sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

"A FACULDADE É ASSUSTADORA PARA FÓBICOS SOCIAIS?"

A C. me enviou esta dúvida:

Olá Lola, imagino que já esteja acostumada às merecidas congratulações pelo seu espaço, mas estendo-as a você de qualquer forma.
Bom, gostaria de descrever minha situação e pedir um insight, tanto seu, se possível, já que você está há muito inserida no ambiente acadêmico que é o assunto último da questão, quanto de qualquer um(a) com experiência diferente, se você quiser publicar.
Eu tenho 25 anos e desde os 8 sofro de ansiedade e intermitente depressão, de forma que hoje se encontra em quadro crônico. Como conhecedores bem sabem, esses dois distúrbios costumam ser acompanhados por outros relacionados, em menor ou equivalente escala; no meu caso seria um leve TOC e uma significante fobia social. Juntando-se isso à minha introversão e timidez (são coisas diferentes, mas costumam coexistir), e à assexualidade que apenas recentemente comecei a aceitar, dá pra imaginar que eu não seja exatamente a alma de nenhuma festa.
Mas ok, não tenho intenção ou ambição de ser. Fora a melancolia quase perene, e as dificuldades de rotina que a depressão e ansiedade me causam, eu realmente não tenho nenhum problema inerente com as outras características. Não, pelo menos, até que elas contrastem diretamente com algum ambiente em que sejam, hmm, não lá muito coerentes com o habitat. Tipo o acadêmico. Eu realmente não sou fã. Sem entrar em extensivos detalhes, vamos dizer apenas que não houve uma instância sequer, desde o jardim de infância ao fim do colegial, em que eu não tenha passado um bocado bíblico de bullying.
Foram “brincadeirinhas” com mijadas, agressões físicas diversas, o mais pacífico e bem vindo ostracismo, as mais comuns e por algum motivo mais dolorosas humilhações de apontar e rir (por que será que ter um monte de gente rindo de você parece tão pior que levar uma bola de basquete na nuca?) das quais não raramente os professores também participavam, e é claro, as insinuações sexuais das séries mais tardias (e a eventual experiência nojenta, mas isso é outra história). 
É dizer pouco que fiquei besta de feliz ao concluir esse trâmite social. Mas daí veio aquele outro detalhe do processo humano moderno, que é o de que a gente precisa de dinheiro, e dinheiro ocorre com trabalho, e trabalho, segundo a lenda vigente, é o castelo além do dragão da faculdade. Poxa, e agora?
Veja que pela minha idade eu consegui evitar a questão por tempo. Trabalhei com telemarketing por um ano, e depois em uma livraria. Estou, no entanto, há 6 meses desempregada, e minha experiência parca, e completa ausência de qualificações (fora meu impecável, ainda que autodidata, inglês) não facilitam muito (acho que meu carisma nas entrevistas também não). 
Pois bem, pensando exatamente nessa qualidade, minha facilidade com o inglês e (se posso incorrer em ligeira bajulação própria) português, estive considerando tradução como uma opção relativamente certeira, ainda mais considerando a solidão e prospecto de trabalho domiciliar associados. 
Gostaria portanto de saber, por meio de alguém da área, o quão hostil, ou não, seria o ambiente universitário, a alguém com essas condições. O que vejo de relatos me faz presumir que sim, mas pensando que o que leva ao relato público é indignação e injúria mais que satisfação, penso que pode ser uma visão muito parcial das coisas.
Gostaria muito do esclarecimento. É possível uma vida universitária enquanto introvertido, basicamente antissocial?
Se for o caso de me recomendar terapia, devo informar que já estou sob tratamento, mas que bem, não é tão simples quanto o popular “vai se tratar” inspira. Não existe terapia mágica que desconstrua facilmente o condicionamento psicológico de uma vida toda, e nem todos tem a sorte fisiológica de responder positivamente a psicotrópicos. 
Eu não sei quando, ou se, estarei jamais desobstruída desses fatores. Então é a partir dessa condição, e sob seu prospecto, que pergunto.
Agradeceria muito o retorno, mesmo que venha a ser desanimador.

Minha resposta: Querida C., vamos ver as experiências de leitoras e leitores. Eu só posso falar da minha. Passei muitos anos em ambientes universitários como aluna, e hoje continuo nesse ambiente, mas como professora. Imagino que dê pra ser não sociável sendo professor (embora não ajude de jeito nenhum). Como alunx é mais complicado.
Minha primeira faculdade foi a de Publicidade e Propaganda, na FAAP, em SP, no final dos anos 80. Tive muito pouco tempo de interagir com meus colegas, pois eu ia direto do meu trabalho, numa agência de propaganda onde era redatora, pra faculdade, à noite, e sempre chegava super atrasada. Lembro de pouca coisa: de brigar com um professor porque eu achava Roland Barthes um modismo, de fazer amizade com uma menina deslocada, de emprestar um livro que eu amava, Teenage Romance, pra um colega que queria traduzi-lo -- e nunca mais ver o livro, lógico. 
Ah, teve algo muito gostoso! Uns alunos adaptaram um poema meu e encenaram uma peça teatral. Foi bem emocionante.
Larguei a faculdade no meio por uma série de motivos (o principal é que eu não passava na primeira matéria, pois sempre chegava atrasada). E me arrependi. Eu devia ter continuado. É muito, muito mais fácil fazer faculdade com 20 anos que com 30.
Mas foi com 30 que voltei a uma faculdade, desta vez para uma especialização em inglês, na Univille, em Joinville. Eu era a única aluna sem graduação numa turma de 25 alunas (acho que só tinha um homem), quase todas professoras (como eu era), algumas secretárias. Eu realmente não sei porquê, mas me dei bem com toda a turma. Acho que me destaquei rapidamente e assumi uma postura de "Posso ajudar?". Que é muito melhor que ser arrogante, certo? 
Eu era bacana com toda a turma, professorxs inclusas, e a turma retribuía sendo carinhosa comigo. Tanto que no dia do meu aniversário levaram um bolo e interromperam a aula pra cantar parabéns e tal. Nunca vou esquecer, porque foi tão inusitado. Fiz grandes amizades nessa turma e também ótimos contatos profissionais, incluindo aí meu futuro orientador no doutorado na UFSC (ele foi professor de uma das disciplinas na especialização). Mais tarde dei aula de inglês e treinamento de professores para várias colegas. Ou seja, compensou muito ser sociável e prestativa. 
Essa excelente experiência não se repetiu quando voltei à graduação, desta vez em Pedagogia. Comecei na Univille, e pude utilizar vários dos créditos que tinha da faculdade de propaganda. Portanto, não cursava muitas aulas com minhas colegas, e não me entrosei. Mas havia outra coisa: eu estava lá pelo diploma. Precisava do diploma pra poder fazer o que eu realmente queria (e já me sentia capacitada a fazê-lo), que era o mestrado em Literatura em Língua Inglesa na UFSC. Essa não é uma boa postura. 
Depois de um ano, me transferi para uma outra faculdade particular (curso público e gratuito em Joinville na época -- final dos anos 90 --, só os de Exatas), a Associação Catarinense de Ensino (ACE). Fiz isso pra economizar um ano de curso e R$ 4 mil no total (que na época era uma fortuna pra mim: um quinto do que eu ganhava por ano). 
Foi um tempo difícil, porque eu estudava de manhã, das 7:30 às 11:30, e trabalhava como professora de inglês e coordenadora acadêmica numa escola de idiomas, das 14 às 22. E já estava escrevendo pro jornal! Não sobrava tempo pra nada (tipo hoje). Quando chegou a hora de fazer estágio, teve que ser no horário de almoço mesmo...
Como só cheguei na ACE no segundo ano, todos os grupos que apresentam trabalhos juntos, todas as panelinhas, já estavam formados. Eu me juntei a três outras alunas que também estavam chegando atrasadas. Não foi a melhor atmosfera. Eu não era antissociável, mas meus interesses eram completamente diferentes aos do resto da turma. Eu tinha tão pouco tempo livre que preferia aproveitar intervalos (e aulas que eu considerava que não estavam me acrescentando nada) para discretamente pegar um livro e ler. 
O episódio em que eu quase fui linchada na faculdade por uma crônica que escrevi pro jornal também não ajudou. Imagine se eu tivesse o blog! 
Entrar pro mestrado foi uma maravilha. Mas, de novo, olha a diferença de postura: eu fazia faculdade pelo diploma, como uma obrigação, um fardo; eu ia fazer mestrado pelo prazer de estudar. E eu amei o mestrado. Sei que sou ingênua, mas nunca percebi nenhum clima de competição entre os colegas. Era cooperação, colaboração, não competição.
O doutorado foi bem mais solitário, mas também foi ótimo. Não posso reclamar de nada.
Depois eu ainda enfrentei uns poucos meses de graduação a distância. Olha, ainda bem que foram poucos.
Ok, não respondi em nada sua pergunta, né? Bom, sinceramente, eu diria: fuja dos trotes. A maior parte é uma estupidez preconceituosa. Dizem que eles integram, mas creio que há outras formas de integração. E, se você já não é muito festeira, não precisará disso.
Acho que ser simpáticx e sorridente são qualidades que fazem o mundo melhor, então faça um esforço. Cara fechada afasta, e você não quer afastar toda a galera na faculdade. Você vai precisar de grupos pra fazer trabalhos, não tem muito como fugir disso. Então tente se envolver com colegas com quem você tenha afinidades. E não só dentro da classe. Não se restrinja a sua turma. Se puder, entre num coletivo feminista. Tente aproveitar a faculdade também para conhecer gente boa. Tem muita gente boa no mesmo barco!
Desculpe não poder te ajudar muito. Sei que estou passando por cima dos vários problemas que você mencionou (fobia social, ansiedade, depressão, TOC etc). Tudo isso, óbvio, faz com que sua situação seja bem mas difícil que ser meramente antissociável. Mas espero que você consiga ter uma boa experiência universitária.

93 comentários:

Anônimo disse...

Existe bastante gente que vai pra faculdade pra estudar e ter diploma e nada mais - os mais velhos, principalmente. É bem diferente do ensino médio, se você souber ver como é. É só chegar, ir pra aula, sair, ir pra casa.

Vai ter quem comente? Talvez, mas é só não ligar e continuar indo, que é mais difícil se meter nas confusões da adolescência. Seria mais difícil se você estivesse entrando no curso aos 17, como muitos fazem, já que essa idade ainda tem o espírito do colégio. Hoje em dia é mais fácil se afastar.

Talvez seja preciso um acompanhamento médico maior nos primeiros dias, pra garantir que não vai rolar aquele pânico, mas é pra dar tudo certo. Não vale a pena passar a oportunidade só por causa das outras pessoas.

Anônimo disse...

Melhor fazer um EAD.

Sara Marinho disse...

Como a Lola, recomendo que fique longe dos trotes, nem tente ir nas festinhas (acho que você não teria muito interesse nisso mesmo), e além, não vá aos primeiros dias de aula, primeiros dois dias nem pensar, dependendo da faculdade, talvez nem na primeira semana, se isso não for atrapalhar. É quando o pessoal quer ficar amiguinho, sondam a sala para formar seus conceitos sobre os colegas e tal, se eu entendi certo, você gostaria de ficar longe desse radar inicial.
E quanto aos trabalhos, sempre tem gente tímida na sala, cola neles, claro que seu caso vai muito além da timidez, mas o pessoal tímido também tem dificuldade de encontrar grupos para fazer trabalhos.

Olha, eu odiava a escola no ensino médio, eu me sentia presa, reprimida, não sei explicar direito, e isso porque não passei por nenhum caso sério de bulling, nada que considero acima da média do que quase todos passam, eu só não gostava, acho que o ambiente é que me reprimia, eu era bolsista numa escola muito cara e elitista, um universo que estava muito distante do meu. A faculdade é uma experiência bem melhor para mim, a pressão é menor, se eu to de saco cheio, eu saio da sala, e não tem nada de mais nisso, em geral, ninguém liga.
Tem idiotas, é cheio de idiotas, mas se você os ignora eles cansam. Não tive problemas pessoais com nenhum dos idiotas da minha faculdade, mas quem teve, foi deixado em paz, os idiotas cansaram, amadureceram, sei lá.

Luana Ferraz disse...

Querida C.,

Sou tradutora, acabei de me formar no curso superior (yaaay)! Por experiência própria, posso dizer que o mundo das Letras é um mundo introvertido e individualista. Também sofri bullying na escola, mas não presenciei tais situações no ambiente da universidade. Também entrei tarde no curso, o que não ajudou na socialização, mas que no seu caso pode ser uma vantegem, já que pretende evitá-la.
A maioria das aulas que tive eram práticas, o que exige um certo grau participativo da aula. Acredito que seja possível evitar isso também (eu o fiz várias vezes), mas a medida que o curso avança, o número de alunos vai diminuindo e os professores ficam mais insistentes.
Nunca tive problemas com os professores. Acredito que você também não tenha em relação à apresentação de trabalhos, trabalhos em grupo (que sempre se pode negociar para serem individuais), etc.
Quanto ao ambiente de trabalho, trabalho em uma agência (que é o melhor lugar para começar), e como já disse, o ambiente de letras é bastante introvertido e alternativo. Tem dias que eu chego e saio sem trocar uma palavra com ninguém, e todos respeitam isso. Claro que só posso falar daqueles que trabalham comigo, talvez seja errôneo generalizar.

Bom, é isso o que me vem a mente no momento. Espero ter ajudado. E acrescento que, pela qualidade do seu texto, você vai se dar muito bem nessa área!
Boa sorte! E não desista!

Anônimo disse...

Não posso ajudar,nunca fui para faculdade mas teu relato me deu um pouco te esperança quanto a emprego.
Tenho 26 anos e nunca consegui emprego por ser obesa,além de ser muito timida,estava pensando seriamente em apelar pra telemarketing pq n sei mais o que fazer,nunca tentei antes por puro medo,dizem que tem q ser muito extrovertido,tem dinamicas ridiculas que vc tem interagir com todo mundo e eu fico em panico só de pensar, mas se uma pessoa com fobial social,timidez e tudo que vc tem conseguiu,talvez eu consiga também,acho que é o único ramo que não discrimina tanto pela aparencia.

Mariana disse...

Acho que é bem como disseram, procure ficar longe dos trotes e tal. Mas não pense que ele é esse bicho de sete cabeças, eu não queria e não participei dos trotes da minha universidade, e tudo ficou ok. No começo enchem um pouco o saco, mas nada de mais, logo se cansam!
Procure fazer amizades (é, amizades!) como a Lola disse, é melhor ter uma postura receptiva e de "posso ajudar?" (mesmo que vc não possa!).
Eu imagino que deva ser difícil pra vc fazer amizades, mas sempre há pessoas tímidas/reservadas nos ambientes de universidade. Vc terá alguém para passar o tempo lá!

E, por fim, só uma dica. Tem sites que auxiliam encontrar trabalho freelancer, como o Prolancer ou Freela. Lá tem bastante gente procurando por tradutor (já que sei inglês é bom), seja para traduzir textos mais longos ou sites de empresas.

