terça-feira, 21 de maio de 2013

GUEST POST: EU, AGRESSORA

Vou publicar dois guest posts que se contradizem um pouco entre si. Ambos estão relacionados à violência doméstica.

A.
Eu cresci ouvindo que todo mundo (pai, mãe, irmãos mais velhos) pode bater em criança porque é para o bem dela. Porque criança que não apanha não foi educada e não terá limites. Que bater é uma prova de amor. 
Cresci ouvindo sobre as "vantagens", aliás, a "necessidade", de bater em criança para educá-la. Só que nunca ouvi que bater em criança está relacionado com violência doméstica.
E tampouco ouvi que mulher pode bater em homem, ou em outra mulher. Mulher tem que ser fina. Mulher só pode bater em criança, e isso se for a mãe. E, claro, isso nem é bater, é educar.
Ouvi muito que em mulher não se bate nem com uma flor. Mas também ouço "um tapinha não dói", e a surrada frase do Nelson Rodrigues, "Não é toda mulher que gosta de apanhar, só as normais". E, mesmo que a frase não diga, desde criança eu sabia que, nesse ditado, estava implícito que quem bate (pra dar prazer pra mulher, claro) é o homem.
Acabar com a violência doméstica é deixar de bater em criança, mulher, homem, idoso, animal de estimação, o que for. Não há desculpa, não há exceção válida.
B.
Sou feminista, mas muito antes de me dar este rótulo, nunca aceitei nenhuma violência de nenhum tipo vinda de qualquer homem que fosse. 
Cresci ouvindo, como um valor social considerado do bem, que homem não pode bater em mulher e nem em criança porque é muito mais forte. Homem pode bater em homem. Mulher pode bater em mulher. Mulher pode bater em criança. Mulher pode bater em homem.
É a primeira vez que paro pra rever estes conceitos que agora me parecem tão estúpidos, mas ecoam na minha maneira de me relacionar de uma forma assutadora e que eu não queria. Cada vez mais percebo o quanto qualquer tipo de violência é inaceitável e desnecessário, e o tanto que eu tenho que me vigiar para não ser violenta em nenhuma instância, com ninguém.
Exercício difícil. Eu fui uma mulher daquelas que se chamam de barraqueira, mas num sentido ruim isso é apenas uma pessoa agressiva. Quando alguma coisa me irrita muito sinto uma raiva indescritível que me faz ser violenta verbalmente e muitas vezes fisicamente.
Meu companheiro aceita isso porque sou barraqueira. Ele não sente que sofre violência doméstica porque isso é coisa de homem frouxo. E porque eu sempre tenho uma desculpa: estou cansada, preocupada, você me provoca, etc.
Isso não acontece com frequência, mas a última vez me vi batendo no ombro dele com muita raiva e o xingando com muito palavrão, e depois me justificando que ele recebeu estes tabefes porque insistiu num assunto que estava me irritando.
Mas quando minha amiga apareceu na minha casa machucada porque a companheira dela a agrediu, eu disse a ela: não importa o que você fez, não existe justificativa pra uma pessoa invadir o corpo da outra dessa forma.
E que medida foi essa que me impediu de ver que era exatamente isso que eu fazia, sem que me doesse nenhuma parte da minha consciência? O que me faz pensar que no meu relacionamento esta mesma atitude merecia outro nome? Agora sim me vejo como agressora, e digo que na minha casa temos uma história de violência doméstica. Mesmo que o machismo permita que esta violência seja cometida e que autorize a ser uma pessoa violenta por baixo de um título de mulher barraqueira. Que eu saiba contar até dez e me livrar desse comportamento repulsivo porque a luta agora é interna, companheira! 

69 comentários:

Thomas disse...

Mais posts como esse, por favor.

Anônimo disse...

Por mai que uma mulheres se revolte e cometa algum tipo de agressão contra o gênero masculino, ele não se torna parte do sistema opressor, ela apenas esta reagindo institivamente diante das correntes do patriarcado, violência não e so fisica, ele e também moral e psicológica, e o sistema patriarcal e extremamente violento com as mulheres desde sempre.
Reagir a ele e sempre legitimo.
Paula Lima.

Patty Kirsche disse...

Eu sou contra bater em criança, pq a ideia é a mesma de bater em mulher. Houve um tempo em que o marido bater na mulher era legal, era pra educá-la. Existe uma visão da criança como propriedade dos pais, do mesmo jeito que a mulher é vista como propriedade do marido.

Quanto a ser agressiva, muitas vezes eu reajo agressivamente. É muita violência de gênero, são raros os dias em que posso dizer: "Ufa, hoje não sofri nenhuma discriminação". E eu não aguento calada, pq já fiquei muito calada. Passei a infância e a adolescência inteiras sofrendo bullying machista e classista na escola. Hoje não vou me calar. Chamo as pessoas de machistas na cara. Só não as chamo de misóginas porque não entenderiam o que significa.

vivi disse...

Sim, concordo que mulher bater em homem e criança é violência doméstica.Sou contra.
Mas nao é violência de gênero nem assume a mesma carga opressora.
Homem bater em mulher/ mulher bater em homem são coisas qualitativamente distintas. O primeiro está baseado no patriarcado, o homem é o detentor do poder da sociedade. O segundo é uma mulher individualmente raivosa, desequilibrada, ou injusta, mas de todo caso, se o homem quiser reagir ele tem toda a sociedade que o encoraja, porque o homem é o mais forte.

Gostei do post, mas acharia interessante umas notinhas sobres as falsas simetrias. Pois tem gente que não pondera isso e iguala coisas que não se igualam quando a sociedade é desigual.
(daí que surgem comentários que branco tb sofre racismo, por. ex.)

bj

Anônimo disse...

Violência gera violência.
Nenhum tipo de agressão é justificável.

Ana Carolina disse...

Paula das 11:16: discordo completamente e diametralmente. Já falei em outro post de alguns desejos meus de vingança (mas desejos, nunca levados à prática), mas a prática da violência não é justificável nunca. Não fora de uma legítima defesa óbvia, o que não é o caso.
Meu feminismo não luta por revanchismo e nem pela inversão do papel de opressor, luta pelo fim da opressão - e, nesse sentido, toda violência deve, sim, ser desencorajada e punida.

Luciana disse...

Lola
É a primeira vez que comento um post. Sempre leio e sempre penso em responder, mas acabo deixando por achar que não tenho nada a acrescentar que não tenha sido dito. Nunca imaginei que seria um post como esse, sobre a pessoa violenta ser você que me faria escrever. Acabei de ler o guest post B chorando. Me vi ali. Nunca na minha vida tinha me visto como uma pessoa violenta, mas sou. Não chego a bater, mas agrido com palavras. Meu marido já tentou me mostrar isso milhares de vezes e eu nunca entendi, nunca enxerguei. Pensando friamente agora, se ele me tratasse como eu o trato às vezes,eu já teria ido embora.Tô um pouco em choque ainda, mas quero e vou mudar. Obrigada por me ajudar a ver isso. Luciana

elen disse...

paula lima

depois negam o vitimismo,o marido ou namorado dela,sei lá,n a agredia para vc dizer q ela esta reagindo.

ja sei q vão duvidar,mas eu sou mulher mas n gosto de ficar dando essa desculpa esfarrapada de que tudo q eu ou outras mulheres fazem, no fundo é culpa do machismo e do patriarcado.
li aqui,algumas mulheres dizendo q se uma mulher fica com um homem por dinheiro,a vítima é ela,a culpa é claro do patriarcado.
para isso a mulher tem ter sangue frio, ser calculista,manipuladora e bem falsa,mas n tem nada a ver com o caratér dela,q isso! de jeito nenhum.

existem pessoas violentas,seja homem ou mulher.

june_miller disse...

