sábado, 7 de setembro de 2013

"COMO FAÇO PARA VIVER O QUE ACREDITO?"

Y. me enviou este relato que eu não tive nem tempo de responder: 

Eu nasci em uma cidade do interior do RS, a primeira filha de um casal que me amava mas tinha um relacionamento complicado. Não sei dizer se a minha infância foi feliz ou triste, porque tive tudo que uma criança deve ter, comida boa, brinquedos, carinho e amor, mas outra parte da minha infância foi muito complicada e me influencia até hoje. 
Quando eu nasci o casamento dos meus pais já estava arruinado, só que eles ainda não sabiam, e ficaram juntos para cuidar de mim e do meu irmão que veio dois anos depois. Minha mãe é uma pessoa maravilhosa, mas tinha muito medo de tudo, principalmente do meu pai, não que ele batesse nela, mas que fizesse algo que considero igualmente grave, a agressão psicológica, a chantagem emocional. Lembro que minha mãe sempre falava baixo com ele, defendia eu e meu irmão quando meu pai queria nos bater, não contestava nada. 
Eu acredito que meu pai é uma pessoa muito boa, e me ama demais, só não sabe o que fazer com esse amor e tem problemas psicológicos graves. Ele era uma pessoa muito nervosa, qualquer coisa que o contrariasse era o suficiente para bater em mim e no meu irmão. Ele mudava seu comportamento de uma hora para outra e podia ser incrivelmente bom mas também muito mau. Não lembro dele em casa, ele nunca ficava em casa conosco de noite, era minha mãe que sozinha cuidava de mim e meu irmão. Desde que eu nasci ele não dormiu mais com a minha mãe, dormia todas as noites (que voltava pra casa) num colchão na sala, sempre. Nunca vi meus pais de mãos dadas, nem fazerem carinho ou se beijarem.
Meu pai era extremamente machista, não deixava minha mãe sequer olhar para o lado que já a acusava de estar interessada em outro ou traindo ele, sendo que ele nunca dormia em casa. Ele podia, minha mãe não. Ele a acusava na minha frente, ou na rua, em qualquer lugar, e minha mãe se limitava a ficar em silêncio. 
Meu pai também preenchia todas as outras características de um verdadeiro machista, a unica coisa que ele era diferente era na hora do dinheiro. Era minha mãe que nos sustentava, só ela, meu pai não ajudava com um real, ele trabalhava em um negócio que não ia para frente e o que ganhava gastava em outras coisas, cerveja principalmente. A principal briga deles era o dinheiro, meu pai gastava demais, pegava o dinheiro da minha mãe e ia em festas, bebia, comprava coisa desnecessárias e sabe-se lá mais o quê, inclusive ele fez o nome da minha mãe ir para o Serasa várias vezes. 
Minha maior lembrança em relação ao dinheiro foi quando ele pediu emprestado para mim, que na época tinha 7 anos, meus 15 reais. Eu achava aquilo muito dinheiro, levei anos pra conseguir, mas ele me disse que devolveria 20, e eu emprestei. Ele nunca mais devolveu.
Eles decidiram se separar quando eu tinha 8 anos, mas meu pai, porque não tinha dinheiro e fazia suas chantagens, continuou morando em casa. Na verdade tudo ficou igual, eles só tiraram as alianças e diziam ser separados. Minha mãe continuou fazendo o que sempre fazia, nunca saía, nunca ficava com ninguém, e o comportamento ciumento do meu pai também continuou o mesmo. 
Certo dia, quando eu já tinha meus 13 anos, minha mãe decidiu tomar uma atitude: ir a uma festa pela primeira vez desde o casamento. Iria se divertir. Não foi o que aconteceu. Nessa festa meu pai apareceu lá, bebeu muito, ficava de olho na minha mãe, até que atingiu um nível que ele nunca tinha atingido, ele queria pegar minha mãe, prefiro não pensar para quê. Ela fugiu desesperada para a casa de uma amiga que a ajudou, se escondeu lá e ligou para casa aonde estávamos eu, meu irmão e a babá. 
