segunda-feira, 8 de abril de 2019

GUEST POST: VENCEMOS!

As guerreiras perseguindo o carro que as atropelou

Thaís é escritora, ativista, feminista, LGBT e defensora de direitos humanos.
Em 2017, em Nova Friburgo, RJ, ela interferiu para ajudar uma moça que não conhecia num bar, que havia sido arrastada para o banheiro por um homem chamado Gabriel. Quando Thaís chamou o agressor para ir à Delegacia da Mulher, ele tentou atropelá-la com seu carro. Atropelou uma amiga. Mesmo assim, Thaís foi à delegacia. E isso foi o que ela escreveu em 2017:

Acabo de sair da delegacia da mulher, estava dando meu testemunho sobre uma agressão e, sinceramente, minha empatia pelas mulheres que não denunciam triplicou. Lá, te perguntam todos os detalhes -- todos, por menores que sejam --, te questionam sobre tudo a fim de encontrar qualquer coisa que possa ser usada contra você e o processo não ir pra frente. Enquanto eu esperava, não sei informar quantas vezes passou pela minha cabeça "Será que eu exagerei?", "Será que eu dei show à toa?", "Será que precisava disso tudo mesmo?". Precisava. Sempre vai precisar. 
Imagem do vídeo
E sabe o que é pior? Eu sei que vamos ser deslegitimadas. Sei que nossa voz vai ser calada. Sei que Friburgo é uma cidade minúscula e isso pode se voltar contra nós. Como podemos ser culpadas pela agressão do outro? Isso não existe. Nada justifica. 
Pensei milhões de vezes antes de me abrir dessa forma, não sei até que ponto esse tipo de exposição ajuda ou atrapalha. Mas acho necessário que fique claro que aqui não vai mais passar em branco. O "show" é legítimo, o escândalo é válido e agressão contra a mulher é crime. 
Eu agradeço aos meus amigos que não estão me deixando fraquejar, agradeço a eles que estão sempre me lembrando que machismo e misoginia NÃO PASSARÃO. Nunca mais. Vocês não estão sozinhas e nem eu.

Dois anos se passaram, e finalmente a sentença saiu. Este é o relato de Thaís hoje:

Quase dois anos depois, o agressor Gabriel teve sua sentença. As perguntas que eu e minhas meninas nos fazíamos na DEAM foram respondidas: é necessário SIM fazer escândalo. É necessário SIM dar show. 
Tínhamos essa resposta em mente porque somos feministas e sabemos o quanto é importante fazer um movimento para que machistas, misóginos, covardes e inconsequentes tenham o que mereçam.
No dia, eu estava indo ao banheiro de um bar em Friburgo, quando ouvi uma pequena confusão e uma menina chorando copiosamente. Perguntei, então, o que havia acontecido e, enquanto ela me contava que Gabriel a havia arrastado para o banheiro, o garçom o retirou do local e ele voltou a beber, normal e tranquilamente.
Fui atrás. Questionei se ele preferia ir comigo à DEAM ou esperaria a intimação chegar. Em tom de deboche e com certeza da impunidade, me respondeu “bora lá. Vamos no meu carro ou de táxi?”. Passei na minha mesa e avisei aos meus amigos que estava indo de táxi à delegacia. Prontamente, todos se levantaram. Gabriel havia estacionado seu carro próximo ao bar e, como eu estava mais à frente, ele entrou e engatou a ré, como se fosse me atropelar. Continuei imóvel. 
Covarde, como já havia se mostrado, ele engatou a primeira. Uma de minhas amigas parou em frente ao capô do carro e perguntou se ele iria passar por cima. A resposta não veio em palavras -- ele simplesmente acelerou. Não sei com que força, com que técnica ninja, com que coragem, mas minha amiga conseguiu pular e sentar no capô e se segurar no limpa vidro (inclusive, Gabriel, se quiser de volta, guardamos como prova da sua falta de coragem em assumir os atos de AGREDIR DUAS MULHERES). 
Acham que Gabriel parou? Imagine! Acelerou mais ainda e fez uma curva fechadíssima em alta velocidade. Minha amiga voou longe, foi parar no meio da rua.
Felizmente, um amigo meu estava filmando. Filmou tudo. Filmou Gabriel acelerando, filmou minha amiga sendo arremessada, filmou todo mundo correndo, tudo. Tudo foi entregue à DEAM. 
Durante dois anos, tivemos a certeza da impunidade. Tivemos raiva, ódio, audiências, conciliações. Até que hoje, uma das amigas agredidas por Gabriel me mandou uma mensagem com a foto do documento de sua sentença. Foi condenado. Vai pagar. Vai sair do bolso. 
Vai entender na marra que NÃO PASSARÃO. 
Gabriel e todos os AGRESSORES COVARDES: não aceitamos ser interrompidas. Eu sou porque nós somos. 
A cada mulher agredida ou silenciada, outras mil serão suas vozes. 
“Somos mulheres, a resistência de um Brasil sem fascismo e sem horror. Vamos à luta pra derrotar o ódio e pregar o amor.”
De batalha em batalha, vocês vão perder a guerra que só vocês quiseram entrar contra quem é muito mais forte. Se cuidem.