E fique tranquila, você vai ver uma hora que o maior monstro é interno e que vc, e só vc, pode domá-lo.
Boa sorte!

Joyce disse...

Então, a faculdade foi uma experiência interessante pra mim.
Também sou tímida e introvertida e me mudei pra uma capital pra cursar a faculdade.

Teve dia de me trancar no banheiro e chorar por não querer interagir com ninguém e pelo medo do julgamento das pessoas.

Mas também tive aulas muito boas, e durante a maioria delas você não precisa interagir, o que é ótimo.

Os trabalhos em grupo tive de aturar, porque realmente não gosto. Fiz algumas amizades durante a faculdade, mas que ficaram por lá mesmo, aquela coisa mais de intervalo e pros trabalhos em grupo.

Hoje penso em começar outra graduação ou uma especialização em outra área, já que me desencantei um pouco com o curso que escolhi. Acho que entraria com uma cabeça menos preocupada com essas interações sociais - que eram imensas na época - e mais vontade de aproveitar as aulas mesmo.

James Hiwatari disse...

Quando entrei pra faculdade nem vi se teve trote com os meus colegas. Eu assistia aula, voltava pra casa, e era isso. Se tinha que fazer trabalho em grupo, esperava pra ver se alguém ia se oferecer pra me juntar ao grupo deles, ou senão pedia pra fazer sozinho. Nunca tive nenhum problema e ninguém me encheu o saco por ser anti-social.

Anônimo disse...

Olá, vou ficar anônima e falar pela minha experiência como graduanda, entrando na universidade aos 24, tímida, antissocial, com depressão e ansiedade. Foi difícil. Sendo tímida, não me enturmei naquele clima de "vamos aproveitar, ir em toda festa, dançar tudo e curtir". Isos já serviu pra me afastar dos meus colegas. O segundo problema foi que eu não sabia que tinha depressão, então bombei metade das matérias do primeiro semestre, porque não conseguia me concentrar pra estudar, lembrar da matéria estudada, e minha ansiedade só aumentava. As notas baixas e timidez fizeram minha turma se afastar de mim. Fiz amizades com pessoas de diferentes cursos, e andava com elas. Mas para minha turma, eu era uma estranha, e perdemos contato, porque eu tinha que refazer matérias e os horários não batiam. Pra piorar, eu morava no alojamento da universidade, e a galera lá era forte nessa coisa de zuar, beber e ainda trabalhava. Ou seja, não dormia de noite, por causa do barulho da galera, e vivia numa correria que não permitia ter amizade, relaxar, essa coisa de universidade. O tempo passou, continuei trabalhando, tive algumas poucas amizades, mas com minha turma mesmo, nenhum contato. A discriminação por eu ter bombado matéria era enorme. Os meus "bixos" me zuavam por ser "burra" e não conseguir ter passado naquelas matérias de primeira. Me afastei por completo daquele instituto e fiz amizades em outros lugares, mas sempre meio sozinha. Na primeira oportunidade que tive de fazer estágio em outra cidade fui, na empresa conheci pessoas ótimas e tudo melhorou. Era uma correria trabalhar e viajar, mas me fazia bem saber que eu não estaria sozinha mais. Terminei a faculdade e tudo melhorou :-)

Anônimo disse...

Você ainda pode tentar Educação à Distância.

Anônimo disse...

Eu sugiro fazer curso noturno, em vez de diurno. Vai ter algumas pessoas bem jovens, mas vai ter outras mais velhas, que estão menos em clima de socializar e cuidar da vida alheia e mais nessa de ir, assistir aula e voltar pros seus afazeres, família etc., sem tanto tempo pra olhar pros outros. Não digo que não vão rolar olhares de estranheza ou até um ou outro comentário maldoso, mas não acho que vá rolar um bullyng de fato. Sou professora em faculdade e é o que eu percebo na minha experiência.
Juliana

H disse...

Oi, C! Estou no quinto semestre da faculdade e me identifiquei com teu relato. Tenho transtorno de ansiedade generalizada e, assim como tu, sou bem tímida. Eu tinha um grupo de amigos muito legal na época da escola, mas quase surtei quando entrei na faculdade porque morria de medo de não me enturmar com ninguém. Realmente não foi fácil, eu demorei um pouco até achar minha "tribo". No primeiro semestre, eu tentei fazer amizade com umas gurias que já estavam mais entrosadas entre si, mas percebi que minhas tentativas de me aproximar delas nunca davam certo, a conversa não fluía direito, eu sempre acabava ficando excluída. Comecei a achar que nunca acharia um pessoal legal na faculdade, e confesso que durante alguns meses eu desanimei bastante com o curso por causa disso. Mas aí, no finalzinho do segundo semestre, comecei a me sentar perto de uns colegas mais velhos, que também eram quietinhos. Deu certo! Fomos nos aproximando e hoje temos um grupo muito legal, somos bem próximos e parceiros. Então, o que eu penso é o seguinte: tenta se aproximar das pessoas que são parecidas contigo, menos festeiras e tal. Posso te garantir que existem várias pessoas assim no ambiente acadêmico, e que elas iriam gostar muito de fazer amizade contigo. Força!

Ariadne Buendía disse...

Eu sou formada em Licenciatura em Letras, mas o curso de Bacharelado na minha instituição é no mesmo prédio e há muitas disciplinas comuns (creio que seja sempre ou quase sempre assim), então acho que posso tentar ajudar um pouco. Uma coisa me ocorre, acho que você deveria se informar sobre como são as matrículas nas cadeiras nas faculdades nas quais você está interessada. Há algumas em que uma ou mais turmas são formadas no começo do curso e seguem até o final, excluindo-se os alunos que ficam pelo caminho, isso pode não ser interessante para você. Onde eu estudei, cada um montava sua grade de horários e escolhia as turmas para cada cadeira de acordo com os créditos obrigatórios que precisava cumprir, suas possibilidades de horário, as disponibilidades do curso naquele semestre, etc. Assim, quem quisesse só chegar e estudar, sem interagir muito, geralmente conseguiria, pois muitas turmas tinham uma boa quantidade de pessoas atrasadas no curso, ou que trabalhavam, o que não favoreceria muito a formação de alguma panela inquebrável de pessoas que estudaram juntas o curso inteiro. Claro, principalmente para quem tem ênfase em determinado idioma, o curso vai afunilando depois e grupos vão sendo formados, mas serão turmas menores, com interesses em comum, e a minha impressão de quem faz o curso de Letras é, no geral, favorável, com a óbvia cota de babacas. Isso eu posso garantir, esqueça o que você passou no Ensino Médio, não vai acontecer nada parecido, pelo menos na Letras. O mais provável é que aconteçam comentários maldosos longe de você ou o ostracismo por alguns grupos, mas acho bem possível que você entre em contato com algumas pessoas sofrem o mesmo ou que estejam dispostas a tratar você com todo o espaço que precisar para ter confiança. Acredite, a faculdade é o ambiente mais provável para encontrar pessoas com a mente aberta o suficiente para criar um grupo sem pressão nem competição no qual você possa se sentir finalmente mais à vontade para, não digo eliminar a ansiedade, mas quebrar algumas barreiras e poder aproveitar melhor algumas situações sociais. Posso estar errada, pode não ser isso que você quer ou precisa, podem não ser essas as suas preocupações, mas imagino que o ambiente acadêmico possa mais te ajudar do que atrapalhar. Porque acredito que a Lola esteja certa, acho plenamente possível que você siga o curso isolando-se de oportunidades sociais, mas acredito que você vai sentir essa necessidade de socializar nem que seja um pouquinho, porque o conhecimento do curso em si é muito interativo. Além disso, é claro, evite os trotes a todo custo, estive em dois deles, como caloura e como veterana, e me envergonho da última situação, não era nada violento nem nojento, só (pouca) tinta e perfumes, mas pequenas brincadeiras humilhantes estavam presentes, sim. Só não acho recomendável deixar de ir nos primeiros dias, acho que vai deixar você só mais insegura chegando deslocada. Espero ter ajudado!

Ana Mattoso disse...

Tenho fobia social também, ansiedade e depressão. E pior que quando entrei na faculdade ainda não sabia direito o que eu tinha e não fazia o tratamento apropriado.
Faltei muitos dias, inclusive o trote que não recomendo ir. O primeiro semestre foi um pouco difícil, as pessoas faziam muitos comentários babacas que vc deve conhecer tipo "como ela é quieta" com vc ali do lado, ou a maravilhosa pergunta "porque vc é tímida? ?".
Melhorou bastante depois que fui ao médico e comecei um tratamento adequado e remédios. Ainda tenho alguns dias difíceis e às vezes falto aula, mas a faculdade vale muito a pena. O jeito é não ligar para comentários e sempre ter acompanhamento de terapia. O tempo vai passando e vai ficando bem mais fácil.
Além disso faz muito bem saber que apesar dessas dificuldades vc ta conseguindo cursar e se formar. Todo mundo que tem alguma doença psiquiátrica tem que ter muito orgulho de conseguir fazer essas coisas, por mais normais que elas pareçam para outras pessoas.
Na minha opinião você deveria tentar sim :)

Felipe disse...

Tb sou extremamente tímido e tenho panico de falar em público, mas felizmente consegui terminar a faculdade (colei grau em janeiro) e acabei de passar em um concurso, semana que vem tomo posse.
Mas não foi tão fácil e simples assim. Com 18 anos passei no vestibular para fisioterapia na Unesp, fiquei muito feliz, mas só cursei um ano, não aguentei a pressão dos seminários (passava muito mal, e a cada seminário eu ficava mais retraído e passava mais vergonha), mas o fato que mais pesou foi não ter conseguido fazer amigos que me apoiassem.
Por insistência do meu pai tive que começar outra faculdade (Administração), sem um pingo de vontade. Os primeiros dois anos foram terríveis, me isolei demais e, claro, virei alvo das temidas brincadeiras. Depois de cursar o 5o semestre, mudei de faculdade (ótima por sinal) e as coisas ficaram melhores, não porque deixei de ser tímido e perdi o medo dos seminários, mas pq consegui fazer amigos, poucos, mas que me entendiam e não debochavam das minhas limitações.
Portanto, um conselho que eu posso te dar é o seguinte: não se isole, é pior, muito pior. Procure um grupinho que vc se identifica, ele com certeza vai existir. Deixe claro como vc é, passe a negociar quando chegar a hora de fazer trabalhos e apresentações (eu costumava fazer a maior parte do trabalho escrito e o restante do grupo realizava a apresentação, sempre deu certo, inclusive no TCC). Não precisei apresentar nenhum trabalho na faculdade e, mesmo assim, fui um excelente aluno.
Só pra finalizar: tb sempre tive muita dificuldade em entrevistas de emprego, por isso sempre estagiei e agora vou trabalhar no serviço público, basta estudar e passar no concurso, não precisa passar por processos seletivos humilhantes e ridículos. Invista nisso tb, comece a estudar para concursos.
Boa sorte!

Anônimo disse...

Oi C., foi bom eu ler esse seu relato pq eu tenho exatamente os mesmos problemas que vc, só não sou assexual.

Eu tenho depressão, TOC e fobia social extrema. Mas minha fobia é extrema mesmo, do tipo de não conseguir conversar com ninguém, não conseguir socializar e até sair de casa é muito difícil para mim. Da última vez que viajei sem meu marido tive uma crise e voltei antes da data prevista, pegando o primeiro ônibus pra minha cidade que apareceu.

E ironicamente eu faço mestrado numa das maiores federais do país. Para mim foi muito difícil no início, pq eu não conhecia ninguém e estava no ápice da minha fobia, que foi agravada por um stalker que eu tinha na época. Não ter amigos me atrapalhou bastante, pq eles se tornam uma referência para o fóbico social. Não é que resolvam o problema, mas fica menos sofrido frequentar esses ambientes sabendo que existe alguém para recorrer.

Eu quase reprovei por faltar muitas aulas. Eu tinha medo de encarar a sociedade e medo do meu stalker. Conversei com os professores e eles entenderam, mas acho que eles só aceitaram pq na época eu estava processando meu stalker com Maria da Penha. Eu tb não sabia que eu tinha fobia social. Só vim saber depois com a psiquiatra, mas se vc já sabe, é bom conseguir um laudo médico para se proteger. Esse laudo pode servir caso vc não consiga frequentar algumas aulas e aí ele funciona como uma justificativa junto ao professor e à coordenação do curso.

Eu já terminei todas as matérias do curso, mas quando eu tinha que ir para assistir as aulas, eu entrava muda e saía calada. Isso está longe de ser o ideal, mas não consigo falar direito, nem fazer amizade, nem nada. Recusei todos os convites de happy hour, festas, confraternizações e viagens. Eu limitava a minha presença na universidade ao máximo, e só ia para lá quando era extremamente necessário. Morro de inveja de quem consegue fazer amigos, gostar do lugar onde estuda, mas eu não sou assim. Quanto ao bullying nunca sofri nada do tipo no ensino superior. Pelo menos nesse sentido ninguém tentou me humilhar nem nada. Na graduação e na pós as pessoas costumam ser mais adultas (pelo menos eu acho).

Com certeza para nós é muito difícil estudar, trabalhar e realizar tarefas que nos obriguem a ter contato com outras pessoas, mas infelizmente não moramos numa ilha e temos que fazer de tudo para contornar essa situação (precisamos comer e pagar contas, né). Não vou falar para vc que é uma maravilha e que vc vai se sentir ótima na universidade, mas não é impossível um fóbico social se estudar. Lembrando que temos que nos esforçar para realizar certas obrigações sociais que para os outros é fácil.

Espero ter ajudado.

Grrl.

FABIO RIBEIRO(NECROMAYHEM) disse...

vou dar meus conselhos. seja egoísta, indvidualista, pense apenas no seu futuro, pense em terminar a faculdade só isso, despreze o resto das pessoas. não frequente festas da faculdade, e se tentarem te dar trote qunado voce entrar na faculdade, carregue um canivete com voce, e não tenha medo de usar o canivete no inimigo caso ele te force ao trote. o dia que um calouro matar um veterano marrento que força o calouro ao trote, aí sim os trotes acabarão, a justiça vai ter que agir. então não tenha medo, se puder compre tambem um martelo do tipo grande e carregue numa mochila maior, apenas pra primeira semana de aula. voce sendo mulher, pode falar que foi vítima de machismo caso tentem te dar trote pelo fato de voce ser mulher.

Fernanda disse...

Moça do post:

O povo vai falar da experiência da faculdade; eu tive, fiz varios cursos em varias faculdades, no Brasil e no exterior, fui feliz, enfim, acho que não é isso que eu tenho pra colaborar.

