sexta-feira, 21 de setembro de 2018

PEDIDO DE AJUDA PARA COBRIR GASTOS DE PROCESSO DE MASCU

Pessoas queridas, gostaria de pedir a ajuda de quem pode ajudar.
Um dos comentários que o mascu
que está me processando deixou no
meu blog (clique para ampliar)
Estou sendo processada por um mascu asqueroso (redundância, eu sei). Ele entrou com o processo ano passado, quando escrevi um post em que disse que estava feliz com o fim do chan (que logo voltou), mas que só ficaria satisfeita quando toda a quadrilha mascu fosse presa. E aí eu citava alguns dos nomes -- pelo primeiro nome apenas! Mais nada. Acreditam que por causa disso um deles entrou com pedido de indenização de R$ 20 mil por danos morais no Juizado Especial? Parece piada, mas é verdade.
Uma das montagens que o mascu
fez no blog dele
O mais irônico é que esse mesmo mascu me ataca desde 2015. Ele já fez vários vídeos e inúmeros posts e montagens me xingando e difamando. Enviou no mínimo uma dúzia de emails pra mim, alguns com ameaças. Eu já pensei em processá-lo, mas não vale a pena. Afinal, mascus não têm nada no seu nome. Não trabalham, não estudam, moram com os pais. 
Se eu ganhar, ganho o quê deles? Nada. O nome deles fica sujo? Grande coisa. O nome deles já está sujo. Este mascu em questão já foi processado por uma deputada e foi condenado a pagar R$ 35 mil de indenização e a 30 dias de prisão. Pergunta se ele já pagou um centavo.
Uma das ameaças do mascu
Não adianta. É como eu digo: é uma luta desleal entre uma pessoa de verdade (eu) contra um mascu insignificante. Em 2015, por exemplo, entrei com reconvenção no processo do mascu Emerson (que agora está refugiado na Espanha) contra mim. Tive que pagar mais de mil reais pra entrar com esse contra-processo (obrigada a todas e todos vocês que contribuíram). Não resolveu nada. Ele abandonou o processo contra mim sem que tivéssemos uma única audiência. 
Marcelo pedindo que membros de
sua quadrilha encontrassem dados
das minhas advogadas para poder
ameaçá-las, em fevereiro de 2017
O mesmo com Marcelo, que foi preso em maio. Ele entrou com processo contra mim em janeiro de 2017. Quando a juíza aceitou que eu respondesse por carta precatória, sem ter que me locomover até Curitiba, ele largou o processo (não sem antes ameaçar de morte e estupro minhas advogadas na época, óbvio). Ele voltou a me processar em dezembro, mas imagino que a prisão interrompeu seus planos (aliás, ele já teve três habeas corpus negados desde maio. Quando foi preso na Operação Bravata, a Polícia Federal disse que seus crimes somados podiam render uma pena de 39 anos. É esse o tipo de gente que me processa).
Um dos vídeos do mascu contra
mim (neste caso, comemorando
o site falso que Marcelo fez no
meu nome, em 2015)
Este é o terceiro processo de um mascu a que respondo. Imagino que vai dar em nada, como aconteceu com os outros. Mas já começou mal. A primeira audiência é semana que vem no Mato Grosso (onde nunca estive). Meu advogado pediu que a audiência se desse via vídeoconferência, mas isso foi indeferido ontem. Ele mostrou as ameaças que eu e ele recebemos por conta dessa audiência. Mesmo assim, o juiz negou. Meu advogado ainda entrará com um mandado de segurança pedindo a suspensão da audiência e tentando reverter a decisão. Mas há chances de isso não sair e eu ter que ir a MT e ter que contratar um advogado lá. 
Então peço a ajuda urgente de vocês. Primeiro, entre minhas leitoras e leitores, há algum advogadx no Mato Grosso (de preferência pro-bono) que poderia ir à audiência (meu email é lolaescreva@gmail.com)? Segundo, quem puder ajudar, poderia contribuir para cobrir minhas despesas se eu tiver que ir a Várzea Grande, o que parece provável? Pelo que vi, as passagens de ida e volta custam R$ 1.600. Vocês podem contribuir depositando algum valor numa das minhas duas contas, no Banco do Brasil, ag. 3653-6, conta 32853-7, ou no Santander, ag. 3508, conta 010772760, ou no PayPal aí do lado. Agradeço muitíssimo. 
Fico bem chateada com isso tudo, porque, além das despesas, ainda tem o tempo gasto. Estou cheia de trabalho, com todas as aulas, palestras, orientações, bancas, reuniões, projetos, artigos pra escrever. Sem falar no blog e nas eleições, que não é trabalho, mas ocupam muito do meu tempo. E tenho que interromper isso pra ir a uma audiência de um mascu cujo nome sequer citei. Eu gostaria de chegar ao juiz e mostrar meio minuto de qualquer vídeo que esse mascu fez contra mim, e pedir pro magistrado comparar: quem difamou quem? 
Processar, mesmo quando se tem chances minúsculas de vencer, é uma das estratégias de mascus para tentar silenciar ativistas. Mas, como de costume, não conseguirão me calar. 

