domingo, 11 de outubro de 2009

DANÇANDO CONFORME A MÚSICA


Não sei se vocês ficaram sabendo de um crime em Timbó, uma cidadezinha que fica próxima a Blumenau, SC. Sobre violência policial, ouviram falar? Então: o que aconteceu na noite de 27 de setembro é que três rapazes fizeram uma festa. Os vizinhos reclamaram e chamaram a polícia. A polícia veio, pediu pra abaixar o som. Quando a viatura foi embora, eles aumentaram de novo. Voltou a polícia. Isso três vezes, ok? Na terceira os policiais registraram um termo circunstaciado por flagrante de contravenção penal (perturbação de sossego alheio), e foram embora. Os boyzinhos ameaçaram um dos vizinhos que eles acharam que tinha chamado a polícia. Os PMs vieram, pela quarta vez (e ameaça de morte já é crime). Um dos rapazes posicionou sua câmera dentro da casa para filmar a invasão policial. Como eles não abriram a porta, os PMs a arrombaram. O resto dá pra ver (ou melhor, ouvir) no vídeo acima (atenção: linguagem tensa e violenta).
Os rapazes foram agredidos, xingados e levados à delegacia pelos policiais. Graças às imagens gravadas, devem processar a União.
Como eu já falei em várias ocasiões, sou totalmente contra violência policial. Mas, sinceramente, esses rapazes não merecem a minha solidariedade. Só quem já teve problemas com vizinhos barulhentos sabe o inferno que é. Eu convivi com isso vários anos em Joinville, e esse foi o maior problema que tivemos (eu e o maridão) em nossas vidas. Sério mesmo, não é exagero. Depois de pedir educadamente pro pessoal abaixar o som, escrever cartas explicando o problema, fazer abaixo assinado na rua, e nada funcionar, a gente chamava a polícia. Quando ela vinha, o que era raro, porque a polícia considera essa reclamação tão comum que nem quer perder tempo, era uma piada. Pedia pro pessoal abaixar o som. Os arruaceiros ainda reclamavam (!), mas acabavam abaixando. E, assim que a viatura ia embora, o volume ia lá pra cima de novo. Mais de uma vez, policiais nos falaram que não dá pra fazer muita coisa. Um deles disse que resolveu a situação fazendo algo parecido com o que o vídeo mostra: invadindo a casa do sujeito e quebrando seu aparelho de som.
Tal qual o sujeito que acionou a polícia em Timbó, eu também já fui ameaçada de morte por um desses vizinhos. Ele encostou o punho no meu rosto e disse que, se eu fosse homem, ele me arrebentava. Disse também que tinha uma arma em casa e que ia lá pegá-la pra me despachar pro inferno. Olha, só pra fazer ocorrência policial desse episódio foi tão complicado que eu desisti. Comentei com uma PM (porque há um posto policial a três quarteirões de casa que não serve para absolutamente nada) sobre o barulho e a ameaça, e a sugestão dela foi que eu andasse com celular pra que, se ele me ameaçasse novamente ou partisse logo pros finalmentes, eu ligasse pro postinho. Quer dizer...
Não é esse o tipo de polícia que eu quero, lógico. Mas também não quero machinhos asquerosos que, como os cães—que marcam seu território com urina—, marcam seu território com barulho. Quero políticas preventivas que ensinem esses ignorantes o que é cidadania. Quero leis que me protejam desses idiotas. Não quero ter que ligar três vezes pra polícia e ainda ser ameaçada por estar exigindo meus direitos. Aprendam que ninguém quer ouvir a sua música.

39 comentários:

L. Archilla disse...

sei que é politicamente incorretíssimo, mas A-MEI!!! meu sonho é que a polícia faça a mesma coisa com a vizinha aqui do lado. tô até imaginando a polícia feminina rendendo a cretina e falando: "vai, maldita! canta agora! canta mais alto! como é que é? `borboletas sempre voltaaam...´ ué, cadê a cantoria?" - nem precisa bater. só fazendo a bunita deitar no chão e levando pra delegacia algemada depois, tá bom.

aiaiai disse...