O que ela quer? Que dermos tapinhas nas costas dela e a parabenize porque ela reconheceu ser uma agressora estúpida? E que APENAS reconheceu,o que não significa que ela vá fazer alguma coisa quanto a isso, o esforço de contar até dez não é lá muito esforço. Que ela tem uma ego tão pequeno que necessita de xingar e bater quando alguém ousa ter um opinião diferente da sua? E que ela usava o feminismo para justificar sua estupidez e ignorância? (foi isso que entendi nesse texto mal-redigido). Sim, mulheres desse tipo são as que dão má nome ao feminismo, sei que o ser humano tem falhas, mas me RECUSO a vê-las como feministas. O mínimo que ela podia fazer era terminar esse relacionamento, porque a história dele já está podre, mesmo que ela mude, não vejo lá muito futuro. Você pode aconselhar essas mulheres em particular Lola. E pode escrever um texto sobre agressões de mulheres contra homens, crianças, animais, o por quê, como evitar, etc. Por que ela aceitou que publicasse esse texto? É um texto pequeno e mal escrito. O que ela está a procura aqui? Simpatia? Ajudar seu ego para que o texto "ajude" mulheres a não bater em seus namorados/maridos? Por que não fazer sequer uma observação sobre esse assunto delicado? É difícil ver aqui textos que reconhece que mulheres tem falhas e não vejo sequer uma observação sobre esse assunto.

Anônimo disse...

me identifiquei.

Julia disse...

Concordo plenamente com a Vivi. Não existe essa simetria, o eventual caso em que a mulher agride o marido não iguala as coisas. Acho um pouco perigoso os posts que fazem parecer o contrário.

Anônimo disse...

A violência pode não ser física no lar, trabalho ou local de estudos entre pessoas e seres(animais domésticos) e sim psicológica. Eu quando leio o comentário da leitora penso nos meus tempos de infância e adolescência, meu pai me agrediu fisicamente poucas vezes. A agressão dele era psicológica e acarretou danos que eu até hoje procuro esquecer, fazer uma forma de experiência positiva. Não eram cintadas, beliscões, tapas e sim humilhações na frente de parentes e amigos, minimizava ou ridicularizava qualquer atividade estudantil ou esportiva minha, desprezava ou tratava com desdém desenhos ou artesanatos que levava da escola, dizia que aquilo era lixo enquanto meus irmãos eram tratados de forma diferente. Precisei de muito tempo para rever coisas, pois devido esta falta de educação me isolei, tive baixa auto estima. Quanto a minha mãe? Assistia a tudo de forma passiva e nada fazia para mudar o quadro.

Leio Lola Leio disse...

O ato de bater nos filhos ou irmãos ser considerado violência doméstica é bastante novo para mim. Um amigo que se tornou pai recentemente que me chamou a atenção para isso, ele é totalmente contra qualquer palmada em criança.
Não sou mãe, mas cuidei de irmãos e primos e eu batia neles eventualmente, umas palmadas. Lembro que meu irmão nasceu prematuro, quando era criança, eu devia ter uns 10, 11 anos e bati nele. Minha mãe ficou uma fera, disse que me bateria se eu encostasse nele de novo. Lembro que não entendi a reação dela, pois ela me batia e batia bastante no meu irmão mais velho. Aliás, ela batia muito no meu pai. Ele era alcoólatra, bateu nela uma vez, o irmão dela bateu nele e disse que mataria meu pai se ele batesse na minha mãe de novo. Desde então, minha mãe batia muito no meu pai, especialmente quando ele chegava bêbado em casa, ela chegava a quebrar móveis e tirar sangue dele. Também batia muito no meu irmão, alegando que ele era muito arteiro. Batia em mim, mas bem menos que neles, por eu ser "mulher e mais fraca" e também porque eu nutria um temor muito grande por ela e tentava agradá-la e evitar surras. Eu e meu irmão mais velho batíamos muito um no outro... Enfim, foi um tremendo círculo de violência que vivenciei. Até hoje perco a linha e sou bastante agressiva verbalmente. Fisicamente pouco, sou franzina e mesmo antes de perceber que exercer essa violência é muito nocivo, eu nunca fui muito valente para bater em alguém, fiz isso poucas vezes na vida.
Mas, relatei vivências minhas porque imagino que a violência é elemento naturalizado na vida privada de muitas famílias. Não quero reproduzir esse ciclo de violência com meu companheiro nem com ninguém, não é fácil evitá-lo, quando eu vejo, já estou com várias ofensas na ponta da língua, mas tenho me esforçado para não praticar a violência verbal e nem penso em agredir fisicamente alguém, mas não tenho convivido com crianças e lembro que quando eu era mais nova e convivia com crianças, pensava em recorrer à palmada para "botar ordem no recinto". Parece que chega um determinado momento em que os recursos racionais se esgotam e não a nada a fazer que não seja agredir fisicamente ou verbalmente. Quando meus recursos se esgotam eu procuro me afastar da pessoa, ficar sozinha e tentar "esfriar a cabeça". Quando alguém se altera perto de mim (algum familiar, por exemplo) eu também procuro me afastar.
Não sei como isso funciona na cabeça da minha mãe e do meu irmão mais velho. Meu pai já é falecido e eles até hoje parecem pagar para entrar numa briga, já eu pago para não entrar. Meu irmão pratica artes marciais desde os 4 anos de idade e ele vive ostentando a própria força, brigando no trânsito, quebrando objetos numa discussão (o que para mim significa que ele quer mostrar para o adversário que pode quebrá-lo também, se quiser fazê-lo) coisas assim.

lola aronovich disse...

Pessoas queridas, concordo que comparar violência doméstica perpetrada por homens com violência doméstica perpetrada por mulheres é uma falsa simetria. As causas e, inclusive, os resultados dessa violência são muito diferentes. É raro mulher matar homem, mulher deixar homem paraplégico (atenção: poupem-me os links. Não disse que isso não acontece, só disse que é raro, e que definitivamente não acontece com a mesma frequência da violência de homens contra mulheres).
Mas isso não quer dizer que mulheres não podem ser violentas, e que devemos fingir que esse assunto não exista. É só ver que existe bastante violência doméstica em relacionamentos entre lésbicas. A primeira vez que ouvi isso, fiquei espantada, nem imaginava que acontecia.
E muitas vezes a violência não é física, mas verbal e psicológica. Fiquei muito feliz em ver o comentário da Luciana, que parou pra refletir e disse que, se o parceiro dela fizesse com ela o que ela faz com ele, ela já teria ido embora. A gente precisa sempre refletir, fazer auto-crítica, se livrar dos nossos preconceitos.
Aqui neste post são dois guest posts, bastante contraditórios entre si. São reflexões e experiências das pessoas que os escreveram. Não significa que todas as mulheres batem nos parceiros, ou que exista uma simetria entre a violência cometida por homens e por mulheres.

Anônimo disse...

Violênvia de mulheres para com homens, não deixa de ser violência, mas e menos violência devido ao patriarcado ?
Tendi ! :/
Esse tal patriracado pode ser bem útil sob certos aspectos não ?!

Bia que lê Lola disse...

Apresentei um trabalho a pouco tempo sobre violência doméstica e abordei todos os aspectos, mas o foco eram as crianças e mulheres que realmente são as maiores vítimas.

Não gosto de violência, de nenhum tipo, nenhuma forma. Não sou violenta, mas se um dia o fizer/ser, espero ver e reconhecer na hora para me redimir e mudar o quanto antes.

Sofia L.B. disse...

A B. já deu um passo importante, mas ainda tem muitos outros pra dar. Gostaria que ela considerasse procurar ajuda profissional, talvez um daqueles grupos de controle da raiva.

