sexta-feira, 31 de maio de 2013

GUEST POST: MINHA CERTIDÃO DE NASCIMENTO COMO SER HUMANO


Em Porto Alegre, dezenas de pessoas acamparam durante um mês e meio para impedir que pelo menos 115 árvores (que o jornal Zero Hora chama de vegetais) fossem derrubadas para a duplicação de uma via, uma das obras da Copa 2014. Na madrugada de quarta, duzentos policiais retiraram, com violência, esses manifestantes. 
Um deles, o psicólogo Samuel Eggers, me escreveu: "tu e teu blog são importantes na minha caminhada. Tenho a sorte de ser amigo e conviver com muitxs amigxs feministas, principalmente mulheres lindas por serem de luta, que volta e meia postam teus textos no facebook e me deram a oportunidade de aprender com as tuas lutas. 
"Pra mim, esse texto em anexo é tão teu quanto meu. Salvo eventuais machismos meus, é um texto tão ecológico e libertário quanto feminista, porque estamos todxs lutando em nome da mesma causa. E é em nome dessa causa em comum que te peço que o publique".
Este é um guest post que foge um pouco do estilo do blog, mas é importante porque narra o despertar de um ativista. Quero que todxs sejamos, cada qual a seu modo, ativistas. [Que horror, que horror. Veja o update no final].
Considerando a quantidade de omissões e mentiras descaradas que estão sendo divulgadas na grande mídia de Porto Alegre, decidi escrever meu relato a respeito dos acontecimentos da madrugada de quarta no gramado ao lado do prédio da Câmara de Vereadores, de onde o acampamento Ocupa Árvores e seus habitantes foram desalojados a pauladas pela Brigada Militar. 
Penso que sou capacitado pra falar sobre este assunto, porque eu fui um dos algemados. E por isso, descreverei os fatos da maneira mais direta, e talvez crua, que eu consigo imaginar.
Primeiro, eu não sei porque serei indiciado por “desacato ou desobediência à ordem policial”, e não sei porque o Zero Hora, maior jornal do Rio Grande do Sul, dá a entender na reportagem em seu site que apenas os manifestantes que resistiram à retirada das barracas foram algemados. Nosso crime, se realmente existe algum, foi termos montado nossas barracas em uma área de grande interesse para a especulação imobiliária e para as grandes empreiteiras, e nossa resistência talvez tenha sido nossa cara de sono e espanto.

Fomos acordados à pauladas e gritos para que nos deitássemos no chão e calássemos a boca, enquanto os policiais presentes se certificavam de que todos nós estávamos algemados. Também não entendo que tipo de resistência nós, os vinte e sete prisioneiros, sem treinamento ou equipamento militar, poderíamos oferecer contra todo o contingente policial que foi deslocado para nos conter. E não precisa acreditar em mim, basta olhar na notícia da Zero Hora as fotos e os batalhões envolvidos – 200 soldados da Brigada Militar, do Batalhão de Operações Especiais (BOE) e do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), sem contar a polícia montada, que também estava lá.

Devemos ser um grupo bastante perigoso para justificar não apenas todo esse exército contra nós, como também o profundo desprezo e humilhação com que fomos tratados pelos soldados da operação. Fomos arrancados de nossas barracas, jogados no chão, algemados e, quando abríamos a boca para pedir qualquer coisa, não importasse com quanta cordialidade o fizéssemos, ou nos mandavam calar a matraca, ou sofríamos algum tipo de agressão. Talvez por ser homem, branco e aparentemente de classe média, eu tive tratamento VIP, e só tomei uns puxões pelas algemas, uns empurrões e muita cara feia, nada que valesse um exame de corpo-delito. Porém, aposto que não posso dizer o mesmo dos companheiros que são negros, moram na rua ou "parecem" ser pobres. E mesmo assim, apesar de terem pegado leve comigo, nunca me senti tão humilhado em toda minha vida.
Depois de termos sido empilhados em um camburão improvisado e levados para a 9ª Delegacia de Polícia, ao lado do Mercado Público, fomos submetidos a um chá de cadeira de algumas horas -– só que algemados, em pé e de cara contra a parede. Quem tentasse telefonar para algum familiar para avisar que estava preso tinha seu celular confiscado, quem tentasse registrar a cena com algum aparelho fotográfico era intimidado, e quem quer que falasse um ai tomava um empurrão. A mensagem que os soldados nos passavam era clara: obedeçam, ou vão apanhar. Às vezes, essa mensagem vinha de maneira clara, e em outras, sob um verniz de educação: “tô te pedindo numa boa”, “por gentileza”.
Por algum motivo que desconheço, fui premiado com uma revista completa por dois brigadianos homens, que me levaram, sozinho, para um banheiro ali no canto. Eu, muito ingênuo, perguntei se eu iria apanhar. Um dos policiais riu da minha cara, dizendo “olha as idéias que vocês tem, agora tira a calça.” Antes de me mandar baixar a cueca, ele me perguntou se eu tinha alguma droga comigo. E, enquanto eu passava por esse pente fino, tentava estabelecer um diálogo, saber por que diabos estava ali, qual era meu crime. Contudo, a conversa acabava rápido, por que tudo o que tinham para me dizer era “por que tu foi desobedecer as ordens por causa de umas árvores?” Voltei, então, para a sala de espera, novamente algemado, até que algum oficial tivesse a boa vontade de mandar retirá-las.
Após termos todos sidos fichados, passamos por uma última humilhação: recolher nossas coisas, jogadas de qualquer jeito e quebradas na caçamba de um caminhão. Mais uma vez, eu não tive problemas, pois tinha levado apenas uma mochila com alguns livros, e o maior risco que eu corria era de ir trabalhar sem um pé da meia. Para outros camaradas meus, que trabalham com artesanato, não são classe média ou que moram na rua, a perda foi muito maior – perderam suas poucas e preciosas roupas, seu sustento, seu lar. 
Fico imaginando que muita gente que vai ler esse meu texto vai pular direto para os comentários pra me chamar de vagabundo, dizer que eu tinha mais é que apanhar por não trabalhar e obedecer a lei, que mendigo é tudo drogado ou lixo humano e que é melhor eu calar o bico e tocar minha vida, parar de me meter onde não sou chamado. 
Pra essas pessoas, que provavelmente acham a frase “direitos humanos para humanos direitos” o máximo, posso apenas dizer: ainda bem que nada disso aconteceu com vocês. Ainda bem que quando um policial chega perto, vocês não sintam o sangue gelar, e ainda bem que vocês não sabem o que é perder tudo que você chama de vida assim, de uma hora para a outra, por puro capricho de um governante qualquer. 
Esta madrugada, acampamos no largo do Gasômetro para impedir que árvores fossem cortadas, mas nossa luta não é só isso. Eu não milito em causa própria, por glórias, atenção, dinheiro ou cargos. Eu luto porque quero viver em um mundo onde ninguém –- nem vocês, nem os moradores de rua, nem os soldados da Brigada –- precise passar por privação. Esta luta também é sua e estamos do mesmo lado. Só que você ainda não percebeu, porque não entende que a liberdade de um é a liberdade de todos.
Por fim, este dia nasceu triste e opressivo, mas também é um dia de alegria, pois sinto que hoje tive meu batismo de fogo. Quando fui algemado, eu era apenas um menino idealista, mas quem saiu da delegacia foi um ser humano. Entrei para o grupo de pessoas que foram presas porque ousaram desafiar a tirania e combater a injustiça. Finalmente, sinto-me um igual, não apenas diante de homens e mulheres como Gandhi, Emma Goldman e Thoreau, mas também daqueles camaradas que há muito tempo gritavam para que eu me somasse à luta. 
Se queriam me assustar com ameaças, e fazer com que eu me recolhesse para dentro do meu mundo, fracassaram, pois hoje descobri que não quero viver numa “democracia” em que eu tenha que me calar e seguir as ordens dos meus superiores. Jurei que farei tudo que estiver ao meu alcance para transformar o mundo onde eu quero que meus filhos cresçam. Guardarei um lugar aqui pra ti, no dia em que perceberes o mesmo, e seguirei lutando enquanto você não acorda.

