Por causa da denúncia de estupro contra o Neymar, muitas mulheres decidiram contar suas histórias de horror. Publico aqui três.
Relato da M.
Quando eu tinha 7 anos, assim que entrei na escola, 2 garotos, de 7 e 8 anos, me importunaram sexualmente. Eles ficavam tentando me tocar na sala de aula. Eu cruzava as perninhas, agoniada e eles riam. Um deles era o líder; o outro, repetia o gesto do amigo. Não sei ao certo o tempo que aquilo durou. Pra mim, foi uma eternidade.
Eu ia para a escola tremendo. Sentava tremendo. Não sabia como agir. Eu tremia toda vez que via aquele garoto na rua. Era um horror, eu sabia pelo que eu iria passar. Um dia uma coleguinha viu e falou com a professora. Ela me mudou de lugar e tirou os meninos da sala, nada mais. Nunca chamaram os pais. Isso me trouxe problemas, um despertar pra sexualidade muito cedo. Eu sentia "tesão" fora do tempo e ao mesmo tempo, uma vergonha imensa, uma culpa imensa. Falei sobre isso aos 32 anos, numa sessão de massoterapia, onde chorei horrores, mas me libertou.
Aos 21, eu fui assediada por um professor. A princípio, me senti lisonjeada. Ele descobriu o telefone do meu trabalho, se mostrou preocupado comigo, sentava ao meu lado na sala. Ele era casado e extremamente cobiçado. Eu estava num relacionamento difícil. Estava carente, autoestima no pé. Me senti especial, afinal, o professor mais sério estava interessado em mim.
Um dia, ele apareceu no meu trabalho. Levei o maior susto. Ele pegou o endereço na lista telefônica. Fiquei encantada. Como assim, logo fulano. Me rendi aos galanteios, não acreditava que aquele professor, sério, que não falava com nenhum aluno, estava interessado em mim, uma garota cheia de complexos. Pois bem, começamos a flertar. Um dia, começamos a nos beijar. Foram alguns dias dentro de um fusca.
Eis que um dia ele sugere irmos para um motel. Eu disse que não, não era o que eu queria pra mim. Ele disse que era pra ficarmos mais tranquilos e seguros. Isso foi em 1992. Ele disse que não faria nada qie eu não quisesse. Eu reforcei que não queria transar. Não mesmo. Ele falou para não me preocupar. Concordei, era umas 22hs, eu estudava à noite e ele se ofereceu para me levar em casa. Eu dormia na minha tia. Meu pai era muito bravo.
Fomos para o motel. Eu confiei nele, meu professor, casado, com problemas no casamento. Quando chegamos, ele tirou a camisa, estava c calor. Depois, começou a me beijar e a tirar a roupa. Eu disse que não queria. Ele falou que não aconteceria nada. De repente ele tirou a calça e subiu em mim. Ele tinha 1m80. Eu 1m65, 52 kg. Eu falei que não queria. Ele continuou. Fiquei aterrorizada, imóvel, com medo de apanhar. Ele era muito maior q eu. Ele falava um monte de coisas, perguntava se eu estava gostando. Foi um horror. Quando acabou, eu não sentia nada. Ele me levou pra casa da minha tia.
Contei pra minha prima que me sentia estrupada, que fiz com medo. Fui tomar banho, me esfregava, me sentia suja, com nojo. No outro dia ele ligou no trabalho. Eu pedi que dissessem sempre que não estava. Um dia atendi o telefone. Era ele, querendo saber o porquê de eu não atender. Eu disse que me senti forçada, violentada, que eu não queria. Ele disse que me amava, que eu não podia fazer aquilo com ele. Ele continuou me ligando, nunca mais atendi. Graças a Deus não fui vítima de morte, mas foi uns dos piores momentos da minha vida.
Fora minha prima, eu nunca tinha relatado nada disso a ninguém. Tirei um peso hoje, de poder falar. Vítimas são vítimas. Só pensava que ninguém acreditaria em mim, afinal, eu fui para o motel com ele. É tão sofrido e traumático tudo isso.
Relato da E.
Olá! Sobre seu texto sobre o caso do Neymar, gostaria de dizer que me vi em todas as teses . Fui abusada por primos aos 8- 9 anos, não me lembro muito bem pois acredito que para me defender eu acabei pedindo para trabalhar com meu pai aos 12 anos. Mas não parou por aí, já teve um caso em que para ir embora do trabalho aceitei carona de um colega de trabalho. Nisso eu já tinha meus 18 anos. Ele me levou pra um motel, eu falei que não queria, mas já sabia que não ia adiantar, então aceitei porque ele ficou muito agressivo. Por medo tive relação com ele, eu pensava que eu tinha nascido era para isso mesmo. Até hoje minha família não sabe e optei para que continuasse assim para não fazê-los sofrer. Até que graças a Deus conheci meu marido. Mas enfim, seu texto tem realmente reações irrefutáveis nos casos de estupro.
Relato da L.
Aconteceu comigo. A primeira vez que eu fui estuprada, eu fui na delegacia denunciar. Eu havia sido assaltada, amarrada junto com o meu (ex) marido grande e forte, vendada, tomado coronhada de revólver na cabeça e o bandido ainda queria me levar para o comparsa dele estuprar também. Eu não sei o que fez ele mudar de ideia, eu achei que ia morrer aquele dia. Eu era filha de militar, teoricamente cheia de privilégios. Numa situação clara. E quando fomos fazer boletim de ocorrência do roubo e estupro, mesmo com meu marido do lado, a policial que me examinou fez questão de perguntar o que eu tinha feito pra provocar o estupro. Eu estava de camisa de manga longa e saia até os pés. Mas alguma coisa eu tinha feito. A culpa era minha.
Muitos anos depois, um ex-colega de trabalho perguntou se podia passar no meu apartamento pra que eu mexesse em um arquivo pra ele. Eu o conhecia há anos, confiava plenamente nele, conhecia a filha dele. Ele me propôs sexo, eu aceitei. Então, mal a gente começou, ele falou "eu gosto de bater, você sabia?" e começou a me socar. Do nada, sem motivo. Eu fiquei em choque, eu pedi pelamordedeus pra ele parar, ele não parava de me machucar. Ele terminou e ele mesmo abriu a porta e foi embora enquanto eu fiquei encolhida na cama, sangrando, em choque, sem saber como reagir.
Eu tentei pedir ajuda, mas minha própria mãe friamente disse que a culpa era minha por ter recebido um homem em casa.
Eu sabia que na delegacia ninguém ia acreditar em mim, afinal a relação começou consensual.
Eu fui trabalhar normalmente, escondendo os roxos, estancando o sangramento, vivendo meu estresse pós traumático em silêncio absoluto.
Ninguém liga pro que acontece com a gente. Nunca.






































