sábado, 24 de agosto de 2019

COMO BOLSO TEM COLABORADO DIRETAMENTE PARA A DESTRUIÇÃO DO MEIO AMBIENTE

Ana Luiza Marques deixou hoje esses dez pontos (na realidade tem muito mais) que mostram como o desgoverno de Jair vem colaborando ativamente para destruir a Amazônia e o meio ambiente. Tudo com fontes, como é do nosso feitio.
1. Bolsonaro tentou extinguir o ministério do Meio Ambiente propondo uma fusão com a Agricultura, além de nomear um ministro condenado por fraude ambiental. 
2. Bolsonaro afirmou que pretende transformar a baía de Angra dos Reis na “Cancún brasileira", além de ressaltar que a questão ambiental só importa "aos veganos que comem só vegetais".
3. Bolsonaro repreendeu o IBAMA e o número de multas por desmatamento na Amazônia caiu 34% entre janeiro e maio em comparação com o mesmo período do ano passado. 
4. Bolsonaro disse que não iria mais criar área protegida e sugeriu explorar minério em terra indígena. 
5. O governo Bolsonaro cortou 187 milhões de reais do Meio Ambiente.
6. O corte do IBAMA foi de 89 milhões, quase metade do valor contigenciado.
7. Alemanha e Noruega suspenderam o fundo que corresponde a 3,4 bilhões de reais. Esse fundo mantém, por exemplo, os helicópteros que ajudavam a fiscalizar e combater o fogo das queimadas. 
8. O governo ignorou todos os alertas de incêndio enviados pelo INPE desde janeiro e desqualificou os dados científicos sobre desmatamento, exonerando posteriormente o diretor da Instituição.
9. Bolsonaro transferiu o serviço florestal brasileiro do MMA para o ministério da agricultura.
10. E, por fim, criou o Núcleo de Conciliação, que tem o poder de anistiar multas ambientais.


sexta-feira, 23 de agosto de 2019

BOLSONERO QUER ACABAR COM A AMAZÔNIA

É tão revoltante como o país está literalmente pegando fogo e sendo jogado nas trevas. O mundo inteiro angustiado com a Amazônia, mas o crápula completo que esquenta a cadeira da presidência acusa as ONGs pelas queimadas. Diz também que é natural, que não há como combater, porque "você sabe o tamanho da Amazônia?" Pois é, ele também não sabe. 
E, claro, não é só o mentecapto-mór da nação. Perguntado se visitaria a região para ver as queimadas de perto, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, respondeu: "Nâo, eu vou ver coisa mais importante". 
Enquanto isso, depois de Alemanha e Noruega retirarem fundos de apoio para a preservação da floresta, é a vez da Finlândia pedir que a União Europeia proíba a importação de carne bovina do Brasil. 
O presidente francês Macron escreveu no Twitter: “Nossa casa queima. Literalmente. A Amazônia, o pulmão de nosso planeta, que produz 20% de nosso oxigênio, arde em chamas. É uma crise internacional”. E convocou uma reunião do G7 para tratar dos incêndios na Amazônia.
Ainda bem que temos os bolsominions para nos tranquilizar. 
Um deles quis saber das imagens de fumaça divulgadas via satélite pela Nasa: "Nasa, are you sure?" (Nasa, você tem certeza?), o que obviamente virou um meme instantâneo.
Bolsobots indignados lançaram tags para xingar Macron. Um deles disse que Macron é corrupto e "chef of the gang" (o presidente francês cozinha pro G7, aparentemente). Outro se inspirou no seu mito e disse a Macron: "You are an international joke". 
Mas o melhor foi uma fã de Bolso que afirmou que, se o presidente francês não parasse já com essa mal-caratice e frescura de se importar com a Amazônia queimando, iria ligar pra embaixada francesa e ameaçar boicote de todos os produtos. Iria começar a não ir mais ao Carrefour.
E Dudu Bolso mostrou todo seu talento para a diplomacia ao retuitar um vídeo em que Macron é chamado de idiota, sedimentando, assim, sua indicação para a embaixada do Brasil nos EUA. 
Bolsobots estão espalhando todo tipo de fake news, como que existem 100 mil ONGs na Amazônia e nenhuma no Nordeste. 
Há menos de 16 mil ONGs localizadas nos estados da Amazônia legal, sendo que a maior parcela delas (36%) é de fundações religiosas, seguidas por associações patronais, profissionais e de produtores rurais (19%). As ONGs que atuam nas áreas de defesa do meio ambiente e proteção animal são um pouco menos que cem mil. 517 ONGs, pra ser mais exata (ou seja, 3,25% do total). Já os estados do Nordeste têm 44,4 mil ONGs.
A situação está tão drástica que Alberto Villas, num artigo na Carta Capital, recordou que, um ano atrás, a Globo exibiu vinhetas de "O Brasil que eu quero". Lembram? Tinha que gravar vídeo com o celular na horizontal. Milhares de brasileiros enviaram vídeos pedindo saúde, educação, segurança, fim da corrupção. O articulista recomenda que a Globo faça outra campanha, desta vez pedindo vídeos respondendo à pergunta: "E aí, tá satisfeito?"
Entre hoje e domingo o país será tomado por vários atos contra a destruição da Amazônia. 21 capitais já estão confirmadas. Veja onde será na sua cidade e participe.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

