quarta-feira, 18 de abril de 2012

GUEST POST: AS VÁRIAS POSSIBILIDADES DO BDSM

Outro dia acompanhei no Twitter uma conversa erótica e divertida entre leitor@s do blog (provavelmente tod@s masoquistas), e aproveitei pra pedir pra Daniela Montper escrever sobre um assunto do qual não entendo nada e nunca foi tratado no meu blog: BDSM, sigla que a Dani vai explicar aí embaixo, o que pra pessoa leiga é o sado-masô. A meu ver, a palavra-chave pra se explorar nossa sexualidade desta forma é só uma: consentimento. Se as partes envolvidas estão de acordo, que mal tem?
Dani é carioca, feminista, e luta principalmente pelos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Muito obrigada pelo guest post, Dani! Agora, queridas pessoas menores de 18 anos, peço que tirem um dia de folga do blog e voltem amanhã, por favor.

Muitas pessoas acreditam que o BDSM se limita ao sadomasoquismo extremo e violento, mas sabe quando a gente resolve privar @ parceir@ de seus movimentos colocando algemas nel@? Ou quando vendamos ou somos vendados e então aproveitamos para aguçarmos os sentidos usando cremes de chantilly para lambermos o corpo ou passamos cubo de gelo sobre o corpo, sempre com a intenção de experimentarmos sensações eróticas novas e buscando prazer nessa entrega mútua? Pois é, nós já nos aventuramos pelo BDSM, porque esta é a sua essência: explorar eroticamente os sentidos d@ outr@; entregar-se sem reservas e confiando que @ parceir@ fará algo bom com o nosso corpo e para nossa mente.
Podemos usar as práticas do BDSM de forma sutil ou intensa, isso vai depender do que @s parceir@s estão buscando e o nível de dedicação, entrega e confiança empregados. Por isso não é abuso ou violência, porque as ações permitidas e os limites são combinados antes de se por em prática qualquer um dos aspectos do BDSM -- e o meu objetivo aqui é falar um pouco sobre a definição das quatro letras desta sigla para uma melhor compreensão.
BDSM é composto por Bondage e Disciplina (B & D ou B/D), Dominação e Submissão (D & s ou D/s), e Sadismo e Masoquismo (S & M, S/M ou SM) -– que é mais comumente lido como sadomasoquismo para se distanciar dos significados desses termos na Medicina e Psicologia, pois no BDSM a relação sadomasô é consentida e acordada pel@s envolvid@s.
Bondage é somente um dos aspectos do BDSM e significa privar a pessoa de seus movimentos ou outros sentidos, que pode acontecer de um jeito bem simples como o uso de algemas, vendas ou lenços, ou com as práticas mais avançadas como uso de cordas, grilhões, correntes, etc. Este segmento é um fetiche por proporcionar prazer apenas por ser amarrad@ ou por amarrar alguém e é muito usado em sessões sadomasoquistas.
Disciplina no BDSM descreve uma restrição da Psicologia que envolve o uso de regras e punições (e recompensas às vezes) para controlar o comportamento d@ parceir@. Normalmente as punições envolvem agressão física (açoitamento etc), humilhação (agressão verbal ou avacalhamento em público) ou perda de liberdade (desde prendendo-a na cama ou impedindo a pessoa de fazer algo que lhe dê satisfação). A disciplina, geralmente, está inserida nos demais aspectos BDSM.
Dominação e Submissão -- um não existe sem o outro e é composto por um conjunto de comportamentos envolvendo rituais e costumes de doação e aceitação de controle de um indivíduo sobre o outro, podendo ser no dia a dia ou apenas nos encontros sexuais conhecidos como sessões ou cena quando os envolvidos interpretam papeis em um jogo erótico de Dominação e submissão e sadomasoquismo. @s dominantes são conhecid@s como Dom ou Domme, e @ submiss@ de sub, e quem intercalar entre papeis de Dom e sub é conhecid@ como Switch. E este conjunto é essencialmente mental e não precisa envolver os demais aspectos do BDSM, porém, está presente de alguma maneira nos demais aspectos por ser muito amplo e o mais vivenciado tanto no mundo BDSM quanto fora -- e também é por isso que possui diversas vertentes que não