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domingo, 7 de julho de 2019

DITADURA DA BELEZA: CONCURSO DE FOTOGRAFIA PARA UNIVERSITÁRIOS

Gente, olhem que bacana esta chance de ganhar 3 mil dólares (e doar mil para uma ONG que você escolher)! É para estudantes matriculados em instituições de ensino superior de todo o mundo. 
O tema deste ano do PhotoChallenge é a ditadura da beleza. O principal objetivo do concurso é mostrar através da fotografia como a chamada “Ditadura da Beleza” pode impactar no comportamento, na autoestima e na saúde física e psicológica das pessoas em todo o planeta. 
Adoraria que minhas alunas e alunos participassem! Vai até o dia 31 de outubro. Leiam o regulamento e inscrevam-se clicando aqui

sábado, 5 de novembro de 2016

CHEGAR ATRASADO PRA PROVA, QUEM NUNCA?

Hoje tem Enem e, junto com a prova, a zombaria pra quem chega atrasado. É muita falta de empatia. Há inúmeros motivos pra alguém se atrasar. Pô, quem nunca?
Pensando nisso, lembrei de quando vim aqui pra Fortaleza fazer meu primeiro e único concurso na vida. Era agosto de 2009, eu morava em Joinville, SC, e fazia quase vinte anos que não pisava no Ceará. A primeira prova era numa terça, às 8 da manhã. Eu viajei na segunda pela manhã, 24 horas antes. Mas o aeroporto de Navegantes estava fechado por causa da neblina. E o único jeito foi pegar um voo pra Campinas, ficar quase o dia inteiro num quarto de hotel, revisando o que eu tinha preparado, e só depois ir pro meu destino final. Só cheguei na minha pousada em Fortaleza depois das duas da manhã de terça.
Acordei cedo -- mal dormi -- e às 7:20 estava na saída da pousada esperando o táxi. Que não chegava nunca. Pelo mapa, a pousada ficava próxima da UFC, a 3 km apenas. É pra levar 10 minutos! Eu não tinha a menor ideia que o trânsito era tão pesado, ou que o táxi levaria mais de dez minutos pra chegar ao hotel, ou que o motorista não tinha tanta certeza onde ficava o CH1 da universidade. 
Quando finalmente cheguei ao campus, ainda tinha que achar o prédio certo. Perguntei pra várias pessoas; ninguém sabia onde era. Nem sei como descobri. Só sei que cheguei na local da prova faltando literalmente um minuto, quando as examinadoras da comissão já estavam fechando a porta. 
Se eu tivesse perdido a prova, não estaria aqui agora. Teria ficado revoltada, teria perdido um bocado de dinheiro (inscrição pro concurso, passagens aéreas atravessando o país, táxi, hotel, tempo gasto -- havia dispensado lecionar um minicurso numa faculdade particular pra poder me preparar pras provas), mas acho que não teria pensado que fracassei por não chegar a tempo, ou que a culpa fora minha. Mil e uma coisas podem dar errado, e mil e uma coisas muitas vezes dão errado, sem que a gente possa fazer algo a respeito. 
E, no meu caso, não é que eu poderia fazer o concurso na UFC no ano seguinte. De 2009 pra cá, no meu departamento, tivemos apenas mais dois concursos pra professor efetivo; teremos o terceiro agora). É triste e desesperador, mas o pessoal que perdeu o Enem hoje ainda pode tentar ano que vem. Quero dizer, isso se até lá o governo não acabar com a prova...
Fica aqui minha solidariedade a quem chegou uns minutos atrasado hoje. E a quem chegou no horário também. Prova é sempre complicada.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

AÉCIO VAI ACABAR COM SEU SONHO DE PASSAR EM CONCURSO PÚBLICO

Semana passada escrevi um tweetzinho que me trouxe uma grande revoada de reaças.