Ela acaba levantando a questão do que devemos (enquanto sociedade) fazer com quem comete uma violência, como recuperar, como voltar a confiar.
________

Acho que esse post tb trata de uma questão importante: o machismo é uma questão cultural. Podem até (e como fizeram e fazem!) escrever tratados defendendo ele como organização social válida de forma consciente, mas o que temos no nosso senso comum não é assim. É possível de ângulos diferentes, embora não tendam a ser a regra. Me parece que a interpretação da B. (ainda que não consciente) foi que homem seria alguém tão superior à mulher, mas tão superior (e, assim, a mulher tão inferior diante de um homem) que nada do que ela faça merece ser levado a sério. Pode xingar, pode bater, vc é incapaz de produzir dano. Se fosse um conto, seria engraçado. Sendo real, não é. Mesmo. E a solução para isso também passa pelo feminismo: se o homem não fosse considerado tão superior à mulher (se a mulher fosse empoderada e o homem visto não como dominador mas como pessoa, inclusive possuindo características humanas como a possibilidade de estar em uma situação de fragilidade, de precisar de ajuda, etc) seria muito mais fácil enxergar uma violência de uma mulher contra um homem como um assunto sério.

Me lembrou uma frase do Mandela que diz que não é apenas o oprimido que está preso, o opressor também.

bjos

Anônimo disse...

"Cresci ouvindo, como um valor social considerado do bem, que homem não pode bater em mulher e nem em criança porque é muito mais forte. Homem pode bater em homem. Mulher pode bater em mulher. Mulher pode bater em criança. Mulher pode bater em homem. "

Isso é algo que nunca entendi, essa "regra"esquisita que dita que os iguais (ou pelo menos semelhantes) podem se bater. Não. Violência é ruim de qualquer maneira, seja de onde for. Se aceitarmos que uma mulher possa bater em um homem, teremos que aceitar o contrário. Afinal, ninguém tem culpa por ser mais forte, não é mesmo?

Veronica disse...

Eu apanhei muito,creci vendo meu pai surrar a minha mãe e hj sou incapaz de bater em alguém, seja filho ou marido. É tão podre e imbecil justificar com "sou assim pq cresci assim" ecaaaaaaa

Alguém tem q quebrar a "corrente do mal"

Anônimo disse...

O relato da B. me atingiu fundo. Sou agressiva, tenho problemas para controlar a raiva, já admiti para mim mesma que estou muito errada mas ainda não alcancei o controle da agressividade.

Anônimo disse...

concordo com a veronica as pessoas adoram por a culpa de suas falhas nos outros,adoram um coitadismo.
colocar a culpa principalmente nos pais,"sou assim pq meus pais faziam isso,diziam aquilo".

pô!ninguém consegue pensar por contra própria? só pq disseram a autora que bater em crianças n tem problema ,ela aceita ?
meus pais são muito machistas,nem por isso achei a coisa mais normal do mundo,eu ter que fazer tudo em casa,enquanto meus irmãos ficavam pela rua.
meu pai adora debochar de gays,já eu nunca vi nada de errado.

sempre achei hipocrisia a pessoa reclamar de violência no mundo e ao mesmo tempo bater nos filhos,quando falo isso para alguém a pessoa fica puta,acham que n tem a ver,um tapinha n é agressão, mas eles mesmos,n iam gostar de levar um tapinha na cara.

e a outra q bate no namorado,ela tem problemas,ela é agressiva,n esta reagindo a nada,,a vítima é o namorado.

Henrique Freitas disse...

Na época da escola, os alunos mais brigões e violentos eram justamente os que mais apanhavam em casa. A criança que é educada só na base da "pêia", tomando chinelada e tapa, aprende que a violência serve pra resolver tudo e é algo até normal.

Nesse segundo caso, acho absurdo. Sou contra a violência de qualquer modo, seja de homem contra mulher ou mulher contra homem. Eu e minha namorada nunca tivemos nenhuma briga física, mesmo que a gente discutisse, era tudo resolvido na conversa.

Mas já vi alguns casos, em locais públicos, em que a mulher dá tapa na cara do homem e ainda provoca dizendo que ele não é homem pra bater nela. Aí o cara tem que ter um bom auto-controle pra não reagir.

Se você quer respeito, tem que respeitar.

vivi disse...

Querida LOla, eu entendi que era guest post. Concordo que não devemos omitir outros tipos de violência da sociedade. Mas ressaltei o cuidado com a falsa simetria pois, apesar de sabermos disso, como o seu blog é muito famoso e lido por muitas jovens e pessoas que estão tendo o primeiro contato com o feminismo, achei legal esta ponderação.
No guest post a pessoa mesmo, descreve
"E que medida foi essa que me impediu de ver que era exatamente isso que eu fazia, sem que me doesse nenhuma parte da minha consciência? "
Aqui, se não ponderarmos bem pode cair numa falsa simetria.Porque o que a autora fez não foi bem "exatamente isso" foi uma violência doméstica, só que de outra natureza, e isso, longe de menos importante é essencial para compreensão a meu ver, pois a violência dela para o homem não está respaldada pelo patriarcado da sociedade. E isso não aparece no guest post.
Eu sei muito bem que não é a sua opinião pois acompanho o blog, só para não esquecermos disso, ainda mais, diante de tantas leitoras que você têm.
bjo

Anônimo disse...

Pues eu acho ben foda "excursar" a violência das mulheres contra homens como se nao tivesse parâmetros com a violência de homens contra mulheres. Violência É violência. Seja física seja psicológica.
A minha cunhada é ultra ciumenta. Já chegou a bater no meu irmão e a gritar com ele humilhando em publico. Ameaça sempre se separar e proibir-lhe de ver os próprios filhos e naaaaaaoooo isso é uma "violência justificável" porque ela é mulher, mais fraca, patriarcado e demais idiotices. Tenho 8 tios, 5 deles se casaram com mulheres dominadoras que viviam chantageando, os meus tios cuidavam dos filhos, nao podiam sair de casa, limpavam, cozinhavam, passavam. Essas 5 tias acabaram traindo os meus tios e ainda chantageando, e 3 delas também batiam nos meus tios.
Pelo amor de deus, pra puta que pariu o feminismo que diz que isso nao é igual a um homem chantagear e bater numa mulher.

Sara disse...

É tanta violência contra a mulher q se vê diariamente no mundo inteiro, cenas tão chocantes do q os homens fazem com as mulheres, que muitas vezes me pego vibrando cada vez q escuto falar de alguma mulher q tenha conseguido revidar a agressão de um homem, me tornei insensível nesse aspecto, e nem vou descrever aqui tudo o q eu gostaria q acontecesse com homens q são violentos com mulheres e crianças.
Espero nunca me ver confrontada com uma situação assim, pois se tiver alguma chance de reação, esse homem vai ficar muito pior do q carne moída.

Anônimo disse...

" concordo com a veronica as pessoas adoram por a culpa de suas falhas nos outros,adoram um coitadismo.
colocar a culpa principalmente nos pais,"sou assim pq meus pais faziam isso,diziam aquilo".

pô!ninguém consegue pensar por contra própria?"

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Não, não conseguem... É por isso que o combate á violência doméstica passa pelo combate ao machismo. Que o combate a violência sexual passa pelo fim da cultura do estupro.

Culpando só o individuo, ele pode ser preso, mas a sociedade produzirá mais 100 iguais. Somos produto do meio.
Claro que dá para mudar, mas a maioria das pessoas não sabe que suas "verdades" são resultado do contexto histórico e social em que vivem.

Anônimo disse...

Bater nos filhos deveria ser proibido(na prática, não só em lei). Punição física, se imposta de forma justa, firme e disciplinada é eficiente. Por outro lado, esse ato requer por parte dos pais uma extrema disciplina, uma vez que o objetivo é educar provendo estímulos negativos a coisas erradas e não ferir. O que ocorre é que a maioria dos pais partidários de punição física não tem disciplina para isso, e muitas vezes descontam suas próprias frustrações nos filhos. Se por um lado já vi uma mãe bater em um filho de cinta porque estava de "TPM", por outro lado já fui educada com punição física por meu pai. Porém ele não feria: Ele tinha uma pantufa com solado de borracha, ele dava uma pantufada na palma da minha mão e pronto, só tinha o estalido da hora, ficava dolorida por uns dez segundos, vermelha por um minuto e só. Ele também por gostar muito de água tônica, e portanto ter sempre em casa, às vezes me fazia beber um golinho de água tônica ou pingava uma gota de molho de pimenta na minha boca.
Meu pai foi exceção das exceções e o comum infelizmente é fazerem como no caso da mulher que batia no filho para aliviar tpm, e até mesmo da minha mãe que depois do divórcio me batia de vara porque estava "perdida e sozinha" como ela mesma dizia.