Um detalhe que vc não ressaltou é que a quarta batida policial foi armado pelos machinhos: eles já estavam com a câmera ligada quando os políciais chegaram.

Essa gente me dá um ódio duplo: primeiro pela falta de noção de civilidade e segundo por serem tão idiotas que me fazem ficar do lado de um policial que usa violência! Porque neste caso não tem encima do muro, ou vc fica do lado dos imbecis ou fica do lado da polícia. Que tristeza!

Alba Almeida disse...

Olá , Lola.
Eu não quero uma polícia assim!!..Na verdade, ninguém deve querer.
Mas até onde faltam limites nesses jovenzinhos(moleques) que se acham no direito de abusar, ameaçar e... Vejo hoje uma sociedade sem limites, isso me trás sempre de volta o caso Eloá, onde estavam os pais deles antes ?!?!?!!?...
Só concorda quem já passou por casos semelhantes.
...é necessário uma Polícia, voltar 4 vezes pra se conseguir ordem? ...Com tanta violência,... a polícia precisa ficar de plantão pra que o cidadão possa desfrutar do seu lar??
Limites pra sociedade!!
Um abraço e bom domingo.

Alba Almeida disse...

é!!!! ainda teve essa, o que "aiaiai" disse, o fato deles gravarem possivelmente deve ter sido pra atenuar as ameaças que fizeram ao vizinho. Tudo armado.

Felipe disse...

Que ABSURDO.

Se querem acabar com o problema, NÃO É invadindo a casa com uma arma apontada para as pessoas que estão lá dentro. Levem-nos para a delegacia, sei lá. Agora, coronhada?!

E você ainda apoia? E os seus comentários também?! Hahaha! Esse post foi mais de direita (lei e ordem e etc.) que o Reinaldo Azevedo, e os leitores também "dançaram conforme a música".

Quer dizer, você começa dizendo "não gosto de violência policial", mas logo atenua o espancamento porque "esses arruaceiros não têm [sua] solidariedade". Sabe que eu ouvi os mesmos comentários na greve dos estudantes na USP?

Pensa melhor aí. Você tá errada.

lola aronovich disse...

Lauren, mas é horrível a gente pensar assim, né? É por isso que eu digo: meus vizinhos me fizeram ter tantos maus pensamentos. Pensamentos de tortura e morte mesmo. Um lado oculto meu que eu nem sabia que tinha, e podia passar o resto da vida sem conhecer!


Aiaiai, pensei que vc ia falar de uma coisinha que não ressaltei porque não tenho certeza: sabe aquela mulher que entra na casa e fica olhando tudo da porta? Certamente é uma vizinha. E pode muito bem ter sido ELA que os rapazes ameaçaram. Acho que dá pra ouvir algo nesse sentido antes d'eles entrarem, quando a porta ainda tá fechada. E isso explicaria porque o policial fascista-mor fica falando pro carinha “cadê o machãozinho agora?”. Quer dizer, um dos motivos que ele diz isso é porque o carinha, numa das três batidas anteriores, deve ter falado pro policial que chamaria seu advogado. Mas acho que outro motivo é porque eles devem ter ameaçado a mulher.
Mas concordo plenamente com o que vc diz: dá muita raiva desses rapazes porque eles fazem brotar o pior da gente. A gente torcendo pela truculência policial! É lastimável mesmo.

lola aronovich disse...

Albinha, também não quero uma polícia assim não. Eu fico pensando: esses rapazes não tiveram aulas de cidadania não? Não só dos pais, mas na escola. Ouvir música alta é não saber viver em sociedade. E sim, foi armação dos rapazes no sentido que eles deixaram a câmera lá, e também porque não abriram a porta (esperavam que os policiais a arrombassem?). Mas o resto acho que eles não esperavam.