A TENTATIVA DE MASSACRE EM CHARQUEADAS FOI ANUNCIADA NUM CHAN

Alguns acontecimentos que quero compartilhar com vocês que mostram que os chans continuam sendo celeiros de terroristas.
O que são chans? Muita gente não sabe, então devo explicar. São fóruns anônimos, também chamados de "image boards", em que os usuários colocam uma imagem e discorrem sobre aquele tópico. Em geral os chans não aparecem em sites de busca e os tópicos somem rapidamente. Talvez existam chans pra falar de temas amenos como gatinhos e séries de TV, mas eu não conheço. 
Marcelo segura minha cabeça deca-
pitada, uma imagem frequente do
Dogolachan
Os chans que "conheço" (não sou frequentadora, mas monitorei o Dogolachan entre abril de 2014 e setembro de 2018; o Dogola é cria do Marcelo, que foi condenado a 41 anos de prisão, e hoje o chan está na Deep Web, que nunca acessei) tratam de pedofilia, compartilham gore (imagens nojentas de mulheres mortas, por exemplo), substituem o termo "mulher" por "depósito" (de esperma), comemoram atentados, e incitam jovens com tendências suicidas a cometerem massacres ("o mundo te odeia, devolva este ódio", dizem eles a desajustados, e "leve a escória junto" para quem está pesando em se matar). 
Muitas vezes chans são bem sucedidos em criar terroristas. O massacre de Suzano, em março deste ano, foi planejado e celebrado por chans brasileiros (assim como possivelmente o de Realengo, em 2011), assim como os de El Passo e Christchurch (Nova Zelândia), entre muitos outros. 
O ministro da Educação parece gostar deles. 
E é recíproco: channers idolatram Bolsonaro, Olavão e Trump. São seus mais fiéis eleitores. Nunca vi um chan de esquerda. Internacionalmente, chans seguem o mesmo padrão: são de extrema direita, usam linguajar neonazista, são racistas, LGBTfóbicos e, acima de tudo, misóginos. Não é possível ser frequentador de chan sem ser profundamente antifeminista. 
Mas por que estou falando de chans agora? Bom, é que anteontem duas jornalistas de veículos diferentes me mandaram email desconfiando de que o sujeito que sequestrou um ônibus na ponte Rio-Niterói e foi morto por um sniper era frequentador de chan. Não tive tempo de falar com elas porque estava em trânsito, voltando para Fortaleza. Até agora, sei muito pouco sobre o sequestrador. Mas não descarto nada. 
Ontem à tarde, por volta das 13h, ocorreu uma tentativa de massacre na escola estadual Assis Chateaubriand, em Charqueadas, uma pequena cidade na região metropolitana de Porto Alegre. Um adolescente de 17 anos que havia estudado na escola até 2015 (e sofrido bullying) invadiu uma sala de aula com uma machadinha (uma das armas usadas no massacre de Suzano) e atacou dois meninos de 14 anos, duas meninas de 12, uma de 13 e uma de 14. 
Todos foram encaminhados para o hospital -- felizmente, apenas com cortes superficiais. O adolescente foi desarmado por um professor de Educação Física (Juliano Mantovanha, um herói) e conseguiu fugir pela entrada principal da escola. Mais tarde, foi preso pela polícia.
Segundo o chefe do Corpo de Bombeiros, o jovem levou um galão de gasolina e tentou atear fogo numa das salas: "Espalhou por uma das salas e deu golpes num painel elétrico para ver se conseguia causar um incêndio, mas não conseguiu". Ainda bem! Se ele tivesse acesso a armas de fogo (o sonho de Bolso é que cada cidadão, independente da idade, tenha armas. Este é um dos motivos pelos quais os chans o adoram), o resultado seria bem diferente.
Quando fiquei sabendo do atentado, ontem à tarde, escrevi um tuíte dizendo que era bastante provável que o ataque tenha sido planejado num chan e inspirado pelo massacre de Suzano.
Ontem à noite uma jornalista do Jornal de Brasília entrou em contato comigo e me contou que seu veículo de comunicação descobriu que, de fato, o ataque foi anunciado num chan ontem pela manhã, umas quatro horas antes do atentado. Ela me enviou prints e hoje o jornal publicou a matéria "Um crime anunciado na internet". O jornal ainda lembrou que, em novembro do ano passado, um adolescente de 17 anos foi assassinado a golpes de canivete em frente à escola Assis Chateaubriand.