Enquanto eu, Lola, estava editando este post, chegou um email de uma leitora: 
"Aqui estão acontecendo diversas manifestações em função do corte de árvores feito pela prefeitura para duplicar avenidas em nome da Copa e pela forma ilegal e covarde que nós fomos retirados do nosso acampamento Ocupa Árvores e presos pela Brigada Militar. No protesto, ouvi o seguinte diálogo entre duas mulheres que assistiam à marcha pela cidade: 'Mas contra o que eles estão protestando?'
'Dizem que é por causa do corte das árvores, mas eles parecem transtornados de ódio. É grito de ódio contra a polícia, o capital, o governo, a mídia, até contra quem tá parado olhando. Às vezes parece que é só raiva reprimida'.
Percebi que quando eu protesto eu realmente sou movida por ódios -- exatamente todos os ódios que ela citou, e ainda alguns outros. E admito que já cometi atos 'impensados' em momentos de grande raiva. Confesso também que estou, cada vez mais, de saco cheio desse mimimi de manifestação pacífica. 
Essa situação das árvores foi a gota d'água: fomos 100% pacíficxs nos protestos que imploravam pra Prefeitura desistir de cortar as árvores, e cortaram. Mas no início do ano, quando protestamos para baixar o preço da passagem de ônibus, a prefeitura baixou depois que os protestos deixaram de ser pacíficos!
Enfim, pacífico é passivo? Esse ódio é certo? Aliás, o que move um protesto se não for o ódio? Por que algumas pessoas ativistas são tão resistentes quanto à violência? Essa resistência não caracteriza medo? O medo não deveria ser algo contrário ao protesto?"
UPDATE em 13/9/13: Samuel Eggers, o rapaz que escreveu este guest post, foi assassinado ontem, 12/9, enquanto estava num congresso em Caxias do Sul. Segundo a notícia, vários tiros foram disparados de um GM Monza de cor escura. Segundo relato de testemunhas, os criminosos disseram que ele tinha que morrer. Foi uma execução. Estou paralisada. Que os criminosos sejam encontrados e condenados rapidamente. Muita força à família. É terrível saber que mataram uma pessoa que ajudava a fazer o mundo melhor

60 comentários:

Karina disse...

Falando em homens feministas maravilhosos, um vídeo incrível! http://www.ted.com/talks/jackson_katz_violence_against_women_it_s_a_men_s_issue.html

Fiquei feliz de ver que está entre os mais populares no TED

Eu disse...

É galera, quando entramos no ativismo saímos outras pessoas. Mais duras talvez, mas com certeza mais corajosas.

Indo protestar na CDHM de forma pacífica, com outros ativistas tb pacíficos, presenciei muito abuso de poder e violência física por parte dos policiais da Câmara Federal. Tive colega que levou soco no rosto, outros foram algemados e levados para a delegacia. Isso sem falar na companheira que foi ameaçada pelo assessor do INfeliciano por estar gritando na frente da comissão por ter sido impedida de entrar (ela não é evangélica e só evanjas podem).

Não sei até onde vai nossa paciência.

Maria disse...

Parabéns ao novo humano de olhos abertos!! Mas não é de nenhum proveito ter ódio, mas sim raiva, a digna raiva. Quando a gente sente na pele, literalmente, a repressão só por querer o bem pra todos, até para o burro que está batendo em você, o olhar muda. Aí uma reação direta, quase instintiva, é o ódio e o ressentimento, mas esses sentimentos são tidos como escusa também por quem comete os piores crimes. Isso transparenta no segundo email uqe a Lola citou. Se vc colocar muito de critica e muito esforço, vai ver que pode ser mais do que ódio, que pode ser uma raiva justa que te faz atuar, te faz ter mais coragem, te faz sair da bolha do medo, mas que não quer vingança, que não quer destruição, que coloca sempre os ideais acima dos sentimentos, é uma raiva que é capaz de renunciar à vingança para atingir a justiça. Isso parece mais o que o autor do guest post descobriu. Não precisamos suportar quietos, não podemos ser cegos à violência nem ignorar suas origens, não podemos achar que por ser "pacificos" não seremos atacados com violencia, e não podemos nunca chamar a usá-la irresponsavelmente, isso é sério demais.

Mordred Paganini disse...

http://pt.protopia.at/wiki/A_N%C3%A3o_Viol%C3%AAncia_%C3%A9_patriarcal


Este texto eu tenho vontade de decorar de tão bom.

Aliás, quando eu disse exatamente isto, à época do episódio dos protestos das lojas Marisa, caíram de pedra em mim.

Aparentemente, mesmo feministas sérias tem dificuldade de pensar que os tais protestos pacíficos não adiantam de muita coisa. E aparentemente, quanto mais pacífico o protesto for, mais covarde é a ação policial.

Mihaelo disse...

A família proprietária da Zero Hora(Sirotsky) também é dona de uma empresa de construção civil(Maiojama) e por isto o empenho desta em combater os movimentos sociais. O dinheiro é o que mais ordena neste planeta. Os ativistas foram detidos por desobedecerem uma ordem judicial e no capitalismo o judiciário é o poder supremo que não pode ser desobedecido. No dia anterior em Santo Angelo um homem tambem foi detido e conduzido à delegacia por se negar a obedecer a ordem judicial para se afastar da residência da ex-esposa.
A Copa do Mundo está sendo muito ótima para os empresários, são dezenas de obras rodoviárias e hoteleiras ocorrendo na cidade e municípios vizinhos, bilhões de reais investidos que estão indo para os cofres das empreiteiras.Realmente tudo muito bom para os ricos e suas empresas construtoras e de mídia.

Anônimo disse...

Que nojo dos man-arquistas, queers, trans, generistas e afins, descaradamente se apropriando do feminismo e deturpando-o para servir a suas agendas políticas. É exatamente como disse certa escritora, "Eles têm um toque de Midas negativo: tudo o que tocam se transforma em merda."