Ela avisou a babá do que estava acontecendo e pediu para que trancássemos toda a casa. A babá me contou o que estava acontecendo, e falamos uma parte para o meu irmão. O que minha mãe mais temia aconteceu. Pouco depois meu pai começou a tocar a campainha e a bater no portão da nossa casa, gritava pela minha mãe, a acusava de ter transado com a cidade inteira, citava nomes dos nossos vizinhos, entre outras coisas. 
Ficamos escondidos olhando pelo canto da janela o que estava acontecendo. Até que ele conseguiu arrombar o portão, e veio para o pátio, batia em todas as portas, chamava minha mãe. Tentou então arrombar nossa porta. Assustada, a babá pediu para que nos escondêssemos e foi lá falar com ele, abriu um pouco a porta e avisou que minha mãe não estava ali. Meu pai berrou que iria ficar ali até minha mãe voltar.
Meu tio apareceu, tentou por horas carregar meu pai pra fora, sem sucesso. Finalmente ele conseguiu empurrar meu pai dentro do carro e partiram. Abrimos a porta aliviados, ligamos para a mãe, choramos. Mas não tinha acabado. Meu tio e meus avós não conseguiram segurar meu pai em casa, ele quebrou muitas coisas e pegou uma lasca de um espelho, colocou na garganta e falou que ia se matar se não deixassem ele sair. Então deixaram. Começou tudo de novo, o pesadelo se repetia.
Meus avós e meu tio voltaram para tentar levar meu pai de novo, e com ajuda de outra pessoa conseguiram levá-lo embora. Dessa vez foram direto para o hospital. Ele ficou internado por uma semana. Eu tive que visitá-lo, fizeram que eu abraçasse aquele homem que para mim não era mais o meu pai. 
Para evitar esse episódio de novo, eu, minha mãe e meu irmão mudamos de cidade, viemos para uma cidade vizinha e tentamos reconstruir nossas vidas, mas eu nunca mais me recuperei. Tive problemas na escola, faltava demais, era muito tímida e sem amigos, cheguei a rodar por não ir às aulas, embora minhas notas fossem altas. Entrei em depressão, parei de estudar, voltei de novo, parei e assim em diante até acabar o ensino médio, sem amigos, sem formatura. Só consegui acabar o ensino médio porque conheci um menino muito especial, começamos a namorar e ele me ajudou, me levava nos lugares, fazia eu sair de casa, tentava me fazer viver. E eu vivia, mas por ele, não por mim. 
Depois de quatro anos de namoro o relacionamento não aguentou mais. Eu era instável, depressiva, e o amor havia virado amizade. Conversamos e decidimos acabar. Não me arrependo disso. Continuamos muito amigos, mas como era ele quem fazia que eu me movesse, sem ele eu parei. Entrei em depressão novamente, não conseguia sair de casa, me achava terrivelmente feia, me odiava. 
Sobre meu pai, depois daquele episódio ele entrou em depressão, emagreceu demais, ficou com uma barba gigante, e ficou morando com meus avós. Eu o amo, sei que ele me ama, e aos poucos consegui voltar a vê-lo como pai novamente, mas sabia que só dava certo e era legal porque ele não morava com a gente, porque ele não tinha responsabilidades, não tinha gastos, nada, então não tinha motivos para se irritar. Não sentia falta dele, na verdade eu ficava até feliz por não tê-lo mais por perto. 
Hoje não visito mais meu pai, mas conversamos por telefone, eu sinto o amor dele por mim e parece arrependido, mas nunca pagou pensão, o que deveria ser uma responsabilidade dele como pai, e minha mãe tem muitas dificuldades psicológicas e financeiras para nos sustentar.
Não saio de casa, meu temperamento ficou igual ao do meu pai, me tornei parecida com a pessoa que jurei que não seria igual. Conheci o feminismo, me considero feminista, mas meu interior, meu psicológico, ainda não é.
Como podem dizer que o machismo não existe, que não destrói vidas se foi isso que mais me prejudicou desde criança? Eu sei que preciso confiar em mim, mas como irei tirar esse machismo de dentro de mim? Eu nem percebo que tenho, se me pedirem qualquer opinião ela é totalmente feminista, mas não vivo isso, continuo com vergonha de mim, com receio/medo de homens, com medo de aceitar sair com alguém e ser chamada de "fácil" e tudo aquilo que falam. Como faço para viver o que acredito?

