terça-feira, 19 de agosto de 2014

GUEST POST: MEUS PROBLEMAS POR SER GAY

O L. me enviou este relato gigantesco. Tentei cortar algumas partes e não consegui. 
Só cortei o final, porque quis transformar isso num final feliz (ele ainda narrava alguns problemas com depressão depois do final que escolhi). Eu não costumo manipular textos assim, decidir quando terminar, mas neste caso, eu insisto: quero um final feliz pro L. Um final que é apenas um começo para que ele possa realizar todos os seus sonhos. 
(A pedidos, incluí na caixa de comentários o final do relato do L.).

Eu não sei se estou certo em escrever isso para você, pois você é uma escritora feminista e o seu blog é sobre o feminismo. No entanto eu meio que sinto que a minha história e o que tenho para dizer tenha um pouco de feminismo. Talvez possa ajudar alguém ou eu possa ser ajudado.
Fui um bebê prematuro. Por esta razão tive muitas complicações na minha infância que não me permitiram que eu fosse muito ativo ou tivesse muitos amigos. Passei por algumas cirurgias cardíacas e meus problemas foram resolvidos. Meu pai dizia que eu tinha nascido velho. Entrei meio atrasado na escola, mas fui uma daquelas crianças que aprendeu a ler e escrever em casa com a mãe e por isso fui encaixado com as crianças da minha da idade. Eu era bastante tímido e inocente e foi mais ou menos nessa época que eu percebi que eu era “diferente”. Eu era bastante “feminino”, entre aspas para destacar que para mim feminino e masculino são imposições sociais de comportamento que certo gênero deve ter. 
Acho que a situação mais crítica que encontrei foi quando achei uma boneca e comecei a cuidar dela, quando alguns amigos da rua me encontraram brincando eu fui ridicularizado, muito além do que já era. Para me “redimir” me forçaram a destruir a boneca. Eu percebia que eu gostava mais das “coisas de menina” do que de menino.
As pessoas foram tentando me mudar, retirando de mim as coisas que eu gostava. Houve bullying, brigas de família, gente dizendo que eu era gay a torto e a direito. Eles tinham razão: eu sou gay. Não estou dizendo que todo garoto “afeminado” é gay, sei que é apenas mais uma imposição dos papéis de gênero. 
Quando tinha 11 anos e mudei de cidade e escola ficou óbvio para mim mesmo a minha sexualidade. Eu tinha me apaixonado por um garoto na escola. Amor platônico por um menino que sequer olhava para mim. Eu então comecei a entrar conflito comigo mesmo. Mas não era porque eu não me sentia confortável sendo afeminado e gay, era porque eu já era inteligente e consciente o bastante para saber todas as consequências que isso iria ter na vida das pessoas a minha volta. 
Sabendo tudo o que a minha família e os meus pais tinham feito por mim ao longo da minha vida era muito difícil aceitar que eu não iria ser “homem”, que eu não iria dar netos para os meus pais e que eu iria ver as pessoas olharem para mim de uma maneira pior do que elas já me percebiam. Eu comecei a pensar em suicídio constantemente. Nessa fase eu acho que se não fosse uma menina que encontrei ao acaso na escola, que é minha amiga até hoje, eu provavelmente teria feito o pior.
Ela era minha defensora e naquela época lembro que conheci o namorado dela, um cara super legal. Ele teve um pouco de ciúmes no início porque eu era carinhoso com ela e ela comigo. Logo ele entendeu que era apenas amizade e também ficou meu amigo. Com os dois eu aprendi a gostar de anime, mangá, vídeo game e cultura japonesa em geral. Acho que eu me identifiquei com esse mundo porque ele era considerado “estranho” na época e ainda não era moda. Eles eram o meu refúgi. Minha vida se resumia a estudar, ficar com eles ou sozinho no meu mundo de fantasia ou chorando me lamentando no meu quarto por ainda não conseguir aceitar que eu era gay.
Dois anos depois que os conheci chegou a irmã da minha amiga que morava em outra cidade. Namorei com ela, um relacionamento estranho. Ela era lésbica e eu gay e os dois estavam tentando não ser o que eram. Em certo momento acho que nos apaixonamos, mas sexualmente não dávamos certo. No início foi divertido e ficamos bastante tempo beijando, nos descobrindo. Mas depois de mais dois anos tentamos evoluir sexualmente e realmente não deu certo. Eu me lembro que a minha primeira vez foi horrível.
Não era nada do que estava nas minhas fantasias e eu não conseguia parar de pensar em homens, não conseguia sequer olhar para ela direito. Depois disso nós terminamos e cada um seguiu seu rumo. Após um tempo comecei a sair do armário para os meus amigos, ainda não conseguia sair para a minha família. Na maioria do tempo eu estava rodeado por garotas, até por medo de eu gostar dos meninos. Foi assim até o meu ensino médio terminar. Uma época complicada demais na qual eu deixei de lado a minha sexualidade para me preocupar com o monstro do vestibular.
Foi também estranho porque muitas pessoas da minha escola, principalmente os meninos que faziam bullying comigo e chegaram a destruir meus cadernos e rabiscar coisas nas minhas cadeiras, acabaram me procurando pedindo ajuda nos estudos. Acabei não dando as costas para ninguém, vendo uma oportunidade de deixar aquelas pessoas me entenderem melhor e de ajudar os outros. 
Em um determinado momento, no último ano do ensino médio, depois de um dia estressante, a minha mãe me perguntou se eu era gay e eu respondi que sim. 