Grandes mestres, líderes, conduzindo milhares de seguidoras sem consciência que alimentam o ego deles, idolatrando-os como deuses. Muito velho e bem conhecido esse jogo, não?

Anônimo disse...

Tem quem goste de violência policial ? Só os idiotas que acreditam que não correm o risco de um dia serem vítimas de policiais mal preparados...

Os protestos contra o aumento da passagem em Porto Alegre foram muito corajosos e um exemplo de que talvez não dê para ficar eternamente nas manifestações pacíficas.

Aqui em BH existe um projeto de lei (que foi aprovado pela Comissão de Legislação e Justiça) que proíbe manifestações fora da Praça da Estação. O prefeite tenta há anos cercear manifestações e eventos populares.

Sofia L.B. disse...

Confissão do dia: quando eu era pequena, achava que a frase "direitos humanos para humanos direitos" queria dizer que se exigia que as pessoas tivessem acesso aos direitos humanos (tipo segurança, moradia, educação de qualidade, tratamento digno, etc) para que assim pudéssemos esperar ter uma população de "humanos direitos" (cidadãos conscientes, que cumprem as leis, pessoas capazes de respeitar, e blás). Me parecia estranho que alguém pudesse discordar disso.

____

Toda força pro Samuel Eggers. Eu ainda não encontrei "a minha" forma de lutar contra todo esse sistema, nem toda essa força...

Luciano Reis disse...

É importante, ao ponto de ser fatal, que pessoas que decidam lutar por uma causa usem primeiro a inteligência e a estratégia antes de qualquer ação. Não se deve "fazer a revolução PELO povo". Informação é crucial. Convém enviar o texto do Samuel a todos as mídias, inclusive rádio e tv. Existem interesses político-partidários em algumas dessas empresas que se deve usar em favor da divulgação de todos os fatos. E salve Maquiavel. Why not?

Caos disse...

Mordred Paganini, gostei muito do texto que você indicou!!

Job disse...

Lola, lembrei na hora dessa matéria, da própria Zero Hora:

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2013/05/decisao-de-soltar-principais-reus-no-caso-da-boate-kiss-transforma-dor-em-revolta-4155604.html

Quer dizer que clamor popular pacífico não é clamor? Hummm...

Agora o que está ocorrendo em Porto Alegre é muito sério, não são só as árvores, é a privatização e negação do espaço público, do local de encontro. É um entendimento de cidade que desconsidera o coletivo que não seja para o consumo. Eu mesma, que já estendi minha canga na grama do auditório Araújo Vianna pra olhar o céu e namorar meu bem, não posso mais fazer isso, pois esse espaço que era público foi cedido para a iniciativa privada de forma no mínimo estranha. E também não devo reclamar esse espaço, sob a pena de ser chamada de vagabunda e arruaceira pelo "maior" comentarista político da RBS e seus papagaios do senso comum nas ruas. Só pra constar, uma das mordazes comentaristas do canal hoje é Senadora, e possivelmente candidata a governadora desse estado nas próximas eleições. Ainda assim, há quem acredite na "isenção" da notícia oferecida por esse veículo. Espero que acreditem em coelhinho da páscoa também, para manter a coerência.
O entendimento do que seja democracia está bastante deturpado, em outro canal da mesma emissora, a respeito das manifestações contra o aumento das passagens, ouvi de um representante da prefeitura algo tipo: "o cara foi eleito democraticamente, como é vocês vão se manifestar contra?"; É gente, democracia é só votar no cara, depois se der merda, engole a seco... engole algemado, engole humilhado, ou engole quieto e faz de conta que não é contigo, que é bem mais fácil do que pensar.
Abraço forte em quem luta!

Caroles disse...

:( Essa história toda é muito triste. Eu fui nos protestos contra o aumento de passagem e foi tão bonito, forte. Mas de fato os policiais sempre estavam por perto, ameaçando os manifestantes, mesmo os mais pacíficos, que estavam só andando e cantando e gritando pelos seus direitos.
Na verdade essa coisa de protesto pacífico é complicada justamente por isso. Só um lado é pacífico, o lado dos manifestantes. O outro lado é violento. O lado que já é mais forte, por ser armado e treinado. É pura covardia.
E o pior é que a maioria das pessoas achou esse protesto pelas árvores ridículo, que quem tava lá não tinha mais nada pra fazer mesmo. Poxa, esse protesto faz TODO o sentido, tem TUDO de errado em cortar essas árvores... As pessoas acham que vai melhorar o tráfego de carros e aliviar um pouco o trânsito caótico de POA, mas bah, é tão difícil entender que colocar MAIS espaço pra carro NÃO ADIANTA NADA? Isso sem contar as questões ambientais.
De luto por Porto Alegre.
Mas Lola, queremos te ver por aqui, hein!

Ao sabor das correntes. disse...

Eu também moro em Poa, Job e Samuel. Inclusive ontem estava compartilhando este mesmo desabafo do Samuel no face. O sentimento é exatamente este que descreve a Job, é muito mais que lutar por um transporte público justo, pela defesa das árvores, é lutar pelo direito de acesso à cidade, de usufruí-la, de ir e vir, de ter qualidade de vida nela.
E hoje pela manhã ouvi na Radio Ipanema que a estimativa é que cerca de 1000 (mil) árvores sejam cortadas ou tranplantadas (se a informação se confirma ou não, não sei, só repasso o que ouvi).
É triste, é revoltante, é abusivo.

Ao sabor das correntes. disse...

"Sociólogos e cientistas políticos ouvidos pelo Sul21 avaliaram que a intensidade dos protestos contra o aumento da passagem sinaliza uma revolta crescente contra políticas de restrição dos espaços públicos em Porto Alegre." Porque ainda há bom jornalismo em algum lugar: http://www.sul21.com.br/jornal/2013/04/e-indefensavel-cortar-arvores-para-ter-mais-veiculos-diz-presidente-do-iab-rs/#.UaiJheklNVU.facebook

Thomas disse...

Gostei do email que a moça mandou no final. Resume bem minha filosofia acerca de protestos.

Aprendam uma coisa: se você não está disposto a dar seu sangue e a derramar sangue por uma causa, seu protesto não vale nada e não vai servir pra nada além de uma nota de rodapé num jornal, isso caso a polícia tenha aparecido pra prender todo mundo.

Protestos pacíficos encorajam a covardia dos policiais, sinceramente não sei como tantos ativistas ainda não perceberam isso. Os policias vão te dar tapa na cara, te humilhar, te prender justamente porque vocês não têm coragem de pisar numa mosca. Nada empodera um covarde quanto a covardia de sua vítima.

Sou completamente a favor de protestos violentos. Queimar ônibus, invadir reitorias, fechar avenidas, sair na porrada com policiais. Ditaduras não acabam porque meia dúzia de ativistas marcaram uma reunião com os governantes pra trocar umas ideias.

