, a primeira mulher a usar calças publicamente, claro que num contexto específico. 
Georg Simmel em seu livro Filosofia da Moda e Outros Escritos afirma que a moda  "expressa e acentua ao mesmo tempo o impulso para igualização e para individualização, o estímulo da imitação e o da distinção”, e que nesse mecanismo da roupa permite ao sujeito entrar num consenso, estando livre para andar em sociedade. Simmel também dialoga sobre a moda e a mulher, propondo que a moda serviria como meio de realce da individualidade feminina, já que isto é negado em outras áreas. 
Uma breve associação da proposição de Simmel com a postura de Maria Antonieta em sua época permite afirmar que a rainha se valeu da roupagem pra dialogar com a sociedade. Aproveitou para fazer política através do frívolo em um período que o papel social da mulher era apenas de reprodução da espécie.  
A rainha da França então foi a percussora do feminismo político através da roupa. Mas que feminismo é esse? É a busca pelo fraterno, por uma sociedade igualitária. A filósofa Marcia Tiburi, em artigo para arevista Cult sobre a nudez, apresenta um ponto de vista interessante sobre a consciência da roupa. Afirma que a roupa que veste homens e mulheres é sempre travestimento, que o ser se veste de homem ou mulher, e que a travesti objetiva choca, pois possui uma consciência que diverge da do senso comum. 
Um pensamento semelhante é afirmado por Simone de Beauvoir em sua famosa proposição no livro O Segundo Sexo: “Não nascemos mulheres, tornamo-nos mulheres”. O sujeito então antecede o gênero, e a roupa serviria justamente para evidenciar em que gênero ele está inserido. A roupa, portanto, pode ser considerada uma segunda pele, uma carapaça incrustada de significados, que dialoga, que faz política, e que atribui consciência do gênero ao ser.

60 comentários:

  1. Lola, não se trata de indumentária, mas de um trágico caso de estupro e assédio corporativo, que um amigo meu publicou no Facebook. Pelo prêmio mencionado no texto ele identificou o escritório como Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados.
    Leia aqui:
    http://www.bluebus.com.br/abra-as-pernas-feche-a-boca-e-tente-nao-morrer-como-ser-uma-jovem-mulher-em-sp/
    Um abraço e muita força neste novo ano.
    Maristela

    ResponderExcluir
  2. O que eu acho é que há pressão pros dois lados! tem gente te enchendo o saco por que você não penteia o cabelo e tem gente te enchendo por que você penteia. O segredo é decidir o que você quer fazer, o que é importante pra você e ponto final.
    Ninguém tem o direito de "legendar"ninguém.
    Eu não me arrumo, mas não dispenso um batonzão vermelho! Não penteio o cabelo mas vou a manicure toda semana.
    Não gosto de rotulos. Não admitiria ser chamada de feminista, mas não lavo, não passo, não cozinho e não tenho nenhuma tarefa de "mulherzinha". Meu marido e eu somos individuos, e como tal, dividimos as tarefas, as responsabilidades e o dia a dia.
    Na minha opinião, o resto é balela.

    E crio as minhas filhas para serem elas mesmas. Os rotulos que se danem.

    ResponderExcluir
  3. Inaie, eu ADOREI o que você falou. Aplaudindo.

    ResponderExcluir
  4. Não admitiria ser chamada de feminista, Inaie? Porque?

    ResponderExcluir
  5. Oi Lola, feliz ano novo!
    Adorei as fotos nas belas paisagens de nosso Brasil.Que inveja de ter todas essas praias tão pertinho!!!

    Sobre o post.

    "Maria Antonieta em sua época permite afirmar que a rainha se valeu da roupagem pra dialogar com a sociedade. Aproveitou para fazer política através do frívolo em um período que o papel social da mulher era apenas de reprodução da espécie.
    A rainha da França então foi a percussora do feminismo político através da roupa. Mas que feminismo é esse? É a busca pelo fraterno, por uma sociedade igualitária"

    Sinceramente espero não ter entendido o que a autora quis dizer. Rainha da França feminista? Colocar no mesmo raciocínio rainha-feminismo e "sociedade igualitária"...oi? Não entendo como rainha pode seguir com a palavra igualdade e feminismo. rs..Espero mesmo ter etendido mal.

    beijos Lola

    ResponderExcluir
  6. Isso me faz lembrar uma história.

    Eu e uma turma marcamos de nos encontrar na casa de uma amiga. O namorado dessa amiga seria apresentado para umas duas ou três pessoas no dia.

    Acontece que no percurso dele até a casa dela, houve chuva. E enchente, alagamentos, enfim, o coitado chegou na casa parecendo um cachorro molhado. Na casa da minha amiga só há mulheres [mãe e irmã mais velha], então não tinha como ele usar uma roupa masculina. Quando ela já estava cogitando pedir uma roupa emprestada para o vizinho, o namorado simplesmente disse;

    - Tem um vestido ou uma saia comprida? Se tiver uma saia comprida e uma blusa de frio grande, seria perfeito.

    Ele disse com uma naturalidade TÃO GRANDE que até eu [que já era contra o mimimi de 'isso é de menino/menina'] fiquei assustada. Minha amiga então providenciou a roupa enquanto ele tomava banho. E ele ficou com uma saia comprida e uma blusa de frio enquanto foi apresentado para os amigos.

    A parte triste disso é que os caras que foram na casa no dia o zoam até hoje por isso. Mesmo explicando para eles. O que me leva a crer que másculo mesmo era pegar uma pneumonia, sem dúvidas.

    ResponderExcluir
  7. Inaie, você pode não gostar de rótulos, mas quando você afirma "Meu marido e eu somos individuos, e como tal, dividimos as tarefas, as responsabilidades e o dia a dia." você está sendo feminista.