Começou uma época difícil. Minha mãe não me aceitava e eu encontrava dificuldades extremas de me encaixar na comunidade gay, que de início para mim pareceu se basear apenas em sexo. Isso ia contra os meus ideais. Sempre sonhei em encontrar um cara para casar e ter uma família. Mas tudo o que eu encontrava eram caras sedentos por sexo e tinha dificuldade até mesmo para encontrar amigos gays, pois não sabia onde ir. 
Acabei passando por um namoro ruim que não terminou bem, por experiências que me machucaram sentimentalmente e fisicamente. Fui apaixonado por um cara que era bastante violento na cama. Por me sentir tão sozinho, eu acabei ficando com ele, pois era o único que demonstrava carinho e vontade de ter um relacionamento mais longo. Quando começamos a fazer amor ele foi carinhoso e cuidadoso comigo. No entanto depois de um tempo ele começou a não respeitar os meus limites ao ponto de eu deixar de sentir prazer para apenas sentir dor. Me forcei a ficar com ele mas aquilo estava me fazendo muito mal. 
Logo após terminar com ele, eu consegui passar no vestibular em uma federal da vida para o curso de sistemas de informação. Eu achei que as coisas iriam melhorar. A minha imaginação de que eu iria encontrar pessoas como eu, com mentes mais abertas, foi quebrada logo de cara. O curso tinha uma aura machista, cheio de mascus na sala, de alunos a professores.
Não foi no meu curso, mas nos cursos de umas amigas que encontrei muitas coisas interessantes. Peguei várias matérias nos cursos de Letras e História que ajudaram a abrir a minha mente. Não consegui abandonar a computação e fiz isso por meus pais. Eles estavam orgulhosos por eu estar cursando algo “masculino”. 
Entre cá e lá eu acabei enfrentando muitos preconceitos. Do mundo gay, do mundo heterossexual, no meu curso e em outros cursos. Me senti isolado nos quatro anos de faculdade, como se não pertencesse a nada, porque não gosto de me comportar como dizem que devo me comportar. Sempre mantive os meus sonhos simples de encontrar um emprego para sobreviver, um cara para casar e ter algo que eu possa chamar de família e esses ideais pareciam entrar em conflito com muita coisa.
Eu me sinto confortável sendo gay. Não entendo porque a sociedade tem que tornar isso um problema para mim. Meu problema não é a minha sexualidade, eu tenho sonhos, objetivos, os meus problemas são as pedras no caminho que tenho que mover para chegar até lá.
Ainda na faculdade tive problemas no meu primeiro emprego, que abandonei pelo ambiente machista. Meio sem rumo e com pouco dinheiro, ainda morando na casa dos meus pais,  comecei a me afastar demais das pessoas por estar depressivo. Parecia que eu estava deixando voltar aquela "lamentação" de ser gay e a pensar em suicídio. Mas não porque eu era gay, mas por ser o que sou como pessoa e parecer nunca me encaixar em nada direito.
Ano passado foi meu penúltimo ano na faculdade. Acabei desastrosamente me apaixonando pelo meu melhor amigo no meu curso por ele ser tímido e carinhoso comigo e a minha santa carência bater na porta. Ele sendo hétero, pouco podia fazer por mim. Acabei assumindo o meu amor por ele, o que gerou uma resposta inesperada. Ele disse que ficaria comigo se ele conseguisse ficar com outro cara, e que ele queria tentar ser gay, mas acabamos deixando de lado porque natureza sexual é algo que não é modificado. Tenho a impressão que não iria dar certo e iria terminar em um cenário pior, como no meu primeiro namoro.
Foi no ponto que eu estava pronto para desistir da faculdade, talvez da minha vida, que um designer japonês famoso veio ao Brasil. Como fã dele gastei meu ultimo dinheiro apenas para tentar falar com ele. No fim eu acabei em uma viagem meio louca e consegui muito mais do que eu queria. Esse encontro foi como uma mágica que me colocou para andar no meu caminho de novo. Consegui encontrar e conversar com ele. Ele disse que eu não podia perder a minha empolgação. 
Essa experiência de gastar o meu último dinheiro para ir a uma cidade estranha me fez perceber que eu consigo mudar a minha vida se eu quiser. Foi como dissipar a nuvem negra que estava por cima dos meus sonhos, e parar de me martirizar por não me encaixar. Senti que eu não preciso me encaixar em nada, é só seguir em frente que com certeza em algum momento vou conseguir realizar isso.
Depois de uma longa batalha com a minha mãe ela passou a me aceitar e até a me apoiar. Nesse ponto o meu irmão e alguns primos já sabiam. Até que foi anunciado a vinda de Lady Gaga. Estava sem grana para ir nas cidades do show e quando se trata dela eu sou fã desde antes das pessoas saberem que ela existia direito e ela era apenas uma nova iorquina maluca cantando em bares, boates gays e fazendo striptease para pagar o aluguel.
Eu então decidi pedir de presente de aniversário para o meu pai a viagem para o show. Impressionantemente ele se colocou à disposição não só para pagar, mas ir junto. Foram meu irmão, ele, minha mãe e eu. O ingresso foi o mais caro, apenas para mim e e meu irmão. Não estávamos em condições financeiras para pagar mais que isso. Ficamos na fila para pegar a “Monster Pit” e conseguimos, com os nossos pais nos ajudando. Um lugar bem pertinho do palco. Para mim as estrelas daquele dia tinham sido os meus pais, por estarem comigo em uma situação na qual eu jamais tinha imaginado que estariam.

