terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

90 ANOS DE OSCAR, 30 ANOS DE BOLÃO, 10 ANOS DE BLOG

Já faz tempo que devia ter escrito este post, mas agora vai!
Como vocês viram, saíram as indicações pro Oscar 2018! E há algumas novidades pra comemorar. 
Primeiro que, dos nove indicados a melhor filme, há alguns que são protagonizados por mulheres. É o caso de Lady Bird: É Hora de Voar, A Forma da Água, Três Anúncios para um Crime, e até The Post: A Guerra Secreta
Pra quem duvida que filmes com histórias sobre mulheres (ou sobre negros, como em Corra!) não são comuns, faça o teste. Pegue os, sei lá, dez últimos anos de Oscar e veja todos os indicados a melhor filme, e veja quantos têm mulheres como protagonistas. Faça isso também com os filmes de maior bilheteria. São poucos! Por isso, quando eles aparecem com certa abundância, a gente tem que celebrar.
Ainda falta que mais histórias sobre mulheres sejam feitas por mulheres, mas a gente chega lá. 
Estou feliz que Greta Gerwig foi indicada, por Lady Bird! É a quinta mulher a ser nomeada na categoria de melhor diretor. Calculem só: 90 anos de Academia, 5 indicados por ano -- isso dá 450 nomes -- e apenas 5 desses nomes foram mulheres, todas brancas. E só 5 foram negros. Nenhum ganhou até agora.
A categoria de melhor diretor tem, então, uma mulher, um negro (Jordan Peele), e um latino (Guillermo del Toro). Aliás, é uma pena que Dee Rees (de Mudbound) não tenha sido indicada. Seria a primeira mulher negra (ainda não me conformo que Ava DuVernay deixou de ser indicada por Selma em 2015). Rees, no entanto, concorre a melhor roteiro adaptado (junto com Virgil Williams). E torna-se a primeira mulher negra a ser indicada nessa categoria. 
Quatro mulheres foram lembradas a melhor roteiro, a primeira vez em 14 anos (e é raro mulheres serem indicadas nessa categoria): Emily V. Gordon (Doentes de Amor, junto com Kumail Nanjiani), Greta Gerwig (Lady Bird), e Vanessa Taylor (A Forma da Água, junto com Del Toro), todas para roteiro original. Rees está no páreo para roteiro adaptado.
Jordan Peele é a terceira pessoa a ser indicada para direção, roteiro e melhor filme no mesmo ano. E, óbvio, o primeiro negro a conseguir essa façanha. Aliás, há de se destacar a façanha que é Corra!, um filme de terror, ter sido lembrado. Tanto Corra! quando A Forma da Água são excelentes, mas são o que se chama genre movies, filmes de um gênero específico (terror e fantasia, respectivamente), categorias que o Oscar costuma esquecer. 
E também é legal que um filme que já entra forte pra iconografia gay, Me Chame pelo Seu Nome, esteja concorrendo a vários prêmios.
Yance Ford é o primeiro diretor trans a ser indicado (pelo documentário Strong Island). E o filme chileno Uma Mulher Fantástica, com a atriz trans Daniela Vega, está concorrendo a filme estrangeiro. 
Rachel Morrison é a primeira mulher a ser indicada na categoria de melhor fotografia. Só lembrando mais uma vez: 9 décadas de Oscar, 450 indicados nessa categoria, e só uma mulher! 
Mais algumas curiosidades bacanas: Mary J. Blige é a primeira pessoa a ser indicada para uma categoria de atuação (melhor atriz coadjuvante) e melhor canção no mesmo ano e pelo mesmo filme (no caso, Mudbound). 
Timothée Chalamet, 22 anos, de Me Chame pelo seu Nome, é o ator mais jovem a ser indicado à categoria de melhor ator (ator coadjuvante já teve um monte de criança). O mais jovem a ganhar um Oscar é Adrien Brody, que tinha 29 quando ganhou por O Pianista
Agnes Varda, indicada para documentário, aos 89 anos é a pessoa mais velha a ser indicada ao Oscar. Mas ela é apenas alguns dias mais velha que James Ivory, que tem boas chances de ganhar roteiro. Varda roubou a cena ao não querer viajar da França para os EUA e mandar uma montagem sua em papelão. 