Não era nada de mais, sinceramente. Pelo contrário: o que eu disse foi banal. Senso comum. Não tem nem discussão. 
Quem viveu os anos FHC, quem acompanhou o governo de Aécio em Minas, quem conhece o modelo PSDB, sabe que o partido prega o Estado mínimo, a contenção de gastos públicos, e o congelamento de salários para servidores. Me explique como "Estado mínimo" casa com "montes de concursos".
No final de 2013 estive brevemente em Belo Horizonte e, ao passear pelo centro, parei numa banca de jornal. Fiquei impressionada: havia títulos e mais títulos de apostilas e livros prometendo preparo para passar num concurso público. A banca toda parecia estar dedicada a isso. Só aí me dei conta de como passar em concurso tinha virado um sonho pra boa parte dos brasileiros. 
O motivo, obviamente, só pode ser que a iniciativa privada paga mal e explora. Mas outras pessoas me disseram que mais importante que o salário é a estabilidade. Estranho. Eu até entendo que ficar a vida toda num só emprego fosse ambição de muitos de antigamente, quando ser funcionário do Banco do Brasil era visto como o supra-sumo do sucesso. Mas hoje?

Pessoalmente, nunca tive essa ambição. Sou servidora pública desde 2010, mas foi circunstancial. 
Cursei mestrado e doutorado numa excelente universidade federal (UFSC) e quis retribuir trabalhando para uma excelente universidade federal (UFC), só isso. Fiz apenas um concurso na vida, esse da UFC. Tive sorte e passei. Independente do governo eleito, continuarei trabalhando lá. Porque não sou contratada pelo PT ou PSDB, mas pelo Estado. Claro que, em caso de vitória do Aécio, minha qualidade de vida cairá bastante, pois não haverá reajustes salariais, investimentos, manutenção dos prédios, novos concursos para repor quem se aposenta ou morre. 
Pra quem não está na universidade, é difícil acreditar, eu sei. Mas quinta mesmo fui pedir papel pro nosso secretário do departamento, porque precisava xerocar umas provas. Ele abriu a sala onde fica o depósito e fez questão de mostrar. Estava cheia. O Tonho é secretário concursado há vinte anos. Um cara humilde, inteligente, trabalhador, super boa gente, que nunca se estressa. Disse ele: “Quando o governo era do PSDB não tinha nada. Não tinha nem depósito. Faltava tudo”.
Pergunte a qualquer pessoa que esteve numa universidade pública durante os anos FHC como foi. Por que haveria de ser diferente agora, se o modelo de governo do PSDB é exatamente igual? 