Então, pessoal, se vocês não querem que o governo derrube algumas árvores mas ao mesmo tempo não estão dispostos a se arriscar num confronto com a polícia, peguem seu leite com pêra, entrem debaixo dos edredons de vocês e vão assistir à MTV, vão.

Mudança não é alcançada com paz. É alcançada com guerra. Não se esqueçam disso nunca.

Vitória disse...

Toda ideologia que propõe postura contrária à aceitar abusos do status quo vai provocar revolta em pessoas como Fábio Mingau e demais defensores da ordem, da moral e dos bons costumes. O patriarcado que ajudou a fomentar esse modelo de civilização aqui só foi bom para UM tipo de pessoa: o homem branco, rico, heterossexual e cristão. Todo o resto que se encontra fora desse padrão só leva cagada na cabeça. Mulheres brancas se fodem, homossexuais negros se fodem, índios politeístas se fodem, pobres heterossexuais se fodem, enquanto os machinhos da elite aproveitam as benesses historicamente garantidas, que seus antepassados tanto lutaram para ROUBAR de outras pessoas, povos e civilizações que estavam fora dos desígnios do Deus cristão.

CHEGA de cabeças baixas! CHEGA de "sim senhor! não senhor! de acordo senhor!". A juventude não está morta, os corações ainda batem e há muito sangue nas veias.

Cuidado, pq AMANHÃ VAI SER MAIOR!

Vitória disse...

E VIVA O MARX!

Vitória disse...

Fábio mingau, além de tudo vc tem problemas com interpretação de texto? Quando foi que alguém falou que cidadão negro e pobre é bandido? Quem diz isso são vcs direitóides, que saem fora quando um negro de roupas velhas chega perto. Para as pessoas da esquerda, o verdadeiro bandido usa terno e gravata e passeia em carrão.

Quanto aos números das "vítimas do comunismo" recomendo que pesquise quantas vítimas o colonialismo europeu fez, com a ajuda da igreja católica. Pesquisar o número de vítimas da inquisição tb ajuda (y). Tudo em nome desse modelo de civilização que vc considera ideal, mas que só cheira à merda.

Ao sabor das correntes. disse...

Estranho essa discussão, essa defesa contra o protesto pacífico e usando o exemplo dos protestos contra o aumento da passagem em poa. O que mais os manifestantes contra o aumento de passagem rebateram na época era de serem acusados pelos jornais estaduais de estarem sendo violentos. Disseram, na ocasião, que apenas parte dos manifestantes agiu contra o patrimônio público ou privado. Estranho também dizerem que o valor da passagem de poa caiu graças ao protesto nada pacífico, como disseram, porque me parece que o grande peso na decisão de cancelar o reajuste na passagem foi a ação cautelar dos vereadores Pedro Ruas e Fernanda Melchionna, do PSOL. Não nego a importância do protesto, não é isso, ao contrário. Mas acho que algumas informações tem chegado enviesadas.

Julia disse...

Da cartilha "contra prevenção do estupro" do post de ontem:

"Tente conversar para ver se há diálogo. Se houver, pergunte a ele sobre a possibilidade de
usar preservativo . Tenha uma sempre consigo. Diga que você tem hepatite e que tem medo da
AIDS, ou ainda que sofre do coração . Houveram casos em que os estupradores concordaram.
Dessa forma você evitará doenças e uma possível gravidez;"


Do texto que Mordred postou:

"A não violência afirma que é melhor ser estuprada do que tirar uma caneta do bolso e afundá-la na jugular do agressor (porque fazê-lo seria supostamente alimentar um ciclo de violência e fomentar futuras violações)."

Vitória disse...

Fábio mingau, deixe de ser paraplégico mental voluntário. O salário que a Marilena Chauí ganha é o mesmo que todos os professores de federais ganham em certo ponto da carreira. Ou vc é a favor que o professor faça trabalho voluntário? Vc é o típico mauricinho da elite. Reclama do que os professores universitários passaram a ganhar depois de MUITA LUTA, mas não questiona os salários dos playboys do judiciário, os maiores da carreira pública do país! Acha muito o salário de professor? Tente virar um então! (mas vc não tem capacidade né? Fala mal da Chauí, mas não possui 1/3 da inteligência dela)

Mordred Paganini disse...

Fábio Mingau tem um recalque com os estudantes de faculdade pública que nem precisa ser Freud pra explicar hein. Supera isso vai!

Mordred Paganini disse...

No judicário tem cargo de 15000 reais para quem tem só graduação...Só dizendo.
Marilena Chauí muito provavelmente não ganha tudo isso e é a maior especialista em Spinoza do Brasil e está entre as maiores do mundo.

Pessoalmente, não acho que ela ou qualquer um deveria ganhar mais do que um servente, por exemplo, só por ter estudado.

Entretanto, nosso sistema está baseado em uma pseudo-meritocracia, de forma que seria absurdo alguém com tanto prestígio ganhar tanto quanto um funcionário do TRE com apenas uma graduação.

Então você, Fábio, defensor deste sistema e desta suposta meritocracia, deveria ser o primeiro a defender o salário desta e de qualquer professor universitário. Afinal de contas, eles estudaram, eles trabalharam, etc etc etc + qualquer destas desculpas que as pessoas usam para defender a classe mérdia.

Moema L disse...

Eu não sei direito o que pensar, mas apesar de tudo e de toda injustiça que manifestantes pacíficos passam( e me incluo), não quero ser violenta.

Não quero agir como meu algoz, não quero ser selvagem como ele.

Talvez eu esteja errada, mas não consigo pensar que se eu for violenta vou chegar a algum lugar, ou conquistar a paz.

Isso não significa que se alguém pular no meu pescoço eu não vou tentar me defender, só não concordo com protestos violentos, em agir com violência.

Nem acho que mudanças só são conquistadas com guerras.

Acho difícil opinar sobre isso, pois sei que o outro lado não é nada pacifico, mas não gosto, quero e nem pretendo agir com brutalidade. (ser como eles)


Obs: Não confundam minha opinião com a do Fábio Mingau, eu não concordo com ele em NADA.

Mordred Paganini disse...

Ah, uma coisa: aqui no meu bairro faltava luz sempre. Daí os moradores se revoltaram e quebraram e queimaram o carro da companhia de energia elétrica. Parou de faltar luz por um bom tempo.

Daí voltou a faltar luz com muita frequência e fizeram isso de novo. Problema resolvido!

Isso teria acontecido se os moradores tivessem feito um protesto gentil dizendo "Ampla, por favor, não nos deixem sem luz?"

Mordred Paganini disse...

Moema: protestos "violentos" costumam ser violentos contra quem?

respondo: os tais protestos violentos costumam ser violentos contra objetos, tais como ônibus, prédios, monumentos, etc etc etc.

A coação da polícia, por outro lado, é violenta contra as pessoas.

Sabe o que você está dizendo, no fim das contas, por omissão? Que prédios, ônibus, carros, monumentos, são mais importantes do que pessoas...

Um tanto incoerente para quem luta por direitos humanos, não acha?

Moema L disse...