    ResponderExcluir
  8. odeio moda,n entendo pq tanta admiração nos desfiles com aquelas roupas horrososas que certamente ninguém vai usar.
    já ouvi falarem q eles se baseiam nas roupas do desfiles para fazer algo mais comum para as pessoas usarem.
    então,qual é o sentido de perder tempo fazendo aquelas roupas bizarras?

    sem falar q parece que só consideram uma roupa bonita se for de um estilista famoso,o resto é uma porcaria.

    ResponderExcluir
  9. Vish Inaie, por que não ser chamada de feminista?

    É tão ruim ler revista de moda quando a gente tem alguma noção das coisas! Ontem apareceu uma Marie Claire aqui na casa da praia, é antiga, de janeiro/2012. Daí peguei pra ler. Tinha uma entrevista com uma atriz pornô. Não tem a ver com moda, mas fui lendo e ai... Numa das perguntas a revista questionou sobre como fazer "o strip-tease perfeito". Aí a atriz respondeu dando dicas de como "esconder a barriguinha" enquanto fazia o strip. Oi? Poxa, se eu tenho que ficar me preocupando com isso nem tiro a roupa, né! Tinha também uma reportagem ridícula sobre a FEMEN na linha "são lindas, daí é fácil protestar". E a parte de moda aquela coisa de sempre, coisas que quase ninguém pode usar, seja pelo modelo ou pelo preço (o baratinho é 100, 150 reais).

    Difícil!

    ResponderExcluir
  10. Lola, não foi dito no texto mas a moda durante séculos foi a única forma de expressão entre as mulheres. Enquanto os homens poderiam ser artistas, escritores, guerreiros, etc, as mulheres só tinham a indumentária.

    Sou estudante de moda e feminista e acho muito preconceituosa e rasa a opinião do senso comum sobre a moda. A moda anda junto com a humanidade, no período pré-histórico uma tribo se diferenciava da outra pelos acessórios, pinturas corporais etc. E isso é MODA.

    Não estudei profundamente mas creio que existe uma relação profunda entre a visão da moda como algo fútil e o machismo. Por quê? Porque durante muito tempo (e ainda hoje) é visto como algo de mulher(zinha) e gays.

    Pense nisso. Beijos Raquel

    p.s: adoro seu Blog : )

    ResponderExcluir
  11. "Não admitiria ser chamada de feminista..."

    Por que não?

    Sobre o post, eu acho legal a história, gosto de ler como era em diversos períodos, mas moda definitivamente não faz parte dos meus interesses.

    ResponderExcluir
  12. Maria Antonieta lutava por uma sociedade igualitária? Ela podia ser uma pessoa cheia de contradições, que não se conformava com o mundo em que era obrigada a viver e tudo o mais. Mas dizer que uma rainha que vivia no luxo e na riqueza sobre um povo que morria de fome é precursora do feminismo dói.

    ResponderExcluir
  13. Inaie, sua fala me faz pensar que vc nao conhece direito o movimento feminista e esta confusa com algumas ideias. Principalmente a parte sobre ser pressionada "a nao pentear o cabelo".
    Sabe, o feminismo questiona o que Naomi Wolf chamou de "o mito da beleza". Questiona que a mulher para ser considerada desejavel, deve ser bonita (e que ser bonita eh algo bem definido tbm). E que isso eh tao necessario e "obrigatorio", que uma otima forma de desqualificar uma mulher eh chama-la de feia (ou gorda, que sao quase sinonimos nesse contexto). Eh colocado que uma mulher que "nao se cuida" nao gosta de si mesma, eh "desleixada". Mesmo que essas queixas se refiram a rituais puramente esteticos, como tingir cabelos brancos.
    Este post sobre moda, ao meu ver, vai nessa linha.
    Agora entenda, questionar determinadas praticas, e sua obrigatoriedade/pressao por parte da sociedade, especialmente atraves de outras mulheres, nao coloca o feminismo numa esfera tambem opressora, do tipo "se vc fizer as unhas toda semana/ tingir o cabelo vc eh uma vendida ao sistema, entao nao faca nada disso". Na verdade, quando se entende a dinamica do feminismo, eh que percebemos como ele eh libertador: pq nos faz refletir quais dos nossos gostos e preferencias foram impostos pela familia e a sociedade, e quais sao genuinamente nossos, e diz "se vc gosta, faca". Quando gostamos de algo, nao devemos parar de fazer soh pq coincidentemente eh o que a sociedade espera de nos. Alias, essa repulsa a qualquer coisa que remeta ao que foi convencionado feminino (que envolve beleza, delicadeza, suavidade) nao nao eh nada feminista, me parece misoginia msmo. A critica do movimento eh ao fato de esperarem que todas nos tenhamos os mesmos gostos/caracteristicas/preferencias.

    ResponderExcluir
  14. Fico feliz de ver alguém falando uma coisa boa sobre a Maria Antonieta. Ela é sempre tão criticada principalmente por causa da história mentirosa sobre os brioches..

    -----------


    O que a Mariana tanto tava aplaudindo aí?

    ResponderExcluir
  15. Olha, por mais que tentem teorizar sobre moda,na boa, eu não a consigo ver ela dotada destas potencialidades positivas não. Cada mulher se veste como quer? Sim, esta "liberdade" é feminismo, mas isso não tem a ver com moda e sim a atitude da mulher. Moda é expressão? Sim, mas espressão que parte de um pressuposto de distinção, onde vestir "determinadas" roupas apenas é legal, e isso tem um custo, tanto financeiro (excluindo a maior parte das pessoas pobres) como um custo de mulhers se dedicarem horas e horas de suas vidas pensando em moda, planejando comprar roupa, se sacrificando financeiramente para comprar roupa, roupa da mais nova moda, roupa de grife etc...