Felipe, eu sei bem que minha posição nesse episódio tá alinhada com a direita, e acredite, eu odeio isso. Mas estou sendo sincera: por tudo que eu passei com esse tipo de situação (barulho, ameaças), não tenho a menor solidariedade pelos rapazes. Nada a ver com a ação na polícia na greve da USP, vai. Mas eu realmente queria uma lei mais rigorosa contra barulho. Sei lá, tipo a polícia vai lá uma vez, adverte. Na segunda leva todo mundo pra delegacia. Sério mesmo. E os rapazes passam uma noite na cadeia. E se isso acontecer de novo, são autuados. E não só pra quem faz barulho em casa não. Mas pros playboyzinhos que transformam seus carros em trios elétricos. Minha rua não é acesso principal, mas todo dia vários carros passam com música no volume máximo, a qualquer hora do dia e da noite. Tudo treme aqui. É como se fose um terremoto. Tem rachaduras na parede que podem muito bem ser causadas por isso. Uma amiga minha, que é advogada, contou que uma juíza veio pra Joinville e mandou a polícia apreender os carros que estivessem fazendo barulho. Ela não tinha base legal pra isso, mas os playboyzinhos não sabiam. Os carros eram liberados no dia seguinte, mas, até lá, e com toda a burocracia que os nojentinhos tinham pra liberar os carros, quem sabe eles aprendessem a lição. Não tenho como culpar a juíza não.

Satya disse...

Tem o ditado que um erro não justifica o outro mas é muito revoltante ser expectadora da prepotência e arrogância de alguns jovens.

L. Archilla disse...

é, Lola, sei que é horrível. mas como vc disse: só quem passa diariamente por isso sabe a raiva que dá. fazer o quê, né? eu sou a favor do politicamente correto, mas nunca falei que era perfeita! ahaha

Má disse...

Oi Lolaa!!
ODEIOoooooo barulho de vizinho, igreja, etc..tb passei por isso!
Agora eu tb sinto o mesmo, tomara q essas pessoas q nos incomodam sofram muuuito, imaginando mil coisas ruins acontecendo com elas, p elas "pagarem" o q fazem com a gente;) Que convenhamos é um traço de tamanha falta de coletividade, egoismo.

No entanto, vc pensar assim, eu pensar assim não nos faz fascista em minha opinião.
Quero dizer, por mais q imaginamos torrturas mil p essas pessoas quando nos incomodam, esse caso de policia, ou se um policial matasse essas pessoas teriamos discernimento de saber e condenar que o q o policial fez é errado.
E o importante é saber condenar isso.
Sabe, penso isso por um paralelo q já me ocorreu. Quando estava no colégio, discutindo pena de morte, e eu contra a pena capital, um amigo me disse "Ué, vc é contra, mas ´duvido q se alguém estuprasse sua mãe vc não queriria q ele morresse ".
Daí penso haver a diferença, que, enquanto humanos que somos e contraditórios que somos, temos esses pensamentos, podemos até fazer coisas q condenamos as vezes. (por exemplo, tenho a plena certeza q teria vontade de matar se alguém matasse alguém q amo).
Mas daí "FAZER" isso, ou mesmo achar essas sanções corretas coletivamente é outra coisa.
Penso q a diferença está q em nível individual até temos nossas fraquezas como humanos, o q é bem diferente de concordamos q a policia, ou o Estado faça isso em nível coletivo, compreende?
Saber discernir q o q sentimos por vezes é errado q é fundamental ao meu ver. Poir sentir isso e sermos contraditórios tb faz parte de ser humano.

Sei lá, existe uma diferença em minha opinião, o q não quer dizer q temos q trabalhar com isso tb..

Bjão e um bom domingo Lola!!

Carol S. disse...

