sábado, 27 de fevereiro de 2010

DEVENDO NOTÍCIAS

Estou absolutamente sem tempo, mas com a impressão que devo notícias pra vocês. Então é o seguinte:
1) Compramos a casa, ehhh! Foi ontem. Estamos felizes. Ela é realmente muito boa, grandona, segura, e fica pertinho da universidade. Mas precisa de algumas reformas, principalmente pra transformar uma parte da sala num quarto pra minha mãe, e pra que o lavabo do piso de baixo vire um banheiro decente, com box de banho e tal. Um pedreiro que parece competente veio aqui durante a semana, e explicamos pra ele tudo que queremos fazer na casa (inclusive construir uma cozinha simples em cima). Ele disse que seria trabalho pra um mês (tudo, não só a cozinha). Hoje à tarde ele volta para passar um orçamento. Torçam para que não seja muito caro e para que possa começar já na semana que vem.
2) Não estou mais surda! Na sexta retrasada tive forte dor de ouvido, e o maridão colocou um filetezinho de óleo para que a dor passasse. Crianças, não façam isso em casa. Não se deve colocar nada no ouvido, certo? Fiquei surdinha de um ouvido, e isso continuou no sábado e domingo. No domingo à noite fiquei preocupada que o troço não ia embora e procuramos um hospital perto de casa. Não havia otorrino de plantão. Voltamos na manhã seguinte. Nada novamente. A enfermeira recomendou que eu fosse a uma rua não muito longe onde há várias clínicas a preços populares (tipo R$ 45 a consulta). Fui lá, mas mesmo assim havia uma fila de espera gigantesca. Desisti, porque tinha que buscar alguns atestados que faltavam pra documentação completa da UFC. À noite, liguei pro hospital público pra perguntar se havia um otorrino disponível. A resposta foi que apenas pra emergências, casos de sangramento e objetos dentro do canal. Na terça de manhã, voltei ao hospital, e ouvi a mesma coisa. Mas a assistente recomendou que eu expusesse o meu problema pro médico chefe da equipe, e ele me deu um papelzinho para conseguir uma consulta. E assim foi. Consegui ser atendida após algumas horas por uma otorrina, que disse que a surdez era consequência da gripe mesmo, que eu ainda estava congestionada. Gastei 25 reais em remédios e agora estou quase curada.
Conclusões deste episódio: a ficha caiu. Deu pra perceber que o Nordeste é uma região muito mais pobre que o Sul (embora o Sul esteja longe de ser o primeiro mundo que os separatistas pregam). Em uma semana de Fortaleza, recebi mais pedidos de esmola que em um ano de Joinville. E isso porque parece que a situação por aqui melhorou um monte graças a programas como o Bolsa Família... Bom, só sei que perambulando por aquele hospital, me senti culpada por eu, classe média, estar disputando atendimento com gente muito mais pobre, que realmente não pode pagar por uma consulta. Mas eu não deveria pensar assim. Devo continuar pensando que é meu direito como cidadã ter atendimento médico público, porque creio que saúde e educação são direitos adquiridos. Mas é mais fácil dizer isso na teoria que na prática. Em Joinville nunca tivemos plano de saúde e éramos bem atendidos. Acho que aqui vai ser mais difícil...
Outra conclusão: foi a pior gripe minha dos últimos cinco anos, e uma das piores da minha vida. Sei que tá todo mundo achando que foi psicossomática, resultado do stress da mudança e das indefinições, mas não foi não. Eu sei bem o que foi: beijo do maridão! A verdade é que se aquele gripadão irresponsável não tivesse me beijado, ele não teria me contaminado! Se eu tivesse ficado surda, iria processá-lo.
3) Por falar no dito-cujo, em comentários de um post desta semana um leitor chegou à estranha conclusão que não, não dá pra viver de xadrez, e outra leitora chegou à conclusão mais bizarra ainda que, como não se pode viver de xadrez, o maridão não trabalha, nunca trabalhou, e eu o sustento. Algo do gênero. Ahn, por onde começo? Dá pra viver de xadrez, ué. Assim como "dá pra viver" de muita coisa. Há poucos enxadristas no Brasil que vivem apenas de jogar. A maior parte dá aulas também. É o que faz o maridão: ele joga e dá aulas, e vive disso há quase quarenta anos. Só não dá pra ficar rico. Pra esse propósito, faça medicina.
Ou viva fazendo o que gosta, mas gaste bem pouquinho. Em linhas gerais, o segredo tá mais em quanto se gasta (aprenda a ser frugal e viver com pouco) do que em quanto se ganha. Se você teve o privilégio de, como eu e o maridão, nascer na classe média, sabe que nunca passará fome. Pode fazer o que quiser da vida, que tudo dará certo. Pior é que não estou sendo irônica.
4) Entreguei toda a documentação necessária no departamento da UFC na terça. Tudo ok. Minha posse será na quarta, dia 3. Ainda não sei horário ou procedimento (quando souber eu falo, se vocês tiverem curiosidade pra ouvir o que é uma cerimônia de posse). Já no dia seguinte começo a lecionar. Perguntem se já preparei alguma das aulas... Agora sim estou ficando desesperada! Até porque boa parte do meu possível material está em caixas de papelão espalhadas pelo chão da sala... Os primeiros meses não serão fáceis. Mas toda vez que penso em reclamar, lembro de como sou privilegiada e me acalmo. Tô gostando de Fortaleza. Não tem o que dar errado.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

