domingo, 27 de agosto de 2017

CERTAS ÁRVORES APROVAM O DESMATAMENTO

"'Eu por mim desmatava era tudo', diz esta árvore de direita". Melhor tuíte da semana.
O governo golpista, não satisfeito em tirar todos os direitos da população local e leiloar o país pros bilionários estrangeiros, tem planos de abrir um espaço do tamanho da Dinamarca na Amazônia para mineração.
Temer alega que sua medida vai revitalizar a mineração brasileira.
Mas sabe, não são todas as árvores que são contra! 
Parece familiar?

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

SEMANA DIFÍCIL PRA REAÇAS RACISTAS QUE NÃO ASSUMEM SEU RACISMO

Esses últimos dias têm sido cheios de emoção para os reaças. Fora transformar a história de uma professora agredida por um aluno na história de uma comunista doutrinadora de pobres almas que mereceu ser socada porque achou legal uma menina ter jogado um ovo no Bolso, dois outros acontecimentos exigiram sua presença.
Primeiro foi Monalysa Alcântara, Miss Piauí, ganhar o Miss Brasil 2017. Não só Monalysa foi a terceira negra a vencer o concurso em 63 anos (sendo que a maior parte da população brasileira é negra), como ela é dona de um discurso empoderador: "Quero dar voz para as mulheres e não vou aceitar ver nenhuma delas dizendo que não é capaz. Me chamavam de feia e hoje eu represento a beleza brasileira. Através da minha história, vou ajudar as mulheres negras a se acharem mais bonitas e mostrar que elas são capazes de seguirem seus próprios sonhos, assim como eu segui o meu".
Reaças, que normalmente já ficam enlouquecidos quando qualquer membro de um grupo historicamente oprimido ganha alguma coisa, ficaram ainda mais possessos com o discurso da miss. Gritaram, em coro:
"Feia! Cara de empregada! Ganhou por cotas! Mimimi vitimista! Veio despenteada pro concurso! Macaca nojenta!"
Vários jornais e revistas destacaram o racismo dessa galera nada inteligente. Afinal, estamos em 2017, né? Reaças não gostaram de ser chamados de racistas:
"É só meu gosto pessoal! Não posso achar uma negra feia? Vou processar quem me chamar de racista! Racistas são os negros! Eu nem presto atenção pra raça!"
Pouco depois, outro baque pros reaças: Michele ganhou o Masterchef Brasil. Foi a primeira participante negra a ganhar em quatro edições.
Reaças disseram que Michele foi favorecida, que eram cartas marcadas, que desde o início já se sabia que ele iria ganhar, que ela ganhou por ser negra (pois obviamente o Masterchef sempre seleciona um monte de participantes negros e eles sempre ganham), que ela copiou receita, que foi exigência da Paola pra "agradar a mimimilitância"... Dezenas de desculpas. Quando é um branco que ganha reaças repetem uma só palavra: meritocracia. 
Olha, tudo bem alguém pensar assim. O que não dá é pensar assim e não querer ser tachado de racista. 
Porque você é racista, inimiguinho. Não é à toa que você fica tantas horas nas redes sociais desmerecendo conquistas negras. 
E eu disse "tudo bem pensar assim"?! Tudo bem uma ova. Como diz Angela Davis, num mundo racista não basta não ser racista. Tem que ser antirracista. 

