quinta-feira, 7 de julho de 2016

"CRECHES NÃO ESTÃO RECEBENDO MAIS CRIANÇAS"

Carolina Unzelte é repórter da J. Press, agência do Jornalismo Júnior da ECA-USP. Ela fez esta excelente reportagem como parte de um especial sobre a greve que está ocorrendo na universidade. 
Ela escreveu esta reportagem sobre estudantes da USP que são mães. Como a pauta para que as universidades tenham creches é de todas as feministas, pedi licença a Carol para reproduzir o texto aqui. 

“Eu deveria acordar às seis pra sair às sete e chegar aqui sempre no horário. Levo ela pra creche, vou pra faculdade e tenho aula das oito ao meio-dia. Na hora do almoço, tenho iniciação científica. À tarde, mais aula; pego ela e chego às seis em casa. Limpo a casa, lavo a roupa, faço comida, dou comida, dou banho, ponho pra dormir, arrumo a malinha dela, estudo e faço os trabalhos da escola.” Essa é como, idealmente, deveria ser a rotina de Ivy Tasso, estudante do último ano de Medicina Veterinária e mãe de Alice, de cinco anos. Como se pode imaginar, nem tudo se cumpre: “Nunca dou conta certinho. A gente faz algumas coisas, deixa de fazer outras”, ela diz.
Dados recentes da Universidade de São Paulo indicam que cerca de 48% de seu corpo discente — incluindo graduação, mestrado e doutorado — seja composto de mulheres. Números parecidos se mostram entre os ingressantes: dentre as 11 mil matrículas feitas neste ano na USP, mulheres somam quase a metade. Por outro lado, não há contagem igual do número de mães uspianas, nem mesmo nos questionários da Fuvest, a partir dos quais se calculam outros dados socioeconômicos. Mas não é impossível que, nos quatro anos — ou mais — que dura grande parte dos cursos, uma grande quantidade das 36 mil uspianas engravide e acumule, além dos papéis de mulher e estudante, o da maternidade. “Todas nós, de certa forma, estamos sujeitas a ter um filho na graduação”, aponta Ivy.
Segundo ela, sem as creches, sua continuidade no curso seria difícil, uma vez que levar Alice às aulas é inviável. “Como eu ia levar ela pra laboratório, pra hospital? Vou levar ela no meio de uma cirurgia? Não tem como.” Além disso, a experiência de estar numa sala de aula durante oito horas seria complicada para ambas. “[Se] pra mim, já é insalubre, pra ela seria impensável”, afirma.
“Não tenho do que reclamar”
A Creche Central, à qual a estudante se refere, encontra-se na Cidade Universitária. Assim como a Creche e Pré-Escola Saúde, a Creche e Pré-Escola São Carlos, a Creche da Carochinha (em Ribeirão Preto) e a Creche Oeste, também no Butantã, ela é administrada pela Divisão de Creches da Superintendência de Assistência Social (SAS), órgão responsável pelos serviços de apoio à permanência estudantil na universidade. As cinco creches atendem a filhos de funcionários, de estudantes e de docentes, sendo inclusive centros de referência em educação infantil. “A gente vê a diferença de uma criança que é formada nessa creche e em outra. Até a questão de argumentação, de escolhas, de ter noção de coletividade”, Ivy conta. “As vivências que ela [Alice] tem lá dentro, as atividades lúdicas e de experimentação, a nutrição balanceada, não tenho do que reclamar.”
A visão de Ivy é compartilhada por Thaïs Chauvel, mestranda na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e mãe de Lorena, de três anos e meio. Desde que tinha um ano e três meses, sua filha está na creche. “Tenho muita confiança no trabalho deles”, Thaïs conta. A gravidez no segundo ano da graduação em Letras, “apesar de não ter sido planejada, foi desejada”, diz ela, que em momento algum parou de estudar. “Ela nasceu em janeiro e não tranquei a faculdade. Descobri que estava grávida em maio e fiz o segundo semestre normal. Quando as aulas voltaram, voltei junto.”
Naquela época, para prosseguir com o curso, a solução de Thaïs havia sido a ajuda recebida pelo pai de Lorena. “Era o tempo de uma aula, umas três horas longe dela. Ele sempre trabalhou e alterou o horário dele de entrada pra ajudar. Eu tinha que correr mesmo.” De qualquer modo, não era fácil conciliar maternidade e vida acadêmica. “Eu não dormia à noite para fazer trabalhos”, ela diz. “É impossível escrever e estudar com uma criança no seu colo.”
“Quando conto para professores de outros países sobre a creche, eles ficam impressionados. Inclusive mostrei a creche para um deles”, ela afirma. Sua rotina foi muito aliviada com a vaga da filha. Com esse apoio, a estudante chegou até mesmo a atuar como professora do Centro de Línguas da FFLCH — uma maneira de aumentar, também, seu orçamento. “Eu gostava muito de dar aulas”, conta. “Ficava totalmente focada no que estava fazendo, sem me preocupar tanto com a Lorena, como acontecia quando estava estudando.” Agora, apesar de ter ficado na lista de espera para bolsa no mestrado, com a renda vinda de aulas particulares, a creche continua sendo fundamental para que Thaïs persista na vida acadêmica.
As creches recebem crianças de quatro meses aos seis anos de idade, também sendo um campo de pesquisa e de formação de estudantes da área de educação. Fazendo parte da Política de Permanência e Formação Estudantil — que, segundo Anuário Estatístico de 2015, recebeu cerca de 4,4% do Orçamento Geral da Universidade —, esses centros de educação infantil existem há mais de trinta anos e receberam verba de aproximadamente 8 milhões de reais em 2014.
A entrada de crianças na cheche é feita após uma seleção de cunho socioeconômico e seguindo uma distribuição pré-determinada: 40% das vagas são para filhos de funcionários, a mesma porcentagem destina-se aos filhos de estudantes e, geralmente, os 20% restantes são de filhos de professores. Estima-se que, atualmente, cerca de 600 crianças sejam atendidas. Desde 2015, no entanto, novas vagas não têm sido abertas. A situação também se agravou quando foi feito o anúncio do fim das inscrições de atendimento: àquela altura — era fim de janeiro —, já não era mais possível procurar as creches das redes municipal e estadual para o ano letivo.
“Não estavam recebendo mais crianças”
“Foi uma injustiça muito grande justo na nossa vez isso ser podado, da forma como foi feito”, conta Gabriela Pereira, estudante de Ciências Sociais e mãe dos gêmeos Tauã e Aruã. “As crianças foram selecionadas e ninguém entrou. Foi um telefonema do reitor para a SAS: pronto, não vai mais entrar criança.”
Atualmente, calcula-se que existam pelo menos 117 vagas ociosas entre as creches. A justificativa para a suspensão foi o Programa de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV), que visaria a conter a crise orçamentária da universidade. Por esse programa, desligaram-se 1.472 de seus funcionários. A Comissão de Mobilização das Creches da USP, que conta com pais, professores e funcionários das unidades de educação infantil, vem lutando conta a precarização e pela abertura de vagas, promovendo eventos que incluem cirandas, passeatas com as crianças, aulas abertas e atos conjuntos com trabalhadores e estudantes, além de rodas de conversa.