OSCAR 2010, E O MEU BOLÃO MEIA-BOCA

Oi, gente! Nem dá pra acreditar. O Oscar já é no domingo que vem que vem (dia 7), e não só eu não sei absolutamente nada sobre ele, como ainda não comentei uma linha sobre meu bolão. Mas é compreensível, né? Eu estive sem internet até poucos dias, e estou correndo no meio de uma mudança de cidade, estado e região.
Bom, tá muito em cima da hora pra organizar pra valer meu tradicional bolão do Oscar. Então vou fazer apenas um bolão simbólico, sem concorrer a dinheiro. Desculpe, pessoal, mas nem conta bancária eu tenho no momento (quer dizer, tenho, mas ela está pra ser transferida de Joinville pra Fortaleza a qualquer hora, e aí os números mudam). Não tenho a menor ideia em qual das 60 caixas de papelão espalhadas pela sala está a nossa impressora. Enfim, estou sem estrutura pra montar o bolão que faço todo ano. E não sei até que ponto bolão sem dinheiro tem graça, mas é o que posso oferecer no momento.
Pra quem não sabe, tem mais de vinte anos ininterruptos que organizo um bolão do Oscar. E pergunte a quem já participou como estar num bolão ajuda a aguentar a cerimônia geralmente enfadonha da Academia... Ano passado, finalmente, depois de amargar várias edições sem vitórias, eu ganhei o bolão! Não sozinha, empatada com o Vitor e o Leo, mas ganhei! Já foi suficiente pra limpar minha barra. Mas este ano, sei não... Acho que minhas chances são ínfimas. Até agora vi apenas um filme (Preciosa) desde que me mudei pra Fortaleza. E só fiquei sabendo quais foram os indicados há menos de uma semana. Triste.
Além do mais, não sei nem qual TV aberta vai transmitir a cerimônia do dia 7 (não tenho TV a cabo). Tô com preguiça de procurar. E quem vai apresentar o troço? Ok, achei: tem um poster. É o Steve Martin e o Alec Baldwin, juntos.
Mas deixe a preguiça comigo, e participe do bolão não-pago. É fácil. Veja a lista dos indicados aqui. Aposte em quem você acha que vai ganhar (não exatamente pra quem você torce, mas quem você acha que leva) em cada uma das vinte principais categorias (categorias que não vemos nunca, porque não chegam aqui, como melhor documentário e curta-metragem, não entram no bolão)
. Mande a sua listinha pra mim pelo email lolaescreva@gmail.com até a sexta que vem. Vou colocar todas as apostas numa tabela, e enviarei essa tabela pro pessoal. Aí domingo tá tudo pronto: é só sentar diante da TV com a tabela e torcer pela sua performance no bolão. Fica emocionante.
Peço apenas para que você siga esta ordem das apostas na listinha que me enviar (pra ficar mais fácil de compu
tar; é a ordem em que aparecem os indicados):

Melhor filme
Melhor diretor
Melhor ator
Melhor atriz
Ator coadjuvante
Atriz coadjuvante
Roteiro original
Roteiro adaptado
Fotografia
Direção de arte
Figurino
Montagem
Maquiagem
Edição de som
Mixagem de som
Efeitos visuais
Trilha sonora
Canção original
Animação
Filme estrangeiro

Só não me pergunte a diferença entre edição de som e mixagem de som porque, depois de duas décadas de bolão, já desisti de tentar diferenciá-las. E pô, quatros dos indicados são os mesmos na duas categorias. Meio redundante, não?
Ah, e pelo pouco que tenho notado, a única inovação desta edição do Oscar foi ampliar a competição pra Melhor Filme, de cinco pra dez... o que permite que produções fraquinhas, a meu ver, como Distrito 9, possam concorrer. Não gostei da mudança.
Pro ano que vem
, espero estar bem estabelecida e tranquilinha pra poder organizar um bolão decente, valendo dinheiro, que me possibilitará ficar rica. Mas este ano, é o que tem. E você não tem nada a perder. Gaste cinco minutinhos fazendo suas apostas e mande a listinha pra mim. Considere um treino pro Oscar 2011 - O Ano em que a Lolinha Vai Sair da Miséria. Desde já agradeço.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

QUER PARAR DE SER CHAMADO DE HOMOFÓBICO? PERGUNTE-ME COMO

Qual é a dúvida? Será que ele é (homofóbico)? Para, né?

