sexta-feira, 23 de novembro de 2018

REGISTRAR PARA INVESTIGAR E JAMAIS ESQUECER

Gostaria de destacar dois trechos do longo e excelente artigo de Eliane Brum no ótimo El País. O primeiro é sobre o movimento #EleNão, que precisa ser mais estudado. Que já entrou pra história como a maior manifestação de mulheres da história do Brasil. E que continua ecoando na nossa resistência.

A maior manifestação organizada por mulheres da história do Brasil foi o #EleNão, que colocou centenas de milhares de pessoas nas ruas em 29 de setembro. O #EleNão foi também a maior manifestação da eleição de 2018. Esse protesto foi contra Bolsonaro. E começou numa página de Facebook -- “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro” -- criada por Ludmilla Teixeira, uma mulher nordestina da Bahia, de origem periférica e negra.
Negar a centralidade desse movimento de mulheres na oposição a Bolsonaro e ao autoritarismo que ele representa, na eleição mais complexa da democracia brasileira, obedece à mesma lógica sexista, machista e patriarcal que o presidente eleito representa. Parte da esquerda foi rápida em “culpar” o movimento #EleNão pelo aumento das intenções de voto em Bolsonaro. Intelectuais inteligentes fizeram questão de esquecer de outras variáveis e também que política não é instante, mas processo.
Vou sempre me orgulhar de lutar
Excluído o #EleNão, haveria muito pouco para a parcela dos brasileiros que rejeitou Bolsonaro poder contar ao mundo, assim como afirmar que fez oposição consistente ao projeto autoritário de poder. O #EleNão foi o principal movimento de resistência a Bolsonaro e, num momento tão polarizado, conseguiu unir pessoas que até então nem se falavam, para muito além dos partidos políticos. Provou algo transgressor em um contexto tão precário: é possível conviver com as diferenças e lutar por aquilo que é comum.
E destaco também este trecho do artigo de Brum porque é fundamental registrar a violência sofrida por uma heroína brasileira, Amelinha Teles. 
Esta senhora de 74 anos, com quem tive a honra de compartilhar uma mesa-redonda na UFPB, não se cala. Ela foi presa e torturada durante a ditadura militar. Seu crime? Ela mantinha uma gráfica clandestina do PCdoB. Faz muitos anos que Amelinha tem a coragem de contar sua história de luta. E essa história inclui torturas horríveis. Ela foi uma das vítimas do coronel Ustra, idolatrado por Bolsonaro (e condenado pelo Superior Tribunal de Justiça). 
Em outubro de 2018, Amelinha foi proibida pelo TSE de contar sua narrativa num programa de Haddad (que ela já havia contado várias vezes, como neste depoimento dado na novela Amor e Revolução). E bolsominions, em uma de suas inúmeras campanhas orquestradas de fake news, inventaram e espalharam a mentira de que Amelinha havia sido guerrilheira e matado gente. Eis o que escreve Eliane Brum:

