sexta-feira, 24 de maio de 2013

"É SURREAL FAZER FACULDADE PRA COMBATER INJUSTIÇAS?"

Uma leitora, a K, me enviou este email. Respondo embaixo.

Oi, Lola! Tenho 19 anos, moro no Espírito Santo, e frequento seu blog há uns poucos meses. 
Li todos os seus posts, e você não tem ideia de como o blog abriu minha cabeça. O que você escreve deve ser considerado uma utilidade pública, e eu agradeço muito, muito mesmo!
Resolvi te procurar pois preciso de uma luz, e tenho certeza que você é a pessoa certa para isso. Porém, antes, gostaria de contar um pouco da minha história para que você possa entender melhor de onde vem essa minha motivação. 
Quando era pequena, sempre vi meu pai agredindo física e verbalmente a minha mãe.
Socos, chutes, sufocamentos eram comuns, assim como as palavras empregadas: puta, piranha, cachorra vagabunda. No momento em que comecei a impedir que ele a machucasse, eu passei a ser a piranha. Aos dez anos, vagabunda era meu segundo nome. Como eu também era gordinha, tinha outros nomes como botijão de gás, nariz de barraca, baleia. E não importava se estávamos na rua, com amigos, ou em casa, esses xingamentos sempre apareciam -– para mim e minha mãe. Ouvir seu pai, o homem que devia te proteger, te amar e cuidar de você falando coisas deste tipo não fazia sentido nenhum. Machucava.
Aos quinze dei meu primeiro beijo! Tive meu primeiro namorado, nunca transamos, nunca fizemos nada. Entretanto foi aí que as coisas desandaram de vez. As agressões do meu pai vinham em doses cavalares, sem intervalo. Eu estava sem autoestima nenhuma, sentindo como se não valesse nada -- afinal, se meu pai diz que eu não valho, devia ser verdade! Aos 16 saí com uma amiga para darmos uma volta, e às dez da noite minha irmã me liga chorando, pedindo pelo amor de deus para eu voltar pra casa. Quando chego, fico sabendo que meu pai bateu a cabeça da minha mãe na parede. Repetidas vezes. 
Naquele dia eu perdi o chão. Liguei para a polícia (que demorou mais de uma hora para chegar; tive de ligar três vezes para que eles fossem lá), e eles apenas aconselharam minha mãe a "esfriar a cabeça, que casamento é assim mesmo". O QUÊ? Saíram sem nem perguntar se ela queria registrar queixa! Nesse dia qualquer respeito que eu tinha pelas instituições que deveriam zelar pela segurança foram por água abaixo.
Minha mãe também não saiu incólume ao episódio. Após quatro meses, quando ele teve outra "crise" (como ele adorava repetir, tentando livrar-se da culpa), ela saiu de casa e se separou dele. Até hoje ele ainda vem aqui em casa, a procura. Ele tem diabetes e hipertensão, e não tem mais ninguém. Minha mãe tem um coração que não cabe dentro do peito, e lava as roupas dele, dá comida, ajuda. 
Ele roubou nossa autoestima, nossos prazeres. Nos deixou com uma depressão, uma amargura e uma desilusão que não dá pra medir. Ainda hoje tentamos recuperar os nossos cacos que caíram ao longo desses anos, e não duvido que conseguiremos. Somos fortes. E hoje sei, graças a você, que ele é machista, misógino, preconceituoso. 
Dada a introdução, é agora que vem a minha dúvida. Sempre soube que havia algo errado naquele comportamento, mas não sabia exatamente o quê. Agora eu sei! E Lola, eu juro, de todo meu coração, que quero fazer parte da luta, quero mudar isso. Não quero que mais crianças e mulheres sofram por essa mentalidade torpe da nossa sociedade. A forma mais direta seria uma profissão que me permitisse participar ativamente da luta. 
Tentarei vestibular para Audiovisual, mas a ideia de cursar Direito passa pela minha cabeça. Desde que me informei sobre os massacres das mulheres de Ciudad Juarez a gana de mudar e melhorar isso é ENORME! Li que a maioria dos juízes é homem e muitos são machistas, o que faz total sentido se levado em consideração as penas atribuídas a agressores e estupradores.
Isso fomentou meu desejo, e comentei com um amigo, no que ele respondeu: "Acho que fazer Direito, um curso que não é nada fácil, só pra combater uma causa de injustiça dentre tantas outras no mundo, é um tanto surreal". Ai, Lola! Será ingenuidade minha? Será que ele tem razão? Esse argumento que ele usou não faz sentido! Lutar por uma causa não anula a importância de outras, certo?! Eu entraria na universidade aos 20 anos; você acha que estarei velha pra começar um curso? O que você acha sobre tudo isso? Estou realmente confusa com as decisões a serem tomadas.
Muito obrigada por fazer o que faz, você é uma grande inspiração para mim!"