Ainda sobre o BBB 10, um dos comentários mais elucidativos que li no fórum de algum lugar (desculpe, esqueci aonde) reclamava que isso de héteros serem forçados a gostar de gays, a achar os gays o máximo, e do "fato" de os gays se fazerem de vítimas "estava fora de controle" e tinha que acabar djá. A torcida dourada é justamente isso: uma luta para ter o controle de volta. Controle pra quê, exatamente? Não pra dominar o mundo, que o mundo segue sendo tão hétero quanto sempre foi. Controle pra poder ser homofóbico em paz, oras, que homofóbico também tem sentimentos e não gosta de ser criticado ao expor suas opiniões.
Como não sou homossexual, não pensei direito em algumas coisas. Coisinhas que
não me passaram pela cabeça porque não fazem parte do meu cotidiano, já que sofro (modo de dizer) do privilégio hétero. Por exemplo, todo preconceituoso é ignorante? Acho que sim, mas até que ponto algo é preconceito, e algo é fruto da ignorância? O Dourado dizer que homem hétero não pega AIDS, isso é ignorância, preconceito, ou os dois? Pra mim, os dois. E please, gente, não é a mesma coisa da Angélica ter dito que lésbica não pega AIDS. Porque estatisticamente é bem, bem difícil lésbicas serem contaminadas pelo vírus da AIDS durante uma relação sexual. Enquanto homem hétero com AIDS tem de monte, né? Opa, não, não. Reza a lenda popular que, se um cara hétero pegou AIDS, é porque sem dúvida deve ter dado no mínimo uma puladinha de cerca e transado com um gay ou travesti. Ou seja, ele não era verdadeiramente hétero, não era um homem com H. Se fosse, já nasceria vacinado contra a AIDS (que, como todos sabem, apesar dos números desmentirem, é exclusivamente uma "peste negra gay"). (E as prostitutas que insistem no uso de camisinha só fazem isso por medo de engravidarem, imagino.) Lembra do Magic Johnson? O mito do basquete não era usuário de drogas, não tinha passado por transfusão de sangue, era casado com uma mulher, e ainda assim - por um milagre! - pegou AIDS. E agora tem que passar o resto da vida não só com uma doença incurável, mas também com a suspeita de que, hmm, ele deve ser um gay enrustido. Um sujeito como o Dourado definitivamente acredita nessas besteiras.
Então. O que vejo nessa história toda é gente hétero se queixando por ser chamada de homofóbica. Eles querem continuar a ostentar sua homofobia, como sempre fizeram, mas não querem ser criticados (e muito menos criminalizados) por isso. Dá licença: não
quer ser acusado de homofobia? Deixe de ser homofóbico, ué. É simples. Muitos héteros conseguem. Mas a torcida dourada inventa que seu representante-mór não é homofóbico porque, pra eles, homofobia é outra coisa. Homofóbico é quem sai na rua espancando e matando gays. Como Dourado não matou nem espancou nenhum dos três gays dentro da casa (apesar de ter ameaçado bater em Angélica se ela fosse homem), ele não é homofóbico. Lógica cristalina, certo? Só que, pô, tem que ser bem ignorantezinho pra reduzir homofobia a apenas isso. Homofobia é, sim, sair de uma pista de dança que está tocando um "hino gay". É colocar "pessoas normais" numa categoria, e gays em outra. É fazer careta quando um gay fala em sexo. Que eu saiba, Dourado já fez tudo isso e mais um pouco nesta edição do BBB.
Acho incrível quem não vê que Dourado é um textbook case, um
estereótipo do homem machista, homofóbico, violento. É um clichê mesmo, quase uma caricatura. Primeiro que machismo e homofobia raramente andam separados. Dourado representa o pacote inteiro. Seus gestos, sua postura, sua arrogância, sua forma de falar como se fosse o dono da verdade - tudo nele representa esse personagem tão conhecido. Quantos homens assim a gente não conhece? Eles se definem principalmente em relação ao outro. Pra provar que são homens, têm que provar a toda hora (provar pros outros héteros, lógico, não pros gays) que não são gays. E pra provar isso não é necessário sair matando gays, algo que é contra a lei. Dá pra provar fazendo piadinhas sobre gays. Dá pra provar olhando com desdém pra um gay. Ou lembrando que só gay pega AIDS. O engraçado é que a maior parte desses homens másculos começam suas frases com "não tenho nada contra os gays", seguidas por adendos como "mas se um gay der em cima de mim, eu encho de porrada", ou "mas prefiro que filho meu seja ladrão-estuprador que gay", ou "mas gay é um perigo pras criancinhas", ou "mas desde que fiquem longe de mim".
E óbvio que o "outro" que serve de contraponto, de oposição ao homem com H, não é apenas o gay, mas também a mulher. Mulher é definida como tudo que um homem másculo não deve/pode
ser. E, pra provar sua masculinidade, o homem másculo tem que ser o mais machista possível. Nessa linha Dourado também dá show. E ainda assim, mesmo sendo um exemplo tão bem acabado do brutamontismo homofóbico e machista, Dourado é visto por tanta gente como um cara legal, autêntico. E se ele tem falhas é porque todo mundo as tem, sabe? Sei não, eu conheço um montão de gente legal e autêntica. Mas eu olho prum Dourado, que tem um vocabulário um tanto limitado pra se expressar quando encontra membros da família e amigos ("C*ralho! C*ralho! C*ralho!"), e não consigo vê-lo como um cara legal. Eu o vejo como um pitboy meio passado da idade. Um sujeito que foi tão construído para viver nessa camisa de força da masculinidade que, sério, me dá até pena. Até pra expressar carinho ele se vale da agressividade. Novamente: quantos Dourados a gente não conhece no nosso dia a dia?
Mas, voltando ao tema da ignorância, a torcida dourada parte de um pressuposto altamente estúpido pra tentar provar que não é homofóbica. Inventa que quem sofre discriminação, hoje em dia, é o heterossexual. Que o mundo inteiro é gay. Que ser gay é considerado o suprassumo da civilização. Putz, em que mundo esses caras vivem? Porque eu queria ir pra lá. No meu mundo, menos cor de rosa, gay não pode se beijar no capítulo final da novela, porque o público acha nojento. Gay não é contratado pra trabalhar em algumas empresas ou pra ocupar certos cargos. Gay não pode andar de mão dada com a pessoa amada. Gay é morto a socos e pontapés por patrulhas de machos másculos que o pegam andando de mão dada com a pessoa amada.
Na boa,
eu não conheço uma só pessoa que se queixa de "heterofobia" que possa ser tida como inteligente. Porque é só pensar um pouquinho. Quantas vezes você foi discriminad@ por ser heterossexual? Você já foi criticad@ na rua por estar de mãos dadas com alguém do sexo oposto? Você já deixou de ser contratad@ pra um emprego por ser hétero? Você tem que ouvir muitas piadinhas tirando sarro de heterossexuais? Já descartaram o que você disse na base do "Isso só pode vir de um heterossexual"? Creio que essas situações não acontecem com um hétero nem que ele entre num bar gay. Nem que entre num bar gay vestindo camiseta de "Orgulho hétero"!
Agora, se você é mulher, pense em quantas vezes você já foi discriminada po
r ser mulher. Se é negr@, quantas vezes você já foi discriminad@ por ser negr@. Se for deficiente físico. Se for gord@. Se for ateu. Se for de uma religião mais fora do padrão. Inclua aí a minoria que você quiser, e pense no preconceito que enfrentou. E aí, faz algum sentido dizer que o verdadeiro discriminado é o homem branco hétero de classe média? O padrão por/de excelência?
Torcida dourada, de autêntica você não tem nada. Está apenas regurgitando v
elhos clichês. Mas mudar é possível: basta refletir um tiquinho sobre as asneiras que diz. Não dói. Ou até dói, mas depois passa, e você vira uma pessoa melhor. Não por "virar gay" (assim como se você deixar de ser racista, não vai virar negro). Mas por se tornar alguém que reconhece seus privilégios e decide combater preconceitos. Olha, vale a pena. Recomendo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