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

UMA EM CADA TRÊS NORDESTINAS SOFRE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. E ISSO AFETA TAMBÉM O TRABALHO

Hoje de manhã compareci a uma coletiva de imprensa para divulgação dos dados de uma grande pesquisa. 
Coordenada pelo prof. José Raimundo Carvalho, do Programa de Pós-Graduação em Economia da UFC, em parceria com o Instituto Maria da Penha, a Pesquisa de Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher entrevistou dez mil nordestinas nas suas nove capitais.  
Treinamento das entrevistadoras em
Fortaleza
Toda a pesquisa foi feita digitalmente, sem papel. Cada entrevistadora (só mulheres foram contratadas, entre 25 e 35 para cada estado) recebeu 40 horas de treinamento e um tablet conectado a uma nuvem de dados. Cada entrevista levou cerca de uma hora e meia. 
O resultado é perturbador: quase 3 em cada 10 nordestinas entre 15 e 49 anos já foram vítimas de violência doméstica ao longo da vida. 
Uma em cada 10 nordestinas sofreu pelo menos um episódio de violência doméstica nos últimos 12 meses (leia o relatório aqui). E isso que a pesquisa foi realizada apenas nas capitais nordestinas. Acredita-se que a violência no interior dos estados seja três a cinco vezes maior. 
Consideram-se cinco tipos de violência doméstica: psicológica, moral, física, sexual e patrimonial. A pesquisa considerou três: emocional, física e sexual. Só pra exemplificar: em Fortaleza, 27% das entrevistadas já sofreram violência emocional, 19% já sofreram violência física, e 7% já sofreram violência sexual. 
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Uma das perguntas, para medir a percepção social da violência contra a mulher (ou seja, desmistificando que este é um assunto apenas do casal), foi: "Até onde você saiba, nos últimos 12 meses, alguma mulher da sua vizinhança ou do seu círculo social foi morta pelo marido/ parceiro/ namorado ou ex?" 6% responderam que sim. 
Àquelas que responderam sim, foi perguntado se essa mulher morta deixou algum filho ou filha órfão. Mais de 71% responderam que sim. Como o prof. Carvalho disse na palestra, uma das preocupações de Maria da Penha (que também estava lá) é com os órfãos da violência, pois pouco se fala ou sabe deles. A mãe é assassinada, e esses filhos (dois, em média) ficam com quem? Na grande maioria dos casos, ficam com a família do homicida. 
O relatório que foi apresentado hoje é o segundo, e concentra-se na violência doméstica e seu impacto no mercado de trabalho e na produtividade das mulheres (leia aqui). Eu já sabia, através de uma pesquisa nacional da Fundação Perseu Abramo realizada com 5 mil brasileiras em 2010, que um em cada cinco dias que uma mulher falta ao trabalho é por causa da violência doméstica. Mas o prof. Carvalho revelou outros dados, de acordo com sua pesquisa. Uma mulher que sofre violência doméstica falta, em média, 18 dias por ano ao trabalho. Além dos prejuízos físicos e emocionais que essas mulheres têm, o prejuízo financeiro é de todo o país, de toda a sociedade. Calcula-se que, nos EUA, o custo mínimo da violência doméstica seja de 2 bilhões de dólares por ano (mínimo porque essa estatística não inclui gastos médicos nem investigações policiais). No Brasil, o custo é de um bilhão de reais por ano. 
A mulher nordestina que sofre violência doméstica fica 22% menos tempo num emprego do que a mulher que não é vítima de violência. E quem sofre ganha em média 8 reais a hora, contra quem não sofre, cuja média salarial é de 9 reais a hora. Ou seja: a nordestina vítima da violência doméstica ganha 10% menos de salário, fica menos num emprego, e fica menos tempo trabalhando (já que precisa procurar emprego). 
Fortaleza tem a maior disparidade do nordeste entre o salário que recebe uma mulher que é vítima da violência e uma que não é vítima: 34% de diferença. Uma trabalhadora de Fortaleza que sofre violência recebe apenas R$ 6 a hora, em média.
A pesquisa também fez um recorte racial, e constatou que a mulher nordestina negra que sofre violência tem o pior salário. E, como é típico do nosso racismo, uma branca que sofre violência ganha mais que uma negra que não sofre violência. A nordestina negra que é vítima de violência tem o pior salário de todas.
O prof. Carvalho reforçou que a violência doméstica acontece em todas as camadas sociais e é um problema universal. Porém, a prevalência maior é entre a população mais pobre. 
Um dado interessante foi sobre a ocupação com maior prevalência de violência doméstica: trabalhadoras nos serviços de embelezamento (cabeleireiras, por exemplo) e cuidados pessoais. 26% das trabalhadoras nesta ocupação sofrem violência doméstica. Entre as empregadas domésticas, o número cai para 16%. 
É muito bom termos dados da nossa região. Para combater um problema, é preciso saber que ele existe e com que frequência acontece.
Este mês comemoramos onze anos da Lei Maria da Penha,
uma lei conhecida e aprovada por 98% das mulheres brasileiras. Mas sabemos que só uma lei não resolve a praga da violência doméstica. É preciso mudar a cultura. 