39 comentários:

Cristina Martins disse...

Nossa, Lola! ... No seu lugar eu também editaria o final do texto! ...Vai parecer piegas, that's ok, vamos lá: foi começar a ler e me deu uma vontade enorme de pegar esse menino no colo. Deve ser porque eu sou mãe, sei lá ... Prá você, L.: "Fui tomada de um profundo sentimento de ternura por você! Estou torcendo prá que vc supere a depressão! Abraço!

Anônimo disse...

Lola adoraria ler mas estou com pouco de dor de cabeça.
Só passei pra avisar que aécio neves agrediu a namorada, achei que é do nosso interesse saber disso.
Pois ele como candidato além de ladrão agora é agressor.

Anônimo disse...

poxa, L., tendo em mente que ainda existe mais do que esse final na sua história, não deixe se abater. Sempre que a vida apertar tente olhar em volta e procurar uma amiga como a de sua escola, ou um artista que te distraia ou te inspire. E não pense nunca mais em suicídio. "A vida é cheia de oportunidades, enquanto a morte é muito definitiva". E o mundo precisa de mais pessoas adoráveis como você, e menos babacas que só machucam os outros.

Cellophanem

Anônimo disse...

Seria muito interessante que o L. lesse os dois livros do Andrew Solomon, Longe da Árvore e O demônio ao meio dia.

Sara disse...

L. as batalhas q vc enfrenta é a mesma de muitos, mas sei q deve ser muito mais difícil por vc ser gay.
Por tudo q vc relatou, parece que tem tudo pra conseguir realizar seus sonhos tão simples, espero q consiga todos.

Anônimo disse...

Lola, off-post, mas super-imprtante:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140814_roger_abdelmassih_lk.shtml
Finalmente o crápula foi preso!
Flávio Moreira

D Stoffel disse...

Aqui na minha cidade é cheio de cafuçu.

lafaierty disse...

Olar

Eu sou um gay introvertido (pessoa que sabe se comunicar bem, mas gosta e/ou não vê problema em ficar sozinho).
Acho que em termos de bullying eu nunca sofri. Só uma vez qe precisei bater num valentão na 7* série que me chamava de viadinho etc. Como eu não havia me assumido, me causava muita frustração e ressentimento. Quando entrei pro ensino médio, todos já sabiam que eu era gay. Daí por diante foi mais tranquilo.
Como eu disse, sou introvertido, ainda mais qe estou no último ano do EM, e a pressão da família pra passar no vestibular é enorme. Por isso ultimamente ando andando muito só, e estudando bastante. Sinto-me isolado às vezes. Mas eu acho qe tudo na nossa vida é uma fase. Daqui a pouco entro na faculdade e espero curtir mais a vida e fazer novas amizades. E acredito que vc está passando por uma fase também, uma fase qe ainda não terminou. Deixe os acontecimentos fluírem. Se vc gosta do seu amigo de faculdade, e ele assinalizou qe há uma possibilidade, vá em frente! Se arrependa das coisas qe vc tem vontade e não faz; não daquilo qe tentou e errou ou acertou.

Bjs bjs

D Stoffel disse...

Acho toda mulher já ficou com um gay.
Eu já tive certeza de uns desconfiei de outros a maioria é desconfiável, infelizmente por conta da homofobia nós somos feitas beards.

Anônimo disse...

L gostaria de dizer uma coisa. Não sou gay, mas sempre me senti um pouco deslocada e desajustada. Então, em parte entendo o que se passa com vc. Se eu pudesse dar um conselho é: vc é novo, tem muito que viver ainda. Dificuldades de relacionamento são coisas que acontecem com todos, heteros ou não. Principalmente no fim da adolescência começo da vida adulta, mas isso é até bom pq ensina a valorizar o que é bom e o que queremos de uma relação. Eu só fui conhecer minha cara metade com 36 anos e formar família perto dos 40. Vc tem toda vida pela frente. Dê uma chance!

Anônimo disse...

L., sua história é emocionante!
Ninguém é perfeito, quase todos passamos por uns apertos por nos importar em encaixar nos padrões ditados por outros.
Mas sabe, a vida é sua, cabe a vc viver da melhor forma possível. Sua dor, minha dor, a dor de qlq pessoa não é maior q a d ninguém. E td mundo vive. Aprender a não deixar as demais pessoas (principalmente as q não são família) influenciar na forma em q se vive é uma grande segredo.

Vejo muito guest posts de gente querendo aceitação, ter aceitação própria é q é o fundamental. Se vc tem isso (como pareceu), mande o f*da-se para sociedade!

Anônimo disse...

L., sua história é emocionante!
Ninguém é perfeito, quase todos passamos por uns apertos por nos importar em encaixar nos padrões ditados por outros.
Mas sabe, a vida é sua, cabe a vc viver da melhor forma possível. Sua dor, minha dor, a dor de qlq pessoa não é maior q a d ninguém. E td mundo vive. Aprender a não deixar as demais pessoas (principalmente as q não são família) influenciar na forma em q se vive é uma grande segredo.