Poxa, NÃO tem como apoiar a postura policial desse caso. Também tive (e até tenho tido) problemas com vizinhos barulhentos. Sei que chega um ponto que dá raiva. Ódio, vontade de matar, torturas medievais; tudo isso passa por nossas cabeça.Já passou pela minha, pela de vocês, pela dos vizinhos aí do causo.

AGORA apoiar um comportamento agressivo, violento (eu diria irracional) por parte de uma instituição social como a polícia é, em algum nível, aprovar o dos meninos que também é caracterizado por agressividade e infantilidade.
Entende? Pra mim os guris começaram errando, mas a polícia perde totalmente a razão ao agir com toda essa macheza.

Sei que não há como esperar outra coisa da polícia. Vai sempre ser assim porque nossa sociedade criou ela como uma instituição da ordem, e da ordem masculina já que se associa tão profundamente com violência.
Mesmo princípio que cria uma geração de rapazinhos violentadores de espaço alheio -música alta em carros turbinados, ostentação e violência simbólica.

Ambos homens, ambos violentos.

Oliveira disse...

Gente vagabunda, que faz o que esses retardados fizeram, te que ser presa e espancada, para deixar de ser palhaço. Assim aprende a respeitar pelo medo, que ainda é o melhor educador, para gente sem bom senso.

O resto é coversa fiada!

Caio disse...

É um absurdo a galera de esquerda apoiar essa arbritariedade da policia. Se hoje uma parcela da esquerda defende isso, não vai ter argumentos de criticar a polícias quando estes se voltarem contras estudantes ou grevistas. Existem procedimentos que devem ser obedecidos e nenhum crime pode servir de justificativa para a polícia ficar acima da lei.

Liris Tribuzzi disse...

Lola, eu sei que tô sumida por aqui, mas vim te pedir um favor.. hehe

Você poderia comentar sobre o que o MEC quer fazer com a graduação em Editoração? Resumindo: 3 das 4 habilitações de comunicação social vão ser promovidas a cursos (jornalismo, publicidade e relações públicas) e 1 vai ser rebaixada a tecnológico (divinha.. Editoração). Não é questão de ego ferido ou orgulho, mas transformar um curso com uma formação humanística bem forte em aulas de softwares de diagramação e edição de imagens é totalmente insano! Sem contar que a USP não conta com graduaçõas tecnológicas e o curso teria de ser kickado de lá.

Petiçaõ on line: http://www.petitiononline.com/mecedit/petition.html

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=13812:consulta-publica-dos-referenciais-nacionais-dos-cursos-de-graduacao&catid=191:sesu&Itemid=994

Se você puder fazer isso, vai ajudar bastante.

Woman Once a Bird disse...

Na minha perspectiva, independentemente do que se passou anteriormente, nada pode justificar a violência policial, à excepção de ameaça ao polícia no momento da detenção. Não foi o facto. Houve resistência, já que não obedeceram à ordem de abertura da porta, mas tudo o resto foi gratuito e despropositado. Poderiam ter sido detidos sem a agressão. A lei não pode ser aplicada apenas em alguns casos; faz parte do contrato social e seria perigoso começarmos a abrir excepções em função da proximidade connosco ou não.

Mariana N. disse...

Ano passado, na noite anterior ao meu vestibular, um maldito ligou uma droga de uma música horrenda no último volume e assim ficou até às 3h da manhã.

filipe disse...

medo é o melhor educador: pérola do dia.

L. Archilla disse...

Galera que nos comparou ao povo que apoia a violência contra grevistas: não é por aí. tá certo, nada justifica violência policial e a gente tá errado em vibrar com isso, mas playboyzinhos fazendo festa são bem diferentes de trabalhadores/estudantes/sem-terra reivindicando direitos.

Michele disse...

Lola.
Nunca postei nenhum comentário em seu blog, apesar de o seguir há bastante tempo.
Mas este seu post me obrigou a tanto.

Concordo que todos temos raiva de vizinhos barulhentos, de pessoas que não respeitam a privacidade e o sossego alheios.
E vontade de que algo terrível aconteça com essas pessoas é comum e diria, até, que aceitável, já que somos humanos. Todavia, como seres civilizado, devem tais pensamentos permanecer no campo das idéias, não acha?