Durante o processo eleitoral, outra vítima de tortura foi atacada pelos seguidores de Bolsonaro. De novo, uma mulher. E, de novo, não acredito que sexo e gênero sejam coincidências. De Amélia Teles, o herói de Bolsonaro primeiro mandou que lhe arrancassem a roupa. Depois, aplicaram choques em seus seios, na vagina, no ânus, no umbigo, nos ouvidos e dentro da boca. Em outra sala de tortura estava seu marido, também sendo torturado. Ele entraria em coma pelos golpes infligidos em seu corpo. Quando Amelinha já estava urinada e vomitada, o militar mandou chamar seus dois filhos: uma menina de cinco anos, um menino de quatro. O menino não reconheceu a mãe, pelo tanto que a tortura a tinha desfigurado. “Só reconheci você pela voz”, ele lembraria muito mais tarde. A menina perguntou: “Mãe, por que você está azul?”. Só então Amelinha percebeu que os hematomas tinham deixado seu corpo inteiramente azul.
No segundo turno da campanha eleitoral, a pedido da equipe de Fernando Haddad (PT), Amélia e sua filha gravaram um depoimento para o programa político na TV, testemunhando o que viveram. Na sequência, seguidores de Bolsonaro promoveram um linchamento nas redes sociais: inventaram que ela tinha esquartejado dois militares quando fazia a resistência à ditadura. Criaram uma ficção em que a vítima seria a torturadora e assassina. Inverteram e subverteram a realidade. E a ameaçaram de morte. Agora com 74 anos, é como se Amélia estivesse sendo torturada mais uma vez. O judiciário, que nada fez com relação a apologia ao torturador, cometida por Bolsonaro, desta vez censurou a voz de Amelinha, ao proibir o programa. A liminar que a calou foi concedida pelo ministro Luis Felipe Salomão, do Tribunal Superior Eleitoral, com a justificativa de que o programa promovia uma “distopia simulada”.
Os depoimentos das torturadas na ditadura revelam que havia um sadismo particular no ato de infligir sofrimento às mulheres. Primeiro, muitas delas foram estupradas. Ou seja. A violência sexual era usada como tortura. Baratas e ratos enfiados em suas vaginas era outra “técnica” habitual. Ao dar seu depoimento sobre a tortura que sofreu no regime de opressão, a jornalista Miriam Leitão relatou que os torturadores botaram uma jiboia viva em sua cela, apagaram a luz e a deixaram lá. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, comentou na ocasião: “Coitada da cobra!”.
Choques nos seios, no ânus e na vagina eram habituais. Muitas mulheres, como Crimeia Schmidt, foram torturadas mesmo estando grávidas. Irmã de Amelinha, Crimeia foi espancada diretamente por Ustra. Ela estava com sete meses de gestação. Ustra a tirou da cela pelos cabelos e começou dando tapas em seu rosto. Ela foi sendo arrastada pelo corredor, sempre apanhando. Desmaiou e, quando recuperou a consciência, já estava na sala de tortura, toda urinada. Era só o primeiro dia. Nos seguintes, Crimeia foi torturada pela equipe do coronel. 
Ustra só entrava na sala de tortura para dar uns tapas e ia embora. Este é o homem que inspira Bolsonaro e cujo rosto foi estampado em camisetas exibidas por seus filhos e seguidores durante a campanha eleitoral, sem que o judiciário achasse que fosse um problema.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