Minha resposta: Querida K, muito obrigada por todo o carinho! Fico feliz em estar sendo uma influência positiva na sua vida. E fico feliz também que vc e sua mãe conseguiram sair dessa roubada que era viver com seu pai. Espero que vc possa curar as muitas feridas que o comportamento abusivo dele deixou em ti. Deve ser terrível ser xingada e ofendida pelo próprio pai. Não consigo nem imaginar a sua dor.
Mas olha, prova de que vc está superando tudo isso é que vc virou feminista, e agora está cheia de planos pro futuro. 
Se vc está muito velha pra fazer faculdade com 20 anos?! Pelamor, K! Vinte anos deve ser a idade média de quem está na faculdade. Claro, tem muita gente que entra com 16, 17. Mas acho que a maior parte mesmo tem 19, 20. E nunca é tarde demais pra fazer faculdade! Sabe quando eu me formei? Pouco mais de uma década atrás! Eu tinha 35 anos! Eu fiz Pedagogia numa faculdade particular, então metade da minha turma tinha menos de 30, e a outra metade (eu inclusa) tinha mais de 30! Claro, numa universidade pública vc vai encontrar pouca gente mais velha, mas sempre existe. Eu tenho alguns alunxs da minha idade na UFC. 
Acho que vc pode ajudar a mudar o mundo de várias formas, em TODAS as profissões. Mas, pra luta que vc está pensando em se envolver, Direito é uma bela profissão. Precisamos de mais mulheres na política! Quem sabe vc não pode ser uma delas? Ok, não precisa nem pensar nisso agora. Só comece o curso, seja representante do Centro Acadêmico da sua faculdade, entre num coletivo feminista e, se sua faculdade não tiver um, comece um. Tudo isso vai te dar um gostinho pelo ativismo. E política é uma forma de ativismo, ué!
E não acredito que seu amigo disse uma besteira dessas ("Acho que fazer direito, um curso que não é nada fácil, só pra combater uma causa de injustiça dentre tantas outras no mundo, é um tanto surreal")! Como assim? Ele está insinuando que vc não deveria fazer Direito por não ser um curso fácil?! Qual é um curso fácil? E ele acha que as injustiças que afetam BILHÕES de pessoas no mundo não devem ser combatidas? O machismo não deve ser combatido porque o racismo também existe, é isso que ele está dizendo? Puxa, é muita bobagem numa frase só. Não dê ouvidos, K. Vc já tinha notado que o "argumento" dele não faz o menor sentido.
Vc é muito jovem e tem a vida toda pela frente. Não vai dar pra mudar tudo já, mas vá fazendo as coisas no seu ritmo, sem atropelamentos. Estude pra conseguir entrar na faculdade, e aí veja se gosta, se é isso mesmo. Poucas coisas na vida são definitivas, então, mesmo que vc não gostar, terá chance de mudar de área, de fazer uma outra faculdade. Mas claro que é melhor já entrar numa área que vc goste. 
Te desejo muita sorte e sucesso nas suas escolhas, K!

61 comentários:

Lala disse...

K., se com 20 anos vc está se sentindo velha, imagine minha amiga que passou pra medicina numa federal aos 25, depois de ter se formado em direito e tido um filho!
Força, menina!
Eu tb entrei no meu curso em busca de um ideal, até que a oportinidade de seguir um sonho mais antigo apareceu. Mas não me arrependo.
Acho que seria ótimo termos um ramo no direito que cuida de crimes contra mulheres, numa esfera que vá além da delegacia...
Já leu a trilogia Millenium?
Altamente recomendvel!
Boa sorte!

Ariane disse...

Poxa, me identifiquei pra caramba com esse post. Olha, moça, em qualquer profissão você pode dar um jeitinho de lutar pelas causas que te importam. Eu sou jornalista e sou ativista em defesa dos direitos dos animais. Às vezes, eu penso que gostaria de ter feito veterinária, mas eu também curto muito trabalhar com comunicação. Meu trabalho oficial é comunicação corporativa, mas uso minhas habilidades pra outras coisas: tiro fotografias de cachorros pra adoção, por muito tempo administrei uma página de facebook pra um grupo de defesa animal, escrevo uma coluna num jornal local em busca de conscientizar sobre adoção, castração e um monte de coisas... e, quando sobra aquele dinheirinho no fim do mês, dou pra um grupo de confiança pra dar aquela força pra causa. Além disso, busco ser um exemplo diário daquilo que eu desejo ver nos outros em relação às minhas lutas. Sou vegetariana. Compartilho no meu facebook informações sobre defesa animal. Não consumo produtos testados em animais, ou que tenham pele ou couro. Enfim. Tem muita coisa que dá pra gente fazer. Te incentivo muito. Eu gostaria de ganhar dinheiro com comunicação relacionada à defesa animal, mas acho que isso ainda não existe.. enquanto isso, vou fazendo o que dá e o que me deixa feliz! Manda bala nessa faculdade! Beijos

Mariana Bhering disse...

Concordo com a Lola, qual curso é fácil? Quando vc aprofunda no assunto ele se torna complexo e sempre vai ter algumas partes chatas, que vc não se identifica.
Fazer audiovisual, por exemplo, ela pode fazer documentários, ficções sobre este e outros assuntos que façam muita gente refletir.
Por outro lado, precisamos de mais advogadxs, juixs, diplomatxs, ministrxs que tenham essa visão de justiça para todxs e não mais na perspectiva machista.
O importante é onde ela estiver continuar critica assim.

Luan disse...

K.

Eu entrei na faculdade aos 23 e não era a mais velha da minha turma.

Acho muito legal você querer ter uma profissão que ajude as pessoas. Na verdade, é um motivo muito melhor que o status (motivo pelo qual algumas pessoas que eu conheço fizeram Direito).

A história da sua família é bem triste. Na minha casa nunca houveram agressões constantes, nem tão graves, mas sim coisas ocasionais e que tb terminaram me afetando muito mais do que percebi na época.
Sua mãe e você parecem ser muito fortes e fico feliz que tenham saido dessa situação.

Sara disse...

K me identifiquei demais com sua história, ja vivi coisas muito semelhantes, e fico pensando o quanto deve ser comum esse tipo de situação.
Mas da uma esperança enorme escutar o que vc tem a dizer, afinal vc esta transmutando todo o machismo q recebeu de seu pai em um desejo de mudar essa realidade atravéz da profissão q vc pretende escolher.
Do fundo do coração, espero q vc seja muito bem sucedida, que vc consiga muitas vitórias na carreira q escolher, o direito é um curso excelente onde vc poderá lutar por mais justiça, talvez nem sempre vá atingir seus objetivos, mas pela garra q vc demonstra ter, com certeza vai ter muitas realizações.

lucas disse...

Sobre idade média na universidade: Na minha turma, biomedicina, a maioria tem 18. Mas Biomedicina é um curso mais fácil de se entrar do que Direito, e mesmo assim tem algumas pessoas de 20, 22, até 23 anos cursando comigo.

Vai fundo, tu tá muito nova ainda e pode cursar tranquilamente.

Livia Siqueira disse...

K., eu sou formada em Direito e talvez possa te dar umas dicas.

Primeiro, com relação à idade, é besteira vc se achar muito velha. Eu entrei na faculdade com 17 anos e acho que foi muito cedo. Muitos amigos meus entraram bem mais velhos. A idade traz mais amadurecimento e certeza do que queremos da vida e isso é muito bom.