domingo, 7 de abril de 2019

#LULALIVRE: UM ANO COMO PRESO POLÍTICO

Hoje, 7 de abril, faz um ano que o ex-presidente Lula está preso em Curitiba. Não é uma questão de se gostar ou não de Lula, mas de democracia. 
Lula foi preso para impedi-lo de concorrer à presidência no ano passado, quando ele era o grande favorito.
Há vários eventos exigindo #LulaLivre por todo o país, principalmente em Curitiba. É possível assistir aos protestos ao vivo aqui

O mundo inteiro sabe que Lula é preso político. 
Queremos #LulaLivre!

sábado, 6 de abril de 2019

LARISSA ME REPRESENTA

Ahahahah, amei! Larissa -- que não sei quem é, não conheço, mas já considero pacas -- me representa. Vou reproduzir esta conversa (que a Lívia postou no Twitter dela) pra vocês.

Alguém: Amiga, esses dias me deu vontade de comer aquela lasanha que tu faz.
Larissa: Faz uma e come.
Alguém: Larissa, a eleição já acabou, porra! Só por que eu votei no Bolsonaro não vou mais poder comer da sua lasanha? kkk
Larissa: Também não vai poder se aposentar.
Alguém: Sério que vc postou nossa conversa no LDRV? [não sei o que é]. Tudo isso por causa de uma lasanha. Já parou pra pensar que as eleições já acabaram? Agora me diz, vale a pena todo esse rancor?
Larissa: Vale.
Alguém: Tá bom, Larissa, então o fato de eu ter votado no Bolsonaro me torna a pior pessoa do mundo? É isso?
Larissa: É isso.
Alguém: Vei, naquele dia você passou, cumprimentou meu cachorro e não falou COMIGO!
Larissa: Prioridades.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