Anônimo disse...

Infelizmente, a maioria dos pais não sabem educar e acham que punição física existe para descontar as próprias frustrações. Meu pai costumava me punir fisicamente, nada demais, só coisa como me dar uma chinelada, me levar pra mesa e me fazer escrever cem vezes que não iria repetir o que eu fiz. Na época isso inclusive me ajudava a estudar, uma vez que se eu não conseguisse me concentrar, bastava ele ficar de marcação. Infelizmente com o divórcio eu fiquei com minha mãe que não fazia isso.

Atualmente namoro uma dominadora bdsm. Ela nem é tão sádica, mas já combinamos dela me curar do TDAH na base do chicote. Tenho tido bons resultados, é mais eficiente que ritalina.

Definitivamente, deveria haver curso para ser pai.

Veronica disse...

Foi simples não ser um produto do meio onde fui criada (machismo, alcoolismo, violência), foi só escolher não causar a outros as dores pelas quais passei.

Eu escolhi não ser como as pessoas que tanto me machucaram.

Que raios pensa quem se torna exatamente como o seu algoz?

As vezes penso que o ser humano é mais doente (mentalmente) do que parece.

Me espanta mulheres felizes pq algumas batem na cara de homens.

Não era para existir respeito mútuo?

Um tapa é um tapa, uma agressão, uma tentativa de diminuir , dominar, controlar alguém, NINGUÈM deveria estapear ninguém.

Thaís B disse...

Concordo que não dá para equiparar a violência do homem com a mulher e da mulher com o homem, mas não quer dizer que o 2º caso dá para ser ignorado. Sei muito bem que muito mais mulheres apanham dos maridos/namorados do que o vice versa mas isso não é justificativa para a mulher poder espancar o marido, a não ser se for em legítima defesa. E quem garante que o marido mereceu apanhar? Só porque nosso país é baseado no patriarcado? Por mulher ser oprimida ela tem o direito de virar opressora? Tanto homem quanto mulher "barraqueirx" ou violentx tem que tentar mudar, bater não resolve nada.
Vejo como bater não resolve nada na educação que os pais de hoje dão à seus filhos. Vejo um monte de pais que se a criança está fazendo algo errado ou não fazendo o que devia (como lição ou estudar) eles gritam e batem nelas, e fica nisso. E FICA NISSO. Ao invés de falar cara a cara com a criança: "filhx isso não se faz, o certo é de tal jeito e se você não obedecer vai ficar sem algum brinquedo/pc/video game" com voz de autoridade, eles simplesmente gritam do mesmo nível que elas (como criancinhas), ficam batendo nelas e ainda xingam "seu moleque mal educado" como se fosse muuuuuito educativo e mostrasse o certo à criança. Isso quando eles não se dão por vencidos e fazem as vontades da criança, que ao meu ver é tão prejudicial quanto. O que (ao meu ver) falta nos pais de hoje é saber se impor da maneira certa e estabelecer um vinculo melhor com o filho, basta ver programas como SuperNanny.

Anônimo disse...

Eu já bati várias vezes no meu marido, q é um armário. Bater naquele sentido dele falar uma merda e tomar um tapão no braço, coisa assim. Beliscões também. Ele nunca devolveu a "gentileza", até porque se fizer isso me desmonta inteirinha, tenho 1,55 de altura, magrela, de vez em quando me pedem o RG.

Hoje eu perguntei pra ele se o que eu faço pode ser considerado como violência doméstica. Ele riu e falou que na próxima, vai pedir a lei Maria da Penha. Aí eu perguntei de novo, ele disse que não, que posso ficar tranquila. Estou, mas vou começar a prestar mais atenção nisso. Até porque se um dia ele mudar de ideia, vou parar no hospital.

Anônimo disse...

Parabéns, Veronica, vc é uma pessoa superior.
Satisfeita?

Panthro disse...

Eu entendo, porque eu escalo muito rápido. Quando me irrito, o negócio sobe rápido e quando eu vejo estou disposto e matar ou morrer por uma bobagem. É uma luta diária se controlar, mas se você quer fazer do mundo um lugar sem violência, tem que começar por você mesmo.

Ingrid F disse...

Eu tinha muitos surtos de raiva e agressividade, ao ponto de sentir necessidade de bater em alguem (mesmo que fosse em mim mesma)e que só socar o travesseiro nao resolveria. Cheguei ao ponto de dar apertões, cravar a unha no meu namorado. Eu só consegui controlar a agressividade com terapia e acompanhamento médico. Ficar agressiva a esse ponto não é normal, gritar com as pessoas não é normal.

vivi disse...

Thaís B.
Ninguém tem o direito de bater em ninguém.
Mas nunca a mulher que bate no homem vai ter o mesmo significado, é disso que se trata a falsa simetria.

"Por mulher ser oprimida ela tem o direito de virar opressora?"

Não, mas veja Lola como é importante ressaltar a falsa simetria nesta frase.A mulher que bate no homem é "individualmente" opressora, sem respaldo de ser assim pela sociedade. O homem que bate na mulher é opressor porque tem o patriarcalismo que permite tal perpetuação, e isso tem consequências distintas para as duas vítimas.
bjo

Huan Icaro Piran disse...

@Anônimo 15:00

Peço que dê uma pesquisada nas mais recentes pesquisas sobre seriall killers. Vai descobrir que o "coitadismo" não existe ali...eles acabaram se tornando incapazes de compreender tal sentimento.

@Sara

Acho que a questão central do texto (neste caso, dentro do recorte proposto pela autora) não seja de homens que praticam violência (mesmo que nós praticamos, pois há tantas que estão no cotidiano que mesmo o maior apoiador do feminismo pode pecar em dados momentos) e sim a violência praticada por mulheres (mesmo feministas) contra companheir@s por conta da cultura machista em que foram criadas.

@Henrique Freitas

Quando dei estagio, tinha um garoto que batia em todo mundo na escola, era um terror. Ele tinha sido abandonado pelos pais e a semanas estava vivendo de esmola na casa dele, cuidando do irmão mais novo. Fiquei pasmo com o fato daquilo passar desapercebido pelo resto do grupo de professores sendo que eu fiquei lá menos de um mês já no fim do ano...

@Sofia L.B.

Bem lembrada a frase do Mandela. Por conta de pensamentos como o dele e o do ultimo líder do regime Aparthaide que a Africa do Sul conseguiu evitar um banho de revanchismos pós regime...um temor que muita gente tinha na época.

Anônimo disse...

Quando eu era feminista e uma amiga minha me chamava a atenção dizendo que cuidado, nao fosse injusta, tem muita mulher batendo em homem e se nao tem forca suficiente, chantageando e fazendo violência emocional e psicológica eu nao acreditava.

Ate que "vivi" na pele esse tipo de violência de mulher contra homem (dando tapa, beliscões, mordidas, insultos e gritos) através do meu irmão, meu primo e 2 amigos. Nunca mais defendi as mulheres e deixei de ser feminista na hora.

E agora lendo esse monte de mulheres JUSTIFICANDO o que essa louca do guest post faz, é insultante. Se eu sou homem e me dão um tapa ou gritam ou insultam. Eu pego a porta e vou embora pra nao voltar.
Isso eu fiz sendo mulher com o meu ex marido e faria igual se fosse homem.

Huan Icaro Piran disse...

Alias, acho que devo fazer 3 pequenas considerações sobre o texto, os comentários e o meu ultimo comentário.

