terça-feira, 24 de setembro de 2013

GUEST POST: MINHA HISTÓRIA DE ALCOOLISMO

Falo pouco de álcool aqui no blog, até porque não bebo (só bebo água, e sem gás). Tenho um pouco de trauma com bebida porque, como tanta gente, convivi com o alcoolismo na família durante muitos anos. 
Mas também porque acho ruim o gosto das bebidas. E porque água é mais barato. E porque não gosto da ideia de perder o controle sobre mim mesma. Em suma, talvez, eu diria que não bebo porque não preciso. Pra que começar a fazer algo que, embora tenha seus benefícios (beber socialmente é uma tradição antiga), pode trazer tantos problemas?  
Por ano, 2,3 milhões de pessoas morrem no mundo por problemas relacionados ao álcool. É ele o responsável por quase 10% das mortes de gente jovem. Bebida mata mais que a Aids. Além do mais, o álcool contribui muito para os altos índices de violência doméstica.
Não faço campanha contra a bebida, mas jamais encorajaria alguém a beber. E devo confessar que fiquei com um sorriso no rosto quando uma leitora adolescente listou, entre as coisas que eu lhe influenciei, ter parado de beber. Porque esta realmente nunca foi minha intenção.
Bom, esta introdução foi só pra apresentar o guest post da I., que é alcoólatra.

Leio seu blog faz um tempo e gostaria de parabenizá-la pelo espaço. Foi através do que você escreve e das referências que dá que consegui pensar diferente e hoje sou feminista. Escrevo porque quero contar uma história e porque algo que leio como um dos "direitos" femininos muito me preocupa. 
Em diversos protestos feministas vejo o clamor pelo direito de "beber o quanto quiser sem ser estuprada". 
Concordo plenamente que a culpa do estupro é do estuprador, única e exclusivamente, mas acho que pode existir um errinho de interpretação aí sem que a maioria perceba. O que eu gostaria de discutir é o uso abusivo do álcool pelas mulheres. 
Todxs temos o direito de beber o quanto quisermos. É o nosso corpo e com ele fazemos o que bem entendemos. Mas eu gostaria de propor um exercício reflexivo: e se trocássemos a palavra "beber" por "cheirar" (cocaína)? Assusta, não? O ponto onde quero chegar é que existe uma geração (da qual faço parte) que bebe demais e acha isso normal, como se o álcool não fosse também uma droga perigosa. 
Meus pais foram alcoólatras. Minha mãe parou de beber há seis anos e meu pai morreu bêbado, aos 53 anos, quando eu tinha apenas cinco anos de idade. Atualmente, tenho 35 anos. Como em qualquer filme que aborda o tema, sofri todas as consequências de ter um familiar próximo que bebe demais. Apanhei muito; aos nove anos fazia meu almoço, passava meu uniforme e ia para escola, enquanto minha mãe permanecia desacordada. Experimentei bebida aos 10 anos, aos 11 anos tomei o primeiro porre, aos 12 bebia regularmente. 
Perdi a conta de quantas relações sexuais não desejadas já tive. Não chegavam a ser estupros, até porque eu queria na hora, mas eram relações que eu nunca teria se estivesse sóbria. Minha sorte é que sempre tive muito medo de DSTs e usava camisinha, na maioria das vezes. 
Sofri acidentes, destratei pessoas, agi como se não fosse eu. A nossa cultura sempre me acobertou: é somente uma cervejinha, eu merecia, havia trabalhado o dia todo, sou guerreira (como diz a propaganda). Pensava que só por eu ser mulher é que as pessoas achavam feio eu beber. Eu me enganei. 
Já li matérias sobre o efeito do álcool no corpo da mulher ser potencializado por sermos menores e termos um metabolismo diferente. Confesso que antes de escrever para você me perguntei até que ponto isso pode soar machista, ser apenas mais uma maneira de dizer que "mulher bêbada é muito feio". Mas, enfim, acho que o buraco é mais embaixo. 
Ao decidir parar de beber, fui fazer uma pesquisa na internet e não encontrei muitos grupos direcionados para o alcoolismo feminino. Ele sempre esteve aí, acobertado pelas tardes solitárias das donas de casa, pelos cargos de pouco destaque. Só que eu me pergunto: e agora? Saímos de casa, trabalhamos e obtemos destaque. Claro, ainda está muito longe do ideal, mas os olhos já podem nos ver. E onde está esse olhar? Como tratar essas mulheres? Será que temos o direito a um tratamento mais direcionado? Lola, ainda não tenho essas respostas e estou procurando. 
Tem outra: o que eu considerava, no passado, ser um comportamento sexualmente livre, hoje vejo como irresponsável. Eu transava com quem queria, nunca tive muitas neuroses, sempre fui livre, lidei com o bullying que sofri por ser considerada "bêbada e promíscua". Mas, sabe, se eu pudesse voltar atrás eu não teria feito muita coisa, e eu gostaria de deixar esse alerta, caso você julgue conveniente publicar meu relato no seu blog. 
Ao lutar pelo direito de termos nossos atos, mentes e corpos livres estamos lutando por uma causa acima: o respeito próprio, o direito de ocupar um espaço no mundo. Não acho que não pensar no corpo como parte do conjunto que nos torna indivíduo seja a melhor alternativa. Será que me fiz entender? Liberdade também é não precisar de drogas para nada. É poder tomar decisões conscientes.
Estou há três meses sem álcool. Posso afirmar que a vida ganhou sua graça novamente. E, sabe, eu não era o tipo de alcoólatra clássico: não bebia pela manhã, não escondia garrafas de vodca nas gavetas do trabalho. Eu era como a irmã, amiga ou mãe de qualquer um. Bebia vinho aos finais de semana, sozinha. Cerveja com amigos. Só que eu bebia quatro vezes por semana e em grande quantidade. Ressacas homéricas, apagões. 
Eu sou aquela amiga que sempre faz besteira bêbada. A mãe que come pasta de dente para esconder o hálito. A colega de trabalho que falta às segundas-feiras. A irmã que afirma que está tudo sob controle, que "vai parar de misturar bebidas e vai ficar tudo bem", e que bebe para não comer (a drunkorexia). Mulheres como eu existem. Elas estão escondidas, envergonhadas, escrevendo anonimamente para blogs, chorando na terapia, pensando se estava bêbada demais para dirigir com o filho no carro (!). Ou se queria mesmo transar com aquele cara. Morrendo de culpa, sozinhas. 

59 comentários:

Anônimo disse...

É dificil, pois é uma droga amplamente divulgada para consumo, mas essa amplitude de divulgação não é utilizada para mostrar os malefícios. Acho que as ações para bebidas alcóolicas deviam ser as mesmas utilizadas para o cigarro, desta forma acho poderia haver redução de consumo.
Mas é complicado pq a bebida é uma desculpa para a interação social, por exemplo: você não vai para uma bar pra fumar com os amigos e jogar conversa fora, o que já não ocorre o mesmo com a bebida...
E como lidar? Como dizer para uma pessoa o limite dela? Concordo que falta grupos de apoio, mas por exemplo a tal da lei seca que tanto foi comentada; na minha cidade é inexistente, e os jovens estão bebendo cada vez mais e fazendo barbaridades nas ruas (rachas, cavalinhos de pau...) e tirando o sossego de todos.
Acho que também estão faltando limites impostos pelos pais, pois vejo muitos casais que sabem que o filho bebe (não socialmente) apronta todas e não faz nada, e quando é pego pela policia acham que o filhinho foi injustiçado! Acho que o problema é muito mais abrangente do que o alcolismo feminino, acho que é um sistema que funciona bem para o patriarcado, o cara tem que beber (e tomar um porre) pra provar que é macho; embebedar as garotas pra "pegar" mais facil e "comer", o cara que não bebe dentro de uma rodinha de amigos é mal visto, e já vi mulheres falando mal do cara que não bebe (imagina se eu que sou mulher bebo, vou sair com um cara que fica na coca cola? - machismo ridículo); fora a cara de afronta que todos olham para o cara que vai assistir futebol com os amigos e não toma uma pra comemorar...
Há muito o que pensar, principalmente, pq uma sociedade muito machista sustenta e aprova quem faz ingestão de alcool, e mulheres e homens estão bebendo a níveis alarmantes para se "encaixar" nos grupos e padroes da sociedade (machista).