Vejo muito guest posts de gente querendo aceitação, ter aceitação própria é q é o fundamental. Se vc tem isso (como pareceu), mande o f*da-se para sociedade!

Biiαncα Lαiis disse...

L! Você me lembra um dos meus melhores amigos! Ele é gay e eu o amo muito. Ele também foi apaixonado por um dos nossos amigos em comum que é hétero e sofreu muito com isso. Desejo tudo de bom a você ❤

Maria Fernanda Lamim disse...

Nossa...eu chorei com a história :( já achei triste desde o episódio da boneca. Sou mãe de um menino e tenho medo que ele enfrente pressões desse tipo. Desejo força ao L, que ele supere a depressão, construa uma carreira e encontre o grande amor que procura. Sucesso! :)

Anônimo disse...

Comentário nada a ver: essa parte dele tendo que detruir a bonequinha me lembrou de Dogville, qdo a personagem da Nicole Kidman tem que destruir aqueles bonequinhos de porcelana... essas crianças tinham requintes de crueldade cinematográficos em seus corações... #medo
Espero que vc esteja bem, L.! Fico muito feliz com a sua maturidade de parecer sempre ter sabido que o problema não é ser gay, é como se tratam gays na nossa sociedade... Estou na torcida pra que os seus sonhos se realizem todos, viu? ♥

Raven Deschain disse...

Hinata...s2

Ah L. Nem sei o que te dizer. Lindo seu texto. E sua vida.

Raven Deschain disse...

Clichê mas verdade: Tudo melhora.

Anônimo disse...

Lolinha, devia ter um link permanente pro vídeo It Gets Better, da Pixar: https://m.youtube.com/watch?v=f2x0LRcptdg

Eva disse...

L., acredita, você não está sozinho no mundo, viu? Torço para que você supere a depressão e que a gente possa se trombar em um evento de games e anime por ai, um dia desses, e que você esteja verdadeiramente de boas com a vida.

Vitor Ferreira disse...

Lola, comofas pra ler o resto???

Edson disse...

Me vi em algumas partes deste relato!
Sou homem, negro, gay e feio, hoje tenho 21 anos. E lá pelos 18 anos tive vontade de morrer (não era vontade de me matar, mas era pensamentos mórbidos do tipo: tomara que eu fique doente e morra) não por ser gay, mas por me sentir desajustado e ter uma vida infeliz. Hoje esses pensamentos já desapareceram.
Atualmente trabalho e estou ganhando uma mixaria, já terminei o ensino médio mas não estou fazendo nenhuma graduação ainda.

Espero que nós consigamos construir uma vida mais feliz daqui pra frente!

Anônimo disse...

Imaginei a cena do show e caiu uma lagrima aqui ❤ sou apaixonada por gaga tambem. Espero que voce encontre seu caminho, e seja muito feliz nele.

Anônimo disse...

Eu fico imaginando o quanto fui idiota de fazer piadas no passado em relação aos homossexuais, nunca agredi ou coisa do tipo, ainda tinha aquela hipocrisia de "tenho até amigos gays".
Mas vez ou outra eu gosto de ler os depoimentos aqui neste site, alguns com finais felizes, outros com finais tristes, mas é a vida.
Ao autor do texto, desejo que ele siga seus sonhos e em nenhum momento tenha vergonha de ser o que é, o mundo é cheio de gente escrota e ignorante, não importa o nível de instrução escolar, apesar de ser uma história triste, vi que o personagem principal é uma pessoa legal.

Cheio de Luz disse...

Lendo o Post me veio a mente aquele filme:Quero voltar sozinho;um relato de superação e encontro pleno consigo mesmo.Muitas vezes é preciso travar grandes batalhas com o preconceito da sociedade,pois, ir contra a maioria(os ditames impostos pela sociedade )é para quem sabe o que quer,e, vejo claramente que este jovem se resolveu em seu conflito não abrindo mão do que é e do que acredita ser melhor para si mesmo. Recordo na adolescência um colega que sofria muito com seus parceiros pela questão sexual,dizia se sentir um "depósito de esperma(usou outro termo hehehe)",vi no relato um pouco disso e até sadismo, que bom ter tido a sacada,isso se chama auto-estima!!!!!!bonito relato!

Anônimo disse...

A Lola poderia colar aqui o resto do relato... queria tanto ler o que mais ele escreveu...

lola aronovich disse...

