sexta-feira, 17 de março de 2017

DA VICE-PRESIDENTE DO TINDER PRA MACHISTAS: "VAZEM!"

Uma das melhores notícias que li semana passada, ou pelo menos uma das mais divertidas, foi esta sobre a vice-presidente do Tinder.
Rosette Pambakian em ação
A vice da empresa, Rosette Pambakian, publicou uma carta aberta em que não mede palavras: "O Tinder tem uma política que não tolera desrespeito. Sem discursos sexistas. Sem porcos machistas. Sem brincadeiras de mau gosto. Sem babacas incapazes de superar suas ineptidões tempo suficiente para ter uma conversa decente com outra pessoa no Tinder". 
Essas palavras deliciosas (e verdadeiras -- impressionante como tem babacas nas redes sociais que não conseguem manter uma conversa!) vem como resposta a um caso que ficou bastante conhecido. Uma usuária do Tinder publicou prints de um papo que teve com um tal de "Nick", que passou a xingar a moça de "vadia" (entre outros insultos machistas) depois que ela parou de responder suas mensagens. Com a repercussão, "Nick" foi banido da plataforma. Pambakain escreveu, no melhor estilo "Mexeu com uma, mexeu com todas":
"Ei, Nick (e todos que se comportam como ele), nós estamos varrendo vocês para longe [...]. Eu fiquei pessoalmente ofendida com o que você disse. As suas palavras para aquela mulher foram um ataque, não só contra ela, como contra todas nós. Todos os dias, nós trabalhamos para livrar nosso ecossistema de parasitas como você. Eu nunca vou entender por que alguém escolhe espalhar ódio pelo mundo, mas você não tem essa opção no Tinder. Ódio não é uma opção e nós continuaremos a enfrentá-lo onde quer que ele mostre sua cara feia.
Eu correria pra contra-
tar um machista que
separa sujeito e predi-
cado com vírgula
"Você tem muito a aprender, Nick. Vejo que você estudou negócios globais e que participou dos programas para jovens empreendedores e de gestão de tecnologia da sua universidade. Excelentes escolhas. Já que agora vai ter que procurar muito para encontrar uma empresa que contrate você [Nota da Lolinha: Nick, você já enviou seu currículo pra Alezzia?]. Não sei se soube, mas mais e mais mulheres estão se tornando empreendedoras e líderes empresariais de sucesso. Obviamente, você não andou prestando atenção. A voz feminina está ficando cada vez mais abrangente. Então deixe-me dizer isso em alto e bom som: você e o seu tipo não são bem-vindos no nosso mundo. E nós temos o poder para manter você fora dele".
Ha ha, mas que bela carta! Disse tudo e mais um pouco. Cutucou a ferida -- nada deve doer tanto a um machista como ser expulso de uma rede por uma mulher no comando. 
Assim que li a notícia, perguntei pro maridão se ele sabia o que era Tinder. Ele tinha uma vaga ideia: "É uma rede de relacionamentos, não é?" Então eu fiz a segunda pergunta capciosa: "Você está no Tinder, seu adúltero?", ao que ele respondeu que era meio difícil, já que trata-se de um aplicativo, e nós estamos entre as seis pessoas do Brasil que não têm celular (cálculo conservador).
Silvio está muito mais bem-informado sobre o Tinder do que eu! Eu nem sabia que o Tinder era um aplicativo (melhor não entrar nos detalhes sobre eu mal saber que diabos é um aplicativo). O que eu sei é que esses dias mascus estavam planejando lançar um perfil meu no Tinder. Tipo, com meu nome, minhas fotos, e, de resto, nada a ver com a minha realidade. Bom, se aparecer alguma Lola ou Silvio no Tinder, vocês já sabem que não somos nós. Não poderíamos entrar nem se quiséssemos (ou é possível entrar sem ter celular? Ok, não importa!).
Mas apesar de eu ser completamente analfa nessas novidades tecnológicas tipo app e celular, já vi muitas mulheres reclamarem do comportamento de rapazes no Tinder. O que Nick fez (xingar uma mulher que parou de responder suas mensagens de "vadia") parece ser super comum. Outra reclamação da mulherada é a rapidez estonteante com que um sujeito desconhecido manda fotos de seu pênis (sem ninguém ter pedido, óbvio). Por favor, nos comentários deste post, me recordem dos outros empecilhos.
O pior mesmo é que eu vejo em fóruns mascus que quase todos esses misóginos fracassados estão no Tinder. Claro que eles não escrevem "Sou um mascu, odeio mulheres, chamo todas de vadias, inclusive minha mãe, e estou no Tinder pra tentar perder minha virgindade". Eles usam o que chamam de "máscara social" (ou seja, disfarçam a misoginia -- até que a moça pare de se comunicar com eles) e, pelo jeito, adotam nomes e fotos falsas, de modelos, pra ver se assim conseguem atrair alguém. Pelas seus relatos, mesmo com todos esses disfarces, poucas vezes têm algum sucesso, mas imagina o nojo que deve ser transar com um mascu? (sem falar que ter prazer sexual com um cara que não sabe da existência do clitóris deve ser uma missão impossível). 
E pode ser perigoso também sair com um mascu. Nas suas narrativas (certamente ficcionais), um relata para os outros como saiu com uma mulher que conheceu no Tinder, a estuprou e depois a deixou no meio de um beco abandonado à noite (como sempre diz uma leitora, as coisas que esses mascus fazem no The Sims...).
E então, mulheres, como vocês fazem pra filtrar esses energúmenos que, mesmo que nunca tenham tido a "oportunidade" de estuprar e abandonar uma mulher, fantasiam fazer isso? 
Acho louvável a promessa da vice-presidente da Tinder de varrer os porcos machistas pra longe da plataforma, mas não deve ser nada fácil conseguir essa façanha. O que vocês teriam a propor? Me contem!

59 comentários:

Anônimo disse...

"como sempre diz uma leitora, as coisas que esses mascus fazem no The Sims." hahahahaha euuuuuu


o problema de qualquer aplicativo, site etc de orientação mais pra heterossexual pra encontros é que a grande maioria dos usuários é homem. Então o assédio em cima das poucas mulheres é brutal mesmo, o que faz tais aplicativos perderem receita e até apelarem para bots, como no caso daquele site que promovia infidelidade, esqueci o nome

em um serviço que não é mais 100% gratuito, promover um ambiente melhor para as mulheres representa ganhos reais.

Anônimo disse...

Daqui a pouco o Tinder vai colocar travestis como mulher, sem avisar é claro

titia disse...

UHUUUUUUU a machistada dançou! *estourando o champanhe e jogando confetes*

Anônimo disse...

E essa mulher que nem conheço mas já AMOOOOOO!!!!

Anônimo disse...

Eitaaaaaaaaaaa... AMEI!!!

Anônimo disse...

Oque são bots?

