sábado, 14 de junho de 2014

GUEST POST: A DOR DE TER UMA FILHA QUE SE CORTA

Um comovente relato da T.:

Sou leitora assídua do blog, e o post “Alternativas para não se machucar”, sobre self-harm [auto-mutilação], me tocou profundamente. 
Tenho uma filha que está saindo da adolescência e entrando na fase adulta. Com todas aquelas dúvidas, curiosidades e frustrações que competem à fase. 
Ela sempre foi muito tímida, e vou te confessar que não facilitei. Meu casamento com o pai dela foi péssimo e eu tenho consciência que o inferno que eu vivi durante seis anos, ela viveu em dobro. Também tenho consciência da barra que ela sofreu longe de mim, quando eu tive que correr atrás de emprego, de faculdade, e da vida que eu não tive oportunidade de viver.
Não sei se por isso, ou se por outro motivo que não vou conseguir entender, ela sempre foi uma menina muito reservada. MUITO.
Eu tentei respeitar esse lado dela, tentava não ser tão invasiva. Quando ela não queria conversar, eu me calava, quando ela não queria compartilhar os sentimentos, eu respeitava. Parecia que o problema era mais comigo. Eu me incomodava muito com a situação, mas ela não demonstrava tristeza ou melancolia, parecia que só queria ficar sozinha. E eu respeitei.
Mas as coisas começaram a sair um pouco do controle e a aparente timidez começou a dar lugar a uma certa irritação dela com o mundo. Parecia que ela tinha raiva da nossa casa, raiva de mim, raiva até da comida que eu colocava na mesa. Cada vez que eu tentava chegar perto, a irritação aumentava e ela se fechava ainda mais.
Até que um dia, ela quis sair de casa e eu não permiti. Ela não tinha emprego, não tinha onde morar e eu não tinha condições financeiras de bancar isso tudo (nem acho que seja obrigação minha). Argumentei que daria todo o apoio que eu pudesse, desde que ela tivesse um plano. Ela faz faculdade, e era só questão de tempo pra que ela conseguisse um estágio e pudesse se bancar. Essa discussão foi extremamente exaustiva, inclusive fisicamente, e durou a noite inteira.
Na manhã seguinte, fui até o quarto dela pra ver como estava. Foi quando vi seus braços completamente cortados. Foi uma cena horrível. A primeira coisa que me passou pela cabeça foi que ela tenha tentado se matar. Imediatamente levei minha filha até o hospital e finalmente eu fui apresentada a essa coisa horrível, misteriosa e sufocante chamada self-harm. Descobri também que ela já tinha feito isso antes.
Já tinha lido alguma coisa a respeito e eu era dessas que achava isso uma tremenda falta do que fazer. Eu tinha o maior preconceito do mundo contra essas meninas: “Mas que absurdo se cortar?!”, “A pessoa tem tudo que precisa e se corta?! Só pode ser frescura!” Sim, eu pensava assim. E o choque de descobrir que minha filha tem esse problema foi um tapa na minha cara. Eu fiquei totalmente perdida, não sabia nem por onde começar a pedir ajuda, não sabia a quem recorrer: terapia? Psicólogx? Psiquiatra?
Comecei a ler TUDO que encontrei sobre o assunto, e a cada nova informação, meu coração doía mais. Como uma dor pode ser tão insuportável que você chega a cortar a própria carne? Como eu pude deixar as coisas chegarem a esse ponto? Como eu não percebi que minha filha estava sofrendo tanto? Como não percebi as vezes que ela saía de casa com mangas compridas mesmo fazendo calor? Como? Culpas e mais culpas.
Através da indicação de um amigo, consegui uma profissional maravilhosa que está nos ajudando muito a lidar com esse problema. E estamos fazendo terapia.
Lola, acho que você é das poucas pessoas que abrem seu espaço pra tratar desse assunto de forma direta e clara. É uma angústia tremenda estar numa situação desesperadora e não ter ideia de como sair dela. Lendo o post das alternativas, identifico muitas coisas que minha filha está fazendo agora pra cuidar dessa dor que ela sente. E fiquei extremamente feliz em perceber que ela está tentando se livrar dessa.
Seu espaço é um lugar de visibilidade, as pessoas param tudo pra te ler. Eu respeito muito suas palavras e seu conhecimento, e foi uma alegria/alívio ler esse post no SEU blog. Foi como se fosse um atestado de autenticidade.
Se me cabe um conselho a outras mães, sejam mais invasivas, perguntem mais, tentem interagir melhor. A gente tem aquela falsa impressão de que temos que deixar nossxs filhxs à vontade, sem se intrometer. Claro, é preciso respeitar a privacidade e individualidade de cada um, mas siga sua intuição, e quando notar que algo está errado tente descobrir o que é, não deixe a cargo da sorte ou do acaso.