Que alguma providência tinha que ser tomada contras os rapazes, disso eu tenho certeza, e poderia citar aqui inúmeros meios jurídicos para tanto, inclusive sem a necessidade de força policial, já que creio que o trabalho da polícia realmente deveria estar focado em coisas mais graves.

Agora, esse vídeo mostra, unicamente, a institucionalização da vingança e da violência. Isso jamais poderia ser aceito por qualquer pessoa.
Hoje você não se solidariza com a situação dos rapazes porque possui (ou teve) problemas, também, com vizinhos.
Amanhã outra pessoa pode sentir o mesmo em relação a outras tantas situações que lhe trazem incomodação e problemas.
E aonde isso vai parar?
Quantas problemas pessois são capazes de gerar a aceitação da violência estatal por toda uma sociedade?

Não quero um policial desses batendo na minha porta e recebendo seu salário dos impostos que eu pago.
Na verdade, tenho mais medo de policiais assim do que de vizinhos ameaçadores que gostam de provocar os demais.

Isso não pode ser aceito em um Estado Democrático de Direito e eu não quero fazer parte de uma sociedade que apóia qualquer tipo de violência, ainda mais a institucionalizada.

E eles filmaram tudo de caso pensado?
Estão acusando os rapazes de que? De garantir que teriam provas contra a barbárie estatal?
Até porque, se não tivessem filmado, garanto que nada iria acontecer com os policiais - totalmente despreparados para o ofício que exercem, diga-se de passagem.

Lamentável o acontecimento, seu post e alguns comentários que li acima.

Kaká disse...

Toda segunda eu tenho que aturar um encontro de atletas de cristo com musicas horrendas na porta de casa. O som é alto, as vezes nem dá para escutar a tv, mas é autorizado pela prefeitura e vai até o limite das 22 horas. Nao dá nem para reclamar para a polícia. #prontodesabafei

A polícia estava errada, mas a falta de respeito e civilidade dos rapazes, inclusive um já deixar a camera ligada provavelmente ja pensando em pedir indenizaçao é de dar nojo.

Cris Prates disse...

Ai polícia já ouvicu falar em prisão eem flragrante? Não precisa nem quebrar som nem bater. Uma noite na cadeia já é um bom começo...

lola aronovich disse...

