quarta-feira, 30 de abril de 2014

GUEST POST: CONTO SOBRE PROSTITUIÇÃO E ESTUPRO

Navalha na Carne, direção de Rubens Camelo. Brasília, 2013

Marianna Graf quer ser atriz. Ela resume: "Certa vez interpretei a prostituta Neusa Sueli da peça Navalha na Carne. A entrega ao papel me fez refletir sobre alguns assuntos". 
Seu jeito de se expressar foi escrevendo o conto abaixo. Como este é o tipo de post difícil de ilustrar, usarei imagens de montagens da peça clássica de Plínio Marcos. Mas o post não tem relação com Navalha na Carne. Conte o seu conto, Marianna!
Mas atenção: trigger warning, ok?

– Ana Beatriz Carvalho.
Tirei os olhos do chão e fitei o dono da voz grave que chamava o meu nome. Ele era grande, forte e fora de forma. Sua barriga proeminente brigava por espaço com o cinto apertado que ele usava com a farda.
– O delegado vai falar com você agora.
Segui pelo corredor na direção que ele indicara. Seu olhar acompanhou a minha saia curta quando passei na sua frente.
Paula Cohen interpreta Neusa 
Em outras circunstâncias, seria um cliente em potencial. Andei devagar por causa da enorme e dolorida mancha roxa que se destacava na pele branca da minha coxa esquerda. Estava descalça, despenteada e tinha os lábios vermelhos e inchados. Linhas escuras delineavam o caminho das minhas lágrimas, pretas por causa da maquiagem. Eu lembrava bem pouco a garota que havia saído de casa mais cedo naquele dia.
Ao chegar na sala, esperei de pé enquanto o delegado, um homem de uns 45 anos e expressão severa, me olhava de cima a baixo, analisando cada centímetro da roupa que eu vestia. Eu estava com uma blusa decotada cuja alça direita pendia logo abaixo dos meus cabelos, deixando à mostra uma parte do sutiã vermelho que abraçava os meus seios. Minha saia era apertada e ia até a metade da coxa. Nas mãos, levava um par de botas longas de couro preto, assim como uma bolsa pequena da mesma cor.
Vera Fischer em filme de 1997
– Estupro, é isso? – ele perguntou enquanto indicava a cadeira à sua frente. Fiz que sim com a cabeça e sentei encolhida. Não conseguia encara-lo: estava assustada, tremia de frio e o peso do julgamento no seu olhar fazia com que eu me sentisse envergonhada. Normalmente não me importava com esse tipo de comportamento, mas a fragilidade da situação na qual eu me encontrava fez com que eu me sentisse como um bicho acuado. – Hum. Bom, não sei o que você esperava saindo de casa desse jeito.
– Ela é prostituta, Senhor – disse um policial no qual eu não havia reparado quando entrei na sala. Seu rosto era estranhamente familiar, mas não o encarei por muito tempo. Era mais confortável olhar para o chão. Todos aqueles homens me lembravam o estuprador. Seus olhares eram violentos e desrespeitosos, como se eu fosse menos do que um objeto qualquer que eles jogavam fora depois de usado.
Jece Valadão e Glauce Rocha em filme
de 1969
– E como é que você sabe disso, Gomes?
O policial corou por um momento – Quem mais usaria esse tipo de roupa, Senhor? Quem mais estaria na rua a essa hora? – ele respondeu quando a confiança voltou. Olhei para ele novamente e o reconheci. Aquele homem e seu olhar de desprezo já haviam sido meus clientes.
O delegado deu uma gargalhada solta – Relaxa, Gomes. Só a sua esposa não sabe das suas escapadinhas. – voltou-se para mim – É verdade, você é uma mulher da vida, então?
Pensei em negar. Pensei em inventar uma história qualquer e dizer que era outra pessoa. Mas não. Nunca escondi quem eu era, e não seriam aqueles homens que mudariam isso. Levantei o rosto e encarei o delegado corajosamente – Sim. Eu sou uma prostituta, uma mulher da vida ou qualquer merda de nome que você queira dar.
Ele gargalhou mais uma vez – Olha o jeito que fala, sua puta – disse em tom de deboche enquanto se espreguiçava. – Caso resolvido. Pra que me chamaram mesmo?
Nesse momento, o encarei com ódio, mas antes que eu pudesse falar, o policial que havia me conduzido respondeu.