Claro que vc pode cursar Direito para lutar pelo que acredita (adoraria ter tido essa visão qdo tinha sua idade), mas vc precisa se manter focada. Direito realmente não é um curso fácil, mas não no sentido de que as provas são difíceis, tem que estudar mto, etc. É cansativo, burocrático e a Justiça no nosso país, além de cheia de preconceitos, é muito lenta. Precisa de paciência e muita força de vontade, pois os resultados do nosso esforço demoram para aparecer, sabe?

Enfim, torço para que vc escolha um caminho que te faça muito feliz, que é o mais importante. E, se quiser alguma dúvida, estou à disposição.

Rezinha disse...

Nossa K. não consigo imaginar a dor que você passou, eu já "rodo a baiana" dentro de casa pela educação machista dos meus pais (acho que aos poucos estou mudando a mentalidade deles), mas mudando o foco um pouquinho (me desculpe K e Lola), alguém viu sobre o estupro ocorrido na UERJ? O (monstro) estuprador disse pra vítima "agora vc vai aprender a gostar de homem" gente, estamos regredindo voltando a ser irracionais? http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/acusado-de-estupro-na-uerj-foi-linchado-por-outros-estudantes
Outra coisa que me chocou foi um texto muito legal, muito bem escrito no site papo de homem, pela Claudia Regina. O texto é fantástico, porém os mascus não perderam tempo e fizeram uma enxurrada de comentários misóginos (sei que como a Lola, tb não devo ficar lendo o que esses seres abomináveis escrevem, porém a curiosidade é maior), gente nunca senti tanto nojo, tanto asco de gente como eu tive deles.
Acho que os comentários babacas já foram retirados, pelo menos grande parte deles, mas é chocante. http://papodehomem.com.br/como-se-sente-uma-mulher/

Lucas disse...

Não existe idade pra começar algo novo. Muita gente larga toda uma carreira construída aos 60 anos pra tentar algo novo, algo que traga prazer ou sentido pra vida.

Entrar numa faculdade, buscar uma profissão, pra ir atrás de algo que faça sentido, um sonho de mudar o mundo (seja justiça, saúde, educação, tecnologia, qualquer coisa que melhore a vida das pessoas), é a coisa mais sensata que se pode fazer, por você e pelos outros.

Zrs disse...

Faça Ciências Sociais,um excelente curso para as demandas sociais, recomendo!

Foyo Silva disse...

K nunca é tarde para lutar pelo que acredita ser o melhor!

danili disse...

K, eu fiz Audiovisual na USP. Entrei em 2006, com 20 anos e, dos 35 alunos da turma, só 5 tinham entrado direto do colegial, com 17-18 anos. Então desencana do lance da idade.

E, sobre a escolha do curso, acho que não existe uma profissão certa pra defender uma causa. A profissão é o meio, não o fim. Acho que sendo advogada vc pode fazer muita diferença na vida de cada um de seus clientes. E sendo cineasta você pode fazer um filme/programa de TV/websérie vista por milhares ou até milhões de pessoas e provavelmente algumas delas vão se sentir bastante tocadas com a história que você contou. Talvez um filme não mude de uma hora pra outra completamente a vida de milhares de pessoas. Mas contar histórias que empoderam mulheres, por exemplo, com mulheres protagonistas, pode mostrar a muitas meninas que elas não precisam se sujeitar a homens que não a respeitam, que elas podem fazer o que elas quiserem, que elas podem ser protagonistas de suas próprias vidas.

É claro que aqui estou sendo totalmente parcial porque amo ser artista e eu realmente acredito que pela arte é possível mudar o pensamento das pessoas. Por isso, acho que vc tem que escolher a profissão com a qual vc se identifica mais e dentro dela agir para ajudar pessoas.

Nina disse...

Acho que, como a Lola disse, o importante é você escolher um curso com o qual se identifique, porque nenhum é fácil. TODAS as profissões que você escolher não só Direito) vão exigir de você muito estudo e formação contínua. E quando a gente gosta do que faz superar as dificuldades fica muito mais fácil, não?

Força e sucesso!

MCarolina disse...

Decida por você mesma, eu acho que um propósito como o seu ajuda muito a dar sentido à vida acadêmica e de trabalho. Isso pode ser feito em qualquer área, mas atuar com juíza ou promotora seria muito bom para a sociedade.
Por favor, não ouça conselhos de uma pessoa lesada que acha Direito uma faculdade mais difícil que a média. Não desmerecendo, mas totalmente fora da realidade.

Vitória disse...

KKKKKKKKKKKKK gente, estou rindo muito do seu amigo. Porra, ele acha um tanto que demais fazer direito para lutar por uma causa, enquanto 90% dos estudantes de direito hoje fazem esse curso só para tentarem um cargo público kkkkkkkkkkkkk

Que inversão de valores DOIDA!!!!! Fazer direito pra fazer cursinho é OK, mas para defender as pessoas e fazer justiça NÃO. EM QUE MUNDO NÓS ESTAMOS G-ZUIS?!

Filha, se vc gosta de Direito e acha que será útil na luta social, CAI DE BOCA COMO SE FOSSE UMA PIROCA GOSTOSA!!!! Todos os estudantes de direito deveriam ter motivações como essa!

Rafael Barros disse...

Uma pena a sua história e, mesmo sendo a de várias pessoas, se torna especial pela coragem de compartilhar. Melhor ainda, pela vontade que te despertou de lutar contra isso.

Direito ou Audiovisual: em qualquer uma, haverá espaço para sua luta, então, escolha a que você se identificar mais.

Rafael Barros disse...

Agora, a luta vai ser (e é) difícil em qualquer área, também.

Um exemplo recente, de dentro da Faculdade de Direito da UFC:

http://www.direito.ufc.br/index.php?option=com_content&task=view&id=288&Itemid=1

Veronica disse...

20 anos vc tá novaaaaaaaaaaaaaa. o Mundo é seu. Viu a Lolinha falando de quando se formou?

Bos sorte com a sua escolha e com seus estudos.

Tanize disse...