Ah, e acreditem se quiserem, Meryl Streep vai fazer 68 anos. Ela quebrou seu próprio recorde ao receber a 21a indicação.
James Franco, muito elogiado por Artista do Desastre, não foi indicado ao Oscar de melhor ator por ter sido acusado de assédio recentemente. É a força do movimento Me Too e, mais recentemente, Time's Up. Casey Affleck, que levou a estatueta pra casa no ano passado, hoje não teria a menor chance. Sinal de que as coisas estão mudando... 
Meu pai, eu, e meu filhotinho
Piteco (Pity para os íntimos) em
1985, em Búzios, três anos antes
de começar o bolão
Mas tem coisas que não mudam, e uma delas é o meu tradicional bolão do Oscar, que este ano completa três décadas! Comecei o bolão em 1988, só com a minha família. A gente sempre assistia à cerimônia (que costumava ser às segundas-feiras), e um ano eu resolvi apostar. Quem será que acertaria mais vencedores? Meu amado pai, que não ia muito ao cinema (e naquela época pré-internet o único jeito de ver os filmes era indo ao cinema, ou esperando meses até que saísse o vídeo, ou anos até que passasse na TV -- nem lembro se tinha TV a cabo naquele tempo; tinha?), foi o vencedor daquele bolão, e ficou insuportável. 
Ele passou um ano se considerando o maior especialista em cinema da família, quiçá do mundo, e brincava sempre dizendo, em portunhol, "Se vocês quiserem saber algo sobre cinema, já sabem a quem perguntar". 
No ano seguinte a ordem foi restabelecida: eu ganhei o bolão. Pouco depois comecei a namorar o maridão e ele entrou no jogo também. 
O bolão crescia a cada ano (tinha leitores e leitoras minhas do jornal que participavam, e participam até hoje!). Mas foi só quando comecei este bloguinho, há dez anos, que pude convidar todxs vocês. Quem faz a gentileza de organizar todo o bolão é meu querido Júlio César. Ele bolou esses formulários para vocês preencherem. Este é o do bolão grátis. Vocês não pagam nada pra entrar e também não ganham nada -- talvez a minha admiração, gratidão ou inveja por terem acertado mais do que eu. É hiper fácil e rápido de participar, e vocês não têm nada a perder. Então, por favor, apostem!
Já o bolão pago é este. Também é simples participar! Pra entrar, a taxa é de R$ 25.  Quem quiser deve depositar este valor numa das minhas duas contas -- Banco do Brasil, agência 3653-6, cc 32853-7, ou Santander, agência 3508, cc 010772760, ou pagar pessoalmente, se você mora em Fortaleza, ou depositar R$ 28 no PayPal (um pouquinho a mais porque eles cobram uma porcentagem do valor). 
Depois de pagar, mande um email pra mim (lolaescreva@gmail.com) e pro Júlio (jcaoalves@gmail.com), com uma cópia do comprovante. Se for pelo PayPal, é só me avisar, que o nome da pessoa aparece. Aí é fazer as apostas. Só consideramos as vinte principais categorias. Quem acertar mais categorias ganha o bolão. Se há empate, o montante é dividido. 
Como a cerimônia do Oscar é dia 4 de março, e o Júlio precisa de um tempinho pra organizar as tabelas, as apostas devem ser feitas (tanto no bolão pago quanto no gratuito) até as 23:59 do dia 2 de março, uma sexta-feira. Eu ainda vou lembrar vocês outras vezes, mas, quem se sentir seguro dos palpites, aposte já! 
Vamulá, gente! É a única coisa tradicional que eu faço na vida. E nem sou eu que faço. Nem vou mais ao cinema, chuif. Mas o Oscar ainda é importante pra mim. É a hora que eu me animo pra ver a maior parte dos filmes. E, sinceramente, nos últimos anos eu só tenho visto a cerimônia por causa do bolão. Portanto, não deixe de participar deste meu 30o bolão, o décimo aqui no bloguinho!
Todos os indicados ao Oscar 2018