BBB 10, OU ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE

Angélica, ou Morango, saiu do BBB 10 com 55% dos votos. Dourado recebeu 38% e segue firme no programa. Assim caminha a humanidade.
Não estou torcendo por ninguém nesse programinha. Não há ninguém lá que eu goste mesmo. Mas se tem alguém que eu detesto, esse alguém é o Dourado. Por tudo que ele representa. O sujeito é machista, homofóbico, burro e, só por coincidência, claro, tem uma suástica tatuada no corpo. E querem me convencer que ele é boa gente e autêntico? Autêntico no quê, além de ser um autêntico machista e homofóbico?
Pedro Bial, outro asqueroso, e com um histórico de bater em mulher, leu que está havendo a fabricação de um preconceituoso. Ou seja, que Dourado não seria um preconceituoso, nós é que estamos fabricando essa imagem. Fabricando assim, do ar. Bial foi aquele que, noutro dia, disse ter medo de mulher. E, anteontem, recomendou à Fernanda que rebolasse junto com suas sisters, porque "o povo gosta". Mulher serve pra isso mesmo, né?
Num fórum, a torcida dourada chama Angélica de "Bigode" e "chupadera de aranha". Um comentarista escreve: "São 55 milhões de órgãos masculinos na sua nádega, Angélica! Bem-feito X9". Outros vociferam besteiras como essas: "Não tem o orgulho gay? O Dourado iniciou a Era do Orgulho Hetero!" e "Nós heterossexuais estamos virando minoria e por isso o Dourado vai ganhar. O mundo está dominado de gays, lésbicas, bi e sei lá o que... O povo adora minorias". É um pessoalzinho ignorante, que não faz ideia do que está dizendo, e que exige o direito de poder continuar sendo preconceituoso à vontade, sem essa ditadura do politicamente correto, que não permite que eles jorrem suas idiotices sem serem criticados. Eles se fazem de perseguidos para poderem continuar com suas eternas perseguições.
Não sei se dá pra acompanhar o número de asneiras que Dourado já disse nesta edição (não lembro do outro BBB em que ele esteve. Não lembro nem se vi o BBB 4). Ele disse que gays falando de sexo lhe tiravam o apetite. Que homem hétero não pega AIDS. Que, se Angélica fosse homem, lhe quebraria o nariz e bateria tanto nela que ela desmaiaria. A assessora de Dourado (sim, um homem que dá declarações como essas têm uma assessora de imprensa pra defendê-lo!) lançou uma nota explicando o comentário de Dourado sobre Angélica. Ela diz que o que Dourado realmente quis dizer foi "que provocações tipo a que Morango fez são do tipo que justificam agressão física no universo masculino... Por este motivo ele chama ela de covarde". Ah, bom! Quer dizer que agressões físicas de homens contra mulheres são perfeitamente justificadas, após "provocações" indevidas? Foi isso que eu entendi? A assessora ainda aproveita para agradecer à torcida de Dourado por "fazer uma campanha limpa e com dignidade". 55 milhões de órgãos masculinos em ação, pra frente Brasil, salve a seleção!
Se é que era realmente necessária uma culminação do machismo violento do Dourado, esta veio na noite de anteontem, naquela prova de "cortar cabeças". Dourado optou por decepar a cabeça de Maroca, não sem antes cortar-lhe o nariz e... "os peitinhos"! Cortar seios de mulheres, mesmo que simbolicamente, é coisa de psicopata. É justamente o que fazem os serial killers de mulheres, para demonstrarem sua misoginia: mutilam partes do corpo que são exclusivamente femininas, como a vagina, o útero, e os seios. Ah, é só uma brincadeirinha do representante-mór do orgulho hétero, dirão alguns! Pois é. Quantas pessoas você conhece que brincam e riem de "cortar peitinhos"? Estranho, eu jamais faria piadinha acerca de uma forma violenta e conhecida de expor o ódio contra mulheres. E vocês? Mas é até chato fazer qualquer análise um pouco menos rasa de um programa idiotizante como o BBB, porque logo aparecem aqueles que gritam "É só uma brincadeira! É só um programa de TV!". Que parece senha pra "Pare de falar mal do meu programa/do meu participante favorito" e "Deixe que eu continue tendo meus preconceitos que não são preconceitos. Preconceituoso é quem chama o Dourado de homofóbico, tadinho!".
Ontem mesmo, n
a vida real, ouvi um babaca dizer que é macho o suficiente pra quebrar a cara de um desafeto seu. Eu não me contive e perguntei: "Então você realmente associa a sua masculinidade à violência? E tem orgulho disso?". E o cara ficou até perplexo com a minha interrupção, primeiro porque quem é que estava lhe contestando? Uma mulher?! E segundo porque, ué, não é justamente isso que nossa sociedade ensina? Que machos batem e brigam e usam a violência física como parâmetro de sua masculinidade? Não há dúvida que é isso que ensinamos aos machinhos, desde que são meninos. Mas a questão é: queremos isso? Não daria pra definir masculinidade através de outros parâmetros? Jura que tem tanta gente comemorando a vitória (praticamente certa no programa) de um neandertal como o Dourado?
Mais um belo serviço que a Globo presta ao país.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

PERGUNTAS SOBRE UM MONTÃO DE COISAS

Mais respostas a algumas perguntas que vocês fizeram pra mim.