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

LGBTS NÃO QUEREM BOLSO NEM QUEM NÃO SE POSICIONA CONTRA ELE (TUDO BEM, ANITTA?)

Anitta na Parada Gay de SP este ano

Ontem a tag #AnittaIsOverParty dominou os trending topics do Twitter.
Isso porque a cantora pop passou a seguir uma amiga que é eleitora do Bolso. Ao ser cobrada pelos fãs quanto a um posicionamento, ela respondeu: "É um direito meu não querer opinar sobre política e eu só estou exercendo esse direito".
Ela também disse que, só por ser feminista (ela é? Não era até um certo momento) sou simpatizante dos LGBTs, não era obrigada a se posicionar politicamente ou odiar quem pensa diferente dela. 
Sobre o primeiro ponto, acredito que ela deve se posicionar sim. Ser feminista não é apenas um ato pessoal, mas também político. Ficar em silêncio quando parece que a cantora apoia um candidato claramente misógino, racista e LGBTfóbico é sim tomar uma posição. Ninguém pode se dar ao luxo de se omitir num momento tão difícil para a nossa democracia.
Anitta já desapontou há poucos dias, quando seus fãs pediram um posicionamento em referência ao boicote a marcas que apoiam Bolso. Pabllo Vittar rompeu uma parceria com uma marca de sapatos depois que o dono da grife se declarou eleitor do Coiso. Anitta entrou na lista dos cantores que lucram com o pink money (o dinheiro que vem do público LGBT), sem realmente fazer algo que combata o preconceito contra os LGBTs.
Lógico que repudio qualquer ameaça ou comentário machista em relação a Anitta (ou qualquer outra mulher), mas fico feliz que o movimento LGBT esteja fazendo essa cobrança. Nunca entendi como esse público pudesse dar tanta atenção a celebridades como Inês Brasil, que é pura alienação. Isso só diminuiu (diminuiu? Pelo menos eu tenho visto poucos memes com Inês) depois que ela tirou foto e gravou vídeo com o Coisa Ruim, em agosto do ano passado.
Mas com Anitta as críticas que ando vendo estão bem contundentes. Uma delas é que ela não fez um tuíte sequer quando Marielle foi executada, meio ano atrás. Outra é que as ícones pop de outros países não têm medo de se posicionar politicamente. 
Lógico que o amplo exército de bots de Bolso reagiu com a tag #ForcaAnitta. 
Muita ironia do destino: a jornalista reaça Rachel Sheherazade se posicionou contra a declaração misógina do vice de Bolso, general Mourão, de que famílias sem pais são "fábricas de desajustados", enquanto reaças que sempre detestaram cantoras como Anitta e apoiam projetos para criminalizar o funk apareceram para defender a cantora pop e xingar Rachel. 
Gostei do comentário deste rapaz, Guga Valente:

