terça-feira, 7 de março de 2023

ÚLTIMOS DIAS PRA ENTRAR NO MEU TRADICIONAL BOLÃO DO OSCAR

- Eu vou acusar vocês todos de não participar do bolão da Lola.

Domingo que vem já é o Oscar, sabia? 

E aí, você já entrou no meu tradicional bolão do Oscar? Dê seus palpites aqui no bolão grátis e aqui no bolão pago (nesse caso, você precisa, além de apostar, pagar R$ 25 pelo pix lolaescreva@gmail.com e enviar o comprovante pra mim e pro jcaoalves@gmail.com). 

Quem sabe eu colocando uma imagem do magnífico Argentina, 1985 você não se anima? Claro que estou torcendo por ele! Não deixe de apostar!

segunda-feira, 6 de março de 2023

UMA LINDA HOMENAGEM

Esses últimos dias tem sido de inúmeras entrevistas e mensagens de apoio e solidariedade. Isso porque o Brasil parece ter acordado para o movimento misógino red pill (que eu chamo de mascu), depois que um coach deles ameaçou de morte uma atriz que ousou zombar deles. Pois é, a masculinidade deles é tão frágil que, na primeira gozação, o cara manda mensagem mandando tirar o vídeo do ar. Senão, é "processo ou bala". E eles são tão misóginos que nem pensam duas vezes antes de atacar e ameaçar mulheres. 

Outro motivo para a solidariedade é que publiquei duas ameaças recentes no Twitter. Não são muito diferentes das que eu recebo há mais de doze anos, mas foram as primeiras que chegaram depois que fui nomeada para participar do grupo de trabalho criado pelo Ministério de Direitos Humanos e da Cidadania para combater discursos de ódio e extremismo. 

Umas das belas homenagens que recebi foi esta (que abre o post) do desenhista Gilmar, também chamado "cartunista das cavernas". Durante a pandemia, ele já tinha me enviado um livro maravilhoso repleto de charges sobre o Brasil bolsonarista e a violência contra as mulheres. Muitíssimo obrigada a Gilmar e a todas e todos que me enchem de carinho. 

sexta-feira, 3 de março de 2023

A BALEIA É GORDOFÓBICO QUE DÓI

Faz dias que estou prometendo escrever sobre A Baleia, mas falta tempo. Vamos ver se agora eu consigo falar desse filme polêmico. Sim, eu sei que muita gente adorou e se comoveu com o protagonista. Mas imagino que a maior parte dessas pessoas não é gorda.

Antes de mais nada, eu sou gorda. Fui gorda a vida inteira, desde a puberdade, salvo um breve período em que consegui emagrecer à base de pílulas para suprimir o apetite. Também sempre fui saudável. Não tomo nenhum remédio, raramente fico doente, posso contar nos dedos de uma mão os dias em que tive que faltar ao trabalho em quase quatro décadas. Mas, com a idade (tenho 55 anos), o peso e o sedentarismo, foram surgindo alguns problemas, como esteatose e pré-diabetes. Meu principal problema no momento é a perda de mobilidade -- entrar em ônibus e subir e descer escadas ficou cada vez mais difícil. Pra reverter isso, agora estou fazendo ginástica.

Outra coisa: sou fã do diretor Darren Aronofsky. Boa parte de quem eu vi elogiando A Baleia faz isso apesar do que sentem pelo diretor. Já eu gosto, e considero este talvez seu filme mais fraco (Noé também é ruinzinho). Adoro Réquiem para um Sonho e Cisne Negro, e gostei até de O Lutador e Mãe!

Dito isso, vamos à Baleia, que pode dar o Oscar de melhor ator para o simpático (todo mundo gosta dele) e talentoso Brendan Fraser, na sua volta às telas depois de dez anos. No filme, ele faz Charlie, um professor de inglês de 270 quilos que nunca sai de casa e, à beira da morte, tenta se reconciliar com a sua filha adolescente, que ele meio que abandonou ao se apaixonar por um aluno. O trailer não menciona, mas Charlie é gay.

