quarta-feira, 8 de maio de 2019

O SEGREDO DOS COLÉGIOS MILITARES

Recebi esta reflexão muito pertinente do Pedro, desmontando mais uma mentira do presidente dos ignorantes. Sabe por que os colégios militares são bons? 
Porque investe-se em cada aluno (que já vem de famílias mais abastadas, compostas por militares) três vezes mais do que é investido num aluno da escola pública comum. Assim até eu, né?
Fique com o texto do Pedro Henrique Ferreira, graduando em Direito pela UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia), em Vitória da Conquista.

Observando as últimas decisões do Governo Federal, resolvi escrever um pouco sobre o desmonte da educação básica brasileira. Após o anúncio de cortes de verbas nas universidades, institutos e colégios federais, o porta-voz da Presidência da República anunciou anteontem (06/05) que os colégios militares não sofrerão cortes. Isso se deve ao fato de suas despesas serem vinculadas ao Ministério da Defesa.
O Brasil possui 13 colégios militares federais que atendem, em sua maioria (81% dos alunos), dependentes de militares. O restante dos alunos precisa passar por seleção para ter acesso a esses colégios. Jair Bolsonaro, durante a campanha à presidência, defendeu a implantação de um colégio militar em cada estado, pois estes serviriam de modelo ao país. 
Anteontem o presidente voltou a defender a construção de colégios militares, pois, segundo ele, respeito, disciplina e amor à pátria são fundamentos desses colégios, e destacou os excelentes resultados em avaliações e rankings dos estados.
Vamos aos fatos: segundo dados de 2018 do Relatório Econômico da OCDE, o gasto do Brasil com educação em porcentagem do PIB é superior à média dos países da OCDE (5,5%). A Secretaria do Tesouro Nacional afirma que o Brasil gasta 6% do seu PIB em educação.
No entanto, pela disparidade dos gastos durante os níveis educacionais, no ensino básico o gasto é inferior à média da OCDE, justificando os resultados fracos da educação brasileira nos padrões internacionais. 
Enquanto o investimento, por ano, num aluno do ensino básico da rede pública é, em média, R$ 6 mil, o investimento num aluno de colégios militares chega a R$ 19 mil. 
Ao contrário do que o presidente acredita, o bom desempenho dos colégios não se deve à disciplina ou patriotismo, e sim ao financiamento adequado, à valorização salarial dos professores e, também, ao fato de serem colégios elitizados, que ensinam a alunos de renda elevada.
Por serem colégios de excelente desempenho, as vagas destinadas aos civis, que dependem de seleção, têm concorrência superior às de cursos concorridos em universidades públicas. O projeto proposto pelo presidente, além de baseado em uma retórica falsa, reforça desigualdades e prejudica os mais pobres. Educação não deve ser privilégio, e sim direito.

terça-feira, 7 de maio de 2019

GUEST POST: O ANTI-MAPA DA PRIVACIDADE

O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) é uma ONG de defesa do consumidor que atua há 31 anos por relações de consumo mais justas e responsáveis. Desde 2011, a ONG tem lutado pela aprovação de uma Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais no Brasil, produzindo pesquisas, matérias, eventos, oficinas e textos para o Congresso. 
Segundo a Laise, uma analista do Ipec, "Hoje é um dia importante porque deve ocorrer a votação no Congresso Nacional da Medida Provisória 869/18 que irá determinar o modelo da autoridade de proteção de dados brasileira e estamos de olho nisso! Nesse momento, é muito importante que os brasileiros entendam como essa nova  lei funciona e como isso impactará a vida de todos".
Publico aqui um texto explicando melhor a lei e a relevância de proteger nossos dados. Há vários links para se informar mais. 
Quantos aplicativos você tem no celular? Quantas vezes você já registrou seu CPF em farmácias ao comprar um medicamento? Quantos websites já instalaram “cookies” no seu computador para monitorar o que você faz online? O que fazem com a informação que coletam sobre você? Os nossos “rastros digitais” estão em toda parte, dentro e fora da internet. 
Quase todos os nossos movimentos são passíveis de rastreamento: cada compra, cada acesso, cada busca, cada rota. Os nossos rastros digitais estão em toda parte, dentro e fora da internet. Mas você sabe o que tem sido feito no Brasil para proteger os nossos dados?
Em agosto de 2018, o Brasil finalmente aprovou a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, mas a luta ainda não acabou. A lei apenas entra em vigor em janeiro de 2020. Até que isso ocorra, seguimos vulneráveis. Hoje (07/05) mesmo, pode ocorrer no Congresso Nacional a votação da Medida Provisória 869/18 sobre o modelo da autoridade de proteção de dados brasileira.
Para que todos possam proteger seus dados, o Idec elaborou o ebook Anti-mapa da Privacidade, um material para ajudar todos a esconderem seus rastros, e o Mini-curso Online, com aulas super didáticas sobre como sua vida será impactada pela nova Lei de Dados Pessoais.  
Seguindo esses passos, vai ser muito mais difícil te rastrearem e extraírem ouro pelos seus rastros deixados.
Explore o especial para entender o que está em jogo com a desproteção de dados, conheça casos importantes e o histórico de luta que passamos para conseguir essa conquista, além de contar com uma biblioteca de conteúdos para se aprofundar no assunto.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

