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domingo, 8 de setembro de 2019

EXEMPLOS DE RESISTÊNCIA NA BIENAL CENSURADA

Como sabemos, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, mandou recolher livros com temática LGBT como "impróprios para menores". 
Incrivelmente, um desembargador do Tribunal da Justiça deu aval a esta medida inconstitucional. 
O youtuber Felipe Neto tomou uma atitude louvável: comprou 14 mil exemplares de livros com esta temática e conseguiu distribui-los gratuitamente antes que a censura imperasse. Os livros foram entregues num saco preto com o aviso "Este livro é impróprio -- para pessoas atrasadas, retrógradas e preconceituosas". 
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu para que o Supremo proíba apreensão de livros na Bienal. 2019 e uma procuradora precisa pedir para o Supremo (que pode recusar o pedido!) proibir censura de livros!
Ontem houve uma marcha dentro da bienal de pessoas com os livros doados nas mãos gritando "Abaixo a censura". 
Desta marcha participou Pedro, 8 anos, que disse "É só um beijo!". Ele levou um cartaz exigindo que o prefeito cuide de coisas mais importantes, como a escola onde estuda, que está sem merenda. Pra quem acha que crianças não pensam por si próprias, a iniciativa partiu totalmente dele. 
Ontem também Mauro, filho de Maurício de Sousa publicou uma foto beijando seu namorado, com a legenda: "Eu e o Rafa, sem censura e com a classificação etária livre, porque beijo não é impróprio e pode estar em qualquer HQ. Qualquer uma". 
Bem-vindos ao Brasil de Bolsonaro. E da resistência a ele, que é gigantesca e só aumenta. 

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

O OBSCURANTISMO RELIGIOSO CHEGA À BIENAL DO LIVRO DO RIO

A notícia que balançou as redes sociais hoje foi mais uma ação de censura no nosso Brasil atual da ditadura velada. 
Poucos dias depois do governador de São Paulo mandar recolher nas escolas livros que falam sobre a diversidade, o prefeito evangélico do Rio, Marcelo Crivella, determinou que exemplares da história em quadrinhos Vingadores: A Cruzada das Crianças fossem removidos e embalados em plástico preto, pois teriam "conteúdo sexual para menores".  "Precisamos proteger as nossas crianças", disse o prefeito crente do Estado Laico em vídeo. 
Dois dos personagens da história são namorados. Nas 264 páginas da graphic novel, os dois aparecem se beijando duas vezes. A Valéria do Shoujo Café explica todo esse absurdo direitinho.
A Lanika, especialista em quadrinhos, disse que "a Marvel é tão careta que esse único beijo aí só acontece como resposta a um pedido de casamento! 
"Eles mal se tocam no resto da revista. Crivella está chamando de pornografia um beijo (interrompido!) dado em resposta a um 'topa casar comigo?'" Ela acrescenta: "esses quadrinhos existem há dez anos, essa edição de luxo há três, não era lançamento, era venda de saldão. Isso quer dizer que a invasão à Bienal em nome do pânico moral já estava planejada, eles só precisavam arrumar uma desculpa pra justificá-la".
Esta ação patética do Crivella é, além de inconstitucional, homofóbica. E parece que homofobia é crime. Haveria como enquadrar o prefeito no crime de homofobia? Sabemos que o prefeito vem fazendo uma péssima gestão e que operações moralistas como esta contra a Bienal são formas de chamar a atenção do seu eleitorado. 
Crivella não apenas mandou recolher Vingadores (rapidamente transformando a edição em cobiçado bestseller). Agentes da secretaria de Ordem Pública do RJ foram enviados também para fiscalizar estandes da Bienal (leitoras e leitores, vale a pena prestar atenção nos livros brasileiros com temática LGBT). 
Várias editoras se manifestaram contra a medida, como a da Record: "A Secretaria de Educação passou no nosso estande na Bienal exigindo que todos os livros com conteúdo LGBTQS fossem lacrados e sinalizados como livros com conteúdo impróprio. [...] Vamos continuar lutando para que todos os jovens se vejam representados em nossas histórias". 
A Bienal do Rio emitiu esta nota, corajosamente se recusando a cumprir qualquer ordem do prefeito: "Este é um festival plural, onde todos são bem-vindos e estão representados. Inclusive, no próximo fim de semana, a Bienal do Livro terá três painéis para debater a literatura Trans e LGBTQA+. A direção do festival entende que, caso um visitante adquira uma obra que não o agrade, ele tem todo o direito de solicitar a troca do produto, como prevê o Código de Defesa do Consumidor."
É tão vergonhoso tudo isso! Eu me lembrei do magnífico filme Bacurau, que vi esta semana (farei vídeo sobre ele, prometo!). Numa breve cena, vemos que, num futuro próximo, haverá execuções públicas no Vale do Anhangabaú. E a queima de livros em fogueiras, começa quando?
Será que tudo isso é mais uma cortina de fumaça? Afinal, Bolso está preparando a venda do Serpro e da Dataprev, empresas que possuem dados sigilosos (que o contribuinte declarou no seu imposto de renda) de toda a população brasileira. 
O temor dos servidores e de especialistas é que essas informações sejam comercializadas para empresas privadas. E, claro, vazadas. Eu, como alvo frequente de quem tem quase todos os dados divulgados por uma quadrilha que me ameaça de morte e estupro há anos, detestaria ver minha declaração de imposto de renda na mão de channers (frequentadores de fóruns anônimos pra quem o sinistro da Educação costuma mandar abraços). 
Vivemos tempos realmente sombrios e perigosos.
 