– Ela foi espancada, senhor. Olha as marcas.
O delegado revirou os olhos. – Deve ter aprontado alguma pro cafetão, leva essa vadia daqui.
– Você é louco? – Gritei entre lágrimas – Eu fui estuprada! O desgraçado me humilhou, me bateu, roubou tudo que eu tinha conseguido! Olha minha cara! Olha minha perna! Não é por ser prostituta que eu não possa ser estuprada. Eu tô destroçada, tenho o risco de ter pegado qualquer doença e você não vai fazer nada? NADA?
Louise Cardoso e Diogo Vilela
em montagem de 1995
Ele levantou – CALA A SUA BOCA, VADIA! Quer ir em cana? Vou te colocar numa cela cheia de homem pra você saber o que é estupro! Se bem que já deve estar acostumada a dar pra um monte de cara ao mesmo tempo, né? Gente da sua laia é assim. Parece aqueles viados filho da puta que acham que merecem tratamento diferente. Você é puta, não vou prender um homem de carne fraca só pq você quer. Agora...
Alguém bateu na porta.
– Que foi? – Gritou, babando de raiva.
Uma policial entrou timidamente a sala 
Montagem carioca de 2011
– Prendemos o elemento, senhor.
– Ah! Vamo ver o que o seu “estuprador” tem a dizer. – Deu um sorriso irônico – Traga o rapaz aqui, Denise.
Ela voltou pouco depois com a besta que me atacara aquela noite. Lágrimas escorreram quando olhei para ele, mas não baixei os olhos. Ele sorria pra mim de um jeito nojento.
Tonia Carrero como Neusa em
montagem de 1967
– Tire as algemas do rapaz, fulana. – Ela obedeceu. O homem era alto, mais alto que todos ali, mas sua fisionomia não mostrava a força que tinha. Lembrei de quando aquelas mãos imundas puxaram meu cabelo e bateram meu rosto na parede. Lutei, mas o monstro era mais forte. Ele me arrastou até um beco escuro há poucos metros da rua principal e me encostou num muro baixo.
Resisti e gritei quando ele me forçou a ajoelhar. Uma moça que passava na rua com o namorado me olhou com expressão triste, mas eles nada fizeram. 
Foi quando ele encostou uma lâmina afiada no meu pescoço. “Quetinha, vadia.” Puxou minha calcinha e me penetrou com força. Foi como se ele tivesse me rasgado no meio.  Lágrimas escorreram dos meus olhos e eu tentava imaginar que era um programa como outro qualquer enquanto ele forçava aquele pênis nojento para dentro de mim. Não era. 
“Não atende mais essa hora, é, vadia?” ele disse pouco antes de gozar “Nenhuma puta nega pra mim”. Quando terminou, ele se levantou, pegou todo o meu dinheiro na bolsa, cuspiu no chão e foi embora como se nada tivesse acontecido. Permaneci muito tempo ali antes de ter forças e coragem para levantar.
Agora ele estava ali, sendo protegido pelo homem que deveria me defender.
– Conhece essa moça, rapaz? – O delegado perguntou enquanto me olhava com desprezo. O estuprador fez que sim com a cabeça – E o que aconteceu entre vocês hoje?
– Eu paguei pra trepar com ela. Ela disse que tava indo embora, que não atendia mais, e teve que ser no meio da rua mesmo. A gente foi num beco e ela me deu, só que depois ela ficou de olho grande e pediu mais dinheiro. Eu disse que não e ela veio com uma faca pra cima de mim. – Ele mostrou um pequeno corte na camiseta suja, provavelmente causado pela minha resistência – Daí eu tive que me defende, meu Senhor. Ela tentou me mata.
O delegado sorriu satisfeito e dispensou o rapaz. Eu chorava desesperadamente agora. Aquele homem poderia ir atrás de mim novamente, devia estar com ódio. Supliquei que ele me ouvisse, que prendesse o homem e me levasse para ser examinada. Ele simplesmente me olhou friamente e disse – Vai embora agora ou te prendo. Aproveita que eu tô de bom humor.
Os policiais me escoltaram para fora e me senti triste e idiota por ter tentado fazer a denúncia. Para o sistema, prostitutas não são gente. E para essa sociedade imbecil em que vivemos, vítimas de estupro é que são as culpadas.

45 comentários:

Sara disse...