dá para discorrer a respeito em apenas um post, porém, gostaria de acrescentar que podemos explorar a dominação e submissão apenas em jogos eróticos sem que haja vínculo amoroso entre @s praticantes -- e que normalmente envolvem o sadomasoquismo -- ou então adotá-lo como filosofia de vida, na qual as ações no dia a dia d@ submiss@ deverão ser autorizadas pel@ dominante, mas para isso deverá existir um contrato entre @s envolvid@s que pode ser verbal ou escrito e em alguns casos esta união chega a ser formalizada diante de testemunhas da comunidade BDSM com a cerimônia de encoleiramento, onde se trocam votos e @ submiss@ recebe algum item para usar que indique a quem pertence (coleira, tatuagem, etc). Essas relações totalmente imersas nesse universo são chamadas de 24/7 que significa “vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana”, onde não há interrupção do contrato entre Dom e sub, e @ dominante zela por seu/sua submiss@ e está atento às suas necessidades (pode ser sexual, física, emocional, vai depender do acordo) e, em troca desse cuidado, @ submiss@ se entrega confiando completamente em seu/sua dominante todos os dias, até que o contrato termine -- é como um casamento em que cada parte tem seu papel muito bem definido na relação com regras determinadas e com a opção de rever o contrato em algum momento, pois neste há a opção de incluir um período de folga ou férias para que @ submiss@ possa ter um tempo sem ser dominad@ e poder reavaliar a relação.
Sadomasoquismo -– sadismo e masoquismo consentidos -– envolvem aspectos físicos quando há a busca pela satisfação sexual através da dor, ou mentais quando há prazer na humilhação ou tortura mental, podendo ocorrer os dois ao mesmo tempo ou separadamente, e a imaginação d@s envolvid@s é o limite! Tudo é permitido, desde que todas as partes concordem, e as sessões de sadomasoquismo mais extremistas geralmente são acompanhadas de alguém como mediador para manter a segurança d@s participantes. E esta modalidade está intrinsicamente ligada à dominação e submissão, sendo @ dominante conhecido como Top, e @ submiss@ como bottom, mas podem continuar como Dom(me) e sub. Quem revezar entre os dois papéis também é conhecid@ como Switch.
Existem inúmeras técnicas sadomasoquistas e algumas envolvem equipamentos e acessórios, e @s praticantes mais entusiastas do sadomasoquismo costumam ter suas cenas eróticas dentro de locais que forneçam os materiais necessários e zelem pela sua segurança quando as sessões são mais intensas ou perigosas, principalmente porque o Dom(me)/Top pode se exceder no calor do momento , ou o sub/bottom não parar o jogo -– e é por isso que, de todas as ‘modalidades’ do BDSM, o sadomasoquismo é o mais perigoso e onde mais se usa as duas regras essenciais da comunidade BDSM, que são:
Safeword -– palavra ou gesto chave para quando um@ bottom/sub quiser que o Top/Dom pare o que estiver fazendo, e isto deve ser acordado antes das sessões e sempre deve haver uma palavra ou gesto (no caso de não poder falar) combinado.
SSC -- Saudável, São e Consentido -– toda sessão BDSM deverá ser de forma segura e que não prejudique @s participantes e tudo deve ser consentido, caso contrário a prática pode ser enquadrada como estupro ou homicídio (raramente ocorreu o segundo), por isso que muit@s preferem ter suas sessões monitoradas.
Mas apesar de tudo isso, o mais bacana é que ninguém precisa seguir à risca nada do BDSM, podemos simplesmente experimentar alguns jogos com @ companheir@(s) de vez em quando, para sair da rotina com coisas simples. E se resolverem experimentar algo mais intenso, procurem locais que ofereçam serviços de treinamento dessas práticas (que existem em várias cidades), ou seja, viva toda sua sexualidade sempre de forma saudável, sã e consentida!

238 comentários:

«Mais antigas   ‹Antigas   201 – 238 de 238
Anônimo disse...

tou fora! sou paz e amor e detesto violência, inclusive a psicológica.

Anônimo disse...

