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domingo, 17 de janeiro de 2016

PALESTRAS COMIGO DURANTE A SEMANA

No final de dezembro a Mayara, uma leitora de Brasília, me enviou um email dizendo que estava de férias em Fortaleza e queria me ver.
Minha vida tá uma correria tão grande (não tivemos férias e agora estamos nos encaminhando pro final do semestre 2015.2) que não pude nem responder. 
Respondo agora: esta semana darei duas palestras, uma em Fortaleza, outra em Porto Alegre (faz tempo que não vou aí!). 
Semana passada eu dei uma palestra, a primeira do ano, também aqui, no II Encontro de Mulheres Trabalhadoras do Comércio e Serviços do Estado do Ceará. E foi muito bacana! Perdão por não avisar. 
Mas estou avisando sobre essas duas agora. Vão lá! É grátis!
ATENÇÃO! Não deu pra ir pra Porto Alegre (chuif).
Aproveito o post pra recomendar o vídeo em que a revista Nova Escola desmente grande parte das besteiras ditas por Bolsonaro (e por aqueles que gritam "Ideologia de gênero! Destruição da família" e fazem o sinal da cruz) sobre educação.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

UM COMBO DE MISOGINIA INVOLUNTÁRIA

Já pensou se fosse voluntária?

Estou viajando. Hoje, às 15 horas, darei a palestra "A mulher negra na literatura norte-americana" no VI Seminário de Ensino e Aprendizagem de Línguas e Literaturas na Unifesspa (Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará). Será a primeira vez que piso na região Norte! 
Amanhã, de manhã e à tarde, oferecerei o minicurso "Irony in Lolita the novel and its two film versions" (essa será em inglês mesmo), também na Unifesspa. Espero conhecer muita gente bacana por lá. Vai ser corrido, mas talvez eu tenha um tempinho mínimo pra passear em Marabá no sábado. Volto pra Fortaleza quase no domingo, quando eu, minha mãe e o Silvinho faremos um brunch pra comemorar o aniversário dele, que será na terça. 
Estou cansada... Mas, mais ainda, estou exausta. Ontem no final da noite eu senti que estava no meu limite. É muita barbárie, muita péssima notícia ao mesmo tempo. 
Mesmo as ótimas notícias são contaminadas pelas ruins. Por exemplo: o lindo discurso da Emma Watson na ONU. Ela apresentou a campanha #HeForShe (Ele por Ela), que visa chamar meninos e homens para que eles também se mobilizem pela igualdade de gênero. Afinal, é o que eu (e muitas outras feministas) sempre digo: estupro, feminicídio, violência doméstica, legalização do aborto não são "assuntos de mulheres". São temas importantes para toda a sociedade. Então homem, faça a sua parte. É impossível mudar o mundo sem o envolvimento de metade da humanidade
Emma Watson parece ser a pessoa ideal para lançar uma campanha com esse alcance, pois ela, como Hermione, é conhecida por toda a garotada. E ela tem uma imagem altamente positiva. Pois bem, o que ela ganhou ao pedir a empatia dos homens? Ameaças, muitas ameaças. Ameaças de estupro e de vazamento de supostas fotos nuas. Por que tem tanto misógino no mundo? Por que o feminismo os deixa tão revoltados?
Essa foi a notícia boa. Mas eu passei parte da madrugada de terça escrevendo minha coluna para a Rede Brasil Atual, e decidi falar sobre a morte de duas moças no Rio, em consequência de abortos clandestinos, e das várias passeatas marcadas para domingo, Dia Latino-Americano pela Legalização do Aborto. 