K, vai em frente!!! Você tem muita vida pela frente. Ela mal começou...

Não realize as decepções que os outros esperam de você. Siga com determinação e realize os SEUS sonhos!

Força, determinação e muitas horas de estudo pra você!!

PS: Tenho uma amiga advogada, que faz escola de magistratura, e ela fala o quanto a área de Direito precisa de pessoas vindas de diferentes origens, pois ainda é uma área muito machista e, acima de tudo, elitista. Você pode ser mais um diferencial neste meio.

Tecedora disse...

A maioria dos juízes é homem, por enquanto. A maioria dos novos magistrados já é de mulheres, há anos. No futuro o Judiciário será feminino.

Pili disse...

Querida K,
Eu fiz cinco vestibulares pra conseguir entrar na facul.
Tenho 27 anos e Estou no sexto período de direito. Desde q entrei na facul (pelo mesmo motivo que vc falou) eu sabia q direito não era o que eu queria. direito era o que eu precisava pra chegar onde queria. Tem uma diferença...
decidir estudar direito pra capacitar sua atuação no mundo da forma que lhe parece justa é um motivo muito nobre, e muito válido. E é um lindo plano, super possível.
Mas cansa.
Também acabei de começaresse ano uma nova faculdade, de historia. Algo que me deixa muito muito muito feliz! gosto muito mais do que o direito.
Só que, apesar de ser uma área correlata ao direito, ela não me dá a mesma margem de atuação que o direito permite.
Estou tentando levar as duas coisas.
Porque, como disse... É SUPER POSSÍVEL!
Encontra sua inspiração e vai! Não deixa minarem sua força de vontade.
E se, depois de aprovada, vc decidir que há outras formas de colaborar com o mundo, em outras areas... Nada te impede de rever seus planos.
Até porque, é muito mais facil mudar de curso uma vez q vc já está dentro de uma facul do que ter que fazer vestibular outra vez.
Parabens pelas vitorias ;) espero que venham muitas outras

Leio Lola Leio disse...

Hoje descobri uma página na internet que se apresenta como sendo "humor policial". Ela é recheada de imagens e piadas que fazem apologia à violência contra a mulher e que ridicularizam os direitos humanos. Fiquei chocada quando encontrei essa página e com a quantidade de gente que compartilha suas mensagens.
Como de costume, denunciei onde sabia que era possível denunciar, mas confesso que fiquei me perguntando se denunciava na polícia federal, porque a página se dizia humor policial e fiquei lamentando o fato de haverem policiais que se divertem com aquilo. Um exemplo: uma foto continha a frase "eu te amo" escrita com balas de revólver, junto com uma arma e a piada de péssimo gosto era "te amo, mas se você me trair, são todas [as bals de revólver] para você!".
Gente, isso é humor aonde?! De ontem para hoje decidi que não vou mais pactuar com isso em nenhum minuto, não importa se é o chefe ou o professor fazendo piadas desse tipo! Tem uma padaria que frequento na qual o funcionário não pára de fazer piadas machistas. Não rio, evito contato visual com o sujeito, mas quero criar coragem de na próxima oportunidade falar com ele sobre isso, como isso incomoda e talvez até formalizar uma reclamação sobre o fato, dependendo do que a conversa com ele desdobrar.

Beatriz Gosmin disse...

Entrei na faculdade como bolsista este ano, estou cursando Letras-Português. Estou adorando e sei que posso fazer muito pelas pessoas através dele, ser professora é ensinar, ensinar o conteúdo da matéria e também outros conhecimentos. (:

P. disse...

K.,

acho que já falaram isso, mas não é só sendo juíza ou se formando em Direito que vc pode mudar o mundo, não.

se vc sentir mais atração pelo Audiovisual, acho uma ótima seguir esse caminho também. Imagine a possibilidade de filmes, documentários, e outros produtos que vc poderá fazer com a temática da nossa luta? E o alcance que esses produtos poderão ter? Sempre existe um caminho, dentro de qualquer profissão, para mudarmos o mundo ao nosso redor.

Mas, se sua paixão está mudando mesmo para o Direito, legal também! O que digo apenas é: dá pra unir aquilo que a gente gosta de fazer com aquilo pelo qual a gente precisa lutar...

Um beijo pra vc e 20 anos é uma idade ótima pra entrar na faculdade!

P.

Maria Fernanda Lamim disse...

Acho a motivaçao muito justa. Uma bela maneira de dar algum sentido a tudo o que vc passou. Escolhi minha profissao pensando tambem em ajudar a fazer um mundo melhor, e tb baseada em experiencias pessoais (bem mais suaves do que as relatadas aqui), Sou bem sucedida no que faço (sou professora de teatro) e apoio sempre que a escolha profissional seja baseada em valores e afinidades, nao apenas em ambiçao ou desejo de estabilidade.
Sobre a idade, concordo com o que todxs ja disseram. :)
Muita luz no seu caminho, força sempre!

Sofia L.B. disse...

K., quanta força! Parabéns!

Mesmo que vc fosse bem mais velha que isso ainda valeria a pena, mas 20 anos é basicamente a idade que a maior parte das pessoas entra na universidade mesmo. E muita gente entra beeem depois. Não se preocupe com isso! :)

A sua história é pesada, mas a sua superação e o seu desejo de mudar as coisas é incrível. Estou torcendo por vc! :)

p.s.: gostaria de te avisar que a universidade é um ambiente com mta gente preconceituosa, com mentalidade que parece que vc tá lendo a Veja. Digo isso pq, qdo eu entrei, achei que seria diferente, ou pelo menos haveria um forte debate. Hahaha. Pra ouvir coisas feministas vc tem que ir em determinados lugares, pra ouvir coisas machistas (e coisas do tipo "negro vê problema onde não tem", "ficam tentando convencer a gnt que ser gay é melhor") pode ficar "tranquila", que isso vem até vc. Por favor, entre mesmo pra alguma instituição superior, elas precisam MUITO de gente como vc!
#desabafo #mas vc não acreditaria na discussão que tive ontem contra uma sala inteira. u.u"

Patty Kirsche disse...

