sábado, 2 de agosto de 2014

GUEST POST: SUFOCANDO MINHAS VONTADES

Relato da G.:

Esses dias (na verdade, esses anos, talvez a vida toda) eu tenho me sentido muito confusa e infeliz. Não sei a quem pedir ajuda, mas vou tentar contar mais ou menos a minha história.
No começo da minha adolescência, a partir dos 11 anos, comecei a me perceber um pouco diferente das minhas amigas.
Todas elas se interessavam por meninos, usavam maquiagem pra ir à escola, gostavam de sair pra dançar nas matinês, esse tipo de coisa. Eu não saía pra esses lugares porque achava uma chatice, não gostava das músicas, mas também por ser muito tímida e não saber dançar. Não usava maquiagem, deixava o cabelo de qualquer jeito, não me depilava, enfim. Minhas amigas viviam me cobrando isso, falando que eu tinha que me arrumar mais e tal. Sobre os meninos, eu não me interessava muito por eles, e achava que esse negócio de “ficar” era meio idiota e sem sentido. Eu até tentei algumas vezes, mas não senti nada.
Aos 15 anos, mudei de escola e fiquei com um menino de outra turma. Eu nem o conhecia direito, mas simpatizava com ele, e quando ele me chamou pra ir no cinema, aceitei e ficamos. Ele era muito carinhoso comigo, então eu fui gostando dele aos poucos, mas ao mesmo tempo, achava aquilo um pouco forçado, parecia que ele estava representando um papel de “namorado perfeito” de filme. 
A gente mal se conhecia, e ele agia como se me amasse. Eu não sabia demonstrar muito carinho. Ele terminou comigo por causa disso, dizendo que estava carente e eu não estava suprindo isso! Fiquei muito magoada, como se eu nunca fosse namorar ninguém por ser “esquisita”.
Então eu decidi que ia transar com o primeiro que aparecesse. Eu acreditava piamente que sexo devia ser uma coisa muito prazerosa, já que é isso que nossa sociedade hiper sexualizada prega, e que pra sentir esse prazer eu não precisava esperar um namorado que gostasse de mim de verdade, já que isso nunca ia acontecer mesmo. 
Nessa época eu era uma típica adolescente rebelde, e vivia gritando aos quatro ventos que o amor não existe, que as pessoas têm mais é que transar só por prazer mesmo, e todo tipo de idiotices pseudo revolucionárias (eu me achava super moderna falando isso). Não acho que seja uma idiotice transar “só” por prazer, não é isso. Mas é uma idiotice dizer isso numa tentativa de se auto afirmar, quando se é uma pirralha virgem de 15 anos.
Aí aconteceram duas coisas realmente muito tristes. Primeiro, eu passei a ser julgada pelas pessoas por causa disso. Logo percebi e fiquei com a autoestima super baixa. Parecia que ninguém gostava de mim e todos me achavam uma vaca, escrota, infantil e carente. Segundo, fiquei com um menino muito escroto, que eu sabia que me achava uma idiota. E quando eu soube que ele queria ficar comigo, quis fazer jus ao meu discurso e à minha vontade de fazer sexo com qualquer um, independente de qualquer sentimento.
Ele me tratou muito mal. Pensei em desistir, mas já tinha dito que ia fazer, então achava que “não podia” fazer isso com ele. Tinha medo de parecer fresca, infantil. Ele ignorou meus sentimentos e me pressionou a continuar. Foi muito ruim. Inclusive minha mãe descobriu que isso aconteceu e me xingou muito, por eu ter transado com um cara aleatório.
Esse comportamento -- ficar com meninos extremamente escrotos, que não davam a mínima pra mim, que só ficavam comigo porque eu era “fácil” -- se repetiu várias vezes, durante muito tempo. Só parei quando, aos 18 anos, fiquei com um amigo meu. Esse meu amigo me enxergava do jeito que eu queria fingir que eu era, sexualmente livre, do tipo que transa por prazer sem culpa. Eu gostava dele. Ele era o estereótipo de menino que eu admirava, intelectual, rebelde, libertário. Mas aí a gente transou e não foi nada como ele imaginava, ele viu que eu era super tímida, que eu nem parecia estar gostando, e me perguntou o que era, quis saber o que estava acontecendo, por que eu tinha aceitado se eu não queria.