O 1º e mais importante é que não, realmente não há possibilidade de fazer paralelo ou equiparar a violência sofrida por homens e mulheres. A principal vítima da cultura machista é sim a mulher e as vítimas psicológicas, físicas e vitais mais afetadas são sim mulheres. Isso é um fato já exaustivamente debatido, provado e reforçado.

2º sendo o homem também uma vítima da cultura machista, sendo o processo de criação que ensina que não podemos revidar a violência de nossas companheiras (ou companheiros em caso de homoafetivos...independente do gênero biológico) parte do processo educacional patriarcal de que homens são mais fortes e levando em conta que isso vai na contra mão da luta feminista, é sim preciso combater tal situação, mesmo que em segundo plano
Ou como costuma dizer minha noiva, "primeiro apagamos os incêndios, depois vemos como resolver o resto."

Já a 3ª consideração é sobre a falacia da superação individual. Há um motivo pelo qual a maioria dos suicidas são homens. Há um motivo pelo qual a maioria dos seriall killers são homens. Há um motivo pelo qual a maioria dos Mass Killers são homens. Alegar que as pessoas podem superar por conta própria, que existe um "coitadismo" social demonstra a incapacidade de uma pessoa em cruzar a ação com sua reação, de compreender que exceções não são regra e que existem problemas sociais muito graves (os incêndios) que precisam ser resolvidos.
Aceito que há um coitadismo social quando trouxerem argumentos com embasamento em estudo cientifico de que tudo o que foi citado até hoje na literatura psiquiátrica sobre os três casos que citei esteja errado e quer a principal causa disso não seja na verdade a violência doméstica.

Marielle Sant'Ana disse...

Lola, esse Guest Post foi muito interessante tanto do ponto de vista autobiográfico quanto da crítica em si, que implica na corajosa e franca autocriticidade de suas autoras. Por esta oportunidade individual e coletiva, obrigada.

A partir deste post refleti minha infância. Meus pais me educaram para ser pacífica, mas, quando fosse necessário, lutar também pela paz. Lembro-me da minha inserção na escola, por incrível que pareça, tive melhor convívio com os meninos do que com as meninas. Uma frescurada sem limites, e caí fora, o que gerou já desde a infância protestos das “subalternas” contra a líder e patricinha rica (hehehe).

Eu e os garotos era como se todos nós fôssemos ‘brothers’, irmandade, jogávamos bola juntos no mano a mano no recreio sem se preocupar com nada, todos juntos se divertiam e tentavam se aperfeiçoar mais. Brincadeiras e estudos à parte, coleguismo e respeito era o nosso maior código moral do nosso grupo, dentro e fora da escola.

Na época do primário também teve eleição de representante não só da turma, mas um representante único para toda a escola. Eu e mais 2 garotos nos candidatamos. Um dos candidatos recebeu nem o próprio voto (ele votou no colega adversário que prometeu que iria votar nele... rs), o segundo candidato recebeu 2 votos (o dele e o do colega ludibriado), e eu venci disparado com todos os votos dos alunos da escola, e o meu logicamente. E todo mundo achou justo, porque foi questão de escolhas, muitos não queriam ser representantes e depositaram sua confiança em mim, além de eu ter amizade entre ambos os gêneros (na época tinha uns 9 anos).

Na adolescência, minha ideias feministas afloravam para valer. Foi aí que eu comecei a afrontar o meu próprio pai. Depois com 17 anos quebrei a cara: ele era meu pai por opção pessoal e me escolheu como filha já na barriga da minha mãe. O biológico preferiu deixar minha mãe sozinha em uma cidade sem parentes e de maneira precária, mesmo tendo muito dinheiro para assumir as responsabilidades pelo menos no âmbito jurídico... Sinceramente, acho que se eu estivesse no lugar da minha mãe nem sei o que faria, e ela terminando o curso em universidade pública, carreira promissora, tinha 25 anos de idade, nem sei se teria forças para assumir um ato desses de ser mãe numa hora tão decisiva.

Foi aí que percebi que meu pai, o que me escolheu como filha, quebrou os preconceitos da sociedade dita patriarcalista sem precedentes. Escolheu-me como filha e me ofereceu todas as possibilidades para que eu fosse um ser humano o mais completo e feliz possível. O pai dele também infelizmente o abandonou quando ele tinha uns 10 anos, com mais 5 irmãos pelo menos. Ele não era o mais velho, mas devido a origem muito pobre, já ajudava desde cedo a mãe com o sustento da casa. Ele lutou de todas as formas para superar a própria história. E conseguiu a vitória. Ele nunca teve incentivo para estudar, mas mesmo assim foi o único dentre os irmãos a ter um curso superior. Bancou do próprio bolso o curso na universidade Católica, hoje PUC-GO, o curso de Arquitetura, único curso naquele tempo de Arquitetura em Goiás. Naquela época nem se imaginava em bolsas universitárias financiadas pelo Estado, era pedreira mesmo fazer carreira acadêmica há mais de 30 anos atrás. Fez especialização, foi professor técnico, foi funcionário concursado na área de Urbanismo e ajudou a construir obras, que, ele até brincava com a comparação atual, eram feitas para durar décadas. Este modelo de família patriarcal me proporcionou crescer e desenvolver plenamente como ser humano. Eu tive um pai, ele é o meu modelo de vida como ser humano, me inspiro nele e sou muito grata pela escolha dele e da minha mãe.

Huan Icaro Piran disse...

Bem, eu poderia citar diversos momentos que fui machista e agredi moralmente minha noiva. Foi lendo aqui (e em outros grupos de debate feministas), bem como conversando pessoalmente com pessoas mais entendidas do que eu que pude compreender meus erros (acredito ainda ter de aprender muito...) e só então poder conversar com minha noiva para tentar sanar cada um desses problemas. Ela poderia dizer o mesmo, sobre já ter sido machista e ter me agredido moralmente (isso porque sou uma pessoa estranha).
Já nos ofendemos em uma ou outra briga. Me envergonho disso e não quero que ocorra novamente. Nunca bati nela (exceto alguns acidentes em que acertei ela, coisa de cotovelada quando fui pegar algo em lugar alto ou uma joelhada quando estávamos nos ajeitando na cama...mas ela também é estabanada e por isso até hj me mantenho a no mínimo 1,5 metros de distancia dela quando ela esta distraída com objetos cortantes, líquidos quentes e afins) e não pretendo o fazer jamais. Sou alguém explosivo, mas me ensinaram a vida inteira a só usar violência para me proteger da violência...no resto do tempo respiro fundo, peço licença, vou dar uma volta e volto com para novamente me desculpar e explicar que eu precisava de um minuto só para pensar...
Bem, o ponto em que quero chegar é que em uma única briga no ano passado ela jogou contra min um objeto, uma correntinha de pescoço creio eu. Foi o primeiro objeto que ela alcançou com a mão (fico feliz que a briga tenha ocorrido longe do faqueiro), mas poderia ser qualquer outra coisa. Ela não deu bola achando que eu estava fazendo drama, mas no dia seguinte (fui embora, estava na casa dela) pedi pra conversar e deixei claro que nunca vou bater nela mas também nunca vou tolerar que ela me bata. Deixei claro que aquela foi a única vez que ela jogaria algo contra min, pois na próxima eu não pensaria em quanto eu amo ela, mas sim em quanto eu me amo, sendo assim, iria embora.

Huan Icaro Piran disse...

Há sim...a noiva acabou me jogando outro objeto. Uma vassoura...mas ela não tinha visto que eu estava no caminho e para minha sorte os reflexos do kendo me deram o direito de me esquivar a lá matrix.
Ela estava estressada e tinha tropeçado, derrubado o balde cheio sobre o próprio pé e havia estourado de raiva. Para meu azar eu vinha entrando pela porta na área de serviço com a roupa do varal e preocupado com o barulho no exato momento que ela virou arremessando a vassoura para a direção da porta.
Resultado, metade da louça que estava na janela logo atras de min foi atingida. Apenas 3 copos e duas xícaras sobreviveram...e ela saiu com um hematoma no pé '-'

Marielle Sant'Ana disse...