BOLSO SEMPRE FOI CONTRA O MAIS MÉDICOS

O fascista eleito voltou a dizer que médicos cubanos são escravos da ditadura e se pintando como salvador. 
Não é muita cara de pau um medíocre que sempre se posicionou contra os direitos humanos e contra os cubanos agora se colocar como defensor de direitos humanos dos cubanos?
Óbvio que a verdade é: gesto humanitário uma pinoia! Hoje Bolso diz oferecer "asilo" aos cubanos que queiram ficar no Brasil. Mas em maio de 2016 ele apresentou uma emenda ao Ministério Público para proibir a vinda dos familiares dos cubanos ao Brasil. 
A proposta não foi acatada, e os parentes dos médicos cubanos continuaram a ter o direito de trabalhar legalmente no Brasil. 
Ou seja: Bolso mente de duas formas. Primeiro, ele se apresenta como a "Princesa Izabel" dos pobres escravos cubanos, quando ele na realidade, dois anos antes, fez uma emenda para dificultar a vida deles aqui, e segundo, ele mente ao dizer que os médicos hoje estão proibidos de trazer seus familiares. 
Como uma espécie de resposta, um médico cubano escreveu uma linda carta aberta para Bolsonaro: "Eu trabalho porque gosto da minha profissão, porque jamais vou ficar rico às custas dos pobres". 
Repdroduzo aqui um texto bastante esclarecedor da professora Iraneth Monteiro, da UFRRJ.
Respondendo a um questionamento de uma amiga sobre as condições dos cubanos no Programa Mais Médicos e das mentiras contadas pelo novo Presidente da República, resolvi escrever um textão (exige paciência) baseado em informações legais e em fontes como Abrasco e Ministérios da Saúde de Cuba e do Brasil.
O Programa Mais Médicos foi criado na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), através da LEI Nº 12.871, de 22 de outubro de 2013, visando diminuir a carência de médicos nas regiões prioritárias para o SUS, a fim de reduzir as desigualdades regionais na área da saúde, em localidades onde faltavam profissionais.
Atualmente temos no Brasil mais de 440 mil médicos com registro ativo no Conselho Federal de Medicina (CFM), formados apenas para serem especialistas, sem conhecimento e aprofundamento em Atenção Básica e estão concentrados nas grandes cidades e capitais brasileiras.
Cerca de 18 mil médicos atuam no Mais Médicos — destes, 45% são brasileiros e 47% são cubanos, vindos ao Brasil por meio de cooperação com a OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde). 
Os demais são intercambistas estrangeiros. Ainda existem 2.000 vagas ociosas no Programa.
Os médicos atuam em 2.885 municípios e são os únicos médicos em 1.575 deles. O valor pago pelo Programa a cada médico é de R$ 11.865,60 (valor já reajustado em 2018).
Todos os médicos cubanos que atuam no Mais Médicos tem mais de 10 anos de formados, todos têm residência em medicina geral e comunitária, mais de 50% uma segunda especialização e 40% têm pelo menos mestrado. Além disso, os dois mil primeiros que vieram ao Brasil já tinham participado de pelo menos uma missão de saúde no exterior.
As Unidades Básicas de Saúde (UBS) onde estão lotados os médicos cubanos estão localizadas em áreas de alta vulnerabilidade, como: floresta amazônica, nas aldeias indígenas, no semiárido nordestino, nos municípios do G-100, quilombolas e povos ribeirinhos, no Vale do Ribeira, Vale do Jequitinhonha e na periferia dos grandes municípios brasileiros.  Nas UBS os médicos cubanos atuam nas ações de promoção, prevenção, diagnóstico e tratamento em saúde.
Cuba faz cooperação com 66 países em todo o mundo. Isso começou om a brigada Henry Reeve criada em 2005 como forma de ajuda humanitária pra atender as vítimas do Furacão Katrina nos EUA. Fidel Castro chamou centenas de médicos e pediu que se organizasse a brigada. EUA negaram a ajuda. A brigada permaneceu mobilizada, pois em pouco tempo haveria a crise em Angola e terremoto no Paquistão.
Na maioria dos países que faz parceria, Cuba envia médicos e medicamentos de graça, sem cobrar dos países. 
Isso já aconteceu em Angola, no Nepal, Haiti, Congo, e outros países pobres do Mundo, com os custos arcados pelo governo cubano.
No caso do Brasil o Acordo do Governo Cubano com o Ministério da Saúde no Brasil foi firmado através da Organização Panamericana de Saúde (OPAS).
O Ministério da Saúde Pública de Cuba abre edital público com as condições salariais para contratar os médicos.  Eles são livres para se inscreverem (não é obrigatório) e assinam um contrato com o Ministério para receberem três mil reais, quando o valor era de dez mil por mês) líquidos por mês, no caso da parceria com o Brasil. Além disso, o governo cubano cobre despesas com seguros por lesão corporal, invalidez e morte e pelos deslocamentos entre Cuba e Brasil, de ida e volta, além das respectivas férias.
Os governos municipais brasileiros são responsáveis pela alimentação, roupa lavada e moradia dos médicos. Não existe qualquer impedimento legal para que os médicos cubanos tragam suas famílias enquanto estiverem no Brasil, tanto por parte do governo cubano quanto do brasileiro.
O governo cubano, após o desconto das despesas da OPAS, repassa o valor individual dos médicos e o restante do dinheiro aplica em outras missões de médicos cubanos para países na África e Ásia que não têm como pagar; em bolsas para estudantes pobres de 138 países que estudam em Cuba; e investe em pesquisas importantes na área de saúde.
Uma investigação do Ministério Público do Trabalho no Brasil afirmou, que mesmo discordando da forma como Cuba gerencia a parceria, o convênio é legal e “que, nem de longe, a situação dos cubanos no Programa Mais Médicos se assemelha a trabalho escravo”.
É importante destacar ainda que Cuba e os cubanos consideram a saúde e a educação como direitos fundamentais da humanidade, e não como bens, comércios ou negócios. Talvez por isso seja tão difícil entender como os cubanos participam com tanta responsabilidade, amor e dedicação de missões humanitárias como essa que viveram no Brasil, através do Programa Mais Médicos.
Reafirmo meu sincero agradecimento aos irmãos cubanos e lamento a forma como foram tratados pelo novo presidente da República.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