“Fomos pegos de surpresa. Quando ingressamos, no Manual dos Calouros constava que haveria creche para filhos dos alunos. Eu falo no plural porque tem uma amiga minha na mesma situação”, aponta Gabriela. Além do acesso às creches, as uspianas que engravidam têm direitos excepcionais assegurados pela Lei nº 6.202, de 17 de abril de 1975, que lhes garante a possibilidade de desempenhar atividades acadêmicas, a partir do oitavo mês de gestação, em suas próprias casas. As mães ainda são dispensadas das aulas por três meses após o nascimento do(s) filho(s), período que pode ser prolongado com atestado médico.
Mas a falta de vagas ainda pesa. “A demanda da faculdade é muita e acabo ficando em desvantagem em relação aos alunos que não têm filhos ou alunos que têm filhos nas creches”, Gabriela conta. “Neste semestre, estou matriculada em três disciplinas; para duas estou conseguindo fazer as coisas, na outra eu não fiz nada.” Essa condição também põe a estudante em situações desagradáveis. Em conversas com professores, ela chega a chorar. “É humilhante você ter que se colocar nessa posição por falta de uma estrutura básica que antes existia”, completa.
“Eu não estou de braços cruzados, procuro alternativas”, diz Gabriela. Desde setembro do ano passado, Aruã e Tauã estão em primeiro e em segundo lugar na fila de espera para matrícula em creches públicas comuns. “Mas a média de espera é muito longa para o tamanho deles. Não tem vaga, não é fácil”, ela afirma. De qualquer maneira, a creche da Prefeitura não é a opção ideal: com os filhos dentro da USP, sua locomoção seria mais fácil. “Ter filhos é uma coisa que pode acontecer. Eu fiquei grávida e contava com esse apoio das creches.”
Para tentar contornar o impasse e evitar faltas, Gabriela chegou a levar os gêmeos à faculdade. “As pessoas foram bem solícitas, inclusive os professores”, afirma. “No entanto, algumas amigas minhas relataram dificuldades nesse sentido.” Apesar de frequente, mesmo com ela o bom tratamento não é unânime. “Acho que rola um preconceito por parte dos estudantes quando alguém está andando com as crianças pelos corredores dos institutos”, pontua. “Noto alguns olhares enviesados.”
Pryscilla Vaz, mestranda da Escola Politécnica e mãe de Catarina, de cinco meses, tem o mesmo problema de Gabriela. “Nas primeiras vezes que fui fazer o processo seletivo, eu já estava grávida”, ela lembra. “No caminho para a Poli, vi a Creche Central. E pensei — ‘nossa, isso vai ser uma mão na roda se eu conseguir vaga’.” Mas suas expectativas foram frustradas. “Cheguei a mandar email para lá perguntando como funcionava e nem recebi resposta”, conta. “Quando estava para começar as aulas, soube que não estavam recebendo mais crianças. Fiquei muito chateada.”
Para a filha frequentar as aulas, que ocorrem duas vezes por semana, a mãe de Pryscilla, que mora em Santos, vem para São Paulo cuidar da neta. “Vou fazendo as coisas conforme eu consigo. Sou aluna de dedicação exclusiva, então não trabalho”, diz a estudante. Dessa maneira, a possibilidade de uma creche particular é pequena. “A minha bolsa saiu agora e, por aqui onde eu moro, nem tem creche municipal. Por causa do valor, não tenho condições no momento.”
“Eu poderia me dedicar muito mais para o mestrado se eu tivesse um lugar de confiança pra deixá-la, que fosse próximo e pudesse amamentar quando necessário”, diz Pryscilla. “Ela precisa de cuidados o tempo todo, atenção e estímulos, uma série de necessidades”. Apesar das dificuldades, ela não pensa em desistir. “Eu tô vendo como vai ser, sem enxergar uma nova possibilidade por enquanto. Estou indo um dia de cada vez.” Gabriela pensa o mesmo. “Preciso me formar e ter uma boa colocação no mercado de trabalho porque tenho seres que dependem de mim”, afirma. “Mas, que é difícil, é.”
“Essa é uma luta de todas as mulheres”
A desvalorização dos papéis de mãe e dona de casa, que são acumulados além da função de estudante, também são um problema. “No documentário O Começo da Vida [filme brasileiro de Estela Renner produzido este ano], uma mulher diz que todo mundo considera que a mãe não faz nada. O trabalho dela é criar e educar um cidadão do futuro, ensinando a ter ética e responsabilidade”, fala Pryscilla. “E a sociedade considera que isso é nada. E que manter a casa limpa é nada. E fazer todas essas coisas é nada.” Gabriela concorda: “A cobrança não é por ser estudante. É por ser mulher. Sempre em cima de nós, mesmo aquelas que têm companheiro. Essa é uma luta de todas as mulheres.”
Ivy Tasso conta que, se não fossem os benefícios, “não teria nem começado” a graduação. “Foi decisivo o fato de ter a creche para que eu escolhesse por aqui, assim como ter o bandejão e a esperança de ter o CRUSP”, diz ela, que também foi aprovada na UNESP, mas não conseguiu um apartamento. A moradia estudantil disponibilizada para as mães, desde o final da década de 1980, se resume a doze apartamentos adequados para se morar com crianças, no térreo do bloco A do CRUSP, na Cidade Universitária, conhecido como o “bloco das mães”. Composto por essas mulheres e apoiado pela SAS, o projeto Mãe Cruspiana é uma iniciativa que promove debates, palestras e oficinas para melhorar a qualidade de vida dos pequenos moradores. De qualquer modo, estima-se que mais de trinta crianças vivam no CRUSP em situação irregular — ou seja, em apartamentos que não são planejados para recebê-las. Enquanto isso, os blocos K e L são utilizados para atividades administrativas da reitoria.
Gabriela acredita que as creches deveriam ser encaradas de forma mais ampla. “Não é um favor que a USP está prestando. A creche funciona como um polo formador e de cultura e extensão da Faculdade de Educação (FE)”, ela diz. “Estão tratando a gente de uma forma que não era pra ser, porque aqui é uma universidade de educação renomada e, como tal, precisa também desse foco de extensão.” Em um âmbito maior, o fim das creches representa a elitização da Universidade de São Paulo, ao impossibilitar que estudantes sem condições de pagar por serviços privados conduzam sua vida acadêmica. “É uma sensação de impotência muito grande. Tudo isso é muito desestimulante”, retoma. “A intenção da universidade realmente é colocar pra fora as pessoas que, assim como eu, vêm de uma classe mais popular. Cortar a permanência é fechar a universidade para essas pessoas.”
Uma das possibilidades especuladas para explicar a não abertura de vagas nas creches da USP é a de os planos da reitoria incluírem a municipalização das escolas de educação infantil, desvinculando-as da universidade e passando-as para a administração do governo municipal. “Durante as greves, é bem complicado ficar sem as creches”, diz Ivy Tasso. “Mas a gente sabe que é por uma boa causa, porque perder uma creche modelo dessa é inestimável.” Outra especulação é  que essa medida seria um prenúncio ainda mais sombrio: o fechamento das creches em definitivo. No entanto, procurada pela reportagem, a SAS não respondeu às questões levantadas.
ATUALIZAÇÃO: no dia 03/07/2016, em resposta à reportagem, a SAS, via assessoria de imprensa da USP, não esclareceu os motivos para o não recebimento de novas crianças, mas ressaltou que garante auxílio-creche para funcionários e professores no valor de R$ 596,96 por dependente. Também afirmou não haver previsão para a abertura de vagas. Quando questionada sobre a possibilidade de fechamento/ municipalização das creches universitárias, respondeu que “não há previsão para o fechamento”.