Minha resposta: Eu só consigo pensar em terapia, querida Y. Você tem que fazer, porque será difícil sair dessa sozinha. Você já viu que nem todos os homens são iguais ao seu pai. Já teve o exemplo do seu ex-namorado. Mas os seus problemas estão muito além de apenas ter receio de homens. Como vc mesma disse, vc precisa confiar em vc. Esta confiança te foi tirada na infância. Vá atrás dela.

32 comentários:

L. G. Alves disse...

Depoimento contraditório. Uma vez diz que acredita que o pai é uma pessoa muito boa - muito é mais que apenas boa - e depois diz que ele também é muito mau. Fora que é extremamente machista e sabemos que pessoas machistas podem ter atitudes bem ruins mesmo. "meu pai não ajudava com um real"
"e o que ganhava gastava em outras coisas, cerveja principalmente."
"inclusive ele fez o nome da minha mãe ir para o Serasa várias vezes."
Que pai bom, hein? Só que não.
Muitos conflitos psicológicos.

Maiê F. Rezende disse...

Y.

O importante é você não deixar que o que aconteceu na sua infancia te defina. O fato de ser feminista já mostra que vc deseja romper com os padrões que aprendeu na infancia. Parece pouco, mas muita gente é incapaz de fazer isso. Mesmo quem não passou por traumas como o seu.

Vc se tornou retraida, insegura (me identifico com isso), mas isso não te torna seu pai. Terapia pode te ajudar a ver as coisas de uma outra maneira. Se for difícil fazer, existem grupos de apoio em alguns lugares e também livros que podem ajudar um pouco. O importante é não desistir de você mesma!



Anônimo disse...

L. G. Alves

A vida é contraditória, pessoas são contraditórias e não existe uma maneira "certa" de sentir, na maioria das vezes, é algo dificil de controlar. O que existe são escolhas, maneiras certas de agir.
Bem vinda ao mundo fora da caixinha e do lugar comum!

Sara disse...

Vai me desculpar Y mas esse seu pai é um grande lixo, o protótipo machista com todos os acessórios possíveis e imagináveis.
Até te entendo, no ponto em que vc sente que teve sua vida arruinada pela terrível infância que esse, me desculpe a palavra, "canalha" te fez passar, mas bola pra frente, busque forças dentro de vc e siga em frente, não dá pra perdoar um cara desses, que por tudo que vc relatou jamais teve qualquer motivo pra agir com tanta crueldade contra vc e sua família, enterra logo esse infeliz, e viva sua vida o melhor que conseguir.
Espero que um dia no futuro esse tipo de homem nem tenham mais a oportunidade de nascer, quanto mais de existir.
Me causa profunda revolta saber que ainda existem tantos e tantos arremedos de gente como esses.

Anônimo disse...

O pai deve ser bipolar, esse comportamento é machista, mas tb pode ser fruto de uma mente doente.

Meu pai tb é assim, mto bom e mto ruim. E os remédios ajudam o lado bom a ser prepobderante.

Se for doença, tem tratamento. Se for só machismo, não acredito em relação saudável da autora do post com o pai.

Anônimo disse...

Cara Y., você precisa de terapia. Infelizmente, o que acontece conosco na infância marca para sempre, mas não pode nos impedir de crescer na vida. Tenho conhecidos (que são irmãos) que sofreram com o abandono da mãe e os maus tratos do pai. Eles tem tem 27 e 25 anos de idade e não conseguem superar esta dor, sabe. Tiveram filhos (o + velho tem 2 filhas com mulheres diferentes e o mais novo teve filho com uma mulher gringa) e são usuários de drogas e não admitem que são viciados. Pra você ter uma ideia, eles se metem em tantas confusões (familiares e policiais) que os parentes (avós e tios) já estão sem paciência e não estão mas ajudando.

Toquei nesse assunto pra ilustrar que, às vezes, a dor da infância pode te atrapalhar na vida adulta e fazer com que você não evolua como ser humano.