Eu não sabia explicar, eu simplesmente estava acostumada a fazer isso. Por alguma razão, eu me forçava a fazer isso. Ele foi o único que percebeu e se importou com o que eu sentia, e isso me deixou tão perturbada, que finalmente comecei a mudar e parei de me relacionar assim.
No meio dessa história, quando eu tinha uns 16-17 anos, comecei a ficar com meninas também. Aconteceu poucas vezes, porque eu conhecia poucas meninas lésbicas, e eu era muito tímida pra chegar em alguém (sempre foi fácil ficar com meninos, era só eu dizer que curtia sexo sem compromisso que chovia homem). Acho que não cheguei a me apaixonar de verdade por nenhuma delas, mas a primeira menina que eu fiquei mexeu comigo. Eu comecei a me perguntar se eu era lésbica, essas coisas.
Aí entrei na faculdade e finalmente comecei a ter amigos gays. Foram os melhores momentos da minha vida. Com esses amigos eu podia ser eu mesma, podia falar tudo que eu sentia sem medo, podia ter muita intimidade e carinho. Eram coisas que eu nunca tinha sentido antes. Descobri o feminismo, comecei a entender melhor algumas coisas da minha vida, a me sentir menos culpada. Foi maravilhoso. Tive duas namoradas, mas a gente nunca chegou a fazer sexo. Com elas eu sentia que podia dar tempo ao tempo, que podia falar não sem medo. Era tudo diferente, e eu também estava muito diferente.
Só que eu acabei largando a faculdade, entrei em crise, não sabia se era isso mesmo que eu queria. Resolvi fazer uma viagem, e passei um tempo numa comunidade. Cheguei a considerar a possibilidade de ficar morando lá, mas aconteceram algumas coisas bem desagradáveis.
Quando a gente pensa numa “comunidade alternativa” pode vir na cabeça uma coisa meio hippie. Mas lá o pessoal era monogâmico e heteronormativo. 
Pra falar o português claro, eles eram homofóbicos. E começaram a tentar me convencer de que eu tinha que me curar do meu “homossexualismo”, porque senão eu iria pro inferno. Sério, chegaram a me falar isso com essas palavras mesmo. E lá rola uma lavagem cerebral tão forte, mas tão forte, que eu comecei a acreditar um pouco. Começaram a tentar me convencer de que eu só gosto de mulher porque tenho trauma com homem, e eu comecei a considerar a possibilidade de ser verdade.
Sendo verdade ou não, eu saí de lá. Porque mesmo que eu tenha um trauma, mesmo que gostar de mulher seja uma escolha, uma escolha que eu fiz pra tentar não sofrer... acho que tenho o direito de fazer essa escolha, e não vou pro inferno por causa disso. Mas o pior é que eu comecei a me sentir culpada.
Às vezes acho que é o contrário, que eu me forcei a ficar com meninos contra a minha vontade e nunca gostei realmente disso. Às vezes acho que sou assexual, li vários textos sobre isso e me identifiquei muito. Os melhores relacionamentos da minha vida foram com amigos gays, porque não existia sexo! Pode parecer que é só um trauma, pelas histórias que eu contei, mas eu também fiquei com meninos legais, que eu gostava (depois daquele meu amigo que me fez cair a ficha) e mesmo assim eu não curtia, não tinha vontade.
Acho foda reduzir isso a um trauma, sabe? E às vezes, quando me vejo olhando pra um menino com interesse, eu me censuro, eu digo pra mim mesma “você nem gosta de homem, você sabe disso, já tentou o suficiente e sempre foi ruim, pára com isso!”. E aí penso que eu posso estar sufocando minhas vontades por medo de me frustrar. Parece que pra todos os lados que eu olho não há saída!