"surpreendente ter vindo do cinema japonês q a gente imagina ser travado"

dri, os pornôs japoneses são OS PIORES EVER. quase todos os pornôs japoneses são uma puta alusão ao estupro. sempre meninas novinhas com cara de choro, pedofilia, violência, gang rape. é nojento demais.

fantasia é uma coisa. um video que mostra um cara indo pra cima de uma mina dormindo/relutante (ou um ginecologista que masturba a paciente), mas de um jeito prazeroso pra ela, de forma que - uma vez acordada/ciente dos fatos - ela parece gostar (sorri, geme, beija de volta, etc) é ok.

são situações complicadas, pq podem fazer parecer que basta insistir pra mulher ceder, que é ok um profissional abusar do seu poder e tal. mas a chave está na reação da mulher do video. está em ele atiçar e dar chance pra ela recusar, e ELA pedir pra continuar.

agora um filme em que a mulher chora o tempo inteiro, toma porrada e cuspe na cara é apologia a estupro. não consigo ver isso de forma saudável.

Anônimo disse...

black dalia, eu acho caligula nojentão. a cena de fisting é um troço traumatizante haha

já vi outros do tinto brass que são melhores, quase excitantes, mas mesmo assim muito focados apenas no prazer masculino.

Anônimo disse...

Marina disse...
fiquei um pouco assustada com esse 24/7...
sabe, fico pensando... tenho amiga que sofria pra caramba com o namorado, ele era grosso, desumano, ciumento, controlador e eu desconfiava inclusive que batia nela as vezes. Tive várias conversas com ela sobre isso, e uma vez ela me disse "ah, mas eu gosto dele assim, significa que ele gosta de mim". me pergunto qual a distância de uma situação de opressão terrível como essa e o caso do bdsm 24/7. é o consentimento? bom, ela achava que estava consentindo, afinal, podia terminar o relacionamento a qualquer momento. (e, no fim das contas, só terminou porque o cara quis)
18 de abril de 2012 16:49


exatamente oq eu penso, marina. prazer em humilhar e bater? não to nem falando de uns tapinhas na bunda que não doem, mas bater pra machucar, ser violento e opressor. não me parece muito diferente do q algumas mulheres passam na mao de parceiros violentos (em tese com o consentimento delas, pq elas n largam eles ne?)

até onde esse consentimento não é manipulado?

Anônimo disse...

carolinapaiva disse...
"O problema não é o filme em si, mas normalizar/padronizar o jeito que é praticado o sexo nesses filmes pornográficos.
Por exemplo, os rapazes terem sua performance totalmente baseada em filmes pornos e/ou exigir isso da parceira, até mesmo tratando-as da forma como as "personagens mulheres" são tratadas nesses filmes, acreditando que a mulher gostaria desse sexo mecânico, como a "personagem" que atuando finge gostar."

Resumiu meu pensamento sobre isso perfeitamente, Anônimo 16:53

Eu gosto mais dos amadores, têm mais chance de ter preliminares, mas ainda assim é preciso peneirar muito, pois os vídeos artificiais são a norma.

18 de abril de 2012 16:59


eu tb, carolina. é difícil achar né? filmes profissionais são mais bonitos, tem iluminação, bom enquadramento, audio, atores bonitos. mas 99% de um xvideos da vida é misoginia pura.

ainda bem que agora estão fazendo os tais filmes female friendly, mas tem q garimpar muito... pornografia era pra ser uma coisa mais facil haha

dos amadores, muitos repetem o padrão violento mainstream, mas ainda é mais facil achar relações mais equilibradas.

uma coisa q eu acho q ajuda é a diversidade de corpos. é cansativo ver sempre aquelas modelos de 38 quilos mal encostando no corpo dos parceiros. é quase uma boneca inflável, me sinto mal vendo cenas assim.

é o yuvutu q vc usa? eu não lembro de nenhum outro site de filmes amadores

Anônimo disse...

Ocupe-se com pouco para ser feliz.
Heráclito

Anônimo disse...