Fabianaaaa disse...

Acho que a melhor forma de filtrar pessoas indesejadas é fazendo o obvio: olhe para a pessoa e se você tiver 100% interessada nela, vá em frente; se não, pra que se importar com uma pessoa que você nem tem tanto interesse assim? É melhor 8 ou 80 do que metade disso. Só acho, ou melhor, tenho certeza. Pq mesmo se vc quebrar a cara pelo menos vai ter sido pq vc achou que valeria a pena, e não pq resolveu interagir pq não tinha ninguém melhor.

Anônimo disse...

(TALITA)

Não sei se a informação procede, mas vi uma notícia de que agora existe uma espécie de tinder select, apenas para usuários vips selecionados pelo próprio app. Artistas e pessoas famosas em geral fazem parte dele, além de pessoas consideradas muito bonitas (recebem muitas curtidas e retribuem poucas). Então não: ninguém vai encontrar o brad pitt no tinder, ainda que ele baixe o app e esteja ao seu lado.

PS ainda rindo com "como sempre diz uma leitora, as coisas que esses mascus fazem no The Sims" hahahaha

Anônimo disse...

Só vai ter mulher no Tinder então hahahaha.

Anônimo disse...

"O que vocês teriam a propor? Me contem!"

Abandonem a heterossexualidade, todo homem e machista em algum grau eles não conseguem evitar, e o veneno da testosterona, e já passou da hora de não admitirmos machismo em grau algum.
Ou se permitam ao prazer entre mulheres ou gastem energia nos estudos em atividades físicas e cultura, não se relacionem afetivamente e sexualmente com homens. Ate porque qualquer uma concorda que sexo com homem não e grandes porcarias.

Anônimo disse...

hornet e grindr>>>>>>>>>>>>>>>>apps de éteros

Anônimo disse...

"O que vocês teriam a propor? Me contem!"

não se relacionar com homens, simples, não sei q pq ainda insistem

Anônimo disse...

Razões pelas quais a sociedade do The Sims é melhor do que a nossa:

1. Sexo é sempre consensual. Você não pode fazer Oba-Oba com alguém se eles não querem 100% fazer isso.

2. Você pode amar quem você quiser, mesmo sexo, sexo oposto, robôs, aliens, lobos, fantasmas, políticos, sem que ninguém te julgue por isso.

3. Homens e Mulheres são pagos igualmente pelo mesmo emprego. Direitos igualitários.

4. Atendimento de saúde grátis e de qualidade.

5. Leva menos de 1 minuto para a polícia e bombeiros chegarem até à sua casa depois que forem chamados.

6. Se uma criança é negligenciada ou abusada, uma assistente social automaticamente a encontra e a leva para longe daquele lugar infeliz.

7. Adotar uma criança é fácil e grátis. 98% dos Sims órfãos encontram um lar cheio de amor antes mesmo de chegarem à adolescência.

8. Racismo e preconceito não existe.

9. Universidades são de graça. Apenas a estadia no campus é cobrada.

10. Tem o código Motherlode.

Laura Caixão disse...

"Oque são bots?

17 de março de 2017 18:52"

olarrr

bots = chatbots. 99% das vezes que nos comunicamos com uma empresa por canais de atendimento via chat, na verdade estamos falando com um bot (ganho a vida assim)


e eu lembrei o nome do site, era Ashley Madison

donadio disse...

Lola, concordo com tudo, mas o que o mascu em questão estava separando do verbo não era o sujeito, era um vocativo (ele ainda está gramaticalmente errado, porque, ei, todo mundo, vocativo requer vírgula antes e depois, e não só depois).

donadio disse...

Mas, falando sério, não vejo como uma rede de relacionamento possa fazer uma seleção prévia de seus usuários. Extirpar misóginos vai requerer que as vítimas de comportamentos misóginos denunciem comportamentos misóginos, caso a caso.

************

Bots (no caso, chatbots, existem bots para outras finalidades) são programas de computador que simulam pessoas nos bate-papos. Geralmente existem para fazer spam de propaganda, e não me parece provável que uma rede do tipo Tinder possa inventar bots para se passarem por mulheres. Teriam de ser bots excepcionalmente sofisticados, e me parece que o custo/benefício não compensa.

************

Também não acho que o Tinder, ou qualquer outra rede social, vá "colocar travestis para fingirem de mulheres". Não faz o menor sentido, na medida em que, 1) não faltam travestis (e até homens que se fazem de mulheres online, mesmo não sendo travestis offline) para fazer isso espontaneamente; e, 2) o objetivo da empresa é ter lucro, o que vai acontecer melhor se os usuários tiverem experiências positivas, e não surpresas desagradáveis.

Anônimo disse...

Supresas desagradáveis pq? Se o travesti de considera mulher então ele é mulher,como qualquer outra, seu misógino reaça

Anônimo disse...

Hahahahahahahahaha briga de espadas! Briga de espadas!! Briga de espadas!!!

Anônimo disse...

Amei a carta dela \o/

Anônimo disse...

"Bots (no caso, chatbots, existem bots para outras finalidades) são programas de computador que simulam pessoas nos bate-papos. Geralmente existem para fazer spam de propaganda, e não me parece provável que uma rede do tipo Tinder possa inventar bots para se passarem por mulheres. Teriam de ser bots excepcionalmente sofisticados, e me parece que o custo/benefício não compensa."

muitooooo longe disso Donadio. Já foi bem tosco, hj em dia tem até ferramenta online pra quem não manja de programação pra diversas coisas (Facebook Messenger, chatbot de Telegram etc).

suporte de webhosting, a grande maioria é chatbot e tem usuário que nem repara, agradece, elogia, fala que nunca viu ninguém tão bem educado e paciente kkkkkkkkkkkk

o bot do site de infidelidade p.ex. basicamente servia pra puxar conversa, tipo "oi, e aí, quer conversar, me manda uma foto, de onde você é", coisa pra engajar o usuário, ninguém filosofava sobre a vida não mas se você não quer nunca mais dormir bem à noite googla aí "Two Google Homes Arguing" e tenta achar algum feed da conversa deles.

como a gente tende a humanizar a coisa (skynet feelings), assusta mais mas são os usuários que alimentam o sistema

chatbot não é nada de outro mundo mesmo

Anônimo disse...

a propósito, googlei 5 minutinhos e

https://motherboard.vice.com/en_us/article/tinder-bots-next-door

reportagem de 2015, imagina como q tá agora

não manjo dessas coisas pq só fico no the sims mesmo kkkkk

Anônimo disse...

genial kkkkkkkkkkkkk


"Razões pelas quais a sociedade do The Sims é melhor do que a nossa:

6. Se uma criança é negligenciada ou abusada, uma assistente social automaticamente a encontra e a leva para longe daquele lugar infeliz."


inclusive heroicamente atravessando paredes se necessário

mas a melhor coisa do the sims sempre foi e sempre será tirar a escadinha da piscina

donadio disse...