Meus comentários: Querida G., de modo geral, se você perguntar pras pessoas mais experientes do que elas mais se arrependem de terem feito, elas (eu inclusa), respondem que se arrependem mais do que deixaram de fazer do que do que fizeram de fato. Portanto, não deixe de experimentar e de realizar as suas vontades por medo de se frustrar. Mas preste atenção: realize as suas vontades. Não as vontades dos outros. Faça o que você quer, sem se forçar a fazer nada que você não queira.
E concordo contigo: não reduza o que você nem sabe que quer (ou não quer) a um trauma. Tente esquecer um pouco os rótulos, pelo menos por enquanto, e permita-se experimentar sem culpa, sem altas expectativas, sem enormes frustrações. Um só relacionamento (ou dez) não vai te definir nem concentrar todos os seus desejos. As pessoas mudam, têm fases. Você está numa época de descobertas. Então descubra-se, e não seja tão dura com você mesma.

26 comentários:

Anônimo disse...

A natureza faz o sexo com uma lógica bem simples (é só tocar ou ser tocada no lugar certo e sentir prazer) e mesmo assim algumas pessoas se confundem.

Anônimo disse...

Passei por isso recentemente com meu ex namorado, ele terminou comigo porque achava que eu não gostava dele, porque eu não demonstrava afeto, mas eu só era timida, nunca tinha namorado fiquei muito mal sofri muito com isso. Infelizmente esse é meu jeito e acho que nunca vou mudar, talvez eu nunca vou dar certo com ninguem.

Anônimo disse...

Esse post me descreveu, me identifiquei muito.

Anônimo disse...

OFF
Alguém tem mais informações sobre esse médico e os métodos dele?

http://pt.wikipedia.org/wiki/Abel_Parente

Expat Patronum disse...

É uma pena que as mulheres tímidas não tenham uma comunidade para aprender como demonstrar o carinho que sente pelo namorado.

Sorte que nós homens temos a Comunidade dos Pick Up Artists para esse e outros tipos de problemas.

Anônimo disse...

moça, você é aquariana? rs.
sou uma aquariana que ama gritar liberdade e revolução (inclusive nos relacionamentos). me identifiquei bastante com seu relato e acredito que algumas fases são importantes pra definir novos passos a serem dados pautados no que realmente vc gosta. boa caminhada!

haM disse...

Olá G tudo bem?

é engraçado pq logo no começo do seu relato eu pensei...umhhh provavelmente ela vá se descobrir homossexual.

Digo isso pq me identifiquei com o início do seu relato, é estranho quando ficamos mais velhas e vemos pessoas passando por coisas parecidas e sentindo as mesmas coisas, as mesmas dúvidas quanto à sexualidade, a mesma forma de se revoltar na adolescência por conta dos nossos questionamentos que ninguém próximo consegue ajudar ou entender.

Entretanto, parece que vc teve experiências homossexuais e mesmo assim não surgiu aquela luz (rs) - então talvez eu esteja errada.

Mas oq eu posso dizer é oq a Lola já disse: não se restrinja, não deixe de ficar com um cara pq "vc nem gosta de homem", a sexualidade humana é plural, vc pode ser bi ou assexuada mesmo. As vezes a gente sente que de todos os rótulos que existem nenhum se encaixa em nós não é mesmo? (em diversas situações, não só a orientação sexual); então não acho errado você experimentar - e sem se impor prazos como até os 30 anos eu tenho que saber oq eu quero; se impor prazos nunca funciona- .

A única coisa que não acho certo é tentar manter um relacionamento com quem vc já sabe que não gosta.Pq vc está perdendo o tempo de ambos; mas de resto, seja livre, experimente, tente não se prender a rótulos.