MAIS UMA DISCIPLINA INTEIRINHA PRA VOCÊ: UTOPIAS E DISTOPIAS FEMINISTAS, PARTE II

Pessoas queridas, este ano eu comecei a dar aula na pós-graduação. Ofereci uma disciplina no primeiro semestre sobre distopias e utopias feministas. Deu tão certo que, por sugestão de alunas e alunos, estou dando uma segunda parte agora, no segundo semestre (quase no fim).
Para preparar esta disciplina, mais uma vez pedi sugestões a experts no assunto, como a Ana Rusche, Amanda Pavani e Melissa de Sá, todas pesquisadoras (e escritoras). Também pedi textos a Aline Valek (a turma adorou o seu conto!), e a professora Ildney Cavalcanti, referência internacional no tema. 
Como fiz em abril, gostaria de compartilhar esta disciplina com vocês. Todos os textos, todos os links, todas as referências, estão aqui. Quem quiser pode se inspirar pra montar seu próprio curso (primeira parte inteira aqui), misturar tudo, incluir textos que achar mais relevantes. E quem não está na academia pode só ir atrás das leituras, que são maravilhosas. Vamos aprovueitar, antes que proíbam qualquer cosia relacionada a feminismo e pensamento crítico na universidade, e antes que bombeiros venham queimar nossos livros (como na distopia de Ray Bradbury Fahrenheit 451). 

DISCIPLINA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS    2018.2   
Teoria dos Gêneros Literários II: Utopias e distopias feministas
Professora responsável: Lola Aronovich
Carga horária: 64h. No. de créditos: 4

Ementa: Distopias e utopias são gêneros literários que foram apropriados pelas feministas já no início do século XX. Nada mais adequado: este tipo de ficção científica conectada à crítica socio-econômica permite que mulheres imaginem universos alternativos bastante radicais no futuro. É uma chance de revisar o passado e de especular sobre o futuro próximo, pensando em corpos alienígenas e identidades de gênero menos binárias, alternativas para políticas reprodutivas, e saídas para cenários apocalípticos. A disciplina tem como objetivo estudar algumas obras de ficção representativas deste gênero híbrido e analisar não apenas gêneros (genres) literários (e uma série de TV), como também gênero (gender), entendido como uma construção social, cultural e histórica do que é feminino e masculino. Atenção: Não é preciso ter cursado a disciplina de 2018.1 sobre utopias e distopias feministas para fazer esta disciplina.

Forma de avaliação: Cada alunx deverá apresentar individualmente um ou dois seminários de 20 a 30 minutos relacionado a um dos textos teóricos, fazendo a ligação entre a teoria e a obra literária em questão (50% da nota). Além disso, o aluno deverá trazer por escrito reflexões acerca dos textos e duas ou três perguntas bem elaboradas para cada aula (40% da nota). 10% da nota será pela participação em sala de aula. 