Ok, gente. O relato do L. continua assim (notem que as 3 ou 4 últimas frases do segundo parágrafo eu transferi pro relato publicado):

Mais ou menos três semanas depois do show eu encontrei um primo com alguns projetos e um bom cargo, na realidade ótimo, para um universitário. Foi muita sorte encontrar essa oportunidade que me possibilitou mostrar o meu esforço e montar um grupo de pessoas para trabalhar em conjunto.
Tudo estava bem até o dia que terminei de escrever um texto em papel, um anúncio da minha homossexualidade para o meu pai. Já tinham se passado vários meses. Antes de entrar na sala que ele estava eu ouço uma conversa dele com um amigo. Ele disse que sabia que eu era gay e que preferiria morrer do que me ver com outro com cara. Completando ele comentou que fazia o que fazia por mim porque ele queria que eu me ligasse e “virasse” hetero. A partir daí começaram uma de comentários negativos da religião dele, o de sempre. Geralmente não deixo as mensagens negativas me abaterem. Essa, no entanto, quebrou o meu coração de uma maneira tão grande que eu realmente levei uma rasteira. Fui jogado em uma onda de depressão tão baixa que me fez praticamente desligar do mundo de uma vez. Meus projetos profissionais andando a passos de tartaruga e a minha vida pessoal e social praticamente se resumiram a caminhar com o meu amigo de faculdade na tentativa de manter uma rotina em alguma coisa que me mantenha saudável. Pensamentos de suicídio constante habitaram a minha mente e eu ficava repetindo a mim mesmo que ele não gostava de mim e que ele fazia as coisas na esperança de que eu me “transforme”. É realmente frustrante saber que eu não posso e que eu não quero dar essa mudança a ele. Eu me sinto confortável sendo gay. Não entendo porque a sociedade tem que tornar isso um problema para mim. Meu problema não é a minha sexualidade, eu tenho sonhos, objetivos, os meus problemas são as pedras no caminho que tenho que mover para chegar até lá.
Não entendi como poucas palavras em uma situação como aquela conseguiram me destruir nos últimos meses a ponto de não saber se eu vou conseguir terminar a faculdade esse semestre. Eu tenho 23 anos e realmente não entendi o que aconteceu depois daquilo e depois de um tempo admiti para mim mesmo que eu deveria procurar alguém para falar sobre isso e dessa vez procurei um profissional em uma tentativa de achar ajuda. Estou no meio de uma recuperação daquilo, mas os últimos meses foram difíceis para mim. Eu me isolei novamente e ainda não consigo realmente ser muito produtivo. Ao mesmo tempo em que é um pouco desesperador estar nessa situação eu sei que não vou desistir de mim mesmo, dos meus objetivos, de sair do armário, de encontrar o cara para o relacionamento sério e de conseguir manter o meu emprego e aproveitar as minhas oportunidades. Nesses momentos em que estou triste, como por exemplo escrevendo esse texto, eu tento pensar na época em que passava as tardes com a minha avó quando era criança. Ela era uma das pessoas que não me julgava e dava para sentir só no olhar. É como se todos os dias quando eu acordo e começo a ler e ouvir os absurdos que a nossa sociedade repete, a minha inocência é destruída. Mas não tenho nada mais em que me segurar senão reconstruir a inocência que eu tinha, naquele tempo, ao longo do dia e tentar manter ela comigo para conseguir dormir pensando que positivamente no futuro.

Marina P disse...

Eu sou lésbica. Minha família é muito aberta e me apóia. Sou casada com uma mulher maravilhosa e nos amamos muito. Mas eu sofro um preconceito enorme em alguns ambientes... moro num estado tradicional até a raiz do cabelo e quase todo mundo no meu trabalho é evangélico daquele modelo que acha que tudo é pecado. Tenho medo pela minha integridade física se descobrirem que sou gay e também porque muitos dos meus pacientes seriam impedidos pelos pais de se tratar comigo, porque são crianças. Ser gay pode ser assustador e a gente sofre preconceito, mas em algum momento você vai se tornando mais seguro de si e encontra pessoas bacanas. Amigos, amantes, um grande amor, talvez filhos, enfim... MELHORA. MELHORA MUITO. Um dia vai ser vc e não eu dizendo a um jovem gay que esse sofrimento melhora, que dá pra ser feliz sim.

Juliana disse...

Homofobia é uma droga. Essas coisas me entristecem, e ao mesmo tempo, me dão forças para lutar contra.
Hj, bem cedinho, tive que ouvir uma pérola ak em casa: "ai nunca mais vi o fulano, será que ainda tá vivo". Eu:"credo, porque pensa assim?","porque ele é gay,né? e gay fica se envlvendo com caras perigosos e tals" eu: "aff, nada a ver", "é verdade,VIDA DE GAY É QUE NEM DE TRAFICANTE "...
Aí meu mundo caiu, e a paciência junto. Embora ame muito minha mãe eu soltei : é mais fácil vc morrer de "crime passional" sendo mulher do que sendo gay". Ela foi embora magoada com minha grosseria, mas não admito deixar passar essas coisas. Uma hora aprendem.

Luiza Psicologa disse...

Dá realmente vontade de pegar esse menino no colo e abraçar bem forte, e encher de beijinhos, que fofo.

Aí eu penso, porque esse garoto especial não nasceu aqui em casa heim?

Aí vendo que a mãe dele está começando a aceitá-lo, e lembrando dessa cena linda do show da Lady Gaga, lembro de uma frase:

"As pessoas boas merecem o nosso amor, as más precisam dele".

Lembro do filme "Cidade dos Anjos", e imagino o L. vestido de preto, aqueles anjos que guardam os caminhos das pessoas mas são tão solitários.

Você ainda é novo L., vai superar isso, e você é especial e tem muito a contribuir e iluminar o mundo, e não merece menos do que uma pessoa especial para estar ao seu lado, e essas não são fáceis de encontrar.

Valorize esses seus amigos de infância, amizades verdadeiras são um tesouro para poucos, e você também é um tesouro valioso para eles.