Ah, mas não se pode comparar governo do PT com o do PSDB, porque os anos 90 foram uma outra época. Ah, não se pode falar no governo de Aécio em Minas, porque... Por que mesmo? Assim fica difícil. Tem alguém querendo evitar todo tipo de comparação. Se anos 90 é muito distante pra você, a gente pode falar das universidades paulistas que, depois de vinte anos de PSDB, encontram-se todas falidas?
Olha, tem muita coisa incrível sobre concursos públicos. Uma é que até pessoas que odeiam o Estado (reaças, por exemplo) querem passar em um. Outra é que os mitos sobre funcionalismo (de que ninguém trabalha -- não sei se vocês já viram um professor universitário de perto --, de que os salários são de marajás) atraem pessoas sem perfil para ser servidor público. Porque a palavra-chave é servidor. Mais um mito: de que funça "só quer mamar nas tetas do governo", e que poderiam ser extintos.
Tá certo. Se você é contra funcionário público, você é contra atendimento público. Você é contra professores municipais, estaduais e federais, médicos, enfermeiros, juízes, promotores, policiais, militares, assistentes sociais, psicólogos, delegados, secretários, técnicos etc etc. Você quer privatizar tudo, porque as empresas privadas é que são super competentes e nada corruptas. Belê. Se você realmente acredita nisso, tem mais é que votar no Aécio. Agora, se você tem qualquer intenção de passar num concurso público ou de ingressar numa universidade federal, votar no PSDB é uma péssima opção. 
Aquela pilha de apostilas que vi na banca de jornal só demonstra o que tanta gente quer. Segundo o IBGE, cerca de 10 milhões de brasileiros, ou 5% da população, tentam concurso público por ano. É muita gente! Quase dez vezes mais que o número total de funças. 
No governo FHC, com as privatizações e diminuição de secretarias, 120 mil servidores foram desligados: de mais de um milhão trabalhadores ativos em 95 (1.033.548, para ser mais exata) para 912 mil em 2002. 
O plano de Aécio também é cortar órgãos. Quais dos 39 ministérios seriam terminados por Aécio, que propõe que o número ideal é 22? (mas quer criar um novo ministério, o da Infraestrutura, tal qual inventou Collor durante seu governo). Ele fala do Ministério da Pesca, mas alguma dúvida que a Secretaria de Políticas para as Mulheres e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial também iriam pro saco?
Nos doze anos do PT, houve crescimento de 26% no número de funcionários públicos: de 912.192 (marca do final do governo FHC) para 1.152.080, no ano passado (o Projeto de Lei Orçamentária previa mais 52 mil vagas da esfera federal para 2014). Parece muita coisa pra você? Numa população de 200 milhões de pessoas, ter um milhão e pouquinho de servidores? 
Sei não, muitos países têm uma quantidade bem maior de funças. Se bem que é 12% da população empregada (89% são do poder executivo, 9% do Judiciário, 2% do Legislativo). E são servidores bastante qualificados: a Escola Nacional de Administração Pública aponta que 46% da categoria tem nível superior, mais de 10% tem pós ou mestrado, e 10%, doutorado.
Então, só pra frisar: FHC reduziu o número de funcionários públicos em 15%, Além disso, FHC suprimiu mais de 50 direitos dos servidores públicos. Lula aumentou em 13% o número de funcionários. Dilma aumentou menos, só 3%. É verdade que em 2011, em seu primeiro ano de governo, Dilma suspendeu a contratação de gente que havia passado em concursos e também de novos concursos. Os reaças devem ter ficado felizes. É o que eles defendem -- menos Estado. Ainda assim, com Dilma, o número de funcionários subiu 3%.
Não me venha com o discurso esfarrapado de que "o PT só contrata funcionários sem concurso, só os comissionados, os partidários". Seria engraçado, se não fosse trágico, ver o PSDB falar em moralidade do funcionalismo público e no aparelhamento do estado. O gráfico ao lado é de um veículo insuspeito em defender a direita, o Estadão. Compare o número de servidores públicos comandados por Estados. Veja quem é o partido que mais emprega partidários para cargos públicos.