49 comentários:

titia disse...

Uma tentativa podre e asquerosa de tirar não só pessoas humildes, mas também mulheres da universidade. É o backlash vindo com tudo. Que vai ser inútil vai, afinal nenhum backlash em toda a história da humanidade conseguiu parar as mudanças e esse não vai conseguir, nesse mundo só se caminha pra frente. Mas até lá como ficam as mães estudantes? Se ferram com um filho na mão? E a criança, vai ficar sem uma creche, um ambiente onde pode aprender, conviver com outras crianças, ter um desenvolvimento e amadurecimento bem diferentes do que ela teria trancada em casa só com a mãe? Quer dizer, danem-se as crianças também? Tô vendo o quanto os lixos reaças e direitistas se importam com a vida das crianças...

Anônimo disse...

Na minha opinião todos os filhos ten direito de serem cuidados e educados pelas mães e não por funcionárias mal-pagas de creche. Isso pelo menos até chegarem a idade de ir para escola.

Anônimo disse...

"todo governo muito liberal a de se tornar rapace" Maquiavel.
Pra quem não sabe rapace é ladrão.

Como pagar tanta despesa? Universidade é pra pagar professores e pessoal administrativo para formar profissionais, não pra cuidar de crianças. Se a mulher não tem como pagar uma creche particular ou obter uma vaga em uma pública que trabalhe em outro lugar e de a vaga pra quem não tem filho. A mulher tem todo direito de ter filhos, porém tem alguns ônus que serão cobrados desta condição. Antes que alguém fale de machismo, ressalto que o marido desta mulher deve cuidar dos filhos se ele estiver em casa, mas empresa pública ou privada não tem obrigação de cuidar de filho de ninguém; é caro e reflete no produto final. Esse liberalismo exacerbado está destruindo o país.

titia disse...

15:44 "Se a mulher não tem como pagar uma creche particular ou obter uma vaga em uma pública que trabalhe em outro lugar e de a vaga pra quem não tem filho." isso não faz sentido nenhum. O fato de que as mulheres engravidam não significa que elas não precisam mais estudar nem trabalhar. A creche é a garantia de que essas mães vão poder estudar e trabalhar tranquilas, sabendo que os filhos estão perto, sendo bem cuidados por quem entende de crianças e podendo amamentar ou deixar leite pros filhos. Exigir que mães não trabalhem nem estudem só vai precarizar ainda mais o mercado de trabalho e piorar a vida das famílias. Ou agora dinheiro dá em árvore?

14:40 e morrem de fome com a mãe em casa, já que se ela não trabalhar não tem comida? Já que a maioria dos "papais" não paga pensão e o que paga dá só uma miséria?

É incrível, não sei se esse povo quer exclusividade nas benesses, sem contribuir e sem dividi-las com ninguém feito criança mimada, ou se simplesmente tem a cabeça enterrada tão fundo na bunda que não sabe como o mundo real funciona fora dos delírios da utopia direitista.

Ou podem ser só mais dois machistas inúteis.

Anônimo disse...