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

"VCS CHAMAM TODO MUNDO DE NAZISTA"

Este cartum resume bem uma situação curiosa.
Os caras que chamam feministas de feminazis são os primeiros a reclamar que nós, feministas e outras pessoas que lutam contra preconceitos de forma geral, chamamos quem discordamos de nazistas. Até quando o cara que chamamos de nazista se diz nazista e segura uma bandeira nazista. 
Reaças nem ficam corados ao usar termos como feminazi, gayzista, gaystapo, mesmo sabendo que feministas e homossexuais foram perseguidos pelo regime nazista. 
Essa galera não é exatamente coerente ou chegada a argumentos, é?

terça-feira, 22 de agosto de 2017

"TODOS AJUDARAM A DEIXAR MEU OLHO ROXO", DIZ PROFESSORA AGREDIDA

Semana passada, na pequena cidade catarinense de Indaial, próxima à Blumenau, a professora Marcia Friggi foi agredida por um aluno de 15 anos. 
Marcia, que é professora há 12 anos, era ACT (contratada em caráter temporário) e foi chamada para lecionar numa unidade de Ensino de Jovens e Adultos (EJA). Ela não conhecia a turma, nem o aluno em questão. O estudante estava com o livro sobre as pernas e ela lhe pediu educadamente que pusesse o livro sobre a mesa. 
"Como eles costumam usar muito celular e fone de ouvido, a nossa grande luta é para que nos escutem, porque eles ficam em sala de aula usando WhatsApp e escutando música", disse a professora em entrevista (e o Escola sem Partido jura que professores comunas se valem dessa "audiência cativa" para doutrinar alunos"!). 
O aluno respondeu que colocava o livro onde quisesse, e ela disse: "Não é bem assim". Ele respondeu: "Vai se f*", e ela o mandou à diretoria. Ele jogou o livro na cabeça de Marcia. Na sala da direção, Marcia relatou o que havia acontecido, o aluno a acusou de estar mentindo, ela disse que toda a turma era testemunha, e então o aluno a agrediu (novamente!) com tapas e um soco. 
Ela fez boletim de ocorrência, exame de corpo de delito, e teve que ir a um hospital. 
Depois, escreveu um post na sua página no FB: "Estou dilacerada por ter sido agredida fisicamente. Estou dilacerada por saber que não sou a única, talvez não seja a última. Estou dilacerada por já ter sofrido agressão verbal, por ver meus colegas sofrerem. Estou dilacerada porque me sinto em desamparo, como estão desamparados todos os professores brasileiros. Estamos, há anos, sendo colocados em condição de desamparo pelos governos. A sociedade nos desamparou. A vida".
Marcia incluiu várias fotos em sua postagem, que já teve dezenas de milhares de compartilhamentos. Pelo menos assim a turma que chama tudo de mimimi, vitimismo e invenção não vai poder dizer que seu relato devastador é "fanfic". 
Reaças condenam Marcia
Em entrevista, Marcia declarou: "A situação está bem difícil para os professores. Escutar palavrão é uma coisa comum, não fui a única, acontece todos os dias. Agressão física é mais rara, graças a Deus. Mas, infelizmente, aconteceu". Perguntada sobre o que iria fazer, ela respondeu: "Eu sou uma mulher muito forte, muito guerreira, se eu tiver que ser voz do magistério brasileiro, que está muito abandonado, eu vou ser, até o meu último dia. Inclusive a mídia está nos abandonando, a sociedade, o governo, as famílias, todos têm culpa. Todos ajudaram a deixar meu olho roxo". 
Para os reaças, esse tipo de resposta é inaceitável. A professora -- aliás, todas nós que somos professoras -- deveria querer pena de morte pro guri de 15 anos, ou, no mínimo, cadeia. Se não defendemos a redução da maioridade penal, de acordo com a lógica da direita, é porque pedimos pra ser atacadas. E o quê é isso de culpar todo mundo?! Para os reaças, este (como todos os casos) é um caso isolado, e o único culpado é o aluno, ninguém mais. Bom, talvez seja culpa também dos pais esquerdistas frouxos que não sabem educar os filhos e desse pessoal que defende direitos humanos e do governo do PT. Mas dos reaças, jamais! 