Anon das 17:03, pode ser.

Mas tem uma coisa que o chatbot não vai conseguir fazer, que é comparecer a um encontro marcado com o usuário. E se tudo que o usuário puder obter do site de encontros forem desculpas esfarrapadas para não marcar encontros, sumiços inexplicados, e furadas em encontros marcados, a tendência vai ser o usuário começar a considerar o site de encontros pura perda de tempo e dinheiro.

donadio disse...

"Supresas desagradáveis pq?"

Pode não ser uma surpresa desagradável para você, mas te garanto que, para a grande maioria dos homens heterossexuais e das mulheres lésbicas, é sim uma surpresa desagradável.

"Se o travesti de considera mulher então ele é mulher"

É mesmo? E quantos travestis se consideram mulheres? Ainda não ouvi um dizer, nem li um escrever, que são mulheres.

"como qualquer outra"

Bom, não. Um travesti que omite o "pequeno detalhe" que tem entre as pernas para conseguir um encontro não é uma mulher como "qualquer outra"; no mínimo, é uma mulher desonesta, que mente para constranger as pessoas.

"seu misógino"

Misógino por quê? Desde quando a gente tem de aceitar fantasia como se fosse realidade para não ser misógino?

"reaça"

Muito cute, fascista de internet caçando "contradição" no discurso de esquerda, e acusando esquerdistas com uma longa história de luta contra a reação, a direita, a ditadura, o neoliberalismo, de serem "reaças" porque não se encaixam no estereótipo que a fascistaiada monta para enquadrar a esquerda. Não, não tem nada de reacionário em dizer que mulher é a fêmea humana, tal como socializada pelo patriarcado, o que exclui, evidentemente, os machos da espécie que sofrem de disforia de gênero - e mais ainda, os machos auto-erotizados, narcísicos. autoginecofílicos.

Anônimo disse...

"os machos auto-erotizados, narcísicos. autoginecofílicos"

não entendi essa parte, explica donadio

o q é um macho auto-erotizado, narcísico e autoginecofílico?

Anônimo disse...

O tinder fez exatamente o que necessário para não falir. Vamos raciocinar, as poucas mulheres que participam de redes de relacionamento são chamadas de vadias e ameaçadas de estupro, logo aos poucos essa quantidade vai diminuindo cada vez mais até que sobra uma rede de relacionamentos apenas com homens de maioria heterossexual que mesmo usando recursos como bots, não vai ter sexo no final do encontro.

Anônimo disse...

Donadio saindo do armário dos reacionários.
Gênero e o que vc é, não o que está no meio de suas pernas, se desconstrua
http://www.revistaforum.com.br/osentendidos/2017/01/14/por-que-os-homens-nao-amam-travestis/
http://blogueirasfeministas.com/2016/03/o-desconstruido-se-relacionaria-com-mulheres-trans/

donadio disse...

"Gênero e o que vc é, não o que está no meio de suas pernas"

Sim, gênero é uma construção social. Mas sexo é o que está no meio das pernas, e a construção social dos gêneros, muito obviamente, não é igual para ambos os sexos. Todo o peso da sociedade patriarcal é jogado em cima de tornar os machos da espécie homens, e as fêmeas mulheres. Portanto, o transexual FtM não é uma mulher - uma fêmea socializada pelo patriarcado, porque não foi construído para isso, assim como o transexual MtF não é um homem. Ele, ou ela, é um fracasso da socialização patriarcal, e, portanto, enquanto vivermos no patriarcado, vai ser necessariamente o foco da exclusão social mais violenta - vai ser aquele que não deveria existir.

É por isso que se assassinam as Dandaras da vida - porque, para o patriarcado, elas não deveriam existir.

donadio disse...

"o q é um macho auto-erotizado, narcísico e autoginecofílico?"

É o macho que se sente atraído sexualmente pela imagem de si mesmo como mulher.

Anônimo disse...



Reacionário é quem abraça a ideia que traços de personalidade ou sentimentos são mais do que traços de personalidade ou sentimentos e caracterizam/definem o gênero de alguém, quem abraça estereótipos de gênero criados pelo patriarcado. Reacionário é quem compra a ideia que gênero é uma questão individualizada de auto-identificação na tentativa de cobrir, ocultar, silenciar, solapar, destruir, substituir, a ideia feminista que gênero é um instrumento de opressão da dominação do macho sobre a fêmea.

Anônimo disse...

Estou sinceramente começando a gostar desse donadio.

Ninguém aguenta mais esses generistas delirados que tentam forçar a todo custo seus desejos e ficções misóginas, conservadoras, sobre "gênero" e "auto-identificação".

Cultuadores pós-modernos de "gênero", desistam! Seus devaneios absurdos de auto-identificação jamais serão incorporados amplamente pela sociedade, em larga escala. Vocês sempre serão no máximo um culto sectário de delirados com mania de ditadores, sonhando em calar todo mundo que não cede às suas chantagens, não concorda com as suas fantasias ridículas e não aceita as mentiras que vocês falam.

Anônimo disse...

A Regina Navarro fala uma coisa que acho bem real: A pessoa pode dizer que tem outro emprego, outra aparência, mora em outra cidade... Mas a personalidade é difícil disfarçar: o senso de humor, o respeito pela outra pessoa. Claro que enganos acontecem, mas existe uma filtragem natural pela conversa pra afastar gente muito diferente, ou que vc vai achar sem graça. Agora se alguém deliberadamente tenta dissimular esta características, ele teria que ser muito esperto , o que não parece ser o caso da maioria dos que escrevem nestes blogs misóginos.
E quanto a receber xingamentos, fotos não solitadas: sim, é um terrível desrespeito, deve ser denunciado, certíssima a carta. Mas, sinceramente, tendo o botão de bloquear, apagar e havendo uma maneira de não ter que ver o perfil nunca mais, acho que eu não perderia mais de 10 segundos pensando no assunto. Diferentemente da vida real, estas pessoas não vão ficar te seguindo, te pentelhando na balada, etc. Então acho que dá pra assumir como parte do risco, e um risco bem menor do que sair a noite, por exemplo. E o cara que é misógino no App também existe como misógino no mundo real, e pode estar em qualquer lugar. Só que no mundo real pode ser bem mais difícil "bloquear"... Isto tudo pra tentar responder sua pergunta, Lola: evitar misóginos nos Apps é igual evitá-los no mundo real, só que, na minha humilde opinião, mais fácil. Antes de ver ao vivo dá pra filtrar pela conversa, com risco quase 0, pois o pior que pode acontecer nesta fase é receber xingamentos virtuais de um desconhecido, ou um pênis virtual de desconhecido. E se isto acontecer, vc vai descobrir na privacidade da sua tela de celular, sem "passar vergonha" na frente de estranhos, a com a possibilidade de excluir a criatura da sua vida com um ou 2 cliques.