Fernanda disse...

Acho que me reconheço um pouco nesse post acima. Não cheguei a me considerar alcólatra, mas cheguei a assumir que tinha problemas de beber muito (e os amigos dissuadiram de ser alcólatra, afinal, alcólatra é aquela pessoa sem qualquer capacidade de levar a vida, com corpo disforme, que já não tem família ou amigos). Tive acho que todas as angústias da autora. Já tive MUUUUITAS ressacas (de chegar a vomitar sangue), já agredi um amigo bêbada (ex amigo, depois do episódio), já transei com caras x, que não me agregaram nada e só me deram a famosa ressaca moral. A verdade é que parte dessa ressaca moral, dessa culpa, é sexista. Homens bebem e dormem com mulheres que não lhe agregaram nada, ficam briguentos, e no dia seguinte se resolvem bem com isso. Isso é um traço de masculinidade para a sociedade, e por isso seja tão mais pesado para as mulheres carregarem esse fardo. Quanto ao viver melhor com a bebida, eu também tenho essa sensação. Não parei de beber, mas precisei de uma reclusão para finalizar minha dissertação. Isso fez eu rever a minha vida. A bebida era uma saída fácil para todos os meus problemas, eu estava estressada, eu bebia, eu estava cansada, eu bebia, estava triste bebia. No fim, se tornava um ciclo vicioso, porque bêbada surgiam novos estresses e tristezas. Mas não faço apologia anti drogas. Acredito na liberdade individual de cada um. Do mesmo jeito que alguns usam drogas lícitas e ilícitas, alguns se acabam de comer chocolate, outros passam a ter uma vida de academia, sem viver qualquer outro mundo, outros se enterram no trabalho. Quase todas as pessoas acham uma válvula de escape para suas aflições, e demonizar o álcool ou outras drogas não diminuirá essas fugas. A verdade é que essa lógica de produção atrelada a esse ideal fantasioso de felicidade só vai produzir cada vez mais pessoas com inúmeros vícios, desde cocaína até facebook.

Verônica disse...

Olha só,como filha de pai alcoólatra que também morreu cedo, vou só acrescentar uma informação: a doença progride. Ela começa com o porre do fim de semana e termina com a pessoa tendo cada vez menos momentos de lucidez, passando o tempo todo alcoolizada - salvo nos períodos em que está internada. É verdade, eu vi isso! Que bom que a autora do post parou de beber e eu espero que ela tenha força para continuar assim.

Bruno S disse...

Alcolismo é um problema sério mesmo e não pode ser esqucido. Assim como devemos ter em mente de que ele não se apresenta só na pessoa sempre bêbada, se apresenta na pessoa que procura pretextos para "beber socialmente", na pessoa que bebe uma dose "para relaxar" quando chega em casa, se apresenta na incapacidade de beber em doses moderadas.

Achei interessante a observação de que o alcolismo pode ser ainda mais cruel com a mulher. Acho que por ser o álcool (e seu problemas) tão associados aos homens, acabamos não olhando para o lado feminino da questão.

Como a Fernanda falou, não podemos demonizar o álcool e outras drogas. Essa tática nunca funcionou e omite que há muito prazer ligado ao seu consumo, assim como omite que boa parte das pessoas conseguirão consumir durante toda a vida sem apresentar vícios.

Fernanda disse...

A ideia geral é que quem bebe é cool, e que não bebe é mané. Isso é amplamente difundido. No Brasil tem até um certo orgulho do quanto se bebeu, tiram-se fotos expondo aquele monte de cadaver de garrafas ao final da festa. Realmente bizarro.
Tô escrevendo e refletindo ao mesmo tempo, mas é fato que essa questão ja me perturbou varias vezes. A adicção esta no gene da minha familia, de ambos os lados (pai e mãe), então sempre fico esperta. Eu bebo, mas hoje, aos 30 anos, ja não gosto dessas orgias alcoolicas, alimenticias, etc. Tenho prazer sim na sensação de relaxamento que vem com a ingestão de alccol -- e as risadas, a descontração, uma série de outras sensações que me fazem bem. Mas compreendo inteiramente a série de prejuizos que o alcool também traz.
A ideia de que beber é legal esta tão impregnada na sociedade que quando eu fico sem beber por algum periodo (o que me acontece frequentemente) os convites de amigos desaparecem: se você não esta bebendo, pra quê sair com a gente?

MonaLisa disse...

Uma psicóloga me falou que pra ser alcólatra, vc tem que beber todo dia, quem bebe só de fds não é alcólatra.


Não concordo com essa afirmação de que beber estimula a violência doméstica. Na minha opinião, o cara já tava planejando bater.

Eu bebo e fico no meu quarto, no canto, sem encher o saco de ninguém e no outro dia limpo a sujeira que deixei. Em compensação meu pai chegava com o diabo no corpo procurando briga.

MonaLisa disse...

Anon 11:21

Eu não saio com homem (que pretendo ficar) que não bebe, principalmente pq ele vai ficar naquela chatice pedir pra eu beber menos, dizendo que sou mulher e mimimi. Não to podendo.

Safira Solitaria disse...

MonaLisa,

Meu namorado não bebe e ele nunca me encheu o saco pra beber menos!...
Inclusive o que acontece é o contrário, é eu dizendo: "tem certeza que não quer nem um gole desse vinhozinho?" hehehe... (e nunca adianta, ele bebe e faz cara feia, ele não gosta mesmo, hahaha)

lica disse...

Muito bom o guest post!!!

Sei que a Lola reluta em condenar qualquer coisa. E com o álcool ainda tem toda essa questão de culpabilizar a vítima.

Mas o álcool é muito nocivo!! E parece que tem uma cultura da 'bebedeira' que está ficando crítica na nossa geração.

Acho que existe uma pressão social ABSURDA pra que adolescentes comecem a beber hiper cedo. E uma condescendência uma grande dos adultos, diga-se de passagem.

E também tem uma pressão grande dos amigos pra quem a gente continue bebendo.

Como feministas poderíamos trocar a luta pelo 'direito de beber até cair sem ser estuprada', pela conscientização de que ninguém, homem ou mulher,deveriam beber até cair...

Fernanda disse...