Quando mesmo essa peça foi escrita??? -Seja lá qdo tenha sido, não mudou muita coisa...

lola aronovich disse...

É do ano em que nasci, Sarinha, 1967. A primeira encenação foi em SP, com Walmor Chagas e Cacilda Becker. Grande peça do Plínio Marcos.

Anônimo disse...

Tem como deixar um aviso, um "trigger warning" antes? É bem gráfico, muita gente pode passar mal com o texto...

Anônimo disse...

e no Iraque está prestes a ser aprovada a lei que permite que meninas de 9 anos sejam casadas e devam sexo aos maridos.

Hamanndah disse...

Já prevejo, Lola, uma revoada de comentários mascus com os já previsíveis: "Mulher não gosta de sexo", "Se topa fazer sexo, não pode reclamar de levar uns "sopapos" na cama", etc.

Bem, quero escrever umas coisinhas para os mascus que comentarão neste post, se tiverem inteligência emocional para entenderem:

1) Nós, feministas, pelo menos uma parte delas, não somos contra a prostituição, somos contra a exploração dos serviços dela, a titulo de escravidão, e contra a violência emocional/física perpetrada por cafetões e clientes..alguns clientes como alguns de vocês, que as agridem verbal e fisicamente

2) Quanto uma prostituta topa fazer um programa com você, você não deve entender que ela aceite, de bom grado, ser agredida pelo monstro que você é, por causa do seu dinheiro nojento.

3) Sua esposa;namorada/ficante, quando quiser fazer sexo com você, trate-a com o respeito e carinho que a pessoa que ela é, que nós somos, merecemos numa relação sexual consensual. Se ela topou fazer sexo com você, do mesmo modo que informei acima, ela não está lhe dando sinal verde para agressões gratuitas e ela não quer ser "arrombada/atravessada" por você. Ela, se quer fazer sexo com você, quer ser penetrada por você, que é bem diferente de ser arrombada, com muito carinho antes e depois, pois sexo não se resume, somente, á penetração.

4) Não, nós, as feministas hétero/bi, amamos ser penetradas pelo homem que desejamos/amamos/quereremos. Não venha entender, na sua mente estúpida e doente, que não querer ser "arrombada/etc" seria a mesma coisa que odiar sexo

5) Aliás, odiamos sexo com homens machistas/mascus egoístas nojentos

6) Quando uma mulher se recusa a fazer sexo com seu marido/namorado/ficante, é por que, no mais das vezes esse namorado/marido/ficante acha que uma mulher é uma boneca inflável e, como muitos deles tiveram iniciação com prostitutas, acha que "mulheres não precisam de preliminares e nunca viram um clitóris na sua vida"

7) Em resumo, amamos sexo.....com Homens de verdade, não com babacas misóginos

E, pór último:

8) Respeite o direito da mulher homossexual de rejeitar o seu precioso pênis..simples,assim

Lolita, vá desculpando o loooonggo comentário. Quando eu comento, você sabe que boto para quebrar!

Anônimo disse...

Dolorido, muito dolorido. E dói mais porque é assim que acontece na vida real. E a dor vira revolta, porque se uma mulher diz que não se deve confiar em homem por causa de situações como essa é "mimimi, misandria, sua lésbica, odiadora de homens preconceituosa." Parece que homens podem tratar as mulheres como bem qusierem, as as mulheres são obrigadas a amar e confiar em quem pode ser seu maior carrasco. Dá raiva.

Aí lembro de quando eu li Sin City; as prostitutas da cidade eram donas da área, polícia não se metia com elas, se algum mané bancasse o 'engraçadinho' saía morto... e desculpa, mas penso que seria melhor se fosse assim na vida real. Sei que violência não é bom, mas na minha opinião antes um estuprador se ferrar que uma prostituta.

Natascha Fox disse...

Muito triste. Quando eu penso que tem mulheres que passam por situações assim, que são desrespeitadas nos seus direitos mais elementares, meu coração congela de tanto horror. Até quando? :(

Anônimo disse...

Cê tá de brinqs qui eu vô lê esse lixo. Plinio Marcos, ecaaaaaa!

Anônimo disse...

Lola, por favor, põe trigger warning! :*

B. disse...

Senti agonia ao ler o conto! Assustadoramente real...me deu vontade de chorar, sério...que porra de sociedade é essa? O "delegado" do conto não é fictício, infelizmente! Depois, quando tem mulheres fazendo justiça com as próprias mãos, ainda reclamam! Mas quem deveria nos proteger, o que faz? Ri da gente!