Anônimo disse...

"Infelizmente a sociedade pressupõe que homens que se relacionam com alguma de nós ou é bissexual ou é homossexual.
Mas nunca passa na cabeça das pessoas que eles podem SIM ser heterossexuais.
Lembrando que homossexual é um homem que sente atração física, sexual e romântica por outro homem e uma mulher que sente atração fisica, sexual e romântica por outra mulher.
Quando falamos em atração física não se está falando de órgão genital, não se resume a isso.
Mas sim das características psico-sociais.
Comportamento, atitudes, apresentação, como a pessoa se vê e se sente e como ela se apresenta esteticamente."


Sabe porque qualquer pessoa com um pingo de sanidade considera que homens "héteros" que sentem atração e se relacionam sexualmente com travestis são na verdade homo ou bissexuais? Porque sexualidade, como o próprio nome demonstra, diz respeito a SEXO, não diz respeito ao "gênero" imaginário que existe na mente de uma pessoa: não diz respeito a estereótipos, comprimento de cabelo, roupas, tipos de calçados, presença ou ausência de acessórios ou maquiagem, modificações corporais, etc. De fato, sexo não se resume apenas aos órgãos genitais: todas as células do corpo de uma pessoa possuem cromossomos sexuais e também um macho é incapaz de produzir óvulos e uma fêmea não produz esperma. Nada no mundo muda esses fatos. Lidem com isso.

Anônimo disse...

donadio confundiu tudo, FtM que não é homem e MtF que não é mulher.

transexualismo é um fenômeno patriarcal, ele é resultado da confusão e das mentiras patriarcais sobre o que é ser homem e o que é ser mulher, é por causa disso que homens delicados que gostam de se "embelezar" acham que são mulheres, que tem que "virar mulheres" para serem quem realmente são; assim como mulheres não delicadas que rejeitam a "feminilidade" podem acabar achando que não são mulheres, que são homens, que tem que "virar homens" para serem quem elas realmente são.

sem o patriarcado, sem os estereótipos e os papéis de gênero que ele criou, o transexualismo perde totalmente seu significado e deixa de existir.

Anônimo disse...

"Atração romântica é quando a gente olha pra uma pessoa e se imagina, namorando, casando, tendo filhos e ou uma família, viajando, assumindo pra todos que se está feliz com aquela pessoa.
Resumindo, tendo uma vida dita como normal.
E pra um homem é difícil imaginar tudo isso com a gente por conta da transfobia.
Se já é uma barra encarar tanta coisa, imagina pra um homem cis abrir mão de seus privilégios cisgêneros."

Engraçado que um homem abre mão de seus privilégios "cis" quando assume um relacionamento com travesti. Como se dá exatamente essa perda de privilégios? Passa por osmose? Se for só passa entre pessoas do sexo masculino, então. Porque as mulheres são todas "cis privilegiadas" que mantêm desde o nascimento seus "privilégios" de serem consideradas socialmente o segundo sexo pertencente aos homens, inferiores, menos capazes, que são obrigadas a se apresentarem como bibelôs decorativos, a apresentar a falta de qualidades que é chamada de "feminilidade", obrigadas aos serviços domésticos, forçadas à maternidade, à heterossexualidade...

Cadê a opção das mulheres "abrirem mãos" de seus "privilégios" de serem reconhecidas socialmente como posses dos homens, como inferiores, incapazes, fúteis, fracas, menos importantes, etc. etc. etc.

Vanda disse...

Não acredito em construção de gênero, não faz sentido. Como é que um homem trans por ex, se identifica com uma "construção" que ele não sofreu? Ninguém tratou ele como homem, mas ele se sente homem?!
As próprias pessoas trans são a prova de que isso não faz sentido. E é desonesto querer forçar a ideia de que é tudo construção só por ter gente que não se indentifica com o corpo que nasceu.
E fazem o mesmo com heterossexualidade e homossexualidade.

Anônimo disse...

Tá ocorrendo uma transfobia aqui de dar inveja a muitos reacionários

donadio disse...

"donadio confundiu tudo, FtM que não é homem e MtF que não é mulher."

É, confundi mesmo. M no caso é abreviatura de male, não de mulher. My bad. Mas é isso, um transexual MtF não é uma mulher por que não é a construção correta do ponto de vista do patriarcado.

donadio disse...

"Tá ocorrendo uma transfobia aqui de dar inveja a muitos reacionários"

Mas o que é transfobia?

Se "um travesti que se identifica como mulher é uma mulher como qualquer outra", então cadê a transexualidade? Como é que esse indivíduo é uma mulher como qualquer outra, sem diferenciação nenhuma, e ao mesmo tempo é uma mulher diferente, uma "mulher trans"?

Não dá para ao mesmo tempo negar a transexualidade e afirmá-la.

O que, naturalmente, é uma contradição central do transativismo: como simultaneamente reivindicar a condição de mulher e manter uma identidade separada, não-cis? Como ao mesmo tempo manter que a transexualidade é um não-fato, uma irrelevância, e fazer dela o tema central do movimento?

Anônimo disse...

Essas merdas realmente não tem sentido, nem a menor lógica na verdade e são totalmente auto-contraditórias. É a velha tática patriarcal de dominação mental, silenciamento de posições divergentes e imposição de comportamento de rebanho. O objetivo deles é esse, criar um monte de mindfucks bem fodidos mesmo e se você compra significa que caiu nas chantagens e eles podem abusar a vontade e inventar os maiores absurdos que vai ter alguém defendendo e elogiando, aplaudindo a nova roupa do imperador.

Anônimo disse...

A partir do ponto de vista feminista, o transgenerismo é apenas uma maneira pela qual o “gênero” machuca as pessoas e sociedades. O transgenerismo depende, para sua própria existência, da ideia de que há uma “essência” de gênero, uma psicologia e um padrão de comportamento que são adequados para pessoas com corpos e identidades específicos. Esse é o contrário da visão feminista, a qual afirma que a ideia de gênero é a fundação do sistema político de dominação masculina. “Gênero”, no pensamento patriarcal tradicional, designa àquelas com biologia feminina saias, saltos-altos e um amor pelo trabalho doméstico, e àqueles com biologia masculina, roupas confortáveis, empreendedorismo e iniciativa. Na prática do transgenerismo, o gênero tradicional é visto como tendo perdido seu senso de direção e acabando nas mentes e corpos de pessoas com partes do corpo inapropriadas, que precisam ser “corrigidas”. Mas, sem o “gênero”, o transgenerismo não poderia existir. De um ponto de vista feminista, crítico, quando direitos dos transgêneros são aceitos na lei e adotados por instituições, eles estabelecem ideias que são prejudiciais à equidade das mulheres e dão autoridade para noções ultrapassadas de diferenças essenciais entre os sexos. O transgenerismo é, de fato, agressivo, mas contra os direitos das mulheres, e não contra o sistema social opressivo.