Meu comentário: T., querida, é como eu já disse algumas vezes -- até pouco tempo, eu nem imaginava que pessoas (principalmente adolescentes, principalmente meninas) se auto-mutilassem. E certamente não sabia que este fosse um problema tão abrangente (17% das adolescentes americanas se autoflagelam; em 2012, na Grã-Bretanha, hospitais trataram 18 mil meninas e 4 mil meninos, todos entre 10 e 19 anos, que haviam se cortado). Quer dizer, está longe de ser um problema isolado, longe de ser "frescura". 
Ao contrário da anorexia, que é muitas vezes orgulhosamente exposta em redes sociais, a autoflagelação era algo que se fazia escondido. O verbo está no passado porque parece que ultimamente tem mais e mais adolescentes tirando selfie do seu corte. Elas não querem pedir ajuda à família, então pedem nas redes. 
O amor fala mais alto que a
automutilação
O seu relato, T., traz um outro ângulo, que é a reação de uma mãe ao descobrir que a filha está passando por uma fase tão destrutiva. Imagino como você deve ter se sentido culpada. Mas o importante é que você está ciente, e que, juntas, vocês estão tentando sair dessa. E vão conseguir. 

51 comentários:

Igor Pedras disse...

Eu queria uma ajudinha das leitoras. Tem muita gente chamando o meu texto de "elitista e preconceituoso", mas sinceramente eu não consigo encontrar isso. Vocês poderiam me ajudar dizendo onde está no texto justificar porque soa "elitista e preconceituoso"?

http://nerderudito.blogspot.com.br/2014/05/carta-aberta-para-os-mascus.html

Anônimo disse...

Assistam "Orange is the new black". Assistam.

Anônimo disse...

Igor Pedras,

só alguns argumentos ficaram meio confusos, pois vc falou de mt coisa.

Só achei estranha a parte de se vingar, pareceu que todo mundo tem obrigação disso, que vc só está se "vingando" de um jeito diferente, parece q vc tem que provar para quem te desprezou fazendo eles sentirem inveja de vc... sei lá, só soou esquisito pra mim. Eu poderia continuar a minha vida sem fazer que me desprezou sentir inveja...

notyourmari disse...

Essa carta poderia ter sido escrita pela minha mãe. Mas eu já digo que minha mãe passou anos demais achando que eu era "fresca" e tentando me controlar do que tentando me entender. Ela só ficava brava. Ela perguntava "mas porque você fez isso?" num tom de voz tão autoritário que eu nunca tive coragem de dizer nada.
Algumas fases da minha vida eu ainda penso em levar um estilete toda vez que entro numa papelaria, mas já faz três anos que jogaram fora o último.
Quando eu comecei a morar sozinha, a única coisa que eu queria era alguém que me compreendesse. Inconscientemente, eu queria outra família.
Claro, eu nunca pude conversar com a minha mãe, e nenhum desconhecido iria se preocupar comigo. Fiquei sozinha. Me virei sozinha.

Por favor, T. Nunca abandone sua filha. Não deixe a casa virar ambiente hostil. O desespero e a ansiedade de sentir que não se pode ser como se é geram essa raiva dela. Eu tenho certeza de que ela te ama profundamente e quer muito seu amor e a sua ajuda.
Seu exemplo devia ser seguido por todas as mães.

Anônimo disse...

Igor, você tenta "falar a língua" do mascu e usa clichês como a menina bonita que você namorou era interesseira e isso não foi legal, ou a coisa de "vingar-se" -- no final das contas, você reproduz no seu texto a lógica da mulher como prêmio ou demonstração de status, apenas "ensinando a fazer do jeito certo"

Igor Pedras disse...

Anônimo das 13:46

Eu falei de vingança porque esse conceito é muito comum para os mascus. Se vingar das mulheres que dão um fora é o que faz muito reaça virar um mascu. Eu apenas disse que eles poderiam se "vingar" assim (que, no fundo, não é vingança) invés de cometer feminicídio.

Igor Pedras disse...

Ah, e eu deveria comentar sobre o post da Lola:

Eu não fazia idéia que a auto-mutilação era tão comum assim. Digo: não é algo muito comum entre as minhas colegas, mas eu vivo em um ambiente elitizado. Mas eu não sei se classe social influencia esse ato :(

Igor Pedras disse...

Anônimo das 14:12

Sim, eu tentei falar a "lingua dos mascus". Eu falei da interesseira, mas eu não generalizei. A minha intenção era falar que querer "qualquer garota a todo custo" pode te levar a uma encrenca.