O chan em questão é o O RealChan, um fórum recente, criado no meio do ano, advindo do 55chan, e que fica na superfície (não na Deep Web). A primeira mensagem do agressor foi esta (clique para ampliar):
Nas imagens que ilustram as mensagens deste tópico no chan, há uma que remete ao massacre de Columbine (de 1999, ainda o mais influente dos ataques, que matou 13 estudantes, mesmo sendo um massacre frustrado -- os dois atiradores planejavam explodir a escola, mas seus dispositivos falharam, graças!). 
"Eu já havia avisado no finado 27 [um outro chan que não existe mais]. Mas enfim, em breve o Real estará na mídia. Não irei avisar no 55 ou no Dogola. Não darei esse gostinho pra eles". 
Emerson e Marcelo no início de 2016,
quando voltaram a ser melhores
amigos (brigaram novamente no
final do mesmo ano)
Nesta mensagem, um usuário do chan mostra seu desapontamento: "scq [sua cara quando] descobre que o anão [como são chamados usuários de chans, no caso, o jovem que cometeu o atentado] era um underage [menor de idade] e não matou ninguém". Um outro ainda cita um personagem notório do Dogolachan, Emerson (que foi preso com Marcelo em 2012 pela Operação Intolerância e hoje está foragido na Espanha), como mentor intelectual do ataque. Em outros tópicos, há menções a mim, o que indica que boa parte dos channers não frequenta apenas um chan.
"Eu não fiz até agora pois o meu parceiro está de viagem em outro estado, além de que levou um bom tempo para conseguirmos comprar as duas quadradas. Nós dois caímos em um scam e perdemos fodendo mil reais. Mas agora conseguimos comprar com um macaco da minha cidade. E é muito pouco provável que seja em uma escola, penso em atacar algum antro de esquerdistas".
Um outro usuário responde: "Não esqueça de fazer um post tanto no 55 quanto aqui no dia do acto. Queremos ter certeza que foi você". Há a preocupação de que realizar um ataque num "antro de esquerdistas" "daria mais munição contra o governo".
Um outro caso do qual ainda vou falar é o assassinato da jovem Elidia Geraldo, em Ubá, Minas. O jovem casal que a matou foi preso e confessou. A principal responsável, segundo a polícia, é Caroline Dini, codinome Emma, que chegou a ser moderadora do Dogolachan durante alguns anos. Mais um assassinato pra conta do chan.
Agora no almoço recebi este email que diz ser do "Technomage", uma mulher trans que mora no Rio Grande do Sul e, pelo que ouvi, havia desfeito sua transição e voltado a ser homem. De toda forma, é uma pessoa perturbada que também foi moderadora do Dogolachan por anos.
Não tenho como saber se o email é de Technomage ou de alguém querendo falar mal dele (pintando-o como delator e como atual moderador do chan). 
Mas seu email neste momento (logo depois do sequestro do ônibus na ponte Rio-Niterói e do atentado frustrado em Charqueadas) demonstra que há uma disputa entre os chans para ver quem tem mais protagonismo no submundo do crime, para ver quem "gera mais lulz" (risadas causadas pelo nosso choque e repulsa), para ver quem convence mais jovens de direita a virarem terroristas e realizarem massacres. 
Com o desgoverno que temos -- que não tem a menor vontade política de investigar ou prender quem vive atacando os inimigos do presidente --, este quadro só vai piorar. O Brasil virou mesmo uma tragédia anunciada.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

GUEST POST: AMOR, ÓDIO, PÓS-VERDADE E DEMOCRACIA

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), autor do projeto de lei "Estatuto da Família do Século XXI", rebate as ridículas fake news que os bolsominions estão divulgando. O PL foi retirado da pauta a pedido do relator Túlio Gadelha "para aprimoramento de sua redação". 