Este livro é necessário agora, porque a prática de adultos e crianças transgêneros vem sendo normalizada nas culturas ocidentais, mas muito pouca crítica existe. Há evidência de um crescente criticismo da prática, tanto de dentro de uma nova onda de feminismo online, que está em desenvolvimento, como também de dentro da profissão médica, mas isso é enfrentado com considerável resistência por ativistas transgêneros. Críticos são rotulados como “transfóbicos”, sujeitos a campanhas de vilificação na Internet e, em alguns casos, há tentativas, por parte de ativistas transgêneros, de expulsar tais pessoas insubordinadas de seus empregos ou de ameaçar suas reputações. Ainda assim, o entendimento do transgenerismo está no auge e há evidência de um desejo de repensar as abordagens sobre a prática. Por exemplo, uma conferência foi organizada pelo Grupo de Interesse Especial de Gays e Lésbicas do Instituto Real de Psiquiatria, para 20 de maio de 2011, em Londres, intitulado “Transgenerismo: Hora da Mudança”, a qual poderia ter fornecido uma plataforma para vozes críticas. Infelizmente, ela foi cancelada por causa da pressão dos lobistas
trans.

Há tentativas de censurar todas as expressões de desacordo com a ideologia transgênero de viés masculino e de proibir plataformas de fala para aqueles vistos como heréticos. Essa campanha contra a liberdade de expressão é particularmente direcionada contra o florescimento de um movimento feminista radical online, que é incisivamente crítico do transgenerismo. Isso inclui feministas que operam sob seus próprios nomes e um número maior que usa pseudônimos, fortemente conscientes do forte assédio que elas enfrentariam, se suas identidades forem reveladas.

Uma indicação da campanha sendo feita contra críticas feministas por ativistas transgêneros é a maneira pela qual fui proibida de falar não só sobre esse assunto, mas também sobre qualquer assunto em absoluto. Eu fui desconvidada de uma grande conferência feminista, “Feminismo em Londres”, em novembro de 2011, a qual, subsequentemente, não aconteceu, para evitar ofender transgêneros. Fui banida de falar em uma conferência feminista, em julho de 2012, em Londres, a qual teve que acontecer em um local secreto, depois de uma campanha de vilificação por ativistas transgêneros. Mas, essa supressão do debate não pode continuar indefinidamente, já que há crescente interesse em mostrar a controvérsia mais publicamente.

Sheila Jeffreys, Gender Hurts - 2014.

Anônimo disse...

Gente, isso é muito triste! Dizer que uma mulher que não seja delicada, submissa, vaidosa e maternal é um homem preso em um corpo feminino (ou que um homem com essas características é uma mulher presa em um corpo masculino), é repetir um discurso arcaico em tom de inovação.

donadio disse...

Só para deixar claro: eu não acredito que o "transgenerismo" seja uma estratégia do patriarcado - até por que o "transgenerismo" tem algumas décadas de idade, e o patriarcado alguns milênios. Nem acredito que grupos de pressão "transgeneristas", por mais agressivos que sejam, tenham poder para silenciar quem quer que seja, feminista ou não.

Minha crítica é outra, fundamentada nas contradições que surgem quando se naturaliza o conceito de "gênero" (que para mim é, desde o momento em que se opta por fazer mau uso de um conceito - que é fundamentalmente um conceito gramatical - como um conceito intermediário entre o sexo biológico e os papéis (socio-antropológicos) sexuais. Não tem a ver com teorias da conspiração que afirmam que transexuais FtM são agentes do patriarcado para negar às mulheres seus espaços próprios; para mim isso é pura fantasia.

Mais: não acreditar que transexuais sejam "almas no corpo errado", que é um conceito evidentemente absurdo, não significa que eu acredite que transexuais de ambos os tipos não são fundamentalmente seres humanos, portadores de direitos e dignos da proteção do Estado contra crimes comuns ou de ódio. Direito, inclusive, a se vestirem e transformarem seus corpos como quiserem.

Anônimo disse...

estão fazendo isso com crianças, PORRA!

Anônimo disse...

Ninguém se importa com o que você acredita ou não, donadio. O feminismo não é sobre você.

Anônimo disse...

"Mas tem uma coisa que o chatbot não vai conseguir fazer, que é comparecer a um encontro marcado com o usuário. E se tudo que o usuário puder obter do site de encontros forem desculpas esfarrapadas para não marcar encontros, sumiços inexplicados, e furadas em encontros marcados, a tendência vai ser o usuário começar a considerar o site de encontros pura perda de tempo e dinheiro."

então, bem-vindo à internet!

donadio disse...

Acho que mais gente se importa com o que eu acredito do que você imagina...

Anônimo disse...

Chatbot no Tinder já é mais que realidade, uns são mais tosquinhos mas tem alguns bem sofisticados.


-----------
então, bem-vindo à internet!
-----------


Né? Rssss

Já saí dessa vida faz tempo mas tá cheio de gente (no sentido literal) pagando pra entrar.

Anônimo disse...

Eu respeito quem se acha homem, mulher, bicho, criança, porque tem de tudo. Desde que a pessoa não se envolva com coisas que vão prejudicar terceiros, a verdade é que isso não seria da conta de ninguém.

O que não entendo, dentro da ótica feminista, é como é possível conciliar que se reconheça o gênero como raiz da opressão e, ao mesmo tempo, reforçar essa mesma opressão aceitando que existe "coisa de homem" e "coisa de mulher", falar em cérebro masculino e feminino, acabar reduzindo a pessoa ao determinismo de gênero e na obrigatoriedade de uma certa aparência. Então não basta se sentir mulher, tem que colocar vestido, sapatinho, brinco, batom, andar igual menina, sentar igual menina, emulando todos esses comportamentos que não são naturais em ninguém, tudo coisa ensinada e aprendida. Vira uma caricatura de mulher, o que se espera que uma mulher seja e falho em ver a lógica desse reforço na opressão, ainda que se dê o nome de escolha.

Aceitar que tem gente que não se encaixa nesse modelo sexo biológico - gênero - expressão de gênero é ok e fato da vida, não é invenção, essas pessoas existem e merecem respeito. Mas quando você começa a chamar de mulher, acontecem coisas assim

http://www.nzherald.co.nz/sport/news/article.cfm?c_id=4&objectid=11821399

https://www.youtube.com/watch?v=PX3f3KnRvAk

http://murderpedia.org/male.H/h/hall-maddison.htm

E aí é difícil não ver problema.

Anônimo disse...

Concordo plenamente, 19:56.

Anônimo disse...

O que esse tal de Nick fez não é nada diferente do que muitos machistas fazem.