Nossa! Eu queria desmontar o conceito de "mulher como prêio", mas muita gente percebeu como perpetuação disso. Eu me sinto tão cabisbaixo e deprimido ao perceber da mensagem subliminar de perpetuação. Nem tive intenção. :'(

Acho que deveríamos dar mais atenção a filha mutilada do post porque ela merece MUITO mais atenção do que eu.

Anônimo disse...

A pessoa não tem o direito de se cortar, ainda mais sendo maior de idade? Como fica a história de "meu corpo, minhas regras"?

Cyberia disse...

Igor

Pra ser sincera gostei do seu texto. Não costumo comentar mto em blogs (mesmo aqui é raro) mas li e achei interessante. De repente por ser um pouco nerd eu mesma. Perfeição ninguém atinge, oras... Achei muito válida sua intenção. Gostei especialmente do paragrafo que começa com "Ser legal não é somente não...". De qualquer forma espero que quem encontrou defeitos te críticas construtivas
e que com elas você só melhore. :)

Quanto ao guest post... Que triste. Passei por uma fase onde tinha vontade de fazer isso, estava passando por problemas alimentares e... acho que algo como depressão. Não sei. Foi uma fase muito difícil e minha família estava completamente confusa. Imagino que se sentiram muito impotentes. Nem sei dizer como eles poderiam ter me ajudado... Estou bem melhor atualmente, mas puxa, realmente achei que fosse morrer naquela época...

Anônimo disse...

Gostaria de compartilhar que já passei por isso (sentir uma angústia tão forte que o único escape era me cortar). Mas, olhando p/ trás, vejo que foi um momento de transição, e que foi possível descobrir meios de resolver a angústia. O importante é buscar os meios (terapia? esporte? dança? pintura?), encontrar e dedicar tempo e espírito neste canal. Bem, hoje me sinto muito tranquila e vejo que o meu processo se deu por aí...

Paula disse...

É muito triste ver que tem pessoas que encaram um distúrbio tão sério e tão destrutivo como "frescura". Eu sofro de depressão e, mesmo que eu nuca tenha me cortado, eu entendo o sofrimento da filha da T.

A gente sempre tenta esconder, porque sabe que ninguém pode entender. Muitos não entendem esses distúrbios pelo simples fato delas nunca terem sentido algo parecido na pele. É muito difícil falar sobre essas coisas. E quanto mais escondemos, quanto mais guardamos essas dores para nós, mais difícil fica de suportar; daí a vontade de tirar essa pesadíssima dor de dentro pelo sangue jorrando nas feridas da automutilação. Esse post me tocou muito, porque já conheci pessoas que se cortam, e já vi inúmeros post no Tumblr sobre isso. Há ignorantes que dizem que isso é para chamar a atenção, que uma garota que se corta e mostra isso na internet não passa de uma "attention whore", mas na verdade, elas estão cansadas e pedem por socorro, já que não acham esse socorro em casa por medo ou por algum outro motivo.

Não desista da sua filha, T. Minha mãe nunca desistiu de mim. Lute junto com ela.

Anônimo disse...

Olá Lola e leitorxs,
leio o blog diariamente e raramente comento aqui, sou mais ativo em fóruns e blogs de música... E estou passando aqui só para te mostrar um incidente que ocorreu essa semana.
Uma cantora já bem conhecida internacionalmente, chamada Sky Ferreira, passando aqui no Brasil em sua turnê, concedeu uma entrevista para o talk show de Danilo Gentili foi alvo de uma "piada" bem machista. Isso repercutiu em grandes sites de música, vou deixar um link caso vocês queiram dar uma lida: http://pitchfork.com/news/55562-sky-ferreira-performs-youre-not-the-one-on-brazilian-tv-show-sits-down-for-incredibly-awkward-interview/

Anônimo disse...

A minha família até perguntou o que eram as mascas em meu braços falei que eu quem fiz e ignoraram. Só a minha mãe que falou " quer se matar?Te dou a corda, mas não se mate dentro da minha casa. Eu não quero me matar quero apenas exteriorizar a dor que me sufoca, o silêncio me angustia. Não tenho coragem de dizer que o maníaco da rua me estuprou ele foi por estuprar a sobrinha, mas eu também fui humilhada e calou o meu grito no murro. Machista idiota que falou ao meu ouvido que eu era dele como se eu fosse um objeto. O resultado é que parei de me cortar quando saí de casa. Tudo me incomodava porque ninguém percebeu que eu mudei.Os cortes geralmente são nos braços ( tão visíveis e ninguém nota) e nas coxas onde a gente cobre com a roupa. Eu não sentia doer o corte o que dói mais é o silêncio. Só falo aqui dos meus temores ninguém me conhece mesmo e se eu morrer com isso ninguém vai se lamentar o que fiz e porque fiz.

