quarta-feira, 24 de abril de 2019

FALTA POUCO PARA O ESCOLA SEM PARTIDO SER ENTERRADO

Aroldo Filho é historiador com Especialização em Gestão Escolar. É também criador do 1º Arquivo público do interior do Nordeste, e escreveu este breve texto sobre o (quase) fim do Escola sem Partido. 

O mais importante a ressaltar sobre o famigerado projeto Escola Sem Partido é que ele já foi vetado duas vezes. Ainda resta uma ocasião pra ser enterrado de vez, como todo projeto que tramita entre Câmara, Senado e Presidência.
A charge em questão naturalmente faz apologia a uma música de grande sucesso, "Another Brick in the Wall" do Pink Floyd. Eu acrescentei só uma frase da música do Chico César, que também é por si só um belo protesto. Ela retrata não só uma tendência nacional, como uma tendência mundial à extrema direita, que cai fácil no fascismo ou no nazismo.
Um dos problemas principais da chamada Escola Sem Partido é que em assuntos como nazismo não há como ter uma total "imparcialidade". 
Vários programas humorísticos retrataram muito bem como se daria isso na realidade. O próprio presidente atual estava incentivando os estudantes a usarem celular para filmar os professores em sala de aula, o que geraria um surto de denuncismo e a tendência a uma enorme censura ditatorial. Isso por si só já é contra a função do magistério -- um professor sem liberdade para falar não tem como ensinar bem. 
O governo, em vez de tentar resolver problemas salariais e de superpopulação das classes, lança apenas mais uma carga pesada nas costas de todos os professores, sobrecarregando mais ainda os de Humanas. Como lecionar Sociologia e Filosofia sem emitir opiniões? Para muitos conservadores, apenas a existência de disciplinas como essas já configura a tal "doutrinação". 
Já houve uma relativização ruindo a carga horária ao deixar História e Geografia como opcionais na metade do ano, o que causará uma cegueira política e espacial nesta e nas próximas gerações. O Escola Sem Partido seria mais um pedaço dessa venda para a população e uma bola de ferro nos pés dos professores.
Ferindo o artigo 5º da Constituição, que presume liberdade de expressão, o Escola Sem Partido seria uma espécie de censura do magistério, o que facilitaria o caminho para um novo golpe militar, por exemplo. Vale lembrar que militares se infiltravam como alunos e vigiavam de perto professores de História e de Filosofia, principalmente na ditadura de 1964 no Brasil.
Deixo o link de uma versão ampliada do que foi a minha monografia da pós-graduação (especialização) em Gestão Escolar. Insisti em deixar um capítulo contra a PEC da Morte (241/ 55) e o Escola Sem Partido para servir de documento oficial não só de estudo, mas que pode ser usado durante a aula para assegurar que um professor não seja preso por exercer a sua função.

terça-feira, 23 de abril de 2019

HOMENS RIDÍCULOS, SEUS COMENTÁRIOS TÓXICOS, E A TV DE ANTIGAMENTE

A Luana me enviou um texto que lança uma pergunta interessante: por que certos temas só atraem homens? E homens tão ridículos, ainda por cima?