K, faça direito se vc gostar, mas não "só" para lutar. Você também pode lutar através da arte e da pesquisa, caso faça audiovisual. Mas o mais importante é curtir ser trabalho, não se esqueça!

Aline disse...

K, eu tenho 34 anos e estou no terceiro período de jornalismo. Já fiz uma faculdade anteriormente, para a qual entrei quando tinha apenas 17, e estou adorando a experiência de estar na sala de aula mais madura. Nossa cabeça está mais aberta a outras possibilidades (por exemplo, um artigo meu foi aprovado em um congresso de história da mídia), e temos mais claro na nossa cabeça o que queremos.

Fiquei muito impressionada com o seu relato de auto-superação. Perceber que o pai é misógino e que te faz mal ativamente é uma situação da qual é difícil sair, pois temos a tendência de idealizarmos nossos pais e, frente aos problemas, acharmos que a culpa é nossa. Parabéns por sua maturidade e sua coragem de romper com padrões tão difíceis de mudar.

Desejo muito sucesso na sua jornada, seja como comunicadora, como advogada, como ativista e como formadora de opinião. É aos poucos que vamos fazendo nossa revolução.

Aline disse...

K, eu tenho 34 anos e estou no terceiro período de jornalismo. Já fiz uma faculdade anteriormente, para a qual entrei quando tinha apenas 17, e estou adorando a experiência de estar na sala de aula mais madura. Nossa cabeça está mais aberta a outras possibilidades (por exemplo, um artigo meu foi aprovado em um congresso de história da mídia), e temos mais claro na nossa cabeça o que queremos.

Fiquei muito impressionada com o seu relato de auto-superação. Perceber que o pai é misógino e que te faz mal ativamente é uma situação da qual é difícil sair, pois temos a tendência de idealizarmos nossos pais e, frente aos problemas, acharmos que a culpa é nossa. Parabéns por sua maturidade e sua coragem de romper com padrões tão difíceis de mudar.

Desejo muito sucesso na sua jornada, seja como comunicadora, como advogada, como ativista e como formadora de opinião. É aos poucos que vamos fazendo nossa revolução.

Rodrigo disse...

Eu nao acho que o que o amigo dela quis dizer que fazer Direito só pra combater injustiças é ruim, mas que, além de você querer esse intuito, é preciso gostar muito do curso que você vai escolher, porque não gostar do que se faz é um porre total. Acho que mais importante do que escolher um curso que você acha que possui mais chances de contribuir para uma causa social, é escolher algo que goste e arranjar formas de trazer isso para combater os problemas que você deseja (se esse curso for Direito, então cai dentro! )

jacmila disse...

K. com toda sinceridade: esse teu "pai" é um CRIMINOSO e sua mãe uma TOLA.

E é por conta de mulheres boazinhas, q "sabem perdoar", mais esse sistema machista perverso q esses boçais criminosos continuam impunes, infernizando a nossa vida.

Faça direito, ajude a acabar com tanta impunidade.

E ESQUEÇA esse "pai", antes dá um belo chute nos bagos dele. Ele merece.

Luan disse...

jacmila

A vista é boa de cima do pedestal de onde você está julgando os outros?

É lindo chamar alguém que sofreu violência doméstica de "tola" e creditar a ela (que não teve ajuda das autoridades e deve ter lutado horrores para se libertar disso) a responsabilidade pela perpetuação desse sistema.

jacmila disse...

"Minha mãe tem um coração que não cabe dentro do peito, e lava as roupas dele, dá comida, ajuda."

Fiquei de cara com essa parte.
Minha mãe está até hj com o cara q a esmurrava quase toda semana, inda bem q não é meu pai. E o meu "pai" biológico não assumiu a paternidade, alegando q minha mãe era uma vadia.
E é vc, luan santana, q tá me julgando, dizendo q estou num pedestal. Vaitktá.

P. disse...

Jacmila,

vc chamou mesmo a mãe da menina de tola? Eu li isso mesmo?

Ai, que falta de paciência.

Sinto muito pela situação dentro da sua própria casa e imagino que vc deve sentir muita raiva do seu padrasto, do seu pai e da sua mãe, que vc pode chamar de tola, se quiser. Mas eu não vou chamá-la de tola. Nem vc deveria fazer isso com a mãe da K., pois não conviveu com ela, não sabe da história de vida dela só por um curto relato e não tem toda essa onisciência, na boa.

jacmila disse...

Digo e repito: tola to-la to-la lalalá

os machistas gostam q se enroscam nas tolas, nas tolinhas e nas tolonas q se apaixonam por cafajestes, covardes.
TOLAS
Preferem ficar mal acompanhadas do q sós
TOLAS

Patrick disse...

K., eu não sei se você precisa fazer uma faculdade de direito, mas de uma coisa eu tenho certeza: as faculdades de direito precisam de pessoas como você. Sucesso no caminho que escolher!

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Na área do audiovisual vc não precisa necessariamente fazer uma faculdade. Existem vários cursos livres, oficinas, extensões, etc.
Há tempos também tenho me interessado por essa área e no segundo semestre começarei um curso, falta decidir se é mais vantajoso um curso livre ou uma pós.
Enfim. Tudo de bom pra você. Mas tente decidir o que irá te deixar mais realizada. Em qualquer área é possível contribuir com aquilo que julgamos mais necessário, seja através de processos ou tv, documentários...
Abçs e bom fim de semana a todos.

cath_silva disse...

Que linda!!! Quase chorei. Faça Direito, sim! Ah, sério, muita luz pra você, K! Você é corajosa e determinada, nao desanime! Gente como você me inspira também, sabia?
Beijos

Luisa disse...

Eu ia escrever pra te dar força pro curso de direito, se é isso que você quer, mas muita gente já fez isso, então apenas adiciono minha voz às muitas aqui. Quando terminei o ensino médio eu sentia já em mim alguém que precisava viver lutando contra injustiças, mas acabei escolhendo a profissão pelo minha paixão: arquitetura. Mas não é que é possível juntar as duas coisas? Então vá pra onde seu coração tá te mandando... e se não gostar, mude de ideia. Não deixe a galera do "deixa disso" te convencer que não vale a pena.