Vai dar tudo certo, tenho fé em você.

Carolina S disse...

Carx anonimx
Sinto discordar,mas acho algumas dores maiores que outras sim.ser discriminado,passar fome, sofrer violência, ter uma doença grave,sofrer uma tragédia e maior do que tomar um fora do namoradx por exemplo.claro que temos que ter e transmitir serenidade e esperanças, mas minimizar a dor de pessoas que tem muito mais problemas que nós pra mim é igual dizer que só é gordo quem quer.pense nisso,sei que sua intenção foi boa. Carol h

Anônimo disse...

Obrigada Lola por escrever o restante do relato do L.
É muito parecido com o meu irmão. Com certeza ele teve as mesmas angústias, já em relação à suicídio não sei...ele nunca falou.
L., meu irmão nasceu super saudável, mas com 2 anos desenvolveu bronquite asmática e a vida dele até uns 8,9 anos foi passar a maior parte do tempo em hospital, quase morreu. Ele não podia fazer nada, tinha muita falta de ar.
Com o crescimento, natação e algumas vacinas e homeopatia ele foi melhorando muito.
Mas no seu relato, eu identifico uma coisa: vc acha que ter uma saúde frágil na infância, e não poder fazer muita coisa que outras crianças faziam, te impediu de vivenciar as brincadeiras "masculinas"? o Que vc acha? Eu sinto esse tipo de justificativa na minha família no caso do meu irmão, que pela saúde ele não conviveu muito com outros meninos, não jogou bola, virou gay pq teve a saúde frágil, etc...
Meu irmão nunca curtiu isso, o que meu irmão adorava e adora é desenhar. Preferia ficar no quarto desenhando, vinha até recado da escola que nas provas ele não escrevia, usava a folha pra desenhar kkk.
Meu pai é um mascu. Não sei se o ódio pelas mulheres predomina, mas no caso dele a mulher existe para que ele as utilize no que bem quiser, simples assim, e se vc recusar é uma bruxa, filha da puta. Meu pai bateu muito na gente, batia com um negócio chamado rabo de tatu, ficava pendurado na parede da sala, em especial surrava muito o meu irmão, pq ele se comportava como um "mariquinha".
Meu irmão sempre foi gay. Eu e a minha irmã(ele é o caçula)já sabíamos antes dele falar.
Quando meus pais se separaram, ele já tinha uns 14 anos e foi quando teve coragem de falar com a minha mãe. Ela entrou em desespero, só chorava, amava muito o filho, mas tinha medo do que ele ia passar se assumindo. Além do sonho de ter um filho "homem" ir pro vinagre.Demorou para ela assimilar, hoje tá tudo ótimo.
Meu pai disse para meu irmão que preferia um filho morto do que marica. Meu pai dava aulas numa escola de segundo grau e um aluno dele(gay)perguntou se ele era pai do B. Meu pai disse que não, que não tinha nenhum filho com esse nome, na frente da classe toda, depois esse amigo falou pro meu irmão. Imagina que dor? Meu irmão tinha uns 15 anos!! O ponto aqui é que o mascu do meu pai não quis ser vinculado como "o pai de um viado", o que meu irmão tava sentindo pouco importava.
Ele simplesmente "desencanou" do meu pai, diminuiu o contato.
Tempos depois, meu pai convidou meu irmão para uma viagem "só os dois". Foram para S. Tomé, já que adoram acampar, detalhe que ele levou a amante dele junto (que era aluna dele e estavam juntos desde os meus 8 anos, tenho 38, mas isso fica pra outro dia...). Foi a mesma coisa de você no show da Lady Gaga. Meu pai fez aquilo para ver se fazia meu irmão "virar homem". Horrível.
(continua)

Anônimo disse...

(continuação)
Moramos numa cidade do interior de SP. Meu irmão sofreu preconceito, violência. Ele estudava o colegial a noite e na volta pra casa tinha sempre tinha um grupo de machões esperando na esquina para bater nele. Eu já fazia faculdade em outra cidade. Ele me contou, que cansado de correr e fugir, encarou o grupo. Deu uma surra no líder dos machões, enquanto os outros saíram correndo, aí acabou o problema. Vê que coisa? Viado macho né? Brincadeira à parte, tem que ser muito corajoso, macho para se posicionar e fico feliz que você é, L.
Bom, resumo desse livro q to escrevendo: mudamos para SC, capital, lá meu irmão terminou os estudos, teve contato com um lugar onde tem gente e todo jeito, de toda cor e de todo lugar, isso foi muito bom. Não só pra ele, mas pra todos nós.
Ele ainda não fez faculdade, mas trabalha no que ama, aprimorou o desenho e hoje está no PR, trabalha num ateliê de noivas, é estilista. Casado no civil com um cara muito do bem, pena que não pude ir no casamento...
Não se sinta só confortável em ser gay, se sinta feliz!
Aqueles que tem limitações para te amar como você é (uma pessoa normal como todo mundo), pena pra eles...não se culpe!
Olha, eu tive muito contato com gays, lesbicas, bis. São iguais a mim, gente que rala, trabalha, ama, sonha. Ser gay não é ser sem vergonha, não é só pensar em putaria. Não falo isso pq meu irmão é gay. Tive contato com muitos casais de homens e mulheres. Gente que se ama, tem respeito um pelo outro, companheirismo, faz mercado junto, faxina junto, um cuida do outro quando está doente. Essas coisas que todo mundo devia fazer. Conheço muito casal hetero que dá vergonha, não é exemplo pra ninguém...
Meu pai faz a linha coitadinho pra quem não conhece meu irmão. Diz que tem um filho, mas que esse filho não liga pra ele, nem no Natal, aniversário, Dia dos Pais(só rindo)...ano passado meu pai esteve na cidade do meu irmão vendo uns amigos. Minha irmã avisou o meu irmão. Ele na hora ligou pro meu pai, querendo combinar pra se ver, matar saudade...meu pai inventou um monte de desculpa, mas meu irmão foi mesmo assim...ele conta que a cara de medo do meu pai dos amigos dele verem q o filho é viado foi ridícula. Num dado momento falavam de fotografia e meu irmão falou que o marido dele é fotografo profissional. O papai quis ser engolido por um buraco negro!! Já os amigos dele trataram tudo de forma natural.
Conclusão: meu pai não quer contato com o meu irmão, nunca quis, pq a existência dele mostra o quão patético meu pai é, mas claaaaaro que ele sempre vai ter o discurso contrário.
Lute L., muito sucesso, eu espero de coração que o relacionamento com aqueles que vc ama fique cada dia melhor. Não se abate não! e depois por favor, conta as novidades do seu sucesso aqui no blog!
Te desejo o melhor.