Em relação ao seu pai, eu acho que você tem que se resolver, sem esperar nada dele. Ele é uma pessoa problemática e perturbada, e, geralmente, gente assim atrapalha (e muito) os outros. Faça as coisas na sua vida sem esperar nada dele ($, amor, carinho, atenção, etc). Eu digo isso, por que sou filha de mãe solteira e conheço meu pai, mas ele não fez nenhum esforço para me assumir como filha. E quando tentou uma aproximação, começou a falar muito mal da minha mãe e me afastei por causa disso, pois não queria ouvir uma pessoa que nunca fez absolutamente nada por mim, falar mal da minha progenitora, pô, rs, rs.

Enfim, vá ao analista reveja o que te aconteceu na infância e supere suas dores e medos. Viva sua vida!

Boa sorte!

Renata disse...

Concordo totalmente com Maiê. Isso não pode te definir.A vida émais que as nossas relações familiares. Se você não começar a construir sua própria vida, essa situação terá um peso maior em relação ao que pode vir.
E, sabe, acredito que a capacidade de superar, tipo, conseguir ter o distanciamento que você alcançou - ele me ama, mas é um amor que faz mal. posso se cordial PORQUE ele está longe - muito maduro. É um sinal de que existe uma saúde em você que te faz caminhar.
Realmente, uma terapia agora seria um encontro bonito entre você e a vida que você tem pra construir.
Boa sorte, muita força, determinação. E, principalmente, muito amor por você.

Renata disse...

Oi Y. Concordo totalmente com a Maiê. Você não pode deixar que essa situação te defina. A vida é muito maior que as relações familiares. Por isso é necessário que você construa outras pontes, outras relações (com pessoas, com trabalho, com arte, com o mundo) para que o lugar disso seja cada vez menor.
É um compromisso que você tem com vc mesma.
Acho esse distanciamento que você conseguiu alcançar - de entender que seu pai te ama,mas é um amor que faz mal e que é possivel ser cordial com ele PORQUE ele está longe - muito maduro, e aponta pra uma saúde em você, em uma força que pode te fazer virar essa página.
Uma terapia pode ser bem bacana mesmo nesse momento, pra você começar a construir laços saudáveis com a vida toda que vem, com todos os possíveis.
Muita força e determinação pra você. E se ame muito!

Anônimo disse...

Eu entendo que a Y goste do pai. Por isso ela diz que ele é uma pessoa boa. Compreensível. Afinal, fomos ensinadas pela cultura patriarcal e católica, regida pelo modelo de família nuclear tradicional que é errado detestar seus progenitores. Podemos ser ateus, feministas ou comunistas, isso não faz de nós seres despidos destes ideais, é difícil romper, isso se chama cultura.
Agora pra quem vê de fora Y, me desculpe, o seu pai é um machista, oportunista (da situação financeira alheia), violento e com sérias chances de um dia machucar alguém em algum momento de descontrole. Pelo seu relato não consegui ver nada de bom nele.
Vou dar um palpite, talvez possa estar enganada. Mas é algo que me ajudou a resolver problemas e traumas com família e vejo que meus amigos que fizeram isso coseguiram driblar parte dos traumas. O primeiro passo é não idealizar a família. Mesmo vc não tendo a consciência de fazer isso, a meu ver, nós acabamos fazendo pelo que nos foi ensinado. No seu post, chama a atenção vc dizer que ele é uma pessoa boa. Sendo que tudo que vc narra dele não é nada bom e percebemos que ele não esta nem aí pra ninguém a não ser ele. Mas vc mesmo assim diz que ele é bom, e usa diversas vezes a palavra amor. Pode ser que em seu inconsciente vc não admita que um “pai não possa ser bom”, que um pai possa ser ruim com os filhos e mulher, que um pai possa não ter amor por ninguém. E isso faz vc sofrer. Mas em minha experiência, muda tudo qndo percebemos que pais são só seres humanos, tão defeituosos como os outros e que podem ser tão cruéis e despidos de qualquer sentimento de humanidade-alteridade e compaixão. Quando percebemos que família “não tem” que ser sagrada, e despimos deste ideal, isso nos livra de um peso. E se vc quiser, vc pode detestar seu pai. Não tem problema. Não temos que amar os pais. Não temos que sequer gostar. Um homem ser um pai biológico, não o faz dele um pai que cuida, protege e ama os filhos. Da mesma forma, temos que nos despir destes ideais de família, e seguir nossas vidas de maneira forte, com valores diferentes, onde para ser família não precisa de nenhum modelo desde que haja respeito amor, igualdade e liberdade. È isso que importa. Quando comecei a pensar assim me deixou muito mais leve. Força Y, se cuide, e também lute para um mundo em que não exista mais assim assim.