Luisa disse...

Ah, e só pra completar, surreal é fazer faculdade pública pra NÃO combater injustiças...

Cristal disse...

K., eu estudo Direito na UFES, e minha sugestão é: se você está realmente com vontade, faça. o curso é bastante puxado sim, pesado, mas você sempre vai ter tempo pra trabalhar à tarde - ganhar seu próprio dinheiro, com seu esforço, costuma fazer muito bem pra se sentir mais forte.

aqui no ES estamos precisando muito de operadores do direito preocupados com a violência contra a mulher. você sabe que nosso estado é o campeão nacional nesse triste quesito? aqui é onde mais mulheres são mortas por seus "companheiros". atuando nessa área você pode fazer a diferença SIM. pode se tornar uma delegada que não vai negligenciar casos de agressão doméstica, estupros, pode ser uma promotora, uma juíza que não vai atenuar demais a pena de um estuprador só porque a vítima "tava de saia", você pode escrever livros na área, defender teses jurídicas. dá sim pra fazer a sua parte.

e quanto à idade, não se preocupe. boa parte dos meus colegas entrou na UFES com mais de 20 anos. há pessoas casadas, com filhos na minha turma, gente que já fez mais de um curso, policiais, professores, enfim.

claro que o curso tem seus defeitos. não gosto muito do formalismo do direito. atuando na área do Audiovisual vc pode, digamos, fazer filmes, vídeos, curtas, documentários sobre a questão da violência contra a mulher, e ter muito mais liberdade do que se tem no direito.
maaaasssss o direito te dá mais estabilidade financeira, mais possibilidades de trabalho, e chances de atuar no mundo de uma maneira mais visível, prática e talvez, imediata.

se vc optar pelo Direito e conseguir ingressar no curso da UFES, será muito bem-vinda :)

Anna Kllywya disse...

Acho é que independente do curso que você faça, a universidade te abre inúmeras portas, janelas e céus estrelados. Tem gente que faz faculdade sem nunca ter passado pela universidade. A universidade te a chance de viver tantas experiências diferentes, com tantas pessoas diferentes, com opiniões e idéias diferentes. Aproveite esse novo mundo e se de a chance de conhecer mais todos os caminhos que vc pode tomar.
Esqueça a sua idade porque maturidade não está ligada aos anos de vida, e sim as experiências de vida. E lembre-se que em todo lugar e em toda profissão precisamos de mulheres capacitas e interessadas em ajudar o próximo. Com força e garra para derrotar o machismo e libertar milhões de mulheres que ainda sofrem caladas e não tem força para lutar.

Joane Farias Nogueira disse...

"No momento em que comecei a impedir que ele a machucasse, eu passei a ser a piranha."
Conheço essa história. Ah,sim...eu passei a mesma coisa. Muito triste. Sinto por vc.

Joane Farias Nogueira disse...

Eu tenho 26, entrei na facul com 25 anos. VOCÊ NÃO ESTÁ VELHA. Eu fiquei numa depressão por tantos anos e parei minha vida. Havia dias que eu nem banho tomava. Muito triste.
Era isso em casa, bullying no colégio,bullying na família. Eu parei de estudar no 1º ano. Sempre tentava terminar, mas nunca conseguia. Era difícil terminar qualquer coisa que começasse. Fiz um supletivo em 3 meses, isso porque fiz concurso para o Banco do Brasil (passei e fui convocada). Me matriculei e estou estudando à distância. Sinto que parte da minha carreira nunca existirá, mas com o tempo, o sentimento de "ser velha" some um pouco mais. Tranquilize-se.
Queria fazer o que vc quer fazer. Queria ser assistente social ou fazer direito para corrigir injustiça. Não é surreal, mas talvez vc esteja achando que vai conseguir mudar o mundo todo. Eu sofro dessa síndrome...kkk!! É duro! Só quero que vc se conscientize de que não é assim,mas que vc deve continuar lutando pelo que quer lutar independentemente da dificuldade. Bom, pelo menos, eu acho que vc só não deve colocar todas as suas expectativas nisso. Palavras do meu boyfriend para vc : "CAI DE CABEÇA!!"
Também sei como é isso. Nem chega perto do seu sofrimento,mas eu conheço a "figura".
"Quando chego, fico sabendo que meu pai bateu a cabeça da minha mãe na parede."(2)

Paulo Cunha disse...

K. quase nunca comento, mas depois do seu relato vim aqui pronto para dizer que 1. não há idade para se entrar na faculdade (até rimou; e menos ainda de parar de estudar), 2. com certeza, seria ótimo vê-la no judiciário.

Mas muitxs disseram o mesmo. O que muito me alegra também.

Siga firme...

Lorene Louvem disse...

K., eu entrei na faculdade de Direito quando tinha 20 anos e não é tarde não, a maioria dos alunos está nessa faixa. E, se for o que vc realmente quer, seja MUITO bem vinda! Sua motivação é linda e estamos precisando de pessoas como vc com urgência.

Lorene Louvem disse...

K., eu entrei na faculdade de Direito quando tinha 20 anos e não é tarde não, a maioria dos alunos está nessa faixa. E, se for o que vc realmente quer, seja MUITO bem vinda! Sua motivação é linda e estamos precisando de pessoas como vc com urgência.

Mariana disse...

K, eu entrei na faculdade com 17 anos, direto do colégio. Hoje, quase 10 anos depois, posso dizer que isso não é lá uma grande vantagem, já que eu sou uma pessoa completamente diferente, com sonhos e visão do mundo diferentes daquela garota de 2004. Quase não me reconheço olhando pra trás! E aos 20, 21 anos já me sentia mudada, agora me sinto quase como outro indivíduo.

Olha, entrar cedo na faculdade nem sempre é garantia de sucesso ou realização. Eu era muito imatura aos 17 e hoje vejo que fiz algumas escolhas erradas naquela época (tipo estudar Publicidade), que afetaram minha vida profissional, mas nunca é tarde pra mudar. O que me chateia bastante é esse clichê de que a vida tem que seguir uma fórmula conquistas/idade. Essa cobrança da sociedade nunca é saudável e pode parar a vida de muita gente com potencial, mas que se acha velha pra recomeçar.