Freda

natalia disse...

É triste constatar a dificuldade para encontrar alguém para amar, seja no mundo hétero, seja no mundo gay.

Grão da Noite disse...

Me identifiquei muito com o texto. Mudam algumas coisas na minha história, é claro, mas o essencial é muito parecido. Também cresci com o sentimento de inadequação e de não-pertencimento, vendo-me como uma mistura de peixe fora do aquário com E.T. Também já tive depressão - é muito bom poder usar o verbo no pretérito perfeito quanto a isso - , já tive pensamentos suicidas, mas, graças a Deus, nunca consegui sair da cogitação para a execução. Também já foi um grande sonho meu encontrar um cara pra casar e, quem sabe, até passar junto pela experiência da paternidade (ideia que ao mesmo tempo me agrada e me amedronta, pois filho, seja adotivo, seja biológico, é uma loteria. Acho essa incerteza angustiante, uma grande tortura). Hoje continuo com o sonho de encontrar um cara pra casar e tal. Mas, como já estou mais amadurecido (sou 14 anos mais velho do que o autor do texto), já aprendi que o melhor momento pra iniciar um relacionamento é quando se está sozinho e emocionalmente bem. Nos momentos de carência, o melhor é estar sozinho. Gente carente acaba se sujeitando a coisas que jamais se permitiria numa fase de equilíbrio. É meio frustrante fazer as coisas sozinho, como viajar, ir ao cinema, a um restaurante. É meio frustrante transar sem ou com pouco sentimento, coisa que acabei aprendendo com o tempo (além disso, comprei alguns brinquedos sexuais. Alguns custaram caro e causaram arrependimento: no meu caso, os mais baratos são os mais eficientes no prazer solitário. Fica a dica: compre primeiro os brinquedinhos mais baratos; se eles o fizerem feliz, você não jogará dinheiro fora com os caros). Mas é assim mesmo. Precisamos aprender a estar sozinhos. Relacionamentos são vivos e, como tudo o que está vivo, a qualquer momento podem morrer. Uma das maiores conquistas de alguém é a autossuficiência emocional. Por mais felizes estejamos num relacionamento, a qualquer instante poderemos ser privados dele. E sempre será assim. Outra coisa: nunca deixe de procurar ajuda quando a depressão o visitar. Converse com amigos, procure andar/caminhar ou fazer outro tipo de atividade física (natação, pilates, ioga, musculação, hidroginástica, dança...). Tome 3 xícaras de chá de café por dia (venho fazendo isso, pois li uma reportagem falando maravilhas do café e do uso moderado da cafeína). Engaje-se num serviço voluntário altruístico (ir em direção ao outro, com a intenção de ajudar, é um remédio poderoso contra a depressão). Enfim, dê um jeito de ocupar a mente e cansar o corpo, porque a depressão pode mesmo levar uma pessoa ao suicídio, como aconteceu com Robin Williams e tantos outros e outras. (Ps: ainda estou aprendendo a estar sozinho e bem. Mas percebo com clareza que já fiz bons avanços nesse sentido. Os segredos são paciência e persistência).

Grão da Noite disse...

Bom, hoje em dia um dos meus grandes sonhos é me tornar igual à D. Virgínia. A poliomielite da minha vida é a homossexualidade, ou, vendo de uma ótica mais correta, a homofobia (em si mesma, a homossexualidade não é uma coisa boa nem ruim; ruins mesmos são o preconceito e os preconceituosos...). Estou solteiro há pouco mais de um ano. Até tentei me envolver com alguns caras, mas percebi que ainda não estou emocionalmente disponível. E sabe que estar avulso tem suas vantagens? Tenho tido bem mais tempo pra ler, ver filmes que me interessam, sem me preocupar se interessam ou não tb ao outro. Quero voltar a estudar pra concursos, e não vou precisar me preocupar com a possibilidade de ter de mudar de cidade ou até de estado. Tudo tem mesmo seu lado bom e seu lado ruim. Precisamos fazer um esforço constante de enxergar sempre os dois lados, ou o "conjunto da obra", pois tudo e todos que são vistos apenas da perspectiva de seus defeitos, tornam-se monstruosos. Veja o vídeo sobre a D. Virgínia. Acho-o sempre inspirador: https://www.youtube.com/watch?v=X5nCwSCBek0 .