Anônimo disse...

Sabe qual é a pior pergunta do mundo?Porque vc fez isso? Esa pergunta já tras pra quem faz isso uma peso gigante de culpa de repressão,pergunte em silêncio pra si mesma.Eu só sei que sentir a dor de fora é melhor que sentir a dor insuportável de dentro e caso a gente não pre com a dor de dentro a única saída é o suicídio,então no meu caso a auto-mutilação era um meio de sobrevivência e de pedir socorro,queria que o mundo visse aquilo e alguém me desse colo,perguntasse coisas referentes a mim,tipo:"como posso ajudar?" e não coisas egoístas como "como vc pode fazer isso?".E te digo,com dois braços enfaixados,nunca! Nunca ninguém perguntou ,ou então acreditaram que ralei no muro,ou foram os gatos.Eu nunca tive ajuda a não ser de profissionais e quando eu fiz de propósito no meu TCC,achando que seria fácil,foi a coisa mais terrível do mundo,tive a dimensão exata do que era se ferir e senti as emoções,o não valer nada,o vazio,a dor e exitir,de ter sido machucada desde tão pequena.Isso não é modinha,mesmo porque dói viu,pode infeccionar e as marcas que ficam são tatuagens de vergonha que eu sonho em cobrir.Infelizmente esse meu segredo será amplamente exposto em um processo judicial,onde meu ex-marido está fazendo de tudo para me esculhambar como mãe,não sei como será ainda,mas será bem difícil e eu continuo sem ninguém pra me ajudar.

Raven~ disse...

Eu ainda tenho as marcas. Ninguém nunca soube, mas não faz diferença. Faz tempo que passou, mas é que nem reunião da AA... Só por hoje eu não...


Notyourmari, adorei seu blog...

Sara disse...

T.por tudo q vc relatou a última coisa que vc devia sentir é culpa.
Vc esta fazendo tudo o q pode por sua filha, e tem certas coisas que estão fora do nosso alcance, sua filha tem sua individualidade única, sobre a qual vc não tem poder.
Esse tratamento q vc esta proporcionando a ela, e seguir as orientações desses profissionais é tudo o q vc pode fazer, o resto é com sua filha e as escolhas q ela vai fazer.
Acho q a sociedade em geral joga uma carga nos ombros das mães, responsabilizando-as por tudo q possa acontecer com seus filhos, talvez na infância isso possa até ter algum sentido, mas qdo nossos filhos crescem só podemos fazer o q vc disse q fez, não podemos prever tudo, nem tão pouco controlar os sentimentos dos nossos filhos.
Parece q esse problema esta ficando comum, eu mesma tenho duas amigas passando por isso.
Sinceramente espero q sua filha reaja e saia dessa condição.

Anônimo disse...

quero dizer para a mãe do guest post: não cultive a culpa. Sou mãe de um rapaz e não tá fácil - aliás q adolescência é fácil? e ngm me convence q tenho q ser autoritária, fazer barraco e dramalhão. Uma das batalhas de tornar-se adulto é largar de cultivar a culpabilização da mãe e digo mãe pq é tão comum sobrar pras mães a lida diária com os filhos...pois é notório nesse blog várias moças criticando duramente as mães, até a lola, enquanto os pais recebem elogios - não será pq estes só aparecem de vez em qdo, mantendo um encanto ilusório?

notyourmari disse...

Anon das 17:47

Eu acho que elogiar os pais deve ter a ver com o fato de que homem que resolve ser pai de verdade é raro. Pai é uma abstração, eu sempre digo.

Eu sei que devemos reconhecer que mães são humanas, e parar de culpabilizar elas por tudo. Eu sei que minha mãe não tem culpa pelo que aconteceu comigo. Eu tenho uma irmã e minha irmã não tem problema nenhum. Então algo foi errado em mim tanto quanto tem algo errado com a minha mãe. E tá tudo bem com isso. Eu só acho que a gente tem direito de se magoar com nossas mães, ao invés de mantê-las intocadas. Isso faz parte de reconhecer a humanidade de nossas mães. Deixar o símbolo para formar uma pessoa real.



Raven~ - Obrigada :3 Fiquei vermelha :3

Anônimo disse...