Ai meu deus, acho que nisso também entra a questão do aborto. Algumas mulheres, geralmente universitárias, engravidam, e nisso não podem nem pensar na possibilidade de um aborto, e as que pensam, muitas vezes não abortam pq não podem pagar, pq será mal vista, enfim...
Reaças dizem que se engravidou tem que cuidar, mas e ai? Na hora de cuidar ninguém quer, ngm ajuda, a criança e a mãe ficam sem oportunidades, pqp, ridiculo isso.
O Estado exige que prossiga com a gravidez, que é uma vida, blablabla, mas eai? E depois?
Uma época ouvi falar de uma lei que obriga faculdade, empresas, que tenham uma creche, para as mães terem onde deixar seus filhos, mas to vendo que é uma utopia.
Desanimador vê esse tipo de coisa.

B. disse...

Gostaria de ver o comentário da Jane Doe sobre o post, ela que comenta tão bem quando o assunto é maternidade.

"A mãe"
"a mãe"

"tenho que cuidar da casa"

Sem querer, mesmo feministas introjetam a dupla jornada na cabeça. Vocês já viram, por acaso, um homem dizendo "hoje não vou sair, tenho que limpar a casa"?

Mila disse...

Concordo titia. As poucas vagas de creche, em atenção especial à creches perto das universidade, prejudicam muito as mães pobres. As mulheres estão lá para se qualificar, melhorar de vida, ter um emprego melhor, mas têm de desistir no meio do caminho por simplesmente não ter com quem deixar seus filhos. Mães solteiras se ferram duplamente pois ainda podem sofrer sanções tanto no trabalho ou no estudo.
Não querendo deslegitimar a luta, pois acredito, pelos motivos já citados, que elas constituem uma importante forma de continuidade da mãe no ensino superior; mas creio que também deve existir, paralelamente, uma luta para que os cuidados com as crianças sejam divididos com os pais também. Geralmente, até entre mulheres casadas, a responsabilidade "operacional" dos filhos (estadia enquanto os pais trabalham, atividades, médico etc) fica a cargo exclusivo da mãe. Infelizmente, a reivindicação por creches poderia ser ainda maior se os pais se unissem nessa luta, porém, ainda há um pensamento cultural que esses são problemas exclusivamente femininos.

Anônimo disse...

como eu já acho que as escolhas foram feitas de forma equivocada quando o Estado decidiu priorizar o ensino superior, quando na verdade deveria ter deixado isso a cargo da iniciativa privada, que o faria de forma infinitamente mais eficiente em especial no quesito desenvolvimento científico, fica difícil opinar em um texto assim.

É que as premissas para mim são muito distantes. Eu não acho que essas necessidades devam ser supridas pelo Estado, e confio que um modelo assim é possível porque em outros locais funciona. Mas isso é outro assunto e não precisamos entrar nele. Foquemos em nossa realidade.

Atualmente o corte de verbas é generalizado, em todas as esferas de poder, no âmbito da união, estados e municípios. O repasse para as universidades públicas estaduais reduziu nos últimos anos (só para falar destas que estamos falando no texto, porque a redução foi geral, incluindo as federais). Com menos dinheiro sobra menos para esse tipo de coisa, concordam? ainda que seja algo importante e prioritário.

Não é uma tentativa golpista machista coxinha racista homofóbica de tentar afastar a mulher do ensino superior, de minar o acesso pleno da mãe às universidades. É uma questão de grana mesmo. Falta de. Porque roubaram. Porque aplicaram mal. Porque nossos gestores são corruptos e incompetentes.

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Mas mesmo num cenário de políticos satisfatoriamente honestos/capacitados, continuo achando que nao é obrigação do estado proporcionar tudo.

Alícia

B. disse...

"mas creio que também deve existir, paralelamente, uma luta para que os cuidados com as crianças sejam divididos com os pais também. "

Taí uma verdade!

Também penso parecido quando partidos de esquerda, tipo PSTU (tá no jornalzinho deles) que o Estado devia oferecer lavanderias e restaurantes públicos para desonerar as mulheres da tarefa.
Além de ser "estado-babá" (como a Alicia expõe), tb não deixa de ser uma forma de tirar a responsabilidade dos homens da reta.

O Estado até pode ajudar, mas tem que ter divisão de tarefas, senão, nós, mulheres, sempre seremos sobrecarregadas.

B. disse...

Pergunta sincera para a Alicia: vc falou da iniciativa privada gerindo as universidades que hoje são públicas. Como ficaria essa questão das mulheres? (creche, por exemplo)? E o que vc acha das moradias estudantis?

Abraço.

Maria disse...

Hoje, estamos vivendo uma das maiores crises econômica do pais, não há dinheiro para bancar creche de filho de estudante. Não é obrigação da USP dar creche para filhos de alunos, se ela dava, era porque sobrava dinheiro. Acabou o dinheiro, acabou a mordomia. A creche era um benefício extra que a USP concedia aos alunos e não um direito dos alunos. Se não tem onde deixar o filho, tranque a faculdade, arrume um emprego e pague uma escolinha. Quando o filho crescer, volte a estudar. Ou procure uma creche pública. Os filhos são de responsabilidade dos pais e não da USP. Seguindo o raciocínio de direto das mulheres ao estudo, o próximo passo será reivindicar por asilos na USP, pois as mulheres que tem pais doentes também tem o direito de estudar.

As pessoas precisam parar de querer que o papai Estado dê tudo a elas. Sejam independentes, corram atrás de seus objetivos. Eduquem seus filhos para isso. Até parece que toda a sociedade é feita de crianças de 05 anos de idade que o papai Estado tem que dar tudo: educação, moradia, emprego, lazer, cultura. Ninguém quer correr atrás de nada. Ninguém quer produzir nada. Os poucos empreendedores desse pais, que realmente querem produzir algo e empregar pessoas, são massacrados com a alta carga tributária e direitos trabalhistas.

Anônimo disse...

Machista são pessoas fora da realidade. Eles acham que toda mulher que para de trabalhar tem um homem pra sustentar...

Anônimo disse...

A mulher também tem um pouco de culpa nisso, primeiro tem filho sem planejar por causa de um namorado babaca que não queria usar camisinha(ser submissa não tem nada de bom né) alem disso a idiota cuida do filho sozinha porque logicamente o namoradinho vaza ou seja se as mulheres pararem de namorar homens idiota nosso brasil estaria muito melhor.

donadio disse...