Há feminista q é contra o BDSM, e o vê como uma dominação machista; e há feminista q é a favor, q vê como um fetiche feminino, uma escolha da mulher. O feminismo ñ é homogêneo.

pelo oq eu li aqui, o bdsm não é nem feminista, nem machista (embora pessoas machistas possam se aproveitar dessa prática para exercer o machismo. mas o problema tá no machismo, não na prática em si)

Anônimo disse...

qd vcs falam em safeword significa oq? q dizer "para!" nao adianta e a pessoa vai continuar até o outro gritar "bisnaguinha/hipófise/paralelepípedo/girassol"?

Anônimo disse...

Eu nunca entendi isso em mim. Sou superfeminista e odeio o machismo no melhor estilo monstrenga. Mas quando se trata de sexo... Eu seria bem uma switch. Embora eu prefira ser dominada (e como, daqueles bem violentos mesmo) eu também adoro dominar, mas eu tenho muita vergonha de assumir isso. Lendo esse post, me sinto menos mal por isso, mas morro de vergonha de propor algo ao meu namorado (não faço ideia de qual é o nível de sadomaso dele). Mas eu dou a maior força pra quem curte. O que importa é ser feliz, foda-se como. Aliás, desculpe pelo aviso de 18 anos, como esse post falaria sobre algo que eu tenho relação e já não sou mais nenhuma criança, achei que seria bom pra minha saúde mental ler

Sara disse...

Anonima das 7.48 to no mesmo barco, sempre me intrigou o porque de nesse aspecto da sexualidade meu comportamento ser assim meio masoquista, embora assim como vc eu tb tenha muitos momentos mais pra dominadora, encontrei algumas teorias que talvez expliquem, mas como disse voce F_ _ _ -SE.
Sei que sou feminista e vou continuar sendo, se tenho esse lado mais obscuro, pelo jeito não sou a única rrssss.

Lady A ~ Noctria disse...

Parabéns pelo post, li e gostei.
Acho válido quando um blog fora do contexto BDSM posta algo sobre isso, sem trata-lo de forma pejorativa, marginalizada, e etc.

O BDSM para muitos é um lifestyle, e é uma prática que em sua essencia, é muito bonita, esse tipo de relação é construida sobre bases bem sólidas, como confiança, cumplicidade, além claro, do essencial SSC, São, Seguro e Consensual!

Beijos
L.A. Noctria

Daní Montper disse...

Ah Lola, mas nem precisa comprar apetrechos, você pode usar o que tem em casa, usar a imaginação - a não ser que queira sessão completa com direito a couro e aparelhagem, mas pra isso existem locais que você pode ir pra usar os aparelhos, não precisa comprá-los.

Anônimo que perguntou sobre safeword:
É importante definir uma diferente de palavras como não, chega, para, porque são expressões que os subs usam, mas que não querem que seja levada ao pé da letra, então, quando ele está no limite dele, vai dizer a safeword definida antes, e tem que ser uma palavra ou gesto simples, porém, não pode ser expressões negativas.

Anônimo disse...

'Ah, dois filmes:
"A história de O" (esse eu tinha o livro)
"9 1/2 de Amor"
divirtam-se!'

Tem tb um filme chamado
A SECRETÁRIA
com a mulher que fez a Rachel Dows no the dark knight

Anônimo disse...

'dri, os pornôs japoneses são OS PIORES EVER'

Oura, vc n viu foi nada.Já que estamos no assunto, google por bukake...a mulher quase morre afogada...

Anônimo disse...

''Cada um tem o direito de fazer o que quiser,não é da conta de vocês.
Não gosta?Não pratica.Mas deixa quem gosta praticar livremente. O que isso vai mudar na vida de vocês? Nada!'

Engraçado, muito engraçado o velho dois pesos duas medidas comendo de esmola de novo.
Porque na hora de criticar os filmes pornôs ninguem fala isso?É a mesma coisa, não gosta, não assista.
O que nenhuma feminista vai admitir é que o que ela quer é IMPOR seu gosto pessoal.Se fosse só 'nao gosta nao assista' ela n teria problema com porno nenhum.

Anônimo disse...

filme porno violento = amplamente aceito e considerado default.
X
bdsm = marginalizado.

Anônimo disse...

