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quarta-feira, 29 de maio de 2019

A TRANSFOBIA NÃO APENAS MATA COMO MATA DA FORMA MAIS CRUEL

Publico este texto da lésbica feminista Luciana, apelido Luthy.

Um médico russo, ao descobrir que a mulher com quem estava se relacionando era trans (veja bem: médico! que deveria salvar vidas, né?), desmembrou o corpo dela e o colocou no forno. A mulher trans era operada, mas isso não interferiu na transfobia e misoginia do médico.
Essa notícia chama a atenção, mas pessoas trans costumam ser assassinadas com requintes de crueldade. Geralmente não são mortas a tiros. Seus assassinos precisam marcar seu ódio com mortes ainda mais agressivas. É comum serem desfiguradas e humilhadas em praça pública, como se fosse uma caça às bruxas.
Quem não se lembra de Dandara? A travesti de 42 anos foi espancada, torturada e morta em fevereiro de 2017 em Fortaleza. À luz do dia. Em público. Doze rapazes a agrediram até a morte, filmaram tudo, e compartilharam o vídeo nas redes sociais. No final, Dandara foi jogada num carrinho de mão. 
Ano passado, graças à mobilização dos movimentos LGBT, cinco dos 12 acusados foram condenados. Dois estão foragidos. 4 são menores. O que os levou a cometer esse ato bárbaro?
Dandara ajudava sua mãe com artesanatos para sobreviverem. Acabou virando um dos símbolos da transfobia por performar feminilidade. Foi morta por ser travesti, só por isso.
Ano passado Matheusa foi assassinada. Queimaram seu corpo. Num ato na Câmara de Vereadores do Rio, uma mulher trans, Joana, lembrou: "os corpos das mulheres trans têm o destino que a minha amiga Matheusinha teve: eles são carbonizados, destroçados, mutilados. É muito nítido o ódio por detrás desses atos, justamente no maior país católico do mundo". Fui ao ato de protesto na UERJ.
Não é mimimi, não é vitimismo. A expectativa de vida de uma mulher trans no Brasil é de 35 anos.
Recentemente um deputado estadual do PSL reagiu a um discurso de Érica Mulanguinho, primeira deputada trans de SP, dizendo que, se uma mulher trans (que pra ele é homem) entrasse num banheiro feminino junto com a irmã ou mãe dele, a tiraria a tapas. Acusado de incentivar a violência contra um grupo que já sofre violência demais, o deputado teve que se retratar. Depois, assumiu que é gay. Mas continua LGBTfóbico, com muito orgulho.
A hipocrisia brasileira pode ser medida nesses dois fatos: é o país que mais mata pessoas LGBT no mundo, e é também o que mais acessa pornografia trans no mundo.
Misoginia e transfobia juntas são uma bomba relógio. Mulheres trans são assassinadas das formas mais chocantes pelo simples fato de existirem. É terrível porque, assim como mulheres cis, mulheres trans e travestis são mulheres e devem ser tratadas com todo o respeito. 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

QUEREMOS JEAN WYLLYS VIVO (E LULA LIVRE)