Oi, gente boa! Fui ao cinema ver Bastardos Inglórios de novo, pela segunda vez. Quarta sai a crítica.
Bom, sobre o post, deixem-me dizer que realmente não solidarizo nem um pouco com os rapazes. Mas nada, nada mesmo. Eu conheço bem o tipinho: os nossos vizinhos, além de nos ameaçarem de morte mais de uma vez, jogaram bombinhas na gente. A gente fez abaixo-assinado com toda a rua, foi à delegacia, eles foram chamados para uma audiência na justiça com a gente. E lá foram super mansinhos, disseram que não, imagina, nunca ameaçaram, e os papeis que recebemos na nossa caixa de correspondência com mensagens tipo “tomem cuidado” era coisa de criança, e as bombinhas que jogaram na gente, não é que jogaram na gente, e sim na nossa direção, e também era coisa de criança, do filho de um deles, fazer o quê? A gente, estupidamente, depois das desculpas e das promessas deles de que não fariam bagunça novamente, retirou as queixas. E NA MESMA NOITE eles fizeram outra festa. E não pararam mais, lógico. Muita gente falava pra gente contratar alguém pra dar uma surra neles. Isso ia contra os nossos princípios, mas eu torcia pela morte dolorosa deles todo dia.
Acho que existem dois tipos de pessoas que fazem barulho. Um, a minoria, não sabe que está atrapalhando. Pra esse tipo, basta avisar que eles abaixam. Mas são minoria mesmo. O outro tipo é o que quer marcar território com barulho. Os meus vizinhos não se restringiam a ligar as caixas de som nas casas deles no último volume: eles levavam as caixas de som pra rua. E achavam o fim que alguém reclamasse. Afinal, eles estão aqui na rua faz mais tempo que os outros. Os rapazes de Timbó certamente se enquadram nessa categoria. Fizeram barulho diversas vezes, e ainda engrossaram com quem reclamou.
Estou explicando porque, no meu caso, é impossível me solidarizar com essa gente. O que não quer dizer que eu apoie a ação truculenta da polícia. Falta de solidaridade com a “vítima” não é a mesma coisa que apoiar a ação do algoz. Sou contra polícia violenta, ponto. Até porque a gente sabe que a polícia (não só aqui como na maior parte do mundo) tem um longo histórico de violência. E se ela abre uma exceção aqui, abre outra ali, e passa a fazer justiça com as próprias mãos. Não queremos isso numa sociedade civilizada. Isso é bárbarie.
Neste caso específico, a polícia não podia prender os rapazes em flagrante. Eles não abriram a porta. Tinha que arranjar um mandato. Sei lá que hora da madrugada era isso, mas imagino que não seria fácil conseguir um. E aí não seria mais flagrante, seria? Não acho que a polícia agiu certo, mas esses rapazes contam com a impunidade. Acho que deve haver leis muito mais severas para pessoas que desrespeitam os outros.
Sinceramente, se caísse uma bomba em cima da casa dos meus vizinhos que atazaram a vida de todos aqui durante mais de dois anos, vcs acham que alguém choraria por eles? Ok, nada a ver, sei que a polícia agiu sabendo que estava fazendo algo errado. O que quero dizer é que eu não passo a mão na cabeça de gente assim.

Luma Perrete disse...

Eu só tive problemas com vizinhos barulhentos uma vez.

Uma mulher se mudou pra casa ao lado e todo dia ela ligava o som alto e não tinha hora pra desligar. Sem falar do karaokê nos finais de semana. Na época a gente tinha criança pequena em casa. Como você faz um bebê dormir com barulho o tempo todo. Era horrível.
E todos os vizinhos reclamavam.

Ela era da PM e falou uma vez pra uns vizinhos que ela podia fazer o que quisesse porque era policial.

Um dia a gente esperou passar das 22h e ligou pro órgão responsável pela poluição sonora aqui (não é a polícia que a gente liga nesses casos aqui em Aracaju. Se você ligar pra polícia eles te instruem a ligar pra esse lugar). Eles foram até a casa dela, deram uma advertência e disseram que se eles recebessem outra reclamação eles iam apreender o aparelho de som dela. Nunca mais ela colocou música alta.

Teve uma vez também em que eu estava em Salvador (tinha ido pra um encontro de estudantes de Design Gráfico) e tinha que acordar cedo pra ir na UFBA. Eu estava no apartamento do tio do meu namorado e tem um bar ao lado do prédio. Nós estávamos no 11º andar e parecia que a música tava tocando dentro do apartamento. Teve uma hora que a gente desistiu de tentar dormir com o barulho e ligou pra polícia. Lá em Salvador eles também têm um órgão pra cuida de casos de poluição sonora e a polícia falou pra gente ligar pra lá. Os fiscais foram lá e eles abaixaram o som.

Pelo menos das duas vezes que eu reclamei fiu atendida, né.

Andrea disse...

Falta de educação é feio em qualquer idade. Barulho é ruim em qualquer situação. E musica é algo pessoal. Cada um tem a sua.

Não gosto de homem chorando borrando as calças. Nitido caso de falta de tapa. Um soco as vezes vale mais do que uma palavra.

Mas enfim, achei errado. Tinha que ter levado da 2a. vez. Tipo, "não te falei? Agora vão com a gente.".

Andrea disse...

Levado para a delegacia. Não levado tapa. Só para ficar esclarecido.