Olha os comentários desses idiotas. Os caras nem imaginam que um homem possa sofrer violência sexual. São os mesmos tipos que, quando uma mulher sofre, dizem que a culpa é dela. Que raiva desse povo.


http://comentarios.folha.com.br/comentarios?comment=5716251&site=1&skin=folhaonline

Anônimo disse...

existe um jornal mais canalha que a folha de s. paulo??????

http://direito.folha.com.br/1/post/2012/04/anencfalos-e-estupro-de-crianas-prostitutas-o-que-essas-decises-tm-em-comum.html

black dahlia disse...

The black dahlia murder

melhores músicas:

1- vulgar picture
2- everything went black

Flavio Moreira disse...

Oi, pessoas.
Em relação à pornografia e à mercantilização do sexo (e a consequente exploração feminina nessa indústria) recomendo esse post (em inglês - prometo que vou tentar fazer uma tradução e pedir para a Lola publicar): http://www.counterpunch.org/2012/04/19/the-shocking-suspension-of-dr-price/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=the-shocking-suspension-of-dr-price

Talvez ele ajude a esclarecer um pouco essas relações.
Abs

Flavio Moreira disse...

Segue o link para a tradução do artigo que mencionei anteriormente: http://alfarrabioseletronicos.blogspot.com.br/2012/04/o-poder-da-industria-pornografica.html
Fiz correndo devem ter passado muitos erros. Quem puder ajudar na correção, agradeço.
Abraos

LisAnaHD disse...

LoLa, como é isso que algumas vezes a gente tem de decifrar umas letras pra poder ter o comment postado e outras vezes não?

LisAnaHD disse...

Obrigada, LoLa, por me responder lá no post de hoje pq realmente qdo os comments passam de 200 o único jeito que tenho de ler a página seguinte é postando algo... não há como chegar à página de outra forma.
XoXoXo

Flavio Moreira disse...

Oi, pessoal.
Agora, em casa, com calma, pude ler todos os comentários e, tirando a meia dúzia de trolagens, gostei bastante do quanto o assunto rendeu de discussão séria e instigante. Parabéns, Lola, mais uma vez, por trazer assuntos que provocam a reflexão, por mais espinhosos que sejam.
Gostaria de fazer só um comentário em relação (ainda) à pornografia mainstream. A Lola tocou nisso em um comentário que ela fez, mas acho que vale a pena revisitá-lo: a pornografia é uma indústria, e bastante poderosa. Seu único fim é o lucro e, para isso, segundo o bom velho dogma do capitalismo desenfreado, vale tudo. Claro que essa indústria, por um lado, reflete uma demanda - não fosse isso não seria tão vasta e diversificada. Mas o mainstream, que é o que talvez atinja a maioria da população masculina, é extremamente machista e violento. Uma coisa é conscientemente a pessoa consumir esse produto e saber que aquilo ali é feito para satisfazer fantasias ou taras, outra é isso chegar de forma indiscriminada e irresponsável a tantas pessoas que, por não ter tido a oportunidade de adquirir uma melhor educação e um pensamento crítico que a capacite para discernir entre realidade e fantasia, pensem que aquela forma retratada nos filmes seja a correta para tratar uma mulher.
Não sou falso moralista e nem disse aqui que sou contra a pornografia - já assisti muitos filmes pornôs e já frequentei cinemas que exibem esses filmes e por isso mesmo posso dizer, pelo que vi, mas não vou generalizar, que muitos homens que assistem esses filmes não têm outro parâmetro de comportamento que incorpore o respeito à parceira. É na ignorância que reside o perigo.
Abs

Thata disse...

Sobre O ÚLTIMO TANGO, post no blog de Pedro Cardoso:

Bertolucci filmou ainda uma versão da cena mostrando o órgão sexual de Brando, porém mais tarde esclareceu: "Eu me identifiquei com Brando a tal ponto que cortei a cena com vergonha de mim mesmo. Mostrá-lo nu seria mostrar a mim mesmo nu".