Anna Milani disse...

Isso não é um delegado, é um escrotossauro, como diz a Lola! Pelo amor de algum Deus! Como o nojento RI disso?? Como disse alguém aí, depois reclamam quando a mulher mata o estuprador.

Não interessa se é prostituta! Ela precisa dar consentimento, como qualquer mulher, pois não é um objeto! Você tá pagando? Sim, está, mas isso não é um passe livre pra estuprar e machucar ela.

Se ela aceita encenar um estupro [eu acho muito doentio, mas enfim...], não quer dizer que é pra machucá-la de verdade. Pois aí vira agressão, estupro e isso é... GUESS WHAT? CRIME.

E então acontece a nossa realidade brasileira adorável, o delegado que deveria protegê-la e prender o nojento, em vez disso o deixa impune, porque ela é "APENAS" uma prostituta, um pedaço de carne.

Anônimo disse...

O meu namorado é um ogro comigo na cama. Puxa meu cabelo sem dó, me bate na cara com força [cheguei a ficar roxa] e me 'atravessa' como se diz, bem doloroso mesmo. Uma vez eu até sangrei. Além dos 'sua vadia', que me incomoda muito. Eu falei disso pra ele, mas ele respondeu que isso era só sexo selvagem, e que era normal o homem ser agressivo nesse tipo de relação sexual.

Não sei bem se foi um estupro, porque eu dizia 'vai com calma' 'tá machucando' e ele continuava, mas eu dei consentimento quando aceitei transar com ele. Não sabia o que estava por vir, mas mesmo assim eu aceitei. Então estou meio em dúvida.

Cyberia disse...

Lola, poe um aviso mesmo, por favor. Nunca sofri um estupro e me senti muito mal lendo, so imagino quem passou por essa violencia horrível. Um aviso antes seria muito adequado.

Raven~ disse...

De 1967 e tão atual. Muito triste...

Anônimo disse...

Anônima das 17:47

Eu passo um problema semelhante.

Meu parceiro era muito traumatizado, e morria de medo de fazer sexo. Ele ficava super tenso, e tinha medo mórbido de machucar suas parceiras. Quando comecei a ficar com ele, ele era super delicado e só ligava pro meu prazer (eu nem tocava nele), e eu não achava aquilo justo.

Depois de um ano e tanto, a gente começou a tentar sexo "convencional". Ele nunca tinha feito um monte de coisas porque achava que podia ser degradante pra mulher, e eu dei a ele liberdade de tentar.

De repente, ele começou a tomar liberdades *demais*. Começou a me tratar igual a um brinquedo, e me machucar feio. Eu não sabia onde que tudo tinha dado errado, mas no começo eu achava até que benéfico - era um sinal de que ele estava se recuperando e se sentindo a vontade, então eu ia tentar controlar a força dele depois, eu pensei.

Agora eu não sei como explicar pra ele que fazer sexo com ele se tornou uma coisa muito agressiva e desagradável. Eu ainda tenho medo de "travar" ele e trazer os traumas de volta, mas ao mesmo tempo eu sempre saio machucada e humilhada das nossas relações.

Eu sempre concordo em fazer, e ainda acho que estou fazendo "trabalho terapêutico", mas ele já me fez chorar várias vezes e me deixou dolorida por dias, não sei o que eu faço.

Anônimo disse...

Anômima das 17:47

Isso é violência. É desrespeito. Sexo selvagem consentido: legal. Fazer o que vc não quer: escroto. Larga esse cara. Correndo.
Juliana

vitor disse...

odiamos sexo com homens machistas/mascus egoístas nojentos


já peguei várias feministas moderninhas e sou machista.
e lógico que prostituta é objeto,elas se vendem,são um produto a ser comprado,na verdade alugado.

Anônimo disse...