Você viu Inglorios 2 x? Gostou mesmo? Eu comecei a ver mas dormi. Vou ver de novo, com certeza.

Ontem vi um filme que já estava pra ver faz muiiiito tempo. Não é antigo não, esse muiiiito foi para expressar que fico eu olhando pra ele e ele pra mim já tem alguns fds. Faz tanto tempo que te amo.

É óbvio que ele era doente. Até eu já sabia. Quase chorei. Quase não, chorei mesmo. Beijos e belo dia das crianças.

Cris Prates disse...

Os playboyzinhos podiam estar com uma arma na cabeça dos vizinhos, nem assim a ação daqueles bandidos fardados se justificaria.

sil disse...

Lola, peço o mesmo que a Liris, comenta sobre o curso de Editoração, por favor!!

L. M. de Souza disse...

pois é, não tinha pensando nessa lado da história. mas enfim, fugindo um pouco do assunto, essa idéia de que a política protege é pura ilusão. a polícia vigia e pune, não evita crime algum.

Rafa disse...

Me desculpe pessoal,inaceitavel algumas comentários, esse tipo de situação é previsto na lei e ela deve ser seguida...

A polícia é uma instituição que deve agir com uso da violencia só em ultimo caso e serve para garantir que a lei está sendo cumprida. No vídeo alguns policiais abusaram do cargo deles e excederam o poder investido a eles pela sociedade.

Os policiais involvidos devem ser julgados e provavelmente perderão o cargo.

Os guris devem responder pelas leis que eles infringiram e só um JUIZ(e nao um porco truculento e nem eu, nem vocês) dirá qual é a pena que eles devem cumprir.

luci disse...

puta-que-pariu. olhe, lola, desculpa ai, acho que nao tem NADA que justifique isso (nao que voce tivesse dito que era justificavel, pelo contrario). eu simplesmente nao consegui ver a segunda metade do video por nao aguentar escutar os "ai ai ai" dos caras apanhando da policia. como assim "voce quer dar uma de machao" seu policial? ach que quem quer dar uma de machao eh VC com essa arma espacando um cara que tah jogado no chao. assim eh facil. ou nao?

luci disse...

bom, vale dizer tbm que os caras PROCURARAM algo do tipo, nao eh? o que eles esperavam era que a policia invadisse o local, tavam realmente aticando a coisa. ai eh foda, camarada! mas violencia eh violencia. nao concordo.

luci disse...

soh uma coisa. em joao pessoa, quando alguem fazia barulho assim, era advertido pela policia uma primeira vez. na segunda, era uma multa divina de mil reais. acredite, as festas na casa dos amigos nunca mais foram as mesmas, porque ninguem tah afim de pagar mil por uma festa de fim de semana... aqui na frança eh difente. fez barulho da primeira vez? xau. e pode ser barulho de grito, som, festa, qq coisa. meus amigos se borram de medo, porque quando atacam o bolso, doi tbm!

lola aronovich disse...

Então, Luci, isso de multa seria fabuloso. Mas parece que aqui, nesse aspecto de barulho, vivemos numa terra sem lei. Não sei se cada cidade é diferente. Ouvi dizer que João Pessoa priorizou enfrentar esse problema de barulho, e fez várias leis locais para coibi-lo. Aqui em Joinville é complicadíssimo: a Fundema, que é um órgão ambiental com pouquíssima gente à disposição, precisa vir aqui, medir o nível de barulho dos vizinhos, e só depois da segunda vez autuá-los com uma multa (que não chega nem perto de mil reais!). Muitas das festas dos meus vizinhos aconteciam no final de semana, quando a Fundema estava fechada! E também, os vizinhos meio que se acostumaram a ver um “carro suspeito” (da polícia etc), e diminuírem o som, pra por no volume máximo assim que o carro fosse embora. Olha, a gente perdeu a conta de quantas vezes ligou pra Fundema... Uma vez, durante a semana, alguém veio aqui, falou com os vizinhos barulhentos, que tiveram um chilique e me ameaçaram de morte. Essa foi uma das 3 ou 4 ameaças de morte que recebi.
E concordo totalmente, é muito fácil ser machão quando se está fardado e com uma arma na mão.


