segunda-feira, 20 de agosto de 2018

O QUE DÓI MAIS: DOR DE DENTE OU MACHISMO?

Recebi este email da Ariane:

Já fazem alguns dias que queria te escrever, mas confesso que estava sem estômago pra contar algo que aconteceu comigo.
Acompanho teu blog faz um tempo, cada vez fico mais sensível ao sofrimento e às provações que nós mulheres temos que passar diariamente simplesmente pelo fato de sermos mulheres. Pois bem, essa semana aconteceu algo comigo que acho importante compartilhar.
Sou dentista, sanitarista, trabalho em uma unidade de saúde pública. Sou mulher, sou pequena, baixinha, meio magra, enfim, o que poderia ser chamado de "mignon". Início dessa semana, cinco minutos antes de encerrar o expediente, chega uma urgência odontológica na unidade de saúde que trabalho. Era um paciente com dor. Eu sempre atendo pacientes com dor, sei que dor de dente é algo incapacitante e que gera muito sofrimento, e mesmo que eu fique além do meu horário acordado eu jamais deixaria uma pessoa sentindo dor podendo resolver ou minimizar a situação. Passei o paciente para meu atendimento. 
Era um homem que já entrou no meu consultório falando mal de uma colega dentista, de outra unidade de saúde, dizendo que ela não havia olhado para o dente dele, que havia prescrito medicações sem sequer examiná-lo. Avaliei a situação, verifiquei que apenas haviam duas possibilidades, e uma delas era a extração do dente. Expus o caso para ele. Bom, aí começou a demonstração de ignorância e machismo do paciente. 
Ele questionou a minha capacidade de realizar o procedimento, disse que eu era muito pequena e que provavelmente não conseguiria extrair o dente. Expliquei que a extração é muito mais questão de técnica do que de força, ele respondeu que talvez fosse melhor eu encaminhá-lo para um homem pois "sabe como é, mulher é muito fraquinha". 
Continuei dizendo que se eu achasse que não era uma situação que eu poderia resolver que ele ficasse tranquilo pois eu não teria problema em encaminhá-lo para um especialista. Mas ele continuava dizendo que realmente era melhor que fizesse isso, pois ele sabia que extração era algo complicado e que, não queria ofender, mas ele acreditava que seria difícil demais pra mim, que sou pequena.
Não preciso dizer o quanto fiquei me sentindo humilhada e chateada com isso, mas até então poderia ser interpretado como apenas uma desconfiança pelo meu tamanho. Entretanto, após eu afirmar que eu não faria o procedimento, mesmo que me sentisse preparada para tal, pois ele estava demonstrando não confiar em mim enquanto profissional, por isso o encaminharia para um colega, ele saiu da minha sala e na recepção falou que não gostava de ser atendido por mulher, que eu estava histérica e que prestaria queixa de mim e da minha colega da outra unidade de saúde. 
Conferi no prontuário eletrônico do paciente e verifiquei que ele havia sim recebido atendimento da colega de forma adequada, mas para endossar a resistência dele em ser atendido por mulheres achou por bem dizer que as mulheres que o atenderam, atenderam mal. Que não seríamos capazes de fazer uma extração. Que eu era histérica e que por isso prestaria queixa.
Não foram muitas vezes que fui alvo de machismo no trabalho (fui em diversos outros ambientes -- milhares de vezes), entretanto é muito triste quando uma situação assim ocorre. Parece que todos os anos de estudo e prática, que toda a minha dedicação em prestar um bom atendimento desapareceram. Me senti insegura. Optei por não realizar o procedimento pois tive receio de, justamente por ele ter colocado em dúvida minha capacidade, fazer algo errado. 
Chorei de raiva. Odiei passar por isso. 
Estou contando essa história pra dizer que é importante falar disso. É importante pra mim também ler outras histórias e saber que muitas mulheres estão juntas na resistência, pois mesmo que um homem nos provoque um sentimento de humilhação, sempre haverão mulheres nos fortalecendo, e nós sempre seremos mais fortes e mais justas. 
E é disso que precisamos: força e justiça, justiça pra termos o espaço e o reconhecimento que sempre nos negaram e força pra não esmorecer.
Lola, tu és exemplo de força, resistência e justiça. Toda a paz e o amor pra ti e para os teus.