Mordred Paganini

Sério isso?
Eu entendo que "pedindo gentilmente" todo mundo se faz de surdo, mas acho tão ruim ter que agir dessa forma para ser ouvido.

Eu sei, acho que vivo no fantástico mundo de Bob... Mas gostaria de nunca precisar agir assim.

Moema L disse...

Não acho incoerente, acho que cada um tem sua forma de lutar, e isso não inviabiliza minhas boas ações nem minhas lutas.

Não acho que monumentos ou ônibus são mais importantes do que pessoas, só acho uma pena precisar resolver as coisas dessa forma.

Liana hc disse...

Interessante esse link que a Mordred colocou. Embora eu não concorde com tudo, não deixa de ser tema para uma boa reflexão. Continuo adepta da ideia de que o caminho para a paz não é a guerra.

"Constrangendo as mulheres à não violência, parece que as feministas pacifistas devem também restringir nossa definição de "valores e recursos" das mulheres; definem quais traços são essencialmente femininos confinando as mulheres em um papel falsamente identificado como natural, e deixando de fora aquelas que não se encaixam nele."

"As pessoas partidárias da não violência, que fazem uma limitada exceção com a autodefesa porque reconhecem até que ponto é errôneo dizer que as pessoas oprimidas não podem ou devem proteger a si mesmas, não têm estratégias viáveis para tratar com a violência sistêmica."

"Ou os pacifistas devem permanecer na defensiva, somente respondendo aos ataques individuais e submetendo a si mesmos à inevitabilidade de tais ataques até que a tática não violenta faça mudar de alguma forma..."

Luiz disse...

Bom, primeiramente você mente em seu post. Começa dizendo que foi tratado a pauladas mas não há marca de nenhuma delas em seu corpo. No mínimo levou uns puxões mais fortes de uma algema mas não dá para fazer exame de corpo delito. No meu conjunto de valores mentir descaradamente é sempre um desvio ético. Mas parece que esse não é bem seu caso, afinal você é um "progressista" e isso te dá algumas licença um certa licença para faltar com a verdade, pois afinal você é da turma do "outro mundo possível" e isso faz de você um iluminado.

Você foi foi enquadrado por desobediência porque certamente descumpriu uma decisão judicial e quando decisões judiciais não são cumpridas de forma espontânea pelo representado cabe ao estado fazer uso da força legítima que lhe é concedida pela constituição para fazer cumpri-la.

Hum, fiquei com a impressão de que a PM só fez o trabalho dela. Outra coisa, a PM só vai em um número infinitamente superior ao de pessoas a serem detidas justamente para desestimular qualquer tipo de resistência. Outra coisa, porque que negros e pobres entraram no enredo do seu texto?

Liana hc disse...

Como lidar com a violência sistêmica é pedra no sapato de muito ativista, creio eu. Por n motivos, a maioria das pessoas não se posiciona diante da violência pontual e imediata, nem da violência abrangente e difusa. O que uma população ignorante (no sentido amplo da palavra) faz diante de um discurso pelo pacifismo ou pela violência "justificada"?

Fico pensando nessas pessoas-ícones. Nos valores e expectativas da sociedade que eles condensam na sua figura idealizada, mas também no contexto social que precisa acontecer para que, de algum modo, eles tenham terreno suficiente e possam defender suas bandeiras pacifistas. Quantos outros ao longo da história também foram pacifistas, mas não chegaram muito longe porque o contexto social não era receptivo às ideias que professavam na época, nem dignas de nota foram? Quantos fatores influenciam uma população, um grupo a promover este ícone... manipulação por parte da mídia e das instituições, "síndrome do messias salvador", preguiça, medo, conveniência, falta de outros modelos de comportamento...

Luiz disse...

Modred,

Eu acho um absurdo a Marilena Chauí ganhar mais que um servente, que um padeiro, que um manobrista ou um garçom. Ao ver um bom servente trabalhando (só os bons) eu imediatamente reconheço a utilidade de seu trabalho. Já quando leio qualquer coisa que Marilena escreve (Já fiz este sacrifício) me convenço da completa inutilidade do que ela faz. Acho que ela é professora titular, portanto ela deve ganhar algo próximo a 15 mil sim. Isso é um claro sinal de que as coisas vão mal por aqui.

Outra coisa ter diploma não necessariamente significa atestado de competência e utilidade e a Marilena é a prova disto. Não não estou aqui criticando a filosofia, estou criticando os maus filósofos e suas idéias ruins, entendeu?

Veja neste link um garoto de 16 anos humilhando a "Marilena Chauí portuguesa". No vídeo está la para o minuto 4,51. Imperdível!

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/voces-tem-de-ver-este-video-em-que-um-jovem-de-16-anos-silencia-a-marilena-chaui-de-portugal/

Anônimo anonimato disse...

Para estas melancias (verdes por fora e vermelhos por dentro), qualquer atividade humana que envolve derrubar uma só árvore é crime. É a vanguarda do atraso. Se depender deles, o Brasil seria um mega latifúndio improdutivo, onde haveria só mato e nada de produção agrícola.

Para eles, a vida de uma coruja vale mais do que a vida humana. Basta ver que estes mesmos ambientalistas defendem crimes covardes como o aborto. Aliás, teve um debate em que uma feminazi abortista aplicou esta dicotomia imundo para defender o aborto, comparando um feto humano com uma vaca.

Vitória disse...

Sério mesmo que tem gente que cita a veja e que quer ser levado a sério??? Kkkkkkkkklkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Chauí incomoda pq só disse verdades sobre a classe mÉRdia, principalmente no quesito ignorância (e os playboyzinhos ficam putos pq sabem que se encaixam na descrição dela).

Ui, não pode falar mal da classe mÉRdia! É sacanagem com os filhinhos da mamãe. Desculpem.

vivian disse...

Mordred Paganini, que texto MARAVILHOSO é esse? Resume tudo o que eu penso sobre movimentações pacíficas!

Caralho, tô aqui chocada lendo.

É exatamente isso.
Mas vou te dizer, vai ser difícil que essa mentalidade seja absorvida pela maioria. Eu acho que é uma camada além de interpretação. Se o machismo que tá na cara de todo mundo já é difícil mostrar, que dirá argumentar que o pacifismo não é tudo nessa vida?

Eu penso a mesma coisa sobre o protesto do Femen. Pergunte as lojas Marisa se eles vão ter coragem de novo de fazer uma propaganda tão idiota daquelas. Doeu no bolso da marca, podia ter machucado alguém, com certeza o ataque do Femen farão eles pensar duas vezes.

O medo é uma ótima ferramenta, tem tanto sucesso que é utilizado contra todas nós com total efetividade.

Não adianta ter argumentos racionais com quem age com falta de caráter e está pouco se lixando para o que os outros pensam. Tem que ter contra ataque, e muito bem pode ser físico.

Maria Fernanda Lamim disse...

Hm, acredito em protestos populares, mas prefiro o modelo "ocupaçao" a ataques. Entendo que coisas pacificas "demais" nao mobilizam, mas tambem nao defendo violencia ou depredaçao...apenas se for pra reagir a violencia da policia.
Sou ativista desde adolescente, e vi ocupaçoes pacificas darem otimos resultados. Na

Maria Fernanda Lamim disse...