Há algum tempo, desde um post seu sobre essa coisa das mulheres poderem escolher ficar em casa, eu quero fazer uma pergunta: Caso o maridão ganhasse rios de dinheiro e vc não precisasse trabalhar, vc realmente ir
ia parar de fazer tudo o que faz e viver as custas dele?” Aiaiai

Sinceramente, não sei. Como o maridão faz o que gosta (joga xadrez), e o que gosta não dá dinheiro, essa possibilidade nunca chegou perto de existir. Mas acho que sim, viveria às custas dele. O oposto é verdadeiro: se eu ganhasse rios de dinheiro, pra quê o maridão trabalharia? Ele poderia apenas dedicar-se ao que mais gosta, que é xadrez. Que é o que ele já faz, ok, mas sem essa preocupação de receber salário. A pergunta é mais geral: se a gente fosse rica (porque, como somos casados e vivemos juntos, não teria como um ser rico sem o outro usufruir), a gente continuaria trabalhando? Juro que não tenho certeza. Provavelmente não, não trabalharia. Mas isso não significaria parar de fazer tudo o que faço. Por exemplo, uma das coisas que mais faço na vida é escrever este blog. Eu continuaria com ele.

Lola, sou uma leitora assídua do seu blog mas raramente comento; porém, há dias venho pensando em te perguntar uma coisa: como vc definiria uma mulher feminina (na sua visão)? O que é ser feminina para vc e de que forma vc é feminina?” Raquel

Puxa, Raquel, nem sei responder. O meu desejo, e o de várias feministas, é para que essas definições arbitrárias e socialmente construídas do que é feminino e masculino caiam por terra. Porque valem como uma camisa de força. É aquele negócio que mulher não pode tomar a iniciativa sexual (porque feminino é ser passivo), que homem não chora. São mecanismos de controle social para manter as coisas socialmente como estão. Eu sou feminina simplesmente porque sou mulher. Nasci com uma vagina, sou feminina, pronto. Se ser feminina é gostar de rosa, ser santinha sexualmente (só homens podem ter várias parceiras durante a vida), ter instinto maternal, ser vaidosa, usar brinco e maquiagem e sei lá o quê mais, bom, então definitivamente, eu não sou feminina. Mas sou feminina no sentido que ninguém nunca me confundiu com um homem. Sabe o que a gente vê nos filmes, de uma mulher se passar por homem? Pra mim seria impossível, por causa dos meus peitões. Eu posso estar a quilômetros de distância, que dá pra ver que sou mulher. E minha voz é de mulher. Não poderia ser masculina nem que quisesse (e tem vezes que dá vontade!).
Minhas amigas lésbicas são femininas também. Mesmo as que usam cabelo curto. Quer dizer, não é esquisito que um corte de cabelo determine quem é ou não feminina? Pra mim é.
Desculpe te frustrar, Raquel, por não poder responder direitamente. Talvez uma mulher não-feminina seja uma que tente se passar por homem? Não sei, tô chutando. É duro definir algo que eu não quero que exista.

Olá Lola, sou um leitor assíduo do seu blog. Moro no Japão e tenho uma perguntinha meio boba que ate fiquei com vergonha de perguntar no blog [ele mandou um email e me deu autorização pra publicá-lo]. O significa a expressão 'what the duck?'. Sempre você fala, gosto muito de comparar alguns ditados populares daqui do Japão com os nossos do Br.” Luciano

Vou responder aqui porque muita gente pode ter a mesma dúvida, e não é nenhum motivo pra vergonha. Sabe a expressão em inglês “what the f*ck?”, muitas vezes abreviada para “WTF?”? Ela denota incredubilidade, espanto, algo como “Não acredito!” (taí mais uma dúvida minha: qual seria o equivalente pra isso em português?). Parece que no dia a dia, ainda mais na internet, temos bons motivos pra usar “WTF?”. Alguém escreve algo totalmente maluco, e a gente se pergunta, “WTF?”. Pois bem, no filme Rebobine Por Favor, o personagem do Mos Def, ao invés de dizer “what the f*ck?”, diz “what the duck?”. Não significa absolutamente nada, nem faz sentido gramaticamente. Só significa alguma coisa pra quem conhece a expressão original, com um palavrão. Mas eu achei super fofinha e decidi adotar. Acho que fica mais irônico ainda. E eu também não gosto de falar palavrão, então o “what the duck?” parece ser uma versão mais censura-livre pro meu espanto. O problema é que poucas pessoas viram aquele filme, e, entre as que viram, quantas vão se lembrar das falas do Mos Def? Coisa de nerd mesmo (agora, ao procurar uma imagem pro post, descobri que existe uma tira em quadrinhos com esse nome).

Lola, vc já leu os livros da Alice do Lewis Caroll? É que estava lendo o segundo novamente e me lembrei do Maridão por causa da relação com o xadrez.” Marilia.

Li esses livros faz muito tempo, quando era criança. Ou leram pra mim, nem lembro. O personagem que mais me marca é mesmo o gato, sempre. Não me recordo de muito relacionado a xadrez. Será que no filme do Tim Burton a Alice vai jogar xadrez?

Vc gosta de O Ultimo Tango em Paris? Pq eu amo de paixao, mas conheco muita gente que o acha um porre.” Giovani.