Letícia Penteado disse...

Querido L.,
É muito difícil a gente lidar com o desamor dos nossos pais.
Muitas vezes somos ensinades, quando criança, que, se nossos pais não nos aprovam, eles não nos amam. E essa ferramenta é muito eficiente na criança, porque, para ela, ficar sem esse amor é agonia pura.
E toda vez que a somos ameaçades com esse desamor, sofremos. Sofremos quando qualquer pessoa não nos aprova, porque nos lembra a reprovação deles. E sofremos mais, muito mais, quando somos confrontades com a reprovação dos próprios.
Isso leva tempo e dói muito para desconstruir. Não tem outro jeito, infelizmente. Que bom que você já procurou alguém com quem falar a respeito, para começar esse processo.
Uma vez uma pessoa me perguntou "mas e daí, você perdoou? Hoje tem um bom relacionamento com eles?"
E eu respondi, com todo o meu coração, que isso não vem ao caso. Porque quando você começa esse caminho, você logo entende que a pessoa a perdoar, a pessoa com quem você deve buscar um bom relacionamento, é você mesmo. E que se, para isso, você tiver que nunca perdoar, nem jamais voltar a se relacionar bem com qualquer pessoa que seja, então... foda-se. É um preço que vale a pena pagar. Mesmo.
Porque não vale de nada você estar bem na sua família ou com seus amigos "desde que". Desde que não seja quem você é, desde que não apareça com um homem na frente deles, desde que só faça o que eles querem, desde que seja quem eles querem quem você seja.
Quando você vive para fora, você morre por dentro.
Recomendo o livro "O drama da criança bem-dotada" (o nome é antipático, mas é uma tradução ruim... o nome original, no alemão, não fala de criança bem-dotada, fala de criança "talentosa". E o talento seria perceber o que as pessoas que ela ama esperam dela e "se transformar", encenar isso, para conseguir a aprovação delas, porque sente que só assim será amada).
Dá para ver algumas páginas dele aqui: http://books.google.com.br/books?id=fpGqnZq4FHoC&printsec=frontcover&hl=pt-BR#v=onepage&q&f=false
Um abraço muito apertado! Estamos juntes!

Leandro disse...

Eu sou gay e me identifiquei em vários pontos da história. Tbm tive uma adolescência complicada, marcada por muitas paixões platônicas (e muitas desilusões também). Mudei de cidade, mas a coisa não melhorou mto, até pq sou uma pessoa mto reservada e introvertida e isso dificulta bastante a interação com outras pessoas. Tive algumas experiências sexuais com caras que conheci no Grindr e no Scruff, mas todas mto passageiras. De uma certa forma, ando numa fase meio depressiva tbm, por causa de todas essas dificuldades que encontrei em meu caminho. Eu tbm tinha o sonho de me casar com alguém, mas acabei desistindo disso. Não quero com isso influenciar nem desiludir ninguém, acho importante continuar com os nossos sonhos, mesmo com todas as dificuldades. Não digo que desisti definitivamente, mas ando sem esperanças de encontrar alguém e tô tentando ao máximo não me importar com isso, e procurar fazer outras coisas agradáveis e me dedicar a outras coisas.

Anônimo disse...

Me identifiquei um pouco com a sua historia. Sou gay 17 anos meio deprimido. Ja tive 4 amores platonicos passageiros. Mas a pouco tempo passou para o quinto. E um cara bonito, fica perfeito com ou sem oculos. A unica coisa que eu posso fazer e observar ele de longe e saber que ele nunca ira gostar de mim.
Ele e noivo(vi a aliança na mao dele), tem filho(a)(nao sei ao certo mas uma dona conversou com ele e ele disse que tinha nascido), eu nunca se quer falei com ele. So vejo ele quando as vezes pego o onibus no mesmo horario que ele. Ele reparou que eu olho pra ele ate escutei no onibus um cara dizendo que ja estava irritado com um menino que vivia olhando pra ele( eu olho pra ele entao devia ser de mim q ele tava falando). As vezes ele olha pra mim, mas e mais um olhar tipo: sera que aquela praga ainda ta olhando pra mim?
Mesmo sabendo q e impossivel ainda sou burro o bastante pra continuar nutrindo esse amor platonico em meu coraçao.
Como voce disse eu tambem espero encontrar um cara que me ame e que queira algo serio comigo. Ainda nao sou assumido mas um dia ainda vou me assumir.
Te desejo sorte L.

Lucas meliva disse...

Eu sou hetero e tenho amigos gays que respeitam minha sexualidade infelizmente percebi que alguns gays falam muito mal de lesbicas coisas bem escrotas mesmo como eu vi tem gays machistas e lesbicas tambem sofrem muito machismo. E ate preconceito de mulheres heteros que dizem ter medo de serem "contaminadas"