No começo da noite de ontem Anitta finalmente se posicionou. Quer dizer, mais ou menos:
Eu só tenho a dizer que uma das coisas que mais me fazem amar Chico Buarque é sua coerência política. 
Em tempo: este é o melhor vídeo que você vai ver na semana. 
Em tempo mais um pouquinho: Hoje à noite a partir das 18h estarei na Livraria Lamarca (perto da UFC) para um encontro feminista com duas candidatas. Quem é de Fortaleza, apareça!

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

GINECO DIZ QUE VÍTIMAS DE ESTUPRO NÃO SÃO MULHERES DE BEM

Mais uma do país em que talvez um quarto dos eleitores têm vontade de eleger um fascista para presidente.
O pior é que muitos desses eleitores do Milito pensam como ele. Ou pior. 
É este o caso de um ginecologista de Belo Horizonte. O "cidadão de bem" Igor Moreira Aquino, tenente da PM, médico plantonista no hospital Odilon Behrens, escreveu várias grosserias na sua página no FB. No dia 13 de setembro, por exemplo, ele chamou as médicas residentes que são feministas de "fedidas" e "nojentas". Ele também escreveu: "É feminista porque é feia e tem ódio da coleguinha bonita. A culpa não é do homem não lhe querer porque é feia, a culpa é dos seus pais que são feios e avaliaram mal a questão de ter um filho, pensando que poderia ser bonito. Nunca será, é uma questão de genética! País feios produzem feministas ou viradinhos" (sic). 
Eu sempre digo: quer saber o que um homem acha das mulheres? Veja o que ele fala das feministas. A probabilidade desse cara que xinga feministas (que são mulheres que lutam pelos direitos das mulheres) atacar mulheres de modo geral são de cerca de 100%, eu diria.
O terrível é quando esse mesmo cara atende mulheres. Olha o pensamento dele sobre mulheres de forma geral (não necessariamente feministas): 
"As mulheres brasileiras de BEM, aquelas que não foram vítimas de violência sexual, aquelas que não foram agredidas ou abandonadas pelo pai, aquelas que não foram agredidas pelo marido, aquelas que não tem filho bandido ou filha aborteira, irão votar no Bolsonaro".
Justificativa do ginecologista
(clique para ampliar)
Ah é, spoiler: o sujeito é eleitor do Coisa Ruim. Se ele não contasse ninguém iria desconfiar!
O post dele é incrível. Pra ele, brasileiras que foram vítimas de violência sexual, que foram agredidas ou abandonadas pelo pai, que foram agredidas pelo marido, não são mulheres de bem. Quer dizer, são os homens que fazem algo errado (estuprar, agredir, abandonar) e a culpa é da vítima!
Já falei que esse cara é ginecologista?
Depois alguma mulher diz que não quer ser atendida por ginecologista homem e é imediatamente tachada de feminista radical. 
E depois os bolsominions ficam quebrando a cabeça tentando entender por que tantas mulheres rejeitam o candidato deles. Por que será, né? Difícil entender.