Gosto. Não amo não, mas gosto. Faz tempo que não vejo o filme, e acho que ele é muito machista, se bem que nunca chato. Mas o Marlon Brando é um dos maiores atores de todos os tempos e o Bertolucci tem um currículo com vários grandes filmes. Então, what's not to like? Sem piadinhas de “passe-me a manteiga”, por favor.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

NÃO ENTRE NAS OLIMPÍADAS DA OPRESSÃO

Uns três anos atrás, estava na moda na fatosphere (blogs americanos dedicados à aceitação do corpo, principalmente à gordura) dizer que insultar uma gorda era o único preconceito socialmente aceitável. A explicação era boa: se você xingar um negro, aqui no Brasil, pode até acabar preso; se ofender um gay, as pessoas te olharão feio; mas se você disser pra mim que, por eu estar acima do peso, eu já deveria começar a encomendar um caixão, isso não é preconceito ― é um fato cientificamente comprovado! Já contei que um vendedor da Herbalife tentou me vender seus produtos desse jeito? Ele afirmou que ser gorda é como estar vestindo um paletó de madeira. Eu não me contive e respondi que, assim como a ciência hoje é usada pra discriminar os gordos, ela foi usada não muito tempo atrás para provar por a + b que negros eram geneticamente inferiores aos brancos, e que homossexuais eram pessoas doentes, curáveis por eletrochoque. Ou seja, de neutra a ciência não tem nada. Ela, como a cultura, serve aos interesses da sociedade (no caso dos negros, de uma sociedade escravagista, que tinha que justificar a exploração de seres humanos por outros seres humanos; no caso dos gays, de uma sociedade ultra conservadora que via qualquer manifestação sexual minimamente fora do padrão como um sério desvio). No caso da gordura, a ciência serve a uma indústria farmacêutica bilionária que lucra os tubos com remédios para emagrecer, além de servir para espalhar um padrão inatingível de beleza e fazer com que todas mulheres, independente de seu tipo físico, considerem seu corpo defeituoso e gastem muito para “consertá-lo”.
Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, mas obviamente há algumas falhas nessa afirmação de que só gordas podem ser discriminadas numa boa. Isso é verdade, em parte ― não xingar uma gorda, dizem, equivale a incentivá-la para que ela se mantenha gorda (como se ela, além de gorda, fosse burra, e não tenha percebido que é gorda) ―, o problema é que continua sendo socialmente aceitável discriminar todas as outras minorias também. Ah, talvez a pessoa pense duas vezes antes de dizer que “negro, se não faz m**** na entrada, faz na saída”, mas ela ainda conta suas piadinhas de negro, e chama carinhosamente o amigo de negão ou neguinho ― e olhe só como ela não é racista: tem até um amigo negro! A pessoa não só não se considera homofóbica, como usa “viado” como ofensa ou “viadinho” como modo querido de tratar os amigos (héteros), e não vê nada de errado nisso, porque todo mundo no seu meio social faz igual. Ou, se for adolescente, copia a expressão americana e diz “isso é tão gay”. E nem ele nem seus amigos acham que estão sendo preconceituosos contra gays.
E não mencionei ou
tras minorias nos parágrafos anteriores. Até parece que ser ofensivo às mulheres seja socialmente inaceitável! Chamar mulher de histérica continua super comum, assim como, na primeira discordância, perguntar pra moça se ela tá com TPM. Reduzir uma mulher à um naco de carne, ao dedicar-lhe grosserias na rua, continua in entre boa parte dos homens (que, ainda por cima, juram que ela gosta, e que iria se deprimir se não fosse lembrada da sua gostosura). E todo mundo sabe que uma política mulher será avaliada, em primeiro lugar, pela sua aparência e sua vida sexual. Ninguém liga que o Serra seja feio pra chuchu, mas a Dilma ou é uma mocreia (por já ter passado de uma certa idade em que as mulheres são desejáveis sexualmente), ou é uma perua fútil por ter feito cirurgia plástica. Não tem como vencer. Nasceu com vagina, perdeu!
E as pessoas com deficiência física ou mental? Vamos perguntar pra elas como se sentem ao ouvir palavras como
aleijado, retardado, débil mental, mongolóide etc ― que são sempre insultos.
E as travestis, então? Em que mundo que elas são socialmente aceitas? Por
que no nosso é que não são.
Outro dia, quando eu estava falando de privilégios, um leitor querido disse que a categoria mais discriminada d
e todas era o ateu. Isso gerou uma pequena discussão na caixa de comentários. É verdade que, numa pesquisa, o ateu recebeu a mesma porcentagem de um usuário de drogas como pessoa altamente repulsiva. E que, num outro levantamento, constatou-se que um ateu não seria eleito presidente do Brasil. Mas essas pesquisas são meio duvidosas, não? Tipo, você consegue imaginar eleger uma travesti presidente? Se até pra eleger uma mulher já é uma dificuldade incrível (e isso que somos a minoria mais maioria, 51% da população!)... Uma leitora respondeu que, apesar do ateu ser claramente discriminado, as pessoas não vêem o seu ateísmo o tempo todo (como veem a cor de um negro, ou a gordura de um gordo) e, portanto, ele sofre menos discriminação que as outras minorias. E mesmo isso depende do ambiente, certo? Por exemplo, tenho uma amiga que é muito religiosa. Ela não fala em religião com a gente, do meio acadêmico, mas um monte de coisa na sua vida gira em torno da sua igreja. No meu meio várias vezes é ela a discriminada, e não eu, que sou assumidamente ateia. Não que no meio acadêmico só existam ateus comunas (achar isso é também ser preconceituoso), mas é que, em geral, a fé de cada um é vista como algo mais privado. Mas pra ser discriminado por ser ateu basta declarar uma vezinha a sua descrença em deus, que você tá marcado pra sempre. Isso aconteceu comigo na escola de inglês onde eu era coordenadora acadêmica. A dona da escola havia perdido a mãe e estava em crise, e alguns professores religiosos a ampararam. Logo ela estava frequentando as celebrações deles, e logo eles tentaram convencê-la que o motivo pela queda da arrecadação da escola era que a coordenadora acadêmica (moizinha!) era ateia. Isso era uma afronta a deus! Era só colocar uma pessoa temente a deus no meu lugar que a escola seria recompensada. Minha chefe soube separar sua fé dos seus negócios, e me manteve na coordenação (e, apesar disso tudo, devo dizer que esses professores religiosos que pediram a minha saída eram muito boa gente. Quer dizer, são. Não matei ninguém).
Mas enfim, o que estou tentando dizer neste texto looongo é que hoje a fat
osphere não diz mais que xingar uma gorda é o único tipo de preconceito socialmente aceitável. E eu me arrependo de ter entrado na onda e escrito isso num dos meus textos. Porque chegou-se à conclusão que é besteira competir pra ver qual minoria é mais discriminada. Todas essas que eu mencionei são. Qual delas é mais socialmente discriminada depende, lógico, do meio social em que está inserida. E mesmo que se constate que uma travesti sofra mais discriminação que um gay, ou que uma mulher lésbica negra sofra mais discriminação que uma mulher hétero branca, isso não muda a realidade que todas essas minorias são discriminadas. Nosso objetivo é acabar com todos os precoceitos, e para tanto é imprescindível que as minorias se unam, ao invés de competir entre si. Portanto, é inútil embarcar nessa Olimpíada da Opressão em que se tenta ranquear quem sofre mais. Todos sofrem, inclusive aqueles que discriminam. A sociedade sofre. Preconceito faz mal pra todo mundo.
Ah sim, um ad
endo: notem que estou falando de minorias. Se alguém vier aqui dizer que quem é mais discriminado hoje em dia é o homem branco hétero de classe média que, tadinho, não tem o seu Dia da Consciência Negra ou seu Dia da Mulher, vou rir na cara. O Dourado do BBB 10 não é discriminado por ser branco e hétero. Ele leva patadas de alguns brothers por ser um podre arrogante. E ainda assim parece ser o favorito do público, que o vê como um portavoz do seu preconceito que (juram eles) não é preconceito. É apenas opinião!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