"todo governo muito liberal [há] de se tornar rapace" Maquiavel.

A citação correta é a seguinte:

Assim, pois, é mais prudente ter fama de miserável, o que acarretará má fama sem ódio, do que, para conseguir a fama de liberal, ser obrigado a incorrer também na de rapace, o que constitui uma infâmia odiosa.

Como se vê, para Maquiavel - como aliás para todo mundo nos séculos XV e XVI - "liberal" não é uma posição política, é só o oposto de avarento.

Anônimo disse...

Lembrando que a responsabilidade de cuidar do filho deve(ria) ser do pai tbm e não somente da mãe.

Anônimo disse...

O ensino "superior" foi priorizado porque todo analfabeto funcional, no caso o Lula, acha que fazer faculdade faz uma pessoa vencer na vida, quando todos sabem que o curso técnico é muito mais importante para se viver bem, desde, é claro, que se queira trabalhar, coisa que esse torneiro mecânico nunca quis, tanto que deu no deu.

donadio disse...

"primeiro tem filho sem planejar por causa de um namorado babaca"

Mulher casada também tem filho, sabia?

Anônimo disse...

Greve de filhos, minha gente.
E de casamentos.
Que esses homens não tenham como se propagar.

Anônimo disse...

Creche é direito da criança, não da mãe, seus bostas.
A criança tem direito a dignidade e ao mínimo de subsistência.
Se a sociedade não dá conta desse mínimo, pra quê ela existe?!
Depois dizem que o nome disso é civilização.
Vão se fuder!

Anônimo disse...

Treze anos da esquerda no Governo, por meio de seu mais lídimo representante, o Phetê, e o que fizeram de concreto quanto às creches nas Universidades Federais? NADA!

Anônimo disse...

Donadio, era uma paráfrase e obrigado pela correção do verbo haver. O cerne da questão é que não é possível dar muito sem roubar, tanto que nesta mesma passagem o Maquiavel cita o Júlio Cesar como um grande liberal, porem ressalva que este se servia dos inúmeros botins conquistados nas guerras com outras nações.

Anônimo disse...

Mulher casada também tem filho, não disse que não. Quero dizer que a maioria que ta na merda teve filho com um cara que vazou.

Anônimo disse...

Eu juro que tento, mas não consigo entender a cabeça das pessoas de esquerda.
Muitos delas, como a Lola, que embora sejam de esquerda são honestas.

Defendem um Estado balofo, lotado de funcionários bem pagos, que receberiam a metade do que ganham se fossem da iniciativa privada (lembro de um post da Lola em que ela defendia que um motorista privado que a transportou para alguma palestra deveria ser contratado pela Universidade Pública, pois "ganharia mais")e depois reclamam quando o dinheiro do Estado acaba e serviços públicos têm que ser diminuídos ou cortados...

Ora, a culpa do Estado ineficiente (e corrupto) é da própria esquerda e desse tipo de pensamento. Como disse no início, juro que não entendo...

Anônimo disse...

"A mulher também tem um pouco de culpa nisso, primeiro tem filho sem planejar por causa de um namorado babaca que não queria usar camisinha(ser submissa não tem nada de bom né) alem disso a idiota cuida do filho sozinha porque logicamente o namoradinho vaza ou seja se as mulheres pararem de namorar homens idiota nosso brasil estaria muito melhor. " Se as mulheres parassem de namorar HOMENS praticamente toda a violência contra as mulheres acabaria. Homens são os maiores agressores e assassinos de mulheres. E mais, aborto pode sair muito mais barato do que ficar pagando mensalidade para os filhos, e gera menos problemas sociais no futuro.

Anônimo disse...

"primeiro tem filho sem planejar por causa de um namorado babaca" Se tivesse aborto, não existiria filho nenhum.

Anônimo disse...

"Greve de filhos, minha gente.
E de casamentos.
Que esses homens não tenham como se propagar." Total apoio. Sabe o que acontece quando as mães e mulheres que querem ser mães são maltratadas em um país? A natalidade cai. A mão-de-obra diminui. As contas do estado cresce. E todos que tentaram foder com as mulheres se fodem no final.

Anônimo disse...

Olha, Alícia, eu concordo que o congelamento da creche da USP reflete a crise econômica mais do que é uma manobra machista coxinha facista misógina com o objetivo primário de tirar as mulheres da faculdade, mwahahaha!
Mas não concordo que creche seja "benefício de um papai Estado que sustenta tudo". Garantir educação (e aqui estão inclusas as creches, que como disseram, é direito das crianças e não das mães), alimentação básica, saúde e segurança acessíveis a todos é a razão de ser do Estado. Garantir creche gratuita a todas as crianças não é bolsa-Marista, garantir alimentação básica não é bolsa-gourmet, garantir saúde não bolsa-cirurgia plástica. Não se deixem levar pela atual demagogia de que todo projeto de esquerda faz parte de uma terrível conspiração gramsciana para transformar o Brasil em um regime socialista.

Anônimo disse...

21:54 Sou a favor do aborto, mas não do jeito que você falou. As pessoas devem ser mais responsáveis.

Anônimo disse...

Me dá vontade de chorar quando leio algum (ou alguma, infelizmente) alienado falar "pra quê feminismo?" e me deparo com uma reportagem dessa. Cadê os pais dessas crianças exigindo a creche também? Cadê os pais preocupados de ter que parar de estudar ou trabalhar por conta de não ter creche? "Ah, mas eles pagam pensão!". Eles pagam um terço de qualquer merda que seja a renda comprovada. Se eles ganham um salário mínimo, a criança (a criança, não a mãe) recebe uns 260. Se eles ganham uma bolsa de 400, a criança recebe 130. Se eles tão desempregados ou dão um jeito de esconder a renda, a criança não recebe porra nenhuma. Isso se o bonito não sumir durante a gravidez pra tornar a prova da paternidade o mais difícil possível. Enquanto a mãe tem que se virar pra ter alguém que cuide da criança. No dia em que pensão parental tiver um valor mínimo fixo, começo a pensar que a guarda e a pensão são deveres um pouco mais equivalentes.
Tem alguém que disse que "ah, é só elas deixarem os estudos pra mais tarde e trabalharem". Meus amores, não tem vaga em creche pública. Se elas não tem onde deixar a criança enquanto estudam, vão ter onde deixar enquanto trabalham? "Só usar o salário pra pagar a creche". Flores, já viram quanto é mensalidade de uma creche particular integral? Nenhuma na minha cidade é menos de seiscentos reais. Além da comida e das fraldas de cada criança (que são os pais que devem fornecer, nenhuma creche aceita fralda de pano), o dinheiro que precisa desembolsar vai fácil além do salário mínimo. Parem de ser pró-parto e se lixar pra criança depois que ela nasce. Sem vaga suficiente em creche pública, não é só a mãe, a vadia burra que se não quisesse engravidar, não tivesse aberto as pernas, que vai passar necessidade; a criança que foi o embriãozinho lindo e sagrado "coraçãozinho batendo" também vai.