Meus comentários: Obrigada por escrever! Confesso que quando comecei a ler o seu email esperei logo o pior. Não sei se foi num conto do Rubem Fonseca ou na vida real ou ambos que havia um homem que ia a consultórios de dentistas mulheres no fim do expediente e as estuprava. Eu nunca me esqueço disso, da nossa vulnerabilidade até no local de trabalho.
Mas que bom que nada disso aconteceu contigo! Que foi "apenas" o chilique machista de um paciente babaca. Outra notícia que seu email me fez lembrar: um cara que fez escândalo no avião ao saber que a piloto era mulher. Foi retirado do avião antes da decolagem. Bem-feito! 
Mas esse seu paciente deveria saber que a maior parte dos dentistas hoje é mulher, não? Êta sujeitinho mais atrasado! Imagino a raiva que você sentiu. 
Que cara ridículo! Ele prefere a dor de dente a ser atendido por uma mulher! Que sofra, então. Você diz que sabe como a dor pode ser incapacitante. Parece que mais incapacitante ainda é o machismo.

sábado, 18 de agosto de 2018

MARINA HUMILHA BOLSONARO NO DEBATE

Vi uma parte do debate de RedeTV ontem, apesar de ter que ter estômago pra aguentar ver não só os pesadelos de sempre -- Bolso, Alckmin, Meirelles, Álvaro Dias, Cabo do Medo --, como também jornalistas repulsivos como Boris Casoy e Reinaldo Azevedo de brinde (favor não defender tio Rei pra mim. Obrigada). 
O que vi do debate foi melhor que o da Band, embora debate sem o primeiro colocado nas pesquisas seja bem estranho e anti-democrático. Mas o momento digno de nota mesmo foi no terceiro bloco, quando a hiper apagada Marina acordou e atacou Bolsonaro.
Antes disso, Bolso mais uma vez foi questionado sobre suas defesas e justificativas para que mulheres ganhem menos que homens. Mais uma vez, como é de seu feitio e de seus seguidores (a maior parte robôs capazes de manter no topo das Trending Topics do Twitter pelo menos uma hashtag por dia em louvor do "mito" -- mesmo que esses perfis todos sequer sejam brasileiros), Bolso mentiu. Inventou que nunca disse isso, que não havia gravação disso (tipo esta?). E ele já repetiu isso várias vezes
E quando ele afirma que não há nada que o governo possa fazer para acabar com essa desigualdade salarial entre homens e mulheres, porque não se pode interferir no mercado, ele está: assumindo sua incompetência (por que você quer ser governo se não for pra tentar resolver problemas? A menos que Bolso não considere mulher ganhar menos um problema. Alguém avisa que em vários países europeus os governos estão tomando iniciativas para coibir a desigualdade de gênero), e mostrando não saber que a Constituição já proíbe isso! (neste último debate ele disse que, como já está na Constituição -- devem ter avisado --, "não temos que nos preocupar com isso"). 
Bolso chamou Marina para perguntar se ela era a favor do porte de armas. Ela respondeu laconicamente ("Não") e voltou ao tema da desigualdade:
“Só uma pessoa que não sabe o que significa uma mulher ganhar um salário menor do que um homem e ter as mesmas capacidades, 
a mesma competência, e ser a primeira a ser demitida. Ser a última a ser promovida, e quando vai a uma fila de emprego não é aceita simplesmente por ser mulher. Tem que se preocupar sim, porque quando se é presidente da República a gente tem que fazer cumprir o artigo 5º da Constituição que diz que nenhuma mulher deve ser discriminada. O presidente está lá para combater injustiça”.