terça-feira, 18 de setembro de 2018

UM RESUMO DO QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Estava lendo o excelente Dossiê sobre Violência contra as Mulheres, da agência Patrícia Galvão, pois passei para minha turma do curso de extensão essa leitura junto ao ótimo filme Eu, Tonya. Leia o dossiê inteiro e recomende-o a amigas que estão em relacionamentos abusivos. Ele é muito didático. Destaco aqui a parte final, que oferece um bom resumo.
10 informações sobre violência doméstica que podem evitar equívocos frequentes
1) A Lei Maria da Penha define cinco formas de violência doméstica e familiar e não pressupõe que só há violência quando a agressão deixa marcas físicas evidentes. Reconhecer a violência psicológica e não subestimar o risco por trás de uma ameaça podem prevenir violências mais graves.
2) Na maioria dos casos, diferentes formas de violência acontecem de modo combinado. É preciso compreender que a violência física é só mais um traço de um contexto muito mais global de violência, que inclui também humilhações, críticas e exposição pública intimidade (violência moral), ameaças, intimidações, cerceamento da liberdade de ir e vir, controle dos passos da mulher (violência psicológica), forçar a ter relações sexuais ou a restrição da autodeterminação da mulher quando se trata de decidir quando engravidar ou levar adiante ou não uma gravidez (violência sexual). É fundamental também entender que a tendência, na violência doméstica, é que os episódios de agressões se repitam e fiquem mais graves.
3) É importante compreender que não existem padrões e perfis de vítima ou agressor: a violência doméstica contra mulheres cometida pelo parceiro, atual ou ex, é a mais comum, mas não é a única. E, embora apareçam como maioria nas pesquisas, os agressores não são apenas homens.
4) O uso de álcool, drogas ou o ciúme não são causas e não servem como justificativa para violências. São apenas fatores que podem contribuir para a eclosão do episódio de violência, e muitas vezes são usados como desculpa.
5) A culpa não é dá vítima: ninguém deve ser responsabilizado pela violência que sofreu.
6) A violência na relação íntima tem uma dinâmica complexa que coloca inúmeras dificuldades para o rompimento, como a desestruturação do cotidiano e até mesmo o risco de morte para a mulher. Por isso, é importante não julgar a mulher, nem demonstrar impaciência quando ela nega a agressão ou denuncia e depois volta atrás.
7) A mulher não está sozinha: embora ela tenha que ser a protagonista na superação do ciclo da violência, leis nacionais e tratados internacionais definem que é responsabilidade do Estado acolher e oferecer suporte para a mulher. A empresa em que ela trabalha também tem responsabilidades nesse sentido: se uma mulher está em situação de violência, por lei, ela tem garantia do emprego.
8) Toda mulher pode sofrer violência doméstica e familiar, independentemente de classe, idade, nível educacional. A Lei Maria da Penha reconhece justamente que os papéis de gênero construídos histórica e socialmente tornam as mulheres mais expostas a certos tipos de violência, como a doméstica e a sexual.
Pare com isso
9) Nesse sentido, as varas e juizados especializados em violência doméstica podem e devem aplicar outras legislações protetivas, como o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Estatuto do Idoso.
10) Não há desigualdade em leis protetivas, pelo contrário: é exatamente para superar a lacuna entre os direitos previstos e a vivência de determinados sujeitos que surgem leis protetivas.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