A indústria de fake news nas redes sociais, em grande medida responsável pela intoxicação do ambiente político e pela manipulação da opinião pública que resultou na eleição de Bolsonaro, continua funcionando a pleno vapor. O mecanismo acaba de produzir uma notícia falsa, tão sórdida quanto grosseira, sobre projeto de minha autoria que cria o "Estatuto da Família do Século XXI", em contraponto à conservadora tentativa de restringir as famílias legalmente como aquelas oriundas apenas do casamento entre homem e mulher.
Esse método vil de disputa política, com mentiras irresponsáveis produzidas por falsos veículos de informação e massificadas por exércitos de robôs e mercenários das redes, tem sido largamente utilizado pela extrema-direita para distorcer a realidade e estigmatizar adversários. Ele é destrutivo para o país, fomenta o ódio e a divisão na sociedade e interdita o debate de ideias, fundamental em qualquer democracia.
O projeto de lei 3369/2015 homenageia o amor ao propor que sejam considerados como núcleos familiares “todas as formas de união entre duas ou mais pessoas que para este fim se constituam e que se baseiem no amor, na socioafetividade, independentemente de consanguinidade, gênero, orientação sexual, nacionalidade, credo ou raça”.
A infame fake news, que visa atingir a mim, a meu partido e suas lideranças públicas, afirma de maneira mentirosa que o projeto “permite casamento entre pais e filhos”, o que obviamente seria uma insanidade. É o típico truque para falsificar um tema em debate. Quando o projeto diz “independentemente de consanguinidade”, está se referindo às milhares de famílias, sejam de casais héteros ou homoafetivos, formadas a partir do generoso ato da adoção legal de crianças e que não podem ser discriminadas como autênticas famílias.
Aliás, sobre essa tentativa de confundir a opinião pública, já havia escrito um artigo, veiculado no jornal O Estado de São Paulo, em junho de 2016. Na ocasião, apontava: “Há tempos que a família é reconhecida não mais apenas por critérios de consanguinidade –- ou seja, pai e filha ou mãe e filho --, descendência genética ou união entre pessoas de diferentes ou iguais sexos. As famílias hoje são conformadas através do AMOR, da socioafetividade, critérios verdadeiros para que pessoas se unam e se mantenham enquanto núcleo familiar. Exemplo disso, quando os filhos acabam sendo criados por tios ou tias, avós ou avôs, ou mesmo quando são adotados por outras famílias, ou, ainda, quando casais homoafetivos formam uma família.”
Da mesma forma, quando fala em “união de duas ou mais pessoas” não está se referindo à bigamia ou poligamia -– o que, aliás, é proibido em nossa legislação --, mas ao núcleo familiar composto por duas pessoas, hétero ou homoafetivas, e os filhos destes, sejam naturais ou adotados.  
É estarrecedor que grupos se aproveitem da religiosidade do povo brasileiro para semear esse tipo de acusação infundada e nojenta. O interesse, por óbvio, era alimentar a usina de fake news bolsonarista, plantar o ódio, bem ao estilo dos métodos de repetição da mentira para fabricar uma verdade. Em tempos de “pós-verdade”, quando para se formar convicções os fatos pesam menos que as emoções e visões particulares de mundo, manipular através da pregação da mentira é uma prática cotidiana.
O veículo de comunicação sequer se deu ao trabalho de me procurar para esclarecer ou ouvir o outro lado, como manda o básico do fazer jornalístico. Não queriam informar, mas criar o fato político. Tanto é assim que, feito o estrago, o site retirou o link do ar, como se não tivesse responsabilidade pela difusão do conteúdo mentiroso e danoso à reputação.
Tão deplorável quanto é o comportamento oportunista de certas lideranças políticas, mais preocupadas em fazer urrar suas hordas de seguidores nas redes sociais do que em promover a verdade e o debate público saudável.
A vida tem demonstrado que esse tipo de conduta não tem nada a ver com liberdade de expressão e que as mentiras massificadas tem método e objetivo, tendo sido usadas por esquemas sombrios e ilegais com vistas à disputa política e eleitoral. É, portanto, um risco real à democracia com o qual não podemos transigir ou pactuar.
Este artigo visa repor a verdade e os fatos, mas a gravidade da infâmia exige outras providências para que isso não volte a se repetir. As medidas jurídicas e políticas contra os propagadores da abjeta fake news já estão em estudo, pois não podemos permitir que o ódio seja fomentado entre os brasileiros.