Eu sou Luana Coelho. Sou estudante de ciências políticas e tenho dois blogs: um sobre política e eleições passadas, e outro sobre feminismo.
Tenho também dois canais no YouTube, um em que posto raridades de televisão como telejornais e programas eleitorais (me sinto como a única mulher que faz isso), e o canal a Voz Da Lua, em que criei um podcast para falar sobre as eleições passadas.
Às vezes eu penso: cadê as mulheres que gostam das raridades antigas de TV nos anos 80 e 90? O que vejo são comentários tóxicos dos homens nos vídeos dos intervalos. Parece que todos os homens héteros que se dizem conservadores e defensores da moral e da família adoram bostejar comentários de puro Chernobyl, grandes exemplos de masculinidade tóxica. 
Frases como: "naquele tempo tinha mulheres gostosas e não o Pablo Vittar", "essas feminazis estragaram as propagandas de televisão", "sinto saudades das mulheres gostosas da televisão", "quero ver mulher pelada na tv, não beijo gay", "tem muita viadagem nos programas de tv hoje", "a esquerda estragou as propagandas de hoje".
Nas respostas aos comentários absurdos deles, eles escrevem os típicos "vai procurar/chupar uma rola", "mal-comida", "você deveria transar mais", "mulher tem que dar a b*ceta, não dar opinião".
O perfil desses comentaristas é quase sempre o mesmo: homens héteros e brancos, bolsominions que vivem culpando o PT, falam de deus, dizem ser defensores da família e também dizem ser machos alfa. Alguns têm no avatar fotos com a esposa e filhos. Outros reclamam das feministas e também reclamam porque não conseguem arranjar namorada. Muitos fazem comentários de apologia ao estupro e dizem ter orgulho de ser hétero. Adoram seguir os perfis de atrizes pornôs.
Quando falamos de programas antigos da TV, vídeos como o da banheira do Gugu, bailes de carnaval dos anos 80 e 90 e os comerciais com mulheres nuas são os que têm mais visualizações. As mulheres são tratadas como objetos nos comentários desses vídeos, o que me faz bloquear e desativar os comentários dos vídeos que eu posto, pois o meu canal não é lugar de chorume de mascus.
O vasto deserto intelectual que encontro nesse público me faz perguntar: onde estão as mulheres que ainda têm fitas gravadas com programações de TV? Compartilhem!

segunda-feira, 22 de abril de 2019

ABRIL LARANJA: MÊS DE PREVENÇÃO DA CRUELDADE CONTRA ANIMAIS

Fiquei muito feliz com a contribuição do Roberto Vercelino, que é leitor do meu bloguinho há seis anos e médico veterinário em Araras, SP, há 14. 
Ele decidiu escrever sobre a "correlação assustadoramente grande entre uma pessoa bater no cachorro ou gato e também bater na esposa, estuprar um animal e fazer o mesmo com a enteada, e também de crianças que assistem à violência doméstica e depois a reproduzem contra animais (e no futuro, repetindo o mesmo contra pessoas)". Para ele, "em briga de marido e mulher, soltar os cachorros é meter a colher".
É um tema de suma importância. Reflitam e divulguem este excelente texto do Roberto.