Corpus
Speech Sounds (conto de 1983 da afro-americana Octavia Butler)
Eu, Incubadora (conto de 2013 da brasileira Aline Valek)
The Woman who Thought She Was a Planet (conto de 2009 da indiana Vandana Singh)
Morgana Memphis contra a Irmandade Gravibranâmica (conto de 2011 da brasileira não binária Alliah)
A Rainha do Ignoto (romance de 1899 da cearense Emília Freitas, uma das primeiras obras de ficção científica publicadas no Brasil, e o primeiro romance publicado por uma mulher cearense)
Terra das Mulheres (romance de 1915 da americana Charlotte Perkins Gilman)
The Female Man (romance de 1975 da americana Joanna Russ. Não tem em português. Tem no original, em inglês. E em espanhol, com o delicioso título de El Hombre Hembra).
O Conto da Aia (série de TV de 2018 adaptada do romance de 1985 da canadense Margaret Atwood)
A Parábola do Semeador (romance de 1993 da afro-americana Octavia Butler)
O Poder (romance de 2016 da britânica Naomi Alderman)

Cronograma
– Introdução à disciplina, apresentação, recapitulação da disciplina de 2018.1

– Contos: “Speech Sounds”, de Octavia Butler, e “Eu, Incubadora”, de Aline Valek
Texto: The three faces of utopianism revisited, de Lyman Tower Sargent   
Texto: Dystopias, do The Encyclopedia of Science Fiction, editado por Clute et al

– Contos: "The woman who thought she was a planet", de Vandana Singh, e "Morgana Memphis contra a Irmandade Gravibranâmica", de Alliah
Texto: Feminismo e utopia, de Susana Bornéo Funck  
Texto: A distopia feminista contemporânea, de Ildney Cavalcanti 

– A Rainha do Ignoto
Texto: A Rainha do Ignoto: um romance fantástico?, de Goretti Moreira  
Texto: Capítulo 2: A Rainha do Ignoto e a construção de uma alteridade insubordinada, da dissertação de Adriana Emerim Borges

– A Rainha do Ignoto e Terra das Mulheres
Capítulo 3: A Rainha do Ignoto e a construção de uma utopia feminina, da dissertação de Elenara Walter Quinhones
Texto: A Rainha do Ignoto e Herland: feminismos utópicos-separatistas, de Ildney Cavalcanti e Aline Maire de Oliveira Gomes 

– Terra das Mulheres
Texto: Essencialismo e construcionismo na ficção utópica de Charlotte Perkins Gilman: Herland e With Her in Ourland, de Fátima Sousa  
Texto: Sex before gender: Charlotte Perkins Gilman and the evolutionary paradigm of utopia, de Bernice L. Hausman 

– The Female Man
Texto: Entrevista de Amanda Pavani com Marge Piercy  
Texto:  "Something like a fiction": speculative intersections of sexuality and technology, de Veronica Hollinger  

– The Female Man
Texto: Marginalization of "the Other": gender discrimination in dystopian visions by feminist science fiction authors, de Anna Gilarek 
Texto: Parte 3 da dissertação de mestrado Três leituras de ficção científica, de Marlova Soares Mello 

– O Conto da Aia (série de TV)
Texto: Pesadelo sem Fim: por que distopias feministas devem parar de torturar as mulheres, de Sarah Ditum  
Texto:  Competência midiática: o ativismo dos fãs de The Handmaid's Tale, de Daiana Sigliano e Gabriela Borges 

– O Conto da Aia (série de TV)
Texto: O imagético vitoriano e a produção do saber sobre a sexualidade em “The Handmaid's Tale”, de Bárbara Bianchi Rolim   
Texto:  Atributos de séries dramáticas de sucesso e engajamento da audiência, de Silvio Antonio Luiz Anaz  

– A Parábola do Semeador
Texto: Octavia Butler, afroculturismo e a necessidade de criar novos mundos, de Carlos Calenti  
Texto: Devil girl from Mars: Why I write science fiction, de Octavia Butler  

– A Parábola do Semeador e O Poder
Texto: Sobrevivendo pela mudança: a temática do deslocamento na literatura fantástica afro-americana, de Alexander Meireles da Silva  
Texto: The persistence of hope in dystopian science fiction, de Raffaella Baccolini  

– O Poder
Texto: What if women were in charge?, de Bridget Read  
Texto: Naomi Alderman on the world that yielded “The Power”, de Ruth La Ferla 

Bibliografia

ALDERMAN, Naomi. O poder. Trad. Rogério Galindo. São Paulo: Planeta do Brasil, 2018. 