Alguns pelo menos têm a hombridade de descrever sua lista de "exigências" (assim, tem match quem quer). Mas o comportamento padrão do brasileiro padrão é exatamente ao do tal do Nick e também os nudes não solicitados.

Tá legal. O Tinder é um aplicativo de pegação. Tem gente que usou e tá namorando e até casando. Outros só estão dispostos a uma noite de pegação. Quem usa tem que estar pronto pra até dar match com alguém e o sujeito nem responder ao seu oi ou que a pessoa com quem você está conversando simplesmente resolveu investir em outro (s). Pessoas normais preterem e são preteridas e bola pra frente. Machistas com problema no ego é que acham que se uma fulana deu match com ele, tem a obrigação de dar sexo.

Maria Caladora disse...

Nossa,finalmente,está lindo o clima de confraternização entre Donadio e radfems,igualmente transfóbicos,e muito concordantes quando o assunto é transfobia,tão linda essa concordância né?

Pena que chegou alguém para acabaar com a farra do boi.

Pra começo de conversa,Donadio,de fato nenhuma travesti se identifica como mulher,pois elas são uma categoria a parte e não querem e nem são obrigadas a se reconhecerem como mulheres,nem como homens ;agora se uma mulher transgênero (favor não confudir com travesti ou mulher transexual) se identificar como mulher,isso é um problema e direito dela,não teu;principalmente aqui no Brasil,se ela já for operada e tiver em seus documentos a identificação de que é uma pessoa do sexo feminino,reconhecida pela própria justiça como tal.

O que uma trans escreve em seu perfil pessoal,seja em que site/aplicativo for, não da conta de ninguém,além da própria trans,TRADUZINDO,nenhuma pessoa trans deve satisfação alguma a qualquer pessoa cis sobre o penis que ela tem ou deixou de ter há quinze anos atrás;sendo o corpo da transgênero em questão,única e exclusivamente dela,nenhuma outra pessoa desse planeta tem o direito de questiona-la e muito menos fazer exigências sobre o porquê do genital dela ser assim ou assado,sobre o porquê dela ter olhos dessa ou daquela cor,sobre o porque de se ter esse peso e não aquele e sobre o porque de ter essa idade e não aquela,essas são características que entre muitas outras ditam quem uma pessoa é,mas isso não significa que essa pessoa tem que ficar explicando detalhes sobre elas ou dando satisfações sobre porquê ela é pessoa A ou B.


No mais,um homem dito hetero não quer conversar com uma trans durante quatro dias para apenas no quarto dia descobrir que ela é não e cis,e ficar assim com uma sensação de ser enganado?
Azar dele!
Pense na sensação de ser enganada de uma mulher que paquera com um homem durante dois meses,desenvolve uma pequena paixonite por ele e depois da primeira transa ele some?
Pense na sensação de ser enganada de uma mulher que após três anos de namoro descobre que estava namorando um traidor safado?
Pense na sensação de engano que se passa na cabeça de uma mulher que após trinta anos de casada descobre que foi enganada esse tempo todo por seu marido e suas várias amantes?

Não vejo ninguém extremamente preocupado que essas mulheres sejam enganadas,assim como não vejo nenhum homem hetero cisgenero admitindo nos "par perfeito" da vida que ja traiu todas as ex-namoradas,ou que ludibria moças ingênuas apenas para obter sexo delas,vejo inclusive homens casados fingindo de maneira descarada que são solteiros.
Portanto existem mentiras muito mais graves nesse mundo do que a simples omissão de um fato.

Maria caladora disse...

Aliás,como o mundo não gira em torno do penis de homem nenhum,NENHUMA pessoa transgênero deve dar detalhes ÍNTIMOS e extremamente PESSOAIS de sua história a um homem qualquer,que elas mal conhecem e não tem qualquer relevância pra elas; se um homem sente atração por uma transexual,isso é problema DELE e não dela,ele não esta em posição de fazer qualquer exigência somente porque gostou do que viu,nem a ela,nem a mulher nenhuma,inclusive as cisgeneros; o problema é da trans em questão somente quando ela se interessa por um homem e quer estabelecer algum tipo de conexão com ele,com os outros que se interessaram por ela ou curtiram fotos dela,bom,com esses ela não tem nada a ver,se a atração parte deles,problema deles,ela não tem nada a ver com isso,muito menos deva ela alguma explicação a um cara sem relevância.

O penis ou a vagina cirúrgica de uma transexual passa a ser problema de uma outra pessoa quando a transexual em questão,fica peladinha da silva num quarto e se dispõe a transar com essa pessoa,enquanto esse momento não chega, o genital da transgênero continuará a ser importância exclusiva pra ela e não para curiosos ou machos atraídos de plantão,ela não tem que estar sujeita a eles só porque ela existe,o mundo não é deles e ela não está aqui de favor,e sim por direito.


E Donadio,é desinteressante para homens heterossexuais e mulheres lésbicas existirem transgêneros no tinder?

Hahahhaha,como sabes? Você é lésbica por acaso?
Tem várias que ja ficaram/namoraram com travestis ou transexuais.E na boa,quem te fez porta-voz absoluto de todos os homens heterossexuais?

Por acaso eles todos são idênticos,unânimes,produzidos em série?
Todos tem exatamente os mesmos fetiches,mesma história e mesmas vivências?

Dizer que para todo homem hetero é problemático e impossível relacionar-se com uma mulher transgênero é o mesmo que dizer que impossível para todo homem branco relacionar-se com uma mulher negra.
Homens diferentes podem ter posicionamentos e visões muito diferentes,até porque pessoas são pessoas e não meros penis e vaginas ambulantes.

Você não está com o cérebro de todos os homens heteros pra saber em detalhes como todos os sentem-se diante de uma transexual,e a afirmação de que todo e qualquer homem hetero é repelido por uma transgênero é sim uma afronta a identidade de gênero dela,se para você transexuais não são mulheres,não significa que todos concordem.

Maria Caladora disse...

Quanto as radfems acho incrível elas quererem ter prioridade absoluta quando o debate é sobre transgeneridade,sendo todas elas cis e nunca tendo enfrentado a disforia de gênero na própria pele.
Será que o racismo também precisa ser debatido prioritariamente por pessoas brancas e deve ser ditado por pessoas brancas o que classifica-se ou não como racismo?

A própria negação da transfobia já é uma atitude transfóbica por si só,pois enquanto nega-se reconhecer o problema,transgêneros continuam em situação de fragilidade,sendo mal tratadas e sofrendo um monte de desvantagens que são não apenas ignoradas como naturalizadas por pessoas cisgeneros.

Alias,eu também tenho extrema dificuldade de entender como as radfems podem afirmar-se
anti-gênero,modernas,revolucionárias, e completamente desconstruídas ao mesmo que tempo em que se afirmam feministas.