Ato de solidariedade a Jean ontem, em SP

Hoje ficou escancarado pro mundo que Lula é um preso político. A gente já sabia -- fizeram de tudo para que ele, favorito, não pudesse concorrer às eleições no ano passado --, mas desta vez não restou nenhuma dúvida.
Seu irmão mais velho, Vavá, morreu, vítima de câncer. O velório foi hoje à tarde em São Bernardo do Campo. É um direito de um preso ir ao velório de mãe, pai, irmão, cônjuge e filho, mas a justiça negou, alegando que as aeronaves estavam sendo usadas em Brumadinho. O PT sugeriu pagar um avião para levar Lula e os policiais que o acompanhariam para o enterro. Afinal, até durante a ditadura militar, em 1980, quando Lula esteve preso, ele pôde deixar a prisão para ir ao enterro da mãe.
Enquanto isso, um dos filhos de Bolsonaro encarregou-se de espalhar fake news sobre Lula, dizendo que ele não foi ao enterro de dois meio irmãos em 2004 e 2005, como se fosse a mesma coisa. Lula teve cerca de 20 meio-irmãos por parte de pai, mas não tinha contato com eles. Já Vavá era muito próximo. Pra completar, as teorias conspiratórias da extrema-direita narram que o ex-presidente teria mandado matar seu irmão querido, para poder fazer um comício no enterro.
Quanto medo os reaças têm do Lula, não?
Parece que vivemos mesmo num Estado de exceção. Ontem na Faculdade de Direito da USP houve um belo ato de solidariedade a Jean Wyllys, que na semana passada anunciou que vai abrir mão do seu terceiro mandato como deputado federal e deixar o Brasil em função das inúmeras ameaças de morte que tem recebido.
O ato contou com a presença de Boulos, Haddad, Manu, e Laerte, entre outros. Duas deputadas estaduais recém-eleitas pelo Psol, Erica Malunguinho e Erika Hilton, ambas de SP, fizeram discursos importantes referentes ao Dia Nacional da Visibilidade Trans, que foi ontem. Malunguinho afirmou estar aliviada com a decisão de Jean, já que "permanecer vivo é o nosso maior ato de resistência". 
No sábado, o Ministério da Justiça de Sérgio Moro divulgou nota dizendo que não há omissão por parte das autoridades e que as ameaças vêm sendo investigadas, e deu como exemplo a prisão de Marcelo Valle Silveira Mello, do grupo Homens Sanctos. Bastante gente de esquerda disse que foi desculpa esfarrapada de Moro e que ele se referia à Operação Intolerância, de 2012. Mas teve gente do Psol que ficou contente, já que foi a primeira vez que o Ministério da Justiça revelou o nome do principal acusado das ameaças de Jean. 
Marcelo e Emerson em
janeiro 2016, em Curitiba
Como eu já disse, uma boa parte das ameaças que Jean recebe vem da mesma quadrilha que me persegue. Nós dois éramos alvos preferenciais de Marcelo desde 2011. A Operação Bravata, deflagrada em maio do ano passado, só prendeu Marcelo, o líder do grupo. Há outros membros que continuam soltos. Em dezembro Marcelo foi condenado a 41 anos de cadeia por vários crimes, inclusive alguns que datam de 2011 e pelos quais ele não havia sido responsabilizado na época. Mas ele deve estar recorrendo, e o processo corre em segredo de justiça, provavelmente porque um de seus muitos crimes envolve pornografia infantil.  
Depois da nota de Moro, Jean, por meio de sua assessoria, mostrou dois novos emails com ameaças a seus familiares. Um email, da "corporação Comando Virtual Marcelo Valle", dizia que Jean podia estar seguro exilado na Europa, mas seus irmãos, não. E colocava os dados pessoais desses irmãos. Os emails decerto vinham com o endereço goec@protonmail e eram assinados por Emerson. Ou seja, o mesmo padrão das ameaças enviadas por email desde o final de 2016. 
As fake news dos bolsominions sobre a saída de Jean continuam a todo vapor, mas suponho que, a esta altura, os babacas não mais duvidam que as ameaças existem e são terríveis. O Psol já anunciou que processará um monte de gente, a começar pelos caluniadores mais graúdos e influentes. 
Hoje o partido lançou um manifesto internacional que reproduzo aqui. Para ver as mais de 500 assinaturas (euzinha entre elas), veja aqui
QUEREMOS JEAN WYLLYS VIVO!
Recebemos, com muita tristeza, a decisão de Jean Wyllys de deixar o país e seu mandato como Deputado Federal. Diante da omissão do Estado brasileiro em garantir segurança e proteção a Jean, esta medida radical é consequência das inúmeras ameaças recebidas e de uma cultura violenta que despreza a vida de LGBTIs brasileiras.
O Brasil é o país em que mais morrem LGBTIs em crimes de ódio, que persegue negras e negros e onde o feminicídio de mulheres cis e trans bate recordes. Já nestes primeiros dias de 2019, choramos o assassinato de Quelly da Silva, travesti assassinada com requintes de crueldade. Outra adolescente, também travesti, foi apedrejada e perdeu 8 dentes. Um mulher lésbica foi assassinada e depois estuprada enquanto trabalhava. Seguimos sem justiça para Marielle Franco. A situação é aterrorizante.
Nosso país é também um dos que mais perseguem defensoras e defensores de Direitos Humanos em todo o mundo. A decisão de Jean Wyllys, em defesa de sua vida, é compreensível e tem nossa ampla solidariedade. É sinal de que a democracia no Brasil está em risco e que a violência ganhou contornos absolutamente inadmissíveis.
Repudiamos a postura de representantes do Judiciário, Legislativo e do Executivo que minimizam a gravidade da situação em que se encontra Jean Wyllys e que, em tom jocoso, assinalam carta branca aos perpetradores destes crimes. Isto apenas amplia a perseguição a LGBTIs, mulheres, negras e negros e aos defensores e defensoras de Direitos Humanos.
Estamos ao lado de Jean Wyllys e o queremos vivo.
A democracia no Brasil está em risco. É fundamental ampla solidariedade a todos os que resistem e defendem os Direitos Humanos.