"Todos aqueles homens me lembravam o estuprador". É assim que me sinto, após o estupro vejo os homens como ameaça. Já vi muitos falando que a mulher dar se arrepende e fala que foi estupro. E eu não suportaria o julgamento prefiro me matar. Eu queria muito me livrar dele, do cheiro dele, do olhar, das mãos me tocando. Não tem perdão e nas delegacias o que mais tem é homem miseràvel que ridiculariza a mulher. Já até imagino a desconfiança. Fui estuprada em meu quarto na minha cama. Saía do banho e um homem entrou me pegou na saída do banho ai que raiva. Eu o empurrava em vão, me cobria em vão. E quando ele saiu não sei quanto tempo fiquei no chão com nojo até de me sentar na cama. As delegacias são uma vergonha. Não me sinto segura em denunciar o bandido sumiu. Não engravidei por milagre. Quem denunciou e conseguiu justiça parabéns, mas eu não acredito nela.

Anônimo disse...

Ótimo.

LOVE GÓTIC disse...

Você não precisa se machucar dessa maneira. Isso não é amor ele está acostumado a te forçar, a te humilhar é um estuprador em potencial e ver em você uma vítima apaixonada que não vai denuncialo. Acorda mulher. Você vale mais que isso. Quando ele enjoar de você ele vai estuprar outra não alimente fantasia abusiva. Larga ele e manda esse animal se tratar. Triste muito triste por você.

Anônimo disse...

Que dúvida? É estupro. No mínimo fica longe. Já! Que absurdo, ele dizer que bater no rosto de doer e ficar roxo, sem consentimento é "normal". Sangrar???? Sexo tem que ser bom pros dois. Não importa se é selvagem. Você não gostou do "sexo selvagem" dele? Então não é pra ele forçar. Ele está tentando te enganar que isso é normal e que você tem que aceitar, um canalha!

Anna Milani disse...

'já peguei várias feministas moderninhas e sou machista.
e lógico que prostituta é objeto,elas se vendem,são um produto a ser comprado,na verdade alugado.'

Sério? Será que essas feministas sabiam que você era machista? aaah, Se soubessem, meu amigo [AMIGO?SÓQNÃO] E não é porque elas se vendem que um escroto bundão como você pode machucá-las.

Julia disse...

Pras anônimas que namoram com animais (17:47; 18:22).

Você não é terapeuta, segunda anon.
Primeira anon, você foi estuprada sim!

Se não é bom não há motivo NENHUM pra vocês continuarem transando com eles.

Os seus namorados não se preocupam com vocês. Devolvam a gentileza. Mandem-os pro inferno. Pra ontem.

Jéssica disse...

"4) Não, nós, as feministas hétero/bi, amamos ser penetradas pelo homem que desejamos/amamos/quereremos. Não venha entender, na sua mente estúpida e doente, que não querer ser "arrombada/etc" seria a mesma coisa que odiar sexo"

Por favor não generalize. Sou feminista, hétero, detesto penetração e adoro sexo. Sem esse papo que toda mulher hétero tem que AMAR penetração e que penetração equivale a sexo! Muito menos colocar meu feminismo em cheque por conta disso! Até num espaço feminista ouvir isso é foda.

Julia disse...

Sério, vocês não têm que se submeter a isso.

Se libertem.
Sexo é pra ser prazeroso.

Alina disse...

vitor

uuuuiiiii, falou o pegador! Se elas toparam sair com você, não eram tão feministas assim, isso é... SE SABIAM QUE VOCÊ ERA MACHISTA, hehehe. Conheço o tipinho. Se faz de bom mocinho, diz que é feminista, aí dorme com ela, ai depois diz que elas sabiam que era machista e aceitaram ele.

Bela estratégia, mas muito velha. E não, não são objetos. Elas precisam sim dar consentimento pra babacas como você fazerem algo com elas.

Anônimo disse...



sou a anônima das 17:47.

Sim, acho que todas que escreveram as respostas estão certas.Eu entrei umas 18:00 de novo no blog, então só li o comentário das 18:30 e achei que ela tinha razão. Então eram 20:00 quando ele veio me visitar e eu conversei com ele mais uma vez e ele nem deu atenção. E perdi a paciência quando eu, mesmo dizendo que não queria sexo naquela hora, que queria conversar sobre o nosso namoro, e ele tentou me agarrar à força. Bati nele e expulsei da minha casa, terminando de vez.

Foi uma libertação pra mim terminar com o ogro, só precisava ter certeza que foi um estupro o que ele fazia comigo. Eu conheci o blog ontem, por meio de uma amiga feminista, que inclusive lê todo dia e abriu minha mente.

Só que eu tô com medo dele se vingar, sei lá.Ficar fazendo terrorismo comigo, como uma vez aconteceu com outro namorado que tive.