INDICADOS AO OSCAR 2010

MELHOR FILME
Amor sem Escalas
Avatar
Bastardos Inglórios
Distrito 9
Educação
Guerra ao Terror - vencedor
Um Homem Sério
Preciosa
Um Sonho Possível
Up - Altas Aventuras

MELHOR DIRETOR
James Cameron - Avatar
Jason Reitman - Amor sem Escalas
Kathryn Bigelow - Guerra ao Terror
Lee Daniels - Preciosa
Quentin Tarantino - Bastardos Inglórios

MELHOR ATOR
Colin Firth - A Single Man
George Clooney - Amor sem Escalas
Jeff Bridges - Coração Louco
Jeremy Renner - Guerra ao Terror
Morgan Freeman - Invictus

MELHOR ATRIZ
Carey Mulligan - Educação
Gabourey Sibide - Preciosa
Hellen Mirren - The Last Station
Meryl Streep - Julie & Julia
Sandra Bullock - Um Sonho Possível

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christopher Plummer - The Last Station
Christoph Waltz - Bastardos Inglórios
Matt Damon - Invictus
Stanley Tucci - Um Olhar do Paraíso
Woody Harrelson - The Messenger

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Anna Kendrick - Amor sem Escalas
Maggie Gyllenhaal - Amor Louco
Mo'nique - Preciosa
Penélope Cruz - Nine
Vera Farmiga - Amor sem Escalas

ROTEIRO ORIGINAL
Bastardos Inglórios
Guerra ao Terror
Um Homem Sério
The Messenger
Up - Altas Aventuras

ROTEIRO ADAPTADO
Amor sem Escalas
Distrito 9
Educação
In the Loop
Preciosa

FOTOGRAFIA
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Bastardos Inglórios
A Fita Branca
Guerra ao Terror
Harry Potter e o Enigma do Príncipe

DIREÇÃO DE ARTE
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O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus
Nine
Sherlock Holmes
The Young Victoria

FIGURINO
Bright Star
Coco Antes de Chanel
O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus
Nine
The Young Victoria

MONTAGEM
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Bastardos Inglórios
Distrito 9
Guerra ao Terror
Preciosa

MAQUIAGEM
Il Divo
Star Trek
The Young Victoria

EDIÇÃO DE SOM
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Bastardos Inglórios
Guerra ao Terror
Star Trek
Up - Altas Aventuras

MIXAGEM DE SOM
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Bastardos Inglórios
Guerra ao Terror
Star Trek
Transformers - A Vingança dos Derrotados

EFEITOS VISUAIS
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Distrito 9
Star Trek

TRILHA SONORA
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O Fantástico Sr. Raposo
Guerra ao Terror
Sherlock Holmes
Up – Altas aventuras

CANÇÃO ORIGINAL
"Almost there” - A Princesa e o Sapo
“Down in New Orleans” - A Princesa e o Sapo
“Loin de Paname” - Paris 36
“Take it all” - Nine
“The weary kind” - Crazy Heart

ANIMAÇÃO
Coraline
O Fantástico Sr. Raposo
A Princesa e o Sapo
O Segredo de Kells
Up - Altas Aventuras

FILME ESTRANGEIRO
Ajami - Israel
A Fita Branca - Alemanha
O Profeta - França
O Segredo de seus Olhos - Argentina
A Teta Assustada - Peru