Ah, que ótimo! Então o diretor se identificou com o ator e, por pudor de si mesmo, terminou por protegê-lo, ainda que apenas parcialmente. E com a atriz? Quem havia ali para com ela se identificar, e que tivesse poder para protegê-la, ainda que parcialmente? Ninguém. Nunca há.


http://todomundotemproblemassexuais.zip.net/arch2009-10-04_2009-10-10.html#2009_10-07_23_13_23-5758122-0


Essa fala do Bertolucci expõe abertamente as relações de poder/de gênero envolvidas neste tipo de cena/produção.
Quer dizer, dois pesos e duas medidas.

Pelo menos não houve hipocrisia - tão comum na proliferação discursiva atual sobre a representação midiática industrial do corpo da mulher.

Anônimo disse...

esse pedro cardoso é o ator da globo? não sabia que ele era inteligente.

Anônimo disse...

e obrigada por divulgar

Thata disse...

Dri Caldeira (18/04 23:03) esclareceu um ponto a meu ver
INTERESSANTÍSSIMO:

"(...) e não, BDSM não é fantasia sexual"
"BDSM é externar teus desejos mais profundos"
**EXTERNAR**

Nesse sentido, poderia dizer que, BDSM sai da "rota"/"lógica" da sexualidade tal como vivida contemporaneamente, isto é, do sexo vivido estritamente enquanto "fantasia sexual"?

(isso pq há mtas pessoas que não **CONSEGUEM** ter prazer sexual se não recorrerem a fantasias - majoritariamente relacionadas às propagadas pela indústria pornográfica mainstream)







INDAGAÇÃO às/aos praticantes de BDSM:

Entre os praticantes de BDSM, há um LIMITE para definição do que é (logo, do que não é) UMA PRÁTICA BDSM?

Isso porque pessoas/casais (2 ou +) podem adquirir apetrechos em sex shops (mercantilização, no sentido que a Lola falou), assistir a vídeos fantasiando com roupas de couro etc., brincar com eles e ... SE denominar BDSM.

Nesses casos, a partir de que momento é possível dizer que existe a prática BDSM, ALÉM DA FANTASIA (a qual Dri Caldeira afirmou NÃO constituir o BDSM)?

Thata disse...

Dri Caldeira,
Qual o problema de ela ter reconhecido e se manifestado depois?
Achei bastante preconceituosa sua colocação:

"Se disse enganada por ele e por Bertolucci na cena da manteiga... tolinha ela. Só reclamou 40 anos depois"

Essa evidência (fala da atriz) vai de encontro à abstração do indivíduo livre "consentidor".

Ora, quantas mulheres sofrem/sofreram violência sexual por homens conhecidos e não conseguem nomeá-la por anos a fio?

Quantas mulheres passam/passaram anos, décadas, em situação de violência doméstica - o que antes era considerado "normal"?

Dentro da indústria pornográfica, é considerado "normal" uma mulher se submeter a um conjunto de manifestações de ÓDIO ao feminino (exemplificado pelas breves descrições de carolina paiva)

Há inúmeros sites na internet de ex-atrizes pornô (mainstream) que militam CONTRA a pornografia mainstream (posso postar depois, mas creio que já seja de conhecimento de tod@s...).

Então ela era sujeito livre quando decidiu atuar (nenhuma estrutura social de violência de gênero ...), e quando decidiu reinterpretar e criticar a forma peculiar (enquanto "mulher"...) como foi inserida e tratada... a livre manifestação dela é desqualificada?!


É precisamente nessas situações, nas quais que vigora um discurso de aceitação (e, quiçá, "libertação"), que é mais dificultoso, bem como doloroso, à mulher nomear/reconhecer sua experiência como abuso ou violência. Evidentemente trata-se de um processo intrinsecamente lento.

Thata disse...

Voltando a
"O ÚLTIMO TANGO"

Durante o trabalho de divulgação para o lançamento do filme, Bertolucci disse que Maria Schneider havia desenvolvido uma "fixação Edipiana em Brando". A própria Schneider disse que Brando lhe enviou flores quando eles se conhecerem, e que desde então ele "era como se fosse um pai". Em uma entrevista dada na época, Schneider negou a afirmação dizendo: "Brando tentou assumir uma postura bastante paternalista, mas na verdade nossa relação não era como se fossemos pai e filha".