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

MAIS UMA PRA NOSSA CONTA: O FIM DAS GRID GIRLS NA F1

Vi na semana passada um monte de reaças revoltados com as feministas. 
O que foi dessa vez?, pensei. Não que reaças precisem de algum motivo pra odiar feministas. Mas estavam atacando feministas porque... a Fórmula 1 acabou com as grid girls. 
Grid quem?, você pode ter se perguntado se fosse alguém que vê corridas de carros como um dos esportes mais tediosos já inventados, algo que disputa o título de Modalidade Esportiva Super Chata da P*rra (MESCP) com o futebol americano (um esporte feito em torno dos intervalos comerciais. Tipo: se você instalar Adblock no futebol americano, o Super Bowl acaba). 
Grid girls da Indy 300, em SP
Mas parece que grid girls são, ou eram, muito tradicionais. São modelos contratadas para andar com plaquinhas de patrocinadores e recepcionar pilotos (pelo que eu entendi) na Fórmula 1. Suponho que de vez em quando os espectadores se cansam daquele barulho infernal ("o ronco dos motores", juram os românticos) e dos outdoors ambulantes sobre rodas que eles chamam de carro e ficam olhando pra mulheres com roupas colantes. 
Okay, você pode dizer, mas que droga as feministas têm a ver com isso?
Entendo a sua pergunta.
O ambiente de Fórmula 1, como qualquer um sabe, é quase que totalmente masculino
Não só os milionários pilotos e dirigentes são todos homens (quase todos brancos), mas também os mecânicos (a única dirigente mulher, Claire Williams, apoia parar de usar grid girls). Até no golfe (outro esporte que orgulhosamente disputa a MESCP) deve ter mais mulher que na Fórmula 1. 
Provavelmente a única chance de alguma mulher aparecer durante uma loooonga transmissão de corrida seria se a câmera mostrasse uma grid girl ou a esposa de algum piloto (pra não dizer que eu nunca vi uma corrida, lembro de uma vez em que os locutores, todos homens brancos também, ficaram discutindo por que um piloto havia se casado com uma mulher que eles julgavam feia. Sério! Você considera tal comentário, além de machista, irrelevante? Mas pô, ponha-se no lugar deles: eles têm que transmitir aquele troço sem entrar em coma profundo).
Lembra disso?
Pois bem, então você olha pra esse ambiente totalmente masculino e a primeira coisa que vem a sua mente é: tá cheio de feminista aí!
Certo? Certo? Não adianta negar! Eu sei que você olha praqueles homens de capacete e macacão com mais anúncios que o YouTube e pensa: tudo feminazi!
Pois eis o que os reaças querem nos fazer crer -- que nós feministas somos tão poderosas, tão influentes, tão fodonas, que mandamos no Bernie Ecclestone! (se é que ele ainda vive. Vive. Eu chequei).
Obrigada por confiar nos nossos superpoderes, reaças, mas menos, bem menos. 
Quem tomou a decisão não foi exatamente uma ONG feminista, e sim a Liberty Media, proprietária (americana) da Fórmula 1 desde 2016. O diretor comercial de operações da F1, Sean Bratches, declarou: 
"Embora a prática de empregar recepcionistas tenha sido um elemento básico da Fórmula 1 durante décadas, acreditamos que esse costume não combina com os valores de nossa marca e está claramente em desacordo com as normas sociais atuais. 
Os chefes da Liberty Media
(Bratches no meio)
"Não acreditamos que a prática seja apropriada ou relevante para a Fórmula 1 e seus torcedores, os antigos e os novos, em todo o mundo. Durante o ano passado analisamos uma série de áreas que sentimos que era necessário atualizar para estar mais em sintonia com nossa visão deste grande esporte". 
Posso ler seu pensamento: maldito feministo! Acertei?
A discussão se repete em competições de motociclismo, em que as grid girls são chamadas de paragueras (já que sua função é, além de decorar, também segurar os guarda-chuvas ou guarda-sóis para os pilotos. Porque piloto de corrida não é bem jogador de basquete ou vôlei, as modelos não podem ser muito altas). 
A agrupação política Ganemos Jerez, ligada ao partido Podemos, de esquerda, propôs à  prefeitura de Cádiz que as paragueras não fossem mais usadas: "Já há muitos anos o papel da mulher nas competições esportivas no mundo do motor, e em nosso circuito em particular, se restringiu a um papel ornamental, hipersexualizado e, em algumas ocasiões, vexatório”. Vexatório porque no Torneio Godó estava frio, e as paragueras tiveram que usar  minivestidos sem meias e sem casaco. Papel ornamental e hipersexualizado, acho que dispensa explicações. 