INTERNET, XADREZ E MOSQUITOS EM FORTALEZA

Iééééééé! Estou com internet desde sexta à noite! Por enquanto ela só está disponível pra um computador, num só recinto da casa, mas torço para que um dia isso mude. De qualquer jeito, só de não ter mais que depender de lan house já é um alívio.
Tenho muita coisa pra colocar em dia, mas, infelizmente, no momento continuo doentinha. Esta gripe que o maridão passou pra mim foi a pior dos últimos cinco anos, sem brincadeira. Anteontem veio uma dor de ouvido terrível. Como era noite, a gente pôs um filetezinho de óleo e a dor parou, mas estou surda. Sabe aquela sensação de ouvido totalmente entupido? Pois é, estou desse jeito há 24 horas. E não estou feliz. Não dói, mas também não escuto grande coisa num ouvido, e pouco no outro. E ainda está tudo congestionado por dentro. Vou poupar vocês dos detalhes escatológicos. Hoje compramos umas gotinhas pra dor de ouvido. Espero que minha audição volte. Por favor, não me mandem procurar um médico.
Tirando essa gripe desgramada, o resto segue tudo bem. Uma das coisas que mais gosto de Fortaleza é que, como a cidade é pequena em tamanho (e plana), tudo é mais ou menos perto. Sexta eu e o maridão fomos pro Cambeba, pra pegar uma certidão negativa no Governo do Estado. Todo mundo dizia que era longe, mas nem era: acho que dá uns 7 ou 8 km. Sem querer, seguimos umas placas e fomos parar no Aldeota, onde fica a Prefeitura, onde eu tinha que pegar outra certidão. Só ontem à noite nos perdemos um pouquinho ao irmos pra um clube jogar xadrez. O maridão está sendo ultra paparicado por aqui e visto como a salvação do xadrez cearense. Parece, não tenho certeza, que ele será o jogador com rating mais alto por essas bandas. É engraçado, porque todo lugar que ele chega, o pessoal faz ohhhh. Todo mundo falando nele. E o maridão é modesto e discreto, não tá acostumado com isso não.
Eu sigo na torcida para que ele me sustente (ha ha, não resisti; ando acompanhando a polêmica entre Aiaiai versus o resto do mundo no que se refere a mulheres cuidarem do lar. Vocês já sabem a minha opinião - sou a favor da liberdade de escolha, sempre. Terça publico um post em que respondo uma pergunta da Aiaiai). Não, sério, será que vou poder dar aulas surda? Não, sério mesmo, o governo errou. Pô, o concurso foi no final de agosto. Precisava atrasar todo o ano letivo?! Agora estamos num impasse. Parte do departamento quer que os novos professores (eu inclusa) comecem as aulas logo, mesmo sem estarmos empossados (e mesmo que só passemos a receber salário contando a data da posse). O RH diz que isso é impossível: só entra em sala de aula quem tiver tomado posse (o que não se espera que ocorra antes de 10 de março). Algumas professoras gentis ofereceram pegar umas aulas para que a gente não fique tão atrasada. O mais provável é que a gente só assume após a posse e tenha que repor todas essas aulas perdidas no final do semestre. Ou seja, adeus, parte das férias de julho (mas como é meu primeiro ano e estou entusiasmada, não vou reclamar de nada).
Confesso que estou ansiosa pra começar a lecionar. Falta só preparar as aulas. Mas isso de poder ir e voltar andando de casa pro trabalho é um luxo e tanto. Apesar do carro (que ainda não tive coragem de dirigir neste trânsito não solidário), temos andado um monte. Se não fosse a gripe, estaria me sentindo super saudável. E, como o clima daqui é quente que dói, nunca tenho fome. Acho que vou conseguir emagrecer um pouco sem fazer grande esforço. Quer dizer, se a gripe não me matar antes.
Também estou ansiosa, confesso, pra receber algum tipo de salário. Porque a gente só gasta. Dinheiro só sai, não entra. Eu me sinto mal com essa rotina. Ontem não resisti e comprei um aparelho de dvd. Não que eu precisasse de um, mas é que eu tinha visto um outdoor do Philips Toca Tudo, e aí a Manu confirmou que o troço toca tudo mesmo, e ele virou meu novo sonho de consumo. Porque o meu dvd atual é cheio de frescura pra tocar filmes gravados da internet. Enfim, tava em promoção, custou R$ 189. Claro que não temos tomadas suficientes no quarto pra instalar o aparelho ou sequer dvds pra tocar (tudo escondido nas caixas ainda). Mas gostei de ter comprado o treco.
Ah, ontem, lá no clube, joguei uma partida de xadrez (na verdade, três) pela primeira vez em, sei lá, quatro ou cinco anos. Fiquei com a maior vontade de jogar. A verdade é que eu adoro xadrez - pena que não seja muito boa. Mas eu ganhei do carinha com quem joguei! A outra verdade é que meu lado feminista não me deixa à vontade sendo acompanhante calada do maridão. Eu realmente adoro vê-lo jogar, porque é sempre um prazer observar um psicopata agressivo (estilo do maridão no jogo) empurrando todas as peças pra cima do adversário, mas também quero me divertir.
Estatística: até agora, em vinte dias de casa nova, só apareceu uma barata por aqui. Tava no nosso banheiro, que tem pia e privada escura, da cor de barata (e por isso, e por estar um pouquinho quebrada, será trocada numa reforma em breve). O dono da casa jurou que aqui neste bairro (Benfica) não existe barata voadora. Mas ele também disse isso dos pernilongos. Um monte de gente tem me dito que Fortaleza não tem problema com mosquitos. Bom, esqueceram de avisar os bichinhos. Tá uma festa por aqui. Dormimos com janela aberta, ainda sem tela, só com aquele aparelhinho elétrico (e geralmente ineficiente) pra espantar mosquito, e tudo que posso dizer é que o meu quarto se transformou no novo point mosquital de Fortaleza. Espero que todos esses vampiros peguem a minha gripe e morram, os malditos.
Saudades de vocês! Ahn, de vocês, leitor@s. Não dos mosquitos!