Liris, Sil, eu comentaria sobre o curso de Editoração, se entendesse alguma coisa do assunto. Vcs não querem escrever um guest post pro blog, explicando o que tá acontecendo, o que é esse curso, por que estão querendo eliminá-lo, e as consequências disso? Aí eu publico!

Georgia Martins disse...

E eu estava me sentindo anormal por pensar exatamente como vc escreveu.
Senti muita raiva dos boyzinhos. Não gosto deles.

Giovanni Gouveia disse...

Em tempo, quem eescreveu ali em cima não foi Cris Prates(apesar de ela ser a advogada da casa), mas euzinho, computador compartilhado dá nisso.
Vê só, não quero justificar a ação dos meliantes sem farda, de forma alguma. Mas os meliantes fardados foram tão ou mais criminosos que os playboyzinhos.
E aí, com uma escopeta na mão fica fácil fácil.

Éris disse...

Então, Lola, eu achei um absurdo o que eles fizeram, mereciam umas porradas mesmo, mas não da polícia, pois sabemos que violência policial é muito comum, se batermos palma para eles por terem agredido alguém que acreditamos merecia, mas xingamos quando eles batem em quem achamos inocente, fica confuso, penso eu. Não podemos ter várias medidas, se o que os rapazes fizeram é crime, eles deveriam ser encaminhados a delegacia, uma imagem muito mais bonita.
É bonito vê-los apanhando, pois mereciam, mas é triste ver quem agrediu.

Gabriela Martins disse...

Nessa eu acabo concordando com a Lola: eu sou contra violência policial, mas não consigo sentir um pingo de solidariedade pelos rapazes.

Acho que a idéia da multa na segunda advertencia é excelente, porque assim as pessoas levariam o primeiro puxão de orelha mais a sério. E que a fiscalização funcionasse nos fins de semana, também.

Nunca fui de ter muitos problemas com vizinhos barulhentos, mas me lembro de uma ocasião em particular que foi terrível. Era um sábado, eu tinha uma prova de concurso no dia seguinte e fui me deitar umas 2 da manhã. Os vizinhos estavam fazendo festa no jardim, desligaram o som, mas pegaram o violão. Aí foram 8 adolescentes bêbados se esgoelando do lado do meu quarto. Eu estava com sono, mas não conseguia dormir. Teve um momento q fui na cozinha beber água e vi um vidro de maionese vazio: vou te confessar que faltou pouco pra eu encher o vidro com ovo, farinha e xixi e mandar em cima da molecada...

Romanzeira disse...

Uma conhecida minha que foi morar na Alemanhã disse que lá eles são cheios de regras quanto ao barulho, mesmo em churrasquinhos a tarde, se exagerar no barulho vem a políticia e o cara é multado. Bem, naquelas terras frias há muitas regras, talvez em excesso, mas essa aí eu acho que cai muito bem.
Eu moro numa vila, ou seja, a casa do meu vizinho da frente fica a menos de 20 metros da minha. Resultado: nos finais de semana é impossivel fazer qualquer coisa na sala e no dos meus pais - dormir, ler, ver tv, estudar ou mesmo ouvir música é impensável! Este vizinho é tranquilo no sentido de não criar confusão, ou afrontar quem reclama do barulho, o problema é que isso não acontece em festas eventuais, mas sim todo final de semana e eu acho um absurdo a gente ter que lembrá-lo que o volume da musica na casa dele esta passando do limite.
Tem outros dois, entretanto, que mereciam levar uma dura da polícia porque adoram afrontar e sacanear quem reclama do barulho.

Alessandro R. C. disse...

Pô, boa ideia essa da polícia entrar e quebrar o som. Não é crime.