Anônimo disse...

Isso não é machismo, é um cara com problemas psicológicos, insegurança, bipolaridade, borderline, vícios.

E isso nada tem a ver com machismo. na minha família a minha mãe tinha esses problemas, aproximadaemente.

Eu fui alcoolatra. Não abandone seu pai porque te garanto que a dor de ser alcoolatra e de ter feito o que fez é maior nele do que a dor que ele causou em você.

Aproveite e use isso como lição para ficar longe do alcool e das drogas.

Anônimo disse...

Blogger Sara disse...
Vai me desculpar Y mas esse seu pai é um grande lixo,


Muito facil chamar de lixo um cara que claramente tinha problemas psicológicos grandes e tinha problemas com vícios claramente, no minimo de bebida, talvez de drogas tambem.

Depois quer posar de feminista anti-preconceito anti "machismo" mimimimi

L. G. Alves disse...

Mundo fora da caixinha? rs Engraçado. Quem disse que eu quis que houvesse uma maneira certa de sentir e que esta suposta maneira fosse "a padrão"? Estou fora do lugar comum desde antes de ser puxada para fora do corpo da minha "querida" mãe.

V. disse...

Fico puta quando vejo comentários cagando regra sobre como as pessoas devem se sentir, tipo o da L. G. Alves ("seu pai não tem nada de bom, sua iludida") e da Sara ("bola pra frente, esquece isso que não vale a pena!"). A realidade é um pouquinho mais complicada que isso, não é preto no branco. Não tem nada de "conflito psicológico" em achar o pai, ao mesmo tempo, uma pessoa boa e ruim, porque TODOS somos assim. A Y. sabe que o pai dela é muito machista e lhe causou muito dano, e não precisa que ninguém fique dizendo como ela deve ou não se sentir em relação a ele. O mundo não é maniqueísta desse jeito não.

Anônimo disse...

Oi Lola! Mudando um pouco de assunto: Conversa iniciada hoje

https://www.youtube.com/watch?v=vkAAN6r2eeQ

Eu estava vendo esse programa A Liga e o que me chamou atenção foi que a repórter/modelo Mariana, que estava fazendo a entrevista com o Kid Bengala (ator pornô), se mostrou extremamente constrangida aos 44 min!
Antes disso ela estava tentando levar a entrevista numa boa, brincando e tudo mais, apesar de em diversos momentos parecer mto constrangida com a situação.
Ela disse que não achou legal a atitude dele pq o ator na cena de sexo ficava encarando-a e falando coisas relativas à cena direcionadas a ela.
Dá pra ver que ele estava provocando e que ela ficou visivelmente constrangida com td... Será que a partir do momento em que a repórter está fazendo um programa abordando como assunto a industria pornográfica ela tem que ficar mais aberta a ouvir essas baixarias?
Assim... não sei! dou razão a ela... fiquei com a pulga atrás da orelha com essa situação... pq é um constrangimento de um homem sobre uma mulher televisionado.
Nas palavras dela: "gente... não foi legal. Eu achei que ele tava provocativo um pouco antes da gente gravar. Eu achei que ele foi agressivo comigo e com toda a equipe. Quando ele ficou realmente ereto, acho que se encheu de vaidade masculina e eu senti que ele ficava olhando, falando algumas coisas pra ela e olhando pra mim. Então eu me senti meio confrontada. Achei que não foi legal"
E os comentários no video só a chamam de fresca, chata etc...
Enfim... queria saber a opinião de outras pessoas pq eu me senti mal por ela...
Evy

L. G. Alves disse...

Então parte do mundo deve ser louco porque uma pessoa é muito boa e ao mesmo tempo péssima. Ou seja, o mundo de muita gente é bipolar, kkkk Olha se tá tão puta da vida com comentários de estranhos que nem conhece, é melhor tomar maracugina. As vezes resolve :)Eu fico puta com situações bem mais sérias.