Esse post está muito sincronizado com a minha vida rs Ontem e hoje, na escola em que trabalho, veio um representante de uma organização para reabilitação de dependentes químicos dar palestras pros alunos e eu achei a fala dele muito superficial. Ele usou exemplos legais e explicou a dependência a partir de uma visão científica, sem demonizar (ele falou mais sobre álcool). Mas ele basicamente disse que se o adolescente bebe às claras de maneira que não fique bêbado até desmaiar ou passar mal, não tem problema. Ele também disse que notou que os jovens estão mais responsáveis com o consumo de bebida (?????). Não entendi isso mesmo, tenho 19 anos e o que vejo ao meu redor é muuuita irresponsabilidade. Pessoas que já são adultas bebendo pra parecer cool, bebendo e dirigindo e o que mais me preocupa porque no geral não se considera um problema, é o beber demasiadamente em determinadas situações, mas como a pessoa tá acostumada a beber ela não passa mal.
Pra mim, alcoolismo está muito relacionado ao hábito, se em todo jogo do teu time de futebol tu tem que beber um engradado de cerveja, ou em todo churrasco de domingo, ou sempre que vai em festas, eu acho isso problemático.
Acho também que adultos bebem demais, como se fosse tranquilo ficar alterado pelo álcool frequentemente porque é divertido. o engraçado é que esses mesmo adultos olham pros adolescentes e acham que eles bebem de maneira irresponsável, mas que exemplo eles têm?

mebarak ludgero disse...

Mas qual é a vantagem de beber? Ficar alegre? Se a pessoa tem q beber para ficar feliz,tem alguma coisa errada.
Ainda bem q a autora largou o vicio pq aturar bêbado é insuportável.
Meu pai bebia e falava por horas a mesma coisa,agora está agressivo,inferniza todo mundo,falando um monte de merda e depois diz q n lembra pq tava bêbado...acredito muito.
ele nunca bebeu direto mas quando bebe é dificil de aturar.

Quero ver se vai acontecer o mesmo das outras vezes q foi falado de alcool,um monte de gente dizendo q quem diz q devemos ter cuidado com o próprio corpo e q encher a cara até desmaiar ou perder o controle de si mesma é perigoso,é culpar a vítima.
Eu n sei como alguém pode achar divertido ir pro bar encher a cara.

lica disse...

MonaLisa

Desculpa, sua psicóloga está enganada.

Segundo a medicina, tem alguns critérios (combinados) para saber se a pessoa é alcoolatra.

Um deles é se a pessoa bebe com alguma regularidade 'sagrada'. Pode ser todo dia ou todo final de semana.

A outra é a pessoa DEPENDER do álcool pra alguma coisa... pra se soltar, pra se divertir, pra dormir e etc.

Tem a quantidade também, e por aí vai.

Anonimo Demais disse...

Eu sou a autora do relato. Sinto informar a todos que tive uma recaída após o e-mail que enviei para a Lola (ele tem um tempinho, uns meses) e, hoje mesmo, joguei fora exatas 25 garrafas de bebida vazias, consumidas em duas semanas. A minha recaída aconteceu, acredito, pela mais completa solidão, pois perdi todos os meus "amigos". Eu sentia saudade! E achei que teria força de vontade para me encontrar com eles e beber pouco ou não beber. Só que me enganei... Eu estava pensando em retomar a minha vida sóbria, pois tive uma briga horrenda com meu marido, no domingo, e pensei que não quero mais isso para mim... Estou com a perna e as mãos machucadas porque dei socos e chutes em uma porta. Ler o que escrevi, rever a minha convicção, a frase "minha vida voltou a ter graça"... Nossa. Este guest post foi fundamental para mim, neste momento. Conversei com os meus familiares e vou procurar ajuda especializada, além da terapia. Monalisa, preciso discordar de vc e da "psicóloga" que disse que para ser alcoólatra é necessário beber todos os dias. Essa é uma mentira e das grossas! Quem tem constantes apagões, não consegue controlar o consumo de álcool, falta ao trabalho pelas ressacas, tem problemas familiares/sociais, entre outras características, é considerado alcoólatra sim! Eu, por exemplo, como disse em meu relato, não bebo todos os dias, nem de manhã, nada disso, fico uma semana inteira sem beber e consumo duas garrafas de vinho em uma sentada ou 12 horas ininterruptas de cerveja (em um churrasco, por exemplo). Uma quantidade de bebida LONGE do ideal.
Lola, obrigada por ter publicado meu relato. Quero voltar e dar boas notícias, algum dia. :(

Novas Descobertas disse...

EU JÁ PASSEI POR ISSO, E AS VEZES ATÉ SINTO VONTADE DE BEBER DE NOVO, HÁ 4 ANOS NÃO BEBO. MAS O DESEJO SEMPRE VOLTA, PORÉM ATÉ AGORA EU RESISTI.
ME LEMBRO DOS VEXAMES TAMBÉM, NO MEU CASO FORAM POUCOS PORÉM TEM OS QUE A GENTE NEM PERCEBE QUE FEZ: FALAR MUITO ALTO, PROMETER ALGO A ALGUÉM E DEPOIS SE ARREPENDER, GUARDAR BEBIDA EM GARRAFA PARA LEVAR PARA CASA APÓS UMA FESTA, TRABALHAR ALCOOLIZADA. EU PASSEI POR TUDO ISSO, E NÃO SINTO CULPA POIS SE SENTIR VOU ENTRAR EM DEPRESSÃO, HOJE EU RESISTO PARA NÃO VOLTAR.
TAMBÉM ME LEMBRO MUITO DO MEU PAI QUE MORREU DISSO E DOS VEXAMES QUE PASSAMOS E ELE PASSOU, ENTÃO NÃO QUERO MAIS PASSAR POR ISSO.
AS MULHERES SÃO MAIS SUJEITAS A FICAR DOENTE POR CAUSA DISSO TAMBÉM, SEU ORGANISMO É DIFERENTE DO HOMEM, NÃO PRECISAMOS DISSO PARA AUTO AFIRMAÇÃO, COMO OCORREU NO CINEMA ANTIGAMENTE ERA CHIQUE A MULHER FUMAR, E DEU NO QUE DEU, SOMOS TÃO VICIADAS EM CIGARRO QUANTO HOMENS, PORÉM, MAIS FRÁGEIS.

Veronica disse...

Adoreiiiiiiiiiii... é assim mesmo... liberdade de cara limpa, só quem já passou sabe como é ruim saber que dormiu com alguém que caso estivesse sóbria jamais dormiria.

Pra q correr tanto risco? Não vale

*também parei de beber definitivamente depois de ler as histórias de horror aqui no blog.

@dddrocha disse...

O alcoolismo realmente é um problema muito sério. Tenho várias pessoas da família que sofrem com esse mal, um primo até já morreu de cirrose.
Claro que com os exemplos comecei a beber escondido desde cedo, já tomei porres e achava isso o máximo.
A cultura de beber muito, de que seu corpo está mais resistente ao álcool e de quanto mais melhor é SIM um dos fatores responsáveis pelo consumo em larga escala.
Parei com a bebedeira quando me toquei de que aquilo podia me levar a lugares piores aos quais eu já tinha ido e hoje em dia bebo muito raramente, mas o gosto é péssimo e logo desanimo. Mas a minha família continua bebendo, muito. Obviamente, sou a chata e nem discuto com eles, mas não tenho mais prazer em fazer vários programas, porque a sociedade determina que você tem que beber pra ser legal.

@dddrocha disse...

Pra autora: Anonimo Demais

Não desista, recaídas são naturais em todos os aspectos da nossa vida. Se for persistente e acreditar que vai conseguir, você conseguirá.
Parei de fumar depois de 8 anos, sozinha. Vejo gente tomando remédio, usando adesivo etc... mas é tudo uma desculpa porque elas não querem realmente. Se você quiser, realmente, do fundo do seu coração, você conseguirá. As pessoas que te querem bem irão te ajudar e esses "amigos" não são seus amigos de verdade, se afaste deles. Sua vida vai melhorar em breve, melhor com poucas pessoas do que com várias que te afundam no vício.

Anonimo Demais disse...