Afinal,pra concordar que um gênero oprime diariamente o outro,é preciso acreditar que pessoas são sim separadas por gênero primeiro,também me pergunto como se faz pra negar a existência de gênero,apenas para logo em seguida se defender a ideia maniqueísta e simplista de que
"Mulheres são boas,omis são maus"

Se você faz distinção entre homem e mulher,SURPRISE, você acredita sim em gênero.
No mais como se faz pra dizer que não acredita-se em gênero,ao mesmo tempo em que se diz que mulheres transexuais são homens?

Se você não sabe o que é genero, então não teria como afirmar que uma transexual não é mulher.

Aliás é bem essa a violência do discurso radfem,tal como a sociedade; dita-se as transexuais que elas não sabem quem são,o que sentem,qual o espaço que ocupam no mundo e que elas,pessoas cisgeneras,iluminadas é quem podem lhes dizer quem são,como se identificar e o que fazer na vida,sendo que essas pessoas cisgeneros nunca tiveram um dia de disforia de gênero na vida,pra saber o sofrimento que este causa em pessoas transgêneros.
Em outras palavras,radfens e dondadios da vida acham que a visão extremamente cisgenerista e heterocentrista deles,de quem está de fora do problema,é a que deve constar como palavra final a respeito das transexualidades,como se soubessem muito sobre as vivências,sensações,experiências e noções de uma transexual,como se pudessem elucidar quem ela é, e explicar a vida pra elas,apenas porque sabem que elas nasceram com um penis e mais nada.

Maria caladora disse...

No mais,criticar tanto as transgêneros que representam menos de 0,5% da população e não tem representação política praticamente alguma por sustentarem estereótipos de gênero,enquanto elas só sustentam esses estereótipos porque vivem num mundo onde pessoas cisgeneros sustentam eles duas vezes mais,é no mínimo hipócrita.

Mais hipócrita ainda é criticar as trans por se enxergarem num espectro de feminidade/Masculinidade enquanto não se abre mão dos privilégios cis.

Sim,pois não vejo nenhuma radfem que se recuse a ver-se como mulher para dizer que não tem gênero,não vejo nenhuma radfem recusando-se a usar o banheiro feminino,a ter documentos que a identifiquem com uma pessoa do gênero feminino,não vejo nenhuma radfem se recusando a ser chamada de Juliana,de Natasha,de Gabriela...
Além do que,muito antes de existirem travestis e o conceito de transexualidade ja existiam os estereótipos de gênero,levados muito a sério por toda a população,transexuais nada mais são do que uma resposta a ele.

Aliás,resposta essa muito mais afrontosa que as radfem,pois as pessoas trans se recusam a agir conforme aquilo que é esperado desde nascença pelos demais,se recusam a atender expectativas alheais que eram mantidas sobre elas desde o dia do nascimento delas,se recusam a deixar que os outros ditem quem elas são a partir de seus genitais, o que devem fazer,como viver a vida e como ser a partir do sexo genético,elas são a prova que estereótipos de gênero não são absolutos e sexo não é coisa meramente biológica como afirmam os machistas, ao passo que radfens criticam o sistema,mas mantendo seus privilégios de pessoa cisgenero,ao passo que as transexuais se dispõem a serem odiadas por sua noção de gênero.

Trocando em miúdos,nenhuma radfem será odiada ou terá problema algum por pintar as unhas,deixar o cabelo crescer ou comprar uma saia,ninguém dará a mínima pra isso,já com uma transgênero o buraco é mais embaixo e cada ato desses representa uma conquista,pois ela será odiada e pode até perder contato com a família por coisas tão banais, questão de contexto,da mesma forma que para quase todas nós não é sacrifício algum
levantar-se e dar dez passos em dez segundos ou menos,mas para uma pessoa que esteve em uma cadeira de rodas nos últimos dois anos devido à alguma grave lesão e só agora começa a recuperar os movimentos,levantar-se e dar cinco passos em dois minutos sem cair pode ser uma coisa maravilhosa,representar uma vitória especial.

Muitas radfens podem dizer que estou plenamente equivocada e que elas não 'Perfomam a feminilidade' pois não usam batom,não usam saias,esmaltes,não são tipicamente "femininas" pois isso seria "agradar macho" e 'render-se ao patriarcado';mas isso não significa que elas estão destruindo gênero e causando uma tremenda revolução jamais vista,significa que elas estão apenas abandonando os signos de feminilidade para abraçar os signos de masculinidade (sim,pois nesse mundo patriarcal,rejeição a comportamentos tipificados como femininos, cabelos curtos,roupas largas,abstenção completa de maquiagem são encaradas como signos de masculinidade)
Ou seja,ainda estão movendo-se dentro de um espectro de
feminilidade/masculinidade imposto pela sociedade,sociedade essa que existe e nos dita quem somos ou o que faremos e não pode ser ignorada.

Maria Caladora disse...


Sim é claro que a transexualidade é causada pelo patriarcado,razão absoluta nisso,pois a transexualidade é causada pela DISFORIA DE GÊNERO,e como o próprio nome sugere,gênero é sim,em partes,uma invenção do patriarcado.

Isso não significa que transexuais estão perdidas ou não sabem quem são,afinal mulheres cis também aprendem a moldar a sua personalidade e noção de quem são no mundo e o que sentem com base em papéis de gênero e nem por isso estão loucas ou mentindo a respeito de suas identidades.

As coisas não precisam ser biológicas para serem reais, esse pensamento é pequeno,poucos aspectos de nossa vida humaana são puramente biológicos,cultura e sociedade tem sim muito peso nas circunstâncias de nossas vidas. Por exemplo as fronteiras no Brasil não são reais e nem por isso podemos achar que o Brasil é uma mentira,a própria língua portuguesa que tão bem compreendemos não é produto da biologia e sim da criatividade humana,nem por isso podemos dizer que a língua portuguesa é um engodo ou que estamos loucas por falar esse monte de palavras,defecar sentados no conforto de uma privada e em seguida apertar a descarga ao invés de usar o mato também não tem nada de biológico e não vejo ninguém quebrando suas privadas e dizendo que aquilo é contra a biologia e que sentem falta do mato;ou seja transexuais não precisam exclusivamente de um positivismo biológico pra saber quem são.

Sabe o que mais não existiria sem o patriarcado e nem por isso deixa de ser uma questão real e com consequências neurológicas?

Anorexia e bulimia,também são condições causadas com ajuda do patriarcado,que sem essa cultura gordofobica não existiriam,mas nem por isso são invenciones ou irreais, elas estão aí junto com o patriarcado.
Sabem o que mais tem influência não apenas da biologia,mas também da sociedade e vida cotidiana?
Depressão
Pois é,as pessoas não ficam angustiadas e apáticas,sem sensação de prazer,numa melancolia estranha apenas porque o cérebro não regula mais as emoções delas de maneira apropriada,mas também por que acontecimentos do dia-à-dia influenciam muito na maneira que nos sentimos e nos direcionam pra essa ou aquela emoção, inclusive alterando o funcionamento de nosso cérebro;com certeza vocês já devem ter ouvido falar de alguém que desenvolveu depressão como consequência de um adoecimento,ou da perda de um emprego,de uma demissão.