Escrevi contando meu drama no guest post do STalker,como eu não conseguia me livrar do amor que sentia por um rapaz que nem sabe que gosto dele.
è engraçado ler este guest post,pq justamente apouco,vi uma foto dele com a namorada,e a vontade de vomitar o que acabei de comer,junto com a sensação crescente que tenho que cortar meus dedos fica crescendo cada vez mais,sabe é estranho,eu sei que é irracional,que é errado,mas,a vontade...Como se a dor do corte,fosse menos que a dor de ver a foto,é como se os dedos cortados servissem para liberar este fluxo de tristeza que corre.
Eu não sei se não vou fazer,eu não sei se vou fazer,eu só sei que a vontade é maior,que a paz que ela tras,sempre é maior...
Nâo existe empoderamento feminista nesta hora,só seres humanos.

Sara disse...

notyourmari perfeito seu comentário, mães são seres humanos tão passiveis de erros como qualquer um, erram pra caramba, a minha errou, eu tb com minhas filhas, mas o q é importante saber é q nem os filhos nem as mães erram pra ferir, e sim erram tentando acertar.
E alem do mais tem muita coisa q a gente considera um erro no presente, mas q no futuro vai entender melhor as coisas e ver q não foi um erro, e sim a decisão certa a ser tomada.
Isso já aconteceu comigo em relação a minha mãe, no passado tivemos muitos problemas ao ponto de eu não querer mais contato com ela, e hje eu percebo q a errada era eu.
Por isso qdo tenho algum problema com minhas filhas, que eu saiba q não é possivel fazê-las me entender, digo a elas q será melhor conversar sobre esse assunto daqui há vários anos, qdo elas estiverem em uma situação semelhante a q eu estou vivendo no momento.

Zrs disse...

Viver é isso mesmo, as mães idealizam , os filhos idealizam, mas a vida real é outra.

Mãe, não se culpe, como disseram acima , sua filha não é uma extensão de você, da sua história, ela é um ser único, que pode te odiar, te amar,pode querer morrer ou viver e pelos mais variados motivos, desde muita atenção à falta de; lembre-se, tudo pode ser um motivo para a pessoa tomar um caminho como o que a sua filha tomou,não temos controle sobre isso: "mente é terra que o outro não pisa"

Falo isso como uma filha extremamente destrutiva que fui, odiava com todas as forças a minha mãe, tentei de todas as formas me destruir, mas cresci, encontrei meu caminho e uma nova e bonita história com minha mãe.

Filho é mesmo uma caixa de surpresas e sem manual de uso.

Boa sorte nos tratamentos.

Nane disse...

Minha irmã está vivendo isso.

Anônimo disse...

Anônimos bocós!! Se cortar não é "normal", ninguém se fere e sente dor de propósito, isso tem algum motivo. Não confundam...

Raven~ disse...

^^ que bonitinha. Huashu

Raven~ disse...

Pe anon das 20e05. Tem algum jeito de eu te ajudar? :(

Anônimo disse...

Lola, é um pouco de descuido colocar imagens de pessoas cortadas em um post sobre self-harm. Pra muita gente, esse tipo de foto é triggering, então afasta algumas das pessoas que poderiam ser ajudadas

Anônimo disse...

T.
Como mãe, você fez tudo o que pode fazer por sua filha. Você fez certo, você não julgou, se informou e deu o apoio e a ajuda que ela precisava.
Como pessoa portadora de depressão e TOC sei o quanto é fundamental ter atendimento médico.
Eu já me cortei, mas pra mim a forma que eu encontrei de extravasar minha ansiedade, culpa, medo, angústia foi a tricotilomania...

Começou na infância, perdura até hoje. A intensidade dos sintomas varia de tempos em tempos.

Queria muito, do fundo do coração, que minha mãe tivesse feito por mim o que você fez pela sua filha...


Jane Doe

Anônimo disse...

Quanto a culpabilizar mães...

Esse é um tema pesado e emocional pra mim.
Hoje eu tenho maturidade pra entender que parte do mal que minha mãe me fez foi culpa da sobrecarga de trabalho, da própria educação que ela recebeu, dos tempos que eram diferentes e do machismo - ah... olha ele aqui mais uma vez - minha mãe já foi EXTREMAMENTE machista.

Mas tem o outro lado da moeda pelo qual não existe explicação - eu sofri MUITA, mas MUITA HUMILHAÇÃO GRATUITA por parte da minha mãe. Ainda me lembro durante a minha infância de viver pisando em ovos ao redor dela. Me lembro da angústia de olhar no relógio e saber que ela estava pra chegar em casa. Muito raramente eu associei a presença da minha mãe como algo bom e reconfortante.
O resto da família ficava muito feliz em ignorar o problema e fazer de conta que não via.