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

GUEST POST: AMOR, ÓDIO, PÓS-VERDADE E DEMOCRACIA

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), autor do projeto de lei "Estatuto da Família do Século XXI", rebate as ridículas fake news que os bolsominions estão divulgando. O PL foi retirado da pauta a pedido do relator Túlio Gadelha "para aprimoramento de sua redação". 

A indústria de fake news nas redes sociais, em grande medida responsável pela intoxicação do ambiente político e pela manipulação da opinião pública que resultou na eleição de Bolsonaro, continua funcionando a pleno vapor. O mecanismo acaba de produzir uma notícia falsa, tão sórdida quanto grosseira, sobre projeto de minha autoria que cria o "Estatuto da Família do Século XXI", em contraponto à conservadora tentativa de restringir as famílias legalmente como aquelas oriundas apenas do casamento entre homem e mulher.
Esse método vil de disputa política, com mentiras irresponsáveis produzidas por falsos veículos de informação e massificadas por exércitos de robôs e mercenários das redes, tem sido largamente utilizado pela extrema-direita para distorcer a realidade e estigmatizar adversários. Ele é destrutivo para o país, fomenta o ódio e a divisão na sociedade e interdita o debate de ideias, fundamental em qualquer democracia.
O projeto de lei 3369/2015 homenageia o amor ao propor que sejam considerados como núcleos familiares “todas as formas de união entre duas ou mais pessoas que para este fim se constituam e que se baseiem no amor, na socioafetividade, independentemente de consanguinidade, gênero, orientação sexual, nacionalidade, credo ou raça”.
A infame fake news, que visa atingir a mim, a meu partido e suas lideranças públicas, afirma de maneira mentirosa que o projeto “permite casamento entre pais e filhos”, o que obviamente seria uma insanidade. É o típico truque para falsificar um tema em debate. Quando o projeto diz “independentemente de consanguinidade”, está se referindo às milhares de famílias, sejam de casais héteros ou homoafetivos, formadas a partir do generoso ato da adoção legal de crianças e que não podem ser discriminadas como autênticas famílias.
Aliás, sobre essa tentativa de confundir a opinião pública, já havia escrito um artigo, veiculado no jornal O Estado de São Paulo, em junho de 2016. Na ocasião, apontava: “Há tempos que a família é reconhecida não mais apenas por critérios de consanguinidade –- ou seja, pai e filha ou mãe e filho --, descendência genética ou união entre pessoas de diferentes ou iguais sexos. As famílias hoje são conformadas através do AMOR, da socioafetividade, critérios verdadeiros para que pessoas se unam e se mantenham enquanto núcleo familiar. Exemplo disso, quando os filhos acabam sendo criados por tios ou tias, avós ou avôs, ou mesmo quando são adotados por outras famílias, ou, ainda, quando casais homoafetivos formam uma família.”
Da mesma forma, quando fala em “união de duas ou mais pessoas” não está se referindo à bigamia ou poligamia -– o que, aliás, é proibido em nossa legislação --, mas ao núcleo familiar composto por duas pessoas, hétero ou homoafetivas, e os filhos destes, sejam naturais ou adotados.  
É estarrecedor que grupos se aproveitem da religiosidade do povo brasileiro para semear esse tipo de acusação infundada e nojenta. O interesse, por óbvio, era alimentar a usina de fake news bolsonarista, plantar o ódio, bem ao estilo dos métodos de repetição da mentira para fabricar uma verdade. Em tempos de “pós-verdade”, quando para se formar convicções os fatos pesam menos que as emoções e visões particulares de mundo, manipular através da pregação da mentira é uma prática cotidiana.
O veículo de comunicação sequer se deu ao trabalho de me procurar para esclarecer ou ouvir o outro lado, como manda o básico do fazer jornalístico. Não queriam informar, mas criar o fato político. Tanto é assim que, feito o estrago, o site retirou o link do ar, como se não tivesse responsabilidade pela difusão do conteúdo mentiroso e danoso à reputação.
Tão deplorável quanto é o comportamento oportunista de certas lideranças políticas, mais preocupadas em fazer urrar suas hordas de seguidores nas redes sociais do que em promover a verdade e o debate público saudável.
A vida tem demonstrado que esse tipo de conduta não tem nada a ver com liberdade de expressão e que as mentiras massificadas tem método e objetivo, tendo sido usadas por esquemas sombrios e ilegais com vistas à disputa política e eleitoral. É, portanto, um risco real à democracia com o qual não podemos transigir ou pactuar.
Este artigo visa repor a verdade e os fatos, mas a gravidade da infâmia exige outras providências para que isso não volte a se repetir. As medidas jurídicas e políticas contra os propagadores da abjeta fake news já estão em estudo, pois não podemos permitir que o ódio seja fomentado entre os brasileiros.  