O filme é baseado numa peça de teatro (e dá pra ver claramente que é) de Sam Hunter com o mesmo título. A tagline da peça é "encontrando beleza nos lugares mais inesperados". O lugar mais inesperado para a beleza, pelo jeito, seria dentro do corpo e alma de um gordo (ao lado, foto de uma produção da peça).

Pois é, achei o filme muito gordofóbico, a começar pelo título. Tá, tudo bem que quem vê o filme (ou a peça) entende que é uma referência a um trecho de um ensaio sobre o livro Moby Dick. Mas eles podiam ter escolhido qualquer um entre milhares de livros que não são sobre baleias para retratar a vida de um obeso, não? Sei lá, imagina um filme em que o protagonista negro seja alvo de racismo de praticamente todos os personagens. E os criadores do filme colocam o título de “Macaco”. Mas calma aí, não é que os autores do filme estejam associando um negro a um macaco! Eles só incluíram um trecho sobre King Kong em que a palavra “macaco” é usada. Não seria problemático?

Então vamos ser honestos: se A Baleia tivesse a mínima empatia pelos gordos, não teria como título um dos insultos mais comuns usados contra gordos (eu sou chamada constantemente pelos meus inimiguinhos de baleia, jubarte, Jabba, porco. Não conheço algum gordo que nunca tenha sido chamado de baleia). 

Aliás, muitos dos aplausos para a interpretação de Brendan Fraser são justamente que ele faz uma pessoa gorda parecer humana. Gordos geralmente são xingados como seres não humanos -- baleia, porco, elefante, hipopótamo, Jabba the Hut (personagem intergaláctico de Guerra nas Estrelas) etc. Porém, como disse um dos muitos ativistas gordos que se sentiram ofendidos pelo filme, "Se a única maneira que você encontra para 'humanizar' uma pessoa muito gorda é vê-la ser humilhada, aterrorizada, envergonhada e dispensada de um jeito estereotipado, está na hora de refletir".

Sim, o movimento de aceitação do corpo ou body positive detestou A Baleia. Por uma série de motivos. Tipo: por mais que se goste do Brendan e se comemore a sua volta, por que não colocar um ator gordo de verdade para interpretar Charlie? Existem montes de atores obesos desempregados. Da mesma forma que hoje muitos ativistas LGBT criticam filmes que contratam atores cis para interpretar personagens trans, também poderia ser usado um gordo para fazer um gordo.

Porque quando se usa um ator não gordo para interpretar um gordo, o que ele precisa fazer? Usar um "fat suit" (uma espécie de roupa para aumentar o tamanho do ator). O "fat suit" hoje é amplamente condenado, porque quase sempre é utilizado para transformar pessoas gordas em piada. Pense em O Amor é Cego (filme odioso em que Jack Black é hipnotizado para ver a beleza interior e se apaixonada por uma mulher obesa, feita por Gwyneth Paltrow vestindo um fat suit), ou a Monica do passado em Friends. O fat suit é também um jeito de pessoas não gordas contarem histórias sobre pessoas gordas. Deixem que os gordos falem por eles mesmos.

A ativista Aubrey Gordon escreveu uma série de tuítes interessantes sobre A Baleia (que depois ela deletou). Por exemplo: "A Baleia mostra uma pessoa gorda 'humanizada' fazendo o mesmo que as pessoas esperam: vivendo vidas curtas, se matando de tanto comer, sentindo-se deprimido. Tudo que lembra como é trágico ser gordo, e como é superior ser magro". 

Uma das feministas americanas mais impactantes a surgir nos últimos tempos, Roxane Gay, que é gorda, bissexual e negra, escreveu um artigo para o New York Times chamado "O espetáculo cruel de A Baleia". Ela diz esperar que o público possa reconhecer que "esse retrato fílmico da gordura pouco se assemelha às experiências vividas por pessoas gordas. É, na melhor das hipóteses, uma ficção gratuita e exagerada". Ela não entendeu por que gente talentosa quis fazer um filme desumano sobre um ser humano. "O problema não é a aparência do protagonista ou os desafios do seu corpo. O problema é que os criadores do filme não escondem seu desprezo sempre que Charlie tenta satisfazer uma necessidade humana". Pra ela, ficou claro que o diretor e o roteirista veem ser gordo como o maior fracasso possível. Ela ficou para uma sessão de perguntas e respostas com o diretor depois do filme, e se surpreendeu que havia apenas quatro pessoas gordas no público e nenhuma no palco.  