VAMOS APRENDER A NOS VALORIZAR

"Eu não trabalho de graça", do Vida de Hipster

Só vi hoje um excelente vídeo da sempre maravilhosa linguista e YouTuber Jana Viscardi em que ela reflete sobre o valor do nosso trabalho.
Ela começa falando sobre um problema frequente de um recém-doutor: onde conseguir emprego (e, claro, nem precisa ser recém-doutor). Os que acabam buscando emprego em faculdades particulares costumam ser muito explorados. É comum uma instituição privada pegar seu nome pra cumprir algum requerimento (mínimo de doutores, por exemplo), e assim que passa a fiscalização -- tchau, doutor!
Eu nunca passei por isso, pois tive a sorte de ser aprovada no primeiro e único concurso que fiz na vida, que foi pra Universidade Federal do Ceará, em 2009. Mas conheço um monte de gente que sofreu e ainda sofre na mão de empresas que buscam apenas o lucro.
No entanto, Vana continua tratando de um tema que deve até ser lugar comum pra quem tem blog, vlog, canal no YouTube, qualquer coisa. É bastante rotineiro receber convites pra gente dar destaque no nosso canal pra alguma empresa. Em troca, ganhamos o quê? A chamada "visibilidade". 
(Agora lembrei do ilustrador Di Vasca, que escreveu várias vezes, sempre de forma hilária, sobre os pedidos que recebia para fazer desenhos e logotipos de graça pra empresas em troca de visibilidade). Eu costumo ignorar esses pedidos. Nem respondo.
Na Casa TPM em 2013:
sem cachê
Mas e quando alguém te chama pra dar uma palestra? Nos últimos anos, tenho participado de centenas de eventos por todo o país. Quase sempre não cobro nada, exceto transporte, hospedagem, alimentação. Não gosto muito disso, mas como a maior parte dos convites vêm de universidades públicas, e eu faço parte de uma universidade pública, sei como a falta de dinheiro é crônica. Mas já dei várias palestras grátis para faculdades particulares também, principalmente quando o convite parte de coletivos feministas ou de centros estudantis.
De sindicatos eu tento cobrar alguma coisinha. Outro dia recusei um convite para palestrar num sindicato em Vitória. Eu queria aceitar, até porque não conheço o Espírito Santo.  Mas me senti mal com a ideia de que eu provavelmente seria a primeira palestrante da história do sindicato a não cobrar. Como era pra falar sobre feminismo, ativismo, as pessoas têm a ideia de que cobrar pelo seu trabalho seria ganância, que você deve fazer isso como missão na vida. É ridículo. Afinal, ativistas também têm contas a pagar, como qualquer outra pessoa.
Em fevereiro, recebi um convite para palestrar numa grande empresa de comunicação no Ceará no dia 8 de março. Já achei estranho porque a empresa queria ter reuniões comigo pra detalhar como seria a palestra. Antes de prosseguir com a conversa, perguntei, sem jeito (sou péssima pra isso, mas me contaram que o Tom Jobim, um gênio, costumava perguntar "Tem uma graninha aí?"), se haveria algum tipo de cachê. A moça me respondeu que não, que a empresa não tinha pensando nisso. Eu disse que dar palestra de graça pra universidades e escolas públicas era uma coisa; pra empresa particular super lucrativa, era outra. Ela me pediu pra mandar um orçamento, eu mandei, bem baixinho, e a empresa nem respondeu.
Isso me lembrou uma outra exploração. Aconteceu há alguns anos e eu honestamente não lembro em que cidade de Minas Gerais foi. Pelo jeito, minha mente fez questão de apagar. Mas fui convidada para participar de uma bienal do livro naquela cidade. Eu, que sou uma besta que não se valoriza, nem perguntei sobre cachê. Aí veio o primeiro erro: me esqueceram no aeroporto! Vocês acham que esqueceriam alguém que eles tivessem contratado? Nunca! Mas como era a feminista que não cobra nada, me deixaram três horas plantada no Galeão (iriam me levar de carro do Rio pra MG). 
Depois da minha palestra na bienal, conversando com outros escritores (a maior parte mais desconhecidos do que eu), vi que todos haviam cobrado cachê, menos a otária aqui. Enviei um email pra organização, manifestando meu desagravo, e me pediram desculpas, prometendo que corrigiriam a injustiça numa próxima bienal. Preciso dizer que nunca mais ouvi falar deles?
O pior, como lembra a Jana, é que muitas vezes esses convites pra gente, feminista, ativista, palestrar de graça vem de empresas que dizem que querem empoderar mulheres. Não podiam começar valorizando as palestrantes feministas que chamam, e pagar algum tipo de cachê? Afinal, podem ter certeza que o coach que eles chamam para palestrar e o humorista que eles chamam para animar o auditório não vão lá por amor à causa. 
E vocês, pessoas queridas, têm histórias parecidas? A Jana contou que o vídeo dela gerou um monte de trocas de experiências. Contem aqui também!