Anônimo disse...

Anônima das 18:22

Conversa com ele, provavelmente ele não faz por mal. Ocorre que os círculos masculinos héteros costumam afirmar que esse tipo de relação sexual, violenta para a mulher, é o que gostamos ou que precisamos disso para não largá-los.
Não precisa dar uma bronca, só senta e conversa, sendo bem romântica e legal. <3

Fabrizio Tomasini disse...

Acho que algumas pessoas se confundiram, o conto é baseado nos estudos que a atriz fez para o papel de prostituta na peça sobre a obra navalha na carne. Tampouco é um relato real.

Acredito inclusive que esse seja o grande motivo do choque que o conto cause, ele te apresenta uma situação fictícia, com personagens fictícios, mas te surra com a realidade de que a Ana Beatriz pode ser uma conhecida sua, ou uma prostituta qualquer que está nesse exato momento trabalhando na esquina lado, e o delegado age como qualquer outro delegado que você conheça.

Anônimo disse...

Ai, complicado dar opinião sobre esse texto... Porque, como pessoa bastante ligada à literatura, e sendo muito sincera, como ficção achei o texto bem ruim. Não quero desqualificar a experiência da colega, mas literatura é mais que isso, né?, e também acho que um texto que se vale de recursos literários e se coloca como "conto", como ficção, está se colocando na posição de ser avaliado como literatura, e não somente como ilustração de qualquer coisa política, social, etc. Enfim. Acho o exercício válido. Mas acho que seria melhor e mais eficiente escrever um panfleto, um texto de opinião, porque quando a gente resolve escrever ficção, aí entram muitas outras questões além da ideologia e mesmo do efeito de realismo. Enfim, não quero ofender pessoalmente a autora, sou extremamente ligada à causa, mas como ficção ficou muito aquém do que uma situação dessas poderia suscitar.

Julia disse...

17:47

Terminou com o animal. Parabéns!
Se ele te chamar pra conversar, não vá.
Não fique sozinha com ele.

E busque apoio entre seus amigos/família.
Esse ogro não tem que chegar perto de você nunca mais.

Julia disse...

"Conversa com ele, provavelmente ele não faz por mal. Ocorre que os círculos masculinos héteros costumam afirmar que esse tipo de relação sexual, violenta para a mulher, é o que gostamos ou que precisamos disso para não largá-los.
Não precisa dar uma bronca, só senta e conversa, sendo bem romântica e legal. <3"


Mas que porcaria de conselho é esse? Você não leu que ela fica machucada e dolorida e humilhada depois que faz sexo com ele? Ele é algum tipo de idiota pra não perceber? Ele SABE a merda que está fazendo E CONTINUA. Porque.ele.não.se.importa.

Meu deus, uma mulher é mal tratada e humilhada SEGUIDAMENTE pelo próprio namorado e ainda precisa ser romântica e legal e não dar uma "bronca"? Ela tem é que dar um chute na bunda dele!

Ele com certeza já foi violento com outras por isso o "medo" dele.
Pois ele que vá fazer terapia!



Anônimo disse...

Para os babacas e escrotos - todo e qualquer serviço pago há limites para aquele contrata e para aquele que presta o serviço. NINGUÉM é obrigado a se submeter a situações que ferem sua integridade como ser humano por que elx está sendo pago - não interessa se x prestadxr é umx educadorx, pedreirx, encanadxr ou um trabalhadxr sexual.

Como feminista tenho dificuldades com tema prostituição. Por um lado acho que se deva combater as causas que levam as pessoas a se prostituir. Exploração sexual deveria entrar na lista de crimes hediondos sem chance de reintegração para os exploradores.
Mas há o outro lado da moeda - não podemos assumir que TODAS as prostitutas são pobre coitadinhas tão oprimidas que não sabem o que fazem ou o que querem e que devemos cala-la e falar por elas. É paternalista e não difere do discurso dos moralistas.
Há toda a questão da legalização e reconhecimento da profissão e dos direitos trabalhista - que aliás pelo menos ajudariam a evitar/combater histórias de horror como essa que, apesar de ficção, sabemos que acontece algo semelhante todos os dias.