Anônimo disse...

Y., teu pai não é só machista, é muito doente... Mas duvido que ele aceite isso e tente se tratar e ser uma pessoa melhor. Você vai ter que fazer seu caminho sem esperar muito dele. Ele não cresceu e não vai crescer. Você é mais uma das incontáveis crianças que têm que ser mais adultas que os pais pra sobreviver. Ponha no seu coração - na cabeça espero que já tenha posto, mas não basta - que você não tem culpa de nada e merece ser feliz. Procure uma boa terapia e vá a luta. Boa sorte, você merece!!!

Ana Carolina disse...

Uma coisa sobre pessoas, principalmente para alguns comentaristas do post que estão perdendo a linha: pessoas são complexas. São MUITO complexas. E não existe o 100% bom versus o 100% ruim. A Y tem uma história familiar difícil e o único conselho possível é a terapia (ou mesmo qualquer outra forma que a faça rever as experiências, ressignificá-las e se reconstruir). Só que... ninguém é 100% mau. A vida não se divide entre mocinhos bons e vilões malvados.

O pai dela foi um péssimo marido para a mãe? Sim. Fez coisas péssimas? Sim. MAS pode ter sido um bom pai, amoroso, apesar dos problemas, apesar da doença, da forma dele. Apaga o mal que ele fez? Não. Assim como o mal não apaga os bons sentimentos. O mundo não é binário, não é preto-no-branco, nada é.

E aí vejo a "contradição": a vida é um amontoado de sentimentos contraditórios. Você pode amar e odiar alguém ao mesmo tempo - e sentir várias coisas entre esses dois sentimentos. Há várias pessoas na minha vida, por exemplo, que gosto, mas prefiro não conviver, que reconheço o mal nelas mas também reconheço o bem.

E sinceramente, virar para ela e "você TEM de odiar seu pai, como vc tem algum bom sentimento por ele" também é uma violência. Há quem odeie, há quem ame, há quem sinta vários sentimentos contraditórios entre si mas que fazem sentido na complexidade da vida.

Anônimo disse...

Para Ana Carolina

Eu sou anonimo da 16:16.

Não sei se seu você se direcionou ao meu comentário sobre o vc “TEM de odiar seu pai”, mas respondo mesmo assim.

Eu não acho que a Y “TEM” que odiar o pai dela. Ninguém disse isso. Só que pela minha observação, penso que muitas das questões não resolvidas das pessoas “PODE” ter origem no tabu de que não se pode odiar pai e mãe. Daí que a meu ver, o recado que gostaria de passar para Y é que sim, ela “PODE” odiar o pai sem culpas se quiser. Pensar assim me trouxe um alívio enorme. Pois eu sentia muita raiva de meu pai (pelas coisas que ele fez), ao mesmo tempo me culpava por sentir isso. Acredito que idealizamos nossos pais, e parar com isso ajuda muito. Só.

Sobre seu comentário “O mundo não é binário, não é preto-no-branco, nada é.”
Concordo, mas não o uso que vc faz dele e o uso indiscriminado virando clichê. Ninguém aqui é ingênuo o suficiente para acreditar que as pessoas são 100% boas ou más. Mas relativizar tal conceito a ponto de desmerecer quem acha que o pai dela é um lixo é perigoso. O pai dela pode ter momentos de bondade (apesar que no post não aparece isso, na boa) como todo mundo, mas isso não o isenta de ser uma pessoa –no geral- má. Grandes ditadores e sanguinários também tinham momentos de bondade com alguém em algum momento.
E por fim “pode ter sido um bom pai, “ , me desculpe, mas um pai que educa batendo, ameaça a mãe, não sustenta, não ajuda ser um bom pai? Olha aí o perigo do relativismo de seu pensamento. Se for assim, nada no mundo é bom nem ruim, assim, pra que discutir qq coisa?
Me desculpe, não te conheço então não quero te ofender, meu comentário é para o seu tipo de pensamento e não para sua pessoa.