quarta-feira, 3 de abril de 2019

A LUTA VALE A PENA: "VOCÊS NÃO ESTÃO SOZINHAS"

Observem só como a luta é necessária e vale a pena!
Semana passada a jornalista Amanda Audi publicou matéria no The Intercept Brasil mostrando um absurdo. Denian Couto, comentarista reaça e um dos maiores destaques da Joven Pan e da TV Record do Paraná, foi acusado de ameaçar de morte a ex-noiva Giulianne Kuiava, colega dele na emissora. A matéria trazia uma gravação em áudio, cheia de ofensas de Denian a Giulianne. A gravação já havia sido levada ao grupo RIC (o conglomerado de comunicação dono dos veículos), que nada fez. 
Além disso, Denian também é acusado de agredir física e/ou verbalmente outras quatro mulheres. Ele, óbvio, nega. No entanto, se não fosse a matéria de Amanda, e o protesto do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado (Sindjor) na frente da emissora, Denian continuaria lá, com total impunidade. Anteontem ele foi demitido.
Reproduzo aqui o texto que a jornalista Giulianne (Giuli) publicou na sua página no Facebook no dia 28 de março. É um texto corajoso, de uma mulher que, apesar de ouvir do ex-noivo "Eu vou te matar se você não calar a sua boca", não se calou. 
Esse é um texto sobre violência doméstica, ameaça, abuso psicológico e omissão. E não, hoje não vou falar sobre nenhuma história que acompanhei como jornalista. Hoje vou falar sobre a minha história. 
Se você passa por algo parecido, esse texto é pra te ajudar. Ou, se você conhece ou desconfia que alguém do seu ciclo já passou por alguma dessas situações, faça essas palavras chegarem até essa pessoa. 
Vivi um relacionamento abusivo. Descobri mentiras doentias, fui xingada dos nomes mais baixos que vocês possam imaginar. Palavras que nenhuma mulher no mundo, sob hipótese alguma, deveria ter que ouvir. Fui ameaçada. Sim, ele disse -- com todas as letras -- “eu vou te matar”. 
Isso tudo foi por ligações. Não sei qual a sua crença. Sei que naquela noite, acredito que Deus desviou minha rota. Eu, que estava indo pra casa do homem em questão, não cheguei até lá. Por sorte. Por fé. Por ter lembrado da reportagem que fiz no dia anterior, sobre a morte da Daniela. Uma moça linda, jovem, cheia de vida, que levou dezenas de facadas do próprio marido, pai da filha dela. Uma criança de apenas dois anos com a qual ele tirava fotos e dizia que amava. Mas, fez a pequena assistir a morte da própria mãe. 
Quando recebi a primeira ligação ameaçadora, me veio na cabeça a imagem da cortina rasgada, dos respingos de sangue na parede. E foi como se em câmera lenta eu pudesse ver o sangue da Daniela escorrendo pelos dois degraus da casa dela, onde eu estive. Eu vi o sofrimento da mãe e do padrasto da Daniela. A família dela nem sabe. Aliás, pouquíssimas pessoas sabiam até agora. Mas, a Daniela me salvou. 
Hoje eu entendo muito sobre a dificuldade que as mulheres que vivem esse tipo de situação tem de expor o que passaram. Eu faço depois de quase dois meses do ocorrido. Faço porque assim como a Daniela me salvou, esse texto pode te salvar. Ou salvar alguém que você conhece. 
Voltando um pouco... No começo ele era o cara mais incrível do mundo. Me mandava vídeos de declarações de amor. Fez um churrasco pras minhas amigas e falava aos quatro ventos que eu era a mulher da vida dele. Fui pedida em namoro em uma semana. Em casamento, com pouco mais de um mês de relacionamento. Me assustei com a velocidade das coisas. Mas eu merecia alguém assim, né?! Ele dizia que meu espanto era normal já que -- segundo ele -- eu nunca tinha sido assim tão amada. Manipulou meus sentimentos. Identificou minhas fraquezas e sonhos. Me assumiu no trabalho. Íamos juntos em todos os lugares. No parque, no shopping, em bons restaurantes. Nunca foi nada escondido. 
Como desconfiar?! Ele queria que eu engravidasse. Mas as mentiras mais sórdidas começaram a ficar aparentes. Mentiras envolvendo uma criança. Mentiras envolvendo família. Mentiras envolvendo os mais diversos tipos de situação. Terminávamos. Ele sempre invertia o jogo. Usava do meu bom coração pra mentir, de novo. Dizer que precisava da minha ajuda pra lidar com os problemas dele. Eu voltava. Até que voltei pela última vez. Descobri a última mentira dele pra mim. Traições sórdidas, que na verdade atingiam mais as outras envolvidas -- que têm vínculos mais fortes com o fulano -- do que a mim. Fiquei chocada de como ele poderia fazer isso com elas. Como ele poderia fazer isso comigo? Quem era de verdade o cara por quem me apaixonei?! Eu perguntei isso pra mim mesma. E a resposta, teria na sequência. 