Acontece que vivemos em um mundo em que a maternidade ainda é uma obrigação moral feminina. É um tabu imenso sugerir que as pessoas devem refletir antes de ter filhos - isso tido como um ataque aos direitos reprodutivos. O mito do amor materno, da maternidade como algo sacro acima do bem e do mal não está dando o mínimo sinal de esmorecer - e pior - não é raro ver muitas feministas endossando isso.

Sim, mães são humanas e erram, grande parte das vezes tentando acertar;
De maneira nenhuma - e eu como feminista só tenho que reafirmar isso - tudo o que dá errado como os filhos é culpa da mãe;
Porém é obrigação DOS PAIS (assim no plural) pelo menos tentar prover o mínimo de segurança emocional para os filhos.
Se querem fugir dessa responsabilidade básica façam o favor - poupem vocês mesmos e seus possíveis filhos de tamanho sofrimento e NÃO REPRODUZAM.


Jane Doe

Maria Fernanda Lamim disse...

Anon das 20:05, leilão post da Lola sobre as alternativas ao self-harm (tá tagueado no texto). Eu não cheguei a ter problemas com isso, mas em momentos de angústia e raiva muito profundas, uma das coisas listadas no post (escrever na pele) me alíviou muito. Não se machuque! :(

Marcia Baratto disse...

T. só posso supor que a maternidade não é fácil, mas você é corajosa. Respeite e ame a sua filha como vem fazendo e não deixe de a apoiar.

Te achei uma mãe porreta por ser capaz de mudar para ajudar sua filha.
E espero que ela fique bem e sinta amada e respeitada.

Anônimo disse...

OI gente,eu sou o anonimo das 20:05,obrigada por se preocuparem,mesmo!mas,eu preciso resolver isso dentro de mim mesma,para poder voltar a ser forte.Já tentei de tudo,escrever em cadernos,na parede,na pele.
Tava fazendo tratamento psicologico,mas,eu não consigo ir e me sentir confortavel com um profissional pago pra ouvir minhas dores.
DEssa vez,acho que a dor veio mais forte,pq o rapaz e eu somos muito amigos agora.De uma hora pra outra ele resolveu me declarar melhor amiga dele,e isso me faz escutar detalhes sobre seu namoro e de como eles são felizes.Estou vendo a hora que ele vai me falar que vai casar com ela,e ai não sei como vai ser.EU me esforço,mas,não consigo me interessar por ninguem,e sei que isso está errado,pq não é racional colocar nossa felicidade na existencia de outra pessoa.
Daqui a pouco,entro para dá mais uma das minhas palestras sobre empoderamento e feminismo,a sensação de ser uma farsa é algo que me desmotiva,pensar de que empoderamento posso falar,se eu mesmo me tornei uma mulher submissa a um amor sem esperanças?Fico pensando que ainda este semestre darei uma palestra na cidade dele,não sei como vou conseguir lidar em te-lo por perto com sua namorada,se vou me cortar ou vomitar e depois fingir que está tudo bem.
Desculpe o mimimi,mas,é que as vezes o desabafo que me dá força pra suportar esta dor que eu mesma construi.

Anônimo disse...

http://wehuntedthemammoth.com/2013/07/14/heartiste-cunnilingus-is-for-betas-because-vaginas-are-icky/
Lola, não tem nada a ver com o post, mas dá uma olhada nas idéias desse PUA. Supostamente, um cara que vive de ensinar homens a terem acessos ao máximo de vaginas possível considera vaginas nojentas. Eu dei risada, na verdade.

Raven~ disse...

De jeito nenhum é mimimi. Nem esquente.

Anônimo disse...

Eu já tive depressão por quase 6 anos e nunca cheguei a esse ponto.

Ao invés disso, compus e gravei rap (meu codinome é abreviatura de Brotha Lynch Hung, rapper horrorcore americano).

Eu escrevia textos e compunha batidas de rap altas horas da madrugada.

Quando necessário, chorei.Ouvi muita música triste.

Não sobraram marcas na minha pele, só mensagens em pedaços de papel e no computador.

E eu não me lembro de quase nada do que me deprimiu À época.

O que acontece com quem deixa essas marcas na pele?

Concordo que não posso medir a dor dos outros. Mas, sei lá, com tantas opções, pra que se cortar?

BLH

Lorena disse...

Eu nunca me cortei mas tive uma colega de escola que fazia isso, ela se cortava com estilete, uma vez ela fez na minha frente dentro da sala de aula, eu fiquei assustada o corte sangrava mas ela parecia não sentir dor. Eu tive depressão metade da minha vida, nas minhas 'crises' me trancava no quarto no escuro e ligava o som o mais alto possível até me dar dor de cabeça, hoje me considero curada da depressão e não suporto ficar no escuro me dá angústia e também não consigo ouvir música alto que me dá ânsia de vomito.