ALLIAH. Morgana Memphis contra a Irmandade Gravibranâmica. A fantástica literatura queer, Vermelho. São Paulo: Tarja Editorial, 2011. P. 13-48. Acesso em: 29 jul 2018.

ANAZ, Silvio Antonio Luiz. Atributos de séries dramáticas de sucesso e engajamento da audiência. Significação: Revista de Cultura Audiovisual USP, São Paulo, v. 45, n. 50, p. 239-258, jul-dez 2018. Acesso em: 30 jul 2018. 

BACCOLINI, Raffaella. The persistence of hope in dystopian science fiction. MPLA, v. 119, no. 3, Special       Topic: Science Fiction and Literary Studies: The Next Millennium (May, 2004), p. 518-21. Acesso em: 26 jun 2018.

Emilia Freitas em rara imagem
BORGES, Adriana Emerim. Capítulo 2: A Rainha do Ignoto e a construção de uma alteridade insubordinada. A representação de duas heroínas marginais: uma leitura gendrada de A Rainha do Ignoto, de Emília Freitas, e de Videiras de Cristal, de Luiz Antonio de Assis Brasil. p. 26-40. Dissertação de mestrado. Pontífica Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2010. Acesso em: 16 jun 2018.

BUTLER, Octavia. “Devil girl from Mars”: why I write science fiction. Palestra em MIT em 1998. Acesso em: 16 jun 2018.

_____. A parábola do semeador. Trad: Carolina Caires Coelho. São Paulo: Morro Branco, 2018.

_____. Speech sounds. Asimov's science fiction magazine, 1983. Acesso em: 29 jul 2018.

CALENTI, Carlos. Octavia Butler, afrofuturismo e a necessidade de criar novos mundos. Afrofuturismo: cinema e música em uma diáspora intergaláctica. São Paulo: Caixa Cultural, 2015. P. 10-25. Acesso em: 29 jul 2018. 

CAVALCANTI, Ildney, GOMES, Aline Maire de Oliveira. A Rainha do Ignoto e Herland: feminismos utópicos-separatistas. Anais do VI SENALIC. Org. Carlos Magno Gomes, Ana Maria Leal Cardoso, Maria Lúcia dal Farra. São Cristóvão: GELIC, v. 06, 2015. Acesso em: 16 jun. 2018. 

CAVALCANTI, Ildney. A distopia feminista contemporânea: um mito e uma figura. Refazendo nós: ensaios sobre mulher e literatura. Org. Izabel Brandão, Zahide L. Muzart. Florianópolis: Mulheres, 2003. P. 337-60.

CLUTE, John, LANGFORD, David, NICHOLLS, Peter, SLEIGHT, Graham, ed. Dystopias. The encyclopedia of science fiction. 3a ed, 2014. Acesso em: 26 jun 2018. 

DITUM, Sarah. Pesadelo sem fim: por que distopias feministas devem parar de torturar mulheres. Trad. Vinicius Simões. Escreva Lola Escreva, 21 de junho de 2018. Acesso em: 21 jun. 2018.

FREITAS, Emília. A Rainha do Ignoto: romance psicológico (1899). 2a ed. Fortaleza: Imprensa Oficial do Ceará, 1980. 

FUNCK, Susana Bornéo. Feminismo e utopia. Estudos Feministas ano 1, n. 1/93, UFSC, Florianópolis, p. 33-48. Acesso em: 29 jul 2018.