    Feminismo não, feminismo necessariamente- para mim- parte de um pressuposto de igualdade. Moda, - a meu ver- parte do pressuposto de quem algumas vestimentas são consideradas "moda" e outras "fora da moda", ou seja o contrário da igualdade entre os seres humanos designando a "exclusão" de uns. Se moda fosse feminista ela teria que ser libertária, TODAS teríamos que ter acesso a esta tal moda e TODAS as mulheres deveriam se sentir bonitas e estar na moda com QUALQUER roupa (QUALQUER roupa!!!), não a que a indústria da moda DITA o que é bonito ou não. Esta segregação e hierarquia que faz da moda ser moda, consequentemente, causa sofrimentos em muitas mulheres do mundo que não conseguem ou não são consideradas da "moda".Moda e igualdade para mim são antônimos. Isto não quer dizer que a mulher não possa se arrumar e estar na moda. Que uma feminista não pode estra na moda, mas neste caso o feminismo está na "pessoa" e não na moda.
    O dia em que a industria da moda acabar e que o patriarcado ruir e que TODAS as mulheres tiverem acesso a qualquer roupa, aí sim, pode ser que a moda possa ter um caráter menos segregacionista.
    Me descule a sinceridade mas assutei mesmo com um texto que diz que relaciona a "moda" (ainda mais hoje em dia!) com feminismo e igualdade.

    ResponderExcluir
  16. Raquel e Rosanna, muito interessante o que vcs comentaram! Vcs viram que acabaram chegando no mesmo ponto, dizer que moda obrigatoriamente é coisa de mulherzinha, pode ser machista.'

    Qto a Maria Antonieta,entendo todos os posicionamentos contra aqui( não havia luta para igualdade com o povo) Mas acho que o post mostra que em termos de não aceitar uma imposição apenas por ser mulher, isso ela fez. Não é uma pontinha de feminismo?

    ResponderExcluir
  17. Essa questão da relação entre moda, beleza, etc é o que mais me deixa confusa dentro do feminismo. Por exemplo: uma mulher querendo emagrecer pra se sentir mais bonita (o que ouvimos muito), esse "se sentir mais bonita" faz algum sentido? Ou é só porque o padrão de beleza atual é o da magreza? Eu sou feminista e mesmo assim não deixo de adorar moda, história da moda, desfiles, etc... Eu vejo moda como um tipo de arte, de expressão, do "dizer o que eu sou, o que penso, meu estilo.." pelo o que se veste. Isso vai contra o feminismo?

    ResponderExcluir
  18. Oi Lola, meu comentário saiu com vários erros de escrita, desculpe.
    Um bom dia Lola!

    ResponderExcluir
  19. As pessoas dizem: "Gênero é uma construção social". "Moda é uma construção social". Ok. Mas o que não é uma construção social?

    O problema é que no campo específico da moda há uma cultura do desperdício, da exploração da imagem das mulheres, violência simbólica contra modelos (muitas vezes cometida por estilistas gays), drogadição, prostituição.

    A conversa mole de que é por dentro da moda que se muda ela é coisa de gente que nunca trabalhou na vida e não sabe como funciona uma grande empresa e a produção de lucro. A grande indústria de moda é destrutiva e perigosa. A mudança pode vir de sistemas de moda ecológica, sustentável, feministas, comunitárias, que existem às pencas por aí.

    ResponderExcluir
  20. A Raquel escreveu o seguinte:

    "Lola, não foi dito no texto mas a moda durante séculos foi a única forma de expressão entre as mulheres. Enquanto os homens poderiam ser artistas, escritores, guerreiros, etc, as mulheres só tinham a indumentária."

    Raquel, isso é mentira. As mulheres sempre se expressaram de diversas maneiras. O problema é que ninguém mais presta atenção nisso. Nem mesmo quem é feminista. Quantas pessoas aqui do blog conhecem e leram as escritoras brasileiras (pelo menos algumas) desde o século XIX? Aposto que nem a Lola.

    Mas o fato de desconhecer não significa que não existe. Uma lista de escritoras mulheres brasileiras (pra ficar somente em algumas poucas, de diversos estados brasileiros, no século XIX): Maria Firmino dos Reis, Maria Ribeiro, Rita Barém de Melo, Julia Lopes de Almeida, Inês Sabino, Luciana de Abreu etc etc etc.

    ResponderExcluir
  21. Lola, eu concordo com a parte "para mudar precisamos estar dentro". Sim, para combater certas nuances ditadoras de conceitos da moda, é preciso mudar de dentro dela. É a minha opinião. =D

    ResponderExcluir
  22. jesuisss, vcs não lêem... a Inaie disse que nao admitiria ser chamada de feminista pq isso é um rótulo, simples assim! que saco!!

    ResponderExcluir
  23. Oba, q bom ver a importância da Maria Antonieta reconhecida!

    ResponderExcluir
  24. Vivi, se vc se interessar sobre o assunto, leia a biografia da Maria Antonieta escrita pela Antonia Fraser se puder. Ela aborda bem o qto a rainha pode ter sido uma proto feminista no contexto da corte, em q as mulheres só serviam para a reprodução. Ela usou seu senso estético e sua beleza para se impor como figura individual. Na corte francesa não era comum a rainha sequer ser notada, ela era só um útero, as atenções ficavam centradas na amante do rei. Ela tomou esse foco pra si e conseguiu algumas mudanças na corte: aboliu o espartilho, usou calças e conquistou o direito de dar a luz na intimidade, sem uma plateia de nobres no quarto real (como era a tradição). São coisas pequenas hj, e ela continuou oprimindo o povo, claro, mas no contexto da época foi grande o bastante pra ela se tornar odiada por muitos nobres, q promoveram uma campanha para demonizar sua imagem pública. Ah, e ela tb foi vítima de uma das mais conhecidas campanhas de slut shaming da História, não podemos esquecer.

    ResponderExcluir
  25. Não admite ser chamada de feminista por quê? +1



    Não entendo quem acha que feminista é xingamento. Mas, né, direito de cada um querer ser chamada do que quiser.