A primeira coisa que quero dizer pra você, mas também pra moça que é timida e não consegue trabalho dos comentarios: joguem no Google "Leapforce". Tenho amigos que trabalham com isso, é trabalho na internet avaliando os resultados dos sites de busca (se eu bem enendi, é isso). São empresas que a Goggle por exemplo terceiriza para manter uma constante avaliação a respeito de seus serviços e de seus concorrentes. As vantagens: você trabalha sozinho, faz seu horario e determina quantas horas de trabalho vai fazer por semana (de 10 a 40); você recebe em dolares, o que aumenta consideravelmente o salario (mais que dobra!). As desvantagens: tem que mandar um curriculum e ser selecionado para fazer uma provinha; so quem passa nessa provinha é que pode trabalhar. Se o seu curriculum é aceito, eles mandam uma apostila para você estudar para a prova, é tudo bem explicadinho (coisa de americano). O problema é que se você não passa, eles não te mandam um relatorio com as razões, então você pode refazer a prova mas sem ter certeza de onde errou. Uma amiga minha bem inteligente não conseguiu (não sabemos porquê); um outro casal de amigos trabalha com isso ha anos (mas como complemento de renda). Enfim, so tentando pra saber... Ah! Uma observação importante: tudo esta em inglês.

O link do site é https://www.leapforceathome.com/qrp/public/job/17

Falando em tradução, olha, a tradução ainda é um mercado de poucas pessoas formadas. Ainda é um meio muito autodidata, tanto que existem poucas formações disponiveis nas universidades brasileiras. Todos os meus amigos tradutores são autodidatas. O lance é que na faculdade você ja tem muito mais contato, o acesso ao mercado me parece mais facil porque você conhece o pessoal que ja esta atuando. Mas como a Luana apontou, de repente você pode começar em uma agência, muitas nem tem escritorio fisico, o trabalho é enviado por email, e tal. Paga-se mal mas para começar, adquirir experiência e ir construindo a sua carreira, é uma boa ideia.

Espero ter ajudado em alguma coisa...

Ana Roberta disse...

Como a Luana falou o ambiente das Letras é bem introvertido e individualista, mas eu vejo como uma coisa boa porque sou tímida também. Mas eu fiz o curso em universidade federal então pode ser que existam perfis diferentes.

Eu fui desde os primeiros dias de aula e foi muito tranquilo. Nem teve trote, xs veteranxs nem se deram ao trabalho. Não deram nem pelota pra xs calourxs hahahaha Achei ótimo.

Nós, xs calourxs, ficávamos juntos todo o tempo, andando em bando pela universidade, perdidos, isso já é um tipo de mico, né?

Não fiz muitos amigos porque ficava mais na minha, mas me dava bem com todos da minha turma. Ficamos unidos principalmente nos primeiros semestres, depois começamos a nos espalhar. E fiz uma amizade mais duradoura com 3 pessoas de quem tenho um carinho especial até hoje. E uma professora muito querida que foi quem me indicou pra vários trabalhos depois que eu me formei.

Flavio Moreira disse...

Oi.
Entrei na faculdade (na segunda, porque tranquei a primeira) bem mais tarde do que você, aos 41 anos. Foi uma ótima escolha para mim (faço Letras - Inglês e se tudo der certo, me formo no ano que vem).
Devido à diferença de idade, mesmo estudando à noite, tive dificuldade em me entrosar com os colegas, mas não fi uma coisa que me atrapalhou, porque, por ser pública e o curso permitir que cada um monte a grade como quiser, quase nunca tinha/tenho as mesmas aulas com as mesmas pessoas.
Não tenho as dificuldades que você tem, mas acho que você consegue passar bem pela academia sem sofrer muito.
Concentre-se nas matérias que te interessam, nos professores que transmitem o conhecimento da maneira que você gosta/se sente mais à vontade para aprender. Os outros a gente tem que aguentar, mas normalmente passa rápido.
Trabalhos em grupo às vezes são incontornáveis, mas sempre há outros tímidos que podem ser colegas de ocasião só para os trabalhos, e que não se sentirão ofendidos por isso.
E, dependo de onde você fizer seu curso, as pessoas não vão ter tempo para se preocupar se você á anti-social ou não. E você vai estar tão ocupada com as trezentas mil coisas que terá que ler para as aulas que nem vai perceber se alguém reparou ou não em você.
Boa sorte e não desista.

Anônimo disse...

Eu também sou antissocial e detesto ter que interagir com pessoas diferentes, embora eu possa ser sociável se necessário. Essa semana teve a semana de recepção dos calouros na USP, e eu fui para conhecer o lugar, tirar minhas dúvidas e também porque viviam me dizendo que se você não participar dos trotes e das brincadeiras, vão fazer sua vida um inferno depois. Mas, sinceramente, foi uma das maiores besteiras que eu já fiz. O clima do trote já tinha me deixado enfadada e horrivelmente estressada já no segundo dia, e eu parei de ir nessa semana. Evite os trotes, mesmo que te digam que é importante, que é uma experiência única e que você vai se arrepender de não ter ido. Não vá. Acho que dá pra sobreviver à faculdade sem isso.

lola aronovich disse...

Pessoas queridas, muito obrigada pelos comentários, muito mais interessantes e empáticos do que a resposta que eu dei a C. Espero que cheguem mais comentários.
Mas estou escrevendo por causa dessa figura nefasta o Necromayhem, um mascu. Como tantos mascus, é um sociopata. Ele também é um fóbico social, mas, como se vê, é do tipo perigoso, que defende andar armado. Realmente não sei se vale a pena publicar comentários de pessoas do mal assim. Sei que são doentes, mas não consigo empatizar.

Anônimo disse...

Fiz duas faculdades, uma com 18 (letras) e depois direito. Nunca fui de me entrosar muito, sou meio difícil pq não faço nenhuma questão de agradar, então acabo me entrosando com poucas pessoas. Na Letras até fiz um ou dois amigos mas nada muito sério. Minhas melhores amizades vêm dessa época mas com amigos de amigos, gente que eu fui conhecendo fora da faculdade mesmo. De qquer forma foi bem fácil seguir o curso. Não era o mesmo ambiente do colégio, ninguém parecia se importar muito comigo e os poucos trabalhos em grupo saiam relativamente tranqüilos. No direito foi mais chato. Eu não tinha pique para seguir a turminha (já estava meio velha), achava os eventos sociais (jogos, etc.) meio malas e o pior crime de todos, não quis gastar uma baita grana para participar dessas festas de formatura. Para algumas pessoas eu virei um párea por causa disso. Mas eu tinha vontade zero de empatar uma baita grana para ir numa festa barulhenta, com música ruim e na qual vc tem que sair no tapa para conseguir um salgadinho. Não fui e não me arrependo. Não fiquei com amigos mas sim com o diploma que me permitiu seguir a carreira que eu queria. Acho que vc deve se arriscar. Passe longe dos trotes e não se deixe intimidar pela pressão de participar desses eventos. Pode ser que até falem de vc mas o ambiente vai ser sempre mais tranquilo que o da escola e vc pode perfeitamente aproveitar o curso e até conhecer uma ou outra pessoa que compartilhe seus gostos e formar uma amizade legal a partir dai.

Amélia disse...

À autora do post:
Me senti totalmente identificada com vc. Sou bastante anti-social e me considero misantropa (que nao gosta de gente) tb tenho um pouco de TOC e ansiedade e pasme! Sou tradutora, justo a profissão que vc perguntou se é idônea para almas como a nossa
Bom, em primeiro lugar eu queria dizer que tudo isso que vc ACHA QUE É: assexuada, misantropa, fobica social, etc.. Na verdade é porque nós que somos sensíveis, sofremos bullying desde que nos conhecemos por gente e que nao conseguimos nos adaptar à sociedade, com o tempo para nao sofrer mais, tendemos a nos afastar das pessoas e "virar misantropo ou assexuado" mas isso muda quando encontramos alguma alma que nos aceita e que nos queira como somos.
Para ser tradutor vc nao precisa de faculdade (pelo menos por enquanto mas parece que as coisas estão mudando) vc so tem que ser "crack" em português e o idioma estrangeiro. Mas a tradução escrita é muito trabalhosa e mal paga, entao para sobreviver nao basta so um idioma,tem que ter vários. Vc tb pode optar o concurso de tradutor juramentado que ganha bem, mas nao é sempre que tem concurso.
O que ta pra viver como tradutor é a simultânea, mas esta vc tem que ter uma personalidade distinta, tem que ser extrovertida, pouco sensível (nao se importa coma opiniao dos outros) porque esse meio como muitos trabalhos é um ninho de serpentes! E o seu colega- concorrente VAI FAZER BULLYING com vc sim, quanto menos tradutores melhor entende? Entao se vc é meio insegura o seu colega VAI TE POR PRA BAIXO pra tirar vc do caminho.
Eu sugiro entao que vc respire fundo e FAÇA FACULDADE SIM mesmo porque tradução é uma profissão sem segurança nenhuma, se a editora para a qual vc trabalha acha um estudante de inglês que faça mais barato que vc mesmo que a tradução seja uma M, ela vai pegar o estudante. E nao trabalhou, nao ganhou. É arriscado.
Faça faculdade que nunca se sabe o dia de amanhã. Eu fiz e estou fazendo outra agora. É difícil porque nao gosto de ninguém. Poucas pessoas falam comigo, nao é que nao gostam de mim porque sou antipática mas porque eu nao me adequo a nenhuma conversa lá, nao gosto de falar de filhos, marido, namorado, festas, etc. So que to la pelo diploma e pra conseguir uma profissão mais estável. Entao vou pra aula, estudo, nao to lá pra fazer amizades.
E vou te dizer uma coisa, sem querer eu consegui dois amigos muito bons. Porque me aceitaram como sou e eu os aceitei como eles são. Mas foi consequência , vc tem que ir pra aula pra estudar, contato social é outros quinhentos,
Espero ter ajudado.

Amélia disse...

Mais uma coisinha: sobre trote: muitas faculdades (particulares) proíbem o trote. Vc sempre pode começar numa particular que proíba o trote (geralmente religiosas) e depois se fica muito pesado pra vc pagar pede transferência para publica.
É uma idéia.
Eu sempre escapei dos trotes porque quando estudava na publica (primeira faculdade) fiquei doente o primeiro mês e agora é particular que proíbe trote, além do mais to velha, tenho quase 40 anos entao ninguém me enche o saco.Beijos

Amelia disse...

Ah sim, como falaram acima prefira curso noturno, tem jovens mas tb tem uma galera da minha idade 40toes que estamos lá pra estudar passar pegar o diploma e cair fora
E acho que cursos noturnos nao tem trote. Porque nao temos tempo pra babaquices.
Beijos

Amélia disse...

Concordo com o anônimo 18:01 nessa nova faculdade que to fazendo a noite também sou meio parea porque sou uma das únicas que nao to pagando pra festa de formatura (nao tenho o mínimo interesse acho dinheiro jogado no lixo) nao faço nenhuma questão de agradar.
Sei que falam de mim pelas costas (porque entre outras coisas nao me arrumo pra ir pra aula, vou de jeans e camiseta, nao me maquio....nao tento me enturmar) mas nao sofro, vou lá escuto as aulas, as merdas de trabalho em grupo faço com outro anti-social como eu ou peço pra fazer sozinha (tem professor babaca que nao deixa e podiam ser meus filhos! ) enfim.... Mas faça faculdade sim. No Brasil se da muita importância ao diploma
Depois vc vê o que faz,
Bjs

Eli disse...

Eu sou formada em Letras/tradução, dependendo do curso que você escolher fazer você vai precisar se enturmar (vão ter aulas de inglês, debates e afins). Como sou tímida e introvertida sempre ficava bem na minha e ninguém nunca me encheu o saco por causa disso e tinha outras pessoas na minha sala assim tbm com quem eu me identificava mais. Você vai encontrar todo tipo de gente, desde as pessoas que vivem para festas até pessoas que vivem para os estudos. Acho que vale a pena você tentar fazer uma faculdade, mesmo pq vc já parece bem entusiasmada.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Com exceção dos trotes, o ambiente universitário me parece bem mais tranquilo que o escolar. Principalmente se você estuda à noite, com uma galera que trabalha de dia e não tem muito tempo pra encher o saco de ninguém, por ter mais maturidade ou por estar mais cansado mesmo depois de um dia de trabalho, sei lá.
Se você for fazer Letras em universidade pública como a UFMG, você ainda cursa cada matéria com um pessoal diferente e fica mais difícil fazer amizades ou contatos mais duradouros.

Anônimo disse...

"faça um esforço, tente se envolver"
Passo por algo semelhante por ter fobia social e estar na universidade e por alguns semestres era mais confortável reprovar do que participar das aulas e trabalhos. É melhor não dar bom dia do que sentir os sintomas físicos do esforço de falar esse bom dia (palpitação, dor de cabeça, dor de barriga, tontura, sudorese). Não é questão de esforço. Fobia não é algo consciente e racional. Assim como acontece na depressão, ouvir "você não pode ser assim" é inútil.

RAQUEL LINK - me falaram que ia ter bolo disse...

Posso falar sinceramente como alguém que já tomou remédios pra síndrome do panico, recomendo seriamente procurar ajuda, não é bom ficar assim,

E segundo cada um encara a facul de um jeito, na minha primeira facul eu tinha 18 anos, solteira, ia pra curtir.

Hoje eu sou casada, estou fazendo uma segunda faculdade, é outro momento. vou pra aula e vou embora.

Então cada um faz do seu jeito. não existe o certo

Larissa disse...

Oi AC, tudo bem? Nossa, me identifiquei muito com o seu post! Sempre fui tímida, também sofri bullyng na escola e tudo piorou quando perdi minha avó a alguns anos atrás. Acabei entrando em uma depressão que durou anos e se transformou uma considerável fobia social. Também faço acompanhamento e compartilho da sua idéia sobre análise, as pessoas parecem achar que nós temos um defeito e é só mandar pro psicólogo que ele concerta em dois meses. Nós sabemos que não é por ai.

Então, entendo completamente a sua dúvida porque passei - e acho que ainda estou passando - por essa situação. Fiz o ENEM ano passado buscando o meu certificado do ensino médio (não cheguei a concluir pelos problemas citados acima) e acabei deixando as coisas me levarem. Comecei a faculdade a apenas duas semanas, mas acho que já é o suficiente para concluir que não terei tantos problemas assim. Não posso falar por todos os cursos, mas o meu (Biblioteconomia e Gestão em Unidades de Informação) não é lá muito assustador. A turma é bem pequena (menos de 30) e nenhum dos meus colegas parece ter aptidão para bullys. A galera lá é mais velha, outros também são um pouco introvertidos (cheguei até a puxar assunto com um achando que ele estava muito sozinho, ficamos meio que colegas haha). Eu mesma quase fui ao trote, achei as veteranas (acho que eram quase todas meninas, Biblio tem apenas 40% de homens) muito fofas! Elas mesmas pareciam condenar os casos clássicos de trote. Quanto aos professores, todos muito legais também. Um deles falou na primeira aula que ele busca identificar os alunos mais tímidos pra tentar fazer da experiência em sala de aula o mais confortável possível. Conversei também com alguns professores, pedi para eles tentarem não me envolver em nada que me coloque no centro das atenções. Eles foram muito compreensivos. Enfim, a minha experiência até agora foi um alívio, mas eu sei que não é assim em todos os cursos. Eu mesma vi alguns alunos menos, digamos, “afáveis” em adm e direito. Conheci pelos corredores um professor de adm terrível. A minha dica pra você é saber identificar qual é o curso que, estando na sua área de interesse, vai poder te proporcionar a experiência em sala de aula menos assustadora. Você gostava de trabalhar na livraria? Se sim eu super indico que você pesquise um pouco mais sobre Biblioteconomia. É uma profissão com um leque de áreas de atuação, tendo entre elas muitas opções em que o convívio social é bem limitado. Biblio também tem uma área de pesquisa e tradução (além de catalogação) em que o seu inglês cairia muito bem!