@dddrocha,

É tão difícil... É triste demais ver que amigos que vc considera, que vc é madrinha dos filhos, madrinha de casamento, simplesmente não te ligam mais quando vc diz que parou de beber. Sequer um telefonema! E olha eu dei alternativas! Eu dizia: "Ligue-me para uma caminhada, um sorvete, um café, um lanche. Eu topo qq coisa sem álcool!" e ouvia, como resposta: "Vc vai deixar de viver? Vai deixar de conviver com seus amigos? Vc não é alcoólatra, alcoólatra é quem bebe de manhã e vc não faz isso, faz?". E aí choviam convites para festas e churrascos, eu negava e recebia a mensagem: "Sua prega! Vou parar de te convidar!". Eu tbm havia parado de fumar, fiquei um ano sem fumar, mas com a bebida acabei voltando. Eu não sou forte, por mais que eu queira de todo o meu coração. Mas vou tentar de novo. E de novo e de novo, se assim for preciso. Não vou desistir.

Lord Anderson disse...

Eu cresci num ambiente em que beber não era só incentivado, era prova de "macheza", praticamente todos os meus primos começaram a beber ainda adolescentes, como forma de mostrar que ja eram homens (assim como fumar escondido pelo mesmo motivo)

Eu tb tentei, mas simplesmente não suporto o gosto de nenhuma bebida alcolica, mesmo vinhos leves, coisa de paladar mesmo.

E vou dizer que fico feliz com isso, bebedeiras causaram muita dor a minha familia, ver alguem que vc ama e admira, nem sequer consiguindo andar de tão bebado, as vezes agressivo, as vezes nauseado é algo que te mata por dentro.

Eu tb fico preocupado com essa cultura de consumo excessivo de alcool entre jovens, os acidentes que isso causa, os prejuizos a saude, etc.

Sim, uma grande quantia de pessoas consome bebidas alcoolicas sem problemas. A maioria dos meus amigos é assim, mas isso não torna menos necessario, campanha e apoio para evitar que mais pessoas tornem-se dependentes.

ma1w disse...

Anônimo Demais

Eu acho que a melhor alternativa para você são os Alcoólicos Anônimos. Mas pelo que eu entendi nos seus comentários, percebo que o álcool em si não passa de uma muleta. Seu problema mais sério é com a solidão. Você não precisa da aceitação dos outros para parar de beber. Você precisa parar de beber por amor próprio.

Anonimo Demais disse...

ma1w,

Obrigada pela boa vontade na sugestão, mas já procurei o AA e foi por isso que escrevi à Lola. Pode funcionar para muitas pessoas, mas não funciona para mim. Explico: eu me senti mto constrangida em meio a tantos homens, geralmente bem mais velhos que eu, não houve identificação. Tem também a crença no "poder superior" que eu não concordo. Vou procurar outro tipo de suporte, mas agradeço a preocupação e carinho.

@dddrocha disse...

Anonimo Demais

É muito triste mesmo, perdi amigos também... mas com certeza foi mais doloroso pra você, que viveu momentos decisivos na vida de todos eles, mas te garanto que isso vai passar. Você entendeu que a bebida te trouxe problemas e isso é o que importa. Da sua vida, só você que sabe, só você pode tomar as rédeas (como diz a Lola).
Eles se recusaram a tomar sorvete com você, precisa rever as amizades além da questão do álcool. E quem sabe depois, eles entenderão que estão errados e possam retomar a convivência, mas isso é o que não pode te levar pra trás agora.
A nossa vida é uma grande merda, sabe... e é um saco nadar nessa merda sozinha, mas a gente precisa dar conta de si mesma, a gente precisa saber viver sozinha também.
Alguém comentou sobre AA, e também acho que seja uma boa alternativa, mas não deixe de se cercar de pessoas que te apoiem, mesmo que sejam poucas ou apenas uma. Não se decepcione mais, concentre em outras coisas, faça aulas de dança, se matricule em alguma academia e crie novos círculos na sua vida. No começo é difícil, falta coragem e ânimo, mas depois as coisas vão melhorar.

@dddrocha disse...

Anonimo Demais

Não tinha lido sobre sua opinião sobre o AA ainda, mas concordo que é complicado.

Violetas Rendadas disse...

Lola, também enviei-lhe um e-mail com um desabafo meu e só agora li esta postagem e vi que você inspira essa confiança em nós. Você passa a ser nossa melhor amiga em segundos por entender e escrever sobre nossas almas de mulheres. Parabéns por seu blog.

Teresa Silva RJ disse...

O AA faz um trabalho excelente. Porém eles utilizam a religião como apoio para a reabilitação. Aí pra quem não acredita em Deus ou tem religião fica difícil seguir o seu método. Já falei disso aqui: é difícil encontrar grupos de apoio que não se apoiem em religião para ajudar as pessoas.

Anonimo Demais disse...

Teresa Silva Rj,

É exatamente este o ponto: eu não tenho religião e não consigo deixar minha vida nas mãos de um poder superior, seja ele qual for. Tudo que eu faço é responsabilidade única e exclusivamente minha! Tenho amigos que dizem que essa é uma qualidade mto aparente em mim: não ponho a culpa de nada em ninguém. No máximo na genética! Seria MUITO mais fácil se eu tivesse fé em alguma coisa e eu já tentei, mas acho que a gente nasce com fé ou não. Eu sou desprovida de fé. Quando me dizem: "Confie em Deus" eu penso: "Como?? Com tantas atrocidades no mundo ele vai olhar logo pra mim, caso exista?". Não tenho essa pretensão toda não! :)

Sara Marinho disse...

Complicado, após ler o comentário da autora,só espero que ela consiga superar isso.

Tenho certo medo da minha relação com entorpecentes, tenho medo porque gosto deles, eu sei bem que é uma fuga, tudo para mim é uma fuga, doces, fantasias sem sentido, viagens, assim como,álcool, ETC
O meu medo acaba por ser algo positivo, não gosto de gostar de entorpecentes, não sei se entendem o que quero dizer. Tem um trecho da música bandeira que eu repito para mim em diversas ocasiões, "eu não quero ver/ você fumando ópio/ pra sarar a dor".
É isso que eu faço, e é isso que não quero me ver fazendo, no caso, atribuo a ópio, não somente um porre ou algo do gênero, mas diversas coisas que faço para abstrair a realidade. Dessas coisas que faço para descansar da realidade só não crítico minhas viagens,são fugas, mas essas me fazem bem, não somente me afundam ou iludem, são construtivas (bem como era o teatro, que tive de largar por falta de tempo).

Enfim, justamente por saber que gosto de entorpecentes, não experimento mais nenhum novo, me limito aos que conheço, sei lá, tem uma galera da faculdade que usa LSD direto, se eu quisesce bastava sair com essas pessoas um dia, conversam comigo do assunto com naturalidade porque sabem que sou bem liberal (ok, sou uma mistura meio doida de liberal com conservadora em relação a isso, sou bem liberal com drogas que não viciam com facilidade, e sei lá, tem a galera que toma remédios que não podem ser misturados nem com álcool, ai não dá, não quer dizer que saio gritando com alguém, mas dependendo da proximidade e da conversa, eu falo o que penso ), mas eu não quero experimentar, porque sei que gosto de ficar entorpecida, e me basta ter vontade das fugas que já conheço, não preciso de novos desejos inconvenientes (e, em relação ao LSD, quando um amigo próximo usou e teve umas viagens suicidas, a disposição baixa que eu tinha a experimentar se transformou em negativa).
Enfim, quase não bebo mais, por falta de tempo, não por decidir que devo beber menos. De qualquer modo, nem me recordo do meu último porre, ocasionalmente bebo cerveja ou uma caipirinha, e fico alegre, mas não tomo um porre faz meses, no mínimo. Como frequentemente fico semanas sem beber, não considero que tenho problemas com bebida, mas tenho um medinho, por saber porque gosto de beber: não é o sabor, em geral, não gosto, o que me dá gosto é o entorpecimento.

paula disse...