O movimento anti-crueldade contra os animais fez com que a sociedade reconhecesse os direitos dos animais e a sua capacidade de sentir e sofrer. Maus-tratos, que antes eram naturalizados, são cada vez mais repelidos e denunciados pelas pessoas. O movimento sensibilizou os tribunais a impor leis contra os maus-tratos e uma nova ética sobre como tratar os animais, seja no trabalho de tração, criação, consumo, caça ou para animais de companhia.
Muitas pessoas não sabem, mas este movimento não é tão recente assim, embora teria sido melhor se fosse mais antigo. Contudo, mais surpreendente ainda é que muitas leis contra a crueldade a crianças foram baseadas na legislação animal. Como ilustra o famoso caso de Mary Ellen Wilson, uma menina nova-iorquina abusada pelos pais adotivos, sofrendo espancamentos, negligência, frio e fome. Graças a Henry Bergh, fundador da American Society for the Prevention of Cruelty to Animals, a menina foi tomada dos padrastos, e foi criada a New York Society for the Prevention of Cruelty to Children, a primeira do mundo. Sim, organizações contra a crueldade foram primeiro criadas para defender animais, e depois, crianças.
O que também muita gente não sabe é que a crueldade contra animais frequentemente anda junta com os maus-tratos a crianças. E também com abusos contra mulheres, idosos ou outras pessoas fisicamente vulneráveis. A maioria dos profissionais das áreas médica, veterinária, saúde mental, policial e direito, que deveria reconhecer e prevenir essas violências domésticas, não percebe essa interligação e acredita que o abuso animal é um incidente isolado. Mas não é. Quando o animal de estimação é agredido, os demais membros dessa família estão em risco. E vice-versa. Maus-tratos a animais são um indicador, e até preditor, não só de violência doméstica, mas de psicopatologias e outros crimes mais graves.
Uma quantidade enorme de pesquisas percebeu essa correlação, que ficou conhecida como Teoria do Link. A Organização Mundial da Saúde considera a agressão contra animais como ato de violência física moderada contra seus donos. Há 30 anos, a American Psychiatric Association considera a crueldade contra animais como um desvio de conduta. Muitos países já incluem o abuso animal dentro da violência doméstica, e o FBI investiga a ocorrência de outros crimes nos locais onde houve denúncia de maus-tratos a animais, através do Programa Pet Abuse.
Antes de nos aprofundarmos mais sobre a Teoria do Link, é importante definir o que exatamente consideramos maus-tratos, não importa contra quem sejam cometidos. Podemos defini-los como intencionais (como nos casos de espancamento, atropelamento proposital, envenenamento); negligência (abandonar o animal ou criança, mantê-lo sempre preso ou deixá-lo no frio ou com fome); ou a manutenção de superpopulações (como os colecionadores impulsivos que mantém alta densidade populacional de animais em condições insalubres).
Algumas das estatísticas da Teoria do Link são assustadoras:
21% dos casos de maus-tratos intencionais envolveram outra forma de violência familiar;
4% dos casos de abuso animal ocorreram simultaneamente com violência doméstica;
Quem maltratou um animal teve 5,4 vezes mais chance de cometer violência contra pessoas, foi 4 vezes mais propenso a cometer crimes contra propriedade e 3,4 vezes mais suscetível de cometer crimes relacionados ao uso de drogas;
Grande parte dos presos por crimes violentos começou cometendo crueldade com animais de estimação, o que ocorre em menor proporção em criminosos não violentos;
56% dos abusadores de animais cometeram outros crimes, e 44% passaram a praticar violência contra pessoas. Outros estudos são ainda mais pessimistas, nos quais 70% dos criminosos que cometeram maus-tratos contra animais tiveram envolvimento em outros crimes violentos;
64% das pessoas que praticaram crueldade com animais disseram que o fizeram por diversão, 24% por raiva e 22% por motivação sexual. Destes, 20% o fizeram por ódio ao animal; 16% o fizeram para chocar outras pessoas e 14% por vingança.
50% ou mais dos atiradores em escolas têm história de maus-tratos a animais;
96% dos envolvidos em zoofilia também já haviam praticado crimes contra pessoas, como estupro, roubo e ofensa;
40% dos assassinos de cunho sexual que sofreram abusos na infância relataram terem abusado sexualmente de animais.