domingo, 12 de agosto de 2018

A MORTE DA PM E A PROIBIÇÃO DE UMA PEÇA

Tem um mascutroll insistindo pra que eu fale de uma policial militar que foi assassinada em SP. Óbvio que o troll não tem nenhum interesse em saber sobre a PM em si. É só mais uma oportunidade pro cara que parte de premissas erradas -- "vc odeia a polícia e é hipócrita porque só dá valor a mulheres que são feministas" -- me xingar.
Há inúmeros motivos pra eu não destacar algum assunto aqui no bloguinho. Eu posso não saber que o tal assunto aconteceu. Eu posso não ter tempo em escrever sobre isso. Eu posso achar que não tenho nada além do óbvio para acrescentar ao assunto. Eu posso não escrever sobre um assunto justamente porque um mascutroll me cobrou pra escrever, e eu não gostar de seguir ordens de um ser repulsivo. Eu posso sugerir que a pessoa comece o seu próprio blog e lá escreva sobre tudo que achar importante. 
O caso de que só fiquei sabendo através da insistência do mascutroll foi o seguinte: Juliane dos Santos Duarte, ou Dudu Duarte (há dúvidas se era uma mulher cis lésbica ou um homem trans hétero), policial militar, foi assassinada numa favela em SP. Seu corpo foi encontrado quatro dias depois. Como a maioria dos PMs mortos, ela estava fora de serviço. 
Fiquei sabendo dessa notícia muito por cima, porque passei boa parte da semana passada em Brasília, participando de um colóquio internacional incrível sobre análise do discurso, onde tive a honra de dar a conferência de encerramento. Quando voltei, vi na minha timeline do Twitter muita indignação com uma matéria da Folha de S. Paulo, que falava do "intenso dia de férias" da PM antes de ser baleada. 
Como bem explica o Intercept, Juliane foi morta duas vezes: pelos criminosos que a mataram e pela imprensa. De fato, ao ler a notícia da Folha, vem a pergunta: 
se a vítima tivesse sido um homem cis hétero, haveria tantos detalhes sobre o que ele bebia e com quem ele saiu? Qual a necessidade de descrever fisicamente a mulher com quem a PM flertou? Como escreveu o Intercept: "Dizer que a PM viveu seus últimos momentos de vida com 'bebida, beijos e dança', em uma narrativa com chave erótica, foi a escolha mais desrespeitosa possível ao tratar de uma policial militar morta brutalmente e que tinha direito de se divertir como bem entendesse em seus momentos de folga". 
É lamentável o assassinato da PM. Lamentável o tratamento de parte da mídia sobre o assunto. E lamentável também a estupidez do troll em querer ditar sobre o que devo escrever.
Depois eu vi que toda a direita fez comparações cretinas entre a repercussão dada à execução da PM com à da vereadora Marielle Franco. A execução de Marielle foi política! E só pros reaças saberem: Marielle (e tantos ativistas de Direitos Humanos) dava amparo a familiares de PMs assassinados e lutava contra esse tipo de crime. A narrativa de que ativistas não se importam com a morte de policiais é uma ficção. 
JESUS DISSE: VAI TER PEÇA SIM
Aliás, aproveitando o domingo e o post curto, tem uma outra notícia que eu queria registrar: no final de julho, no 28o Festival de Inverno de Garanhuns, foi apresentada a peça Jesus, Rainha do Céu. Um desembargador, atendendo ao pedido da Ordem dos Pastores Evangélicos de Garanhuns, havia proibido o espetáculo por "retratar Jesus indevidamente". Motivo: quem interpreta Jesus é Renata Carvalho, uma atriz trans.
Isso, que eu saiba, tem nome: censura. Mas Renata e o pessoal de Garanhuns foi forte. Fez o espetáculo com recursos próprios, sob chuva, sem iluminação, com som cortado, desafiando um batalhão da PM que fora enviado para impedir a peça. Um grande sucesso de desobediência civil. Uma catarse.
Renata afirmou: "Desde que a peça estreou, há dois anos, em Londrina, sofremos perseguições. Esse ódio se deve à construção social, à folclorização e à criminalização dos corpos trans. Por isso, lutamos por representatividade trans. Queremos estancar a sangria. No Brasil, a vida média de uma trans é de 27 anos". 
Por coincidência, 27 anos era a idade da PM Juliane -- ou Dudu -- quando foi assassinada. 