Autora do post, desejo que você fique bem! Também não consigo ficar nessa de Deus para superar meus problemas. Também estou numa época muito difícil, e esses papos de Deus não me ajudam em nada, apesar de saber que me dariam muita força. Vou tentando melhorar minha vida e ter otimismo de outras formas. Também me identifiquei com vc porque não coloco a culpa dos meus problemas nos outros, não aguento quem se vitimiza. Só por assumir a responsabilidade por sua vida percebi que vc é uma pessoa forte, com capacidade de se reerguer.

Bebo muito raramente e concordo que há uma verdadeira cultura da bebedeira. Meus amigos mesmo só pensam em sair pra beber. Alguns deles têm vazios na vida, e dá pra perceber muito bem que usam o "divertimento" como um escape. Sou a pessoa mais estranha do mundo pra eles, pois consigo ir em um encontro e não beber nada.

Cristina Tonon disse...

Espero que agora consiga enviar o comentário, estava no tablet é o perdi por duas vezes :(
Querida e Corajosa Anonima Demais, não desista o maior passo é perceber o problema e partir para a luta, mantenha-se firme. Compreendo o que aconteceu em relação ao AA mas ter um grupo é muito bom, já pensou em abrir um no facebook? Vocês poderiam trocar histórias, apoio, ideias e principalmente amizades. Eu tenho muitas amigas "de internet" por conta de um hobbie que nem praticamos mais e continuamos na vida uma das outras, já passamos por nascimentos e mortes e te digo que elas são muitos importantes na minha vida.
Quanto aos seus amigos de sempre, mude sua relação, não espere por eles te convidarem pois eles continuam venda a vida sobre a ótica da necessidade da bebida para alcançar felicidade. Crie novas atividades e os convide os que aparecerem aos poucos irão perceber que podem sim se divertir sem cair de bêbados. Enfim não é fácil mas não desista você esta fazendo a coisa certa para você.

Ráisa Mendes disse...

Autora do post:

Vc precisa ter fé em apenas uma única coisa: vc mesma =).

Anônimo disse...

Alguém pode me explicar a "vantagem" de beber? É ficar alegre ou triste parecendo um idiota? É destruir o seu fígado com apenas 23 anos? É fugir dos seus problemas por ser fraco demais pra encara-los?

Meu pai era alcoolatra, mas ao contrário de alguns relatos, ele não batia na minha mãe, nem em mim, nem na minha irmã. Pelo contrário, ele virava um chorão. Era insuportável. Por causa dessa bebida mambembe "socialmente vantajosa", ele perdeu DOIS empregos.

Amana disse...

Muito difícil...
Meu ex marido é alcólatra, e eu gostava muito dele. Na época, nem usava esse termo. Mas era muita loucura junta. Muitas brigas, sumiços, noites em claro, dinheiro gasto, trabalhos perdidos... Eu sofria muito porque achava que ele conseguiria se controlar, parar, beber menos... porque eu conseguia beber "socialmente". Mas não é assim. As pessoas têm relações com o álcool muito diferentes. E acho que para as mulheres o álcool pode permitir que vivamos sentimentos e experiências que nos são muito negadas no dia a dia. De poder, de prazer intenso, de relaxamento, de uma curtição na rua que é tão hostil às mulheres.
Lembro muito dos "dias seguintes" do meu ex. Ele é muito sacana e espirituoso, e isso abrandava ou disfarçava toda a merda em que nosso casamento estava entrando, com piadas do tipo "não existe engov pra ressaca moral" ou "quando eu bebo viro uma outra pessoa tão bizarra que sinto até vergonha alheia por mim", e por aí vai.
Mas tem uma hora em que muitas pessoas que estão em volta não dão conta. É difícil, pq o que precisa ser feito você não pode fazer pela pessoa.

Sobre esses seus amigos que insistem em te chamar pra beber, isso é uma puta sacanagem! Nossa, como eu odiava quando a gente tinha conseguido organizar um fds pra fazer coisas legais e sem álcool e alguém ligava pra ele insistindo pra ir a um bar ou festa. Eu sempre dizia: nenhuma dessas pessoas te ajuda qd vc vai vomitar no banheiro em casa; quando vc fica doente por ter bebido por tantos anos... é foda.

Boa sorte pra vc! Todo mundo que parou de beber conta que foi porque tirou uma força e uma certeza de algum lugar que nem sabia que tinha. Eu acho que é muito possível. Como vc, me irrita muito a doutrina do AA. Mas quem sabe outras coisas? Grupos de apoio na internet? Práticas de meditação pra te deixar mais auto centrada? Um esporte pra vc poder sentir prazer corporal intenso (que é algo que o álcool nos dá, fato)?
Um abraço!

Patty Kirsche disse...

Eu não curto álcool. Fico boba como uma droga tão pesada pode ser tão estimulada socialmente. Eu tenho um ex cujo pai era alcoólatra. Mesmo assim, ele adorava encher a cara e achava tudo muito engraçado. Eu me afastei dele, e uma das razões foi o fato de que ele bebe muito. Eu não acho engraçado ficar bêbada, e isso é um fator que limita minhas amizades. As pessoas querem beber e tiram sarro de quem não bebe. Parece até ser um fator de autoafirmação. É ridículo.

Thaís B disse...

Não tenho nada contra a pessoa beber se ela aprecia o álcool,tenho vários amigos que bebem porque acham o gosto bom. Agora, beber para "perder a timidez", "se enturmar" ou "parar de ser careta" acho o cúmulo do ridículo!!!!!!

Perdoem-me quem faz isso, mas pra mim isso é prova de que a pessoa é extremamente sem personalidade e não sabe fazer amigos por conta própria. Não sou a pessoa que se enturma fácil, mas nunca senti a necessidade de ficar bêbada para iniciar uma conversa. E não tem coisa mais insuportável do que um bêbado, ou que fingem estar, vir falar com você. Não sei se eu é que não gosto ou é um saco mesmo, mas odeio.

Sou igual a Lola, amo água ( e alguns sucos, porém nada ganha de água sem gás \o ), detesto refrigerante e álcool, nunca gostei do sabor deles. Uma atitude que devia ser considerada boa (afinal refrigerante faz um mal danado à saúde e álcool nem preciso comentar) e as pessoas me olham como se eu fosse de outro mundo, um mundo pior, chato e antissocial. Pô, com tanta atividade interessante para se fazer e conhecer novas pessoas (cursos, esportes, viagens, trabalhos voluntários) e nossa sociedade trata com uma das únicas maneiras de se socializar é ir pro bar beber. Triste isso.

Anônimo disse...

Me identifiquei com o post, especialmente na parte da infância. Minha mãe é alcoólatra e usa cocaína, desde pequena faço tudo sozinha enquanto ela estava bêbada e apagada. O mais triste é que eu tinha total consciência disso desde pequena mas ela negava tudo, mentia pra mim. Enchia minha casa de todo tipo de gente, inclusive traficantes. E enquanto isso meu pai viajando por causa do trabalho... A diferença é que eu não chego perto de álcool, não suporto, não quero ser pros meus filhos a mãe que ela foi pra mim.

lola aronovich disse...