Com tudo isso, fica claro não apenas a ligação entre maus-tratos contra animais com a violência doméstica, como também com a criminalidade em geral. Também mostra a importância em se diagnosticar e punir a crueldade contra os bichos. Outros fatores que mostram a importância de se combater a crueldade contra animais são que crianças e mulheres geralmente não falam sobre o abuso sofrido por elas, mas se sentem mais confortáveis contando sobre o que acontece com seus animais de estimação, refletindo o que elas próprias estão passando. Vizinhos e outras testemunhas também são mais propensos a denunciar maus-tratos contra animais que contra crianças, mulheres e pessoas vulneráveis. Até mesmo os criminosos admitem mais facilmente suas crueldades contra animais. Suspeitas de violência doméstica e abuso infantil aumentam se o animal de companhia da família apresenta sinais de maus-tratos.
Poderíamos concluir por aqui, após demonstrar as inúmeras correlações da Teoria do Link. Os pets são vítimas dos mesmos agressores de crianças, mulheres e idosos. Mas não só isso: por serem parte da família, eles podem ser ameaçados para controlar, amedrontar ou se vingar das pessoas que amam esses animais. Os bichos da família podem ser ameaçados ou maltratados como forma de coagir a mulher agredida; e forçar uma criança a aceitar um abuso ou silenciar sobre ele.
As mulheres
Maus-tratos a animais domésticos são reportados à Delegacia de Polícia de Meio Ambiente, mas é importante apurar também evidências de violência doméstica conjunta. Em relação a mulheres que não são agredidas, mulheres vítimas de violência são 11 vezes mais propensas a denunciar que o parceiro também maltratou seu animal. 72,7% delas relataram que seu agressor havia ameaçado, ferido, aleijado, torturado ou matado um animal, sendo que 87% desses incidentes ocorreram na presença da parceira, e 86,4% dessas mulheres se sentiam próximas a esses pets, o que reforça que a crueldade contra animais é usada como forma de controle ou vingança.
Não apenas as ameaças aos animais são mais comuns (52,5% entre as mulheres agredidas, contra 12,5% daquelas que não são vítimas) como também a morte destes animais (54% e 5%, respectivamente). Mesmo os maus-tratos a animais praticados por outras mulheres são mais frequentes quando há violência doméstica envolvida (11,1% contra 2,5%).
Quando a mulher toma a decisão de fugir de seu agressor como única forma de escapar da violência, metade delas adia a atitude porque teme pela vida do animal que deixaria para trás. Se houver a existência de um abrigo para mulheres vítimas de violência em conjunto com grupos de resgate de animais, a proporção de mulheres que adiam a fuga cai para 20%. O que demonstra que combater abusos a animais também ajuda na luta contra a violência contra a mulher.
As crianças
O envolvimento de uma criança é o que existe de mais cruel quando ocorre maus-tratos aos animais. A violência, nesse caso, também pode ser usada contra ela, além de torná-la insensível a esses atos. O abuso animal assume características epidemiológicas de uma doença contagiosa: causa sofrimento em quem é afetado pela violência, mas pode transformar quem a sofre, ou a pratica, ou a assiste, em um novo vetor de agressividade. Os sintomas dessa doença, que é crônica e piora, afetam tanto o agressor, quanto a criança e até o animal agredido.
Em 29% dos lares violentos as crianças presenciam ameaças contra os animais de estimação feitas pelo pai; em famílias sem violência doméstica, isso representa apenas 1%. O índice de violência foi ainda maior num questionário feito com crianças morando em abrigos (37,5% em lares violentos, contra 11,8% dos demais). As mães agredidas desses mesmos abrigos relataram que 75% da violência contra animais ocorreram na presença de crianças. Estas crianças testemunham mais episódios de maus-tratos contra gatos (5%) do que contra cães (2,7%).
Em lares violentos, a criança não apenas tem grandes chances de assistir ao abuso, como também pode sofrer diretamente dele. Das famílias investigadas por abuso de crianças, 60% também tinham cometido maus-tratos contra seus pets. Daquelas em que houve uso de violência física, a correlação foi de 88%. Nesses lares, as crianças sofrem 15 vezes mais abusos do que em famílias não violentas.
80% das crianças que sofrem maus-tratos têm menos de três anos, e metade destas, até seis meses. O profissional da saúde que ao menos suspeitar desse abuso tem a obrigatoriedade de notificá-la a uma autoridade. Os sinais típicos de maus-tratos a crianças incluem traumatismo em cabeça e face, queimaduras, arranhões, desnutrição, atraso no desenvolvimento psicomotor, acrescidos de alterações de comportamento: medo, tristeza constante, irritabilidade, apatia, distúrbios do sono e desinteresse pelas atividades próprias da idade.