Isso não está longe da realidade que conheço. Eu e o maridão vivemos quinze anos em Joinville, e durante vários desses anos ele, professor e técnico de xadrez, trabalhou para o município (sem contratação, carteira assinada, 13o salário, nada). Quando o governo foi do PSDB, houve grande pressão para que ele se filiasse ao partido. Prometiam que, com a filiação, talvez fosse contratado. Ele recusou. 
(O maridão também conta outras histórias bonitas, como uma vez em que foi obrigado a ir a um jantar, e o filho do secretário de Esportes de Joinville, alçado a coordenador da campanha a deputado estadual pelo PSDB de seu pai, ria e contava que “Pobre é uma desgraça! A gente compra o voto, e eles vão e votam em outro”). 
Ah sim, sobre Aécio, houve também o nada desprezível episódio do "trem da alegria mineiro", ocorrido em 2007, durante o seu governo, quando 96 mil pessoas foram efetivadas como servidoras públicas – sem concurso público. Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a medida foi inconstitucional, e que os servidores deveriam ser demitidos, e que novos deveriam ser aprovados via concurso. Assim, 71 mil servidores mineiros (a maior parte professores da rede estadual) serão demitidos este ano. 
“O episódio deixa claro que Aécio não é o candidato ideal para quem é concurseiro”, diz J. W. Granjeiro, dono do Gran Cursos, uma das maiores escolas preparatórias do país.
Ele também diz: “Pessoalmente, estou convencido de que Aécio, caso eleito, vai impor à máquina pública do governo federal um programa de arrocho e produtividade abusiva, enxugamento e/ou planos de afastamento voluntário”. 
Algo que não foi criado no governo FHC, mas que certamente foi ampliado por ele, é essa praga da terceirização. Você conhece algum empregado terceirizado feliz? Porque eu não conheço. Apenas donos de empresas contratadas pelo governo para oferecer empregados terceirizados é que podem estar felizes. Terceirizar é retirar direitos trabalhistas (ou, como preferem os eufemistas, "flexibilizar"), é pagar muito menos, é se isentar de responsabilidade. Não tem lógica nenhuma.
Em março, uma universidade próxima, a Unilab, mandou um carro para me transportar de Fortaleza para Redenção. Conversei com o motorista, que era terceirizado. Fizemos os cálculos e constatamos que ficava mais em conta pros cofres públicos se a universidade tivesse dois carros próprios e dois motoristas contratados pelo Estado. Os motoristas ganhariam muito mais do que ganham como terceirizados. Só quem lucra é o dono da empresa intermediária.
Terceirizar é privatizar. Aqui um histórico interessante: “Ruth Helena Dweck, estudiosa das privatizações e professora associada da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), lembra que a privatização começou com grupos conservadores na Inglaterra e republicanos nos EUA e continua sendo propagada por partidos que têm a visão do Estado mínimo. Para o coordenador geral do Sindicato dos Eletricitários de Minas Gerais (Sindieletro-MG), Jairo Nogueira Filho, esse é o caso do  PSDB, que aplicou essa ideologia não só durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique, mas também em Minas Gerais.” 
Os sindicatos mineiros reclamam do andamento das empresas estatais em MG. Hoje com visão de empresas privadas, elas têm como missão aumentar o lucro dos acionistas, não melhorar a rede. Com isso, as tarifas sobem, e os serviços só pioram. O atendimento à população fica em segundo plano. Foi exatamente assim com o governo Aécio. Os mineiros tanto sabem disso que não votam nele. 
Obviamente o PSDB tem todo o direito de querer um Estado mínimo. E lógico que todo mundo que concorda não só pode, como deve votar no PSDB. O problema é ser enganado. O problema é se você está estudando pra concurso público. Aí você vota no Aécio e vê os concursos minguarem. Aí você culpa quem? Não o Aécio, que foi seu candidato de coração. Você culpa o PT. Culpa as cotas raciais. Culpa o clima, sei lá. 
De toda forma, quem perde é você. Você e o Brasil.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