NÃO VAI TER CORTE, VAI TER LUTA

Hoje o Colégio Militar no Rio comemorou 130 anos, e o presidente dos ignorantes foi prestigiar o evento. 
Não contava com o protesto gigantesco de alunos, pais e professores dos colégios Pedro II, Instituto Federal de Ciência e Tecnologia, CEFET, Fundação Osório e Colégio de Aplicação da UFRJ. Centenas cantaram belos gritos de guerra, como: 
"Acabou a paz / mexeu com estudante / mexeu com satanás".
"Não somos balbúrdia / Lutamos por direitos / Se tira nossa verba nós tiramos seu sossego".
"Ih a federal vai resistir / 30% é o caralho / eu quero escola pra estudar".
"30% é o caralho, eu quero ver você cortar do seu salário". 

Dentro do Colégio Militar Bolso também não teve sossego. Uma ex-aluna do colégio, que hoje é estudante de Direito da UFRJ, disse ao fascista: "vergonha, ser inimigo da educação pública". Depois, Maria Eduarda Sá Ferreira justificou à imprensa: “Eu sou contra esses cortes porque sei que a maioria dos sonhos dos estudantes daqui, que não vão seguir na carreira militar, justamente é estudar nas universidades de ponta do País, e as universidades de ponta do País são as universidades públicas”. 
Não foi só o governo que foi pego de surpresa. Alguns haviam menosprezado os protestos, que também aconteceram em outras instituições, como na UFBA, em Salvador, e no IFRN, em Natal, pelas imagens que vi. "Se for 50 cabeça é muito", disseram. Foram muito mais que "50 cabeças". E é só o começo. 
Pelo jeito, quem vai nos mostrar como resistir serão os jovens, mais uma vez. Foram eles (e eu também, jovem na época) que derrubamos o Collor em 1992 com as passeatas dos caras pintadas. E, pra mim, o maior movimento de resistência depois do golpe de 2016 foi a ocupação das escolas. Ocupação comandada por estudantes, na sua maioria garotas da periferia.
Vivemos um momento crítico no Brasil. Já era esperado isso do governo fascista. O Meteoro Br resumiu bem num vídeo por que Bolso e o sinistro do MEC se empenham para acabar com a educação: são ressentidos. Como a academia nunca deu espaço pra olavismo, pra terraplanismo, pra teorias da conspiração tipo "marxismo cultural", esses lunáticos que são frequentemente deixados de fora de qualquer discussão minimamente séria querem vingança.  
Clique para ampliar
Mas não havia previsão do corte de 30% na educação (e em outros setores básicos também). O sinistro Weintraub primeiro anunciou o corte como se fosse uma punição pela "balbúrdia" a três universidades, a UnB, a UFBA e a UFF, que estão entre as melhores do país. Fez chantagem: afirmou que, se a Reforma da Previdência passasse, o governo poderia voltar atrás. Depois viu-se que o corte era para todas as universidades e institutos federais. Weintraub ainda teve a desfaçatez de mentir mais uma vez: disse que a meta era tirar recursos da educação superior para priorizar a educação básica, escondendo que pelo menos R$ 2,4 bilhões dos quase 8 bi de corte viriam de programas do ensino infantil e médio. 
A outra mentira do sinistro consistiu em sugerir que haverá aumento dos gastos na educação básica. O Teto dos Gastos, também conhecido como a PEC da Morte, proibiu investimentos sociais (porque não é gasto -- é investimento!) por duas décadas. Essa PEC aprovada por Temer, com o apoio de Bolso, congelou os gastos do governo federal por vinte anos. Com isso todos os serviços sociais sofrem: educação, saúde, segurança, saneamento básico. 
Ninguém solta a mão de ninguém!
Em cima desse congelamento da PEC, os donos do poder meteram outro, este agora dos 30%. O Colégio Pedro II,  por exemplo, a mais antiga instituição federal de ensino básico do Brasil, e que atende cerca de 13 mil alunos, sofreu quase 37% de cortes no orçamento de custeio. Um bloqueio de mais de R$ 18 milhões, que inviabiliza a sobrevivência da escola. Não à toa, muitos de seus estudantes foram às ruas protestar hoje. 
Acharam que iam fechar universidades e institutos federais sem que houvesse reação? Pois se enganaram. Além dos protestos de hoje, já há uma greve de estudantes, professores e servidores marcada para o dia 15 de maio, que pode ser vista como um esquenta para a greve geral de 14 de junho. 
Mas é terrível como os fascistas estão tentando destruir o Brasil. Lembra quando a gente lutava para que 10% do PIB fosse pra educação? Não se falou mais nisso. Entregamos o Pré-Sal pros gringos, e só vieram cortes, que não começaram agora, mas com o governo Dilma. 
Não é de hoje que as universidades públicas e os institutos federais estão endividadas. Só que cortar 30% do que já está baixo é um golpe pra nocautear mesmo. E é um projeto deste governo que, já na campanha, escolheu professores como seus principais inimigos.
Parece que boa parte da população sofreu uma lavagem cerebral pra eleger os políticos mais podres, mais corruptos, mais incompetentes. Isso não aconteceria se tivéssemos doutrinação de verdade nas escolas e universidades, como os reaças amam inventar. Estamos num período de muitos retrocessos: antes a gente tinha que mostrar a importância das cotas. Agora tem que mostrar a importância da educação pública. 
Esse golpe duro na educação pública vai fazer muita gente acordar. Já tem anos que projetos totalitários como o Escola sem Partido tentam criminalizar professores. Reaças passaram os últimos meses implorando para que alunos filmem seus professores "doutrinadores". Mas é um blefe, e Bolso e sua gangue sabem disso. Pais e alunos não veem professores como inimigos, e sim como aliados. Estamos no mesmo barco. De que lado esses salafrários acham que os estudantes ficam, do lado dos professores ou de um governo que persegue professores e quer fechar suas escolas e universidades?
Estamos só começando. É balbúrdia que eles querem? Pois vamos fazer balbúrdia!