    Acho apenas que ocorre uma certa confusão com o que feministas defendemos. Não somos uma seita, uma organização, nem nada. Não tem que seguir a cartilha do clubinho para ganhar a carteirinha. Feministas questionamos papéis de gênero e reivindicamos igualdade. Feminismo é questionamento do patriarcado e empoderamento das mulheres. E, no que se refere a mim, não é um rótulo. É parte de quem eu sou, é pelo o que luto. Sou tão Mirella quanto sou feminista.


    --

    Quanto ao texto, achei interessante o posicionamento. Mas sou ignorante no assunto e vou só ficar olhando o debate hihi

    ResponderExcluir
  26. Lola, este vídeo mostra como são feitos os casamentos no Quirguistão, as mulheres são sequestradas pelos futuros maridos:

    www.youtube.com/watch?v=DKAusMNTNnk

    ResponderExcluir
  27. Ainda acho a moda uma mesquinharia. Basta observar as pessoas que estudam e trabalham com isso: a maioria é superficial, arrogante e, o que mais me irrita, é que sempre te olham de cima a baixo com um olhar de deboche, como se a roupa fosse a coisa mais importante do mundo. E, ainda por cima, depois de conhecer a história da moda, utilizada como instrumento de delimitação de classes e gêneros, fico com mais nojo ainda.

    ResponderExcluir
  28. Não honey, a moda passou a existir desde que o homem pré-histórico começou a se vestir. Claro que não com os requintes de hoje ou mesmo do renascimento, mas a moda sempre foi usada para fazer distinções sociais.

    Quanto à Maria Antonieta e o espartilho, a monografia em história do meu amigo foi sobre ela e a moda, e o que ele diz é que no início ela se recusava a se submeter às estiquetas e hábitos da corte (espartilho estava entre eles), mas logo se submeteu e passou a usar inclusive uma peça feita de barbatanas de baleia. Tb vale lembrar como os franceses, em plena revolução, enxergavam a figura da rainha: uma menina fútil que só queria saber de festas e roupas bonitas.

    ResponderExcluir
  29. E vamos lá, dizer que Maria Antonieta foi precursora do feminismo e que usava a moda para dialogar com a sociedade, e que estava atrás de igualdade, é um erro histórico muito grande. Vc deve estudar mais sobre a revolução francesa e sobre o que a corte representava naquele cenário.

    ResponderExcluir
  30. Inaie, eu duvido que você vai voltar para ler os comentários, mas se voltar leia o meu também:

    Você é FEMINISTA e não sabe. =)
    Seja bem-vinda. A gente não morde.

    ResponderExcluir
  31. Como todo blog feminino, cedo ou tarde tinham que falar de moda. Qual vai ser o próximo tópico, maquiagem feminista? Vão começar a postar receitas de bolos igualitários aqui também?

    ResponderExcluir
  32. Usar roupa para discutir generos é um tiro no pé...


    Aquelas roupas opulentas ,cheias de enfeite e com mobilidade horrivel não era opressão masculina ,era uma forma de ostentar e mostrar que não era pobre.
    As pobres por sua vez tinham roupas mais soltas ,mas eram pobres...

    ResponderExcluir
  33. Ana Cristina, tenho a mesma dúvida que tu, dúvida essa que, aliás, foi reforçada no debate sobre o post "síndrome do sapatinho de cinderela", que abordava o uso de salto alto. Sempre pensei que o feminismo fosse algo que se revelasse nas atitudes das mulheres e não nos gostos pessoais, como o vestuário, por exemplo. Mas, pelo visto, muita gente acha que não, a julgar por uma crítica pessoal que me foi dirigida, depois de eu expressar minha opinião nos comentários. Particularmente, seguirei sendo uma feminista de salto alto e maquiagem. E também concordo plenamente com o que disse a Inaie. Quem luta pelo fim do preconceito não deveria se preocupar tanto com rótulos, mesmo porque, como ela bem colocou, no fundo há opressão dos dois lados. Aliás, quem não conhece uma música bem machista que diz assim "Amélia não tinha a menor vaidade... Amélia que era mulher de verdade..."

    ResponderExcluir
  34. Concordo com a Ana Cristina... Pq podemos admirar e falar sobre um quadro, uma escultura, um livro, um disco e não sobre a moda? Tudo isso é manifestação cultural... Outra coisa, acho que querer estar mais magra ou não, ter o corpo malhado ou mais natural, é questão de gosto... Se o legal é sentir-se bem consigo mesma, pq não podemos buscar o corpo que queremos? O problema é quando vc está atrás do corpo por causa de um dito "padrão de beleza" ou quando vc faz coisas que podem prejudicar sua saúde... Mas quando busca seu corpo ideal de maneira saudável e isto a deixa feliz, pq não fazer?

    ResponderExcluir
  35. Eu gosto de sapatos de salto, de uma roupa bonita, dependendo da ocasião... Em outras, porém, como para trabalhar prefiro um tênis... E claro, quando preciso dirigir o sapato de salto fica de lado e o tênis no pé, mesmo que esteja com um vestido de festa... Troco quando chego no lugar... Mas não é gostar de sapato, roupa ou maquiagem (e olha que gosto, mas compro poucas coisas) que me faz menos feminista... Minhas ideias, meus objetivos na vida, minhas lutas sempre estão em favor da causa feminista... Quero reconhecimento no mercado de trabalho por meus potenciais e formação, quero igualdade entre as pessoas e sempre que posso luto por isso... Dizer que feminista não pode gostar de moda também seria rotular...

    ResponderExcluir
  36. Ah... Moda não é só coisa de mulher... O sexo masculino tbm "veste" a moda! E aliás, muitos não apenas vestem, como estão sempre informados sobre o assunto...

    ResponderExcluir
  37. Muito interessante o post. Confesso que nunca havia pensado na moda sob esta perspectiva e vou refletir bastante a respeito. Em "O Macaco e a essência", no entanto, o autor (cujo nome não me lembro), explica bem sobre a impossibilidade de mudar determinado sistema ou instituição se tornando parte ativa dentro dele. O mais fácil nesse caso seria o sistema ou instituição mudar o indivíduo - no livro o autor diz "devorar as convicções do indivíduo".