ATESTADO DE VIRGINDADE, EXIGÊNCIA PARA PROFESSORA

Que vergonha! Mais uma vez, a Secretaria de Educação do Estado de SP aprontando das suas. 
Digo "mais uma vez" porque casos de professoras aprovadas em concursos, mas barradas nos exames médicos por serem obesas, são sempre notícia (e tornaram-se posts no meu blog em 2011, e agora em março). Como se pessoas obesas não fossem capazes de trabalhar!
A última agora é que as candidatas tenham que passar por um exame ginecológico. O concurso público, com dez mil vagas para ser Agente de Organização Escolar e receber o mirabolante salário de 900 reais por mês para uma carga horária de oito horas diárias, foi aberto em 2012. Mas uma das candidatas, Luísa (nome fictício), só foi chamada agora. Foi ela que pôs a boca no trombone. 
Entre os exames médicos exigidos (e pagos pelas candidatas) para assumir o posto, consta um teste ginecológico, o conhecido Papanicolau.
Nos detalhes do comunicado, um aviso: as mulheres que "não possuem vida sexual ativa" não precisam fazer o exame -- desde que entreguem um atestado de virgindade, assinado pelo ginecologista. 
A presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de SP (Apeoesp), Maria Izabel Noronha, revoltou-se: "Atestado de virgindade? Por favor! Estamos em pleno século XXI. Querem evitar candidatas doentes? A verdade é que elas entram com saúde e é a falta de condições da rede que as deixam doentes". 
E é verdade mesmo. A Organização Internacional do Trabalho afirma que a profissão de professor está entre as mais desgastantes do mundo. Uma pesquisa com mais de sete mil professores no Paraná, em 2009, revelou que 66% dos entrevistados afirmaram ter adquirido alguma doença por causa do trabalho. 
Entre as doenças, a depressão lidera, com 30%, seguida de problemas de voz (28%), dores na coluna (17%), e deficiências respiratórias (8%). Um quinto dos professores no Brasil acaba pedindo afastamento por licença médica. Em cada licença, o educador fica três meses fora da sala de aula, em média. É por isso que os sindicatos lutam para que a perícia médica reconheça os problemas de saúde dos professores como doença de trabalho.
Os professores de SP faltam, em média, 27 dias por ano. Mas certamente não é exigindo que tenham saúde perfeita quando entram que essa faltas vão diminuir, e sim preparando um ambiente melhor para que não adoeçam (ou não adoeçam tanto). Ademais, mesmo que uma professora tenha "lesões precursoras de câncer de colo de útero", segundo a ginecologista entrevistada pelo Ig, isso não inviabiliza o trabalho, dependendo do tratamento. 
E é obviamente muito estranho que só peçam exames específicos para as mulheres. Candidatas acima dos 40 anos devem fazer uma mamografia, e candidatos com essa idade precisam fazer um exame para detectar câncer de próstata. Mas homens jovens não precisam fazer nenhum exame extra.
Para a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República, "a mulher tem o direito de escolher se quer fazer um exame que em nada interferirá em sua vida profissional". A SPM considera "a exigência de exames ginecológicos em seleções e concursos é abusiva, pois viola o princípio da dignidade da pessoa humana, consagrado na Constituição Federal de 1988, bem como o artigo que dispõe sobre o Princípio da Igualdade e o Direito a Intimidade, Vida Privada, Honra e Imagem, que proíbe a exigência de atestados de gravidez e esterilização e outras práticas discriminatórias para efeitos admissionais ou de permanência da relação jurídica de trabalho".
Lembro quando, quase cinco anos atrás (cinco anos já!), depois de passar no único concurso que prestei na vida, tive que reunir "documentos exigidos pela divisão médica e odontológica para comprovação de sanidade física e mental dos candidatos a ingresso nos cargos públicos da UFC". Eram quatorze exames, incluindo o de clínico geral, dermatológico, neurológico, odontológico, oftalmológico, e psiquiátrico. E um, não lembro qual, eu tive que fazer duas vezes, porque o prazo venceu. E também foi tudo do meu bolso. Mas notem que o exame ginecológico não é pedido.
Na época, ao fazer o raio-x (um dos exames exigidos, que revelou que eu estava com "degenerações na coluna -- nem lembrava mais disso), o técnico do raio-x disse que parecia meio errado pedir um exame assim, que expõe à radiação, a pessoas sem necessidade específica pra isso. Também descobri que era proibido pedir qualquer exame que pudesse levar à discriminação, como algo que comprovasse uma gravidez ou Aids (chorem, libertários: por lei, não se pode demitir ou deixar de contratar uma pessoa por ela estar grávida, ou por ter Aids). 
Ou seja, uma coisa tão absurda como um "atestado de virgindade" é algo com grande potencial para gerar discriminação. Ano passado, a mesma coisa aconteceu na Bahia, mas para outra profissão estressante: policial civil. A candidata ou teria que fazer o exame ginecológico, ou apresentar um certificado que atestasse que ela tinha "hímen íntegro". Diante da indignação de qualquer pessoa sensata com a notícia, a exigência foi retirada. Mas parece que vários concursos públicos ainda pedem esses requisitos. Tá na hora de acabar com essas demandas ridículas e vexatórias.