Enfim, me empolguei e acho que já falei demais! Espero que tenha te ajudado um pouco! Desejo sinceramente que você consiga ter uma boa experiência no ensino superior, independente das suas limitações, como eu estou tendo. Acredite, não somos as únicas, tem muitas pessoas com problemas iguais ou parecidos cursando o ensino superior. Qualquer coisa esse é o meu email; larissavillafan@gmail.com. Se quiser fazer alguma pergunta ou precisar de um apoio moral pode me contatar, ok? Fique bem!

Larissa.

Mariana disse...

Eu entrei na faculdade com 17 anos e boa parte da turma tava nessa faixa etária dos 17-18. Então, ainda rolava bastante aquele comportamento escolar de formar panelinhas e dar mais importância às festas, choppadas e carteado do que às aulas. Eu era uma aluna vinda do subúrbio do Rio em uma turma com uma maioria de gente que vinha da Zona Sul (ironicamente, fiz faculdade pública e o grosso da turma era de classe média alta/ricos), então me sentia deslocada no início. Eu tava no meio de gente que achava banal ser fluente em inglês, que já tinha feito altos intercâmbios na Europa (enquanto eu, na época, nunca tinha saído do Brasil) e que adorava arrotar erudição cultural. Os primeiros dois semestres foram complicados pra minha integração mas, com o tempo, achei meu grupo e hoje lembro com saudade dos anos da faculdade. Tanto é que, depois de quatro anos de formada e quase três no mercado, voltei pra universidade e agora estou terminando o mestrado. Acho que gosto do ambiente acadêmico, é intelectualmente estimulante, pelo menos acho que fico menos engessada do que no mercado de trabalho.

Pela minha experiência, eu te diria que as dificuldades de integração diminuem com o tempo. Bem, eu não tenho depressão ou fobia social e sou extrovertida quando quero (nem sempre), mas eu tinha um problema de falta de interesses e bagagem em comum com grande parte dos colegas. Só que, depois de um ano, minha impressão é que as pessoas ficaram mais "sérias" e passaram a dar mais valor às aulas e trabalhos do que às festas. Claro que os grupos continuaram existindo, mas os comportamentos típicos de escola (no caso aqui era se exibir pros meros mortais suburbanos como eu) foram perdendo força, ou pelo menos eu tava ocupada demais pra me importar. Acho que também depende do curso. Eu fiz comunicação (publicidade), é um curso que atrai uma quantidade considerável de gente da elite. Só que chega uma hora em que as pessoas crescem, por assim dizer, e focam suas energias nas aulas e em arrumar estágio em vez de cuidar da vida dos outros.

Então, eu te apoio na decisão de fazer faculdade. Acho que a universidade sempre abre nossos horizontes e, mesmo a integração sendo difícil, vai valer a pena na sua vida. Pensa que são 4-5 anos, depois vai cada um pro seu lado e vc não precisa mais conviver com quem não gosta ou forçar nada.

Anônimo disse...

obrigado fernanda! sou eu que falei que não consigo emprego,graças a discriminação dos idiotas,hoje mesmo estava procurando algum trabalho na internet,vou dar uma olhada nesse site.

thaís disse...

Sofro de fobia social há muito tempo, e estou no terceiro ano do curso de jornalismo. Quando entrei lá, achei que poderia me "obrigar" a ser sociável, tentei conversar com vários colegas. Porém, não tive nenhuma conexão ou amizade mais forte, e em pouco tempo comecei a sentir aqueles sintomas que você deve conhecer bem: ansiedade, taquicardia, auto-crítica exagerada.
Decidi que, pela minha saúde mental, eu não deveria me forçar a fazer nada que não me deixasse absolutamente confortável. Tenho bons amigos da época da escola, o que me deu (e ainda dá) suporte emocional nas horas que bate o desespero, mas na faculdade adoto a postura de quem quer apenas estudar. Evito festas e reuniões, e no intervalo aproveito para ler um livro ou dar uma volta.
Pela minha experiência, acho que você deve sim fazer faculdade, pois vai abrir muitas portas e mostrar novos horizontes, mas não se force a interagir. Você provavelmente terá que ter alguns colegas mais próximos quando tiver que fazer trabalhos (pelo menos no meu curso, é difícil fazer tudo sozinha), mas de resto não se preocupe: leve um livro, ou um caderno se gosta de escrever, ou um celular com bastante joguinhos, e foque-se no estudo.

Espero que consiga!

Anônimo disse...

Eu não me preocuparia em socializar com as pessoas na faculdade, porque é um ambiente propício para vc se isolar, já que vc está lá para estudar e não pra badalar.

Lógico, dá pra fazer os dois, porém, se vc quer levar o curso a sério, ou seja, aprender, boa parte desse período vc passará em sala de aula e na biblioteca estudando.

Eu tive uma vida social medianamente intensa na faculdade, mas, a maior parte do tempo livre eu passava na biblioteca estudando(meu curso era diurno e por um bom tempo não precisei trabalhar).

E faculdade é diferente de ensino médio, gente. Se o lugar tem cara de ensino médio, dê meia volta e procure outra universidade... Porque vc não estará em um ambiente de excelência acadêmica, mas, sim, numa praça de alimentação que vende diplomas.

Anônimo disse...

Oi Lola, desculpe comentar um post antigo, mas só li agora porque vc linkou o texto sobre o 'linchamento' na faculdade. Você ainda acha que a crônica foi 'super inocente'? Até entendo que a reação foi exagerada, mas sinceramente, você não consegue enxergar o adultismo no seu discurso? Os comentários seguem a linha 'não se pode falar mal de crianças', e o tal 'não tenho Nada contra, mas...' Mesmo discurso de homofóbicos e racistas. Quem realmente se interessa por educação sabe o quanto as crianças estão cada vez mais sendo tratadas como seres inferiores, sem direitos. Seria elegante da sua parte se tivesse publicado o direito de resposta publicado no jornal tbm. Enfim, essas pedagogas que não entendem piada, não é mesmo?! Devem ser mal amadas!Ou tem inveja do glamour da sua profissão porque escolheram um curso fácil. O publico do seu blog riu bastante né...(qualquer semelhanca com machismo não é mera coincidência)

José Tarcísio Costa disse...

Gente, sério que vocês acham que o ambiente dos cursos de letras é introvertido e individualista? Bom, talvez a percepção mude quando a gente vem de outro extremo mas eu tive a visão oposta no tempo em que passei na faculdade de letras. Explico-me, eu sou formado em física mas durante a minha graduação tentei aproveitar ao máximo a ideia de universalidade implícita na universidade e "puxei" muitas matérias opcionais no IEL e no IFCH (da Unicamp). Devo admitir que achei o ambiente nesses dois institutos muito mais receptivo, coletivista e extrovertido do que no instituto de física.

Na filosofia e na letras tive oportunidade de conversar com muita gente, fiz muitos amigos (mais do que na física) e, quando passei por momentos difíceis encontrei muito mais apoio. Pode ser que isso tenha acontecido por eu ter "vindo de fora", mas enfim, foi a experiência que tive.

Quanto aos trotes, concordo com que já disseram aqui, fuja deles. Não caia nessa de que "quem não participa do trote não se integra" porque é mentira. Primeiro que a noção de "integrar-se" vara de pessoa a pessoa e segundo que não vai ser o que você (não) faz na primeira semana de aula que vai predestinar todo o futuro da sua graduação.

Como conselho, eu diria pra você tentar, começar e ir tentando identificar pessoas com as quais você se identifica. Entretanto, não limite-se somente à sua turma. Conheci um dos meus melhores amigos lendo um livro no corredor da faculdade. Estava lendo, ele me perguntou se o livro era bom, uma conversa começou e não acabou até hoje. O mais importante é: não faça nada que você não tenha vontade ou não se sinta confortável fazendo. Como já disseram aqui, tem idiotas (como em todo lugar) mas eles se cansam, ou você se dá conta mais rápido da idiotice deles e esquece.

Enfim, acho que enrolei, enrolei, enrolei e acabei não ajudando muito, o que eu queria dizer, em suma, é: eu achei o ambiente de humanas muito acolhedor e compreensivo e com espaço pra todo mundo. Sim, tinha alguns "surtinhos" de egos inflados de vez em quando, mas isso sempre tem. Acho que seria uma experiência legal e importante pra você.

José Tarcísio Costa disse...

No mais, caso entre em alguma faculdade, tente descobrir se existe uma comissão de alunos ou algo assim. Eu fui um dos representantes discentes durante a minha graduação e sempre encorajei alunos que julgavam ter problemas de integração ou problemas com outros alunos a me procurarem e sempre fiz o que pude pra ajudar.

Claro, nem todos os institutos têm representantes tão dispostos assim, mas vai que você encontra um(a) com qual se identifica, nunca se sabe né?! pode ajudar bastante.

Kittsu disse...

Eu ia falar pra moça que postou não fazer como o NECROMAYHEM "aconselhou", mas aí eu me lembrei que ando com um canivete suiço na bolsa, um canivete de abertura automática no carro e um machado no porta-malas... hahahahahahahahahahha
Claro que é por motivos diferentes, o machado eu tenho porquê penso em acampar e largo no porta-malas por preguiça de tirar. dia desses abri uns coquinhos e destrui sem querer o piso do quintal nesse processo...
necromaionese, tu tem muito medo de gente. já fez as pazes com o cabelo?

Sacerdotisa de JAH disse...

Existe uma erva medicinal chamada Maconha que resolve isso, mas não são todas, e sim aquelas com mais Canabidiol, a onda delas é mais "cerebral", e diminui ansiedade e pensamentos mundanos. Procure por amigos hippies e reggaeiros, eles podem te ajudar.

Izabela F. disse...

Acho que na universidade é mais fácil vc "encontrar sua turma" pois, ao contrário do colégio, as pessoas já meio que são automaticamente agrupadas por, pelo menos, um interesse em comum, que é o curso. É claro que, como disse a Lola, sempre tem aqueles que estão alí pelo diploma mas, se vc faz determinado curso, então já existe uma chance muito grande de estar junto de pessoas que tenham esse interesse em comum com vc. Claro que também existe imaturidade e bullying na universidade, mas acho que nesse ambiente as pessoas são um pouco mais maduras e compreendem melhor as diferenças. Falando da universidade em que eu estudo, a UFMG, posso te dizer que acho os alunos das ciências humanas e sociais bem mais "cabeça aberta" e não preconceituosos do que os alunos das engenharias, principalmente. No meu primeiro ano, por exemplo, ocorreu um caso em que um dos trotes de uma engenharia era espezinhar os homossexuais dos prédios de Letras e das Ciências Humanas... mas isso já está fugindo do assunto do post. como disse a Lola, infelizmente vc precisará ter um certo grau de socialização, pois não tem como fugir de trabalhos em grupo, mas aproveite! A universidade costuma ser um ambiente tão rico, que com certeza poderá te ajudar com seus problemas. Esqueça um pouco os seus traumas de colégio e se abra um pouco para as pessoas e para a experiência. O bom da Universidade é que vc tem liberdade para dar um tempo ou trocar de curso ou até mesmo sair caso não seja uma experiência boa.

Anônimo disse...

Boa noite, pessoal. Já faz algum tempo que eu visito esse blog, acho que desde sempre, mas é a primeira vez que comento. Aliás, quase nunca abro a caixa de comentários, a não ser quando há uma referência explícita a respeito de algum comentário. E, enfim, eu nunca imaginaria que eu faria um comentário num blog feminista por um motivo tão pessoal: eu tenho exatamente o mesmo medo. Já desisti de 2 faculdades por conta disso. Tudo isso por conta da. A faculdade é um ambiente eminentemente competitivo, e não tem coisa que eu odeie mais do que ser avaliado. Estar sobre avaliação é praticamente insuportável para alguém com fobia social. A boca fica seca, você treme, sua, gagueja, a barriga fica fria... não é só timidez excessiva! E não é uma questão só de sorrir, eu acho, de se abrir mais. Nossa identidade foi formada justamente por isso. Eu aprecio ficar sozinho, eu falo pouco, tenho poucos e bons amigos, meu passatempo é ler e escrever e em todas as outras situações eu me sinto COMPLETAMENTE SEGURO de mim mesmo. Eu trato todas as pessoas como eu gostaria de ser tratado, e tento pensar que todos são iguais para mim. Se alguém falta com a educação comigo, eu não respondo da mesma maneira, mas com a mesma proporção. Não se trata de um complexo de inferioridade ou coisa assim: existe uma situação x que você simplesmente trava. Como tem gente que morre de medo de barata ou de injeção ou de altura. É um medo paralizante e justamente numa situação que não depende muito de quantas pernas você tenha: é uma atividade, pelo menos se imagina, intelectual. Você se sente nu. Não existe palavra melhor: você fica nu. Sempre tirava notas altas nas provas. Mas quando eu tinha que apresentar algum trabalho, sempre dá aquela dor de barriga, o ônibus atrasa, você inventa todo tipo de desculpa para ir... simplesmente apresentar um trabalho. E isso é provavelmente o lado mais irônico e mais vil dessa condição, porque você tem consciência de que é uma besteira, de que não é nada demais. Quando passa, você se sente pior ainda, porque você dominava o assunto; porque você se expressa bem; porque você, enfim, quer contribuir com alguma coisa, você sabe que pode, mas ainda assim não consegue. Enfim, Lola. Eu acho que você não entendeu que quiseram dizer. A faculdade é assustadora.

Elaine Pinto disse...

Complicado... Eu acredito que seja inevitável interagir com os outros colegas de turma, principalmente porque na faculdade há uma quantidade bem grande de trabalhos em conjunto (especialmente num curso de humanas). Se esse tipo de interação lhe causa muita ansiedade e te faz muito mal, de repente um curso à distância seja melhor para você.

Carol disse...

C., sou fóbica social e terminei a graduação agora. Nunca tive muita dificuldade para fazer amigos, mas qualquer outra situação social, como fazer um pedido a desconhecidos ou falar em público, me apavoravam intensamente. Lembro de passar mal antes das provas orais e apresentações de trabalho da faculdade. Era horrível sentir o corpo tão reativo aos olhares e avaliações alheias. Temos certeza de que o outro não pode estar pensando nada de bom sobre nós.