Na réplica, Bolso respondeu: “Temos aqui uma evangélica que defende o plebiscito para o aborto e para a maconha. Você não sabe o que é uma mulher, Marina, com um filho jogado no mundo das drogas. Eu defendo a mulher, inclusive defendo a castração química para estupradores. E no tocante à arma de fogo eu defendo, sim, que a mulher, inclusive, caso queira, a mulher de bem, tenha a posse da arma de fogo para se defender se assim o desejar”.
É muito absurdo dizer para uma mulher que ela não sabe o que é uma mulher. E olhem o detalhe: ele defende a posse da arma de fogo para "a mulher de bem". Já falei várias vezes que esse pessoal pró-armamento não gostaria de me ver armada. Imagina um bando de feminazis armadas! Imagina a mulherada negra dos movimentos Vidas Negras Importam armada! Imagina as lésbicas armadas! 
Marina não baixou a cabeça e disse ao fascistoide: "Você acha que pode resolver tudo no grito, na violência. Nós somos mães, nós educamos os nossos filhos. A coisa que uma mãe mais quer é ver um filho sendo educado para ser um cidadão de bem. E você fica ensinando para os nossos jovens que têm de resolver as coisas na base do grito, Bolsonaro. Você é um deputado, você é pai de família. Você um dia desses pegou a mãozinha de uma criança e ensinou como é que se faz para atirar.  Você sabe o que a Bíblia diz sobre ensinar uma criança? ‘Ensina a criança no caminho que deve andar, e até quando for grande, não se desviará do caminho’. É esse o ensinamento que você quer dar ao povo brasileiro?”.
Bolso, humilhado, sem tempo para responder, por muito pouco não seguindo o exemplo de seu filho Flávio e desmaiando, disse: "Leia o livro de Paulo". Eu não entendi de que Paulo ele estava falando: Paulo Guedes? Paulo Maluf, que foi colega de partido de Bolso durante duas décadas? Paulo Coelho? Sabemos é que Paulo Freire é que não foi!
A primeira interpretação da minha timeline no Twitter foi que Bolso mandou Marina calar a boca por ser mulher. Afinal, Paulo foi um dos mais machistas da bíblia: "permaneçam as mulheres em silêncio nas igrejas, pois não lhes é permitido falar; antes permaneçam em submissão, como diz a Lei" (1 Coríntios 14:34). Porém, quando questionado por jornalistas, Bolso disse que 'Paulo fala: 'venda suas capas e comprem espadas'. Está na Bíblia. É que naquele tempo não tinha arma de fogo, se não com toda certeza seria ponto 50 e fuzil". 
Jesus era obviamente um pacifista e contra as armas, pois ele também disse "quem tomar a espada morrerá por ela" (Mat. 26:52). Mas o chato é que, pra quem precisa conquistar o voto evangélico, caso de Bolso, errar citação na bíblia não é recomendável. Sua citação sequer está no livro de Paulo, mas no de Lucas (22:36). 
Pior é que Bolso precisou colar pra falar todas essas besteiras e ainda ser trucidado por Marina. Ele havia escrito na mão, com caneta, as palavras "pesquisa arma Lula". Não é impressionante que ele precisou registrar duas das palavras que ele mais usa na vida pra se lembrar delas?
Foi não apenas o melhor momento de Marina nos dois debates, disparado, mas seu melhor momento nos últimos quatro anos. Não é suficiente para me fazer votar nela, mas não há dúvida que seu confronto com o "mito" foi o ponto alto dos debates. Doeu, e os bolsominions sentiram. 
Fico só imaginando o picadinho que Manuela D'Ávila (que faz aniversário hoje) faria do energúmeno... 