A dançarina Thais Carla, que é obesa, disse no Twitter: "Que filme gordofóbico! Retrataram a obesidade como doença e um gordo homossexual obeso como um depressivo doente. Absurdo completo. Um obeso pode ser saudável". Milhares de especialistas apareceram para afirmar que a obesidade é doença e que obesos não são saudáveis.

Já um veículo de extrema-direita nos EUA (sempre gordofóbica) escreveu que A Baleia vai contra a corrente de Hollywood que lucra com a aceitação do corpo: "O filme é uma obra-prima da ilustração da miséria e é o filme mais eficiente a mostrar os horrores da obesidade severa desde Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador". Vale lembrar que no filme de 1993 com Johnny Depp e Leonardo DiCaprio, uma parte da história é sobre uma mãe que se torna reclusa depois do suicídio de seu marido e, deprimida, ganha tanto peso que seus vizinhos riem dela e seu filho a agride. Parece familiar? Depois que ela morre, os filhos queimam a casa com seu corpo dentro para que não riam dela no funeral. 

A Baleia
legitima o "concern troll". Não sei a tradução pro português. É aquele troll que tenta disfarçar seu ódio e repulsa "se preocupando" com a pessoa. Ou seja, não é que a pessoa te ache um gordo asqueroso ou que odeie obesos, ela até tem amigos que são, é só que ela se preocupa demais com a sua saúde e não quer que você morra amanhã. O "concern troll" não se considera um troll. Afinal, ele está do seu lado! Ele só quer o seu bem!

Pena não é empatia. A Baleia é ódio embalado como empatia, e será lembrado como o filme que possibilita que qualquer um diga a uma pessoa gorda: "Você não quer acabar assim, quer?"

quinta-feira, 2 de março de 2023

VOCÊ TAMBÉM PODE GANHAR DA LOLINHA NO BOLÃO

- A próxima canção é sobre a última vitória da Lola no bolão do Oscar e ela começa assim: Há muitos anos atrás...

Ha ha, isso quem inventou foi o Júlio César. Tinha uma época gloriosa em que eu ganhava meu tradicional bolão do Oscar e por isso uma grande vitória era ficar na minha frente. Bons tempos... Hoje ninguém mais se lembra da última vez que eu ganhei. 

Mas eu gostei do filme sobre o Elvis!

Bom, falta apenas uma semana pra gente fechar o bolão. Então participa, vai! Pra apostar no bolão grátis é só entrar aqui. Leva em média uns 7 minutos (pra quem for bem lerdinho). 

Pra entrar no bolão pago, clique aqui, faça sua aposta, e pague R$ 25 no meu pix (a chave é meu email, lolaescreva@gmail.com. Depois mande um comprovante pra mim e pro Júlio (jcaoalves@gmail.com), e pronto! 

Esta semana está super corrida e não encontro tempo de escrever sobre A Baleia. Mas vou ver se consigo fazer isso amanhã.

quarta-feira, 1 de março de 2023

INDICADOS AO OSCAR 2023

INDICADOS AO OSCAR 2023 (vencedores em negrito e itálico)


MELHOR FILME

Nada de Novo no Front

Avatar: O Caminho da Água

Os Banshees de Inisherin

Elvis

Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo

Os Fabelmans

Tár

Top Gun: Maverick

Triângulo da Tristeza

Entre Mulheres


MELHOR DIREÇÃO

Martin McDonagh, por Os Banshees de Inisherin

Daniel Kwan & Daniel Scheinert, por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo

Steven Spielberg, por Os Fabelmans

Todd Field, por Tár

Ruben Östlund, por Triângulo da Tristeza


MELHOR ATOR

Austin Butler, por Elvis

Colin Farrell, por Os Banshees de Inisherin

Brendan Fraser, por A Baleia

Paul Mescal, por Aftersun

Bill Nighy, por Living


MELHOR ATRIZ

Cate Blanchett, por Tár

Ana de Armas, por Blonde

Andrea Riseborough, por To Leslie

Michelle Williams, por Os Fabelmans

Michelle Yeoh, por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo


MELHOR ATOR COADJUVANTE

Brendan Gleeson, por Os Banshees de Inisherin

Brian Tyree Henry, em Causeway

Judd Hirsch, em Os Fabelmans

Berry Keoghan, por Os Banshees de Inisherin

Ke Huy Quan, por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo


MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Angela Bassett, por Pantera Negra: Wakanda Para Sempre

Hong Chau, por A Baleia

Kerry Condon, por Os Banshees de Inisherin

Jamie Lee Curtis, por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo

Stephanie Hsu, por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo


MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Martin McDonagh, por Os Banshees de Inisherin

Daniel Kwan & Daniel Scheinert, por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo

Steven Spielberg & Tony Kushner, por Os Fabelmans

Todd Field, por Tár

Ruben Östlund, por Triângulo da Tristeza


MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Edward Berger, Lesley Paterson & Ian Stokell, por Nada de Novo no Front

Rian Johnson, por Glass Onion: Um Mistério Knives Out

Kazuo Ishiguro, por Living

Ehren Kruger, Eric Warren Singer & Christopher McQuarrie, por Top Gun: Maverick

Sarah Polley, por Entre Mulheres


MELHOR FOTOGRAFIA

James Friend, por Nada de Novo no Front

Darius Khondji, por Bardo: Falsa Crônica de Algumas Verdades

Mandy Walker, por Elvis

Roger Deakins, por Império da Luz

Florian Hoffmeister, por Tár


MELHOR TRILHA SONORA

Volker Bertelmann, por Nada de Novo no Front

Justin Hurwitz, por Babilônia

Carter Burwell, por Os Banshees de Inisherin

Son Lux, por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo

John Williams, por Os Fabelmans


MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

Sofia Carson - "Applause" (de Tell it Like a Woman)

Lady Gaga - "Hold My Hand" (de Top Gun: Maverick)

Rihanna - "Lift Me Up" (de Pantera Negra: Wakanda Para Sempre)

"Naatu Naatu" (de RRR)

Son Lux - "This is a Life" (de Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo)


MELHOR EDIÇÃO

Mikkel E.G. Nielsen, por Os Banshees de Inisherin

Matt Villa & Jonathan Redmond, por Elvis

Paul Rogers, por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo

Monika Willi, por Tár

Eddie Hamilton, por Top Gun: Maverick


MELHOR FIGURINO

Mary Zophres, por Babilônia

Ruth E. Carter, por Pantera Negra: Wakanda Para Sempre

Catherine Martin, por Elvis

Shirley Kurata, por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo

Jenny Beavan, por Sra. Harris Vai a Paris


MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

Nada de Novo no Front

Avatar: O Caminho da Água

Babilônia

Elvis

Os Fabelmans


MELHOR CABELO & MAQUIAGEM

Nada de Novo no Front

Batman

Pantera Negra: Wakanda Para Sempre

Elvis

A Baleia


MELHOR SOM

Nada de Novo no Front

Avatar: O Caminho da Água

Batman

Elvis

Top Gun: Maverick


MELHORES EFEITOS VISUAIS

Nada de Novo no Front

Avatar: O Caminho da Água

Batman

Pantera Negra: Wakanda Para Sempre

Top Gun: Maverick


MELHOR ANIMAÇÃO EM LONGA METRAGEM

Pinóquio de Guillermo Del Toro

Marcel the Shell with Shoes On

Gato de Botas 2: O Último Pedido

A Fera do Mar

Red - Crescer é uma Fera


MELHOR FILME INTERNACIONAL

Nada de Novo no Front (Alemanha)

Argentina, 1985 (Argentina)

Close (Bélgica)

EO (Polônia)

The Quiet Girl (Irlanda)