Querida anon, autora do guest post,
Desculpe demorar tanto pra publicar seu post! É que tinha muitos na frente... Fico chateada ao ouvir que vc voltou a beber. Espero que vc nao desista, que vc encontre forças pra parar de novo. Entendo que grupos como AA, quase que exclusivamente masculinos, e que nao sao laicos, possam ser dificeis.
Uma pessoa na minha familia foi alcoolatra a vida toda, e levou muitos anos para assumir que era, e mais alguns para assumir que queria largar. Ela, na maior parte das vezes, nao era uma bebada insuportavel. Mas ela ficava bebada toda noite, ai cantava, ria, ficava nua, enfim, tinha muitas mudancas de humor. E muitas vezes a bebida descambava em depressao. Ela conseguiu parar com incrivel rapidez, mas so depois que realmente decidiu que queria parar. Ela fez terapia pelo SUS, terapia especializada em alcoolismo. E ela parou mesmo. Nunca mais ficou bebada, e isso ja tem uns 15 anos. Sinto muito orgulho dela por isso, porque a gente sabe que nao é facil. E ela bebe em ocasioes especiais, festivas, mas é so um pouquinho. Ela é outra pessoa hoje.
Eu nem posso falar muito porque tenho um vicio, que é o chocolate. Logico, é diferente do alcool. Nao fico fora de mim, e chocolate nao tem o potencial pra destruir uma familia. Mas é um vicio, e como é difícil largar!
Querida autora do post, força que vc consegue! Depois me manda um outro post falando da recaída, e de como vc definitivamente largou o vicio.

lola aronovich disse...

Os comentarios estao otimos! Que bom saber que o post dialoga com tanta gente. Eu tenho que escrever algum post sobre a bebida. Eu nunca bebi, mas lembro bem, na minha adolescencia, a epoca em que o passatempo de todos os meninos da minha classe era beber ate cair. Todo final de semana! E eles nao ficavam felizes com aquilo. Falavam muito em suicidio, inclusive. Mas era um ritual pra eles. E claro que muitas vezes essa é uma cobrança, uma prova de masculinidade. Vi uma pesquisa (nao lembro onde) dizendo que a maior parte dos rapazes começava a beber com o pai. E isso com nove, dez anos. Imagina se o pai machistao ia dar alcool pra filhinha princesinha do papai, mas pro filhao ele tinha que dar. Creio que sao pais que nao conseguem estabelecer vinculos afetivos de outra forma e aí apelam pra isso. Mas po, uma criança que começa a beber com 10 anos tem grandes chances de se viciar.
Tenho a impressao que os jovens de hoje estao bebendo MENOS. Estou errada? Fiquei surpresa com uma turma minha na universidade: ninguem bebia. Eram 15 alunos, e nenhum bebia. Sei que esse nao é o padrao, mas...
O fato de nao beber nao restringia muito minha vida social quando era jovem. Boa parte dos meus amigos ou nao bebia, ou podia aguentar tranquilamente uma noite sem beber, ou so bebendo vinho ou algo assim. Eu nao gostava de sair a noite, e preferia que amigos viessem em casa pra jogar e conversar. Ou eu ia na casa deles. Barzinho perde um pouco o sentido pra quem nao bebe, fato. Mas barzinho é um saco. Geralmente tem barulho demais, nao da pra ouvir a conversa, e muita gente fuma. Eu sou mil vezes ir pra casa de amigos. Mais seguro, mais barato, mais agradavel...
Mas ja aguentei muita pressao de alguns amigos para beber e experimentar drogas. Parece que vc tem que cumprir todo um roteiro de adolescente rebelde, sabe? Eu fui rebelde em rejeitar esse roteiro. E nunca me arrependi.

Sergio Masa disse...

O que acha deste post? http://www.ovelhasvoadoras.com.br/2013/08/a-luta-pelo-fim-do-preconceito-gera-mais-preconceito.html
Achei que faz sentido. O autor só nao deu outra solução.

Anônimo disse...

OFF TOPIC

Eu estava lendo a definição de 'Sufrágio feminino' no wikipédia e tem essa parte aqui:

"Segundo Marco Terêncio Varrão, citado por Agostinho de Hipona, as mulheres da Ática tinham o direito ao voto na época do rei Cécrope I. Quando este rei fundou uma cidade, nela brotaram uma oliveira e uma fonte de água. O rei perguntou ao oráculo de Delfos o que isso queria dizer, e resposta é que a oliveira significava Minerva e a fonte de água Netuno, e que os cidadãos deveriam escolher entre os dois qual seria o nome da cidade. Todos os cidadãos foram convocados a votar, homens e mulheres; os homens votaram em Netuno, as mulheres em Minerva, e Minerva (em grego, Atena) venceu por um voto. Netuno ficou irritado, e atacou a cidade com as ondas. Para apaziguar o deus (que Agostinho chama de demônio), as mulheres de Atenas aceitaram três castigos: que elas perderiam o direito ao voto, que nenhum filho teria o nome da mãe e que ninguém as chamaria de atenienses."

Mas que merda é essa? Fico besta com essas histórias que inventavam pra justificar a opressão contra mulheres.

Anônimo disse...

Anonimo Demais:

Nunca tive problema de alcoolismo. Meu metabolismo não é bom para o álcool e por isso não tenho prazer nenhum no consumo exagerado. Mas tenho outro problema igualzinho a você: faz 20 anos que meus amigos só me encontram se for para beber... [:(] Cinema? Teatro? Compras? Café? Shows? Esquece. Não posso contar com 90% deles. Não somos jovens e sei que eles não vão mudar. Aceito o sentimento de incompletude e procuro me pôr em movimento. Conhecer ideias, atividades e pessoas novas para ocupar os espaços que eles não vão completar. Nem agora nem nunca. Enfim, se você se sentir um ET por causa desses desencontros... Não, você não é... Boa sorte!!!!

Anônimo disse...

eu acho nojento as pessoas marcarem encontro para ir no bar se "divertir" e no final ficar jogado num canto,desmaiado,tendo q ser carregado pelos outros ou ficar insuportável infernizando todo mundo que está perto.

aguentar bêbado é dose... espero q a autora consiga se livrar de vez disso,pq além de afetar ela,afeta a família tb.

eu sei como é difícil aturar um bêbado,quando meu pai bebe,ainda bem q n é sempre,uma hora ele fica alegre e fala por horas sem parar,eu até evito ficar perto,pq senão vai alugar meus ouvidos.
outra hora fica meio agressivo,depois chora,n dá !!

é cultura da bebida mesmo,na minha família sempre tem festa e tenho certeza q é desculpa para encher a cara.

alguém ai disse q n gosta de refrigerante,eu tb nunca gostei e me olham como se eu fosse um et.
mil vezes me entupir de água.

Anônimo disse...

Para a autora do post: força, querida, ,mta força pra vc. De verdade. Já passei por algo semelhante, não com bebidas, mas q me deixou em estado depressivo. Sair do fundo do poço e difícil. Mas vc chegá-la. Tenha ao seu redor uma ou duas pessoas q te amam (serio, não precisa mais q isso) q vc se levanta aos poucos. Forte abraço.

Anônimo disse...

Eu fui alcoólatra, também. É claro, alguém diria que não era alcoolismo de verdade, já que foi dos 16 aos 18 anos, e essa é uma "fase de experimentação" e tudo mais.

Mas eu bebia todos os dias, mesmo quando eu não tinha dinheiro (não lembro como), e mesmo de segunda feira de manhã eu já estava indo ao bar.