donadio disse...

"Treze anos da esquerda no Governo, por meio de seu mais lídimo representante, o Phetê, e o que fizeram de concreto quanto às creches nas Universidades Federais? NADA!"

Hm?

Das universidades federais, vinte têm creche; as que não têm, geralmente disponibilizam auxílio creche para seus estudantes que têm filho - tanto pais como mães.

Há até mesmo uma associação de creches de Universidades Federais, a ANUUFEI (http://primeirainfancia.org.br/encontro-da-anuufei-%E2%80%93-associacao-nacional-das-unidades-universitarias-federais-de-educacao-infantil-discute-implantacao-da-resolucao-cneceb-n%C2%BA1/)

Em 2011, o governo editou a Resolução 01/2011 do CNE, que regulamenta as creches das Universidades Federais (http://ndi.ufsc.br/files/2012/11/Resolu%C3%A7ao-n-1-10-03-2011.pdf)

donadio disse...

"O cerne da questão é que não é possível dar muito sem roubar"

É, o Maquiavel notoriamente não entendia nada de economia (ninguém, na verdade, entendia do assunto na época dele; isto é quase três séculos antes de Adam Smith, vamos lembrar, para não exigir das pessoas mais do que elas podiam dar).

Por isso, para ele, a economia era um jogo de soma zero; para que o príncipe possa dar a uns, precisa tirar de outros. Como sabemos hoje, as coisas não são assim. A economia cresce, há mais para ser distribuído, e o formato da distribuição tem efeitos sobre o crescimento ou estagnação da economia.

Anônimo disse...

21:47, pára de fazer espantalho de Estado gigante que tudo provê. Não é 75 reais por família, não é transporte, educação e saúde gratuitos que quebram a economia. Ninguém tá defendendo que todos possam comer caviar, ter bolsa de estudo na Suíça e andar de limusine. Mas que haja vaga pra todos em uma escola pública de qualidade, que o transporte seja eficiente, que ninguém morra de fome, de frio ou por causa de uma porcaria de uma diarréia. É necessário cortar gastos exagerados (não vejo como manter Ciências Sem Fronteiras enquanto tem criança fora da creche ou como apoiar cirurgia estética gratuita enquanto tem diabético morrendo por falta de remédio), mas educação, alimentação e saúde não. São. Luxos.

Anônimo disse...

Lola, se puder, faz um post sobre o "escola sem partido".

Anônimo disse...

A questão é que TODO homem é idiota.

Não tem jeito, ao primeiro aperto o homem DESERTA. Faz parte da natureza humana.

A mulher não pode depender de homem, porque não dá pra confiar em homem. O lindo e maravilhoso de hoje, é o babaca desertor de amanhã, e isso, infelizmente, não está escrito na testa de ninguém.

Estado e instituições são masculinas, por isso estão se lixando para qualquer questão feminina. Observem que, no que envolve mulheres, homens, estado e instituições só se mexem quando o assunto é prostituição/pornografia e sempre no sentido de defender interesses masculinos em detrimento de qualquer demanda feminina. Para questões femininas de fato, viram as costas sem pensar duas vezes.

E não há esquerda ou direita. Neste sentido, não há qualquer diferença.

A questão é que as sociedades, embora DEPENDAM fundamentalmente da mulher, já que é ela que dá a luz seres humanos, não está disposta a considerá-la em toda a sua particularidade feminina. É assim que a mulher está fundamentalmente sozinha ou cercada de outra mulheres. O homem é, quase sempre, um obstáculo.

Por isso, apenas mulheres poderão mudar o estado de coisas. É preciso maior organização e é preciso que o feminismo discuta a maternidade de forma mais coerente com a realidade feminina. Mulheres são mães e apenas mulheres poderão fazer algo pelas mulheres e suas crianças. Ainda que nem todas as mulheres desejem ser mães ou sejam mães, pensar a maternidade do ponto de vista feminino (e não masculino) é fundamental.

Se este país valoriza de fato a maternidade e a infância, garantir meios para que as mulheres possam cuidar de si e de seus filhos é fundamental. Infelizmente, contar com homens é fantasia que não encontra respaldo na realidade. Nem quando o homem permanece com a mulher ele contribui efetivamente no cuidado com a criança. A maior parte dos homens é um fracasso retumbante no papel reservado a ele pelo patriarcado, como provedor e como pai. Exemplos não faltam e independem de classe social.

Anônimo disse...

A mão que balança o berço é a mão que governa o mundo. A mulher ainda não entendeu o que isso implica. No dia em que a mulher olhar para si e para o mundo com um olhar feminino e não com o olhar masculino que é regra, neste dia, o patriarcado desaparece.

O olhar masculino ainda é prevalente. Mudemos isso. Esta mudança de olhar representará a morte definitiva do patriarcado.

Anônimo disse...

A sociedade depende totalmente do trabalho não remunerado feminino, tanto na criação de novos indivíduos, quanto no cuidado dos idosos, mas não quer saber dos indivíduos que fazem esses trabalhos. As mulheres, essas das quais todos dependemos, que se danem.

titia disse...