Anônimo disse...

anon de 21:52 está certo,há essa crença,obrigação,de que os pais tem q amar os filhos e vice versa e n importa se a pessoa é horrível.
vc tem q aguentar tudo pq é da familia,é um absurdo.

Anônimo disse...

Viva minha irmã. Um dia de cada vez. Descobre pequeninas coisas que te fazem bem. Um livro, um doce, uma foto. Nao pense no quadro todo, na familia, nao resolve isso porque esta acima de suas forças.. Pensa que vc vai resgatar aquela menininha que precisava de ajuda. Faça coisas bem pequeninas por vc, e vá se amando aos pouquinhos. Nao pensa em como vc deve lidar com teu pai, ou se vc é igual a ele, nao, nem pense nisso, vai fazendo coisas boas por si mesma e nunca pare, nunca mais. Cada dia vc vai ganhar mais paz e sabedoria. E minha irmazinha, pode ter certeza que quando fazemos por nos, deixamos de ser vitimas e as ganhamos dia a dia o controle de nossa vida. Ser filho de doentes nao nos faz doentes. Ninguém comanda sua vida alem de vc.

Anônimo disse...

E Lola, obrigada. Obrigada. Vc tambem é minha irmazinha hoje. E um dia vou escrever e explicar tudo que aprendi aqui. Muitos beijos. Sinta-se admirada e abraçada.

Anônimo disse...

Uma situação parecida com a minha - pai alcoólatra, mãe sustentando a casa. Só que minha mãe jamais aceitou as coisas calada, ela era bem barraqueira na verdade, não importava de chamar polícia - eles tinham brigas físicas. Até briga de faca já vi. O mais assustador foi quando meu pai empurrou minha mãe da escada, ela desmaiou e eu achei que ela tivesse morrido.

Enfim, meu comentário é mais pra dizer que entendo essa confusão que a gente fica. Porque eu tenho boas lembranças do meu pai, nos meus primeiros anos. Ele era alegre, brincalhão e amoroso. Mas, no fim, boas lembranças não são suficientes. Quando ele finalmente saiu de casa, nunca mais conversei com ele. E aí ele morreu. E fim.

Sinceramente, fico muito aliviada por essa história ter tido um fim. Não corro mais o risco de encontra-lo. Ele trabalhava na universidade onde estudei, vez ou outra eu o via e queria morrer.

Eu poderia ter sido uma pessoa melhor, mais fácil, mais alegre, se não tivesse tido uma infância tão conturbada. Talvez eu seria uma pessoa melhor se tivesse tentado entender, ajudar. Mas foi demais pra mim.

Anônimo disse...

responde o e-mail q te mandei Lola! :"/

Sara disse...

anon 16.39hs e tb o das 18.07

Quer dizer q pra pegar a carteirinha de feminista eu tenho que engolir comportamentos machistas ao extremo como os desse LIXO de pai, se não tivesse tanto respeito pela Lola teria um lugar muito lindo pra mandar vcs dois OK?????

Anônimo disse...

Eu fico imaginando que a autora do post lê os comentários do blog em busca de empatia e acha um bando de gente brigando entre si pra ver qual umbigo é mais certo.

Y, força, menina, vá em frente!

Ana Carolina disse...

Anon de 15:16 e depois 21:52.

Não, não foi só para você, é uma coisa um pouco generalizada no post.

E, me desculpe, mas acho "ame" ou "odeie" sem admitir que existem várias variações possíveis entre uma coisa e outra tão ingênuo e radical quanto sua afirmação. E "todo mundo aqui sabe que ninguém é 100% mau", não é o que parece lendo os comentários, mesmo.