sábado, 10 de setembro de 2011

VEM TRABALHAR AQUI COMIGO

Talvez este post não interesse a muita gente, se bem que pode ser legal pra leitor@s mais recentes, que não sabem que, dois anos atrás, eu tava fazendo concurso pra Universidade Federal do Ceará. Pois é, olha como o tempo voa: a professora hiper querida que foi a presidente da banca de seleção do meu concurso se aposentou este ano, e abrimos um novo concurso para preencher a vaga. Como se deve — é regra entre as federais —, o concurso era pra vaga de professor-adjunto, ou seja, só pra quem tem doutorado. Isso foi em junho, e eu nem cheguei a mencionar aqui. Mandei emails pra alguns amig@s e colegas de SC e foi só. Infelizmente, só três pessoas se inscreveram (ninguém que eu conhecesse), e dessas três, só uma apareceu, fez a primeira prova, e não passou. Então agora saiu o edital pro novo concurso. As inscrições vão só até o dia 19 de setembro, e a exigência é de mestrado (em Letras-Inglês). A pessoa aprovada dará aulas principalmente de Literatura em Língua Inglesa, mas também pegará disciplinas só de inglês.
Eu não estou na banca de seleção nem nada. Até gostaria de estar, mas tem que ter anos de experiência docente pra fazer parte. E, considerando que sempre vem candidato da UFSC, e que fiz meu mestrado e doutorado lá há pouco tempo e ainda tenho amizade com bastante gente, é bom que eu não faça parte mesmo, pra que não haja nenhum tipo de favorecimento. Mas ó só que demais: eu já passei por esse mesmo concurso (com os mesmos quinze pontos!) em agosto de 2009. E narrei tudo no blog. É um super guia das minhas dúvidas, de como me preparei, de como funciona o concurso... Então comento agora os posts que escrevi naqueles tempos, porque sei que quem digitar no Google Irish Literary Movement: Celtic Twilight, por exemplo, fatalmente será mandado pra cá (aconteceu no concurso de dois anos atrás -- todos os candidatos me conheciam pelo blog).
Em janeiro de 09, seis meses antes de defender minha tese de doutorado, eu já sabia bem o que queria. Ok, este post não tem muito a ver com o concurso em si, mas é uma amostra de que tudo deu certo. Mais certo que isso, só se eu não tivesse tanto trabalho e pudesse descansar nos fins de semana e feriados! (tem certeza que quer ser professor@ de universidade pública?).
Este post aqui logo depois que eu defendi a tese, e fala, entre outras coisas, de como minha inscrição foi indeferida! Antes disso, em dezembro de 2008, mencionei um concurso em São João Del Rei, MG. Cheguei a me inscrever e levei de Floripa a Joinville, de ônibus, 25 livros que peguei em bibliotecas da UFSC pra estudar, mas não fiz o concurso (e nem preciso dizer que não me preparei nadinha). Não fiz porque, naquela época, eu ainda era mestre e, embora o concurso aceitasse inscrições de mestres e doutores, os mestres só fariam as provas caso algum doutor não passasse. Não tem jeito, cada lugar é diferente mesmo...
Lembro que dois outros concursos que eu podia fazer abriram na mesma época. Mas havia chance das datas das provas coincidirem, e era tudo ponto diferente. Se eu fizesse os três, no total teria que preparar absurdos 33 pontos em menos de dois meses. Impossível! Fiz muito bem em escolher o concurso da UFC, que escolhi mais pelo lugar mesmo. Eu queria morar em Fortaleza mais que em Curitiba (que adoro, mas é frio pra caramba) ou em Maringá (que não conheço, mas todo mundo diz que é uma bela cidade).
Quando minha inscrição foi finalmente aprovada na UFC, aí eu decidi começar a estudar. Ou pelo menos eu anunciei pro mundo que começaria urgentemente a estudar (aí acho que demorei mais uns dez dias pras vias de fato).
Neste post, eu estava começando a me preparar, as datas do concurso já tinham sido divulgadas, eu já havia comprado as passagens pra Fortaleza, mas ainda estava cheia de dúvidas sobre o edital (adoro a imagem e legenda que usei: “tudo nos trilhos pro concurso”, com a foto de uma modelo prestes a ser decapitada por um trem). Mas só pra esclarecer (volto a falar nisso nos posts seguintes), meu concurso foi assim, e tudo indica que este também será: são três pontos os sorteados na prova didática. Um obrigatoriamente entre os sete primeiros pontos (de Linguística), e dois entre os oito restantes (de Literatura). Daí você precisa escrever três ensaios curtos, um sobre cada ponto, no período de quatro horas. Sem consulta, claro. E sem tempo pra dar uma olhada no que você preparou pra cada ponto. Ou seja, tem mesmo que vir com todos os quinze pontos na memória.