sexta-feira, 5 de julho de 2019

POLÍCIA FEDERAL PERSEGUINDO JEAN E GLENN? ME INVESTIGA TAMBÉM!

Belo casal: Glenn e David

Parece que a Polícia Federal vai apurar as "suspeitas" -– muitas aspas nessa hora! -- envolvendo a decisão de Jean Wyllys abrir mão do mandato parlamentar para David Miranda, marido de Glenn Greenwald. Foi o deputado José Medeiros, do PODE de Mato Grosso, que pediu. Medeiros é policial e está cotado pra assumir o Ministério do Turismo. A PF acatou, segundo o site Antagonista.
A PF também quer analisar as atividades financeiras de Glenn. Como vcs sabem, estão atacando Glenn e David sem trégua, como sempre fizeram contra o Jean.
Ontem o exército de bolsobots (pagos por quem?) criaram uma hashtag no Twitter chamada Pulitzer de Taubaté, dizendo que o prêmio que Glenn recebeu não é dele, é do The Guardian. É muita ignorância. Foi o primeiro prêmio Pulitzer recebido pelo britânico The Guardian, graças ao trabalho de Glenn e de Laura Poitras. Eles publicaram os documentos vazados pelo ex-agente da NSA (Agência Nacional de Segurança) Snowden em 2014. O Washington Post também publicou as matérias. 
Dizer que o prêmio pertence ao jornal, não ao jornalista, é ridículo. É como dizer que ganhar uma Copa do Mundo pertence à seleção, não aos jogadores que compõem essa seleção. Mas vem dessa direita que já deu o prêmio Nobel da Paz pro Stalin, então a gente espera tudo... 
Um outro bolsominion tava espalhando q, se vc for no site do Pulitzer e escrever o nome do jornalista no dispositivo de busca, não aparece. E é verdade, não aparece mesmo. A anta tava escrevendo Gleen
Mas sabe, isso tudo é chocante. Vão mesmo pedir a deportação de Glenn, vão vendo. Isso se não acontecer algo ainda pior.
Onze deputados das siglas PT, Psol, PcdoB, Rede e PDT foram à Procuradoria-Geral da República contra Sérgio Moro, denunciando, entre outras coisas, abuso de autoridade. Eles questionam a suposta investigação que a PF estaria fazendo sobre Glenn Greenwald. Como Moro é ministro, ele pode usar a PF, subordinada a ele, contra quem está lançando inúmeras suspeitas contra sua atuação como juiz (e hoje soube que toda a alta cúpula da PF atual veio de Curitiba). Guilherme Boulos tem toda razão. Ele perguntou no Twitter: por que a Polícia não investiga o Queiroz?
Post do blog falso no meu nome
Mas sabe, a Polícia Federal pode me investigar também. Já que tá liberado perseguir desafetos políticos baseado no que esses mesmos desafetos políticos espalham sobre a gente, então podem me investigar por realizar aborto numa aluna em sala de aula na universidade. Foi isso que um grupo de misóginos, todos de extrema direita, inventou e divulgou sobre mim em 2015. Quem me acompanha desde essa época deve se lembrar do caso. 
Roger Ultrajante divulga site falso
(na print abaixo, ele é avisado por
seguidor que o site não é meu, e
responde: "Problema dela")
Não é que hackearam o meu blog. Eles criaram um blog no meu nome, com minhas fotos, meu link pro currículo Lattes, meu endereço residencial em cada post, e lá eu que não era eu vendia remédios abortivos pra abortar fetos masculinos, pregava castração e infanticídio de meninos, entre outras atrocidades que nunca defendi nem defenderia. A quadrilha que fez o blog no meu nome estava tendo dificuldade pra viralizar o blog, então eles receberam uma pequena ajuda dos seus amigos da mesma ideologia. Reaças mais importantes divulgaram o blog. Tô falando do Olavo de Carvalho e do Roger do Ultraje a Rigor. Eles sabiam que o blog não era meu, mas divulgaram mesmo assim.
Marcelo e Emerson
E por incrível que pareça, um dos autores do blog de ódio no meu nome, Emerson Eduardo Rodrigues, que foi preso pela Operação Intolerância por outro site de ódio em 2012 e que hoje está foragido na Espanha, foi quem denunciou o blog falso pra Polícia Federal. Ele criou o blog junto com o amiguinho Marcelo Valle Silveira Mello, que foi condenado a 41 anos de cadeia e hoje está preso, e ele mesmo denunciou o blog. A PF abriu um inquérito contra mim e eu fui chamada pra depor como réu do processo. Claro que não foi difícil provar que o blog de ódio não era meu. Eu tinha até feito um boletim de ocorrência na mesma semana que o blog foi lançado. Eu tinha prints do processo de criação do blog falso no chan do Marcelo. 
Mas é um perigo a Polícia Federal ser um instrumento de perseguição de inimigos políticos. E este desgoverno Bolso não tem ética, não tem competência, não tem honestidade, mas se tem uma coisa que ele tem é inimigo político. 
Como disse Jean num artigo chamado "Eu acuso o presidente da república", esses atos todos são orquestrados. Não é à toa que duas das fake news que mais pegaram durante as eleições foram a do kit gay e a da mamadeira de piroca. Não é à toa que os três alvos principais do momento são três gays assumidos -– Jean, Glenn e David. Jean diz: "a homofobia social segue sendo a munição de Bolsonaro para fazer política".
Se a homofobia é a munição, os gays são os alvos mais fáceis. Mas todos nós que discordamos do fascismo podemos ser alvos também. Todo cuidado é pouco. 