Anônimo disse...

anon das 20:05 minha situação é parecida com a sua, mas a unica diferença é que ja senti vontade de fazer mal a ele pois não aguento mais essa angústia.

Anônimo disse...

Gente, não tem nada a ver com o assunto, mas tenho uma dúvida: fui assediada recentemente no Facebook. Um cara enviou uma mensagem para mim mostrando o falo. Ameacei denunciar, mas na verdade não sei como fazer. Vou à Delegacia da Mulher e apresento o meu caso, mesmo este cara morando sei lá onde?
Pensei em denunciar o perfil dele, mas não quero que ele tenha a oportunidade de fazer com outras mulheres o que fez comigo.
Abraços.

Gle disse...

Chocante esse relato! Como minha mãe sempre me disse, conversa resolve a maioria dos problemas, mas não todos. Às vezes é preciso pedir ajuda, sair do casulo.
Deixo aqui meus PARABÉNS à T. que soube como lidar com a situação. Muitas mães se desesperam e se preocupam mais com o que "os outros vão dizer" do que com o próprio problema, sua própria família! Que as energias positivas rondem este caso e que logo possamos ter um guest post feliz aqui dessas duas (mãe e filha) bem.
Aos que julgam, só digo para se colocarem por alguns instantes dentro da situação. Um dia a gente sempre acaba passando por alguma dificuldade e é tão bom ouvir palavras confortantes ao invés de sair julgando... Força e paz!

Anônimo disse...

"Self-harm"? Sério?! Que ridículo, não sabe falar português? Quer pagar de metido a gringo?

Foi um relato interessante e importante como aviso para pessoas que passam por situações semelhantes, mas essa mania idiota de enfiar um termo estrangeiro onde não deve me tira do sério.

@dddrocha disse...

Só uma coisa, mãe: esse conselho "sejam mais invasivas", está totalmente equivocado. Quanto mais uma mãe invade a privacidade de seus filhos, mais eles se escondem.
O ideal é que haja uma relação aberta, sem cobranças excessivas e de amizade.
É importante também que você pare de se culpar para que o tratamento dê certo, superar o passado faz parte de um novo futuro...

Lari disse...

Parabéns, T., pelo relato e pela coragem de ajudar a filha. Como filha que se cortava, não consigo nem imaginar a dor que minha mãe sentia toda vez que ela via marcas novas no meu braço.
A melhor coisa é não ignorar, conversar, oferecer ajuda, e lutar contra isso juntas, como mãe e filha. Minha mãe não fala sobre isso comigo e é algo que eu sinto falta, porque foi uma fase muito pesada da minha vida e eu tenho orgulho de ter superado.

T., lutando junto com a tua filha, saiba que há esperança. Eu não me corto há 2 anos, hoje moro sozinha, no exterior e não penso mais em me cortar quando fico mal.

Anônimo disse...

Por favor, alguém me ajude com isso também. Minha irmã de 17 anos faz o mesmo consigo mesma. Já soube de duas ocasiões onde ela se cortou. Minha mãe inclusive encontrou nas coisas dela um monte de giletes e colocou fora. Não sabemos o que fazer diante disso. Perguntamos a ela o porque fazer isso e ela desconversa, fica calada, pede pra não falar disso, fica brava. Só consigo dar amor pra ela e sei que meus pais fazem o mesmo. É uma menina inteligente e que lê muito, não sei pq ela faz isso. Os problemas que ela pode ter são os mesmos que eu também tinha na infância e adolescência, ou seja, não poder sair para baladas, ter que ficar em casa estudando. Essa foi nossa criação e esta sendo assim com ela, pois meus pais acreditam que devem controlar ao máximo para que os filhos não façam bobagem e se percam na vida. Somos uma família pobre, talvez a ansiedade em desfrutar do mundo pode estar deixando ela ansiosa. Me recuso a acreditar que ela possa ter sido abusada sexualmente por alguém, já que ela é aparentemente forte e eu sempre tenho conversas com ela sobre isso, sobre a liberdade que ela teria em me contar qualquer coisa. Sinceramente, se eu soubesse de algo assim, mataria o cretino sem pensar duas vezes. Li alguns relatos das meninas aqui e fiquei muito triste. Se vocês querem alguém que lhes ajude pq não deixam as pessoas se aproximarem? Eu tento falar sobre isso com a minha irmã mas ela é arredia, troca de assunto, pede pra não falarmos disso. Ela é o amor da minha vida e não quero que ela sofra sem que eu possa fazer algo pra ajudar. Hoje descobrimos que minha mãe esta com câncer e ate agora não consegui dormir pensando nisso. Tenho medo de como minha irmã vai reagir diante disso. Preciso de dicas, por favor, me ajudem.