Maria Caladora disse...

O que mais não existiria sem o patriarcado e a cultura humana?

Nome e sobrenome das radfens,da Lola,dos mascus,das trans,do donadio ,o meu, o seu....

Afinal não somos Gabriela Ribeiro,Jéssica Prata,Luisa Nascimento.... do ponto de vista exclusivamente biológicos somos todos homo sapiens sapiens,nem por isso vejo pessoas rasgando suas identidades,seus documentos e dizendo que se recusam a serem chamadas pelo nome que não seja científico.

Portanto se existe um quê de falsidade e fantasia no fato de mulheres transexuais serem mulheres,essa fantasia também acontece e faz parte da vida das mulheres cisgeneros,que de baixo do mesmo patriarcado que as transexuais e inclusive influenciadas pelos mesmos símbolos de masculinidade/feminilidade também estão moldando e construindo suas personalidades em diversos aspectos artificiais e fantasiosos sustentados e inventados pela sociedade patriarcal; o que quero dizer é que ser homem ou mulher é uma fantasia para as pessoas transexuais,mas igualmente é fantasia também para as pessoas cisgeneros,mas a hipocrisia não permite a sociedade ver isso.


Inclusive é estranho ver toda uma ramificação de feministas lançarem mão de tanto determinismo biológico,e justificarem que homens são inerentemente maus e isso é pura culpa da testosterona e da biologia...
Quando sem biologia a vida e as ideias não existem,pois ideias são produzidas pelo cérebro e cérebro sem corpo também não existe,além do mais homens sempre produziram e produzirão quantidades masculinas de testosterona;ou seja,se a opressão do homem sobre a mulher é infindável e biológica,então isso faria do feminismo por si só uma causa perdida e despropositada,pois não se é capaz de eliminar por completo a biologia.

Além do que o mesmo determinismo biológico usado diariamente pra afirmar que mulheres trans não são mulheres por não possuirem ovários e aparelho genital feminino é também usado por homofóbicos pra dizer que o casamento lésbico não deveria existir,já que duas mulheres não se reproduzem,eles também afirmam categoricamente que interação sexual e afetiva entre mulheres não poderia existir já que dessa interação nunca haverá qualquer possibilidade de reprodução,e aí como isso deixa as radfens que afirmam ser necessário ser lésbica para ser verdadeiramente feminista e ao mesmo tempo amam usar determinismo biológico?

Se determinismo biológico como justificativa é válido,então estudos pseudocientíficos que justificam a violência do homem contra a mulher através de um viés simplista e biológico e que sugerem que o homem possa ter mais talento para certa área profissional por conta de seu cérebro,passam a ser válidos?

Maria caladora disse...

Gender hurts,Sheila Jeffreys?

Com certeza dói muito mais nas transexuais,do que nesta autora cisgenero que provavelmente nunca se aprofondou no conceito de disforia de gênero,nunca investigou a vida de uma travesti,nunca pesquisou como realmente se sentem as adolescentes transexuais, e que tem todo o privilégio cisgenero.

Dói nela e dói muito mais nas pessoas transgêneros que desde a infância são espezinhadas,ofendidas e censuradas por não cumprirem as expectativas que estão de acordo com os genitais delas, dói nela e dói muito mais em transexuais que tem que passar o resto da vida ouvindo que estão loucas,que não são quem elas são e que não sabem quem elas são,e que as imaculadas,iluminadas,ilibadas e maravilhosas pessoas cisgeneros é quem realmente sabem tudo sobre a história delas,sobre quem elas realmente são e deveriam ser nesse mundo apenas porque sabem o genital de nascença delas.

No mais, a fantástica Anonima 12:26 concluiu que se dizer para os homens trans que eles não precisam ser femininos pra serem mulheres,isso vai causar uma grande revolução na vida deles?

Minha nossa,que mulher tão perspicaz não? Como ninguém nunca pensou nisso antes?

Dizer isso pra um homem trans,vai fazer no máximo,ele sentir vontade de cuspir na cara dela e mandar ela...não vou nem dizer aonde.

Primeiro que ele já sabe isso instintivamente desde pequeno,segundo que transexualidade não é sobre se sentir feminina ou não, é sobre rejeição ao próprio corpo,sobre ódio,ódio a própria existência,ódio e revolta extrema muitas vezes ao simples fato de ter nascido.

É óbvio que uma mulher que não se enquadre na visão social do que é ser feminina não vai deixar de ser ver como mulher só por causa disso,até porque transexualidade não é uma percepção que vem exclusivamente de fora pra dentro,mas também de dentro pra fora.
Outra coisa,uma mulher que não se aceite como feminina e não seja vista como feminina,ainda é para todos os efeitos,uma mulher e não tem problema nenhum com isso,em ser vista como mulher e em estar num corpo feminino,mas ela não vai sentir vontade de ter um peitoral masculino,barba na cara,pregas vocais de padrão obviamente masculino,musculatura masculina,rosto identificável como masculino,cabelo no peito,porte masculino,tal qual um homem transexual pra quem essas questões importam muito,independentemente de quão 'feminino' ou não seja o comportamento dele.
Mas claro que quem nunca perdeu uma noite de sono com uma disforia de gênero não se atenta pra isso.

Maria Caladora disse...

Transexualidade causa mindfuck?

Hahaha,pra quem tem uma visão medíocre e extremamente cisgenerista pode até ser,mas na cabeça das transexuais não tem mindfuck algum,eelas sabem quem são,sabem que são mulheres independentemente das bobagens que digam as outras pessoas,sabem com certeza que mulheres são,independentemente de não serem reconhecidas como tal,independentemente de terem que remar contra a maré e terem que ouvir pep menos cinco mil vezes na vida que elas não são quem são,assim como os homens trans tem plena é incontestável convicção de que são homens e ninguém abala essa certeza.

O verdadeiro mindfuck é um grande bando de cisgeneros que nunca deram voz as pessoas transexuais e nunca se dispuseram a entender profundamente o assunto acharem que estão em posição de dizer a todos os transgêneros quem eles são,como devem se portar,o que devem vestir,os lugares que eles podem ou não estar e o que eles podem ou não acreditar com base única e exclusivamente na informação do genital que essas pessoas tinham em suas datas de nascimento,como se isso pudesse ditar a personalidade dessas pessoas.


Só pra constar pessoas cisgeneros embora estejam acostumadas a dominar e a não serem contestadas,jamais terão prioridade absoluta na hora de discursar sobre transgeneridade e disforia de gênero,essa discussão não cabe principalmente a elas.