Então, cabe a nós mulheres, de fato, decidir as escolhas que queremos ter e ser na vida. Há uma grande diferença entre o discurso e a prática feminista. Há uma grande diferença em mulher que sempre culpa os outros (é culpa do machismo, do capitalismo, etc), mas que nunca vê sua parcela de responsabilidade com a sociedade ao seu redor. Há uma grande diferença em legitimar a própria vitimização e o buscar por solução de um problema coletivo de fato. Um deles é a própria violência em todas as escalas. Nada justifica a violência. Nunca usei da minha força, mesmo quando treinava artes marciais, para me fazer valer no meio público. Nunca usei de argumentos que matassem a subjetividade de alguém, matasse a existência psico-social de alguém, mesmo algumas instituições me darem poder e legitimidade retórica para isso. Sempre preferi calar em questões pessoais se a resposta fosse um xigamento, mesmo que naquele momento íntimo eu passasse por uma fase profunda de raiva. Mas nunca fui santa em dar a outra face, por isso, posso revelar livremente e conscientemente a minha pior face se a questão for para matar gratuitamente o que sou, me atacar por motivos fúteis e mesquinhos, mesmo se o "adversário" for mulher. Luto pelo que é meu, luto por quem amo e luto pelo que amo e acredito verdadeiramente mesmo. Cabe também a frase do filósofo existencialista Jean Paul Sartre para refletir: “Não importa o que fizeram com você, o que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você”.

Ser feminista não é obrigação, é opção. Feminismo é uma das formas dogmáticas e filosóficas de como a mulher pode se moldar na sociedade contemporânea. Mas ser mulher vai sempre mais além do próprio feminismo em si. Como a essência humana vai sempre mais além da ciência, política e religião, por exemplo.

O que a mulher quer de ser de verdade e lutar em ser? Quer ser vadia? Quer ser puta? Quer ser santa? Quer ser virgem? Quer ser mãe? Quer prevenir? Quer abortar? Quer ser madame? Quer ser dona de casa? Quer ser patroa? Quer ser trabalhadora? Quer ser chefe? Quer ser funcionária? Quer ser submissa? Quer ser autoritária? Quer ser ativa? Quer ser passiva? Quer ser solteira? Quer ser casada? Quer sexo sem compromisso? Quer sexo com compromisso? Quer tudo? Quer nada? Quer protestar contra a falta de liberdade feminina no Oriente Médio? Quer impor o estilo de vida americano em todos os cantos do planeta por acreditar que essa seja a liberdade para todos e todas? Quer entrar na modinha midiática do Femen? Quer fazer topless sem politização? Quer protestar de maneira totalmente diferente do que já se viu? Quer ter a liberdade de optar por não se manifestar por qualquer motivo que seja? Quer ser o quê na vida? Mulher?! Homem?! Cidadão?! Ser humano?!

Todas essas questões acima são escolhas que cabe cada indivíduo optar conscientemente e posteriormente assumir todas e quaisquer consequências por seus atos. Saiba o que quer, saiba como ter o que quer, mas saiba pagar o preço por suas escolhas.

Huan Icaro Piran disse...

"Não, mas veja Lola como é importante ressaltar a falsa simetria nesta frase.A mulher que bate no homem é "individualmente" opressora, sem respaldo de ser assim pela sociedade. O homem que bate na mulher é opressor porque tem o patriarcalismo que permite tal perpetuação, e isso tem consequências distintas para as duas vítimas.
bjo"

Perfeito!

Huan Icaro Piran disse...

@Marielle Sant'Ana

Se eu conseguisse chorar provavelmente estaria o fazendo (vontade deu, mas os bloqueios emocionais seguram a onda da criança chorona) ao ler. Não consegui entender direito onde sua história se encaixa aqui (alem é claro das violências simbólicas da sociedade e da quebra dos conceitos patriarcais de seu pai), mas fiquei feliz em ler isso. Mesmo.

Koppe disse...

"qualquer tipo de violência é inaceitável e desnecessário"

Discordo dessa parte. Violência em defesa própria, violência como reação ou resposta a outra violência, considero não só válida como necessária. Casos de pessoas violentas, agressivas, "de personalidade forte" se questionarem e mudarem de atitude por conta própria, como a autora do post, são raros. Na maioria das vezes a única forma de cessar uma agressão é a própria vítima reagindo, com violência se necessário.

sônia disse...

por essas e outras que estou me afastando do feminismo.
quando vejo algumas pessoas defendendo a autora ,dizendo que apesar dela estar agredindo ,a vítima é ela,feminismo n parece querer tanta igualdade e justiça assim.
com certeza ,se fosse um homem na história ninguém defenderia(nem eu)mas como é mulher vamos dar um desconto.

esse argumento que ela esta reagindo ao machismo n faz sentido nenhum,quer dizer que pq algumas mulheres apanham de alguns homens,ela reage batendo no marido dela que n fez nada?

vi isso em outro post,um em que a mulher usava violência psicológica com o namorado,ligando mais de 50 vezes,perseguindo,n lembro direito tudo que ela fazia e choveu gente dizendo que ela era uma coitadinha precisando de psicólogo.
e li aqui, que esse mesmo comportamento em homem é considerado sinal de que é um psicopata.

n entendo essa necessidade de nos colocar sempre como vítimas.seja qual for a atitude que uma mulher tenha,o machismo é que deve ser responsabilizado.
o caráter,a personalidade da mulher,n influencia em nada.

Anne disse...

Violência é violência e ponto.
É difícil admitir que uma esposa que bate no marido comete violencia domestica por que são casos raros, e realmente não se comparam a anos e anos de homens que violentam suas esposas de diversas formas. Mas o fato é que a B. ta errada sim. Procure mudar isso. Aconselho a prática de Artes Marciais, são ótimas pra canalizar essa sua raiva em algo bom e pra lhe equilibrar.

Cora disse...


violência física é algo difícil de justificar. consigo pensar em apenas uma situação, q seria em defesa própria (incluiria uma variante disso, q seria o socorro a alguém q está sendo agredido). fora isso, penso ser plenamente controlável e evitável. nossa sociedade recorre muito à violência física pra resolver problemas. o comportamento violento começa em casa, na violência entre o casal, dos pais contra os filhos ou entre irmãos, continua na escola com “brincadeiras” violentas e pode se prolongar por td a vida. e existe reforço simbólico. qdo consideramos uma agressão menor (um tapa numa criança, p. ex., ou esses tapas q namoradas aplicam em namorados ou amigos em amigos) estamos dizendo q a violência não é sempre ruim. e a violência deve ser considerada sempre ruim. ela não é necessária e nem educativa. concordo com A.: em relação à violência doméstica, não há exceção válida.

Cora disse...


de fato, como disse um anon aí pra cima, ninguém tem culpa por ser mais forte, mas tem culpa por usar esta força para ferir alguém mais fraco ou mais vulnerável. por isso a violência de um adulto contra uma criança, ou de um adulto contra um idoso ou pessoa acamada, deveria ser considerada chocante e não educativa (no caso da violência dos pais contra os filhos). a desproporção de força é muito grande e mesmo q um tapa não produza muita dor, o simbolismo do ato é terrível, pois mostra q, se a pessoa quisesse poderia bater com mais força e machucar de verdade. nunca entendi como o tapa (ou qq castigo físico) pode ter sido considerado educativo por tanto tempo.

Anônimo disse...

Esse post me lembrou uma coisa que li um dia, de que aprendemos como vão ser nossas relações mais próximas a partir do que temos em casa - é muito mais do que só "acreditar" no que disseram pra ela sobre bater ou não. Essa é a forma que ela sabe se relacionar e mudar isso é muito difícil (é também por isso que muitas vezes filhos de pais que batem nas mães se tornam agressores e meninas que crescem com pais agressores muitas vezes se casam com homens violentos).