Eles rapidamente foram vasculhar a vida pregressa de Marcia para se certificar que ela não era uma deles. Porque, se fosse uma "batedora de panela", se tivesse posts e mais posts xingando Lula e chamando candidato de extrema direita de "mito", aí o tratamento seria bem outro. Mas não. Eles encontraram um post de Marcia chamando a jovem que jogou um ovo na cara de Bolsonaro de "sua lindeza". Com isso, justificam a agressão que ela recebeu do aluno. 
Marcia, que merece toda a nossa solidariedade, tem total razão ao lembrar que os professores brasileiros estão desamparados. Não são apenas estudantes mal educados que estão agredindo professores. Há todo um sistema para isso, desde a inércia da sociedade, que aceita que professores sejam tão mal pagos e desvalorizados, a um processo de institucionalização da perseguição. 
Por exemplo: também em SC, na semana passada, a justiça mandou afastar dois educadores populares do MST, do campus Abelardo Luz, do Instituto Federal Catarinense. A faculdade foi criada no governo Dilma por demandas do MST, dos agricultores familiares e camponeses. Acusação para busca e apreensão de computadores e equipamentos e do afastamento de Ricardo Scopel Velho e Maicon Fontaine é "imposição ideológica e política". 
A nota do MST diz: "A perseguição e a ameaça feita aos companheiros é mais um caso de perseguição e criminalização de movimentos sociais! É um caso de Escola Sem Partido que não teve aprovação, mas está cada dia mais vigente nas escolas públicas como um todo, também no Instituto Federal. Por meio dessas decisões os dois estão afastados da função pública, ou seja, o o objetivo é perseguir, demitir e criminalizar! Não podemos aceitar esse absurdo!”.
Ainda em SC, a professora Marlene de Fáveri, da faculdade de História da Udesc, está sendo processada por uma aluna olavette que, patrocinada pelo Escola sem Partido, acusa Marlene de "perseguição ideológica", pela estudante ser cristã. Marlene desistiu de orientar a aluna no mestrado -- como é seu direito -- depois de ver as inúmeras barbaridades anti-feministas que a reacinha diz em suas redes sociais. 
Ano passado, uma deputada cristã de Brasília pediu "providências legais" contra um professor. Seu crime hediondo? Solicitar aos seus alunos do segundo ano do ensino médio um trabalho sobre homofobia. Porque, sabe como é, falar contra homofobia equivale à doutrinação e à "apologia ao homossexualismo". 
Em julho, o deputado estadual Flávio Bolsonaro, aquele que não aguentou a pressão e desmaiou num debate quando foi candidato a prefeito do Rio, exigiu o afastamento do professor Pedro Mara, que leciona Sociologia para alunos do Ensino Médio e é diretor do Ciep 210, em Belford Roxo, no Rio. O motivo da perseguição? Pedro tem uma tatuagem de uma folha de maconha no antebraço. E, na sua vida particular, é militante da esquerda. Coisas inadmissíveis para um professor!
Bolso Pai, o "mito", já vem perseguindo professores (de preferência professoras, porque misóginos covardes agem com mais eficiência ao atacar mulheres) há tempos. Se alguém duvida, veja o que ele fez com a professora e pesquisadora Tatiana Lionço em 2012. A forma preferencial para perseguir é pedir aos alunos que filmem "professoras comunistas" "doutrinando" os estudantes, e depois o próprio deputado e sua equipe se encarregam de jogar esses vídeos nas redes sociais para que seus milhões de seguidores façam o resto do serviço. 
Clique para ampliar e ver as opiniões de seguidores de Bolso sobre professoras
Ao contrário dos mascus, não tenho como afirmar que o adolescente que agrediu a professora Marcia era um deles, ou seja, um neonazista misógino. 
Provavelmente não era. Pode ser apenas mais um machista que só é capaz de resolver conflitos através da violência. Mas ele certamente não é o único que quer sair por aí agredindo professoras. Tem muito deputado, muita lei da mordaça, muita criatura deplorável nas redes sociais, fazendo a mesma coisa.  