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

ARETHA FRANKLIN CONTRA OS HOMENS SEVEROS TEMENTES A DEUS

Morreu ontem em Detroit Aretha Franklin, 76 anos, considerada a rainha do soul, ou, como disse Paul McCartney, "a rainha das nossas almas". Vencedora de 17 Grammys e uma das maiores cantoras de todos os tempos.
Reproduzo aqui um texto de Dodô Azevedo publicou no seu FB.
Aos 12 anos, Aretha Franklin deu a luz a seu primeiro filho. Aos 14, engravidou e pariu o segundo. Antes dos 15 anos, era mãe de dois meninos.
Seu pai, o reverendo C.L. Franklin, ministro da Igreja Batista, era um homem severo, temente a Deus, anti-aborto, pró-família e anti-comunista (no auge do Macartismo nos EUA). 
O cidadão de bem C.L. Franklin também era fã de sexo grupal e organizava orgias em sua Igreja. 
Há, até hoje, a controvérsia de que religioso seria o pai do filho da própria filha, Aretha, submetida, aos 12 anos, a uma destas orgias na Igreja.
Está tudo em Respect: The Life of Aretha Franlkin, biografia da cantora, lançada em 2014 por David Ritz.
Mas tratemos do livro que o pai de Aretha Franklin adorava e fervorosamente citava de cor seus salmos -- A Bíblia.
A Bíblia tem frequentado o noticiário nas mãos de adoradores fervorosos que sabem de cor os seus salmos.
Sempre nas mãos de homens severos, tementes a Deus, anti-aborto, pró-família e anti-comunistas.
Esteve na mão de candidato à presidência em debate eleitoral.
Teve em redes sociais seus salmos clamados por Dr. Bumbum, indiciado por homicídio de uma cliente, e que exercia a medicina no Rio de Janeiro sem autorização.
E também teve seu seu autor, Deus, citado diversas vezes, também em redes sociais, por Luis Felipe Manvalier, acusado de assassinar a esposa, a advogada Tatiane Spitzner. 
Todos homens severos, tementes a Deus, anti-aborto, pró-família e anti-comunistas.
Mulheres costumam ser vítimas destes tipos. Mulheres negras, então, nem se fale.
Aretha Franklin, mulher e negra, ainda teve mais dois filhos, mais dois casamentos, com dois maridos que a espancavam sempre que lhes dava na telha.
"Respect" é também o nome da canção que Aretha transformou em símbolo da luta das mulheres contra os abusos de homens severos, 
tementes a Deus, anti-aborto, pró-família e anti-comunistas.
Se aproximam eleições gerais. Quem decidirá, no voto, nossos próximos governantes, serão justamente mulheres.
Terão uma tarefa respeitável.
Noventa por cento dos candidatos das próximas eleições são, justamente, homens severos, tementes a Deus, anti-aborto, pró-família e anti-comunistas.
Merecerão eles o respeito que não dão a elas?
Como cantava, Aretha, a dama do soul, mulher e negra:
Find out what it means to me" [Respeito: descubra o que isso significa para mim].