Fui empurrando a fobia social com a barriga.Nunca falei em sala de aula ou apresentei um trabalho. Quando comecei a me interessar por pesquisa, vi que não tinha mais para onde correr. Minha vida ia parar se não tratasse. Foi aí que entrei em psicoterapia, na abordagem cognitivo-comportamental. Utilizei o ambiente da faculdade para me expor a tudo que me causava ansiedade. Às vezes parecia que eu ia morrer de tanta ansiedade. Até mandar e-mail para me candidatar a seleção de estágio era assustador. Fui melhorando com a exposição. Quando tinha que falar na supervisão pela 5ª vez seguida, não era tão horrível quanto na primeira.

O ambiente acadêmico não é hostil a fóbicos sociais. Acho que fóbicos sociais acabam vendo todo ambiente como hostil. Pra mim, foi o ambiente que utilizei pra melhorar disso. Doeu, assustou, mas valeu. A experiência da faculdade é muito boa.

Nós nunca deixamos de ser fóbicos. Todo dia é dia de enfrentar os medos. Tem várias coisas que ainda não consigo fazer, mas agora uso a realidade pra confirmar ou não minhas previsões. O mais importante é que não se realizou um dos meus maiores medos, que era perder grandes oportunidades por conta da ansiedade social.

Anônimo disse...

A autora do guest post até parece comigo... passei em medicina numa federal logo depois do 3º ano, mas abandonei depois de um mês e meio...

To estudando para outro curso agora, mas sou autodidata e não tenho a menor vontade de fazer faculdade. Queria que existisse uma faculdade onde você estuda em casa e vai lá só pra fazer as provas e passar. Ou então queria ser rica e abrir minha própria empresa mesmo.

Leila disse...

Eu também fiz Letras e acho concordo com um monte de gente aqui, não importa se você é tímido, se prefere ficar no seu canto, não tem problema. Apresentar trabalhos pode ser um tormento sim, mas dá para contrabalançar, tirar nota melhor num trabalho escrito e deixar a apresentação oral se for realmente muito difícil (pra mim também era). E concordo também que uma vez na universidade fica bem mais fácil, o colegial (era assim que se chamava na minha época), foi uma etapa horrível, interminável, tudo melhorou depois. Eu trabalhei bastante tempo com tradução, é um trabalho muito bom para quem é tímido, gosta de trabalhar em casa, gosta de lidar com as palavras. Acho que você está no caminho certo. Boa sorte.

Juliana disse...

Eu sempre fui extrovertida, não tinha nenhum problema de falar em público, apresentar trabalho, fazer amigos... até ir para a faculdade.
Eu me sentia burra para falar alguma coisa, eu me sentia um engodo, uma farsa, eu desconfiava de que tinha corrigido minha prova errado, eu não me sentia digna de estudar numa federal. Ali a minha baixa auto-estima apareceu contudo. No ensino médio eu era bem sem noção. Matava muita aula, fiquei um ano sem estudar, sem estar matriculada e fingindo que ía para aula... e assim eu acabei concluindo o ensino médio com 20 anos. Não tinha a minima ideia do que fazer da vida, fiz a inscrição pro vestibular, não estudei e passei. Foi um choque para todos, especialmente para mim... Um choque e uma negação tão grande que eu achava que a UFRGS tinha errado a correção da minha prova, hahahahahaha. O meu caso sempre foi o de falta de vergonha na cara mesmo, nunca burrice... mas acreditei no que todos diziam. O fato de não me sentir bem ali foi fazendo com que eu tivesse vergonha de expressar minhas opinioes, pois eu era burra, e se eu dissesse alguma besteira? E nunca fui assim antes, nunca tive medo de falar besteiras. Chegou a um ponto em que eu abandonei o curso. Hoje estudo para concursos, e ainda sou assim... Vergonha de se expressar, medo de perguntar coisas ao professor, medo de chegar atrasada pq uma turma de 150 pessoas vai olhar pra mim, medo de ser notada, percebida... É complicado, pq não sou assim... Eu ajo dessa maneira nos ambientes em que me sinto inferiorizada. Eu sei, eu sei... já to fazendo terapia.

Anônimo disse...

Eu passei por 3 faculdades públicas e o que vi: é bem mais tranquilo, socialmente, que escola.
Quanto aos trotes, eu acho que eles pegam pesado naqueles cursos de status, como medicina, direito, ou naqueles do tipo veterinária, agronomia. Quando participei de trote achei bem tranquilo, participou quem quis e não teve nada pesado, era mais brincar e se sujar mesmo. Para quem tem fobia social é tenso, mas eu gostei pois conversei com os veteranos, fiz perguntas e tal e comemorei por ter chegado até ali.
Uma opção é faltar na primeira semana. Em faculdade pública, devido as chamadas do vestibular, os primeiros dias de aula são mais lentos que os demais, então não se perde muito. Porém, dependendo a faculdade, depois você vai precisar perguntar sobre o conteúdo perdido para os colegas.
Escolhe um curso noturno, se concentre nos estudos que será bem tranquilo. Porém, eu aproveitaria essa chance para tentar ser outra pessoa e curtir um pouco. Se você faz terapia, pergunte ao terapeuta se ele acha que você está pronto para isso. Conhecer gente ajuda muito a vida profissional, trás contatos, chances de empregos.Então, é bom se enturmar um pouquinho.

Amelia disse...

Já que a lola é professora universitária, e deve ter outros professor universitários eu vou fazer um apelo: nao obriguem a fazermos trabalhos em grupo. Essa desculpa de "é que temos que aprender a socializar, no mundo real podem nos pedir trabalhos em equipe" e tal é balela. Tem muitos trabalhos que pedem perfis solitários e acho que tem que respeitar a individualidade e personalidade de cada um

Além do mais trabalhos em grupo em geral sempre é assim 2 trabalham e 5 ficam olhando.
Sou totalmente contra trabalho em grupo, estou querendo ser professora tb , mudar minha profissão, e nunca darei trabalhos em grupo.

Tiago disse...

Concordo totalmente com a Amelia. Preguiçosos adoram trabalho em grupo pois assim vão conseguir tirar boas notas sem precisar se esforçar. Aliás, trabalho em grupo é unico momento em que CDF's se tornam populares.

Aline disse...

Acho que a universidade pode ser um ambiente intelectualmente estimulante e que te permitirá no futuro certa independência e estabilidade financeira, portanto, sugiro que tente - e se sentir que aquele não é mesmo seu lugar, pelo menos terá tentado.

Como já disseram, talvez fosse melhor você cursar Letras à noite e, de preferência, numa faculdade que tenha currículo aberto (como a Faculdade de Letras da UFMG). Isso significa que você não terá uma turma fixa durante quatro anos, e imagino que isso irá trazer muito menos problemas para você. Quem sabe você até não anima fazer um intercâmbio?

Espero que você consiga se firmar na profissão que deseja exercer. É muito bom nos aperfeiçoarmos naquilo que queremos fazer da vida. E também durante o curso de Letras você terá contato com uma porção de livros e teorias que podem te trazer um enriquecimento intelectual bacana, o que também será importante para a profissão. Não é que a gente precise da universidade para ler e tal, mas é claro que o ambiente facilita de muitas maneiras o acesso a livros. Tem também o fator intercâmbio, que você pode vir a considerar. Enfim, boa sorte!

lola aronovich disse...

Estou lendo todos os comentários -- que estão sensacionais, inclusive --, mas não tenho tempo pra responder, porque amanhã já viajo pra Floripa (segunda às 13:30 estarei no Sindicato dos Bancários, no Centro, pra uma palestra. Apareçam lá!). Sobre trabalho em grupo, como eu, como aluna, nunca gostei, evito dar. Geralmente eu peço apresentações individuais mesmo. Quando a turma é grande demais, eu peço duplas. Mas, claro, a pessoa pode apresentar sozinha se preferir. Às vezes eu deixo que um trabalho escrito seja feito em duplas também.


Ah, uma coisa que não falei, mas que considero interessante: na minha faculdade de Pedagogia, pelo menos na ACE, metade da turma era de meninas jovens, na idade tradicional em que se cursa faculdade (10% da turma, ou seja, 4 alunos, eram homens). Mas a outra metade era de gente como eu, acima dos 30 anos (na época). E tinha gente de 40. Creio que a gente vê mais isso (pessoas mais velhas fazendo faculdade) em faculdades particulares, mas não tenho certeza. Na UFC de vez em quando tem gente mais velha também. Depende do curso também.
E sobre o pessoal de Letras ser individualista e introvertido... Sei não. É complicado generalizar. Mas, como várias pessoas falaram, vc pode ficar "na sua" e cursar a faculdade. Claro que eu como professora prefiro que os alunxs participem das aulas...

Carol disse...

Eu não gostavam mas achava a experiência dos trabalhos em grupo fundamental. Tive que lidar com os preguiçosos, caras-de-pau e tudo mais que encontramos pela vida não fazendo nada e querendo tirar 10. Mas também encontrei gente fantástica com quem troquei muita ideia e me ajudou a repensar minhas escolhas profissionais ao longo desses trabalhos.

Acho importante não estimular evitação pro fóbico social. Tive muitos amigos de faculdade que entenderam minha questão e deixaram que eu não ficasse com a parte de apresentar trabalhos quando fosse possível, mas uma amiga em especial nunca deixava. Ela me acalmava e ajudava a me preparar, mas não permitia que eu fugisse das apresentações. Quando eu engasgava ou coisa do tipo, ela estava ao lado para lembrar uma palavra ou me incentivar a continuar falando. Em alguns trabalhos, eu ficava olhando para ela só para receber apoio social, rs. Enfim, depois que comecei o tratamento em psicoterapia, vi a importância daquela atitude dela. Quando fui fazer os enfrentamentos, lembrei que já os tinha realizado antes e continuava viva. Ela é muito inteligente e gostava de várias opiniões minhas, então não fazia tanto sentido assim eu ser burra. Muita gente me protegeu, mas essa amiga que me expôs acabou sendo uma das mais valorosas para eu me tornar uma pessoa melhor.

lola aronovich disse...

Alguém, não sei se nos comentários daqui ou no post sobre a ocasião em que quase fui linchada por uma crônica que escrevi, me deu um puxão de orelha, daí partindo pra algumas comparações bem esdrúxulas (como "estudante de pedagogia é tudo mal amada", algo que nunca foi dito ou sugerido por ninguém. Aliás, os mais "vocais" entre o pessoal que se reuniu fora da minha sala e começou a gritar palavras de ordem contra mim eram homens, pelo que me lembro). Isso aconteceu uns doze anos atrás, então o que lembro foi o que escrevi na época (senão eu não lembraria de nada). Sim, achei uma reação totalmente exagerada, achei a minha crônica inocente (eu tirava sarro de mim mesma ao dizer que eu seria péssima professora de crianças; é uma crônica curtinha, 2 mil caracteres -- que era o espaço que eu tinha pra minha coluna duas vezes por semana no ANCidade --, e metade do tempo eu falo de abacaxi. O pessoal de Pedagogia não gostou porque eu dizia que não queria ser professora infantil, que estava lá pelo diploma, e eles acharam que uma crônica dessas manchava a imagem deles, como se eu em algum momento estivesse falando por eles. Que eu me lembre, duas ou três cartas foram publicadas no jornal, em repúdio a minha crônica. Uma da minha ex-turma de Pedagogia na Univille, e outra da minha turma na ACE, e talvez outra de outra turma da ACE, não lembro. O que me chateou na ocasião foi que, quando as fofocas começam a rolar, inventam qualquer coisa. Tipo: inventaram que eu havia sido expulsa da Univille! Putz, apesar de eu não me esforçar muito nas aulas, eu era boa aluna. Estava bem evidente que eu me transferi pra outra faculdade pra economizar tempo e dinheiro. Aliás, muita gente sabia disso, nas duas faculdades, porque sempre que me perguntavam "por que vc está mudando/mudou de faculdade?", eu respondia a verdade. E até citava a quantia que eu ia economizar.
Enfim, eu fui bastante punida pela minha crônica. Tive que refazer todo meu estágio na primeira série, por exemplo -- o que, pra quem não tinha tempo nem pra almoçar, foi bem difícil.
Hoje eu sou uma pessoa bastante diferente da que eu era com 33 anos, e provavelmente não escreveria aquela crônica, até porque eu gosto muito de crianças. Mas, na época, parece que eu tinha a necessidade de afirmar que não gostava de criança. Até entendo minha atitude, porque a cobrança da sociedade pra que mulheres casadas da minha idade tivessem filhos era fortíssima. Vou publicar um post esses dias de uma leitora em que comentamos isso. Mas é difícil analisar a situação sem ver o contexto. Minhas crônicas pro ANCidade e pro ANVerão eram assim, levinhas, irresponsáveis, curtas, divertidas. O que mais tinha era diálogo com o maridão, e havia um público pra isso, muita gente gostava. E, óbvio, muita gente não gostava. Normal. O pessoal de Pedagogia tava no segundo grupo. Ou melhor, nem estava, porque nem sabia que eu tinha coluna no jornal. Ficou sabendo com aquele episódio.
E minha crônica sobre censura, patrulha e receita de bolo, que eu publiquei como resposta, essa eu continuo considerando muito boa. Ainda acho estranho que alguém não possa escrever uma crônica falando do seu "estágio sabor abacaxi" (e isso porque havia um abacaxi de verdade envolvido), sem citar nome nenhum, nem da escola, nem da universidade, nem de ninguém. Aquilo foi humor auto-depreciativo.

Anônimo disse...

"Essa desculpa de "é que temos que aprender a socializar, no mundo real podem nos pedir trabalhos em equipe" e tal é balela. Tem muitos trabalhos que pedem perfis solitários e acho que tem que respeitar a individualidade e personalidade de cada um" (Amélia).
"Preguiçosos adoram trabalho em grupo pois assim vão conseguir tirar boas notas sem precisar se esforçar" (Tiago).

Só uma ressalva: os maiores preguiçosos nessa história são os professores! Óbvio que eles passam trabalhos em grupo por ser mais fácil corrigir 08 trabalhos de grupos de 5 do que 40 trabalhos (ou provas) individuais.

Anônimo disse...