segunda-feira, 11 de junho de 2018

COMO É SIMPLES RESPONDER UMA PERGUNTA SEM IDEOLOGIA

Semana passada ouvi um vídeo (eu fico ouvindo enquanto faço outra coisa) absurdo de uma reaça antifeminista (pleonasmo; desconheço se é possível ser reaça sem ser antifeminista). É uma figura ridícula que nem sei direito quem é, já que as mulheres conservadoras que odeiam o feminismo parecem todas iguais e se confundem na minha mente. 
Mas essa moça que, aparentemente, é professora e defensora do Escola sem Partido, dizia que o movimento não quer proibir nada. Imagina, é só impressão nossa que uma das diretrizes do programa é impedir que as palavras "gênero" e "orientação sexual" não possam sequer ser mencionadas em sala de aula. 
Aliás, a situação da liberdade nas escolas é bem preocupante, pois o projeto de lei "Escola sem Partido" foi aprovado em Comissão Especial na Câmara dos Deputados no dia 8 de maio. E em 24 de maio, enquanto todo mundo prestava atenção na greve dos caminhoneiros, um dos filhos de Bolso apresentou um PL na Assembleia Legislativa do RJ para proibir a "ideologia de gênero" nas escolas. 
A professora do vídeo tentou responder a uma outra conservadora que quis saber como um educador poderia replicar algumas perguntas caso o Escola sem Partido seja aprovado. A professora sugeriu que tais perguntas jamais seriam feitas por alunos numa escola em que houvesse liberdade. (Entendeu? Liberdade, para os reaças, é lavar a cabeça dos estudantes bem lavadinha para que eles nem imaginem que existem pessoas diferentes do que reza a cartilha da Tradição, Família e Propriedade). 
Para exemplificar, a professora respondeu no vídeo à pergunta "O que é ser homossexual?" Disse ela: "Homossexual são duas pessoas do mesmo sexo que mantém relações sexuais, homem com homem, mulher com mulher. Isto é ser homossexual. Respondida a pergunta sem nenhum viés ideológico, simplesmente a definição de uma palavra". 
Como sabemos, reaças partem do estranho princípio de que só a esquerda é "ideológica". Eles não, eles trabalham apenas com A Verdade e A Luz. O que eles falam é perfeitamente natural, neutro, imparcial. Ideológicos são sempre os outros. 
Qualquer pessoa com mais de dois neurônios sabe que pensar assim também é uma ideologia. 
Como tantas respostas, a da professora é excludente. Pra começar, homossexualidade não é apenas definida pela sexualidade. Essa é a ideologia que os reaças querem passar: que homens gays são degenerados e promíscuos interessados só em sexo, como se não fosse possível haver também afetividade e amor entre pessoas do mesmo sexo. Como se homossexuais não pudessem formar uma família. 
E que tal, nessa resposta, incluir que homossexuais sofrem preconceito por sua orientação sexual? Não pode? Isso seria doutrinação? Ou seria verdade? 
A professora, animada com sua "resposta sem viés ideológico", foi além. Olha como ela respondeu à pergunta "Transexuais podem ter filhos?" 
Disse ela: "Não, transexuais não podem ter filhos. Porque um homem que corta o pênis não passa automaticamente a ter um útero, e pra ter um filho, a pessoa precisa ter um útero, precisa ser mulher, pelo menos até hoje eu não tenho notícia de que a ciência conseguiu implantar um útero num homem, então o fato d'ele ser transexual não significa que ele vai poder ter filhos, né, o homem virou, fez a cirurgia lá, tirou o pinto fora, não pode ter filho porque não tem útero, condição pra ter filhos é ter útero, olha que simples responder a pergunta sem ideologia". 