Mas, você nunca desconfiou? Não é possível. Como pode ser tão inocente? Tão trouxa?!
Antes dele, eu fui casada. Com uma pessoa incrível. Mantivemos a civilidade depois do término. Meus relacionamentos anteriores eram saudáveis, com brigas, é claro. Mas nunca com falta de respeito. Eu não conhecia o mal. Até então. 
Ele já dava indícios de agressividade, sim. Fui alertada por várias amigas, que já tinham passado por relacionamentos abusivos. Mas eu? Tão 'esperta’. Ele? Tão inteligente, bem sucedido. Um cara de opinião forte, de discurso convincente. Admirado por tantos que o escutam e replicam suas ideias. Ele?! Não. Como poderia ter dentro de si duas faces tão diferentes?
Sim, ele. Eles. Vários. Tantos que estão por aí. Tantos que eu ajudei a noticiar. 
Mas, quando chegou a minha vez, eu me escondi. Contei pros meus pais. Falei pra alguns colegas mais próximos, da minha convivência. Tive que pedir ajuda. Ir pra casa de uma amiga por medo. Tirar minhas cachorras de casa por uns dias. Mas do resto, me escondi. Por medo. Por insegurança. Tentaram me “aconselhar” a não fazer o boletim de ocorrência. Por ser ele. Quem sou eu perto dele? Você é peixe pequeno. Ouvi. E era... Mas isso tudo me fez ser maior. 
Não teremos como te defender. Disseram. Estamos num mundo machista. Disseram. 
Tinham razão. 
Mas o mundo não é só machista. Os homens não são só ruins. 
Hoje eu entendo a dificuldade que as mulheres têm pra denunciar. Eu demorei uma semana. Por medo, por insegurança. 
Chorava, tinha crises de falta de ar só de pensar que poderia encontrar com ele. Porque sim, essa possibilidade existia, e ainda existe. Ainda choro. Eu. Que sempre fui tão forte. Ele poderia ficar ainda mais exaltado com a denúncia. Estava prestes a viajar, poderia me agredir e ir pra longe. Mas, quem poderia garantir que ele não voltaria a me procurar se eu não fizesse nada? Ninguém. Mas pelo menos, com a denúncia, ele se sentiria menos à vontade pra tentar qualquer coisa. 
E logo eu? Que já vi tantas ameaças se concretizaram não denunciaria? Mesmo eu sabendo da importância disso, nunca quis agir por vingança. Mas sim, agir por segurança. E justiça. Iria contra tudo o que sou não denunciar. Contra tudo o que eu acredito. Contra tudo o que eu prego. Denunciei. 
E vc, deve denunciar também. É preciso quebrar o ciclo da violência doméstica. Quem fica impune, se sente a vontade de repetir a agressão. Uma, duas, três, várias vezes. Até que o pior acontece. A ameaça pode se concretizar. 
Eu sofri e sofro com a omissão de muitos. Se vc sabe de alguém que está nessa situação, não seja omisso. Ajude. Acolha. Pegue pela mão. 
Com esse texto, me exponho. Corro riscos com isso, por conta daquele mundo machista que tanto me avisaram que existe. 
Também me avisaram sobre a justiça dos homens, que muitas vezes é falha. Concordo. Muitas vezes erra, e muitas vezes acerta. Na dúvida, eu prefiro confiar que no final a verdade vence. E que a justiça de Deus… Ah, essa não falha. 
Hoje me sinto um pouquinho mais forte. Ainda estou em tratamento. Ainda tento entender o porquê (se é que existe um) estou passando por tudo isso.
Mas, hoje sou maior. Maior o suficiente pra encarar o que estou passando. Maior o suficiente pra compartilhar minha história tão -- e somente -- a fim de ajudar a quem possa estar passando por algo parecido. E, talvez, ser uma Daniela pra alguém.
-------- 
Escrevi esse texto há quase um mês. Não sabia se um dia publicaria. Tinha vontade, mas não tinha certeza sobre a exposição. Sobre como ficaria, principalmente minha família. Agora, que a questão veio a público e descobri que eu não fui a única vítima, espero que com esse texto eu possa ajudar mais mulheres que estão passando pelo o que eu passei. Força. Vocês não estão sozinhas.