E finalmente tem algo que eu NUNCA consegui entender, mesmo antes de me reconhecer como feminista: Prostitutas sempre foram reconhecidas como o maior mal da sociedade, como destruidoras de lares e de """"""homens de bem"""""" (aspas ad infinitum). Seguindo exclusivamente a lógica de mercado - um produto ou serviço só permanece em circulação enquanto há procura. A prostituição é reconhecida como a profissão mais antiga do mundo. Então... quem será que perpetua a existência do serviço sexual???
Por fim, nunca vi uma prostituta batendo na porta de alguém oferecendo seu trabalho.

Desculpem meu comentário enorme.

Jane Doe

Anônimo disse...

Ain, Lolinha, põe Trigger Warning nessa merda, até eu que faço piada de estupro passei mal com isso. Quem foi vai ter um revertério ou até pior!!!!!!!!!!

Kittsu disse...

Anônimo, agora você entende pelo menos um pouquinho o motivo pelo qual piada com esse tema pode ser tão cruel?

Anônimo disse...

Se homem e viciado em sexo, prostituta e traficante.

Anônimo disse...

"Por favor não generalize. Sou feminista, hétero, detesto penetração e adoro sexo."

??????????????????????

Anônimo disse...

Uma crítica meio sem nexo, se você é realmente ligado à literatura como diz deveria conhecer uma infinidade de obras cheias de crítica social e ideologias sob um pano de ficção (a menos que só tenha lido enciclopédias). É uma "crítica" que demonstra um duplipensar, aliás, 1984 de George Orwell deveria ter saído em panfletos?

Anônimo disse...

Traumatizar você em favor dum trauma dele é a pior atitude que você tomou. E ele não parece tão delicado e preocupado. Fale com ele e se ele travar é pura chantagem emocional . Se afasta dele. Ele ganhou tua confiança para praticar abuso. Não é por ai que se resolve um trauma. Terapia para os dois e separação também ele não serà mais o mesmo e você também não. Saia antes dele inventar outro trauma e te surrar mais gravemente.

Julia disse...


Sexo não é só penetração, anon cheio das interrogações.

donadio disse...

"E então acontece a nossa realidade brasileira adorável"

Ou a nossa adorável realidade inglesa, italiana, sueca, japonesa, panamenha...

Isso não é um mal brasileiro, é um mal do planeta todo.

donadio disse...

"O meu namorado é um ogro comigo na cama. Puxa meu cabelo sem dó, me bate na cara com força [cheguei a ficar roxa] e me 'atravessa' como se diz, bem doloroso mesmo. Uma vez eu até sangrei. Além dos 'sua vadia', que me incomoda muito. Eu falei disso pra ele, mas ele respondeu que isso era só sexo selvagem, e que era normal o homem ser agressivo nesse tipo de relação sexual.

Não sei bem se foi um estupro, porque eu dizia 'vai com calma' 'tá machucando' e ele continuava, mas eu dei consentimento quando aceitei transar com ele. Não sabia o que estava por vir, mas mesmo assim eu aceitei. Então estou meio em dúvida.
"

Qual é a sua dúvida? Ele te trata mal, e você namora ele. Namorado que te trata mal deveria passar a ser ex-namorado imediatamente.

donadio disse...

"já peguei várias feministas moderninhas e sou machista."

Ou talvez elas te pegaram.

"e lógico que prostituta é objeto,elas se vendem,são um produto a ser comprado,na verdade alugado."

Elas vendem um serviço. Assim como você não pode encher seu advogado ou sua empregada doméstica de porrada só porque eles estão vendendo o tempo deles para você, você não pode bater numa prostituta.

Difícil? Então vamos ver. Supondo que você tivesse razão, e as prostitutas fossem objetos de aluguel, o que você imagina que lhe aconteceria se você devolver um carro ou apartamento alugado estragados?

donadio disse...

"os círculos masculinos héteros costumam afirmar que esse tipo de relação sexual, violenta para a mulher, é o que gostamos ou que precisamos disso para não largá-los"

Oi? Que círculos masculinos héteros são esses?

Anônimo disse...

"e lógico que prostituta é objeto,elas se vendem,são um produto a ser comprado,na verdade alugado."

Elas estão vendendo um serviço, e isso não te dá o direito de agredi-las ou obriga-las a fazer coisas que lhes são desconfortáveis.
Todo serviço é limitado, com a prostituição não é diferente.

"7) Em resumo, amamos sexo.....com Homens de verdade, não com babacas misóginos"

Aqui você falou besteira. O que define um homem ou mulher de verdade?