Aqui tem um post divertido sobre como um blogueiro americano, o Nate (faz tempo que não falo com ele! O blog dele, infelizmente, é um daqueles que falava mais sobre política, e que caem muito em tempos não-eleitorais; no caso dele, após as eleições presidenciais americanas de 08), me "ajudou" na preparação pro concurso.
O legal de ter tudo anotado é que descubro que, faltando uma semana pro concurso, eu só tinha oito dos quinze pontos preparados. Faltava metade! E, pra decorar os que eu já tinha preparado, valia até grudar a papelada na parede do banheiro!
Bom, este post é do dia que eu estava viajando de Joinville pra Fortaleza. E, pelo jeito, preparei quatro pontos em três dias. Crianças, não tentem fazer isso em casa.
Neste post eu já escrevo de Fortaleza, após a primeira prova. Fica uma importante lição inicial: pra quem vem de longe, cuidado com as passagens aéreas. Quero dizer, não confie muito nos horários das conexões. Deixem uma boa folga. No dia em que viajei, o aeroporto de Navegantes – SC, estava fechado. Neblina demais. Eu tinha comprado passagem com a esperança de chegar em Fortaleza às 13 horas de segunda (a prova era no dia seguinte, às 8 da manhã). Por causa desses problemas, passei segunda inteira num hotel em Campinas (estudando, claro), e só aterrisei em Fortaleza às duas da manhã de terça! Se precisasse de mais alguma conexão, teria perdido a prova. Segunda lição: chegue ao local do concurso meia hora antes. Eu achava que meu hotel era perto da UFC (e era!), mas o trânsito estava horrível, e eu cheguei lá em cima da hora. Três minutos depois e eu teria perdido o concurso. E aí imagine a decepção: você estuda um monte, gasta um monte pra ir de uma região a outra do país, e não pode nem fazer o concurso?!
Eu lembro da sensação de ter ido bem no primeiro teste. Lembro de ligar pro maridão depois da prova escrita pra dizer que achava que tinha passado naquela fase. Falo de tudo isso no post, e ainda da leitura das provas, o que acho um ótimo procedimento de transparência. E pretendo estar lá no dia da leitura das provas deste concurso agora pra poder ver quem são @s candidat@s e o que el@s escreveram.
O post seguinte é sobre minha alegria ao saber que tinha passado na primeira prova (dos doze candidatos que fizeram a prova, só quatro foram aprovados pra outra etapa), e o sorteio do ponto pra prova didática. Tá tudo lá, explicadinho.
Neste eu conto como minha prova didática não foi bem porque eu me enrolei no tempo. Mas tem boas dicas de como fazer o recorte do tema, já que é só uma aula de 50 minutos, e você não vai querer falar de toda a história do Harlem Renaissance, por exemplo, em menos de uma hora. Eu inventei que tínhamos começado a falar sobre o tema em outra aula, antes de um feriado, e que precisávamos recapitular (isso precisa estar no plano de aula). E depois entrei numa análise do final de um romance.
O último post é o do resultado, e de como esse resultado foi comunicado. E da minha imensa surpresa em ter passado em primeiro lugar. Talvez eu lembre pra sempre do telefonema que fiz pro maridão. Sei que toda vez que passo por aquele orelhão na universidade (pois é, eu não tenho celular), eu penso no meu concurso. É uma boa sensação. Sem falar que ultimamente aquele orelhão vem sendo ocupado por um gatinho. Ele às vezes se aloja embaixo do orelhão e quem quiser ligar tem que fazer alguns contorcionismos pra desviar do dono do pedaço.
Há muitos outros posts, lógico, sobre a burocracia dos exames médicos, a espera angustiante pra ser chamada — levou meses! —, a mudança de SC pro Ceará, a posse, mas sobre o concurso mesmo, são só esses. ! Onde mais tem um roteiro tão completo sobre um concurso pra uma federal?
Não sei quando será a prova, mas deve ficar mais pro final de outubro. O tempo pra preparar os pontos é o de praxe nos concursos: de um a dois meses. Inscreva-se, capriche na preparação, e venha trabalhar no meu departamento!