Nao deixa de ser uma forma de dizer "nao saio da minha posiçao". :)

Mordred Paganini disse...

Só pra esclarecer, do ponto de vista cognitivo e filogenético, faz mais sentido preservar a vida de vacas do que de embriões e fetos, sabe?

Vacas, ao contrário de fetos, são seres sencientes.

E não, eu não sou vegana ou vegetariana.
E também nunca fiz um aborto e espero de todo coração nunca precisar fazê-lo.

beijo pra você anônimo!

Mordred Paganini disse...

E achei lindo os mascus aí querendo difamar a Marilena Chauí (cujas posições políticas ou filosóficas eu estou longe de concordar plenamente) a partir de um suposto vídeo em que um moleque português aparentemente "destrói" alguém como a Marilena. E como se não bastasse a bizarrice da comparação, foi publicada na Veja...

Meus ovários doeram com essa hein!

Mas enfim, vocês gostando ou não, ela é uma das maiores especialistas em Spinoza do mundo. Apenas lidem.

Em outros países, ela teria ainda mais prestígio do que aqui, sabe?

Mas não, vocês vem criticar o salário dela, que é o mesmo que de um funcionário do TRE...Faz favor!

(sim, uma amiga minha tem dois parentes próximos no TRE de São Paulo e é isso que eles ganham)

Maria Fernanda Lamim disse...

Concordo totalmente com vc e acrescento: duvido que a Marilena ganhe isso tudo. Professor, mesmo que academico, nao ganha tanto assim no Brasil! :p

Mordred Paganini disse...

Geralmente o salário de um professor doutor é abaixo dos 8000. Claro que quem tem mais tempo de casa acaba ganhando mais, mas geralmente ganham a metade do salário de um funcionário do judiciário com graduação...

Professor Titular ganha mais, e recentemente receberam aumento, mas acho que foi só para quem dá aula em federal. A USP não é federal.

E sobre a questão manifestação pacífica X manifestação "truculenta", ainda existe uma terceira via, que embora jamais recorra a violência contra as pessoas, irrita muito as autoridades: http://pt.wikipedia.org/wiki/Provos

Os Provos eram bem criativos e aparentemente foi um dos poucos movimentos populares que venceu...Se você reparar nas ações deles, vocês vão perceber que tem tudo a ver com a Amsterdã de hoje.

Eu, pessoalmente, não veria problema em ações como atear fogo na sede do PSC, por exemplo, mas em um horário em que não houvesse ninguém. Enfim, não tenho sentimentos quanto a prédios, mas quanto a dignidade humana.

Acho que movimentos populares só dão certo quando as pessoas perdem a noção de sacralidade da propriedade privada. Procure no google por "revolta das barcas" e compare com a situação ocorrida recentemente, quando o preço da tarifa aumentou em 60%.

Clara disse...

Ao longo da história sempre houveram guerras e revoluções violentas. Se esse fosse um bom método, a sociedae já seria justa e democrática. Mas, o que ocorre é que sempre são necessárias novas guerras e violências, é o ciclo vicioso do poder trocando de mãos. O diálogo representa o novo, a evolução que tanto precisamos. Ser violento no final também é ser reacionário, pois só estará perpetuando o velho jogo do ganha-perde. A verdadeira revolução ao meu ver é justamente escapar desse jogo.

Sam disse...

O Luiz fez uma leitura bem DINÂMICA do texto, heim... tipo pulando as partes em que o Samuel disse CLARAMENTE que não sofreu grandes lesões devido à ação dos policiais.

Agora, eu achei daora esse trecho: "quando decisões judiciais não são cumpridas de forma espontânea pelo representado cabe ao estado fazer uso da força legítima..."

Legítima? Desde quando algemar participantes em protesto pacífico, desarmados, sem a menor condição de oferecer resistência a um batalhão de polícia é legítimo?! Existe uma súmula claríssima do STF a respeito do uso de algemas, que preconiza que estas só devem ser utilizadas quando o agente da infração/suspeito oferecer PERIGO para si ou outrem... Tá na cara que não foi o caso, né. Fora toda a humilhação absolutamente desnecessária. Esbanjaram abuso de autoridade, totalmente.

mihaelo disse...

NO TJ do DF tem desembargador ganhando 230 mil reais mensais!!!E ninguém reclama desses hipermarajás.Os executivos de grandes transnacionais ganham milhões de dólares mensais mais bônus por atingirem metas de vendas. Não é de admirar que o desemprego em alguns países da Europa tenha ultrapassado 20%.
Enquanto os professores do ensino básico que possuem nível superior ganham apenas 1500 reais brutos mensais por jornada de 40h semanais, uma minoria privilegiada de cães de guarda dos ricaços ganha milhões de reais mensais.

Mordred Paganini disse...

Ao longo da história sempre houveram guerras e revoluções violentas. Se esse fosse um bom método, a sociedae já seria justa e democrática. Mas, o que ocorre é que sempre são necessárias novas guerras e violências, é o ciclo vicioso do poder trocando de mãos. O diálogo representa o novo, a evolução que tanto precisamos. Ser violento no final também é ser reacionário, pois só estará perpetuando o velho jogo do ganha-perde. A verdadeira revolução ao meu ver é justamente escapar desse jogo.

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Se não fossem as inúmeras revoltas e revoluções, ainda estaríamos em um mundo teocrático e feudal. Então corta essa.

Anônimo disse...

Engraçado que no texto maravilhoso que a Mordred Paganini postou o autor convenientemente define gênero como um binário e não uma hierarquia. No novo "feminismo" (MR) versão 3.0 revisada pelo pós-modernismo pós-ciência pós história pós-feminismo pós-tudo, gênero é um binarismo horizontal cujo grande problema é limitar as pessoas dentro de seus espaços definidos. Portanto a solução é abrir as fronteiras dos gêneros binários e assim todo mundo terá direito à sua própria "identidade de gênero" recém-saída de fábrica prontinha para usar e remodelar à vontade, de acordo com o quanto você tiver para gastar em mantê-la e personalizá-la. Agora todos poderão brincar de interpretar qualquer papel de "gênero" imaginável e "os gêneros serão infinitos". Esqueça aquela ideia fora-de-moda que gênero é uma hierarquia vertical que sempre coloca o sexo masculino no topo e o sexo feminino na base. Gênero é uma questão de identidade, um assunto de personalidades individuais, não uma ferramenta patriarcal usada para manter os homens no poder e forçar as mulheres a se submeterem. A solução para a opressão não é abolir o sistema que funciona com base na dominação masculina e submissão feminina. Nada disso!