    ResponderExcluir
  38. Lola, tô horrorizada pelo "carinho" que a Maria Antonieta está recebendo por aqui...
    Pessoal, vcs sabem mesmo o que é uma monarquia? que a França vivia na miséria (isto inclui todas as mulheres não aristocratas) enquanto eles viviam como parasitas sugando o povo?
    Monarquia=oposto de igualdade?

    Pessoal, é sério, como vocês podem ser feministas e ter simpatia por rainha? Em que mundo estamos gente? Que feminismo é esse? Me desculpe a honestidade mas sério que fiquei com medo deste post..Nunca vi nada igual.

    Bjos Lola

    ResponderExcluir
  39. Anônimo disse...
    Como todo blog feminino, cedo ou tarde tinham que falar de moda. Qual vai ser o próximo tópico, maquiagem feminista? Vão começar a postar receitas de bolos igualitários aqui também?

    ----------------

    Cara, eu acho tão legal quando alguém posta essas coisas achando que está OFENDENDO. Heheh. :D

    Aliás, se você pensa que só sites femininos falam de moda, eu recomendo este ótimo texto do Papo de Homem:

    http://papodehomem.com.br/eu-nao-ligo-pra-roupa-ou-o-complexo-de-macheza-tupiniquim

    Divirta-se =*

    ResponderExcluir
  40. gostei do texto,não entendo muito de moda,mas,tenho um estilo meu proprio,que as pessoas acabam gostando,na verdade,poxa,mas,eu gosto de espartilho,deste aqueles corselet,até esses que apertam mesmo,que vendem em casas especializadas.Agora logico ,eles são para ocsiões especiais e penso que devia ser um sofrimento usa-los o tempo todo,tando que haviam nas casas ricas,salas separadas em festa para que as moças pudessem dessamarrar e respirar.O grande lance da moda é quando ela se torna uma obrigação.Sempre digo que hj vivemos em uma sociedade playmobil,que todo mundo tem que ser magro,quase reto,de cabelo liso e com uma roupa parecida e esse é o mal da moda,criar uma sociedade padronizada!

    ResponderExcluir
  41. Vivi, mais uma vez, sugiro mesmo que leia a biografia da Maria Antonieta escrita pela Antonia Fraser. Sem advogar simpatia ou antipatia por rainha pq não tenho repertório teórico para isso, é super interessante ver o quanto a opressão de gêneros atingia também as camadas mais altas da sociedade. Uma rainha estava extremamente sujeita às pressões de gênero: tinha que engravidar DE HOMENS (Maria Antonieta passou muita dificuldade com isso, pq sempre teve o ciclo menstrual muito irregular e problemas hormonais, e pq seu marido não consumou o casamento nos primeiros anos. Ela tinha q, pra vc ter ideia, escrever noticiando para sua mãe toda vez q sua menstruação descia); tinha q ser invisível (mulher q aparece demais é puta); tinha que ser bonita (era pressionada pela mãe para usar espartilhos senão "arruinaria seu talhe") e estavam sujeitas à maledicência de uma maneira muito mais devastadora do que pessoas comuns (Maria Antonieta inclusive morreu por isso. Não foi pelos gastos, pois os dela eram muito menores do q os das irmãs do rei, por exemplo. Não foi pela má postura, pois ela era conhecida por fazer caridade. A campanha de difamação que condenou Maria Antonieta mirou principalmente na sua vida sexual, a acusando de ser lésbica e promíscua) Uma menina que nascia em família real estava tão sujeita ao machismo qto qlqr outra. E é interessante ver as formas que ela lidou com isso, mais ainda por saber q essas pequenas atitudes dela só tiveram visibilidade por ela ser rainha, coisas que infelizmente talvez não seriam notadas e registradas se fossem feitas por uma mulher do povo. De verdade, não precisa adorar a Maria Antonieta nem adotá-la como exemplo, eu mesma não faço nenhuma das duas coisas, mas é uma boa experiência observar que mesmo rainhas podiam ser sujeitas ao mesmo machismo que todas nós e tinham que procurar formas de amenizar isso.

    ResponderExcluir
  42. Ah, e foi comentado aqui sobre feministas "simpáticas" a rainha ser estranho, a Antonia Fraser, autora desta biografia bastante simpática da Maria Antonieta é irmã de uma poeta feminista, se não me engano, e me parece ter viés bem feminista nos livros dela. Ela inclusive escreveu livros especificamente sobre mulheres na história, esse http://www.goodreads.com/book/show/17156.The_Warrior_Queens e esse http://www.goodreads.com/book/show/234625.The_Weaker_Vessel por exemplo. (eu gosto muito de ler esses livrosa sobre mulheres na História). Outra biografia da Maria Antonieta legal de ser lida, embora com menos enfoque nas questões de gênero, é a classicona do Stefan Zweig (nesse texto aqui http://www.casastefanzweig.org.br/sec_texto_view.php?id=2 até citam algo sobre feminismo nesse livro mas não li toda resenha pra confirmar. ele aborda muito o lado da personalidade mediana sob pressão da Maria Antonieta, é mais psicológico).

    ResponderExcluir
  43. Suelen,
    Os desfiles começaram como uma boa idéia porque serviam para mostrar aos clientes uma roupa, seu caimento e suas possíveis combinações. Hoje os desfiles viraram balada e quem quer mesmo ver a roupa ter que ir na loja. Nem xs consumidorxs são convidadxs. A música é alta demais, a passarela é distante (não para os globais que nem comprar a roupa, ganham), xs modelos são bem diferentes da clientela. Enfim, conhecer o produto deixou de ser o objetivo principal de um desfile. Hoje os desfiles servem para reforçar o nome da marca na cabeça do consumidor.