Pois é, Mila, os homens também deviam lutar afinal são os filhos e a mulher dele que se beneficiam da creche. Mas a maioria dos homens nesse país se lixa pra qualquer um que não seja ele mesmo, se lixa até pra própria mãe, quanto mais uma mulher (que quando é ex, na cabeça doentia do babaca, tem mais é que se ferrar mesmo por ter rejeitado seu precioso pênis) e pros próprios filhos.

Anônimo disse...

Donadio: então eu acho que o Adam Smith é outro que também não deveria ser citado neste caso porque se vivesse nos liberais dias atuais ele iria preferir ter as unhas arrancadas a que ver qualquer tipo de "investimento" liberal as classes menos favorecidas. Não se esqueça que a teoria do John Nash desbancou a dele simplesmente por provar que era possível se realizar uma negociação em que ambas as partes ganhassem (ganha-ganha), coisa que o Adam Smith nunca acreditou, e eu também não acredito, pois, se um ganha, outro tem que perder, ou pagar; questão de física.

Anônimo disse...

Entendam, homem não defende mulher. Pelo menos não a mulher em si mesma, enquanto indivíduo feminino. O homem defende seus interesses em relação à mulher (aka sexo), por isso tudo o que é "problema de mulher" não move o homem para nada, nem mesmo os problemas de mulher na seara sexual. Falar assim é um tanto rude, mas é a realidade. Esqueçam os homens. Mulheres cuidam de mulheres. É assim entre nossos parentes primatas não humanos. É assim entre nós, humanos. É a união feminina que neutraliza a força física masculina, sempre usada para oprimir, desde a aurora dos tempos.

Anônimo disse...

De uma certa forma, essa é uma pauta bem "feminista branca". Ao invés de lutarem por creches municipais de qualidade e de maior numero que acabariam atendendo todas as mulheres : universitárias ou não, existe uma concentração de esforços para lutar por creches para uma parcela já privilegiada das mulheres : branca e com acesso ao ensino superior.

Aninha disse...

"Anônimo Anônimo disse...
Eu juro que tento, mas não consigo entender a cabeça das pessoas de esquerda.
Muitos delas, como a Lola, que embora sejam de esquerda são honestas.

Defendem um Estado balofo, lotado de funcionários bem pagos, que receberiam a metade do que ganham se fossem da iniciativa privada (lembro de um post da Lola em que ela defendia que um motorista privado que a transportou para alguma palestra deveria ser contratado pela Universidade Pública, pois "ganharia mais")e depois reclamam quando o dinheiro do Estado acaba e serviços públicos têm que ser diminuídos ou cortados...

Ora, a culpa do Estado ineficiente (e corrupto) é da própria esquerda e desse tipo de pensamento. Como disse no início, juro que não entendo...

7 de julho de 2016 21:47"

Eu juro que não consigo entender como alguém pode achar errado uma pessoa "ganhar mais". Errado não é o Estado que paga salários "justos", errada é a iniciativa privada que nos explora. Enquanto a gente achar que o certo é pagar o mínimo possível pelo trabalho dos outros, a gente não sai do lugar.

Quanto às creches, lembro de um lindo comentário que li aqui de uma moça cuja avó trabalhava numa empresa muitas décadas atrás que oferecia creche de qualidade. Acredito que qualquer grande empresa (pública ou estatal) devia ter no seu orçamento creches. A gente precisa trabalhar/estudar e as crianças precisam ser cuidadas. Depender só da Prefeitura pode gerar um serviço ineficiente. Até do ponto de vista capitalista seria melhor assim: mães trabalhariam mais felizes e produtivamente tendo seus filhos por perto, seguros.

Anônimo disse...

Anônimo de 9:34, concordo quando diz que a pauta deve ser por mais creche em geral. Mas no caso das universitárias é importante creches perto das universidades. Imagine para a mãe que estuda à noite e só consegue uma vaga para o filho do outro lado da cidade?

Anônimo disse...

Vou reproduzir um comentário que achei absolutamente verdadeiro de um post anterior.

"Ninguém defende o aborto, decisão que só pode ser pessoal e intransferível.

O que se defende é a descriminalização ao aborto.

Defender o aborto seria defender que ele acontecesse e ninguém aqui faz isso.

Aliás, se tem gente que defende o aborto propriamente dito, é o homem diante de uma gestação que ELE não quer. Não só defende, como chantageia, ameaça, impõe.

Portanto, vamos debater seriamente, sem invencionices e manipulação.

E finalmente cesc de revela por inteiro. A misoginia exposta sem rodeios, em toda a sua crueza. Então mulher é "um meio"? E eu pensando que mulher fosse gente, fosse pessoa, fosse ser humano. Tolinha. Mulher é meio. Mulher é recipiente. Mulher é buraco. Mulher é saco de pancada. Século XXI e a mulher ainda não conseguiu ser vista com pessoa pelo homem. Brincadeira.

A natureza não escolheu nada. Natureza não escolhe, natureza não é um ser consciente, que planeja e executa.

E falamos da vida que importa enquanto está no ventre feminino. Assim que a esta vida é dada a luz, ela perde esse valor, do contrário não trataríamos crianças da forma como tratamos.

A mulher não importa. O "meio" não importa.

Depois tem quem acredite que a misoginia tem alguma chance de ser superada. Se não foi até hoje, jamais será. É a maldição feminina. Gestar, parir, amamentar, cuidar e acalentar, proteger e amar, relacionar-se afetivamente, investir recursos pessoais pesadíssimos na reprodução de um ser que a odiará e a desumanizará a partir da adolescência e por toda a vida adulta. É chocante. É assustador. É inacreditável.

A misoginia jamais será superada, pois faz parte da psique masculina. O homem não é misógino porque religiões são misóginas ou porque tradições são misóginas. O homem não é ensinado a ser misógino. O homem É misógino. Ocorre o inverso: religiões, tradições, mitos, piadas, xingamentos, filosofia, cultura são misóginos porque os homens são misóginos.

Sim todos sofremos. Todos que nascemos, sofremos.