E pelo que vi no post, a Y tem algum sentimento de carinho pelo pai. O conflito dela não é "não consigo odiá-lo". Sim, a culpa cristã pode impedir esse ódio, trazer resistências mas... ela o deseja? No que parece no post, não é o que ela quer - é viver o feminismo, mesmo que o background pesado dela acabe atrapalhando. É superar esse background pesado e ir em frente.

Catarina disse...

DEADHAMMER,

o que te resta é pegar um hammer e dar na sua própria cabeça.

faça isso e suma das nossas vistas.

Anônimo disse...

OK Ana Carolina entendi.

Todas nós concordamos que “É superar esse background pesado e ir em frente” , mas como superar? no meu caso, como disse, tenho raiva e mágoas do meu pai mas isso não quer dizer que tenho somente este sentimento, tenho boas recordações tb. Mas aceitar que “POSSO” ter sentimentos negativos ao pai me ajudou na terapia, entende? Achei que isso iria ajudar a Y.

Achava mesmo que era ponto pacífico a ideia que não temos somente um sentimento 100%. Quando dizemos que “vc PODE odiar seu pai” não significa que será somente ódio.Putz, ter que explicar TODA vez que não é 100% fica inviável a comunicação. Quem disse que não existem variações entre ame ou odeie Ana Carolina? Não podemos achar ninguém um lixo? Não podemos odiar qq um só porque os sentimentos não são 100%?


Como disse, acho MUITO perigoso este discurso relativista. O “ninguém é mau 100% ou bom 100%” é ponto pacífico, só que isso não pode ser usado para abafar ou impedir que façamos a crítica ao machismo. O sentimento de filha que Y tem para o pai é mais que legítimo, agora o que ele fez ‘objetivamente” é fato, é machismo e violência.

J disse...

Ah Y., Como te entendo. Sempre me pego pensando: Seria tão mais fácil se pais abusivos fossem "maus" o tempo todo, não é?
Seria tão mais fácil odiá-los pelo o mal que nos fizeram e simplesmente negar qualquer tipo de contato com eles. Mas aí tem os bons momentos e você percebe que eles têm problemas, mas, às vezes, eles também podem agir como bons seres humanos e pais e isso só acaba ainda mais com a gente. Acaba porque gostaríamos de dar um ponto final a isso tudo. Acaba por nos sentirmos mal por termos sentimentos tão conflitantes em relação a eles.
E é complicado mesmo. Não posso te dizer se melhora, porque eu mesma não cheguei perto de descobrir. Tenho problemas psicológicos parecidos com os teus e Deus, como sonho com uma vida normal! Por isso decidi que simplesmente viverei um dia após o outro. Com calma, sem expectativas exacerbadas, sem forçar nada.
Em algum momento teremos que nos achar não é?

Anônimo disse...

Olá, sou a Y, gostaria de agradecer por todos os comentários, entendo as posições de todos. Meu texto revela exatamente o que estou sentido, confusão. Eu me debato entre odiá-lo e amá-lo o tempo todo. Para quem realmente achou confuso e conflituoso, era isso que eu queria passar porque é isso que eu sinto. Obrigada a todos os comentários de apoio e a Lola.

Anônimo disse...

Acho muito provavel o pai da autora ser portador de transtorno bipolar. Claro que não há como sabermos por um relato mas há alguns pontos citados que convergem para isso.Seria fundamental que ele fosse levado ao psiquiatra para uma avaliação. Muitas relações familiares são destruídas pelo não-tratamento de portadores de transtornos psquiátricos e quem sabe a relação pai-filha pode ser mais saudável!A autora procurar terapia também acredito ser fundamental!Inclusive há possibilidade de ser feito no SUS, gratuitamente, ou em faculdades de psicologia. Lívia

WICKED WOMAN disse...

A sua história é muito parecida com a minha, meus pais também se separaram quando eu tinha oito anos, eu também tenho um irmão dois anos mais novo, nós também tivemos que mudar de cidade e meu pai nunca pagou pensão. O meu irmão acabou muito afetado psicologicamente com tudo isso, mas por incrível que pareça, tudo isso só me fortaleceu e eu uso a força da minha mãe que nos criou sozinha para superar os obstáculos do dia-a-dia. Seja muito forte e procure ajuda psicológica, pode te ajudar bastante.