Alguns anos depois, no entanto, Schneider falou sobre um sentimento de humilhação sexual:

"Eu deveria ter chamado meu agente ou ter pedido que meu advogado viesse ao set, porque não se pode forçar alguém a fazer algo que não está no script, mas naquele tempo eu não sabia disso. Marlon me disse: 'Maria, não se preocupe, isso é só um filme', mas durante a cena, ainda que o que Marlon estivesse fazendo não fosse real, eu estava chorando lágrimas reais. Eu me senti humilhada, e honestamente, me senti um
tanto estuprada, tanto por Marlon quanto por Bertolucci. Depois da cena, Marlon não me consolou nem se desculpou. Por sorte foi um take único".


Schneider disse posteriormente que ter feito o filme era o único arrependimento de sua vida, e que o mesmo "arruinou minha vida". Disse ainda que considerava Bertolucci "mafioso e cafetão". Assim como Schneider, Brando sentiu-se "estuprado e humilhado" pelo filme de Bertolucci. "Fui completa e profundamente violentado por você. Nunca
mais farei um filme como esse".


Blog do Pedro Cardoso
(http://todomundotemproblemassexuais.zip.net/arch2009-10-04_2009-10-10.html#2009_10-07_23_13_23-5758122-0)

Thata disse...

Flávio Moreira,

Muito obrigada pela tradução!
Esse texto demonstra que CENSURA é o que a indústria pornográfica e seus afins industriais fazem àqueles que lhe direcionam qualquer crítica.

Li um outro texto em que Dines conta sobre quando foi, junto com outro pesquisador, a um evento da indústria pornô.
No primeiro dia, conseguiram conversar com tod@s, mas no segundo dia PROIBIRAM as ATRIZES de falar com eles (não, não é misógino...).
CENSURA TOTAL!!!

(... e alguns ainda consideram a indústria pornográfica como manifestação de "liberdade"... [de quem, cara pálida?] se for isso, não quero nem ver onde, nessa indústria, chega a restrição da "liberdade"...).

Logo logo traduzo esse texto (na medida do meu possível e com ajuda do google translator rsrs).

Jean Canesqui disse...

Bom, post.

Eu fui praticante por um bom tempo de BDSM, comecei como masoquista e me tornei switcher, hoje sou um baunilha apimentado.

Gostaria de levantar algumas questões sobre gênero no BDSM.

Machismo e pseudo-feminismo entre o lado dominante.

Falo aqui de segmentos extremistas de praticantes.

Boa parte dos dominadores homens abraçam o machismo, supremacia masculina, para compor seu personagem de Dom, sendo os mais exemplos mais contundentes o pessoal de Gore, goreanos, seguidores dos preceitos e mitos de uma série de livros ficcionais. São bastante agressivos na prática sádica e muito sexualizados praticando penetração com o pênis natural(Ou declarando que penetram, pelo menos)como forma de expressão de poder másculo.

As pseudo-feministas, pseudo pq não se pretendem igualitárias sobre os gêneros, defendem a supremacia feminina, muitas vezes usando de misticismo pagão como justificativa ou adereço simbólico. Usam de práticas sádicas, concorrentes em dor a sua contraparte masculina dominadora. Comumente procuram humilhar e emascular o escravo, retirando a potência de seu membro durante a prática. Junta-se a humilhação como inversão de papeis na penetração e o travestismo forçado.

Farei observações sobre esses temas logo em seguida.

Jean Canesqui disse...

Feminização e inversão de papeis.

Curioso se perceber como há um machismo embutido na supremacia feminina no BDSM.

Feminização é o travestismo ou alteração corporal de um homem para se parecer com mulher.

Inversão de papeis é quando o homem é penetrado por uma mulher usando objetos ou dedos.

O machismo está no modo de como se procede as relações.

Sendo fetichista não é machista.

Um crossdresser, pessoa que se sente bem se travestindo, o homem se eleva como fêmea quando se veste de mulher, em especial com a ajuda de uma parceira ou parceiro.

No caso da inversão, ocorre a exploração de maneira inovadora das sensações de prazer de ambos. O homem penetrado não se rebaixa simbolicamente, mas se eleva.