Os maus-tratos contra as crianças, seja na forma de negligência, violência física ou psicológica, e abuso sexual, podem desestruturar a formação da personalidade da criança e causar falhas na formação de valores morais. Esta violência é relacionada a um maior risco de comportamentos nocivos no futuro, como depressão, suicídio e agressividade. Agressividade contra si mesmo, contra os outros e contra os animais domésticos. Como uma epidemia, o comportamento violento infecta quem sofreu o abuso, que passa também a replicá-lo.
Os maus-tratos a animais, além de trazer sofrimento a eles, pode causar na pessoa a dessensibilização para a violência e para ter empatia com as vítimas e, posteriormente, com os próprios seres humanos. Crianças que assistiram violência entre seus pais ou os viram praticando abusos contra os bichos de estimação costumam ser três vezes mais cruéis com os animais. Quase um terço das mães vítimas de violência de seus parceiros relatam que seus filhos haviam maltratado animais. Esse comportamento é mais prevalente em crianças que sofreram abuso sexual, em adolescentes em tratamento para transtornos de conduta que sofreram violência física ou sexual, filhos de pais violentos ou negligentes que usavam ou não álcool e entorpecentes.
Crueldade contra animais durante a infância é um indicador de abuso infantil e pode ser o primeiro indício de distúrbios comportamentais. As crianças que a praticam correm grande risco de cometer mais violência, contra si a aos outros, tanto na infância quanto na vida adulta. Com base em estudos iniciados na década de 60, os psicólogos reconhecem que maltratar os animais durante a infância é um dos critérios mais importantes no diagnóstico de transtornos de conduta e de psicopatia, altamente prevalentes nas histórias da infância de sociopatas assassinos, indicando que essas crianças podem se tornar adultos violentos, capazes de cometer crimes contra a vida. 
A crueldade com animais, que começa por volta dos seis anos e meio de idade, é um dos comportamentos que formam a Tríade Comportamental ou Tríade do Psicopata, junto com enurese noturna persistente (xixi as roupas e na cama) e atos incendiários premeditados.
Em questionários com criminosos agressivos, descobriu-se que 63% tinham abusado de animais na infância; 67% tinham sido caçadores; 41% tinham ferido um animal por medo; 38% não gostavam dos animais; 19% tinham visto outro membro da família maltratar animais; 16% haviam sido atacados por animais.
É importante que a crueldade contra os animais continue sendo repelida e denunciada pela sociedade, mas não pode mais ser vista como um ato isolado. Sua ligação com a violência doméstica e até outros crimes variados e mais graves precisa ser amplamente difundida, de forma que a prevenção de um crime evite também os outros. O envenenador desconhecido de gatos da vizinhança pode não ser apenas isto; a pessoa que mantém seu cachorro acorrentado o dia todo na chuva pode esconder outras crueldades; quem abandona uma ninhada de filhotes no lixo pode ser um criminoso em potencial; a senhora que mantém dezenas, talvez centenas de gatos dentro de casa pode não ser apenas uma idosa excêntrica. Policiais, juristas, assistentes sociais, ativistas da causa animal e do feminismo e até os médicos veterinários desconhecem essas correlações.
Os maus-tratos a animais também precisam ser punidos adequadamente, o que raramente acontece. No estado de São Paulo, entre 2010 e 2015, nenhuma pessoa foi presa por este crime. Menos de 1% dos casos foi ao tribunal. Nos poucos casos em que foram julgados, apenas 44% foram condenados, e as sentenças foram mínimas.
Por fim, é fundamental que as instituições de proteção à violência doméstica que já existem comecem a levar em conta que os animais domésticos fazem parte da família. Poucos abrigos públicos para mulheres vítimas de violência contam com locais ou serviços para o alojamento dos animais dessas mulheres. 
Equipes multidisciplinares são importantes, mas apenas em 2011 Núcleo de Apoio à Saúde Família. É muito valiosa a criação de outras instituições, como a Rede Lar em Paz, que levem em conta a complexidade da violência doméstica e das ligações familiares. Complexidade esta ilustrada na frase que Tolstói inicia sua obra Anna Karenina: “Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira.”

