segunda-feira, 5 de outubro de 2009

ALGUNS ANÚNCIOS ANTIGOS QUE ODEIAM AS MULHERES

"Se o seu marido descobrir que você não está procurando um café mais fresco...". Já viu, né? Violência doméstica vende! O pior é que a donzela indefesa está adorando. Este deve ser da época do Nelson Rodrigues, que dizia que não eram todas as mulheres que gostavam de apanhar. "Só as normais". Hoje vivemos na fase do "um tapinha não dói". Estranho como raramente falam isso dos homens. Que eu saiba, é só homem masoquista que gosta de apanhar. Mas, no caso das mulheres, somos todas.Nem me pergunte o que este anúncio energúmeno tá tentando vender, que eu não sei. A chamada diz "É bom ter uma garota em casa". Pra servir de capacho, decerto. Pro homem da caverna, o provedor que sai pra caçar e garantir a comida do lar, se sentir o senhor do castelo. Lembrei de um slogan feminista dos anos 60: "Se o lar é o castelo do homem, deixe que ele o limpe". Desta vez a modelo tá menos feliz que no anúncio anterior, mas ainda assim não demonstra revolta nenhuma.Se você estava pensando sobre os anúncios antigos, "Ah, que bom que essa misoginia não existe mais", este é atual. A pose não é tão diferente do anúncio anterior. Temos um homem em posição de controle sobre a mulher. Além disso, ele está vestido, ela está com pouca roupa. O que isso significa? Pode ser várias coisas. Uma é que o sujeito trabalha, é o provedor (logo, quem manda), e a mulher fica torrando ao sol o dia inteiro, uma dondoca fútil que só liga pra aparência. Outra coisinha é como ensina Naomi Wolf: os dominadores usam roupa, os dominados não. Pense na relação entre amo e escravo, guarda nazista e prisioneiro. Quem andava vestido? Até nas relações sado-masô, quem domina usa roupa. E, claro, em 90% da propaganda que vemos, o homem tá mais coberto que a mulher. Ele é o disciplinador, o controlador dos ímpetos primitivos e irracionais das fêmeas. Se precisar usar força física de vez em quando, paciência. Ela até gosta!

14 comentários:

Laura disse...

complementando seu post, tem mais uma atual: http://sindromedeestocolmo.com/archives/2009/09/triton_promove_violencia_contra_a_mulher_-_e_nos_o_que_vamos_fazer.html/

Lord_Anderson disse...

Nossa...

Vi uma materia desse tipo uns meses atras numa edição da superinteressante (ou na mundo estranho não lembro) e tinha esse mesmo do capacho e outras no mesmo calibre.

Isso vende pq reflete a violencia que ja temos ou pq a estimula?

Lord_Anderson disse...

Aliais alguem que frequenta o blog estuda ou trabalha com publicidade ?

Se sim poderia dizer se tem algum manual ou indicação p/ que criem comerciais assim?

L. Archilla disse...

Anderson, respondendo à sua pergunta tostines, acho q vende pq reflete e legitima. tipo "ah, tudo bem q eu bata/humilhe/agrida minha mulher, é o certo".

Lord_Anderson disse...

L.Archilla

perguntas totines foi boa. ^^

E pior é que é assim mesmo, o pessoal põe uma campanha como essa da Triton como se fosse a de um bicoito.

E quando alguem tenta chamar a atenção p/ o absurdo que isso é, tenta discutir... ai começa a reação, vc não tem senso de humor, é moralista feio,etc,etc.

Deborah disse...

Lola, por favor.
Olhe essa tirinha que faz piada com estupro: http://ow.ly/sJSn

Este site está cheio de piadas machistas...

Carol S. disse...

Concordo, mas ainda há o que se discutir. Principalmente no que diz respeito a terceira propaganda. Porque há mulheres (mais do que isso, há o DISCURSO) que se diz(em) empoderadas pela sensualidade.
Há desde atrizes pornô como Soya ou Sasha Grey até... bem, até minha Vó fala isso -apenas quero dizer que é senso comum que a beleza essencialmente traz confiança, auto-estima. Assim, é bem difícil imaginar que uma mulher bela/sensual, etc não se sente poderosa (devemos distinguir o termo de empoderada?). Como ver inferiorização nisso?

Parece que temos aqui o truque do malandro, porque não é fácil perceber que esse empoderamento é falacioso. Que coloca a mulher em uma posição frágil: a beleza é passageira na medida que está associada com juventude e magreza, e passiva na medida em que o seu comportamento se baseia num sistema de gênero desigual e misógino.

Sheryda Lopes disse...

Para mim a beleza é posta como algo que liberta, mas no fundo ela aprisiona. Nojentos os comerciais, mas os mais perigosos são esses em que a violência não é tão explícita assim, pois dessa forma ela passa meio que despercebida. Como nos comerciais do desodorante Axe, por exemplo.

Alba Almeida disse...

Lola, eu adoro os seus post, agora uma coisa que está chateando , é o fato das pessoas serem tão repetitivas no caso Polasnki. Não, que eu queira ser omissa, nunca longe de mim. Deve-se apenas colocar sua opinião e seguir adiante. Jamais devo fazer alguém mudar de opinião simplesmente, por causa de meus conceitos ou outros.
Amo tuas histórias, suas criticas, seu humor. Aprendo muito, é um relaxe.
Beijos e desculpa o desabafo.

Drixz disse...

Eu não aguento essas propagandas sexistas. Nesses casos eu acho que o anunciante deveria ser responsabilizado. É um adsurdo ver como eles vendem a imagem da mulher passiva-objeto.

Giovanni Gouveia disse...

Não nos esqueçamos de Luiza Brunet e os comerciais da Dijon

http://images.google.com.br/images?q=dijon%20brunet&oe=utf-8&rls=org.mozilla:pt-BR:official&client=firefox-a&um=1&ie=UTF-8&sa=N&hl=pt-BR&tab=wi

anália disse...

Fiquei chocada. Como não gosto de TV, termino ficando muito alienada sobre as propagandas atuais...
Bjs,
Anália

Éris disse...

Oi, Lola.
Percebo muito isso no "sadomasô", como você mesma citou. Mesmo as "Dommes" estão cobertas e os "slaves" quase nus, quando não estão nus apenas de coleira. Isso demonstra bem como o dominante se cobre, e o dominado fica 'exposto', dá a impressão do 'acessível'.
Mas isso também depende da cultura, penso, porque em alguns países mulçumanos as mulheres estão cobertas da cabeça aos pés e são as dominadas, as escravas, ou pior.

Teresa Silva disse...

Tem uma série americana, Mad men, que acontece numa agência de publicidade nos anos 60. Não assisti, mas dizem que mostra como o machismo imperava nessa época: além dos diálogos dos publicitários, tem a mulher do dono da agência submissa às traições do marido, uma secretária que tenta se promover usando a beleza e outra que não é bonita e tenta se promover com o seu trabalho. De uma história dessas a gente fica sabendo como os anúncios da época eram feitos.