No BDSM, ocorre o império do machismo nesses casos.

A feminização é forçada. Desde o submisso que não aprecia e topa a humilhação para agradar a dona ou apenas para ser aviltado até aquele que gosta do faz de conta de se ser forçado. Ele é humilhado, de verdade ou não, perde o seu poder de macho e vira até menos que mulher, ele se rebaixa até um nível de fêmea imperfeita.

De maneira, análoga acontece com a inversão forçada ou com humilhação. A fêmea pega emprestado o falo do macho, muitas colocando em sua posição anatômica com uma cinta, e reduz seu companheiro a categoria de não macho, de novo uma fêmea imperfeita.

E claro há a possível somatória dos dois.

Lord Anderson disse...

Thata.

No geral oq defini se uma relação é BDSM é sua constancia e a importancia que os jogos SM tem.

Um casal que faça alguma brincadeira com chicotes e alvejas uma vez ou outra, não é BDSM.

Agora quem tem preferencia por essa pratica, que sinta prazer principalmente com isso...que se empolgue, etc

que tenha uma relação ja definida de quem é DOm ou sub. etc

ai sim :)

Anônimo disse...

Uma dúvida: strap-on estimula a mulher enquanto ela penetra o cara, né?

Fiquei pensando nesse papo de inversão, imaginando que eu nunca faria. Mas se meu parceiro pedisse e isso me desse prazer também (se estimular o clitóris, como eu imagino), acho que topava.

É meio estranho, mas se ele quer explorar a sexualidade dele plenamente, por que não? Desde que continuasse homem e gostando de ser o homem, uma inversão seria apenas um brinde.

Anônimo disse...

Lola querida, o post é ótimo, e os comentários excelentes.
Sobre o q vc escreveu q as fotos de BDSM paracerem catalogos de moda, reafirmo o q outros comentaristas disseram, são apenas acessórios, não precisa usar nada.

Acho q tem mtas pessoas q confundem a BDSM com degradação, sendo q é uma ecsolha e fantasia de cada um.

Naquela musica famosa "um tapinha não dói" enxergo um ladinho BDSM e não apologia à violência contra as mulheres

"Sã, Saudável e consentido" definição perfeita. São esses adjetivos q distinguem BDSM da violência sexual q massacra tantas mulheres.

Lola, já vi mtos criminosos q violentaram mulheres dizerem "a mulher gosta" - vc mais do q ninguém sabe q eles fala isso, pelo tanto de posts q já li aqui sobre esse assunto

Esses criminosos não sabem nada sobre BDSM, e me parece q usam algumas fantasias de BDSM DELES de forma distorcida pelas mentes machistas e criminosas, tentando fazer com que pareça q a mulher tbém tinha a mesma fantasia.

Por isso é perfeito insistir nesse "Saudavel, são, consentido"

Parabéns Lolinha, postar sobre BDSM de forma tão instrutiva e ´pra poucos

Viva a liberdade de opção de formas de prazer e respeito para todas as fantasias q sejam saudavesi , sãs e consentidas

Boa noite

Anônimo disse...

Pelo que li nos comentarios eu não sou uma praticante de BDSM, mas de vez em qdo gosto de algumas coisas da prática, dá uma apimentada no sexo.

Yuri disse...

Se duvidamos do consentimento das pessoas e da capacidade delas fazerem escolhas, não estamos nos colocando na mesma posição dos machistas que roubam a agência delas? Ou por uma "boa causa" pode-se fazer isso?
E em ser humilhado e apanhar. Sim, é uma possibilidade. Tem gente que gosta de jiló. Eu não gosto. Agora esses julgamentos que surgem exemplificam bem aquela frase: "O que me excita é erótico, o que te excita é pornográfico".
O único sexo errado que eu conheço é aquele sem consentimento. Mas isso não vale só pra sexo. QUALQUER COISA sem consentimento é uma merda. Se consentimento e agencia feminina não existe, ou se só os reconhecemos como válidos quando eles corroboram nossa posição, tem algo errado aí.
http://www.smbc-comics.com/index.php?db=comics&id=2352#comic

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