Na minha casa minha mãe sempre foi absolutamente contra bater nos filhos mas me lembro de umas duas vezes que tirei meu pai do sério - lembro vividamente da raiva que senti, da sensação de impotência. Eu nunca vou entender nada disso, essa necessidade de controlar através da invasão do corpo do outro.

É sempre muito difícil sair desses ciclos viciosos...

Toda vez que vejo alguém dizer "ah, mas só um pouco, veja só eu apanhei quando era criança e estou aqui, sou uma boa pessoa, não tenho problema nenhum" sinto que a pessoa teve de justificar isso de alguma forma, pra poder conciliar isso com a boa - ou má - relação que tem hoje com os pais.

Rafa Angel disse...

Mas ser machista ou qualquer coisa opressiva nao é opçao,é crime mesmo.

Carregar o termo feminista em si é uma opçao.

Anônimo disse...

"vi isso em outro post,um em que a mulher usava violência psicológica com o namorado,ligando mais de 50 vezes,perseguindo,n lembro direito tudo que ela fazia e choveu gente dizendo que ela era uma coitadinha precisando de psicólogo.
e li aqui, que esse mesmo comportamento em homem é considerado sinal de que é um psicopata."

Exatamente, lembro disso também. E POBRE de quem falou que a mulher era louca... virou mimimitrollmascu na hora.

Mas eu não me afasto do feminismo por conta disso, só das feministóides infantilescas.

Anônimo disse...

[OFF-TOPIC]

Não é estupro e sim aproveitar oportunidades

http://hienarabugenta.com.br/uns-veem-dor-de-cabeca-outros-oportunidades/

Até quando, gente?

Fernanda disse...

O mundo é doente.

Sinto muito para aqueles que não tinham percebido isso ainda.

A humanidade ser doente significa que homens, mulheres, pais, avos, tios, irmãos, amigos, namorados, todos estão submetidos a essa doença. A questão então é: e você, o que você faz com a sua doença? Deixa ela correr livre e solta, atacando a tudo e todos, ou procura um meio de sair dela?

Sou feminista e não acredito que o patriarcado é a causa de toda deformação de carater. Acho que a corrupção humana é anterior e que o patriarcado vem como uma consequência dessa corrupção. Assim como a violência contra crianças, animais, idosos, e toda atitude contra qualquer manifestação de vida.

Acho inclusive que justificar comportamentos histéricos e profundamente agressivos como o da moça do relato B. denigre e muito a ideia do feminismo. Porque o feminismo é, antes de mais nada, um movimento humano que preza pela igualdade, apontando que na espécie humana alguma coisa vai muito mal, ja que um determinado grupo dessa espécie vem sendo tratado de forma indigna ha varios milhares de anos. Mas a ideia, como todas sabemos, é trazer a igualdade entre os gêneros, e não simplesmente tomar o lugar de soberania dos homens. O feminismo é um movimento que fala de respeito, de dignidade, de direitos iguais, de deveres iguais: se a gente começa a justificar a violência da mulher porque o patriarcado é que provoca, aí, meu povo, acabou o respeito pelo feminismo.

E aí vem esse papo de "meio", né, que transforma o ser humano em massinha de modelar: cresceu apanhando, vai virar agressor. Livre arbitrio inexiste, pelo visto.

Não acredito MESMO nisso. Acredito que ainda que seja muito dificil, ainda que todas as tendências nos indiquem um caminho, uma forma de agir, la no fundo, no fundinho, no ultimo segundo antes da ação, tem a escolha. Sempre é escolha. Que seja a de ir se tratar, porque sozinho não consegue. Foi a escolha que fiz, por exemplo. Precisei de ajuda e recorri a ela. Você erra uma, duas, três vezes. Chega um ponto que não da mais pra justificar que eu cresci assim, que aprendi assim, que o patriarcado me fode todo dia. Sinto muito, mas não da. É preciso aprender a tomar para si algumas responsabilidades.

Verônica, concordo integralmente com você. E que bom que você é um ser superior! ;)

Anônimo disse...

Não entendo esse povin que vem aqui falar "é por isso que tô saindo do feminismo, olha só o descabimento aceitar que mulher bata em homem!".
Parece coisa de troll, sabe?!

Fui conferir todas as 54 respostas de até então do post e SÓ 3 podem ser interpretadas de forma a achar que é certo mulher bater em homem (notem o podem)... ainda assim, vieram 2 ou 3 pessoas com esse discurso que cheira a má-fé.

Fora isso, uma meia dúzia (+ou-) se reconheeu/identificou nessa situação. Não vejo isso com 'concordar' com a situação, mas como uma reflexão, um incômodo, um pontapé inicial para mudança.
Entendi errado?

Agora vou ali descançar minha beleza.
Bjs.

Anônimo disse...

Sonia: concordo com vc ao 100% sao coisas como esse post e a defesa de algumas mulheres exatamente como vc disse "como tem homem que bate em mulher é justificado que essa louca do guest post maltrate o seu marido que nao fez nada" ou entao como no outro post que a mulher fazia tortura psicológica, mas tudo bem, ela so precisa de um psicólogo que eu estou cada vez sendo mais do grupo "mulheres anti-feministas"
Fico impressionada. O feminismo nao é a favor da igualdade, justiça, paz e amor, liberdade. Etc etc? Aí vc vê coisas assim que a mulher pode maltratar o homem, esse , repressor maléfico"....
Ou entao se vc nao esta de acordo em mostrar os peitos numa manifestação já nao é mais feministas,,, coisas assim insanas.

A ver uma coisa que queria perguntar as feministas e a lola: ouvi falar que a pílula anticoncepcional masculina nao vai ora frente porque feministas acham que engravidar ou nao é decisão exclusiva das mulheres.

Se isso é realmente verdade,muque feminismo é esse? Que nao compartilha a responsabilidade de nao ter filhos também com o homem? E se isso é verdade maldigo todas as feministas, pois eu nao posso usar anticonceptivo por motivos de saúde e o meu marido sempre diz que se tivesse a pílula ele tomaria sem problemas. Bom espero que nao seja verdade senão mais um motivo (de muitos) pra ser anti feministas e odiar feministas

lola aronovich disse...

Pois é, anon das 10:17, parece coisa de troll mesmo. Tem 3 comentários no meio de 54 que talvez, só talvez possam ser interpretados como, como... sei lá o quê como, e vem alguém dizer que desistiu dos feminismo por causa da caixa de comentários! Daqui a pouco vai vir outra pessoa dizer que está havendo uma debandada geral do feminismo por causa do meu blog, baseado em um comentário...
Esses últimos dias tem que tomar cuidado redobrado com trolls. Por exemplo, veio um deixar um comentário dizendo que "homens insensatos precisam ser espancados", ou algo assim. Mascus vivem fazendo isso. Eles fazem blogs "misândricos" pra provar que feminista odeia homens. E a insistência em ver seu coment aprovado (ele repetiu o coment umas 7 vezes) PROVA que é troll. Mas a dificuldade esses dias é que parece ter várias radfems por aqui, e alguns comentários delas são bem parecidos. E posso dizer o mesmo de alguns comentários transfem por aqui também. São tão exagerados que parecem coisa de troll.


Anon das 10:28, olha só como funciona: primeiro tente se informar, depois parta pra "que feminismo é esse?". Não, feministas não são contra anticoncepcional masculino. Pelo contrário. Pelo menos a enorme maioria das feministas. Sinceramente, o que grupos minoritários de feministas pensam sobre isso eu não sei. Mas elas representam um tipo muito restrito de feminismo, não O feminismo (que não existe, é plural).

Thainara Carreiro disse...