TOTALMENTE REJEITADO PELAS MULHERES

Como eu disse na sexta, a semana passada foi marcante porque Haddad e Manu foram lançados oficialmente como a chapa PT/PCdoB, e porque começou uma enorme movimentação das mulheres contra o fascismo.
As intenções de voto a Bolso estão em 18% entre as mulheres. Quase metade da dos homens que dizem votar no candidato de extrema-direita. 18% é muito, é demais, mas é pouco se comparado às minas que dizem que não votariam nele de jeito nenhum. A rejeição das mulheres a ele cresceu nos últimos dias: foi de 43% para 49% (e está só começando, acredite). 
Entre os jovens de 16 a 24 anos a rejeição a Bolso disparou (dez pontos em menos de um mês) e agora está em 56%
A página hackeada
Durante o final de semana nós mulheres de esquerda fomos violentamente atacadas por bolsobots nas redes sociais. Revoltados por não poderem conquistar o voto feminino para o fascista e com medo da nossa força, os neonazis têm se dedicado a destruir o grupo fechado no FB Mulheres Unidas contra Bolsonaro. Fizeram doxxing e ameaçaram as administradoras da página (parece familiar?), espalharam fake news de que o grupo tinha sido comprado de outra página já existente (um boato amplamente desmentido, mas eles insistem, lógico), e, finalmente, no sábado à noite um deles foi capaz de entrar no grupo. Aí ele chamou outros bolsominions e hackearam a página. Em pouco tempo, as administradoras haviam sido expulsas e o grupo já se chamava Mulheres Com Bolsonaro. O único jeito de um grupo pró-Bolso atrair 2.2 milhões de mulheres seria roubando um grupo anti-Bolso. Isso ficou claríssimo.
Acontece que isso é crime. Não se pode roubar uma página, expor e ameaçar pessoas, mentir descaradamente. Agora queremos que o grupo seja recuperado e devolvido às mulheres e que os criminosos sejam punidos (ontem no almoço a página foi recuperada por pouco tempo e voltou a ser hackeada). E que os mandantes sejam investigados. Os bolsobots agem sozinhos ou têm um líder? (O que você acha que eu tenho certeza?) 
Anteontem o comentarista da Sportv Sérgio Xavier Filho disse no Twitter sobre a Datafolha: “Se eleitorado fosse composto apenas por homens com mais de 5 salários, Bolsonaro seria eleito no 1° turno com mais de 50% dos votos. São as mulheres mais pobres que impedem isso (90% não votam nele)”.
Eu pessoalmente não sou apenas contra Bolso e demais reaças. Também sou a favor de Haddad e Manu. Haddad já está em primeiro lugar no Nordeste, com 20%, a julgar pela pesquisa Datafolha divulgada sexta à noite. Ou seja, em menos de uma semana como candidato oficial ele já encostou no Ciro. Esta montagem resume tudo: 
Apesar do desempenho de Haddad no Jornal Nacional, que não foi dos melhores (tem como ser quando se é interrompido 62 vezes?), continuo feliz e otimista. Vamos levar essa. 

domingo, 16 de setembro de 2018

EM QUEM VOTAR PRA DEPUTADAS E SENADORA?

Sei que estamos entrincheiradas na luta contra o Coisa Ruim (abaixo uma lista de algumas manifestações -- não todas; se você souber de uma na sua cidade, avise nos comentários -- de Mulheres Contra Bolsonaro, que ocorrerão principalmente no dia 29 de setembro.
Mas, além de derrotar o candidato de extrema direita que representa tudo de ruim no nosso país, é igualmente essencial ter mulheres de luta nas Assembleias Legislativas de cada Estado e no Congresso. Somos poucas no Congresso (10%, uma representatividade baixíssima), e quem tem mais poder é a bancada corrupta e retrógrada conhecida como BBB (Boi, Bala e Bíblia). Então cabe a nós não votar nos representantes desses lobbies e escolher guerreiras de esquerda. 
Eu e Luizianne em Fortaleza
Vamos fazer uma caixa de comentários propositiva? Eu pergunto: em que você vai votar para deputada estadual, deputada federal, e senadora? Eu começo: aqui no Ceará, pra onde transferi meu título eleitoral em 2010, vou votar em Anna Karina (505, Psol) para senadora, Luizianne Lins (1313, PT) para deputada federal, e Germana Amaral (65656, PCdoB) para deputada estadual. 
Vou deixar a tag #ElasSim no Twitter para incentivar mais gente a compartilhar sugestões de mulheres de esquerda. E vocês, já têm suas candidatas? Falem pra gente!