Caí muito, dei vários vexames, me meti em muita confusão, fiquei com muitos caras esquisitos - e nem lembro de metade deles. O que prova que não era uma boa situação é que eu não falo mais com nenhum desses "amigos" da época. Não tendo uma garrafa na mesa, eles não me faziam companhia, e estavam pouco se importando comigo.

A pior lembrança que eu tenho foi quando eu, desacordada, sendo carregada pra casa, voltei a mim por alguns segundos, o suficiente apenas pra escutar um AMIGO dizendo "deixa ela aí". "Aí" era o meio da rua, vazia, de madrugada. Ele ainda tentou fazer sexo comigo, da próxima vez que bebi com aquele grupo. Era uma situação de completa falta de noção.

Enfim, foi terrível. E eu sinto que sendo mulher eu estava ainda mais vulnerável. É muito mais difícil alguém querer abusar de um cara caído de bêbado. Parece que, não tendo como se defender, o mundo fica muito mais feio.

MCarolina disse...

Achei impressionante o relato da recaída da autora. É igual qualquer outra droga. Acho que a única "vantagem" é que é uma droga lícita, e ela não precisa lidar com traficantes.

Anonimo Demais disse...

Querida Lola,

Muito obrigada por suas palavras e não há o que desculpar. Talvez se vc tivesse publicado à época não surtiria tanto efeito como agora, sabe? Eu estava bem e convicta e agora não estou, portanto precisava reler isso, precisava dessas palavras. Eu vou voltar aqui e contar uma história de sucesso, tenho certeza. E qdo eu estiver mais forte talvez, quem sabe, eu consiga ajudar outras pessoas? Pq perceber que eu não sou maluca em achar que o AA não é uma alternativa para mim foi reconfortante. Precisamos de outras e novas alternativas! Uma ideia a ser retomada qdo eu conseguir sair dessa. Beijos!

Anonimo Demais disse...

Aos demais,

Li cada palavra e os exemplos que vcs contaram me deram ainda mais força. Meu marido leu o que escrevi, os comentários e está muito forte, ao meu lado. Minha grande sorte é que ele não gosta de beber, portanto tbm quer parar. Sobre esportes, frequento academia e malho pesado! Preciso, inclusive, emagrecer (não para me adequar a padrões, mas pq não me sinto bem tão pesada, tenho 25kg a mais do que eu gostaria e emagrecendo esses 25kg eu não ficaria magérrima não, ainda usaria tamanho G). Precisar emagrecer tem sido outro ponto que me anima a parar de beber, pois bebidas alcoólicas são muito calóricas! E calorias "vazias", sem nenhum benefício ao corpo. Como qq viciado, tbm tenho gasto muito, mas muito dinheiro em bebida, pq eu não bebo qq coisa (ainda tem essa!), pois gosto de vinhos caros e cervejas importadas. E dinheiro não dá em árvore, né? Gastar 800 reais de bebida/mês é demais! E este é um gasto aproximado. Sem contar os gastos com os medicamentos pós-bebedeira.
Bem, em resumo, tenho todas as armas para essa batalha: faço terapia, exercícios, minha família está ao meu lado e agora é comigo. Como disse, voltarei com boas notícias. Obrigada a todxs.

Anonimo Demais disse...

MCarolina,

A droga lícita tem a vantagem de não ser necessário lidar com traficantes, mas a desvantagem de ser adquirida em qualquer esquina. Eu vou à padaria e tem! Então... É aquela coisa... Fácil demais.

Anonimo Demais disse...

Uma observação que gostaria de fazer é sobre a publicidade relativa às bebidas alcoólicas. Vcs viram a propaganda nova da cerveja Itaipava? Ela trata mulheres como "idiotas casadoiras" e os homens estão apaixonados pelo reflexo do carro de cerveja que passa atrás deles. Aí vem a frase de efeito: "Itaipava é 100% você" ou algo do tipo.
Uísque? Keep Walking! Como meu marido brinca: a pessoa precisa continuar andando...se conseguir! A Brahma te acompanha em todos os momentos, principalmente depois do trabalho, pois vc é um "guerreiro", um "brahmeiro". A Skol é só para profissionais, não para amadores. E por aí vai... Eu acho que, em alguns anos, teremos vergonha dessas propagandas como temos das de cigarros antigas. A coisa é tão grave! Eu tenho um conhecido que morreu de pancreatite (causada pelo excesso de álcool) e os amigos, para se despedirem, "tomaram todas" em homenagem a ele. Imaginem isso! Eu achei de um péssimo gosto. Aí, outro dia, conversando com um amigo dele, eu disse: "Vc sabe que o fulano morreu de tanto beber, né?". Ele: "Não, foi de pacreatite!", Eu: "Pesquise e veja o que causa a pacreatite". Eles simplesmente não sabiam!! Na minha cidade essas mortes são cada vez mais comuns. Os fígados e pancrêas estão cobrando o preço dos anos de abuso! Tenho um amigo, de 32 anos, que tem Gota (uma doença que, geralmente, é de homens mais velhos). Estamos morrendo a olhos vistos e a mídia só mostra a lado bom da bebida. Já perceberam que não existem mais personagem alcoólatras nas novelas faz um bom tempo? É, gente, há muito o que se pensar.

Gabriela Barbosa disse...

Finalmente,um depoimento esclarecedor sobre alcoolismo em um blog feminista! A autora fala em "respeito próprio",algo que muitas feministas confundem com machismo! E,de fato,liberdade é não precisar de droga nenhuma para ser feliz!

Um abraço para a autora!

Gabriela Barbosa disse...

Lola!

Também sempre fui rebelde,não aceitando esse padrão de que todo jovem tem que encher a cara e fumar maconha! Na verdade,meu lema de vida é: "Eu sou assim! Quem gostou,gostou.Quem não gostou...AFASTE-SE!" Para ser meu amigo,tem que me aceitar como eu sou: não bebo,não fumo e me divirto!

Anonimo Demais disse...

Sem contar que não existe gente gorda em propaganda de cerveja, né? Só modelos de barrigas saradas. Aquele povo não bebe não! Os modelos das propagandas, provavelmente, levam vidas consideradas "saudáveis", sem bebida ou com pouca. Quem bebe muito fica acima do peso, inchado, com a circunferência abdominal enorme. Pode não ficar com cara de bebum aos 20 e poucos anos, mas é só esperar fazer 30 que a coisa descamba! Não estou falando que ser gordo é não ter saúde, nada disso, só estou dizendo que são propagandas mentirosas, pois a equação é simples: bebida + comida porcaria (que geralmente acompanha) = ter a saúde comprometida. Só escrevi isso para complementar a reflexão proposta. :)

Anônimo disse...

Pessoas bêbadas (alcóolatras ou não) são um saco, é uma verdade incontestável.
Bebida é um problema muito sério para algumas pessoas e respectivas famílias, outra verdade incontestável.
Usar bebida como trampolim para se socializar, se dar bem, fazer amigos ou trepar é uma furada, isso também é verdade.
Combinar bebida com direção, além de ser uma irresponsabilidade, pode ser criminoso, outra verdade.
As propagandas de bebida normalmente são escrotas, machistas e mentirosas, verdade absoluta.

Agora também é verdade que uma cerveja, um vinho, uísque ou mesmo uma pinga em algumas situações é muito bom, seja sozinho, com x companheirx, amigxs, etc, e não faz mal nenhum, ressalvadas as verdades acima.

É preciso ter cuidado pra não cair no discurso autoritário, reacionário, fundamentalista e careta de demonizar e condenar a bebida e quem bebe como um mal absoluto.

Anonimo Demais disse...