No ciclismo, algumas competições já dispensaram as garotas decorativas. Boxe e UFC (não a gloriosa universidade pública em que leciono) parecem estar indo no mesmo caminho.
Não foram apenas os reaças que culparam as feministas. Várias grid girls se indignaram. Uma delas disse no Twitter: "Ridículo que mulheres que estejam 'lutando por direitos das mulheres' digam o que outras devem ou não fazer, nos privando de fazer um trabalho que amamos". Outra lamentou: "Essas feministas custaram o nosso emprego! Fui uma grid girl durante 8 anos e nunca me senti desconfortável! Ninguém nos força a nada! É a minha escolha!" 
No entanto, uma mulher que trabalhou como grid girl durante quatro anos falou na TV: "Acho que [o fim da figura das grid girls] é uma coisa boa. Acho que é um sinal de que estamos caminhando na direção certa. Eu pessoalmente gostei muito de ser, fiz um bom dinheiro, me diverti, mas, olhando pra trás, era tudo sobre ser decorativa e acho que esse é o problema. Acho que estamos mudando e indo pra frente". 
Bom, eu pessoalmente nunca vi uma feminista comemorar por alguma mulher perder seu emprego (a menos que fosse um emprego degradante; por exemplo, se fecham uma fábrica têxtil que emprega trabalho escravo, pode apostar que feministas e demais pessoas de esquerda não só irão celebrar, como também boicotar a marca -- oi, Marisa e Zara, tudo bem? --, enquanto reaças lamentarão que o Estado não está permitindo que os empreendedores empreendam, e que mais vale ter trabalho terceirizado escravo do que ficar desempregado). 
Um piloto de Fórmula E (vai que existe o alfabeto inteiro) se opôs à medida sobre as grid girls e disse que as equipes devem decidir se preferem moças ou rapazes no paddock, ou crianças (vamos pensar um segundo: se existissem rapazes, eles se chamariam grid boys? Ou essa é só a mania que a sociedade tem de infantilizar mulheres e sexualizar meninas?). Ele lembrou que em Marrakesh eram crianças que seguravam plaquinhas (assim como, no futebol, são crianças que entram com os jogadores em campo pro hino). 
A ex-pilota de testes Susie Wolff afirmou que a F1 tinha assuntos mais relevantes para se preocupar que as grid girls. "Vamos pegar as mulheres de sucesso nesse esporte e fazer delas modelos que inspirem outras. Vamos levar meninas para um show de F1 e deixar que elas sonhem. Vamos contratar mais mulheres". 
Ainda vivemos num mundo que associa carros não a um veículo de transporte poluente e particular, mas à potência, velocidade e status, símbolos masculinos. 
Por causa disso, muitos comerciais de carro ainda exibem modelos se roçando em cima de um carro, ou moças que vem como acessório pro carinha que comprar o automóvel. Mas publicitários não são tão ignorantes assim e começam a ver que 1) mulheres também dirigem (agora até na Arábia Saudita!), e 2) mulheres não só compram carros, como também influenciam e muitas vezes decidem na aquisição de vários produtos, incluindo carros. Por isso, vários comerciais já são diferentes. Infelizmente, os salões de automóveis ainda não entenderam isso. Não consideram mulheres consumidoras, só troféus.
Pros reaças do disco único (é pra trocar) de "feminazis são lésbicas peludas e bigodudas e gordas e mocreias que odeiam homens e mulheres bonitas", fica o meu convite: cholem mais! Feministas não tiveram nada a ver com essa decisão, e nem sei a opinião das feministas (que nunca é única ou unânime) sobre o fim das grid girls. A minha é que, se eu não vejo sentido na existência de corridas automobilísticas, tampouco vou ver necessidade para que mulheres desfilem com plaquinhas ou guarda-chuvas nesse universo alternativo e quase que exclusivamente masculino chamado Fórmula 1, 2, E, X, Y, Z.
Vocês conseguem um emprego melhor, grid girls!  Dica imperdível: reaças juram que nós feministas ganhamos uma grana violenta do George Soros. E tantos otários não podem estar errados o tempo todo, podem?