Sobre a sua dúvida, concordo com quem disse que nosso judiciário, cheio de gente preconceituosa e machista, precisa de pessoas como vc. A sua própria experiência mostra isso, vc mesma viu o quanto a polícia é cheia de gente assim. Eu, particularmente, acho o caminho do Audiovisual mais difícil. Posso estar falando besteira, mas conheço algumas pessoas formadas na área e é complicado se vc não tiver uma boa network (aliás, esse é o problema de todas as áreas de comunicação). Mas, no fim, a escolha é sua e espero que vc faça a diferença seja qual for a sua carreira. Boa sorte!



Fernando Bernadelli dos Santos disse...

Fiquei bastante comovido com sua história. Parabéns a vc e a sua mãe que mudaram o rumo dessas agressões.Lembro tbém que quando eu era criança meu batia agredia verbalmente a minha, com essas palavras de baixo calão. Era horrível. Obrigado por compartilhar a sua história e lutar para que não existe nenhum tipo de violência é fundamental.

Sarah Luna disse...

Eu apoio! Penso que tem poucas pessoas feministas nestas profissões. Tanto na área de Direito, como na polícia como vc citou. Sua história me fez lembrar de uma situação que presenciei ainda adolescente. Eu tinha uns 14 anos e tinha perdido minha carteira. Minha mãe inventou que teríamos que abrir um BO na delegacia e fomos até lá. Ao chegar vi uma moça jovem com os filhos, aparentando ser pobre, fazendo uma ocorrência de violência que tinha sofrido do companheiro. Já estava no final quando o escrivão terminando de escrever disse a ela: "a senhora sabe que isso não vai dar em nada, né?". A moça sem reação e constrangida, simplesmente aceitou e foi embora. Me recordo que fiquei mto chocada. Dps as pessoas criticam a lei Maria da Penha e as delegacias da Mulher! Isto é mais que necessário!!

Death Neko disse...

K, devo te dizer que o principal motivo de estar cursando minha atual faculdade também é para combater as violências do machismo. Também pensei em cursar direito, no entanto fiquei com um pé atrás, pois saberia que ia sofrer demais com a "justiça injusta". Cada vez que visse um agressor sair impune eu piraria. Minha outra opção, que é a que estou seguindo, é psicologia. Espero poder ajudar muitas vítimas de violência... E libertar várias outras que podem vir a ser.

Claudia Pinheiro disse...

K. Seu relato me deu experança. Esperança de um mundo melhor, um futuro onde as pessoas em cargo de poder sejam movidas por motivos nobres. Não desista do seu sonho. Não precisa dividir isso com ninguem do seu convivio, especial,ente seus futuros colegas quando vc estiver la como caloura, porque as pessoas que não tem isso que vc tem vão abalar sua confiança, vão tentar minar seus sonhos. Eu fiz faculdade tarde, entrei para a faculdade com 25. Me achava velha em comparação com as minhas amigas, que na maioria tinham a sua idade. Me formei recentemente, e tambem devido a uma tragedia pessoal que vivi, tive vontade de fazer justiça, reavaliei toda minha carreira. Espero que você chegue la!

Barbara Dalalana disse...

Me identifiquei muito, estudei de economia e durante toda a faculdade ouvi que economista só pensa em dinheiro, na taxa de câmbio, na alta das ações... bom, eu sou economista e entrei no curso com a intenção de estudar a pobreza e a fome e tentar fazer com que essas sumam do mundo, nada menos que isso!

Pessoas medíocres tomam decisões medíocres baseados em preconceitos idiotas de que ninguém é bom o suficiente para mudar a realidade em que vivemos. Oras, se somos parte dela, alguma coisa a gente consegue mudar, não? Comece mudando você mesma, é o maior ato de coragem de um revolucionário e vai atrás dos teus sonhos...

Iana - @obstacle01 disse...

Oi K. (e Lola), não costumo comentar aqui, mas me identifiquei com esse post e gostaria MUITO que você lesse o que eu vou falar antes de decidir:

Eu passei pra Direito na UFRJ aos 17 anos querendo ser defensora pública pra defender as pessoas que são marginalizadas por conta da classe social.
Fiz estágio por 1 ano na defensoria pública... Mas agora, 2 anos e meio depois de ter começado a faculdade, eu vou mudar pra outro curso.

Não quero te desanimar, longe disso, só quero que você considere pontos importantes antes de fazer essa escolha:

1- Você se daria bem ambiente de trabalho do Direito? Tem que considerar na área existe todo um formalismo que é exigido e uma pessoa que, por exemplo, se sente mal usando terninho com sapatilha todo dia e chamando babaca de Doutor não se adapta muito bem.

2- Tudo no Direito acontece absurdamente devagar, por mais urgente que seja a situação. Se você tem pouca paciência e pouco sangue de barata, eu realmente não recomendo.

2- Eu vou odiar te falar isso, mas tenho que falar: o sistema jurídico brasileiro é uma das partes mais importantes da opressão desse país.
Pelas recentes decisões do STF pode parecer que há muitas mudanças sendo promovidas pelo judiciário, mas são pouquíssimas na verdade.
O grande problema é que o judiciário só julga na base das leis que o legislativo aprova.
É raríssimo o judiciário conseguir fazer alguma mudança social efetiva e mesmo assim são sempre tímidas.
Exemplo: Não adianta muita coisa o ex-presidente do STF Ayres Britto votar falando que "o grau de civilização de uma sociedade se mede pelo grau de liberdade da mulher" e "se homem engravidasse, o aborto seria lícito desde sempre" se a única coisa que ele podia fazer era votar a favor do aborto de anencéfalos. Imagina a frustração desse cara sabendo que apesar do voto dele milhares de mulheres vão continuar morrendo por abortos feitos sem segurança.

Querida, pra aguentar o Direito você tem que estar preparada pra MUITA frustração. Tem que ter na mente que pode ter muitas vitórias pelo feminismo sim, mas que vai perder muito mais vezes.

Lembre-se que você teria que obedecer a lei sempre.