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

DIREITA ATACA QUEM PESQUISA LESBOCÍDIO

Este post é sobre um absurdo que não deveria acontecer num país supostamente democrático. É, mais uma vez, sobre perseguições a professoras.
A pesquisa "Lesbocídio: as histórias que ninguém conta" é uma iniciativa da estudante de jornalismo Milena Carneiro, que procurou as professoras e doutoras Suane Soares e Maria Clara Dias para que juntas criassem o grupo de pesquisa sob a coordenação de Maria Clara, que é professora titular da UFRJ, pesquisadora do CNPq, com nada menos que três pós-doutorados (ou seja, uma professora com enorme, respeitada e internacional produção acadêmica). 
O principal agressor é um funcionário público da prefeitura do RJ que também é estudante da UFRJ e diz ter "orgulho de ser fascista". Com tempo de sobra para suas difamações, ele parte do princípio de que não existem crimes homofóbicos. Entre fevereiro e julho deste ano, o reaça publicou cerca de cem textos em suas redes sociais (quase um por dia) caluniando as pesquisadoras. Lógico que isso atraiu o interesse de organizações reacionárias como o MBL e o Escola Sem Partido.
O projeto sobre lesbocídio, sob a coordenação da Dra. Maria Clara, não recebe qualquer verba pública. Mas, se recebesse, seriam as instituições financeiras que julgariam o mérito da pesquisa, e não babacas conservadores que gostariam de fechar todas as universidades públicas e, se dependesse deles, fuzilar professorxs -- que são todos comunas doutrinadores, de acordo com eles.
Publico o guest post de Thamires Motta, que é jornalista, feminista, e lésbica.
No dia 7 de março, o Rio de Janeiro foi palco de um evento pioneiro e de extrema importância para os movimentos sociais que defendem a vida de mulheres no Brasil -- em especial as mulheres lésbicas. 
Nesta data, foi publicado o Dossiê sobre Lesbocídio no Brasil, um trabalho produzido pelo grupo de pesquisa “Lesbocídio – As histórias que ninguém conta”, com o apoio do Núcleo de Inclusão Social – NIS/UFRJ e do Nós: Dissidências Feministas/UFRJ. Essa edição do dossiê expõe as mortes de mulheres lésbicas ocorridas entre 2014 e 2017. A pesquisa chama atenção aos casos de violência contra lésbicas, em especial os lesbocídios, casos de crime de ódio contra mulheres que amam mulheres. 
Vinculado à UFRJ, o trabalho está sendo coordenado pela Profa. Dra. Maria Clara Dias.
Desde fevereiro, no entanto, a professora vem sendo alvo de ataques, acusações e mentiras por parte de alguns grupos da direita organizada, como o MBL e o Escola Sem Partido. De acordo com a professora, acusações em redes sociais e denúncias, endereçadas a diversos órgãos públicos, tais como a Ouvidoria e Reitoria da UFRJ, MPF, CGU, CAPES e CNPq, vem atacando seu caráter e o caráter do seu trabalho, com acusações de fraude e insinuações mentirosas sobre o mau uso do dinheiro público.
De acordo com a pesquisadora, sua foto e das demais autoras do Dossiê encontram-se "estampadas como pano de fundo em um blog que profere um discurso de ódio e busca, de forma nada acadêmica, coibir a defesa dos direitos básicos de grupos heterodiscordantes". Em uma carta aberta, ela revela que já contabilizou mais de 100 publicações em redes sociais e blogs contra a pesquisa e contra ela, manipulando e distorcendo informações.
No dia do evento, participantes relataram que os grupos de direita tentaram invadir o espaço e silenciar as participantes, insinuando que a pesquisa reforça a "ideologia de gênero", e que as universidades não devem oferecer espaço para este tipo de projeto.  
Apresentado pela primeira vez de forma acadêmica no Brasil, o termo lesbocídio é a definição do crime motivado pela misoginia, mas seguindo uma lógica diferente: o ódio e a aversão às mulheres que se relacionam com mulheres. De acordo com o site The Intercept, 83% dos crimes contra lésbicas são cometidos por homens que não necessariamente possuem algum tipo de parentesco com a vítima, mas que têm algum tipo de  aversão a lésbicas em geral – ou seja, lesbofobia.
O Dossiê revelou que 126 mulheres foram mortas no Brasil nos últimos quatro anos unicamente por serem lésbicas. As pesquisadoras também argumentam que esses números são subnotificados, já que não são gerados dados oficiais sobre esses assassinatos. Os crimes são coletados em redes sociais e na mídia, mas podem ser muito maiores. 
Foi criado um formulário pedindo apoio à professora Maria Clara, que pode ser assinado neste link.
Nesta thread, explico a necessidade de assinar a carta de apoio e divulgar para o máximo de pessoas.
Em tempos de frágil democracia, com o Brasil em época de eleições e à beira de ver como chefe do Executivo um homem fascista, misógino e racista, é ainda mais importante que as organizações de esquerda, que defendem a democracia, a liberdade de cátedra e de pesquisa, o funcionamento sem censura das universidades públicas, se envolvam verdadeiramente e espalhem esse apoio. 
Este ataque não é somente à universidade pública, é contra um grupo de mulheres que ousou expor as violências que lésbicas sofrem, as mesmas que desde o início dos tempos precisam viver silenciadas, sem espaço para suas pautas, sendo abusadas, violentadas e assassinadas unicamente por serem mulheres lésbicas. O ataque à professora Maria Clara é um ataque contra todas as mulheres, as feministas, as sapatonas, as universitárias, as pesquisadoras, todas aquelas e aqueles que defendem uma vida livre de violência. 
Por isso, é nosso dever assinar a carta e divulgá-la, já que tentar silenciar essa pesquisa, como o MBL vem fazendo, é corroborar e ser cúmplice dos assassinos de mulheres.