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

OS HOMENS EXPLICAM TUDO PRA GENTE

Saiu agora no Brasil pela editora Cultrix, com tradução de Isa Mara Lando, o livro clássico (e recente, de 2014) da escritora e feminista americana Rebecca Solnit, Os Homens Explicam Tudo pra Mim.
Solnit começa narrando um caso instigante, mas nada incomum para as mulheres: numa festa a que ela foi com uma amiga, um homem rico se pôs a discorrer, “com aquele olhar presunçoso que eu conheço tão bem nos homens quando começam a falar e falar, com os olhos fixos no horizonte nebuloso e distante da sua própria autoridade”, sobre um livro que ela havia escrito. Apesar da amiga tentar interrompê-lo várias vezes para alertar que aquele era o livro dela, o Sr. Muito Importante demorou até parar de explicar para a autora tudo que ela deveria saber sobre o livro.
Esse é um comportamento bastante clichê. Não que mulheres não possam ser paternalistas e condescendentes. Mas é uma atitude tipicamente masculina. Perco a conta de quantos homens vem todos os dias explicar o que é feminismo pra mim, que sou feminista há quatro décadas e mantenho um dos maiores blogs feministas do Brasil há quase uma. 
Versão portuguesa
do livro
Essa atitude de muitos (não todos!) homens, que talvez na maioria das vezes sequer seja proposital (eu sou otimista desse jeito), tem o poder de impedir as mulheres de falar e de serem ouvidas quando ousam falar, de mostrar às mulheres, principalmente às jovens (como é feito com o assédio sexual nas ruas), que o mundo não pertence a elas. Como diz Solnit, “É algo que nos deixa bem treinadas em duvidar de nós mesmas e a limitar nossas próprias possibilidades -– assim como treina os homens a ter essa atitude de autoconfiança total sem nenhuma base na realidade”. 
Solnit também narra um outro episódio em que um tradutor zombou dela, num jantar, quando ela disse (e ela já havia publicado um artigo sobre isso) que um grupo, o Women Strike for Peace, foi importante em derrubar o HUAC (comitê responsável pelo macartismo, período vergonhoso de "caça às bruxas" nos EUA), em 1961. Lógico que ela estava certa, mas o sujeito falou a besteira com tanta autoridade que, quando ela voltou ao seu quarto, teve que checar a internet para se certificar. É divertido porque ela deixa um recado pra ele no livro: “Cara, se você está lendo isto, saiba que você é uma espinha inflamada no rosto da humanidade e um obstáculo à civilização. Sinta vergonha”.
A propósito, não foi Solnit que criou o termo mansplaining (que eu ousei traduzir para homexplicanismo). O termo foi inspirado pela publicação de seu ensaio, mas não veio dela. Ela nem usa muito a palavra, porque passa a ideia de que essa é uma falha inerente dos homens. Em 2012 o termo já estava sendo usado na grande mídia dos EUA, e continua até hoje. 
E, como Solnit aponta em outro ensaio do livro, “#SimTodasAsMulheres”, as palavras são importantes. Na década de 1960, termos como violência doméstica, assédio sexual, estupro marital e cultura do estupro, entre outros, sequer existiam. Como podemos denunciar um problema que não conseguimos nomear? Para Solnit, dar nome às coisas foi uma das conquistas do feminismo. E ela, assim como eu, também é otimista. Para ela, não há volta: o feminismo veio para mudar o mundo.
Pessoas queridas, quero falar mais ainda deste livro sensacional, até porque o que comentei aqui refere-se basicamente ao primeiro capítulo. Mas é o seguinte. Pedi à editora três exemplares (um pra mim, outro pra biblioteca da UFC), e ela os mandou pra mim. Portanto, tenho um exemplar aqui prontinho pra ser enviado pra você. Quero fazer um sorteio, algo que não faço há muito tempo e que, pra falar a verdade, não deu certo da outra vez que fiz, porque a pessoa que ganhou não apareceu para me mandar o endereço pra que eu pudesse mandar o livro pra ela.
Este livro aqui
Espero que funcione desta vez! Pra participar do sorteio, é só você comentar com um nome ou avatar (não pode ser anônimo!) neste post. Pode comentar mais de uma vez, mas só um comentário será válido. Ainda esta semana eu usarei um site que sorteia um número para escolher um dos comentários. Aí a pessoa que ganhou me envia o endereço por email e eu envio o livro pra ela. Simples!
Vamulá, participem! É só comentar usando algum tipo de nome. 
“Nenhum homem jamais se desculpou por querer me explicar, erroneamente, coisas que eu sei e ele não sabe” -- Rebecca Solnit. 

SORTEIO! Pedi ao Random um número de 1 a 130 (o número de comentários), e deu 113. Contei e cheguei ao nome de Clarice Galhardi. Por favor, Clarice, mande um email pra mim rapidinho pra que eu possa te mandar o livro. Virão novos sorteios por aí!