A minha experiencia na faculdade foi bem ruim nesse quesito social.
Ao contrário de você, sempre fui bastante sociável, gostava de sair, de conhecer pessoas e todos esses clichês de adolescente que só quer aproveitar a vida. Sofri bullying na escola, também pratiquei bullying, nada muito sério, tive problemas sociais e apesar de uma postura amigável e sociável eu sempre me senti muito sozinha. Nunca tive uma melhor amiga, por exemplo. Nunca tive minha panelinha, não desde o início da adolescencia.
Quando eu entrei pra faculdade, porém, com 20/21 anos, eu estava numa fase obscura da minha vida. Há dois anos eu estava em um relacionamento abusivo que me deixou insegura, deprimida, ansiosa e etc.
Fiz amizades logo de cara, mas tive muita dificuldade de me sentir parte da galera.
Isso me atrapalhou bastante, tanto no meio acadêmico, quanto no meio profissional. Me formei em comunicação e esse é um meio em que você precisa muito de QI pra conseguir emprego e etc. Nunca trabalhei na minha área, nem sequer um estágio, porque nunca tive quem me indicasse.
Eu lamento não ter aproveitado mais esse periodo da minha vida e a propria graduação. Podia ter aprendido mais, feito mais contatos, experimentado mais.
Anos depois eu estou me recuperando de todos os problemas psicológicos e to vendo a ansiedade social se esvair. Me parece tão ridículo que eu deixei de viver meus 20 e poucos anos por medo de pessoas e agora tenho que "recuperar o tempo perdido". Eu me lembro como eu me sentia, mas agora quando eu lembro eu me sinto uma idiota por ter me sentido daquele jeito.
Portanto, o meu conselho é, continue o tratamento, busque tratamentos alternativos em paralelo ao que você já faz (pra mim o que funcionou foi arte terapia), e não deixe de fazer as coisas por causa de ansiedade social. É difícil, mas vale a pena. Vá pra faculdade, se esforce pra participar, mesmo que seja frustrante, saia da zona de conforto. Não espere melhorar de depressão, de ansiedade pra começar a viver.

MCarolina disse...

Tradução é uma ótima ideia. Onde você mora? Eu fiz Letras da USP (Universidade de São Paulo)e lá é facílimo ser aceita. Tem muita gente estranha (no bom sentido) e variada. E muita, muita gente, sempre dá pra achar alguém que combina com você. A maioria dos professores tb é bem legal. Até o trote é super tranquilo (só perguntaram se podiam me pintar com guache, no resto fiquei com preguiça e não fui). Se quiser que te indique para uma agência me escreva maria.carolina0708@gmail.com. Não é certo, mas vai que sai alguma coisa.

Anônimo disse...

Eu sofro de timidez,baixo auto estima,complexo de inferioridade e por causa disso desisti de muita coisa na vida,entre elas faculdade,namoro e sexo.Nunca tive coragem de atravessar essa cerca que me envolve.Trabalho e considero isso o meu máximo de ousadia.Moro numa cidade pequena e tenho vergonha de procurar um psicólogo,mais vergonha do que sinto da minha situação,da minha feiúra,de tudo.
Aprendi a me conformar com a minha realidade,nem todas as pessoas nasceram pra serem felizes.Infelizmente sou uma delas.

Mônica C. disse...

Já larguei duas faculdades (Jornalismo e Letras) por conta de fobia social, ansiedade e depressão. Pra falar a verdade, nunca imaginei que houvesse tanta gente com o mesmo problema. E são transtornos tão vergonhosos, tão inconfessáveis que pedir ajuda ou tentar se abrir com alguém parece realmente impossível... Você se sente uma inútil, algum tipo de aberração, todo mundo em volta consegue interagir, festejar, tocar uns nos outros como se fosse a coisa mais simples do mundo e somos forçadas a ficar de lado, fazendo das tripas coração em nome da invisibilidade. Sabe, eu tirava notas excelentes nas provas e ensaios individuais, amava Teoria da Comunicação, uma das matérias mais árduas (e odiadas) do curso de Jornalismo e que me permitia ler e escrever até dizer chega, mas na hora de encarar os trabalhos em grupo minha vontade era que um meteoro atingisse a Terra e tudo sumisse da minha frente. O que eu mais queria (falo no passado porque sei que o meu caso já é grave demais pra chegar à cura) era ter encontrado um curso eminentemente teórico, sem trabalhos em grupo nem avaliações orais de qualquer tipo. Gosto muito de estudar, adoro filosofia, literatura, textos tidos como impenetráveis, livros de mil e tantas páginas, mas não existe um só curso, uma única faculdade onde eu possa exercitar esses prazeres. O jeito é ficar trancada nesse quarto, lendo, escrevendo e fugindo dos outros: a louca da família.

Amanda disse...

Eu entrei na faculdade com 18 anos, não fazia a mínima ideia de como era o mundo universitário e foi muito complicado pra mim.
Eu não sabia, mas tinha muitos problemas psicológicos, sofria de depressão e fobia social, a faculdade me assustou tanto que cheguei a ter dificuldade até mesmo de fazer sinal para o ônibus que me levava até lá.
Mas não tinha um tratamento adequado, não tinha nem mesmo um diagnostico.
Por conta disso tudo, eu acabei perdendo meu primeiro semestre, logo não conheci muitas pessoas. Procurei tratamento, mas não entrei logo com psicotrópicos.
Minha vida melhorou bastante com a terapia, voltei a ir para faculdade e conheci algumas pessoas, não muitas, mas umas 5, talvez.
Essas pessoas me acompanharam em algumas matérias durante alguns anos, passei com louvor em muitas matérias,aprendi muito e arrumei até mesmo um estágio na minha área. Faço letras e fui dar monitoria em uma escola, no meu penultimo ano de faculdade. Bom, a escola era muito desorganizada, apesar de ser conhecida aqui no RJ, e eu tive que dar aulas muitas vezes, mesmo sem ter qualquer experiência.
Por ter uma pré-disposição e por ter esse estresse de preparar aula em apenas alguns minutos, eu desenvolvi a sindrome do pânico.
Acabei largando algumas matérias,mas encontrei muitos professores compreensivos, outros nem tanto. Mas meu orientador me deu a maior força do mundo. me deixou muito à vontade, não me cobrou trabalho oral e abonou minhas faltas.
Além desses abandonos de matérias que atrasaram a minha formação, eu também fugia de seminários com medo de apresentação e o medo de me expor.
Mas encarar o medo foi a forma que encontrei para acabar com ele.
Não sei se você conhece, gosta ou acredita. Mas uma coisa que me ajudou muito foi a yoga, indico o livro do professor Hermógenes "yoga para nervosos". Ele ensina vários exercícios para depressivos, ansiosos, tensos, enfim, para quem tem problemas psiquiátricos.
O que me salvou foi a terapia psicologica + os remédios + a yoga.
às vezes me sentia mal por ser muito deslocada na faculdade, apesar de ter conhecido algumas pessoas, hoje sou muito deslocada porque todo mundo da minha época já se formou. Me formo este ano, mas com dois anos de atraso.
O que posso te dizer, baseado no que eu fiz, é não se importar muito, não. Nem se cobrar para ser descolada ou ter grupos certos de trabalhos.
Hoje em dia, quando tenho que fazer trabalho em grupo, eu me junto às pessoas que têm interesse no mesmo tema que eu,troco e-mails e criamos o trabalho. Tenho feito isso desde sempre e tem dado certo.
E quanto a questão da apresentação, passei a levar menos a sério aquilo tudo. Estamos ali para aprender, por mais durão que seja o professor, acho que todos querem nos ensinar um pouco do que sabem e a faculdade é a hora de aprender.
Depois de ter feito um seminário sobre os Lusíadas e ter feito a análise com algumas coisas que cabiam na obra, outras não,e a professora ser a mais durona, perdi o medo. Eu errei, mas ela não me humilhou, não me fez de chacota, apenas disse que não caberia aquela análise e me explicou o motivo.
É sempre muito bom manter contatos com as pessoas, conversar e trocar experiência nos ajuda a crescer. Sempre converso com algumas pessoas da minha sala, apesar de não ter Amigos na faculdade, faço colegas diariamente. Sempre vai ter gente para fazer trabalho, sempre vai ter gente pra conhecer e amizades acontecem com o tempo.

Espero ter ajudado e te desejo toda sorte no mundo acadêmico, que é um mundo encantador.

Anônimo disse...

Me identifiquei, sou mto introvertida+complexo de inferioridade, ñ sei se tenho fobia social, mas no 2º sem. ñ tenho grupo, colegas, sou isolada e não me esforço, porque não tenho tato social nenhum, e odeio trabalho em grupo\apresentação, porém gosto do meu curso, de aprender e mesmo sendo imensamente desconfortável ir para universidade por conta da minha excessiva timidez, dos comentários, e até uma professora que faz interação toda aula e assim, desrespeita a minha particularidade, que já pensei em desistir. Quanto ao trabalho, também indico o setor público, 1º: a seleção será vc contra vc mesmo em provas, 2º:há mais liberdade para ser do seu jeito único(nem tanto com se vê pelos comentários), não há tanta cobrança e nem um perfil pré-determinado, por isso foi a minha escolha. Abraços, e boa sorte!

P.S.: ah se prof. e pessoal de RH lessem O poder dos quietos, me deu +auto-conhecimento

Renata disse...

Quando chegou a época de fazer faculdade eu também fiquei pensando nessas coisas. Sou ansiosa, tenho fobia social (e ainda por cima fico vermelha como um pimentão falando com as pessoas.. imagina falando em público então, seeeempre foi motivo pra chacota e humilhação) e afins.. Acabei escolhendo um curso a distância! No começo tinha muita gente, depois foi diminuindo.. no final eramos só 16 e eu só falava com umas 4 pessoas. A parte boa era que a gente só tinha que ser ver 1 vez por semana!
As apresentações de trabalho eram uma merda.. por isso eu ficava meio bêbada pra fazer.. hehe.. mas o TCC.. nossa.. não dava pra ficar bêbada! Apresentei na cara dura mesmo..suei, fiquei vermelha, tremendo, horror puro, achei que ia desmaiar.. (sorte que a luz ficou apagada) depois de uns 3 minutos eu comecei a relaxar e foi ÓTIMO. Tirei nota máxima! Mesmo assim, NUNCA mais quero repetir a dose.

Provavelmente o ensino a distância seria melhor pra você.. basta escolher uma boa faculdade!

Boa sorte =]

Lígia T. disse...

Tenho 28, faço faculdade desde os 19 e n consigo concluir. Desisti da primeira depois de 4 anos... e agora to nessa. Fujo de todas as aulas em que rola um ambiente aversivo pra mim, que n consigo falar em público de jeito nenhum. Certamente não é o seu caso, que ficou um ano em telemarketing, eu não conseguiria. To fazendo um estágio agora e toda vez q tenho que fazer uma ligação em público, tomo um rivotril minutos antes. Qd to sem receita, eu bebo. O mesmo para seminários e apresentações na faculdade. Pode ser muito destrutivo, tem casos que é bom ter acompanhamento.

Lígia T. disse...

Meu primeiro curso foi Letras... fui ler os comentários e fiquei besta: super não recomendo! Curso não tem espaço algum para tímidxs, inclusive professorxs adoram alunos que dão show, que se expressam muito bem, dinâmicos e todas essas coisas superestimadas. E, sinceramente, não conheci muita gente longe desse padrão. Algumas pessoas eram legais, mas ter turmas e turmas só de gente extrovertida e/ou segura de si não me ajudou em nada, me sentia oprimidíssima, sempre aquém do esperado. E olha passei por muitas turmas, dessemestralizada que fiquei quando cheguei no 5° semestre. E na hora de se humilhar atrás de alguem que oriente seu TCC? é difícil, elxs inventam todo tipo de desculpa. Professor que não te conhece vai investigar sobre vc, elxs nunca orientam alunx sem ter uma ideia do histórico delx (agora to num curso não-monográfico - graças!).
E em Letras todo semestre tem pelo menos duas disciplinas que exigem extroversão, é praticamente pré-requisito. Rodas e mais rodas de conversa. Levei 4 anos pra conseguir ir embora, porque gostava muito do curso, dos conteúdos das disciplinas, MAS. Ambiente extremamente ansiogênico!!

Camila F disse...

A maioria dos comentários que li são de pessoas que se encontram na mesma situação que você , A.C e por eu não ter esse tipo de problema resolvi comentar . Procure um tratamento e não vá pra faculdade só com o objetivo de assistir aula , tente ingressar em alguma entidade de seu interesse ou esporte . E mantenha-se aberta as pessoas que alguém curioso vai falar com você . Os meus melhores amigos são extremamente tímidos e graças a receptividade deles e a minha curiosidade criamos laços incríveis. Eu sou super solta , entrei na faculdade agora e senti medo e insegurança( minhas aulas n começaram mas fui ao trote e a duas festas ), então imagino que pra você seja bem mais complicado . Enfim , tente superar sua fobia e não se isole , deve ser mais difícil do que eu imagino mas vá contra isso .

Talita disse...

"É possível uma vida universitária enquanto introvertido, basicamente antissocial?"
Minha resposta: Siiiiiiiiiiim!

Eu sou super introvertida, do tipo que passou meio ano do cursinho chegando cedo, sentando na primeira fileira, olhando só pra frente, não conversando com ninguém. Tenho sérias dificuldades em conhecer gente nova, me enturmar e tal...
Na faculdade tive sorte de no primeiro dia de aula, quando os professores estavam apresentando o curso e alguns veteranos apareceram pra nos pintar, sentar ao lado de duas meninas que passariam comigo a maior parte do meu tempo na faculdade, depois encontrei outro grande amigo e uns 5 colegas muito legais!
Não participei de praticamente nenhuma festa, não me envolvi em nada do que é considerado parte fundamental do pacote universitário, mas como disse, tive a sorte de encontrar amigas muito legais e que combinavam com o meu jeitinho anti-social de ser, a gente vivia rindo dos outros grupinhos e achando-os uns manés por pensarem que a gente não estava aproveitando nada. Cada um aproveita seu tempo na universidade da maneira que melhor se adaptar.

Apesar do meu super medo de enfrentar o desconhecido, aconteceram algumas coisas que me fizeram ter que sair da zona de conforto: logo no segundo semestre do primeiro ano tive algumas crises, de pensar que estava no curso errado (faço Letras ^^), de pensar que aquilo ali não era pra mim e tranquei várias matérias, isso fez com que eu ficasse com o curso atrasado e no fim tive que fazer várias matérias com outras turmas, sair procurando fazer trabalhos em grupo com desconhecidos, isso me fez ter que sair da concha.
Trabalho em grupo pra quem é anti-social é aqueeeela tortura, mas tenho sobrevivido, a gente vai aprendendo a como sobreviver sabe, vai encontrando motivações... No fim das contas acho que nos é passada uma imagem super valorizada do que acontece na universidade, mas no fim, acredito que cada um vive esse período de maneira única, você vai conseguir descobrir a sua, vai amar os trabalhos individuais, estudar pras disciplinas mais interessantes, as pesquisas, e isso vai ficar na sua cabeça ajudando a enfrentar os momentos-desespero, os seminários assustadores, os professores que amam fazer terrorismo psicológico (eles não são unanimidade mas existem, sempre tem - pelo menos - um mala no departamento), quando se der conta já estará se formando. A dica é tente não se PRÉ-ocupar. Boa sorte!!

RavenClaw~ disse...

OFF-TOPIC:


Looooola, olha esse post que coisa mais linda! *-*

http://www.buzzfeed.com/skarlan/magnifica-serie-de-fotografias-retrata-casais-gays

Anônimo disse...

Eu desisti da Faculdade logo no segundo mês.Sempre fui tímida e não sei por que isso incomodou algumas pessoas,virei alvo de brincadeiras de pessoas que nem me conheciam.Um dia,tentando quebrar o gelo fiz um comentário sobre determinada matéria e fui massacrada.Todos riram de mim,até o professor.Nunca mais voltei.
Ninguém gosta de ser humilhado.