sábado, 20 de abril de 2019

APRENDER A LUTAR COM OS ÍNDIOS

Belo poema-manifesto do indígena Denilson Baniwa (clique para ampliar)

O índio de 2019 não é mais o índio de 1500 há séculos. Então por que ainda falamos dele como se fosse? (e como se fosse um só, se existem mais de 300 etnias?).
É importante falar do índio, ouvir o índio, ainda mais agora, que eles estão sob ataque direto do governo fascista. Eles estão na linha de frente do neocolonialismo em pleno século 21. Índio é exemplo de resistência.
Recomendo a entrevista de Sabrina Fernandes com Sonia Guajajara, que foi candidata à vice-presidenta pelo Psol em 2018. Para aprender a lutar. 

sexta-feira, 19 de abril de 2019

A FAVOR DE TIRAR GAYS HOMOFÓBICOS DO ARMÁRIO À FORÇA

Já publiquei três posts com pontos de vista diversos de pessoas LGBT sobre se falar da suposta homossexualidade de Carlos Bolsonaro seria homofobia. Hoje publico o último post, logo com a posição mais radical!

Luciana Pinto Thomé dos Santos, shiatsuterapeuta e militante LGBT. 

Sobre a homofobia que Haddad teve no twitter, já que batalhamos pelo politicamente correto, vou dar minha opinião. Há anos chamam Dilma de lésbica; Jean Wyllys, único então na época de seu mandato, foi chamado pelo próprio presidente atual de "queima rosca" e outros adjetivos mais esdrúxulos, assim como muitos parlamentares faziam, e nunca ninguém comentou nada. Houve um deslize ou close errado? Na hora que estamos sendo insultados, alguns "xingamentos" são utilizados para tentar tirar os lgbts do sério. Assim como o racismo, a LGBTfobia é internalizada, chamar alguém de "viado", "sapatão" etc é tão normal que alguns gays, lésbicas, trans, travestis se apropriaram desses "xingamentos" com orgulho. Empoderamento. Assim como alguns termos no feminismo. 
No caso do Carlos Bolsonaro, é bem claro o desserviço que ele presta não só à comunidade LGBT, como aos negros, às mulheres... Tanto quanto Danilo Gentili, Nando Moura, Olavo de Carvalho etc, ele é uma pessoa desprezível. Fazem tudo com o aval da sociedade dos "contra o politicamente corretos". 
Voltando ao assunto sobre a fala do Haddad, "e o priminho vai bem?" Eu como LGBT falei hoje "tigrão no twitter thuthuca com Léo Índio". Carlos e familicia são nocivos para a comunidade LGBT. Estamos no país que mais mata LGBTs no MUNDO, e o STF não criminaliza a LGBTfobia. Eu mesma já fui jogada e espancada no canal da Av Maracanã só porque falei "não" por ser lésbica. Quase morri.
Vou deixar um link de uma publicação do Põe na Roda sobre Norman, um charlatão norte-americano que prometia a cura gay. Mas ele era homossexual -- e presença constante num aplicativo de encontros gays, sob o nome "QuenteEPeludo72". Quem o expôs disse que, apesar de não ser legal tirar alguém do armário, neste caso foi importante escancarar a hipocrisia de Norman e salvar vidas que são ceifadas por esse tipo de "cura". 
Algo parecido aconteceu agora em abril com o deputado estadual Douglas Garcia, do PSL. Logo depois de insultar a deputada trans Erica Malunguinho (PSOL-SP) na Assembleia Legislativa com um discurso transfóbico ("Se dentro do banheiro que minha irmã ou minha mãe estiver utilizando um homem que se sente mulher entrar, eu não estou nem aí, eu vou tirar primeiro no tapa e depois chamo a polícia"), ele foi comunicado que vídeos seus seriam divulgados. Decidiu se assumir gay antes que "exploda alguma coisa na internet".
Na nossa gíria, chamamos gays anti-LGBT como Douglas e Fernando Holiday de "chaveirinho de hétero". Sou a favor, e muitos outros LGBTs também são, de tirar do armário à força os gays homofóbicos, para expor sua hipocrisia. Há até uma organização internacional que faz isso, a Truth Wins Out (A Verdade Vence). Portanto, se Carlos é gay, é nosso dever expô-lo.