terça-feira, 2 de abril de 2019

VEM, METEORO!

Deixei pra fazer um post muito tarde e perdi a hora.
Então hoje vou só avisar que o canal Meteoro fez um lindo vídeo em minha homenagem. Fiquei feliz ao ver este canal tão bem conceituado falando da Lei Lola. Agradeço muitíssimo!
A primeira vez que fiquei sabendo do Meteoro foi em março do ano passado, quando o casal fez um vídeo sobre o YouTuber reaça Nando Moura que o deixou tão sem chão que ele fez um vídeo-resposta falando de notas musicais. 
Oops, eu entendo tão pouco de YouTube que fui ver e esse vídeo é do Coisa de Nerd! Mas o Meteoro também tem um excelente vídeo sobre a criatura infeliz.
Fui dar uma olhada rápida nos comentários do vídeo do Meteoro sobre mim e vi que a grande maioria é de carinho.
Tem um dizendo "esse tipo de mulher feia gorda e mal amada almeja ser a Hiena alfa da sociedade moderna", mas não sei se ele estava se referindo a mim. Tomara. Eu adoraria ser uma hiena alfa -- seja lá o que for isso!
(Fui buscar uma imagem para ilustrar o post e o primeiro que apareceu diz que hienas fêmeas têm clitóris maior que o pênis dos machos. Entendi sua inveja do "pênis", cara. Agora quero ser uma hiena alfa mais ainda!).

segunda-feira, 1 de abril de 2019

PRIMEIRO DE ABRIL É #BOLSONARODAY

O dia oficial do golpe militar de 1964 é hoje, primeiro de abril, uma data que não poderia ser mais propícia. 
Pela primeira vez desde a ditadura um governo brasileiro comemorou oficialmente a ditadura militar. Mais uma vergonha incrível para o Brasil no cenário internacional. Esta celebração vale como apologia ao crime, mas lógico que o STF (com o Supremo, com tudo) não fará nada contra Bolso.
Bolso foi eleito com base em fake news e não parou de mentir até agora. Não pode haver outro patrono do dia da mentira do que ele. Parabéns, Bolso! Este é o seu dia! Grande dia!