    ResponderExcluir
  44. Raquel,
    Eu como docente da área do vestuário sinto esse machismo diariamente. O meu colegiado é sempre visto como café-com-leite sendo que nós fomos as únicas que mantivemos a greve dxs professxrs federais no nosso campus, temos a maior produção acadêmica e a menor taxa de desistência. Os projetos de incubadora dxs nossxs alunxs foram “esquecidos” depois de aprovados. Claro que isso foi feito por um diretor pedagógico que me disse em alto e bom som que a mulher que nunca trabalhou com 30 anos pra ela JÁ ERA, GAME OVER. =/
    Oi, faço parte de uma das indústrias que mais emprega no Brasil.

    ResponderExcluir
  45. Vivi, essa distinção que a moda fazia, como é explicado no texto, fica um pouco difícil nos nossos dias. Para confeccionar um espartilho desses demorava-se meses e meses. Claro que ele seria muito caro e nada acessível. Mas hoje a mesma blusa de 200 reais da Daslu está disponível no Ebay por 7 dólares. O colar da personagem rica da novela está à venda 25 de março por 10 reais. Se você quiser estar nessa moda, essa moda ate te dá essa possibilidade. Aliás, esse tem sido um dos percalços da indústria e é por isso que o culto às marcas virou… Virou culto mesmo. Se a Hermés não reforçar a idéia de que a bolsa dela é “pra poucos” não faz lógica nem no capitalismo gastar milhares de doletas em uma coisa que você ter por 20. Você ficaria impressionada em ver o tanto de grandes marcas nacionais que estão fechando as portas por não conseguir concorrer com os importados. Zoomp, Jum Nakao, Huis Clos, Zapping, Walter Rodrigues…
    Você sabia que a Maria Antonieta costumava convidar a sua estilista para participar da cerimônia de vestir só que a moça era ex-balconista e as damas de companhia se recusavam a dividir a mesma sala que ela? E, serião, eu não conheço nenhuma casa no Brasil em que a empregada senta na mesa do almoço junto com xs donxs do pedaço.
    Ela também instituiu os gaulles que eram uma vestimenta mais simples, um vestido de voil com uma faixa na cintura. Antes era usado somente no campo com seu chapéu de palha, depois ela tacou o fo&%-se e passou a usar na cidade também junto com suas damas de companhia.

    ResponderExcluir
  46. Anônimo das 8h 15, essa violência simbólica contra as mulheres no papel das modelos que você considerou como sendo feita pelos estilista gays é meio simplista. Xs estilistas são funcionários até nas empresas que levam seu próprio nome. Os donos do mercado do vestuário são na sua grande maioria, homens, héteros e de famílias tradicionais. São eles que tem o dinheiro, ou seja, eles que mandam. Não dá pra continuar no discurso de que os homens gays no fundo odeiam as mulheres, né?!

    ResponderExcluir
  47. Magrelinha, há uma distinção aí: quando ele fala de moda coloca esse posicionamento de distinção. Na pré-história ocidental tínhamos só o vestuário com a função de proteção. Depois que entramos na era do sedentarismo é que as tribos precisaram separar as coisas e começou aí uma certa distinção na indumentária.
    Eu adoraria ler a monografia do seu amigo porque o tema muito me interessa, será que ele disponibiliza?

    ResponderExcluir
  48. Eu entendo tudo que foi colocado aqui mas é muito triste ler que moda e feminismo são antônimos. De tanto criticar o sistema da moda resolvi que a mudança só poderia vir da base. Converso bastante com os meus alunos e alunas sobre o papel da moda, do consumo sustentável (moda sustentável não é comprar tênis de cânhamo, é pensar em todo o processo) e do papel da mulher nessa indústria.
    O feminismo me ensinou que devemos ter opções e fica muito difícil entender essa cagação de regra. Na verdade, as únicas pessoas que eu já vi que realmente não se interessam por moda estavam de luto, em uma profunda depressão e aí também perderam o interesse em comer, viver, tomar banho.
    Moda é pura comunicação. É a sua primeira comunicação. Mesmo que você esteja vestida de camiseta branca e calça de moletom você está passando alguma mensagem sobre você, suas histórias e sua cultura.
    E não é só a indústria do vestuário que pode segregar. O seu bairro, seu carro, suas fotos no facebook, tudo isso pode diferenciar as pessoas.

    E jura que ainda estamos discutindo quem é mais feminista?

    Beatriz, você já leu o Rainha da Moda da Caroline Weber?

    Lola, sugiro um post inteirinho sobre a Maria-polêmica-Antonieta. E será que que o Rhavel não topa escrever sobre a Cleópatra e a moda? =)

    *desculpa os milhões de comentários!

    ResponderExcluir
  49. É curioso (e muito legal) que tenha tido uma postagem dessas, quando até pensava em mandar um email para a Lola sobre isso.

    Enfim, Inaie, acho que não ter porque não admitir ser chamada de feminista. Se você acredita na sociedade igualitária, é contra rótulos, você é feminista. O que tem é muita feminista louca (desculpa, Lola!) que parece ter "esquecido" os preceitos do feminismo. Falo porque me acontece algo parecido.

    Eu gosto e visto de vez em quando uma moda japonesa que imita trajes vitorianos. O nome é infeliz (se chama "lolita", mas não tem nada a ver com o significado ocidental da palavra), e muita gente não entende o conceito. Vestir essas roupas é uma liberdade que eu tenho.

    Acontece que minha tia é bem contra eu usar essas roupas. Na verdade, muita gente acha estranho por um motivo que considero muito bizarro: estou "vestida demais"!

    No Japão, ok, ser fofinha e tal é um certo charme e atrai homens. Mas aqui no Brasil, onde valorizam muito o Corpo Escultural, e Pernas À Mostra (chega a ter maiúscula, mesmo, de tão supervalorizado), chegou-se na situação (que acho ridícula) de que você também é criticada por usar roupa demais. Achei que, sendo a sociedade tão machista, ninguém veria problema em uma garota usar pouco decote, saias até o joelho, coisas que escondem a silhueta. Ledo engano.