Apesar disso, a gestação permanece um evento feminino. A criação dos filhos permanece um evento feminino do qual a mulher permite ao homem participar porque, tola, quer e busca a companhia masculina por mais que o homem não deseje a companhia feminina para além do sexo e dos cuidados pessoais (sim, homens querem ser cuidados por mulheres, embora não as tolere enquanto indivíduos humanizados).

Sofrimento faz parte da vida. E daí? No que isso muda o que se está discutindo aqui?

Quer preservar a vida futura? Valorize a maternidade, valorize a infância, valorize a criança, valorize a mãe, mas não de forma abstrata, maternidade concreta, infância concreta, criança concreta, mãe concreta. Não abstrações. Aí, quando isso acontecer, quando a misoginia for superada, poucas, raras mulheres escolherão interromper uma gestação. No mundo concreto, no mundo masculino, no mundo misógino, no mundo em que ser mulher tem valor negativo, no mundo em que mulher é "meio", no mundo em que mulher é "buraco", em que mulher é parte - peito, bunda, útero, boca (mas não voz), buceta, cu - nunca inteiro, nunca pessoa, nunca humana, no mundo real, mulheres, muitas, incontáveis, no mundo todo, precisarão recorrer ao abortamento, muitas vezes contra seus desejos, fazendo o que tem que ser feito, no momento em que tem que ser feito.

O mundo não é bonito e não foram as mulheres que o construiu assim, já que os valores são todos masculinos, a voz pública é masculina, o estado é masculino, as instituições são masculinas, o arbítrio (lei) é masculino, o ponto de vista é masculino.

Não, o mundo não é nada bonito. "

Anônimo disse...

Nem sempre mulheres cuidam de mulheres, algumas mulheres inclusive fazem de tudo para prejudicar outras. E até parece que a maioria das feministas respeitam outras espécies para falar dos primatas.

Anônimo disse...

a) Lendo alguns comentários vejo que escolhi o lado certo da luta.

b).Conservadores são hipócritas encaram a maternidade como punição a mulher

c) Abortar não pode mas após o nascimento a mãe que se exploda não vai ter creche se vire pare de estudar e trabalhar não é problema do Estado se uma criança vai passar fome.

c) Este país necessita investir na educação integral com artes e esportes as mulheres trabalham vamos encarar esta realizade

Anônimo disse...

Um grupo de mães, alunas universitárias da mesma instituição, cansou de brigar e tomou uma iniciativa inteligente. Se todas vivenciavam o mesmo problema, por que então não resolvê-lo coletivamente?

Todas tiraram o escorpiãozinho do bolso e contrataram duas cuidadoras que ficavam com as crianças na casa das avós de duas delas, alternadamente.

Sai barato pra todo mundo, os filhos não ficam nas mãos de estranhos e as mães ficam tranquilas.

Gente, se o Estado não dá, não dá pra ficar esperando. Já passou da hora da sociedade civil parar com isso de ficar de biquinho aberto e começar a se organizar por conta própria. Precisamos lutar pelos nossos direitos? Sim. Mas também precisamos aprender a resolver nossos próprios problemas de maneira prática e urgente, enquanto a benção governamental não vem (quando vem, se é que vem).


"De uma certa forma, essa é uma pauta bem "feminista branca". Ao invés de lutarem por creches municipais de qualidade e de maior numero que acabariam atendendo todas as mulheres : universitárias ou não, existe uma concentração de esforços para lutar por creches para uma parcela já privilegiada das mulheres : branca e com acesso ao ensino superior."

Não existe só mulher negra mãe na universidade. É para TODAS. Vamos parando com a Olimpíada da Opressão aí, jovem.

titia disse...

04:48 que país é esse onde quem ganha salário mínimo ou precisa viver de bolsa só precisa largar o complexo de Tio Patinhas pra ter o filho bem cuidado? Olhe aqui, colega, não tenho nada contra a segunda parte do seu comentário. Nada. É melhor mesmo que todos aprendam a se organizar e virar nos 30 enquanto lutam pelos seus direitos, afinal as mulheres precisam estudar e as crianças tem que ser cuidadas, e são todos os tipos de mulheres que precisam de creche não só as feministas brancas. Mas pelo amor de tudo que é mais sagrado pra você, pare de falar como se não conhecesse o custo de vida no Brasil. Pare de falar como se o salário mínimo desse pra qualquer outra coisa que não a sobrevivência. Pare de falar como se o mínimo aqui comprasse qualquer coisa além do mais básico. As pessoas nesse país ganham 880 reais ou menos pra sustentar uma casa inteira, precioso. Não fale dos sacrifícios financeiros que essas mulheres fazem (e que normalmente são imensos) como "tirar o escorpiãozinho do bolso" , como se todo mundo ganhasse 1400 reais por mês ou se mensalidade de creche só custasse 20 reais.

mariana. disse...

Não sei se já foi comentado aqui, mas vocês já avaliaram a possibilidade de impetrar um Mandado de Segurança contra o Reitor da USP e o dirigente (não sei se é esse o cargo) da SAS? Educação infantil é garantia fundamental de toda criança, já vi centenas de MS contra o Município (que é o ente público a quem a Constituição atribui essa responsabilidade) e a jurisprudência aqui do Paraná é muito pacífica em relação a isso, de que óbices orçamentários não constituem um motivo apto à lesão desse direito das crianças, sendo a matrícula delas ordenada pelo Juízo ainda liminarmente. Não sei como funcionam essas creches universitárias e nem como é a jurisprudência sobre isso aí em SP, mas acho que vale a pena buscar uma consultoria jurídica sobre isso, porque se não rolar para as creches da USP, ao menos é possível conseguir a matrícula em uma municipal... Procurem a Defensoria Pública, o MP, ou mesmo os núcleos de prática jurídica do curso de Direito e se informem sobre isso :)

Náy disse...

Na universidade onde estudo,UFG ,a creche não possui reserva de vagas para ninguém.As alunas tem que disputar as pouquíssimas vagas com toda a comunidade,o que faz com que muitas abandonem o curso por não terem com quem deixarem os filhos,ou frequentam as aulas e são hostilizadas.Eu mesma tranquei meu curso por um ano e meio quando a minha filha nasceu,pois não dava para assistir às aulas com ela.