sexta-feira, 28 de junho de 2019

50 ANOS DE STONEWALL! A LUTA CONTINUA

Hoje, 28 de junho, é o Dia Internacional do Orgulho LGBT! 
Mas este é um ano pra se comemorar ainda mais, já que marca meio século de Stonewall. Numa época em que a homossexualidade era considerada crime e doença, era aceitável perseguir quem não fazia parte do padrão.
No dia 28 de junho de 1969 a polícia invadiu mais uma vez o bar Stonewall Inn, na Greenwich Village, bairro boêmio de Nova York. O total desrespeito e as batidas policiais contra pessoas gays, lésbicas, trans, drag queens, travestis de baixa renda eram comuns, mas naquela madrugada o pessoal decidiu não aceitar aquilo calado. 
E lutou de volta, jogou pedras e garrafas, virou a viatura, fez barricadas, e os nove policiais corruptos e violentos tiveram que voltar ao bar pra se refugiar. Seguiram-se conflitos violentos que duraram três dias. Foi o início de uma resistência contra o fascismo, contra a intolerância, pela liberdade, pela diversidade. 
Um ano depois, para celebrar a revolta, nascia a primeira Parada do Orgulho Gay (a primeira Parada LGBT no Brasil foi só em 1997, em SP; em Fortaleza, começou dois anos depois). 
Antes de Stonewall, já existiam pequenas organizações de pessoas LGBT que lutavam por seus direitos. Mas eram grupos pequenos, clandestinos. Por isso Stonewall é visto como um marco.
Foi só em 1990 que a Organização Mundial de Saúde tirou a homossexualidade da lista internacional de doenças. 
Sabe quando a OMS deixou de classificar a transsexualidade como doença mental? No ano passado!
E tem tanta coisa que ainda precisa ser feita e que a gente nem desconfia. Por exemplo, mês passado, ao conversar com uma professora da Universidade Federal de Alagoas que passou a pesquisar transsexualidade depois de ter um filho trans, ela contou sobre as dificuldades que seu filho enfrenta para conseguir marcar consulta no ginecologista, apesar de ter útero, ovários e vagina. 
Acho até engraçado escrever "numa época em que homossexualidade era considerada crime e doença", como se esse sentimento de ódio tivesse ficado no passado. 
Para muitos obscurantistas de 2019, principalmente os religiosos, 
homossexualidade ainda é crime e doença, e Aids é uma doença divina mandada por deus para eliminá-los. Temos um governo abertamente LGBTfóbico, misógino e racista no poder. Se não houver resistência, haverá muitos retrocessos. 
O jornal O Povo, do Ceará, fez uma excelente matéria com vários nomes importantes dos movimentos LGBTQIA+ de Fortaleza e do Brasil. 
Parabéns pela luta! Mais do que nunca, a frase "a luta continua" faz todo o sentido.