Hoje em dia eu vejo que sofri muita violência doméstica. Meus pais me batiam muito, minha mãe então... nem se fala! Eu apanhava por tudo, e acho que isso piorava por eu ser uma criança respondona e abusada, nada disso justificava, mas piorava minha situação. Hoje, eu percebo também que não apanhava, eu era espancada. Minha mãe me dava tapas, puxava meu cabelo, me sacudia, me jogava no chão, contra parede, me dava soco, até falava que não gostava de mim. Por várias vezes, até a pouco tempo, meu pai, um homem, muito mais forte que eu, criança, menina, me deu socos, chutes, bateu na minha cabeça.

Eu também percebo que tudo isso contribui pra ser quem eu sou hoje, quem eu fui na minha infância e adolescência. Quando criança era malcriada, e tinha razão em ser, porque sendo assim já abusavam da minha inferioridade, imagina se eu fosse aquelas crianças inocentes e bobas?
Quando adolescente não era rebelde, ms tinha um ódio imenso de meus pais, principalmente do meu pai, tudo que eu mais queria era que ele e minha mãe se separassem pra eu viver em paz, pois o estresse deles era minha dor.
E hoje em dia, aos meus 18 anos, eu reparo que não tenho nem um pouco de dó deles e de ninguém, os amo sim, respeito sim, mas tenho plena consciência de que como eles me deixaram na mão várias vezes (meu problema não foi só com apanhar, mas também com "abandono"), daqui alguns anos quem vai precisar de mim, são eles. E olha, fico muito triste de pensar assim, mas não consigo ser de outra forma, assim sou também com outras pessoas, e encorajo a conhecidos ser assim com pais e conhecidos que os tratam mal.

Meus pais um dia me maltrataram de todas as formas possíveis, tanto física, quanto psicologicamente (meu pai já chegou a dizer que minha avó morreu por minha culpa. ps: qnd ela faleceu eu estava junto). Enfim, Lola... no dia em que eu tiver filho pensarei mil vezes antes de bater, e antes de ter um também, não desejo pra ninguém o que eu passei, e apesar de todo o rancor acho que as pessoas deveriam ser mais como eu e se preocupar menos em agradar e achar que o problema é sempre a gente e não o agressor.

Anônimo disse...

Lola, só uma dúvida. Você poderia indicar aqui mesmo nos comentários onde posso encontrar estatísticas de violência doméstica contra homens com maiores detalhes?

Não estou fazendo trabalho nem nada, mas só estou curioso pra saber até onde vai a profundidade do buraco.

sônia disse...

lola

já sabia q iam pensar q sou troll,isso tb é um dos motivos que me faz afastar,parece que tem regras para vc ser feministas,se vc n seguir isso,só pode ser homem que esta de zuação na net.
e isso n significa que vou virar machista,só parar de frequentar sites desse tipo.
a vitimização sem fim não dá para aguentar e outras coisas tb.

nesse post ,quase ninguém foi a favor da espancadora mas no da outra que fazia violência psicológica,eu diria que foi uns 90% taxando ela de coitadinha,mas n é só no seu blog que vejo coisas assim.

Veronica disse...

Fernanda,

Ri alto agora,eu li aquele comentário, mas não sou superior nadinha.

Só não quis ser como os meus pais. Minha mãe me batia dizendo que meu pai batia nela por minha causa. Eu só tinha 6 anos.

Uma vez precisei faltar uns 3 dias à escola pq tinha levado uma surra de vara de ameixeira e minhas pernas e braço estavam todos marcados. Motivo da surra : eu havia pego um pedaço de retalho do chão na casa de uma costureira, aqueles retalhos que vão para o LIXO...

E ainda sempre dizia que o meu pai ficou "mal" depois que ela ficou grávida de mim. Esse mal é alcoólotra e espancador. Acho q ele não queria filhos e ela forçou uma barra. Sabe, a minha mãe até já me culpou por ter nascido mulata, meu cabelo até é bom, mas a minha pele é morena. Ela é negra e dizia que o meu pai tinha raiva dela pq eu nasci assim e o meu irmão nasceu branquinho como ele. A polícia cansou de ir até a minha casa , os vizinhos sempre chamavam..

Nunca na minha vidinha que posso ser louca como eles...

Cresci e escolhi ter uma vida com amor, inteligencia e compreensão.

Desamor e violência fizeram parte da minha vida enquanto eu era incapaz de me responsabilizar por ela.

Abraços

Leio Lola Leio disse...

A violência está presente na sociedade em diversas formas de expressão e em diversas proporções. Não é algo fácil de identificar, tampouco de teorizar a respeito.
Há o Núcleo de Estudos da Violência, da USP, http://www.nevusp.org . Não acho correta a postura das moças agressoras, tampouco de homens agressores. Acho, como já disse, que a violência parece ser o último recurso, quando a perspectiva do sujeito já foi esvaziada e ele presume (equivocadamente, penso eu) que nada mais resta a não ser uma atitude violenta. Percebo meus excessos em determinadas situações e tento mudar meu comportamento, mas ainda há os momentos em que me sinto esvaziada de recursos e creio que não se trata de escolha. Vejam, não pretendo de modo algum justificar o ato violento, nem do homem ou da mulher, mas vivemos numa sociedade que possui exército, polícia, seguranças armados por todos os lados... Então, acho que a coisa é muito mais complexa do que eu consigo elaborar.

Veronica disse...

*troquei MAU por mal, perdão

elen disse...

parabéns veronica,são poucas as pessoas que aceitam que todos temos responsabilidade por nossas vidas e nossas atitudes,que sabe que todos temos escolha.
mas é mais fácil por a culpa nos outros pelas burradas que cometemos.

Anônimo disse...

Este post, e alguns comentários me fizeram refletir bastante... Sou casada,nunca houve violência física em meu relacionamento, mas quando eu e meu marido brigamos eu grito com ele. Já fiz isso até na frente de outras pessoas. É horrível e com certeza se ele fizesse algo parecido comigo eu não aceitaria de jeito nenhum. Mas parece que inconscientemente eu acredito que por eu ser mulher a minha agressão é mais aceitável. Não é. Teve uma vez que até me disseram, meio de brincadeira, que se eu fosse homem e é provável que iria bater na minha mulher. Fiquei chocada e muito triste, porque sou mesmo muito descontrolada e violenta com as palavras. Não acho que eu bateria em alguém, porque tenho contato com crianças, já tomei conta de sobrinhos e primos e nunca bati em nenhum deles, embora já tenha perdido a paciência e gritado. Estou tentando mudar, não quero ser assim. Agressão verbal também é agressão e é inaceitável.

Anônimo disse...

Haja paciencia com esses comentários "por isso larguei o feminismo". Não faz falta, amor. Vai com deus. Hajaa paciência também com comentários vitimistas masculinos e de mulheres correndo para defende_los... Muitas vezes tudo oque uma mulher que sofre violencia domestica quer ouvir é "vou te abandonarr" ou seja, vou ficar longe de vc, te deixar em paz... Mas esta bonito de ver os trolls chorando as pitangas e mulheres corajosas confessando os terríveis beliscoes que dão.em seus maridos.

Anônimo disse...

"sonia" vc é troll e daqueles bem desocupados ja que só nesse post vc ja postou com nicks diferentes. Bjuss

domingosjornal disse...

Lola, sei que você pediu que não fossem postados links, mas eu acho que essa reportagem que saiu na Época pode acrescentar dados à discussão.

http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2011/10/elas-batem-eles-apanham.html

Resumindo, aqui tem uma análise sobre a agressividade em adolescentes dentro de relacionamentos. E mostra dados de uma pesquisa que foi feita em vários estados que mostra às quantas anda a violência dentro do relacionamento.

ana disse...

Confraternizo-me com a coragem da moça. Seu depoimento me emocionou. E, quanto as pessoas que superaram a violência de uma família desestruturada, parabéns, mas não julguem com tanta severidade quem está tentando. O processo é sofrido pra muit@s.
Obrigada, moça do post, por me ajudar a refletir no meu proceder também. Tod@s temos motivos, e é um longo processo aprender a reconhecê-los, compreendê-los, e lutar pra não usá-los. Abraço carinhoso e solidário para ti e para Lola (adoooro você!)