Imagina que tristeza pra um aluno de qualquer idade ouvir uma resposta tão ignorante e mentirosa em sala de aula. Primeiro, que a cirurgia de troca de sexo (também chamada de redesignação sexual) de homem para mulher não inclui "cortar o pênis" ou "tirar o pinto fora". Os testículos são retirados, e o pênis recebe cortes para ser transformado numa vagina. 
Achar que "cortar o pênis" faz de um homem cis uma mulher trans é muita estupidez. É o que se conta nas rodas de conversa, na mídia, no dia a dia. Na escola uma criança ou adolescente que faz uma pergunta deveria ser respeitada com uma resposta que não repita o lugar-comum. Escola é pra ensinar. Se a professora não sabe, que seja sincera. Diga que não sabe, que vai pesquisar. 
Assim, talvez ela descobrisse que não são todas as mulheres trans que passaram por uma cirurgia. Pelo contrário, é a minoria. Porque, se fizer por conta própria, custa caro. Porque tem que esperar na fila do SUS e demora. Porque precisa passar por vários testes psicológicos. E porque muitas mulheres trans se sentem perfeitamente bem com seus pênis. Não é o genital que faz de alguém homem ou mulher. Uma pessoa pode alterar seu nome e gênero no registro civil sem ter que fazer cirurgia.
Mas o pior, pior mesmo, é a professora ignorar que existem homens trans (ou seja, pessoas que foram identificadas como mulheres ao nascer mas que mais tarde se identificaram como homens). Muitos homens trans têm útero e ovários, porque não fizeram cirurgia para a remoção dos órgãos. E, se têm útero, podem gerar filhos (o tratamento com testosterona não interfere na gravidez). Tanto podem ter filhos como o fazem. 
O primeiro "homem grávido" foi o americano Thomas Beatie. Thomas, um homem trans (para a professora entender: uma pessoa que nasceu mulher e fez tratamento para se tornar homem), era casado com Nancy, que era infértil. Como o casal queria ter filhos, Thomas usou esperma doado para se auto-inseminar. Ele deu à luz uma filha, Susan, em junho de 2008 (faz uma década, professora, atualize-se!). Depois Thomas teve outros dois filhos. 
De lá pra cá vários outros homens trans engravidaram e deram à luz. Há casos nos EUA, Israel, Finlândia... Só na Austrália em 2016, nada menos que 50 homens pariram.
Em outras palavras, a professora deu uma resposta 100% errada. Transexuais podem ter filhos sim
Sem falar que a pergunta é ampla
"Ter filhos" não se limita apenas à biologia. Pessoas trans deveriam poder adotar, assim como pessoas cis fazem. Assim, elas também "teriam filhos". Achar que "ter filhos" é puramente biológico também demonstra uma ideologia, professora. Determinar que pessoas trans não tenham esse direito é ideológico. 
Tem que ser uma completa toupeira -- com todo respeito às toupeiras, bichos tão fofos e espertos -- para achar que respostas tão preconceituosas e equivocadas não têm viés ideológico. 
Nunca é tarde para aprender, professora. Por mais conservadora que você seja, faça um esforço para não conservar toda a sua ignorância.