Janaina disse...

Eu sou bem tímida e achei essencial ir na primeira semana de aula da facu que não tinha aula e era mais de integração entre os novos alunos com atividades preparadas pelos veteranos. Foi nessa semana que fiz os amigos que me acompanharam por toda a faculdade e que tenho contato até hoje, depois dessa semana nem consegui fazer mais amigos, pq tenho extrema dificuldade de puxar papo com os outros, mas na semana de integração sempre vinha alguém falar comigo e me obrigava a conversar tb pq essa semana era pra isso. Eu me obriguei a ir nessa semana, pq passei um ano de cursinho sem falar com ninguém, dava até agonia de passar o dia inteiro muda e não queria passar 4 anos de faculdade sem falar com ninguém novamente.
O trote eu não achei nada demais era só pintarem a gente e coisas do tipo, mas acho que pra quem é fóbico deve ser ruim. Tem pessoas que não foram na semana de integração e conseguiram fazer amizades, acho que depende de cada um, eu acho que não conseguiria.
Tentei entrar em alguns grupos de discussões que tinham na faculdade, mas foi extremamente desconfortante eu entrava muda e saia calada, mesmo depois de seis meses e todo mundo devia me achar uma idiota por estar ali e nunca falar nada. Só dei certo num grupo que recebia visita escolares, que entrei pra melhorar da timidez, pq não tinha essas discussões, era mais estudar pra atividades que iriamos apresentar e as visitas, que me deixavam muito nervosa, mas me ajudaram a melhorar a falar em em público.

Bia disse...

Meu conselho para a C é: faça faculdade.
Desde criança fui muito tímida e sofri bullying na primeira escola que freqüentei até os 15 anos. De qualquer forma, encontrava na escola um ambiente em que me sentia segura. Na faculdade, também consegui encontrar o meu espaço. Conheci pessoas completamente diferentes dos meus colegas do colégio (ainda bem!). De algum modo, em geral, também consegui me sentir segura neste espaço. Meus melhores amigos são dessa época.
Até que minha timidez começou a piorar no último ano do curso e eu comecei aos poucos a sofrer vários sintomas de fobia social. Ao mesmo tempo, decidi fazer meu mestrado fora do Brasil. Só não desisti porque gostava das aulas, do meu tema de pesquisa, do meu orientador. Durante esse tempo, sentia que dava alguns passos para frente e alguns para trás. O mestrado terminou, e consegui uma bolsa de estudos para o doutorado no mesmo país.
Foi nesse período que as coisas pioraram; hoje entro em pânico por ter de viajar sozinha, tenho dor de barriga antes de qualquer coisa, até mandar um e-mail para minha própria orientadora é difícil. Gaguejo e cometo erros básicos na língua estrangeira ao falar com figuras de autoridade ou estranhos. Comecei a não gostar de freqüentar a biblioteca.
Mas eu não posso desistir, não tenho vontade de desistir.
O ambiente acadêmico pode ser intimidador (e não tem nada a ver com a escola, ou pelo menos não deve ter) e competitivo, mas você pode descobrir um espaço intelectual estimulante e expandir, em vários sentidos, seus horizontes. É claro, tem muita gente idiota e que não vai compreender sua situação, mas tem gente que vai. E não vai ser fácil, mas você deve se concentrar nas suas conquistas (nas grandes e nas pequenas conquistas do cotidiano).
Concordo com a Amanda, e a idéia de alguém que falou sobre o laudo psicológico é boa. Já conheci uma menina (ótima estudante, super inteligente) que tinha um e conversava com cada professor no início do semestre.
Boa sorte, C, e obrigada à Lola por compartilhar essa história!

Tiago disse...

Infelizmente esse comportamento não ocorre somente na faculdade. A sociedade em geral não valoriza os timidos, inclusive há pessoas que possuem verdadeiro ódio ou asco de pessoas timidas. Vem com esse papo de que "quem nao é visto nao é lembrado", de que "timidos são esquisitos", e principalmente fazem questão de menosprezar nossa inteligencia, nos taxando de burros, incompetentes, fracos. No fundo acho que são pessoas cuja auto-estima depende de pisar e humilhar os outros e ai os timidos são um prato cheio.

Luana disse...

Eu tb tenho fobia social e quando tinha 11 anos sofri bullying. Nessa hora parei de estudar por 6 meses. Felizmente foi um episódio isolado na minha vida. Na maioria das vezes eu me fazia invisível na sala de aula e isso era muito confortável que tentar me integrar. Tinha duas ou três amigas mais próximas e era suficiente.

Sai do segundo grau, sem querer fazer faculdade. Pensando que eu merecia um tempo para me preparar para o convívio forçado. Um 3 anos depois passei em um curso bem concorrido, mas apenas na terceira chamada. Cheguei duas semanas depois de todo mundo e como você pode imaginar foi péssimo. Não conseguia grupos para fazer trabalhos, a integração foi muito difícil e não consegui concluir nem o primeiro semestre. Na época eu fazia terapia e a psicóloga simplesmente não entendia minha dificuldade. Dava umas dicas super sem noção, como : " Vá tomar cerveja com o pessoal "
Eu mal conseguia fazer contato visual e dar boa noite. Imagine beber com eles...

Uns dois anos mais tarde resolvi tentar de novo. Entrei em uma faculdade particular perto da minha casa. Tinha poucas opções de curso e optei por um que achei que nunca faria: Jornalismo. Não é carreira ideal pra quem tem fobia social, mas eu gostava de escrever, sempre me interessei por política e achei que podia ser um modo de me forçar para fora da concha.
Faltei aos primeiros dois dias de aula, pois estava em pânico. No terceiro dia me obriguei a ir. Para minha surpresa o ambiente era bem diferente do outro curso. A sala era mais vazia e havia muitas pessoas mais velhas. Ao longo do curso teve vários momentos difíceis. Eu chorava antes das aulas de vídeo jornalismo e detestei cada momento do meu curto estágio. Ao mesmo tempo, adorava outras partes do curso e no geral tinha boas notas.
Apesar de extremamente tímida, eu sempre gostei de ajudar os outros e isso fez bastante diferença. Ensinava a usar programas de computadores e ajudava muito nos trabalhos em grupo, mesmo sem liderar. A postura de colaborar em vez de competir deixou a convivência muito mais fácil. Mais de uma vez, um colega sabendo da minha dificuldade me ajudou fazendo o primeiro contato com o entrevistado, por exemplo.

Hoje atuo na área. A maioria do meu trabalho é feito em casa, na frente do computador ou pelo telefone. Eu tenho vontade de fazer uma pós, mas ainda não criei coragem. No geral, a faculdade foi um ambiente bastante positivo.

Luana disse...

PS: Meu texto está cheio de erros, mas estou digitando em um teclado minúsculo e sem paciência para corrigir. Espero que esteja compreensível.

Dan disse...

Meu início foi semelhante, mas o que posso te dizer que deu certo pra mim foi: não fingir nada, não sorrir sem querer. E confiança+empenho nos trabalhos em grupo, assim vc não sobra. Hoje, tenho mts lembranças boas da faculdade, quem diria. Não tenha medo de ser autêntica.

Anônimo disse...

Simplesmente chocada com a quantidade de depoimentos de pessoas que sofrem destas fobias sociais. Oque acontece com esse mundo? Sério... é uma terra desolada!
Você já está em terapia, oque é bom. Sei que "conselhos" não adiantam muito, e pior ainda quando a gente se identifica com o rótulo que vem com o diagnóstico psiquiátrico. Muita gente que sofre de transtorno mental acredita que o seu problema é tão tão grave, e tão tão incompreensível para as outras pessoas... que isso realmente se torna realidade: FECHA AS PORTAS PARA O OUTRO, para a escuta. Falo assim porque já estive em depressão e minha família tem pessoas seriamente comprometidas. Desculpe se meu tom parece arrogante, não é essa a intenção, só estou pensando nas pessoas queridas que sofrem tanto para se adaptar ao mundo. Eu vejo seu sofrimento, eu o respeito, é legítimo. Mas acho (a despeito dos comentaristas de portais e blogs da internet) que a maior parte das pessoas que nos rodeia não é sádica. São normalmente só IGNORANTES, de um tipo de brutalidade da alma que incapacita a escuta e faz olhar o outro como um estranho, ao invés de um semelhante. Espero sinceramente que você seja capaz de se livrar dessas fobias um dia, não para que você se ADAPTE ao que a sociedade prega como normalidade, mas sim para simplificar a sua vida e se cansar menos. Existir por aí sem tantas estratégias, relaxar, encontrar pessoas legais iguais ou diferentes de você, ir pra todo lugar quando quiser, e cagar para o que a sociedade pensa.... Aliás, tod@s nós temos que nos lembrar disso todos os dias. E agora um conselho, porque não resisto: vá estudar aquilo que faz seu coração vibrar, isso ajuda a encontrar um SENTIDO para isso-tudo-que-tá-aí.

Gabriele A. Silva disse...

Tive fobia social na adolescência, até que cheguei na faculdade. E ela foi decisiva para eu superar a fobia. Eu tinha pavor do que as pessoas pensavam sobre mim, pavor de interagir, pavor de falar besteira e passar o resto da vida marcada... Teve situação em que o simples ato de ir a uma loja e solicitar algo de um vendedor me dava crises de choro de tanta ansiedade. Mas fui vendo como isso estava me custando a vida, como o medo me impedia de fazer quase tudo o que eu gostava. Quando cheguei na faculdade (curso de psicologia), estava bem decidida a superar o medo. O que eu fiz foi me expor ao máximo de situações sociais: entrava em grupos de estudo e pesquisa, monitoria, fazer perguntas em público no meio das aulas, entrei pro jornalzinho da faculdade, me metia na organização de eventos, diretório acadêmico, me voluntariava a fazer diversas atividades, me colocava a disposição para ajudar colegas a estudar (sempre fui a nerdzinha hehe)... sempre que via uma oportunidade de enfrentar o medo, aceitava, mesmo que o meu instinto fosse recusar, fugir... Não era fácil, eu ficava bem mal no começo, mas cada vez mais sentia menos e menos pavor, até que as coisas foram ficando mais naturais. Ao mesmo tempo, também entrei pra terapia, mas o foco acabavam sendo outras coisas da minha vida (mas que acabavam ajudando tb).
Acho que o bom de ter me envolvido com tudo aquilo pra enfrentar o medo principalmente pq isso acaba com o que em psicologia cognitiva chamamos de catastrofização e outras distorções do pensamento. Pelo menos para mim, a crença era a seguinte: que todas as pessoas estavam prestando atenção a cada movimento que eu fizesse e cada vírgula que eu dizia; que eu não era boa o suficiente para as pessoas se interessarem por mim, quererem minha amizade ou mesmo terem paciência pra me escutar; que as pessoas são extremamente críticas e maldosas. E tudo o que eu fiz me ajudou a ver que isso estava errado: que eu não sou o centro do universo pras pessoas estarem sempre de olho em mim; que a maioria das pessoas não é cruel como eu achava; que eu sou capaz de despertar sentimentos de amizade nos outros e que sou uma pessoa interessante que tem várias qualidades. Claro, tb topei com pessoas que eram realmente muito críticas ou não iam com a minha cara, mas fui vendo que não preciso dar tanta atenção a essas pessoas e que a opinião delas, se não forem críticas construtivas, não merecem uma lágrima ou noite mal dormida minha, que eu não nasci pra agradar todo mundo e nem quero. Espero que meu relato te ajude, ainda hoje não sou a pessoa mais sociável do mundo, mas fui sabendo separar o que era a fobia social e o que era próprio da minha característica de personalidade introvertida, e hoje me sinto muito melhor, ainda tenho umas crises raras de medo de situações sociais, mas já não é aquela fobia propriamente dita

Liv disse...

Cara C,

Eu nunca tive muito problema pra me socializar, mesmo sendo super introvertida e um pouco tímida. Minha primeira graduação não foi tão boa quanto poderia, pois eu até me enturmei e tal, mas não o suficiente. Agora, aos 34, estou me graduando em Letras/Inglês a distância, na UFLA. E tipo. CARA. é maravilhoso! Fazer um curso a distância é TÃO mais legal! Eu sou péssima pra falar, mas escrevo bem, e a interação é basicamente através a escrita (em fóruns de discussão). Os grupos p/ trabalhos são formados pela internet, então ninguém fica julgando sua aparência ou jeito de ser, vai julgar as coisas que vc escreve no fórum, se suas idéias são parecidas. Claro que há encontros presenciais, mas são poucos e acredite, educação a distância é o paraíso para os introvertidos que preferem ler um artigo em casa de pijamas do que participar do julgamento alheio indo a aula todo dia.
Eu gostei tanto de educação a distância que até emendei uma pós voltada pra área, e quero muuuito trabalhar neste segmento, que acredito piamente, vai mudar a educação. Sei que há várias federais que oferecem o curso de Letras, porém creio que sejam todos licenciatura (não sei se te atende, já que quer se dedicar à tradução). Quanto às particulares, não sei te falar, mas sei que o setor de EAD cresce a cada dia, creio que a maioria das faculdades ofereça algum curso nessa modalidade. Você pode verificar a oferta de cursos a distância das federais (tanto de graduação quanto de pós) neste site: http://www.uab.capes.gov.br/

Espero que consiga encontrar o melhor caminho pra você, futura colega, e desejo que consiga superar seus problemas e ter um ótimo curso :-)

Poraru Bear disse...

entrei na faculdade com 17, idade que todos estão naquela de querer encher a cara, conhecer todo mundo, festa e tal e imaginei que iria sofrer no começo, acho que não chego a ter fobia social, mas esse clima de conhecer mil pessoas num unico dia me dá calafrios
desde o meu primeiro dia de aula, minha rotina se resumiu em ir pra aula, sair, esperar o onibus fretado num canto lendo ou desenhando e só, mas por sorte, mais da metade da minha sala era timida, não me senti tão deslocada. só senti um certo terror quando começaram a surgir trabalhos em grupos, que não tinham jeito de serem individuais, mas antes de surtar, me apareceu uma menina perguntando se eu tinha grupo pra historia da arte
creio que há muitas diferenças entre salas, turnos e principalmente em cursos. sou formada em produção multimidia e sendo curso de comunicação, muitas pessoas pensam que é pra gente extrovertida, muito pelo contrário
mas também fui obrigada a conviver com o oposto do que vivia em sala de aula. no meu fretado, era obrigada a aguentar todas as sextas-feiras festinhas no onibus, cheiro forte de bebida, funk altissimo enquanto a unica coisa que eu pensava, era em querer dar um cochilo, porque tinha que acordar as 5:30 no sabado, porque tambem tinha aula, além de aguentar caras feias, olhares de desprezo e comentario de um cara que veio me falar que eu não conversava com ninguem e sempre tava séria
mas te garanto que independente do curso que seja, há aquelas pessoas interessadas realmente em estudar, que não estão ali pela zoeira, que há pessoas com problemas semelhantes, por isso, se tiver que se aproximar de alguem, procure os mais timidos, os quietos, os que sempre estão de cara fechada
em questão de apresentação de trabalhos, procure conversar com os professores, eu morria de medo de falar em publico, mesmo que pra poucas pessoas. nos meus 2 anos de faculdade, tive 3 trabalhos pra apresentar, um deles me livrei por ter conversado com o professor sobre isso, os outros dois não tinham jeito, era pré-banca e apresentação final de tcc, mas no fim superei esse medo de estar ali num palco com microfone e certa de 30 pessoas me encarando. eu consegui uma coisa que nunca imaginei que conseguiria tão naturalmente

um fato que acabei de me recordar, uma menina da minha sala, timida, suuuper séria e meio mal humorada, sempre foi disputada pros trabalhos em grupo, porque ? ela mostrava pros professores, levada pra aula pastas de desenhos, deixava todo mundo sabendo o quanto desenhava bem, as vezes ser sociavel/extrovertido nem conta tanto quanto o potencial da pessoa, seja lá qual for o seu, dê um jeito de mostrá-lo
espero que supere tudo isso e não desista da faculdade, boa sorte ;3

ah, e não esqueça de fugir dos trotes

Anônimo disse...