Mas comecei falando de um caso chocante: a absolvição de um homem em Sergipe. Acho que eu nunca tinha ouvido falar no caso, que aconteceu em outubro do ano passado. Um rapaz casado exigiu que sua amante, grávida, abortasse. Ela não aceitou. Ele lhe deu bombons. Ela morreu na mesma noite. Os bombons estavam envenenados. E, ainda assim, um júri popular absolveu o rapaz, por falta de provas. Pra maiores detalhes, leia meu texto na RBA e, se puder, deixe algum comentário. 
Aí, ontem à noite, enquanto eu estava preparando o guest post que publicarei amanhã, pra falar de um dos casos mais horríveis que conheci -- os "estupros como presente de aniversário" em Queimadas, Paraíba (o julgamento do mentor do caso será hoje, a partir das 14 horas, e peço sua ajuda para espalhar a tag #SomosTodaseTodosMulheresDeQueimadas) -- recebi de uma leitora o link para outra notícia. Esta aqui.
Um homem de 34 anos, Thomas Hiroshi Haraguti, matou a professora de português Simone de Lima dentro da escola estadual onde ela lecionava, em Itirapina, interior de SP. Ele foi julgado e condenado a 16 anos e 8 meses de prisão (muito pouco, se considerarmos que ele matou uma pessoa). Mas o que mais chamou a atenção foi que o advogado de defesa, Álvaro Francisco Marigo (anote este nome), não gostou da sentença e vai recorrer. Para ele, o réu -- que matou uma mulher! -- deveria ter sido absolvido. Isso porque, segundo o advogado, ele sofreu da Síndrome de Misoginia Involuntária. Ou seja, de acordo com Marigo, o réu seria inimputável.
Cuma? O advogado inventou uma doença pra absolver seu cliente? Eu acho que um advogado que fala uma barbaridade dessas deveria ter seu registro na OAB cassado. Desde quando misoginia, homofobia, racismo etc são involuntários? É justamente o contrário: um cara que odeia as mulheres e comete um crime contra uma mulher está, na realidade, cometendo um crime premeditado. 
Mas imagina que beleza se a moda pega. Se todo cara problemático que matar mulheres, gays, negros, transexuais, possa apelar que estava "apenas" tomado pelo ódio! Eu fiquei muito indignada ao ler isso. Fiquei pensando nos misóginos que me ameaçam diariamente. Eles devem estar fazendo listinhas ao ler sobre essa "síndrome". 
Mas aí uma leitora me avisou que uma espécie de Síndrome da Homofobia Involuntária já existe! Chama-se Gay panic defense, ou defesa do pânico gay. É mais ou menos assim: se o sujeito é homofóbico e tiver grandes traumas com gays (por exemplo, um gay lhe faz um convite pra sexo, algo que mulheres hétero e homossexuais ouvem de homens héteros todos os dias), ele entra em pânico ao chegar perto de um gay. Uma pessoa em pânico pode fugir, mas, neste caso, ele ataca quem lhe causa o pânico. E tudo bem! A culpa no fundo é do gay, que fez o pobre cara surtar e matá-lo.
Enfim, essas três notícias da misoginia involuntária (cara que envenena amante e é absolvido, julgamento do último acusado da barbárie de Queimadas, e a alegação de um advogado que um homem que mata uma mulher por ódio seria inimputável) me deixaram deprê e indignada. 
Se todo esse ódio contra a mulher é sem querer, imagina se fosse querendo!

domingo, 15 de junho de 2014

UMA PALESTRA NO MEIO DA COPA

Jogadores da Costa do Marfim (o craque Drogba à esquerda)