Anônimo disse...

Fiquei feliz com seu comentário. Descobri que minha filha se corta. Vou leva-la para se tratar. mas fico pensando como não percebi sua tristeza. descobri de repente e espero ajudar minha princesa. eu quis tanto protegê-la que a sufoquei. Estou muito preocupada.me sinto culpada. Espero que de tempo.

Anônimo disse...

Descobri hoje que minha filha se automutila estou arrasada...

Anônimo disse...

Minha filha sempre foi muito reservada e nunca fala sobre seus sentimentos, embora seja minha única filha eu nunca a vejo chorar, nunca vi nela sintomas de depressão, porém hoje vi marcas de cortes nos pulsos dela, ela não quis me dizer porque fez isso, disse que não ia mais fazer, mas eu estou muito preocupada. Será que devo leva-la no psicologo? Ou psiquiatra? Estou destruida, me sentindo a pior das mães e não sei o que fazer, por favor me ajudem

Anônimo disse...

Olá eu sei que este post é meio antigo mas...Eu preciso de ajuda,e não sei como contar a minha mãe sobre meus problemas (inclusive a auto-mutilação),no fundo acho que ela não vai aceitar e vai pensar que tudo isso é "bobeira" e que só quero chamar atenção.
Bom,preciso urgentemente de ajuda pois não estou mais aguentando viver nisso,meu pai faleceu a um tempo e desde então tudo veio em cima de mim.Por favor preciso de ajuda.
Obrigada!

Anônimo disse...

Oi, tive os mesmos problemas com minha filha de 14 anos.Procurei imediatamente um psiquiatra e uma psicologa gastei todo meu dinheiro com médicos e remédios. Ela tomava antidepressivo ansiolítico ficava dopada, tudo só piorou falava com o medico que ia se matar.UM DIA ELA VIROU PARA MIM E FALOU QUE QUERIA ESTUDAR EM UMA ESCOLA PUBLICA EU DISSE QUE NÃO COM MUITA BRIGA ACABEI CEDENDO QUANDO TROQUEI ELA DE ESCOLA ELA VIROU PARA MIM E DISSE AGORA VOCÊ PODE PARA DE TRABALHAR . Fiquei louca como assim sempre trabalhei muito, então resolvi ouvir aquele pedido de socorro,e tudo melhorou dei atenção total a ela parei com a psicologa E com os remédios aos poucos bem devagar. Começamos a caminhar todos os dias e 6 meses depois ela ficou bem,só ai fui saber que ela não queria roupas de marcas não queria estudar em escola particular ela queria atenção. bjs

Unknown disse...

Eu adorei o texto, muito explicativo, da pra fazer algo sim pelas nossas crianças e esse texto mostra isso!

Anônimo disse...

Gente preciso de ajuda, minha irmã de 14 anos mora comigo, depois da separação dos nossos país minha mãe mudou de comportamento, a mãe dedicada passou a ser mãe q não liga para os filhos e minha irmã foi morar com a minha avô, depois de mtas brigas causadas pela minha irmã de propósito pq ela queria morar com a minha mãe de novo, ela disse q não aceitaria ela e que ela deveria morar com o pai, eu sabendo que nosso pai não vale nd, não deixei q isso acontecesse, disse que eu cuidaria dela, e com isso ontem acabei descobrindo q minha irmã está cortando, de início eu fiquei brava, disse q se ela continuasse não ia querer ela aqui assim!! Sabendo q AGI errado fui conversar com ela de novo quando estava mais calma para tentar entende-la, na vdd eu já imaginava que o motivo é que uma "amiga" humilhou ela por ser gordinha e disse q ela era feia, e sempre disse pra ela não ligar para oq os outros pensam, e que ela é linda da maneira q é, que eu tbm sou gordinha mas me amo assim.. Mais sinceramente fico preocupada, amo minha irmã e não quero ve-la sofrendo me ajudem?!

Aytana Meirielly disse...

Boa tarde! Tenho 17 anos e me corto meus país N sabem do meu namorado e alguns amigos mais pedi pra Q n fosse comentado cm ngm, saio mais de blusa de manga comprida quando me corto estando frio ou calor, gosto de me vestir de preto adoro roupas de caveira curto rock, queria parar isso já está sendo muito ruim pra mim é N sei como sair disso tud😔 alguém pode me ajudar ? Tenho zap 064981599629 obgd