Toda a confusão gerada pela corrente de pensamento atual que define o gênero como um binário horizontal com efeitos paralelos para todos os sexos (ainda se pode falar em sexos ou já é tudo uma questão de "gênero" que obscurece os significados da política sexual colocados em descoberto há algumas décadas pelo feminismo?) ou que, de acordo com algumas interpretações, afeta mais negativamente aqueles que não se encaixam no papel que lhe foi prescrito (quem de fato se encaixa nesses papéis totalmente artificiais que precisam ser forçados e reforçados constantemente?) é um prato cheio para distorções absurdas da realidade, como: fêmeas oprimindo machos com base no "gênero" (oh, a terrível opressão sexual das fêmeas sobre os machos, buuh áaah); homens na base da hierarquia de gênero (mas não era um binário?), pois não são homens "típicos", não se conformam ao papel masculino; mulheres cheias de "privilégios" por se conformarem ao papel feminino (se submeterem ao domínio masculino). Qualquer semelhança com o "pensamento" mascu não é mera coincidência. O ataque ao “binarismo de gênero” é equivalente ao ataque ao “problema da violência”, assim, no geral, sem discernir como a violência é estruturada na sociedade, quem sistematicamente a perpetra e quem a sofre; quem detém o poder e usa de violência para manter o status quo; quem pode se dar ao luxo de não usar violência, pois existem outros para usar por você; e principalmente, sem discernir as diferenças fundamentais entre as implicações, as causas e as consequências da violência de mulheres contra homens e contra todo o sistema que as oprimem e a violência masculina em geral, que mantém esse mesmo sistema.

Anônimo disse...

Clara disse...
Ao longo da história sempre houveram guerras e revoluções violentas. Se esse fosse um bom método, a sociedae já seria justa e democrática. Mas, o que ocorre é que sempre são necessárias novas guerras e violências, é o ciclo vicioso do poder trocando de mãos. O diálogo representa o novo, a evolução que tanto precisamos. Ser violento no final também é ser reacionário, pois só estará perpetuando o velho jogo do ganha-perde. A verdadeira revolução ao meu ver é justamente escapar desse jogo.

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Já houve uma revolução violenta realizada pelas mulheres contra seus opressores e suas instituições? Que curioso, não fiquei sabendo dessa. Parece muito interessante, conte-me mais, por favor!

Mordred Paganini disse...

Anônimo 2 de junho de 2013 16:17

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Tentou denegrir o texto, mas acho que tudo se voltou contra você mesma (o).

O texto critica papéis de gênero engessados, esse binarismo que coloca sempre as mulheres do lado com menos poder, menos prestígio, etc.

Mas enfim, sua crítica me pareceu muito mais desonesta intelectualmente do que algo que eu deveria levar a sério.

Anônimo disse...

Mas Mordred Paganini, gênero não é um binário, é uma hierarquia. Binarismo traz a ideia de horizontalidade, de duas vertentes disponíveis para se trilhar, de dois pólos elétricos, de verdade na descrição da essência dos dois pólos. Além disso, tratar gênero como um binário reforça a antiga doutrina de "separado mas igual".

Gênero é uma hierarquia vertical, artificialmente construída para os homens dominarem e as mulheres se sujeitarem. Gênero não descreve corretamente os sexos, se baseia em estereótipos sexuais artificialmente construidos e exaustivamente falsificados de modo a manter a dominação masculina, a submissão feminina, e a dependência instituída das mulheres aos homens. Pois os dominadores precisam de suas subordinadas para existirem como tal. No sistema de gênero, para os machos terem certeza que são "Homens" (ou seja, que têm poder, que dominam), eles precisam garantir que as fêmeas sejam "Mulheres" (ou seja, elas devem se submeter a eles). Daí a necessidade de uma defesa fervorosa da "feminilidade" construída pelos homens e imposta às mulheres.

Quanto à doutrina de "separado mas igual", Simone de Beauvoir expõe sua falácia no primeiro volume de O Segundo Sexo:

Na realidade a relação dos dois sexos não é... como aquela de dois pólos elétricos, porque o homem representa o positivo e o neutro, como é indicado pelo uso comum de homem para designar seres humanos em geral; enquanto que a mulher representa somente o negativo, definida por critérios restritivos, sem reciprocidade.... “A fêmea é uma fêmea em virtude de certa falta de qualidades,” disse Aristóteles; “nós devemos considerar a natureza feminina como afligida por uma falha natural.” E São Tomás pelo que lhe diz respeito pronunciou que a mulher é “um homem imperfeito,” um ser todo “incidental” ...

Assim, a humanidade é masculina e o homem define a mulher não em si mesma, mas relativa a ele; ela não é considerada um ser autônomo.

Anônimo disse...

Mordred Paganini,
usar o termo denegrir (tornar negro, enegrecer, escurecer) com sentido negativo é uma expressão de racismo, ok?

Acho que o/a anônimo/a quis dizer que gênero não é simplesmente uma divisão com dois lados emparelhados, cujo problema é estarem engessados, mas que é uma opressão dos homens SOBRE as mulheres.. Puxando um paralelo com a opressão racial: não é verdadeiro afirmar que pessoas negras e pessoas brancas ocupam espaços equivalentes ou paralelos na sociedade ou que o único problema do racismo é o apartheid (a separação) das raças. O problema da opressão racial é que as pessoas brancas oprimem as pessoas de outras raças, e nessa hierarquia as pessoas negras ocupam a posição mais baixa. A opressão é institucionalizada, mas instituições são formadas por pessoas. E as pessoas brancas podem escolher não oprimir as pessoas de todas as demais raças, contanto que se disponham a se despojar de seus privilégios. As pessoas negras só têm a escolha de enfrentar a opressão.

Leandro disse...

"Eu, pessoalmente, não veria problema em ações como atear fogo na sede do PSC, por exemplo, mas em um horário em que não houvesse ninguém. Enfim, não tenho sentimentos quanto a prédios, mas quanto a dignidade humana."

- Depois a Lola e demais feministas em falar em "blogs" e "grupos" de "ódio". Mas olha aí, ó. A Mordred declarando ser a favor de depredação da propriedade alheia, ainda se auto-proclama "defensora da dignidade humana". Nao percebe em nenhum momento a sua contradição.

Sra, Mordred. Me diga uma coisa. Se alguém ateasse fogo na sua casa em um momento em que ninguém estivesse ocupando. Agora, me diga, Mordred, isso não seria um crime contra a DIGNIDADE HUMANA? Não seria um crime contra a sua propriedade? Não seria também um crime contra a sua dignidade? A mesma lei vale para a sede do PSC ou outros partidos que você é contra. Pois se é assim, eu sou um antipetista, sendo assim, teria eu o "direito" de invadir e depredar a sede do PT, sem ninguém ocupando? Invadir e/ou depredar imóveis de indivíduos ou de grupos ou associações (sejam estes grupos e/ou associações entidades, partidos ou movimentos) constitui um CRIME CONTRA A DIGNIDADE HUMANA que você diz defender.

Anônimo disse...

E pensar q na Turquia começou assim...
http://ativismodesofa.blogspot.com.br/2013/06/o-que-esta-acontecendo-em-istambul.html

Júlia disse...