Estou muito animada com a Copa do Mundo, e vocês? Ontem passei o dia todo vendo jogos e comentando no Twitter. Foi muito divertido, mas não deu pra fazer mais nada, e ando ocupadíssima com o final do semestre, artigos, e outras coisinhas que também consomem tempo demais (exames médicos de rotina, reforma da casa). 
A Copa começou de forma irresistível: alta média de gols por partida, sem empates, sem sequer zero a zero até agora, várias viradas, torcidas animadas, estádios bastante cheios, jogos emocionantes... e camisetas justíssimas nos belos jogadores do Uruguai e Costa do Marfim, cortesia da Puma. 
É verdade que muito que conversamos no Twitter foi sobre a beleza dos atletas. Teve até mimimi de "vocês feministas estão objetificando os homens" (imagine o que a gente não faria se não fosse tudo lésbica misândrica!), e perdão, mas não estou com tempo nem paciência pra explicar falsas simetrias. 
Os shorts dos anos 80 eram
muito mais legais
O que tem de errado em suspirar pelo técnico da Croácia, pô? Em observar alguns outros detalhes num evento que é 100% masculino, desde o esporte em si (visto como "de homem" no Brasil, preconceito besta que cria barreiras para o talento do futebol feminino) aos cartolas, passando pelos jogadores, técnicos, juízes, comentaristas esportivos? O único elemento que não é exclusivamente masculino numa Copa é a torcida. Eu e inúmeras mulheres adoramos Copa do Mundo. E a gente fala de impedimento e falhas de arbitragem e golaços e defesas magníficas, mas também lamenta que o short dos jogadores seja tão comprido. Problem
O único problema que eu vejo é que vou perder o segundo jogo do Brasil, contra o México, em Fortaleza! Amanhã bem cedo viajo pra Guarulhos, e de lá vou de carro até Araraquara, interior de SP. Lá participarei da banca de defesa de mestrado da super competente Marcela Pastana. 
Tom, eu e Marcela em SP, em agosto
Ela escreveu uma dissertação de 520 páginas (maluca, eu sei) chamada "Muito prazer!? Discussões sobre sexualidade, gênero e educação sexual a partir da análise de revistas femininas e masculinas". O texto é incrível, e espero que depois ela me conceda alguns guest posts, porque o tema realmente é fascinante. Acho que posso convidar vocês pra defesa. Será amanhã na Unesp de Araraquara, às 15 horas, na sala 107. 

Amanhã também, só que na Unesp de Bauru, às 19:30, convido vocês para uma roda de conversa sobre machismo na universidade. 
Turma de Bauru (Marcela ao centro)
que conheci na USP em maio
Como a Unesp está em greve, e como uma turma de Bauru viria pra Araraquara e tivemos dificuldade pra reservar uma sala, essa palestra será em Bauru. Espero que o pessoal de Araraquara e São Carlos possa se locomover um pouquinho e dar um pulo até Bauru.
Eu volto pra Fortaleza na terça... exatamente no horário do jogo entre Brasil e México, chuif. Quando eu chegar, o jogo já terá terminado e não sei como estará esta cidade amada em que vivo desde 2010. Espero que eu consiga chegar bem em casa.
Jonas, que ganhou o livro
de presente do seu
namorado Gilvan
Gente, últimos exemplares do meu livro! Acho que tenho mais dez pra vender. A editora tinha me informado o número errado de exemplares restantes, então talvez, mais pra frente, eu ainda compre mais trinta (e esses serão definitivamente os últimos). Mas só quando for a SP (capital) de novo, e não sei quando será isso. Portanto, agora só tenho dez. Faça como o Ramon, que conheci em SP em maio. Faz pouco tempo, ele me mandou as duas fotos que tiramos juntos, o que rendeu este diálogo entre o maridão e eu:
Eu: Quer ver as fotos minhas com o Ramon? É aquele rapaz que te falei que parece muito novo. E aí, não parece um menino?
Ele: Não parece não. É um menino.
Eu: Mas não é! Ele é professor universitário.
Ele: Ahaahauahauaha! Professor universitário! Você acredita em qualquer coisa que te falam! Ele deve estar rindo até agora da sua cara!
Eu: Não, amor, ele é professor da Federal do Piauí.
Ele: Ahauauahau! Piauí! Aposto que esse menino nunca passou da linha do Equador! Inclusive não deve nem ter idade pra viajar sozinho. Onde vocês se conheceram?
Eu: Em SP, ué. No Encontro de Blogueiros. Ele tá morando em SP, fazendo doutorado e...
Ele: Ahauahauahau! Doutorado!

Meu Chico, que completa 70 anos esta quinta, também foi lembrado na Copa