sábado, 4 de maio de 2019

GOVERNO QUER ACABAR COM CURSOS DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA

A ideia de acabar com Filosofia e Sociologia é que o Brasil já tem um grande filósofo (Olavo); logo, por que precisaria de qualquer outro?

Foi por isso que não assinei petição pedindo a saída do Vélez como ministro do MEC -- eu sabia que viria um cara ainda pior. E veio.
O atual sinistro, Abraham Weintraub, tem declarado guerra à educação brasileira nos últimos dias (pois é; neste governo, o responsável pela pasta é quem mais luta contra a área que deveria promover). Primeiro ele incentivou alunos a filmarem professores em sala de aula. Depois, disse que repasses para cursos como Filosofia e Sociologia devem ser reduzidos para "respeitar os pagadores de impostos". Por último, mentiu dizendo que puniria três universidades que faziam "balbúrdia", cortando suas verbas, e em seguida congelou os gastos de todas as instituições federais de ensino em 30%. Pra completar o show, ainda fez chantagem: disse que, se a reforma da previdência passasse, talvez os cortes seriam revistos. 
O cenário é gravíssimo, e iremos tratar mais disso em outros posts. Várias universidades e institutos federais já anunciaram que, se o governo não voltar atrás, elas fecharão as portas antes do final do ano, o que deve fazer salivar a irmã de Paulo Guedes, Elizabeth, que é presidente da Associação das Universidades Particulares. Imagina só a fortuna que as faculdades privadas vão ganhar (como se já não ganhassem muito agora) se as públicas acabarem! 
Reproduzo aqui hoje a nota do Departamento de Filosofia da UFSC sobre o que o sinistro e o presidente dos ignorantes disseram em pronunciamento:

Nós, professoras e professores do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina, vimos manifestar nosso repúdio às declarações recentes do Sr. Presidente da República e do Sr. Ministro da Educação sobre a “descentralização de investimentos em faculdades de Filosofia e Sociologia (humanas) (sic)”, com o objetivo de “focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como: veterinária, engenharia e medicina”.
O Departamento de Filosofia da UFSC, composto por um corpo docente de professores doutores e doutoras, participantes ativos da comunidade filosófica, no Brasil e no exterior, oferece dois cursos de graduação em caráter presencial, um curso de graduação em caráter EaD, um curso de mestrado e um curso de doutorado, todos dentre os melhores do país. O curso de doutorado já formou mais de uma centena de doutores e doutoras, nas suas três áreas: Epistemologia e Lógica, Ontologia e Ética e Filosofia Política, aí incluídos alunos e alunas provenientes de cursos como Direito, Biologia, Matemática, Engenharia e etc, inclusive alunos provenientes de outros países da América Latina e da Europa.
Consideramos que as declarações das autoridades mencionadas ignoram as inúmeras contribuições, diretas e indiretas, da Filosofia em geral e de nosso Departamento em particular, para a sociedade (incluindo aí os “contribuintes”):
1) Ignoram o fato de que muitas discussões filosóficas têm implicações diretas em outras áreas do Conhecimento. Por exemplo, é impossível pensar em modelos pedagógicos sem suposições sobre a natureza do “conhecimento”; de modo análogo, é impossível pensar sobre educação científica sem suposições filosóficas de fundo sobre a natureza da ciência; é impossível pensar sobre a Medicina sem considerar pressupostos sobre o que é a vida, pensar sobre a Veterinária sem assumir pressupostos sobre a nossa relação com outros seres vivos e etc.
2) Ignoram o caráter instrumental de muitas das competências que são intensamente treinadas nos cursos de Filosofia: definir conceitos, avaliar formas de argumentos, desafiar metáforas, etc. Um curso de Filosofia é um curso onde se cultivam de modo enfático e explícito, práticas de pensamento rigorosas, que têm alimentado, desde há muito, toda a atividade científica.
3) Ignoram as contribuições da Filosofia no que diz respeito ao bom comportamento intelectual e ético como, por exemplo, as discussões sobre comportamento virtuoso e sobre valores.
Bolso, ao anunciar o novo sinistro do
MEC no Twitter, inventou que ele
era doutor. Weintraub é apenas mestre
4) Ignoram a importância prática da compreensão menos superficial e dogmática de inúmeros conceitos que impactam nossa cultura, tais como os de “verdade”, de “racionalidade”, de “natureza”, de “ética”, de “democracia”, de “arte”, todos conceitos associados a um longo processo histórico de construção de ideias, um processo que é esclarecido pela História da Filosofia, que ocupa um lugar central em uma história do pensamento humano.
De modo igualmente grave, ao sugerir que um curso de Filosofia é um curso a ser financiado diretamente por quem se interessa pelo assunto, ignora-se o fato de que um grande número de estudantes matriculados nesses curso são alunos de baixa renda, o fato de muitos ex-alunos terem ascendido socialmente por conta das ferramentas intelectuais que adquiriram ao longo do curso. Ignora-se o fato de que cursos de filosofia, em seus diversos níveis, colaboram com a requalificação de professores, não apenas os de Filosofia, mas das mais diversas áreas. Ignora-se, por fim, o valor e o interesse da inclusão de indivíduos de todos os estratos econômicos na discussão sobre valores socialmente importantes, não apenas aqueles socialmente privilegiados.
Este Departamento convida todas as pessoas interessadas a conhecer nossas atividades, a participarem das inúmeras atividades por nós realizadas (palestras, simpósios, colóquios, defesas de mestrado e doutorado, etc), a visitarem os sites da graduação e da pós-graduação, a acessarem os currículos e planos de aula dos cursos, a assistir aos vídeos e a ler textos disponibilizados por nossos e nossas docentes,  para daí formarem seu próprio juízo sobre o alcance de nossa contribuição à Universidade e à comunidade em geral.       
Por fim, convidamos a todos os interessados em Filosofia, em Educação, em Ciências, em Artes, em Direito, em Economia, em Engenharia, em Teologia – ou, para resumir, todos os que reconhecem o valor do pensamento reflexivo -– a manifestarem seu repúdio à descabida experiência proposta pelo Governo Federal, uma experiência que não vem sustentada por uma avaliação de impactos financeiros, que não se coaduna com as ideias mais básicas de uma concepção liberal-igualitária de cidadania democrática e que foi rejeitada por todas as poucas sociedades democráticas que consideraram concretizá-la. Convida ainda a todos os interessados no pensamento livre e plural a manifestarem-se contrariamente a qualquer ação contra a autonomia universitária e contra a pluralidade de pensamento.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

PEDE PRA SAIR, JAIR!