Sei que é fácil falar, mas sabe, com o tempo muitas coisas que eram tão confusas quando éramos mais jovens vão se tornando mais claras - ou não rsrs

p.S Meditação ajuda, acredite, eu não acreditava, mas realmente ajuda

Jac disse...

O que eu tenho a comentar sobre esse post:

http://jacdejour.tumblr.com/post/92247836146/ihaventfinishedyet

Que ninguém diga a palavra com B.

Anônimo disse...

Se envolve emocionalmente com as pessoas mesmo sem demonstrar, mas não sente necessidade/prazer em relação ao sexo. Não é nada anormal, sexualidade é algo muito particular. :)

Anônimo disse...

Olá Lola, vi que mencionou recentemente aquele blogueiro chato, mascu, de finanças, que ainda se diz pobretão (hahaha).

Apenas vim do futuro e revelo a vocês o triste fim do criador desse blog:

http://i.imgur.com/tBFX575.png
http://i.imgur.com/t72FHSh.png

Ass: Oráculo

Anônimo disse...

Lola, nada a ver com o post, mas se possível gostaria de saber sua opinião sobre esse ocorrido. Um monte de coletivos feministas se pronunciando contra um homem que tem um blog na revista Fórum que fala sobre minorias.

http://imprensafeminista.tumblr.com/post/93612517923/carta-de-repudio

Julia disse...

Nas comunidades de PUA só se aprende a ser babaca, fio.

Mila disse...

Lola, queria pedir uma coisinha: você pode corrigir a palavra "assexuada" e trocar por assexual? Eu sou assexual e acho sempre bom incentivar que o termo seja escrito da forma correta. Obrigada!

Anônimo disse...

Nessas horas, moça do guest post, a melhor coisa é sair das caixinhas classificatórias - OU expandir essas caixinhas de tal forma que você consiga caber dentro sem deixar suas particularidades de fora. O povo dos EUA que lida com gênero no Tumblr já me ensinaram várias coisas do tipo, e eles têm uma necessidade ENORME de classificar as coisas, mas são malucos o suficiente pra quererem ser abrangentes.

Por exemplo, eu faço sexo. E até gosto. Mas eu não olho pra homem na rua e penso "eu desejo esse corpo". As meninas da minha classe ficam no Tinder vendo os homens e me pedindo opinião - eu sempre fico sem saber o que dizer, porque pra mim nenhum deles é atraente. E aí? Eu gosto de sexo, mas pra mim isso tem muito pouco a ver com atração física. E agora? Que sou eu? Aí eu posso dizer que ou eu sou uma hetero hiper chata e meio frígida, com tendências a ser bi, mas que nunca fez nada com mulheres, ou uma greysexual ou demisexual, que basicamente consiste em "eu gosto de sexo mas só sob determinadas condições específicas". Vamos pensar se a gente quer ampliar a caixinha ou se livrar dela. Combinado?

Expat Patronum disse...

@Julia

"Nas comunidades de PUA só se aprende a ser babaca, fio."

Nas comunidades de PUA homens tímidos dão seus primeiros passos para fora de sua zona de conforto social e sexual com o auxilio e apoio de seus pares, fia.

lola aronovich disse...

Anon das 00:32, vulgo Oráculo, vcs são muito fraquinhos. Sério. Vcs já leram alguma manchete de jornal alguma vez na vida? Vcs acham mesmo que algum jornal faria uma manchete como "Jovem paulistano se suicida na noite de ontem"? Primeiro que não descreveriam um cara de quase 30 anos como jovem. Segundo que "paulistano"... Quem escreveria isso, a Folha de SP? O Estadão, ambos jornais de SP? Terceiro que suicídios não são tão incomuns. Felizmente, tampouco são muito comuns (a última estatística que vi é que 6 em cada 1000 brasileiros se suicidam), mas duvido muito que o suicídio de um anônimo sairia no jornal.