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

PAIS COMPREENSIVOS COM A ORIENTAÇÃO SEXUAL DAS FILHXS

Eu acho, não tenho certeza, que esta thread maravilhosa começou com um tuíte de Myka:


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

UMA DÉCADA DE BLOG!

Pessoas queridas, ontem o meu blog comemorou dez anos de vida!
Lolinha fora de foco em Detroit,
2008
Bem, não foi exatamente ontem. Não sei o dia exato em que comecei o blog. Só sei que foi na última semana de janeiro de 2008. Naquela época eu estava em Detroit fazendo o meu doutorado-sanduíche e senti a necessidade de ter meu próprio blog pra que eu pudesse escrever sobre o que eu quisesse, sem intermediários (antes, eu colaborava com dois sites que não tinham muito a ver comigo, não eram a minha cara, não era o meu público).
Eu e Silvinho em Barra Nova, CE,
ano passado
O único problema é que eu não tinha a menor ideia de como fazer um blog e, pra variar, eu estava ocupada (pesquisando pra escrever minha tese de doutorado). O maridão também não sabia como fazer blog, mas ele aprendeu o mínimo possível e passou pra mim. E o resto foi com minhas divinas leitoras e leitores, que me ajudaram (e continuam ajudando) em tudo, desde fazer o cabeçalho do blog com uma foto minha de quando eu era criança até me ensinar a colocar links. 
Jullie manifestando seu apoio a mim
na Marcha das Vadias BH, 2011
Dou gargalhadas até hoje de quando eu tirei uma foto da tela do meu computador pra mostrar alguns dados sobre o blog pra vocês, e um leitor (que eu conhecia dos tempos do Orkut, porque ele foi o criador de uma fan-page das minhas crônicas de cinema) escreveu nos comentários: "Lolinha, diz que você não tirou foto da tela do seu computador!" E naquele momento aprendi que existia um troço chamado print screen. 
Santa Maria, RS, em 2013
De lá pra cá meu blog foi crescendo e despertando interesse, até se tornar um dos maiores blogs feministas do Brasil. Chegou a ter mais de 400 mil visitas por mês. Eu parei de contar quando o marcador registrou 17 milhões de visitas. Já faz vários anos. Não parei de contar porque quis, mas porque o contador de visitas que usava desde que abri o blog, o SiteMeter, bugou. E aí preferi não acompanhar mais números. 
Com uma turma incrível na UFSC
cinco anos atrás
Sei que o auge do meu humilde bloguinho foi em 2013. Aliás, suponho que não só do meu, mas de diversos outros blogs. O Facebook foi ganhando terreno e tomou muito do lugar dos blogs (e dos comentários nos blogs!). Muita gente escreve "textões" lá, e muitos outros migraram pros vlogs. Eu sou um dinossauro que ainda só tenho blog (e twitter, com quase 36 mil seguidores e, suponho, o mesmo número de reaças bloqueados. Me siga lá se você não for reaça).
Comemorando a aprovação da
Lei Lola em dezembro
Nesses dez anos de blog, foram mais de 4.500 posts. Pra ser mais precisa, foram 4 mil posts, porque cerca de 500 (aqueles que aparecem na barra lateral do lado direito com data de 1998 a 2007) foram colocados em 2008, quando comecei o blog, mas escritos e publicados em outros lugares até o final de 2007. Por isso tem gente que acha que meu blog existe há vinte anos, desde 98. Mas não, ele só começou em 2008 mesmo (só!). Tanto que os posts pré-2008 mal tem comentários. 
Enquanto eu estava na praia
tinha alguém moderando os
comentários
Por falar em comentários, nesta década foram 280 mil publicados (fora os mais de 60 mil comentários deletados -- quando não há moderação -- ou não publicados. Pra vocês verem o enorme volume de trolls). Devo dizer que já me orgulhei várias vezes de ter a melhor caixa de comentários da internet, com comentaristas inteligentes, sagazes, divertidxs... Hoje, infelizmente, não mais. Tirando uma meia dúzia de comentaristas que assinam o que dizem (mesmo que não seja com o nome real), o que mais tem parece ser troll. Esses são fiéis! Não creio que se eu instalasse Disquus ou alguma dessas ferramentas que me sugeriram melhoraria. 
Tem bastante gente que comenta os posts no Twitter, quando os divulgo. Mas lá não fica registrado ou organizado, como aqui. Não rende debates. Então eu peço sempre: se possível, comentem aqui (ainda mais quando fazem uma série de tuítes. Copia e cola aqui na caixa de comentários).