    É nisso que acabo entendendo um pouco o que você diz, porque neste caso sou criticada por uma sociedade machista (que é contra a mulher se vestir "como puta", mas também sempre tem que ter o formato do corpo) E por feministas que acabei nomeando como "antigas". Acabo acreditando que elas lutaram tanto pelo direito que andarem descobertas o quanto quiserem sem serem oprimidas que esquecem que algumas também têm o direito de andarem cobertas o quanto quiserem. Na realidade, qualquer um tem o direito de usa a roupa que quiser!

    Uso lolita porque quero, acho bonito, gosto. Sou feminista, completamente a favor da Marcha das Vadias, que a mulher pode sair sem blusa na rua como demonstração de calor (aaah, que perfeito seria se pudesse =/), e não vejo o feminismo a partir dessas mulheres. Entendo um pouco o lado delas, só não concordo. Acabo sentindo que entrou-se em uma certa "paranoia" em alguns aspectos (como te criticarem por pentear o cabelo O_o'). Mas também peço que não julgue o feminismo por isso. Acredito piamente que feministas de verdade lutam por causas mais nobres do que ficar implicando com se você penteou ou não o cabelo (a não ser que você penteie ele só porque seu marido quer XD).

    Beijo, desculpa pelo comentário tão longo!

    Lola, se interessaria por um guest post com esse tema? ><

    ResponderExcluir
  50. adorei os comentarios mostrando um lado positivo da moda, ja que eu sempre me posicionei como a vivi. podia ter outro post sobre isso :)

    ResponderExcluir
  51. sobre a receita de bolo igualitaria (eu ri hahaha): nao vejo problema nenhum em se falar de culinaria, moda ou maquiagem (oq é totalmente diferente de dar dicas, q tb sao uteis). o problema é RESUMIR o universo feminino a esses assuntos

    eu adoraria ver mais sites femininos de tecnologia, games, carros e esportes.

    ResponderExcluir
  52. Beatriz e demais colegas. Eu não tenho interese mesmo em ler a biografia da Maria Antonieta, obrigada.
    Eu não duvido que possa ter acontecido situações em que ela quebrou regras, que mudou costumes. Só que esta quebra de regras foi para o benefício DELA somente dela (ou de mais meia duzia de aristocratas?), não algo para TODAS as mulheres. Vocês acham que ela queria igualdade para TODAS as mulheres e homens?
    Pelo menos para mim este não é o "meu feminismo", o que eu luto. O feminismo que eu acredito tem que ser um movimento politico (seja simbólico ou de um militante) que pense na libertação de TODAS as mulheres. Não apenas do meu próprio umbigo.

    Só por você ser mulher e lutar para algo que incomoda em benefício próprio, isso vira feminista? Mesmo que você esteja vivendo às custas da miséria de TODA uma população (incluindo mulheres)? Vocês parecem ignorar isso. Como se fosse um detalhe o que é o mais importante.
    Tudo é feminismo então? Margaret Tatcher pode ser feminista?
    Me desculpe gente, mas é simplista demais isso.
    Tão simplista que chega a ser perigoso associar uma monarquista com um movimento político emancipatório que é o feminismo.
    Ela convidar a estilista dela já faz dela libertária?
    E tudo que ela (e toda a corte) fez com a população francesa (miséria, morte) isso não é contra a liberdade de sobreviver de TODAS as mulheres?
    Ou feminismo, para vocês, não tem que ser libertário? Ou o feminismo para elite já é válido?

    Sobre moda e feminismo ser antônimo ainda mantenho minha opinião. Como disse, uma feminista pode perfeitamente estar na moda sem problema algum, mas aí o feminismo está nela , não na roupa.
    Não adianta teorizar que moda é atitude é criação ou comunicação. Não vamos ser hipócritas e não ver que moda é "acima de tudo" indústria da moda, padrões da moda, segregação, distinção, dinheiro, ditadura da beleza. Ou seja, sacrifício e sofrimento para a maior parte das mulheres que não estão nesta moda.
    Como isso pode se associar ao feminismo, a liberdade, igualdade, palavras tão bonitas?
    Eu não critico as pessoas, mas a moda, a indústra.
    E não adianta teorizar e embelezar o discurso que moda é arte e esquecer das mazelas que ele traz. Não se dicute moda no abstrato, não podemos esquecer das pessoas que este mundo da moda atinge e influencia. Todos do meio da moda tentam fazer isso.
    E a realidade de milhões de mulheres atingidas por esta moda continuam por aí, se sacrificando para esta moda.
    Beijos






    ResponderExcluir
  53. a Vivi até que é coerente mas logo se ve que ela pensa que "moda" significa usar tudo de mais atual, que está nas revistas e etc, quando moda é o vestir, o usar, o que a roupa diz sobre a pessoa, o meio, o contexto histórico, etc . Ela confunde "moda" com "indústria da moda", e francamente, muita gente teve paciencia sobre-humana pra explicar coisas pra ela e ela apenas age como uma criança de 5 anos tipo "aham, li seu argumento, faz sentido mas eu que to certa pq eu digo q sim, huuuuum! Não vou ler naaaaadaaaa, eu q seeei", as vezes fico puta com algumas comentaristas aqui, na boa, tem gente que não tem como levar a sério, é muita ignorancia e teimosia, pqp, essa vivi é um exemplo perfeito disso

    Eu adoro pesquisar moda história, e realmente teria muuuito pra falar sobre isso mas perdi minha paciencia. Por falar nisso, achei esse guest post escrito de forma confusa, com um monte de informações irrelevantes e não tocou no ponto principal da discussão nem ao menos uma vez. Dispensável, não serviu pra ajudar ninguem a pensar sobre o assunto mesmo

    ResponderExcluir
  54. Anonimo, obrigada pelo "ignorante"..hahaha..
    Acho que não vivemos no mesmo mundo, só pode ser. Ignorancia minha achar que "moda" é estar na moda. Imagina, nunca ninguem sente esta pressão do mundo da Moda, as mulheres do Brasil, por. ex. se vestem como querem , nenhuma pressãozinha... E imagina, mundo da moda e industria da moda nada a ver.