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

ELE NÃO, ELE NUNCA, ELE DE JEITO NENHUM, ELE NEM QUE A VACA TUSSA

A grande novidade desta semana eleitoral foi, além de Haddad e Manu terem sido lançados oficialmente pelo PT (com o aval de Lula), a enorme movimentação das mulheres contra Bolsonaro. 
Lógico que a rejeição das mulheres a ele já era gigantesca. Por isso ele não consegue deslanchar de jeito nenhum, e por isso vai perder contra qualquer candidato no segundo turno. Mas o que mudou esta semana foi o crescimento astronômico de um grupo fechado no FB, Mulheres Unidas Contra Bolsonaro, que só aceita mulheres (cis e trans). Em poucos dias, o grupo chegou a 1.7 mi (há outros grupos com milhares de participantes também, mas creio que este é o maior). O lado do mal tentou transformar uma página reaça com muitos seguidores em "Mulheres com Bolsonaro", mas não deu muito certo. Só tem homem. 
Mas esta mobilização das mulheres contra o Coisa Ruim não vai ficar só online. Já há várias manifestações marcadas em todo o país (principalmente no dia 29 de setembro) de mulheres contra o fascismo. 
Lembra de 2014? Nós feministas nos mobilizamos bastante contra Aécio. Conseguimos colocar nele a pecha de machista e agressor de mulher (o que é verdade), e isso pesou numa eleição tão apertada. Foi um segundo turno entre as mulheres levianas (como Aécio chamou Dilma e, por tabela, inúmeras mulheres -- o que pegou mal pacas, principalmente no Nordeste) contra os homens honrados (como Aécio chamou a si mesmo em mais de uma ocasião). 
Estamos repetindo a dose agora. E é obviamente muito mais fácil explicar por que Bolso (e a maioria dos seus seguidores) é misógino. Ele dá provas disso a cada dia. 
Pra cada pessoa que declara voto em Bolso, há duas que declaram que não votarão nele de jeito maneira. Não tem como ele se eleger assim. Mas nós queremos aumentar (e segmentar) essa rejeição a ele e a tudo que ele representa. Ontem emplacamos a tag #EleNão no primeiro lugar do Twitter. Eles contra-atacaram com o Ele Sim, mas a diferença é visível. Parece que do lado de lá só tem robô, homem babaca e com QI negativo. 
Ontem esse exército de bots estava comemorando que o perfil oficial de Bolso chegou a 1.4 mi de seguidores. Apesar de cerca de 40% serem bots, ainda assim é um bocado de gente. Mas esse perfil existe há anos. Compare com o 1.7 mi de mulheres (de verdade!) em dez dias na página no FB contra ele, e você começa a entender o desespero reaça. Aí você entende também a declaração mimimi do reaça disfarçado de humorista, que afirmou que feminista devia votar na Marina. O que ele fez não foi piada -- foi pauta de campanha. 
A resposta das mulheres mobilizadas está sendo imensa: #CalaBocaGentilli
Vocês não têm vez com a gente, covardões! 
Reproduzo aqui um texto da ilustradora e designer Lanika
Eu entrei no grupo original contra aquele que não deve ser nomeado e tinha cerca de 100.000 almas (obrigada Cacau).
Agora tá chegando a 1,6 milhão e só acompanho a boataria.
Os caras não sabem o que fazer além de atirar pra todos os lados. Tô estranhando que até agora não teve ataque em massa bem sucedido para derrubar o grupo, mas duvido que seja por falta de tentativa.
Meu coração de comunicóloga só observa os fenômenos...
Nós somos 200 milhões de brasileiros, 147 milhões aptos a votar em 2018. Em 2014 o total de votos válidos foi de 105.542.273. Dilma foi eleita com 54.501.118.
54 milhões e meio.
Sabe quantos brasileiros têm no Facebook em 2018? 127 milhões.
Eu sou uma criatura curiosa e fui fuçar: a maioria dos grupos com mais de 50 milhões de usuários no mundo são fã-clubes abertos (Cristiano Ronaldo e Shakira estão no topo -- no Brasil Michael Jackson parece ter 60 mi mas não tenho como confirmar se 100% dos fãs são do Brasil). Não sei as estatísticas de grupos fechados, mas costumam ter bem menos gente.
Se o grupo continuar crescendo um milhão e meio de mulheres por semana em dez semanas até o primeiro turno isso dá 15 milhões de mulheres. Isso é 10% dos votos válidos!
Eu tava com preguiça mas a curiosidade bateu mais forte e os números no primeiro turno foram: Dilma 43 mi, Aécio 34 mi e Marina 22mi.
Só observo.