Anônimo acima,

Acho que o objetivo, aqui, não é demonizar, mas mostrar o lado ruim da bebida. Mas o alerta que vc deu é válido sim.
Só que eu acho que o lado bom, o prazer, etc, a mídia já mostra há bastante tempo. Acho que nem precisaria de mta propaganda, na verdade. O ser humano se droga desde que existe, é inerente a existência humana. Acredito que fica claro que o problema é o excesso. :)

P.S.: Não sei dirigir, nem carteira (ou carta, como dizem em alguns estados) tenho. Aliás, não a tirei pq sabia que se algum dia eu dirigisse, morreria. O exemplo do texto foi de uma amiga que encontrei um dia comprando cerveja, bêbada, com o filho no carro. :(

MCarolina disse...

Anonimo Demais,

Sinto muito te informar mas é muito fácil conseguir droga ilícita também.
Lidar com traficantes não é uma pequena desvantagem para fazer fazer essa comparação dessa maneira boba, é muito perigoso. É um braço do crime organizado, caso você não saiba.

Anônimo disse...

Aumentou em 20% o consumo de álcool no Brasil em 6 anos, somente nas mulheres esse aumento é de 34%. A Ambev cresceu 270% em lucros no ano passado. 19% dos jovens entre 18 e 24 anos já são dependentes do álcool. Se não temos um problema cultural com o álcool no país que é sério, não sei o que essas pesquisas significam.

Anônimo disse...

Eu li o post, os comentário, chorei muito. Chorei muito porque estou num momento muito difícil pois eu vejo que meu companheiro é alcoolatra e não reconhece isso. Ele nunca foi agressivo comigo nem nada disso, mas eu que sou bastante experiente com essas coisas vejo claramente que a falta de limite, os apagões, as tantas coisas sem nexo, os compromissos perdidos, o gasto de dinheiro sem critério entre outras coisas mais deprimente de contar até de forma anônima provam que sim, ele é acoolatra e precisamos lidar com isso. Depois que ele acabou com meu aniversário a alguns dias bebendo demais eu cheguei a um ponto que não posso mais suportar. De modo algum quero deixá-lo, ele é uma pessoa absolutamente incrível em todos os aspectos, mas não sei como lidar com o problema. POrque a verdade é que vivemos numa cultura que só reconhece o alcoolatra como o cara que dorme na rua, o cara que toma pinga no bar sujo e tá todo inchado e não como uma pessoa inteligente que tem vida profissional, que é militante mas que não tem controle sobre seu consumo de bebida e nem de suas atitudes quando bebe.
Eu estou bastante triste, bastante desesperada e bastante sem saber o que fazer ao ponto de vir comentar aqui esperando alguma luz de alguém que já passou por isso.
Depois do aniversário ele disse que vai dar um tempo com a bebida, eu não sei se é verdade, ele me disse isso outras vezes e não cumpriu. Eu estou tomando a dianteira e já sento no restaurante e digo que não estamos bebendo e etc, mas não sei o quanto isso é eficiente, acho que não adianta eu falar por ele.
Enfim, é meio que um pedido de socorro, meio que um desabafo.

(gente, eu sempre bebi, sempre fui dos rolês mais pesados, já tive relacionamentos com caras notoriamente alcoolatras, enfim, não sou uma pessoa que caiu de paraquedas nessa realidade, o problema é que nada nem ninguém nos prepara pra lidar com isso, só há exaltação da bebida e se ela pode sim ser legal para algumas pessoas em algumas situações ela também pode ser a ruína de muitas outras)

Anônima B.

Rebecca Rules disse...

À autora do relato: não li todos os comentários, mas li sobre sua recaída. Gostaria de expressar minha solidariedade, minha empatia, e dizer que estava passando por isso também. Estou há meses sem beber e sem fumar, mas parei porque engravidei. Hoje, quando lembro, não consigo acreditar na quantidade de vezes em que arrisquei a minha vida e a dos outros, dirigindo completamente bêbada, e me achando muito esperta e especial por nunca ter me envolvido em nenhum acidente. Eu bebia quase todos os dias, ou todos os dias, dependendo da semana. Meu marido bebe bastante, mas o fato de eu não estar bebendo fez com que ele diminuísse o ritmo. Incrível foi perceber como brigávamos quase todas as semanas, e eu vivia chorando, e depois de parar de beber tivemos apenas brigas pontuais e discussões, nunca mais aquele horror que era antes. Sei que o mais difícil será quando eu voltar a poder beber e poder fumar. Aí vai começar o desafio. Penso todos os dias em como era bom beber e fumar. De fato o único motivo de ter parado foi engravidar. Sinto muito que você tenha perdido seus amigos. As pessoas podem ser muito pouco compreensivas. Às vezes temos de ir atrás de outros grupos, conhecer gente em outros ambientes enquanto não nos adaptamos a não beber. Boa sorte, desejo o melhor pra você.

lica disse...

Desejo muita força para a autora também!
Essa questão dos amigos é bem complicada mesmo.

Meu namorado teve problema no fígado aos 22 anos e teve que para de beber. Foi muito triste ver como os amigos dele reagiram, forçando a barra, dizendo que ele tinha virado uma bichona, que ele não entrava na 'vibe', que eu era culpada por ele parar de beber e esse monte de asneira.

Acho que é realmente bom substituir esse vício mau por um bom... Esporte é muito bom pq a gente sente uma queda grande no condicionamento já com pouca bebida. Talvez você possa começar a praticar corrida, e se inscrever em provas rústicas, montar uma 'turma saúde' e tal..

Você e seu marido também poderiam fazer um compromisso de viajar com a grana que economizarem da bebida em uma ano. Metas são sempre estimulantes. Procure ajuda especializada, sim... individual ou em grupo.
Grande abraços!!!

Anônimo disse...

Eu li os comentarios e como alcoolatra eu comecei a procurar mais sobre o assunto e acompanho canais no youtube de psicologs que falam sobre isso e me ajudam a entender a fase que estou passando na abstinencia.Tem dois meses que parei de beber completamente mas um ano que eu decidi parar e tive algumas recaidas porque tinha algum evento social e achava que nao poderia perder aquilo e acabava bebendo e depois do porre parava de novo. Eu continuo saindo e resisto a tentacao de beber ate porque eu fumo entao e mais facil ter outra muleta social para sanar o alcool. Mas essw sera o proximo vicio a ser trabalhado. Uma coisa de cada vez. Enfim muitis amigos se afastaram e alguns comecaram a me ver com indiferenca pois nunca acreditaram que eu poderia ser alcoolatra. Eu como vc nunca bebi de manha nem tive grandes perdas como emprego , namorado ou qualquer coisa. Mas eu cansei de beber sozinha uma ou duas latas de cerveja e ficar me revirando na cama no dia que eu nao bebia para dormir e sempre estar bebada nas festas. O meu fundo do poco foi perder uma prova importante para ingressar no mestrado pirque um dia antes eu tava ansiosa demaua e precisava de uma cervejinha que se transformou em varias e me fez acordar atrasada. Nao desista pois o futuro do alcoolatra e ficar na mao dos outros sem ter prazer de viver e sofrendo por nao ter credibilidade.Nesses videos eu aprendi que e necessario preencher o tempo que o alcool ocupava na sua vida com coisas que te dao prazer e com o tempo fara novas amizades com quem tem as mesmas novas afinidades que voce. Eu voltei a escrever e jogar futebol quw sao coisas que fazia na adolescencia. Use esse tempo " sozinha" para se conhecer melhor e com certeza vc vao encontrar novos amigos que vao gostar de quem vc e de vdd porque aquela pessoa que eles conhecem nao e voce. E o alcool!