GILAREK, Anna. Marginalization of “the Other”: Gender discrimination in dystopian visions by feminist science fiction authors. Text Matters, v. 2, no. 2, 2012. Maria Curie-Sktodwska University, Lublin. p. 1-18. Acesso em: 16 jun. 2018.

GILMAN, Charlotte Perkins. Terra das Mulheres. Trad: Flávia Yacubian. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2018. 

HAUSMAN, Bernice L. Sex before gender: Charlotte Perkins Gilman and the evolutionary paradigm of utopia. Feminist Studies, v. 24, no. 3 (Autumn, 1998), p. 488-510. Acesso em: 30 jul 2018.

HOLLINGER, Veronica. "Something like a fiction": speculative intersections of sexuality and technology. Queer universes: sexualities in science fiction. Liverpool: Liverpool University Press, 2008. P. 140-160. Acesso em: 30 jul 2018. 

LA FERLA, Ruth. Naomi Alderman on the world that yielded “The Power”. The New York Times, 29 de janeiro de 2018. Acesso em: 30 jul 2018. 

MELLO, Marlova Soares. Parte 3. Três leituras de ficção científica: uma dissertação sem título. Dissertação de mestrado em Letras. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2017. P. 68-100. Acesso em: 30 jul 2018. 

MILLER, Bruce. O Conto da Aia (série de TV baseada no romance de Margaret Atwood). Hulu, 2018.

MOREIRA, Goretti. A Rainha do Ignoto: um romance fantástico? Revista da Academia Cearense de Letras. Ano CVI, n. 61, 2006. P. 102-121. Acesso em: 29 jul 2018.

PAVANI, Amanda. Comunidades, ficção científica e literatura com Marge Piercy (entrevista). Em Tese, Belo Horizonte, v. 23, n. 3 (2017). Acesso em: 4 set 2018. 

QUINHONES, Elenara Walter. Capítulo 3: A Rainha do Ignoto e a construção de uma utopia feminina. Entre o real e o imaginário: configurações de uma utopia feminina em A Rainha do Ignoto, de Emília Freitas. Dissertação de mestrado. Universidade Federal de Santa Maria, 2015. P. 95-125. Acesso em: 16 jun 2018.

READ, Bridget. What if women were in charge? Vogue. 13 de outubro de 2017. Acesso em: 30 jul 2018. 

ROLIM, Bárbara Bianchi. O imagético vitoriano e a produção do saber sobre a sexualidade em "The Handmaid's Tale". Revista Fantástica. Verão 2018.  P. 85-94. Acesso em 29 jul 2018. 

RUSS, Joanna. The female man. Nova York: Bantam Books, 1975. (Trad em espanhol).

SARGENT, Lyman Tower. The three faces of utopianism revisited. Utopian Studies v. 5, no. 1 (1994), p. 1-27. Penn State University Press. Acesso em: 16 jun. 2018.

SIGLIANO, Daiana, BORGES, Gabriela. Competência midiática: o ativismo dos fãs de The Handmaid's Tale. Comunicação e Inovação, v. 19, n. 40 (2018), p. 106-122. Acesso em: 30 jul 2018.

SILVA, Alexander Meireles da. Sobrevivendo pela mudança: a temática do deslocamento na literatura fantástica afro-americana. Cerrados. UnB, v. 27, Brasília, 2009. P. 147-169. Acesso em: 30 jul 2018. 

SINGH, Vandana. The woman who thought she was a planet. The woman who thought she was a planet and other stories. P. 39-54. India: Penguin, 2009. Acesso em: 29 jul 2018.

SOUSA, Fátima. Essencialismo e construcionismo na ficção utópica de Charlotte Perkins Gilman: Herland e With her in Ourland. Panorâmica: Revista Electrônica de Estudos Anglo-Americanos. 2A ser. 1 (2008): 83-98. Acesso em: 16 jun. 2018. 

VALEK, Aline. Eu, incubadora. Universo desconstruído: ficção científica feminista. Org. Aline Valek, Lady Sybylla. 1a ed. 2013. P. 117-148.