Bolso acabou de sofrer mais uma grande humilhação. Ele foi forçado a cancelar a viagem a Nova York no dia 14 de maio, quando seria premiado como "Pessoa do Ano" pela Câmara do Comércio Brasil-Estados Unidos. 
Esta semana foi bastante intensa. Circulou uma petição exigindo que o evento fosse cancelado. Um senador democrata disse que Bolso era um "notório homofóbico" (bolsominions gritaram "Vai pra Cuba!"). Lançamos tags no Twitter como #CancelBolsonaro e #TakeItDownMariott (para que o hotel acabasse com o evento). Manifestantes fizeram protestos na frente do hotel. Vários patrocinadores, como a Delta Airlines, o Financial Times e a consultoria Bai e Company caíram fora.
Antes disso, o Museu de História Natural de NY anunciara que não sediaria o evento. O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, também já havia se manifestado contra a vinda do fascista. 
Diante do fracasso, Bolso fez algo flagrantemente ilegal e que deve ser investigado: 
mandou que o Banco do Brasil patrocinasse o jantar, pagando US$ 12 mil para ter uma mesa no jantar de gala. Agora que o evento gorou, o dinheiro -- pago com seus impostos -- será devolvido?
Bolso ainda pode fazer a premiação em lugares que o aceitam, como na casa do Queiroz ou do vizinho miliciano, no puteiro Bahamas, na Havan ou no Açaí da Val (se bem que ela deve estar de mal). 
Qual será o próximo lugar a te cancelar, Bolso? O Brasil!
Ainda posso aparecer em público?

quinta-feira, 2 de maio de 2019

HOMENAGEM A ASSASSINO? E A VIDA DE UMA MULHER, NÃO VALE NADA?

O Flamengo acertou ao deixar o goleiro Bruno de fora

Sexta passada o Flamengo comemorou o Dia do Goleiro com uma arte com vários goleiros que passaram pelo clube, e muitos torcedores pediram o goleiro Bruno -- aquele que matou a modelo e atriz Eliza Samudio em 2010. 
A Jamille Bullé, que trabalha com jornalismo esportivo, escreveu um texto importante sobre este absurdo.

"Cadê o Bruno?"
Clique para ampliar
Na última sexta, o Flamengo fez uma publicação nas redes sociais em comemoração ao dia do goleiro. Na imagem, aparecem nomes do elenco atual (Diego Alves, César e a goleira Kaká) e outros que marcaram a história do clube (Júlio César, Clemer, Raul, Gilmar Rinaldi, Cantarelli, Zé Carlos, Fillol e Renato). Por mais surreal que pareça, diversos comentários foram escritos por torcedores indignados com a ausência de Bruno na seleção.
Sim, aquele Bruno. O goleiro Bruno. Bruno Fernandes das Dores de Souza, condenado por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver no caso do assassinato de Eliza Samudio -- além de sequestro e cárcere privado do filho Bruninho.
Um clube que tem tantos ídolos memoráveis em sua história. Um título com tantos personagens marcantes. Adriano, de volta ao seu clube de coração, reconstruiu e consolidou seu império em solo brasileiro. Petkovic, aos 37 anos, em uma nova versão do vovô-garoto, provando que futebol não tem idade. Angelim, um feliz herói improvável, cuja "maior vaidade é ver o Flamengo vencer". 
Fã de Bruno foi ao presí-
dio em 2017 usando
máscara (cachorros
devoraram o corpo de
Eliza)
Chega a ser injusto com tantos nomes que merecem ser lembrados como ídolos daquele tão esperado título. É injusto com Eliza, que teve sua vida interrompida. 
Com Sônia de Fátima Marcelo da Silva Moura, mãe da vítima, que teve sua filha assassinada e sequer conseguiu o direito de enterrar o corpo. Com Bruninho, cujo pai transformou-se em um assassino ao mesmo tempo em que tirou o direito do convívio do menino com a mãe. Traumas irreparáveis.
O clube teve bom senso em não usar a imagem do goleiro na postagem parabenizando pelo dia do goleiro. Foi parte da torcida, nos comentários, que cobrou a presença de, veja bem, um homem condenado por assassinar, com requintes de crueldade, e ocultar o corpo da mãe de um de seus filhos.
Em um país onde 1.173 mulheres foram vítimas de feminicídio, de acordo com levantamento do Monitor da Violência -- uma parceria do G1 com o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública --, este comportamento é um retrato da mentalidade de boa parte da sociedade no nosso país. Na cabeça dessas pessoas, a vida de uma mulher não vale nada.