Design Ativista fez vários cartazes maravilhosos para serem usados nos protestos
Como prometido, o governo fascista declarou guerra contra a educação, principalmente contra as universidades e institutos federais. Isso já era esperado, pois durante a campanha eleitoral Bolso havia elencado os professores como seus principais inimigos (da próxima vez, aprendam: se de um lado temos um professor, e do outro um paraquedista, votem no professor).
O sinistro da Educação, Abraham Weintraub, outro olavete desqualificado sem a menor condição de ser ministro de qualquer governo, veio substituir o patético Vélez, e já chegou aprontando. Primeiro mirou nas faculdades de Sociologia e Filosofia. Depois anunciou que três universidades -- UFBA, UFF e UnB -- tiveram 30% do seu orçamento anual bloqueado. Não explicou direito a razão, mas disse que era pra punir a "balbúrdia" de instituições que faziam "eventos ridículos" com "sem-terra e gente pelada dentro do campus". Ou seja, o motivo era ideológico. Alguém deve ter avisado o estrupício que ele não podia fazer isso, pois a Constituição Federal não permite, e ele teve que voltar atrás, declarando que o corte seria para todas as instituições federais.
Em seguida, afirmou que o governo queria dar preferência à educação básica em vez da educação superior. E, no mesmo dia, descobriu-se que o MEC estava cortando R$ 2,4 bilhões da educação básica também.
Junto com seu presidente, ele tentou ser mais didático, usando barrinhas de chocolate para explicar que o corte, opa, ele não gosta dessa palavra, prefere contingenciamento ou bloqueio, não era de 30%, mas de 3,5%. Como ele não pode mexer ou deixar de pagar os salários dos servidores públicos (coisa que eles devem estar salivando pra fazer), cortaram as despesas não obrigatórias, o que inclui água, luz, segurança, manutenção, limpeza, aquisição de materiais. Aí você se pergunta: como uma universidade pode funcionar sem água e energia?
Na explicação, o sinistro que gosta de mostrar cicatriz no ombro disse: "A gente só está dizendo que três chocolatinhos e meio, desses 100... a gente não está falando que está cortado. A gente só está pedindo para deixar pra comer depois de setembro. Isso é segurar um pouco". Ao seu lado, o panaca que ocupa a presidência comeu os chocolatinhos que deviam ser segurados até setembro.
Além disso, a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) suspendeu 3,500 bolsas de pós-graduação. Mestrandos e doutorandos que contavam com essas bolsas para sobreviver estão desesperados.
E, ao que parece, essa total devastação que agrada muito um governo que quer sucatear a educação pública para poder privatizá-la é só o começo. Não estão descartados novos cortes. Para jornalistas e professores, Weintraub oferece uma chantagem: se a reforma da previdência for aprovada, aí, quem sabe, os cortes serão repensados.
Isso é claramente uma farsa, uma mentira, assim como era mentira a promessa de que, assim que se tirasse a Dilma, a economia automaticamente melhoraria. Recomendo muito esta palestra da professora de economia da UFRJ, Denise Lobato Gentil, que afirma não haver qualquer relação entre a aprovação da reforma e a melhora do cenário econômico. Ela mostra que os donos do poder já colocaram em prática todos os truques da planilha neoliberal e mesmo assim não houve a queda do desemprego nem o crescimento da economia.
Este desgoverno corrupto e incompetente, que não consegue passar uma única informação, continua investindo pesado nas fake news. Quem faz parte de grupos no Whatsapp está sendo bombardeado por mentiras tentando mostrar que universidades públicas são inúteis, só formam maconheiros e vagabundos, só servem à elite, e são espaços em que o patrimônio é dilapidado, e os alunos, doutrinados.
Um levantamento indica que após os cortes no MEC, o envio de imagens de estudantes nus cresceu 950% em grupos de WhatsApp em 24 horas. Em outras palavras: Bolso e sua quadrilha estão usando o mesmo expediente que usaram pra fraudar as eleições (disparo de fake news no Whats) para enganar o povo sobre a "imoralidade" das universidades.
Um exemplo eficaz de fake news que viralizou foi a imagem de um prédio completamente pichado atribuído à USP, pra dizer que estudantes alienados e sem valores não têm respeito pelo patrimônio público. Mas a foto não é da USP, e sim de um prédio abandonado no centro de SP, em 2010, que agora já está limpinho. Quando não é uma mentira escancarada como esta, é a utilização de um fato isolado (tipo um aluno que ficou nu durante uma aula durante 20 minutos) para passar a imagem de que este é um comportamento recorrente nas universidades. Nós que somos professores e alunos do ensino superior gratuito rimos quando ouvimos as fantasias que os reaças fazem do nosso dia a dia. Pô, são tantas orgias, tantas drogas, tanto sexo e rock'n'roll, e ninguém nunca me convidou?! (se bem que no meu caso eu costumo realizar abortos em alunas durante a aula, pelo que contam por aí).
Diante de todos esses ataques, vários reitores já avisaram que as universidades podem fechar já em agosto ou setembro, porque não terão como pagar a luz ou honrar contratos com terceirizados. Um representante afirmou que as instituições tentarão manter o mesmo número de vagas para alunos no ano que vem, mas que dependem de negociações com um sinistro intransigente. Quem é visto como um possível interlocutor é o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes.
Em muitas cidades está havendo uma grande divulgação do que as universidades fazem de fato. Este é um exemplo, já que não podemos perder pra narrativa de que o ensino superior, responsável por ensino, pesquisa e extensão, deveria ser para os poucos que podem pagar.
Mas não tem jeito: este cenário devastador faz parte de um projeto de governo da extrema direita. Precisamos lutar. Senão, os donos do poder privatizam tudo e transformam as universidades em estacionamentos. Amanhã haverá uma greve nacional. Os locais e horários dos protestos em cada capital estão aqui.
Num momento de tantos retrocessos em que precisamos provar que universidade pública é necessária
(pense em algum outro país que tenha que provar isso; ainda mais quando estamos falando do Brasil, onde 95% da pesquisa é realizada pela universidade pública), uma greve por tempo indeterminado não parece ser boa opção. É melhor estabelecer datas de protesto. E amanhã será um dia decisivo.
Os estudantes fizeram mobilizações marcantes na semana passada, e acenderam o pavio para uma resistência mais ativa. As escolas particulares também estarão presentes, assim como pais de alunos. Pense: a quem interessa o desmonte da educação pública?
Vamos às ruas lutar!











