Encontrei a linda Carla Rizzotto (que
escreveu uma tese de doutorado
sobre o meu blog) sem querer
na UFMG uns dois anos atrás (aqui
um artigo recente que ela publicou
depois de entrevistar vocês!)
Entre os 4 mil posts publicados nesta década, mais de 900 foram guest posts. Em outras palavras, textos que vocês escreveram. Adoro esses guest posts, pois falam de uma enormidade de assuntos. É um jeito de deixar um blog pessoal (pois considero este um blog pessoal, tem até o meu nome no título) menos pessoal. Entre os guest posts, há desde relatos anônimos de experiência a artigos de opinião a textos mais acadêmicos de pessoas (re)conhecidas. Se dependesse do meu conhecimento ou da minha experiência pessoal para escrever sobre, sei lá, poliamorismo, BDSM, algum fato marcante numa novela, futebol, música, mães solo (só para citar alguns temas), eu ficaria devendo, já que nada disso é minha praia. No entanto, graças a contribuições de vocês, o blog trata desses tópicos. E muitos guest posts acabam virando referência!
Palestra em Campina Grande, PB
Dez anos, como vocês sabem, é uma eternidade na internet, onde as coisas são muito mais efêmeras. Cansa. Tem dias que fico com preguiça pra escrever. Mas, na maior parte das vezes, não falta vontade: falta tempo. Falta tempo pra responder emails, pra responder comentários, pra visitar outros blogs, pra desenvolver melhor um texto, ou revisá-lo. Nessa década, pensei dezenas de vezes em parar com o blog, e a principal razão sempre é "imagina só o tempo livre que eu iria ter pra pesquisar, ler, publicar, dormir, viver". 
Em Varadero, Cuba, em
dezembro 2017
Mas eu persisto por vários motivos: porque acho que ainda tenho algo relevante pra falar (nem sempre!), porque ainda tem quem me leia, porque ainda tem gente que diz que o blog ajudou a mudar suas vidas, porque é uma forma também de registro pessoal (pra eu ter uma vaga ideia do que fiz na última década), porque é um meio de defesa (se eu parasse, o pessoal que me ataca não iria parar de me atacar), porque eu aprendo muito, porque ainda me dá prazer fazer o blog, porque é bacana conhecer tanta gente especial através do blog, porque é gratificante acompanhar a evolução de leitoras e leitores que me leem faz tempo. 
Vendendo livro
Sou super grata a cada uma e cada um de vocês que faz comentários sensatos, que ajuda a divulgar o blog, que manda palavras carinhosas (no meio de tanto ódio, é sempre bom receber elogios), que escreve guest posts, que traduz textos, que faz ilustrações (como o selinho de comemoração aí em cima, cria do Luiz Prata), que me tira dúvidas, que me lê, que me envia sugestões, que me entrevista, que me defende quando vê alguma mentira sobre mim ou minha família, 
que ajuda a moderar os comentários enquanto viajo, que me chama pra palestras, que vai às palestras, que me dá chocolate depois da palestra (tô ficando cada vez mais específica aqui), que compra meus livros (tenho que publicar mais!), que ajuda com os processos judiciais (até agora só chegaram dois, ambos de mascus), que contribui financeiramente com o bloguinho (aliás, pra quem quiser doar dinheiro de presente pros dez anos do blog, taí o PayPal, ou uma das minhas duas contas: Banco do Brasil, ag. 3653-6, conta 32853-7, ou Santander, ag. 3508, conta 010772760).
Seminário de gênero no sertão
cearense! UECE, Quixadá 2015
Não vou citar nomes porque corro o risco de deixar de fora um montão de gente que colaborou tanto com o bloguinho nos últimos dez anos. Mas espero que vocês saibam quem são. Obrigada!
Ah sim, uma coisa que estou devendo há anos e prometo providenciar é um novo design pro blog. 
Com feministas maravilhosas na
UnB, 2011
Sei que muita gente reclama do layout, e hoje, num tempo em que várias pessoas leem blogs no celular, o formato dos textos precisa ficar melhor. Designers que queiram me ajudar a mudar o blog, me mandem um email, por favor! (lolaescreva@gmail.com)
E vamos continuando enquanto der! Não prometo mais dez anos, mas prometo que, mesmo se eu parar, jamais vou deletar o blog. 
E prometo também sempre informar vocês de qualquer decisão, como é do meu feitio. E ouso dizer que a transparência é uma das razões do sucesso deste bloguinho. Além da modéstia, é claro. Obrigada, galera!