A.C. O meu relato é de quem está passando por essa experiência. Hoje foi o meu terceiro dia de aula na faculdade de Biomedicina. Quis abandonar no primeiro. rsrs. Eu realmente não sou uma pessoa perseverante. Há oito anos eu consegui uma bolsa de estudos integral para cursar Medicina. Abandonei mais ou menos 3 meses após o início das aulas. Evito de relatar esse episódio para não ouvir os julgamentos e condenações das pessoas: " Tu não deveria ter desistido"; " Tu ganhou na loteria." E outras frases que me deixam mais melancólica d o que já sou. Sempre fui a primeira aluna da sala, mas desde das séries iniciais ir pra escola era uma tortura. Eu chorava, faltava, fugia. O recreio para mim era um filme de terror. Eu comecei várias atividades e desisti de todas. Violino, pintura em tela, teatro, curso profissionalizante, academia. E o pior é que quando eu abandono a atividade que tinha começado eu sinto um alívio enorme. No curso em que estou até tentei falar com algumas pessoas, mas parece que elas não têm interesse em me conhecer. Eu sei que sou diferente. Não acho a mínima graça nas conversas ou piadinhas deles, não vejo nada de útil ficar a aula inteira trocando SMS. Eu gosto de pesquisa, gosto da área da saúde, mas detesto relações interpessoais. Na maioria das vezes eu penso que pra mim não tem jeito, que esse comportamento é típico da minha personalidade, do meu caráter. Outras penso que o fato de eu nunca ter foco, de colocar todas as minhas energias em um projeto e constantemente desistir daquilo que anteriormente me dava prazer, deve-se ao fato de ter sido abandonada pelos meus pais e ter sido criada pela minha avó. Em contrapartida, concluo que eu sou adulta, casada, com uma filha e que eles, os meus pais, não devem e não têm como interferir nas minhas decisões e no meu comportamento psicológico. Muitas vezes eu penso em abandonar a minha família e fugir. Eu sempre falo que gostaria de morar numa ilha deserte. Penso que a única solução seria eu não mais existir. Simplesmente sumir. Delírios de uma mente doentia. Sinto muita vontade de chorar, mas de raiva. Tenho raiva dessas minhas atitudes. Pessoas me oprimem. Realmente espero conseguir superar a primeira fase do curso, espero conseguir não olhar as pessoas como monstros que querem me devorar.

Anônimo disse...

oie! Bem minha opiniao sincera! F* os coleguinhas de sala da faculdade! Essas falsas amizades so servem pra conseguir contato profissional no futuro. Eu era uma.pessoa sempre entrosada, divertida e recptiva para fazer amizades e quer saber o que eu ganhei em troca? Nada! Minha sala ja tem as panelinhas formadas, todos me vem como burra ou preguiçosa, sendo que na verdade eu tenho problema de memoria isso sim, mas ninguem acredita quando você diz que esqueceu. Minha opiniao e que se você quer fazer alguma graduaçao, ame muito o que ira fazer, assim nao vai se importar em ser solitaria. Esse é seu jeito, nao importa o que os outros pensem. Se quer ter contatos profissionais, faça amizade com os professores. Graças a Deus a maioria deles e muito gente boa. Nao sei como fare nessa fase agora, por que muito trabalhos sao em grupo, mas nada que nao de pra negociar com os professores, eu acho. Se deus quiser eu consigo transferencia de turno. Mas nao ligue nao sabe, infelizmente os seres humanos tendem a serem babacas

Anônimo disse...

Boa noite. Tenho folia social , hoje apresentei meu TCC na faculdade , sabia tudo do tema. mas na hora de apresentar fiquei travado e fui muito mal, fui praticamente humilhado por um membro da banca. Estou praticamente formado em engenharia mas na essa fobia social me atrapalha em tudo do. Acho que o melhor caminho é o concurso público mesmo .

Anônimo disse...

Entrei numa faculdade ano passado mas abandonei por ser sócio fóbico. Faltava a muitas aulas e ficava extremamente nervoso durante as aulas pois era praticamente o tempo todo uma algazarra. Eu tinha até medo de responder a chamada. Esse ano passei numa federal mas ainda não fui as aulas pois sinto um inexplicável medo. O pior de tudo é ouvir as pessoas parabenizando por ter entrado numa federal e não ser capaz de enfrentar tudo e assistir as aulas. Estou desesperado, as vezes penso em sumir, sei lá, parece que não há solução.

Anônimo disse...

Sou tímida e esse ano entrei para uma universidade, tive que me mudar de cidade e não consigo me enturmar com o pessoal. Eles só falam de festas, o que nao me interessa nem um pouco. As vezes tenho vontade de largar tudo e voltar para a minha cidade, mas sei que se fizesse isso seria um grande despontamento pro meu pai que não teve oportunidade de estudo. Além disso,não sei o que faria da minha vida. Espero que eu consiga conquistar o meu diploma.

Anônimo disse...

Olá
Li seu post e achei interessante seus comentários sobre o convívio na universidade.Tenho 34 anos e posso dizer que para mim também não está sendo fácil.A minha sala inteira tem entre 19 e 20 anos de idade.A forma de pensar deles é bem diferente da minha e no começo foi bem difícil me enturmar.Graças à um colega que tomou a iniciativa de começar um diálogo comigo, pude ser inserido num grupo de trabalho.Minha sala foi desmembrada e ficou menor.Tive problemas com esse grupo de trabalho pois eles brincavam muito. São muito competentes mas brincavam muito.Um rapaz em específico me atormentava mais.Ele é do tipo que brinca com tudo e com todos, acho que até com pedras...
Resolvi buscar outro grupo para recomeçar e poder fazer os trabalhos.No caso do meu curso, Comunicação Social, precisamos forma-los logo no inicio e eles permanecem até o fim do curso.Há, obviamente, a possibilidade de mudar de grupo sempre a cada semestre.Neste novo grupo também tive problemas com um integrante que era mais velho que eu.Ele tinha opiniões muito irredutíveis e inabaláveis a respeito de certas condutas e isso foi desgastando o convívio.
Como algumas pessoas já disseram acima, o curso de Letras favorece seu perfil então talvés você não tenha que passar por isso.Na verdade, na vida, não temos garantias e acho que é isso que te preocupa e me preocupa.Não tenho fobias sociais mas posso dizer que não sou "o social".Também sou reservado e até digamos introvertido, introspectivo.
Hoje estou tendo, no mesmo grupo, que lidar com uma pessoa de gênio forte...tô perguntando para Deus o "para que?" rs as vezes penso meu Pai o que é isso?Juro que cheguei a pensar em trancar e avaliar uma série de coisas que estão no meu coração no momento.Li os comentários de pessoas bondosas que aqui deixaram seu relato de vitória sobre tudo isso que enfrentaram dando-nos força e coragem para continuar em frente ou pelo menos tomarmos uma decisão mais acertada em relação à nossas situações particulares.O fato é que falar é bom, escrever aqui no caso...e contar o que sentimos e enfrentamos seja bom ou ruim.
Espero verdadeiramente que você tenha se encontrado.Fique em paz!

Anônimo disse...

C.,

Eu entendo exatamente o seu medo, também tenho características de fobia social e faço faculdade. Não quero te espantar, mas preciso ser sincera: assusta. Pessoas com fobia social tem muitas limitações pra se socializarem, e dar um sorriso e olhar nos olhos pode ser o maior desafio do mundo, tal como escalar uma montanha. E pra esclarecer vou explicar minha situação: atualmente eu curso Ciências Biológicas, e quando comecei o semestre eu achava que me daria super bem por se tratar do curso dos meus sonhos. Só que sendo fóbica social assim como você, eu tenho muitas limitações: expressar minha opinião, iniciar uma conversa, participar de um debate... e o fato é que no começo do meu curso, eu precisei me afastar um pouco da universidade por causa de problemas pessoas, mas nada que me fizesse perder o semestre. Porém, quando eu voltei, parece que tudo tinha mudado. Meus colegas, que no início tentaram se aproximar de mim, me hostilizavam e ignoravam completamente. Eu conseguia perceber os sussurros quando eu me aproximava e, inclusive, fui humilhada na frente da sala de aula por um professor por ter chegado atrasada na aula. Nem preciso dizer que foi o fim do mundo pra mim. E desde então, abandonei completamente as aulas pra voltar somente no próximo semestre. Essas são coisas que você pode passar na universidade, é um desafio bem grande. A boa notícia é que essa não é a regra; você pode se dar muito bem, conhecer pessoas iguais a você, fazer amizades mesmo que não se torne popular entre a turma. Eu, por exemplo, antes de iniciar Biologia, cursei Letras e me dava bem com a turma. Só desisti do curso porque o futuro da profissão não combinava com os meus sonhos. Então, acho importante dizer o que você pode enfrentar na universidade, mas existe várias possibilidades e cada caso é um caso. Você pode se dar bem, o meu conselho é que não desista antes de tentar. Apesar das dificuldades que podem vir, e como alguém que se encontra na mesma situação que você, eu sei que no final vai valer a pena, ainda que enfrentemos o mundo pra conseguir tal proeza. Bem, eu desejo que as coisas deem certo pra você, de coração. Abraço!

Dingo Egret disse...

Tarde demais. Já afastei toda a galera da faculdade. Tenho vontade de dar um tiro na cabeça e acabar com essa vida infeliz. Cansei faz tempo...

disse...

Não é tarde. Existem 7 bilhões de pessoas no mundo, e só uma ‘galera‘ da faculdade vai definir o valor da sua vida? O que pra vc hoje parece uma vida infeliz, pode ser sua grande chance de ser alguem que ousa superar seus limites. Você é capaz, e na Verdade sabe disso. Na morte não há possibilidade de melhora. Esse poder foi dado unicamente à sua fé.

Anônimo disse...

Eu também sofro com fobia social, já abandonei duas faculdades por conta dessa minha timidez excessiva.

Por várias vezes eu cheguei a ir a faculdade e depois voltar pra casa, ficava com a sensação de que as pessoas estavam me olhando, quando conversava com alguém não conseguia encarar a pessoa, chegava a tremer, coração acelerava e ficava vermelha, ir a faculdade sempre foi tortura.

Gostaria de criar um grupo no WhatsApp para podermos trocar experiências e ajudar um ao outro da forma que for possível.
Saber que tem pessoas com o mesmo problema, que lhe compreende, sabe que não é frescura de sua parte ajuda muito.

Quem tiver interesse em participar, basta deixar o número nos comentários.

Ricardo Silva disse...

Tambem larguei a faculdade de ciências sociais por inúmeros motivos mas um dos principais é ter trabalhar 9 horas todos os dias de segunda à sexta + 5 horas aos sábados e estudar nas manhãs...detalhe: com 38 anos, pobre,bolsista,pardo,com afeição de rosto abatido pela vida dura,timido que acredita em Deus dentro de uma instituição tradicional no bairro nobre em SP. Uma Facu com doutrinação marxista e com professores ateus babyboomers e junto com uma galerinha de alunos ateus modinha geração Y muitos deles arrogantes, narcisista e racistas, endinheirados, bem afeicoados, todos claros tipo escandinava tropical... resumindo após 2 semestres extremamente sofríveis num deserto de solidão e exclusão no começo do terceiro semestre foi a conta final. Não deu mais pra mim e tirei meu time de campo.

Karina disse...

Identifiquei-me com o relato e boa parte dos comentários... fobia social é extremamente limitante. Quero muito entrar na faculdade, mas só de imaginar toda aquela interação social nos trabalhos em grupo e na hora do bandejão, já fico com dor de barriga. É agoniante, também, na vida pessoal, pois não consigo fazer e nem manter amizades.

Fui num psiquiatra, e ele me receitou paroxetina. Tomei por dois meses apenas - a bula diz que engorda e fiquei com medo -, e digo que meu medo patológico foi cedendo. Já não apresentava mãos trêmulas ao sair de casa e conseguia olhar de cabeça erguida para o caixa do supermercado ou atendente de loja, como se fosse (e são, claro) atividades corriqueiras.
O que me serve de consolo é o fato dos fóbicos sociais trazerem estruturas cerebrais diferentes dos que não vivem esse inferno mental... todo o pensamento autocentrado e medo de estar sendo avaliado constantemente não faz parte da nossa personalidade.

Maria Soares disse...

Li todos os comentários. Estou investigando uma possível fobia social. Não quero sair de casa,desisto de todas as atividades que eu início e sinto prazer por não precisar ir mais,não consigo falar com as pessoas e em público.Entrei agora para a faculdade e tenho vários trabalhos em grupos para fazer onde é necessário 4,5 pessoas e eu não conheço nem uma.Estava em duvida se iria conseguir continuar o curso e apos ler esses comentários me senti melhor,sem a obrigação de me forçar a socializar com pessoas que querem festinha.

Anônimo disse...

Galera, muito legal todos os comentários de grande valia. Será mesmo que numa era tão mais de despertar da consciência ainda somos obrigados a fazer algo pelo o que nossas crenças limitantes impulsiona e o que a sociedade quer? Pq não aceitar as pessoas como elas são ? Se existem pessoas extrovertidas otimo; mas respeitem os introvertidos. Na verdade somos todos Um: só que cada um com suas características!!! Eu acabei de entrar na faculdade para cursar nutrição , estou na segunda semana e já estou com a ideia de me apresentar para o coordenador e se precisar até o Reitor: vou sugerir a não obrigação de apresentação de trabalhos e se achar melhor para somar notas no lugar do trabalho posso fazer uma prova escrita e se o trabalho for necessário eu faço; mas sem a obrigação de apresentação. O que vocês acham dessa sugestão? Querendo partilhar mais sobre o tema, deixem seus e-mails e número do WhatsApp. Um abraço de luz! Namaste:-)