Anon das 1:12, acho a carta um grande equívoco. Escrever (ainda mais de graça!) na internet não tira espaço de ninguém. E individualizar a questão soa como perseguição pessoal.

Anônimo disse...

O_O

Não precisava dar uma sapatada, Lola. Ok... ok

Ass: Oráculo

Anônimo disse...

Pua é lixo.
Até os mascus sabem disso.

Anônimo disse...

Mascu sair no jornal?
Só se for depois de serem presos por perseguirem mães solteiras na rua...

Anônimo disse...

Queria um post sobre assexualidade. ):

Anônimo disse...

Pua basicamente é um manualzinho pra pegar mulher e só. Uma capricho masculina. Meu amigo participa dos fóruns Pua's, passou a ficar com várias mas se sente o mesmo fracassado de sempre.

Anônimo disse...

Querida G. eu também não gozo. quem sabe no seu quarto com as mãos (sem ninguém) vc possa entender se é assexuada mesmo. Eu não me considero assexuada, só reprimida mesmo. Meu clítoris aumenta de tamanho e às vezes vem um volume intenso de líquidos saindo da minha vagina. rs Não estou escrevendo isso pra ser excitante ou rebelde, mas só pq acho que a falta de prazer muitas vezes vem da falta de informação. E mais: acho que senti um preconceito no seu texto quanto ao sexo casual. Ele nem sempre é com a gente fria e parada, pode ser bem legal. Bem, talvez vc não goze, como eu, mas seu clítoris pode crescer e vc ficar realmente aberta para o sexo, if you know what I mean. Ou talvez você seja lésbica. Ou bissexual (como eu). Eu já vi várias estatísticas que dizem que mulher não goza. já li dizerem que 30% das mulheres não gozam, como também que 90% delas não gozam. pena que não tenho os links pra te mandar. Mas assim, pra saber se vc é lésbica, bi ou hétero vc pode no vazio do seu quarto procurar quais as imagens que são mais fáceis de evocar quando se é pra pensar em prazer sexual. acho que isso ajuda...

Expat Patronum disse...

anon 13:01

não sei como seu amigo era antes e como ele ficou depois do PU, mas aposto que eles está mais feliz agora que consegue interagir melhor com mulheres do que quando ele não conseguiu. PU não é a solução para todos os problemas dos homens, essa solução não existe, o PU apenas ajuda a resolver um dos problemas dos homens, o problema com mulheres, o que não é pouca coisa já que esse É a fonte de muito sofrimento entre homens heteros

Gle disse...

G. acredito que você primeiro precise conhecer o seu corpo e descobrir o que te dá prazer. Tem que ver o que te atrai e de que forma realmente te atrai (isso só você pode descobrir). Faça sexo quando você realmente tiver essa vontade, não "somente por fazer". Acho que um cara (ou mulher) mais experiente que te respeite pode ajudar nisso. Mas como a Lola já disse, faça QUANDO e PORQUE vocÊ QUER.
Esqueça esses rótulos, não pense no "depois" e muito menos no que as pessoas vão pensar de você. Eu tomei por costume fazer as coisas mais discretamente, me sinto melhor assim, mas cada pessoa tem um jeito. Não se rotule! Você não vai deixar de ser quem você é por conta da sua sexualidade.
Escrevi um texto pra Lola falando sobre isso, sobre "Como a sociedade pode nos influenciar" e acho que a G. está passando por este mesmo processo, seja ela Homo, Hétero ou Bi.
Espero que você se encontre e possa ter muito prazer nessa vida ;)

Anônimo disse...

Como assim "dizem" que mulher não goza?

Ainda tem quem pense isso? Gzuiss

Anônimo disse...

Não é que a mulher seja biologicamente incapaz de gozar, mas que simplesmente não goze. Ou vc acha que todo mundo goza? Ou que uma mulher que não goza é necessariamente assexuada?