    Todo mundo veste o que quer, é pura arte!
    É só ver a variedade de roupas e tamanhos pra vender. Variedades nas midias, nas revistas. Todos somos livres e pura atitude moda!
    Imagina, nunca ouvi falar que tal coisa é roupa de pobre. As revistas de moda são suuuuuper democráticas mostrando todo tipo de gente e variedade etnica que existe no Brasil.

    Pura ignorancia minha...

    ResponderExcluir
  55. Só pra fechar.
    Sim, quem sabe se eu ler a biografia da grande Maria Antonieta eu saiba o quão esta mulher foi extraordinária.
    Uma grande feminista e igualitária!
    Acho que tenho que rever tudo o que li na vida sobre história e rasgar meu diploma por que pelo visto tava tudo errado...
    Sério, Maria Antonieta igualitária associada ao feminismo é a coisa mais absurda que li nos ultimos tempos e deve ser ignorancia minha mesmo..

    ResponderExcluir
  56. É muito interessante ver que no mesmo post temos os comentários para a Inaie dizendo: "sim, se você acredita em fazer o que quer você é feminista, seja bem vinda" e os outros "se ela pensou só na libertação dela ela não merece a aclamada carteirinha de feminista."
    To confusa.

    ResponderExcluir
  57. Vivi, a sua crítica é ao consumo.
    TODO o consumo. E Moda não é só isso que você leu na Marie Claire. =)

    ResponderExcluir
  58. Abstrusos.
    Bom, primeiro que não leio revista de moda, mas dá pra se ter noção do que é o mundo da moda só de viver em sociedade. Sim, moda é consumo, e sim, não vivemos sem o consumo (hoje), mas não é por isso que vou abraçar todo o consumo acriticamente (e diga-se de passagem sem o consumismo exacerbado a moda morre)

    Na boa, eu argumentei o que eu acho que a moda é nociva para o feminismo, para a igualdade.
    Vocês não conseguem dizer nada além de que moda é arte/comunicação/atitude blá bla blá...(Tudo que se ouve por aí).
    Até agora não conseguiram explicar como moda pode ser positiva para o feminismo de fato.
    Como moda pode ultrapassar o feminismo elitista.
    E repito, não adianta discursos abstratos ("moda é arte", eu digo: que arte? para quem? de que maneira? para qual mulher?), que desconsideram a realidade.
    Feminismo é para mulheres reais, é democracia, liberdade e iguadade.
    Se não conseguirem relacionar moda a estes conceitos, dificilmente você pode dizer que moda é positivo para o feminismo.
    Até agora só escuto discursos vazios, abstratos e sem conexão com a realidade.
    (ex. moda não é estar na moda (?), moda não é industria da moda (oi?).



    E me desculpe Lola por comentar várias vezes. Mas esta não da para engolir calada de tão desrespeitoso para o feminismo que acredito.
    É triste depois de tantas meninas que sofrem direta/indiretamente pelo mundo da moda que desabafam aqui (ex> ditadura magreza) e vir gnte achando que moda é feminista e igualitária!

    Beijos Lola

    ResponderExcluir
  59. Abstrusos
    "É muito interessante ver que no mesmo post temos os comentários para a Inaie dizendo: "sim, se você acredita em fazer o que quer você é feminista, seja bem vinda" e os outros "se ela pensou só na libertação dela ela não merece a aclamada carteirinha de feminista."
    To confusa."

    Ou você não entende ou é desonstidade, só pode. Bom, o feminismo prega a igualdade e liberdade, logo a mulher é livre para fazer o que quer. Mas só dizer isso não basta.
    Outra coisa, achar que tuuuuuuudo é feminismo como voces parecem achar é demais. Sei que a Lola usa a expressão "carteirinha de feminista", pelo que sei ela usa num contexto de crítica a feministas intelectualmente elististas (o que eu concordo 100%). Só que vocês estão extrapolando esta palava para justificar coisas que não são feministas.
    Não existe carteirinha de feminista, tampouco mais ou menos feministas.
    Mas, por outro lado, vocês estão usando este "carteirinha de feminista " e "nao existe mais ou menos feminista" para justificar qualquer atitude da mulher e dizer que isso também é feminismo.
    E isso eu acho de um simplismo e desonestidade ética com tudo o que o feminismo representa.
    Este simplismo e relativismo (qq coisa pode ser feminista) chega a ser nocivo, como neste post onde começam a achar que moda é feminista e na simpatia pela Maria Antonieta.

    Cansei, nem sei porque continuo (acho que porque me sinto ofendida pela tamanho absurdo das ideias..), não parece haver um diálogo pensado no enriquecimento do feminismo, a não ser "faça o que quer e se sinta bem, você é livre", sem sair do lugar..
    Me desculpe LOla por varios comentários, não publico mais..
    Beijos

    ResponderExcluir
  60. Sim, a dinamica do consumo destroi tudo aquilo que toca. Por isso o texto trata de Indumentaria e não de moda. Existe uma diferença muito clara. A moda trata da sociedade consumista. A Indumentaria trata de outra coisa, é a roupagem, uma forma de expressão que antecede a existência da propria moda como fenomeno. No Sec XVIII ninguem pensava em feminismo (exceto a Mary Wollstonecraft). O texto se refere àquilo que escapa do nosso controle, aquelas atitudes que não são intencionais, mas acabam por significar alguma coisa e demonstrar algo. Não simpatizo com essa ideia do feminismo ter necessariamente uma intenção de liberdade, ele pode e deve ocorrer sem intenção alguma.

    ResponderExcluir