Fizemos um protesto contra a violência policial e o corte das árvores na sexta-feira. E manifestantes estavam entregando flores aos policiais. sim, FLORES. Nem tomando no cu a hipongagem aprende.

E sinceramente? É uma pretensão muito grande da classe média se colocar como o grande libertador que está lutando pelo povo. Quem o Samuel pensa que é para se colocar ao lado de Gandhi, Emma Goldman e representante da população? Essa retórica coitadista e heróica só afasta a causa do povo lá da Restinga, que vai rir da tua se tua vier com mimimi de "renascimento" porque tomou um lambaço de porco.
Menos discurso de mártir e mais ação, por favor

Júlia disse...

E Lola, sinceramente, essa questão da Copa é muito mais séria do que algumas árvores cortadas e um texto mela cueca de um guri que foi acampar uma vez e tomou de um porco.

O título do teu post é centrado em uma questão individual. Porra, uma vila inteira foi destruida e desalojada por causa dessa Copa de merda.

ISSO AQUI, foi "batismo de fogo". Literalmente

http://www.sul21.com.br/jornal/2013/01/moradores-da-vila-liberdade-tentam-recomecar-a-vida-apos-incendio/

(se for buscar mais informações sobre a guerra que do governo Fortunati contra o próprio povo recomendo que busque nesse site)

Anônimo disse...

O anônimo do dia 02/06/2013 das 19:44 tem uma forma de pensar muito semelhante de Edward George Bulwer-Lytton e outros que tem presunção, desprezo por outras culturas, diferenças e civilizações como povos e culturas consideradas inferiores. E o que fizeram pessoas assim? Massacres, primeiros campos de concentração e extermínio delas. Tem um documentário da BBC de Londres bem interessante para quem tem quer mais conhecimento no assunto ou mesmo leitura dos livros de Edward George Bulwer-Lytton. O documentário é possível assistir pelo Youtube

http://www.youtube.com/watch?v=NtHmmxcHvh0

Anônimo disse...

Agora que já brincou de revolucionário contra esta sociedade capitalista e destruidora do meio ambiente pegue seu ipod e ligue pra papai vir te buscar de carro importado. Volte pro seu apartamento, ligue o ar condicionado, pegue seu notbook de 3 mil reais e conte pro seus amiguinhos o quando vc sofreu de ficar sentado algumas horas na delegacia.

Anônimo disse...

Concordo plenamente com a Júlia. Esses discursinhos de mártires, de como é lindo dar a outra face a tapas, é puro marketing pessoal. Política de umbigo em que a maior preocupação é construir uma imagem de ativista/revolucionário pra exibir por aí.


PS: Tava demorando pra aparecer algum mascu acusando alguém de feminazi por aqui. Tão previsíveis...

Anônimo disse...

Muito bom o vídeo que você compartilhou no primeiro comentário do post, Karina.

O problema da violência contra as mulheres e da violência sistemática e endêmica na sociedade precisa ser chamado pelo que realmente é: violência masculina.

Os próprios homens sofrem mais agressões e pressões sociais de outros homens. São homens que enviam outros homens para guerras para morrer e matar, principalmente mulheres e bebês. Homens agridem uns aos outros e todos os demais - mulheres, crianças, animais - para provar sua masculinidade e se sentirem mais orgulhosos, em nível micro e macro, o tempo todo.

Se ao ler isto o seu primeiro pensamento foi "como eu posso culpar as mulheres", você é um maldito misógino fanático intencionalmente em negação.

Pequenas histórias cotidianas disse...

Lola, não sei se você vai ver, mas o moço do gust post, Samuel Eggers foi assassinado em Caxias do Sul na madrugada de ontem pra hoje.Um carro com quatro ocupantes o abordou. Vários tiros foram disparados e um parece que o atingiu no rosto. As pessoas do carro gritavam: "Ele em que morrer". Nada foi roubado. Ninguém sabe do paradeiro dos integrantes do carro.

Ocupa Árvores disse...

Mataram um dos nossos.
A questão é: Está claro que não foi um assalto seguido de homicídio, pois não levaram suas coisas. Ele foi assassinado. Quatro tiros disparados de dentro de um carro.

Samuel Eggers( http://youtu.be/yxDAy2XPFFE?t=21s , http://pt.protopia.at/wiki/O_Despertar_e_o_Luto:_Em_memória_de_Samuel_Eggers ), assassinado em Caxias na madrugada deste dia 13, foi um exemplo de coerência. E coerência com os princípios de Liberdade e Amor continua sendo crime.
Participou do Ocupa Árvores (http://www.youtube.com/watch?v=3dHfO5eUYHo),
grupo que se apropriou da idéia da Defesa Pública da Alegria (http://www.youtube.com/watch?v=Ry3Kl6AIncw), movimento que esteve presente no suicídio-ritual do Tatuzilla (http://www.youtube.com/watch?v=cxPiduIOA00 ), vulgo mascote do desserviço chamado Copa do Mundo (http://www.youtube.com/watch?v=HmoLZBtqQ3c&list=PLE6B0CDAAF87CB999&index=61), e promoveu a Defesa Pública das Árvores (http://www.youtube.com/watch?v=BgCDcqliDQw), que ajudou a construir o que mais tarde veio a se tornar, junto ao Bloco de Lutas pelo Transporte Público(http://www.youtube.com/watch?v=yG9lFc8a61c), a faísca que acendeu o pavio das Revoltas das Catracas pelo Brasil todo.

Samuel escrevia vários textos muito contundentes (https://www.temposderebeldia.blogspot.de/ ), inclusive denunciando o Grupo Maiojama ( http://tempoderebeldia.blogspot.de/2013/06/notas-sobre-o-terror-do-estado-parte-1.html ). Samuel não usava máscaras nos protestos.
Imediatamente após o brutal assassinato, o Grupo RBS divulga uma reportagem tendenciosa (http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/rbs-noticias/videos/t/edicoes/v/psicologo-e-assassinado-em-caxias-do-sul-rs/2823670/ ), que ao tentar criminalizá-lo, força um fim do interesse do público pelo caso. Porquê esse interesse no fim das investigações?

Acusando-o falsamente de desacato (https://www.facebook.com/AdvogadosAtivistas?fref=ts), a RBS novamente segue a infeliz tendência ((https://www.facebook.com/photo.php?fbid=225270190964467&set=a.164308700393950.1073741828.164188247072662&type=1&theater ) de apoiar a agenda neo-liberal de criminalização dos movimentos sociais libertários. Agenda que tem por fim tornar qualquer tentativa de se usar o Poder 0, o Poder Popular, um crime capital.

Foi assassinado na mesma época que nossa Ditadura Midiática Velada começa a ser despida de suas falsidades para um grupo cada vez maior de pessoas. Os textos de Samuel atingiam um número grande de pessoas, e ele mesmo, na sua ação cotidiana, atingia um grande número de pessoas. Samuel era sereno. Samuel era coerente. E a coerência com os princípios de Liberdade e Amor é crime nos dias de hoje. Crime cuja pena, pelo visto, continua sendo a morte.