Então se imagina como delegada tendo que soltar estuprador porque o juiz mandou enquanto as vítimas são obrigadas a se esconder com medo.
Se imagina até como juíza dando uma sentença de pena máxima num caso de violência doméstica sabendo que a prisão não vai recuperar ele, que a mulher vai ficar completamente desamparada e que, se ele tiver dinheiro, ele vai sair da cadeia depois de apenas uns anos.

Consegue se imaginar tendo situações como estas diariamente no trabalho? Se sim, vai pro Direito. Se não... existem várias outras formas de exercer o ativismo, que nem comentaram aqui.

No meu caso eu entrei por ideologia e to saindo por ideologia (vou fazer comunicação agora). Eu AMAVA meus assistidos na defensoria e suava sangue pra resolver o problema deles, mas o sistema me empacava e eu não conseguia lidar com a frustração diária de, por exemplo, ter que dizer pra aposentado que os juros de 27% do empréstimo que era descontado do salário mínimo dele não são considerados abusivos porque um dia o congresso derrubou o dispositivo constitucional que condenada os juros abusivos.

Por outro lado tenho amigas no curso que lidam muito bem com isso, ficam putas com a impotência perante as injustiças, mas conseguem relevar e continuar trabalhando. É mais uma questão pessoal mesmo.Procure se autoconhecer bastante antes de tomar a decisão.

Tenho certeza de que se optar pelo Direito você vai ser uma operadora exemplar do Direito e um bem enorme pra sociedade. E se optar por não fazer Direito, vai ser uma profissional exemplar na área que escolher e o seu ativismo vai fazer um bem enorme pra sociedade do mesmo jeito.

Te desejo toda sorte do mundo :)
Beijos!

Obs: 20 anos é novinha ainda hahah esquece isso.
Obs 2: Não existe isso de Direito ser mais difícil que outros cursos, é basicamente filosofia e decoreba.

Fórmula de Bhaskara disse...

Esse amigo da autora não incentiva em nada né? Pois bem, eu fiz direito e o diabo não é tão ruim quanto pintam, dá pra você ser ativista e acadêmica de direito numa boa, e claro, juntar as duas coisas. Eu vejo muita gente tradicional e reacionária no direito, então é bom ter uma luz, algumas mentes mais libertárias pra fazer o balanço e dar aquela emoção do confronto de ideias, muitas das pessoas que cursam direito, o fazem por causa dos concursos públicos (o que no fundo também significa privilegiar a questão financeira). Então moça autora do post, te recomendo assistir uns videos da TV Justiça no You Tube, se informe bem sobre o curso antes de ingressar, e se for realmente o que você quer te desejo felicidades e fé para fazer do direito um instrumento da justiça! =)

*Renata disse...

Ler esses comentários me deixou tão feliz.
Praticamente todo mundo aqui escolheu um curso com a intenção de ajudar os outros e mudar um pouquinho o mundo =]

Anônimo disse...

K. Tenho 33 anos. Minha namorada é advogada e me incentivou a fazer direito também. Agora. Vou prestar o vestibular em Junho. E só nesta idade estou me sentindo preparada para iniciar esta faculdade. E me acho nova ainda. Imagina você! Boa sorte no teu caminho.

Anônimo disse...

Eu queria que esse comentário chegasse à K. Mas duvido que chegue.

Eu me formei em Direito em uma universidade federal ano passado. Tenho uma história de vida muito conturbada também e tenho um senso de justiça muito grande em mim. Por isso, fui cursas Direito. Na faculdade, encontrei muitas pessoas como eu mesma: pessoas que viram a injustiça de perto e encontraram no Direito uma forma de 'mudar o mundo'. O problema é que, à medida que o curso vai passando, que você vai estagiando, que vai fazendo trabalhos sociais, que vai vendo como funciona, de perto e de dentro, o sistema judiciário, você percebe que NÃO existe justiça. Pelo menos não aqui no Brasil (infelizmente, nunca fui para fora, não sei como funciona em outros países, a não ser pelo que leio.. mas, vejam, o que a gente lê é uma coisa. o que a gente vivencia, é sempre outra..).

Meus colegas que entraram no Direito pq não sabiam o que fazer da vida ou queriam ganhar dinheiro todos se deram muito bem. Estão felizes e adoram a profissão. Os que entraram querendo mudar o mundo, estão todos infelizes e iniciando uma segunda faculdade. Ou se conformando em fazer um concurso público e viver a vidinha medíocre de classe média acomodada.

Não faça Direito.

E.. isso sobre juízes: gata, passar num concurso para juiz é MUITO difícil. Se você não conseguir sequer passar num vestibular para uma universidade federal, pode esquecer de querer ser juíza!

Não estou querendo lhe desestimular não.... só estou sendo sincera. Conselho de amiga, vai por mim!

Acho que compensaria mais você fazer psicologia e ir trabalhar numa ong que atendesse mulheres e filhos de abusadores.

Anônimo disse...

Ah, em relação à juízes machistas, ninguém viu a JUÍZA (mulherrr) que abaixou a pensão que o Maurício Mattar deveria pagar pra filha (de 11 mil para 4 mil! menos da metade do q pagava anteriormente!) dizendo que a menina já tem 17 anos e deveria ser incentivada a ir trabalhar para complementar a renda?? Eu queria saber que trabalho é esse que uma menina de DEZESSETE anos vai arranjar pra ganhar SETE MIL REAIS! Pq,olha, tô super querendo um desses...

Anônimo disse...

Se eu começar aqui a relatar diversos casos de agressões psicológicas, físicas e verbais por partes de mulheres a outras pessoas que eu presenciei durante a minha vida, você irá postar também dando conselhos? Na vida testemunhei muito mais isso por parte de mulheres, aterrorizando seus maridos, namorados e filhos. Sofri muito de todas as formas nas mãos da minha mãe e vi parentes minhas(primas, irmãs, tias...) aterrorizando seus cônjuges. Os homens por respeito e medo aturavam injustamente calados, algo que eu prometi a mim mesmo nunca mais ser vítima desse abuso feminino.

josil de borba junior disse...

Depois de ler esse texto consigo entender melhor o lado feminista